quinta-feira, 31 de maio de 2012

Da Direita à Esquerda


Da Direita à Esquerda, hoje há debates para todos os gostos. A ideologia no centro-direita está em debate na sede adelino Amaro da Costa e o mescla de Partidos, Sindicalismo e Movimentos Cívicos em discussão para os lados de Cascais.

"Nenhnum Ministro será demitido por causa de um SMS".

Esta imagem foi tirada no debate quinzenal com o Primeiro-Ministro. A Oposição aproveitou o caso das secretas e das alegadas pressões para atacar o Ministro Adjunto pela frente. Quem respondeu pelo Ministro dos Assuntos Parlamentares foi o Primeiro-Ministro, que deu o corpo às balas pelo seu delfim.
Ao contrário do que seria normal, a presença de Relvas podia ser incomodativa para o próprio mas também para Coelho, mas os dois tiveram coragem. Relvas porque não fugiu e Coelho porque levou o tema das secretas num momento complicado para o seu governo.
Miguel Relvas deve ter passado um dos piores momentos políticos da sua vida, porque foi atacado e não pôde responder. Teve a sua defesa na audição parlamentar, mas ter que ficar calado perante as acusações de toda a oposição, não deve ser uma tarefa fácil.
Para já, Passos Coelho optou pela defesa pública de um seu Ministro, garantindo toda a confiança política e pessoal. No entanto, como este caso parece ser mais uma vendetta política, o Coelho lá vai aguentando como pode o seu barco, mas sobre isso escreverei mais tarde. Contudo, pergunto se quando a tormenta passar não será o próprio Coelho a ficar prejudicado com tudo isto. E na altura o Ministro terá a mesma atitude?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Olha o espião!

A história das secretas revela o que de mau existe no nosso país: corrupção, inveja, luta por protagonismo, tráfico de influências e outros mais.
No meio do caso Relvas, surge Pinto Balsemão, Ricardo Costa e a guerra Impresa/Ongoing. No fundo, o que acaba por ser uma luta empresarial acaba nas mãos do poder político, como se uma briga entre dois irmãos tivesse de ser resolvido por um PM ou um qualquer Ministro responsável pelas Brigas dos Mais Novos.
O mais preocupante é notar a fragilidade de qualquer instituição perante o poder do Governo, seja ele qual for. Para mandar alguém para a rua ainda é preciso dar uma palavrinha ao "amiguinho". Nesta trapalhada toda, o amiguinho é Relvas, mas em governos anteriores já passaram por esse papel Armando Vara ou Jorge Coelho. Infelizmente, no futuro continuaremos a ter alguém que tão bem interpreta o famoso "braço direito", ou como se costuma dizer "domina o aparelho". Não é com audições parlamentares que a vergonha cai, embora estas possam ajudar a esclarecer alguma coisa, mas tudo vai ficar na mesma como sempre acontece no nosso país.
É intrigante verificar quão debil são os nossos sistemas de informação e porque razão se anda a investigar um director de um jornal quando a atenção devia estar toda nas questões de segurança interna e externa. Vão rolar cabeças? Não me parece que alguém as queira cortar....

10,000

O Olhar Direito atingiu pela primeira vez desde a sua existência a marca de 10,000 leitores num só mês. Há muito que procurávamos este número e após muito esforço desta equipa conseguimos alcançar tão significativo e importante número.
A nossa persistência, entusiasmo e vontade de afirmação resultou neste número mágico. Não tem sido fácil o crescimento do Olhar Direito num mundo competitivo como é a blogosfera, ainda para mais tendo em consideração que as pessoas "de hoje" resumem a sua leitura a pouco mais de três ou quatro blogues. Temos tido um crescimento sustentado e isso para nós é mais importante do que não conseguir manter o interesse dos leitores.
Apesar deste sucesso, não estamos satisfeitos e por isso estão previstas algumas mudanças a nível de design, domínio e de conteúdo.
Mas isso vem mais tarde, o que importa agora é realçar a conquista desta fantástica equipa.

terça-feira, 29 de maio de 2012

À moda do FCP

Quando todos estavam concentrados no Euro 2012 e na prestação da selecção, eis que o mundo do futebol espanta-se com a notícia da saída de Leonardo Jardim do comando técnico do clube que levou a uma classificação histórica, pois o Sp.Braga já tinha ficado em 2º mas nunca em terceiro.
A saída de Jardim acontece, não pelos resultados desportivos que ultrapassaram o exigível, mas porque por declarações em que o treinador afirmava não ser amigo de António Salvador, o Presidente do clube.
Com a saída de Jardim e o provável despedimento de Vitor Pereira, mesmo que PC diga que não, está concluído mais um negócio rentável para o FCP que assim não tem que pagar ao Sp.Braga para contratar Jardim e livra-se de Vitor Pereira arranjando um clube simpático para o actual treinador. Lembram-se IVIC?
Também no campo da contratação de treinadores, o FCP não joga limpo. Para não se arriscar a ter uma temporada igual à que terminou, PC vai buscar Jardim e assim garante qualidade para a sua equipa. Assim o ex-técnico bracarense não tem que dar justificação aos adeptos do Braga e arranja uma forma de irritar o Presidente Salvador que ferve em pouca água. No entanto, falta saber como despedir Vitor Pereira. Corunha e Olympiacos podem ser uma boa solução, ou quem sabe o próprio Sp.Braga.
Perante esta "montagem" idealizada por PC, não há adversário que consiga bater os azuis e brancos, mesmo fora do campo.
É que Jardim podia vir a substituir Jesus, mas mesmo que LFV tentasse antecipar a jogada, teria o problema de Jesus para resolver.
Assim Pinto da Costa e o FCP vencem novamente nos bastidores do futebol português. Também é por isto que o clube azul e branco vai anos luz à frente dos outros.
Aguardemos então a saída de Vitor Pereira.....

A História de Lula, Gilmar, Cachoeira e o Mensalão


Quem será que está falando a verdade? 
Fonte da foto: Jornal O Globo

Hoje, a principal machete nos jornais brasileiros retrata mais um escândalo de corrupção neste país. Este tipo de notícia é tão corriqueira que normalmente eu não trataria disto em meus posts.

Entretanto, faço uma exceção não apenas porque desta vez o personagem principal é o ex-presidente Lula, mas também porque envolve dois dos maiores escândalos políticos que já aconteceram na história do Brasil.

A denúncia feita na reportagem de sábado da Revista Veja diz que o ex-presidente Lula teria, supostamente, se reunido com o ministro do STF, Gilmar Mendes, e proposto que o ministro adiasse o julgamento do Mensalão em troca blindá-lo na CPI do Cachoeira.

O Mensalão foi o nome dado à maior crise política que aconteceu durante o governo Lula nos anos de 2005 e 2006. Tudo começou quando vazaram gravações de um dos diretores dos Correios do Brasil (empresa pública federal), no qual recebia propinas para favorecer empresários. Nesta gravação, o diretor explicou, com riquezas de detalhes, o esquema de corrupção nos Correios e citou que, o então deputado federal, Roberto Jefferson era o chefe do esquema.

Acuado, Jefferson acabou revelando, em entrevista à Folha de São Paulo, um esquema corrupção bem maior  no Congresso Nacional, conhecido como Mensalão, cujo o suposto mentor era o então Ministro da Casa Civil, o ex-deputado José Dirceu.

Resumidamente, os deputados da base aliada do governo recebiam uma “mesada” para votar nos projetos de interesse do Poder Executivo, que era bancada por empresários e chegava até eles através de desvios feitos pela agência de publicidade do empresário Marcos Valério.

Interessantemente, na época, mesmo tendo o seu governo sido beneficiado pelo esquema, que supostamente era liderado por José Dirceu, o seu homem forte, Lula declarou que não nunca viu e nunca soube de nada.

Em 2007, o STF iniciou o julgamento dos 40 acusados (que coincidência com o conto de Ali Babá e os 40 ladrões) por crimes de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta e evasão de divisas.

Já a CPI do Cachoeira é um escândalo datado de 2012, deflagrado pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal para desarticular uma organização criminosa que explorava máquinas caça-níqueis e jogos de azar, ambos proibidos pela legislação brasileira, no Estado de Goiás.

Entretanto, a investigação da PF teve desdobramentos bem maiores do que se previa, pois as escutas telefônicas revelaram que o chefe da organização criminosa, o bicheiro Carlinhos Cachoeira, comandava muito mais do que a simples exploração de jogos ilegais.

Na verdade, descobriu-se que Cachoeira tinha ligações com vários políticos como o senador Demóstenes Torres, o governador de Goiás, Marconi Perillo, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

As investigações também apontaram que o bicheiro tinha ligações com a construtora Delta, do empresário Fernando Cavendish, responsável pela construção de várias obras públicas, dentre elas a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014, sendo esta a empreiteira que mais recebeu recursos do governo federal nos últimos 03 anos.

Curiosamente, segundo relatórios da Operação Monte Carlo, há indícios “de que a maior parte dos valores que ‘entram’ nas contas das empresas fantasmas [ligadas à Cachoeira] são oriundos da Delta Construções”.

Pois bem, diante da gravidade e repercussão do caso, o Congresso Nacional criou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as operações de Cachoeira, sendo esta popularmente conhecida como a CPI do Cachoeira.

Uma vez explicados ambos os escândalos, voltamos para o suposto pedido de Lula para o ministro Gilmar Mendes, para situá-los em seu contexto.

Apesar do processo do Mensalão ter sido iniciado em 2007, apenas agora em 2012, o seu julgamento se aproxima. Atualmente, o processo, que já foi relatado, encontra-se na mesa de seu revisor, o ministro Ricardo Lewandowski, faltando apenas que ele termine de ser revisado para ser posto na pauta de julgamento.

Ocorre que o ano de 2012 é bastante importante para a política nacional, porque é ano de eleições municipais, sendo esta a eleição na qual é feita a base política que servirá de apoio para as eleições presidenciais e estaduais, em 2014.

O julgamento do Mensalão antes da eleição pode causar prejuízos muito grandes ao PT, partido de Lula, envolvido até o pescoço no esquema das mesadas, de modo que a ressurreição do escândalo poderia custar-lhe a perda de prefeituras estratégicas no país.

Por sua vez, o ministro Gilmar Mendes foi citado em uma das conversas gravadas entre Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres, na qual o senador afirma que o ministro do STF o ajudou com uma ação judicial bilionária de interesse de Cachoeira.

Então, a suposta proposta de Lula para Gilmar Mendes foi de o ministro adiar o julgamento do Mensalão para depois das eleições, em troca de que ele fosse preservado na CPI do Cachoeira. Uma mão lavaria a outra e ambos sairiam limpos.

É obvio que Lula nega que tenha feito tal proposta, contudo Gilmar Mendes não só confirma a mesma, mas também se diz perplexo com o “comportamento e as insinuações despropositadas do presidente”.

Em quem acreditar? Não sei, nenhum dos dois é santo. O certo é que um deles está mentindo e que um deles cometeu um crime. E quanto a nós, brasileiros, só nos resta cantar a música de Cazuza: “Brasil, mostra tua cara, quero ver quem paga para a gente ficar assim. Brasil, qual é o teu negócio? O nome do teu sócio? Confia em mim...”.

Larissa Bona

segunda-feira, 28 de maio de 2012

2 anos no Parlamento Europeu

Entre Março de 1995 e Março de 1997 desempenhei as funções no Parlamento Europeu, sediado em Bruxelas, onde aliás nasceu o meu primeiro filho (na Clinique Baron Lambert), deslocando-me todos os meses durante uma semana a Estrasburgo para a sessão plenária, independentemente de também haver por vezes mini plenárias na capital do Reino Belga.

Mais propriamente, integrei a "Aliança dos Democratas Europeus" (ADE) e, depois, com a fusão (sim, também há fusões em política e não apenas no domínio das empresas) deste grupo parlamentar - onde estavam os franceses do RPR, os irlandeses do "Fianna Fail", os gregos da "Primavera Política" e os portugueses do CDS/PP - com os italianos da Forza Europa, no grupo "União para a Europa" (UPE).

E lembro-me bem que era com alguma estranheza, que constatava que os partidos políticos portugueses que integravam e integram (incluindo actualmente o CDS) os dois maiores grupos políticos do Parlamento Europeu, defendendo em Portugal determinado tipo de posições quanto ao processo da integração europeia, nomeadamente em períodos eleitorais, contradiziam depois com a grande ligeireza essas mesmas teses, votando ao lado dos defensores das proposições mais pró federalistas, sabe-se lá se por real convicção, se por mera falta de coragem para divergirem daqueles que efectivamente mandavam e mandam nesses agrupamentos políticos.

E sabe-se quem conduz o PPE e o PSE, sabe-se os propósitos que têm, sabe-se inclusivamente e eu testemunho-o pela prática que vivi, que faziam aprovar textos, com os votos do PS e PSD que, se do conhecimento dos portugueses, na sua verdadeira dimensão e significado, grande estupefacção, no mínimo, causariam ao grosso dos votantes destas duas formações partidárias em Portugal.

É que, com o seu voto (nominal e registado e portanto sem margem para equívocos), na grande maioria dos documentos sufragados pelo Parlamento Europeu, os deputados do PS e do PSD deram um contributo determinante para que fosse, por exemplo, adoptado o mecanismo do voto por maioria em inúmeras matérias, em detrimento da unanimidade, invocando para isso a operacionalidade do funcionamento interno da União.

Com as suas reiteradas atitudes, esses parlamentares estavam, ainda hoje me interrogo se conscientemente, a dar uma ajuda decisiva para a edificação da Europa do directório, para a Europa dirigida por meia dúzia de Estados, defensora dos interesses opostos aos de uma Europa das Nações, assente na igualdade jurídica de todos os Estados.

Surppreendo-me por isso com o espanto que hoje muitos dos dirigentes políticos expressam quanto à evolução da União Europeia.

Qual então espanto? O que é espantoso é que esta gente se espante com as consequências das posturas que eles próprios assumiram e seguramente continuam a defender e que, passo a passo, vão consolidando aquilo com que agora se espantam.

O que é verdadeiramente espantoso é que os que atempadamente chamaram a atenção para o rumo que a evolução do processo de construção europeia estava a ter, alertando para os perigos da introdução do voto por simples maioria, no processo decisório, tenham sido mimoseados com o epítetos que todos seguramente se recordarão.

Texto de Miguel Felix António - escreve em http://www.forteapache.blogs.sapo.pt/

o sentido patriótico de pagar impostos

A directora geral do FMI, Christine Lagarde decidiu abrir uma frente de batalha com o povo grego. Achar que o problema da dívida grega se resolve com o pagamento integral dos impostos é mesmo de alguém que não tem qualidade para ser directora geral de uma grande instituição financeira a nível Mundial.
Como é natural, as reacções não foram as melhores e numa altura de divisão política na Grécia, todos os partidos da direita para a esquerda, se uniram para criticar Lagarde.
Numa coisa os gregos estão unidos : na sua dignidade, integridade e honorabilidade. Não se pode colocar agora a honestidade dos gregos por causa da iminente declaração de falência, mesmo que a situação política não seja a melhor. A verdadeira questão não é o não pagar os impostos, mas saber para onde vai o dinheiro que todos os contribuintes estão sujeitos a suportar. É pelo segundo facto e não por causa do primeiro que países como a Grécia, Portugal e outros tiveram de recorrer à ajuda financeira. Houve desperdício mas a corrupção não pode estar dissociada da crise que atravessamos.
A substituta de Dominique Strauss Kahn não tem sido muito feliz neste inicio de mandato.
Numa fase em que Sarkozy há muito que abandonou o Eliseu, a sua antiga Ministra poderia muito seguir o mesmo caminho. Pelo menos é esse o desejo de todo o povo helénico....

domingo, 27 de maio de 2012

Olhar a Semana - A rivalidade para além do clubismo

A semana que agora finda, fica definitivamente marcada pelos acontecimentos que se registaram na Quarta-Feira em pleno Pavilhão do Dragão. A vitória do Benfica sobre o FCP em Basquetebol é um justo prémio para quem foi melhor ao longo da época.
Não interessa analisar o plano desportivo, mas convêm fazer uma reflexão sobre a rivalidade entre dragões e águias, sobretudo ao nível do conflito norte-sul.
Em pleno século XXI e com a democracia por demais instalada, não faz sentido falar em Norte e Sul, e muito menos em superioridade de um sobre o outro. No entanto, parece que alguns dirigentes do nosso quotidiano não sabem separar as águas entre o que é o desporto e o resto. O que se passou no Dragão Caixa foi mais um episódio entre equipas rivais, mas sobretudo o alimentar de um ódio que ultrapassa a as cores clubísticas. No fundo, por detrás disto há uma enorme rivalidade regional causada por quem anda no futebol há tempo de mais.
Quem perde com estas cenas e com as declarações dos dirigentes é o desporto em si. Como se viu, não é só no futebol que estas situações acontecem. Não interessa a modalidade, o problema é mesmo as personagens envolvidas.
As declarações proferidas por LFV e PC deveriam ser repudiadas, até a nível governamental, porque como dizia um falecido relatador desportista "é disto que o meu povo gosta". É este tipo de guerrinha que vende jornais, alimenta a rivalidade e no fim provoca a violência que passam por esse mundo fora. Pior do que as cenas de violência, é a tentativa de ambas as partes justificarem as atitudes tomadas. Sendo que ninguém dá o passo em frente para fumar o cachimbo da paz, é de esperar novas cenas de violência num futuro próximo. E se o Secretário de Estado do Desporto começasse a agir?

sábado, 26 de maio de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Mensagem XXXVI

(...)

Apesar de Salmolipe ter de nadar meio mundo para encontrar Salmodiana e o grupo de Caglão ter ficado reduzido devido à fome dos Lobix, a tarefa mais dificil estava no grupo de Salmonisco. A subida do rio já tinha sido feito e o burburinho das cascatas já se ouvia ao longe.....
Havia quem já sentisse medo nas barbatanas.....e muitos deles pensavam nos grandes animais que lá por fora estavam à espera de comida. Tal como acontecia com os Lobix, em relação ao ursos havia a certeza que era preciso enfrentar aqueles que supostamente eram mais poderosos. No entanto, os salmões conseguiam ser espertos e aerodinâmicos.

Antes de cada um passar pelo obstáculo, Salmonisco quis deixar uma mensagem.

- Meus salmões, o obstáculo que vamos enfrentar é deveras perigoso. Os ursos estão lá fora com a boca aberta e à espera que entremos directamente no seu raio de acção. Eles estão sentados nas rochas, pelo que teremos de passar sempre por onde haja água a passar. Apesar da enorme boca, os ursos como fazem pouca ginástica não têm uma grande mobilidade, para além do pouco espaço de actuação. O ideal seria passar no meio deles, de forma a que eles choquem com a sua boca e porventura se magoem. Quem sabe com a nossa acção, eles podem vir a cair e assim é menos um obstáculo. Eles estão em número grande, pelo que, logo que alcancem a água, nadem o mais rapidamente possível, para assim evitarem serem esmagados ou encurralados por aqueles que estão dentro de água. No entanto, nesta fase ainda só vamos levar com eles "pelo ar".
Aproveitem a agilidade para tornar mais dificil a captura... Encontramo-nos todos na Gruta dos Escondindinho.
Boa sorte a todos, é o que vos desejo.

Depois destas palavras, os salmões deram um forte cumprimento entre todos. Tal como os humanos, esta espécie também acreditava na vida para além da morte, pelo que morrer significava ter a oportunidade de uma segunda vida, menos terrena mas mais espiritual. Fosse no Céu dos Salmões ou na Gruta dos Escondidinho, eles voltariam a se encontrar.....

(continua dia 1 de Junho...)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Matança XXXV

(...)

Salmolipe tomou o seu caminho em direcção a Hubiz. Durante o seu percurso iria encontrar vários perigos, mas isso para ele era coisa pouca. O verdadeiro teste seria retirar Salmodiana da garra do inimigo.

Enquanto isso, Caglão e o seu grupo estavam em grandes dificuldades para sobreviverem aos Lobix. Os lobos iam a pouco e pouco alimentando a sua barriga à custa de muitos Salmonix. Infelizmente, muitos foram devorados. No fim da matança, sobreviveram pouco mais de 50 salmões, incluindo Caglão que ficara responsável por aquela parte do grupo. Não havia ninguém que tivesse ficado satisfeito com tal desfecho.

- Isto foi um autêntico desastre - exclamou Caglão.

- Resta-nos seguir em frente, pois estamos perto do ponto de encontro com Salmonisco e os outros. - atirou Salminês.

- É isso mesmo Salminês. Temos de olhar para a frente e honrar a memória dos outros....

(continua dia 26..)

Portugal sem talento

Diz-se que Portugal é um país com uma quantidade de talentos superior à dos outros países. Seja a dar pontapés numa bola, com um microfone na mão ou no teatro político.
Vem isto a propósito de mais uma eliminação de uma cantora portuguesa na sempre excitante edição do Festival da Canção. A portuguesa Filipa Sousa não vai estar presente na final. Não se percebe como é que num país onde existem milhares de concursos para descobrir a voz mais linda de Portugal, depois chegamos aos concursos internacionais e nem um lugar na final conseguimos almejar.
O dinheiro que se gasta em publicidade, fazer programas que duram horas, isto para não falar de todos aqueles que contribuem com poucos cêntimos para votar no seu cantor favorito; é depois deitado ao lixo, porque o objectivo propostos não são alcançáveis. E não me venham falar em ter notoriedade musical ou vender muitos discos, porque o que realmente importa é ter sucesso nestas provas.
Afinal, os nossos talentos não passam de artistas plásticos sem futuro algum pela frente.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Relvas e a história da carochinha

Em menos de um mês, o todo poderoso Ministro dos Assuntos Parlamentares e braço direito de Passos, vê o seu nome envolvido em questões política que em nada o favorecem e descredibilizam o governo PPC. O tema das secretas e agora as alegadas pressões sobre uma jornalista do Publico, levam Relvas ao banco do Parlamento para responder a questões resultantes dos respectivos inquéritos.
Como já afirmei será PPC quem fica a perder com esta chamada e não propriamente Miguel Relvas, já que na hora de votar quem vai ser recordado é o PM. O Governo atravessa a sua fase mais complicada e o alvo a abater é o Ministro com mais influência. Assim sendo, não haverá uma "chicotada psicológica" no Governo mas um ajuste de contas na hora da votação.
Relvas não vai ao Parlamento, mas à ERC. Não é bem a mesma coisa, mas para já, da ira dos deputados conseguiu escapar.........
Não se entende como é que Passos Coelho pode afirmar que o Governo não faz pressões, sendo que todos sabemos que esta é uma prática recorrente em todos os governos.....
A frase de Passos Coelho faz-me lembrar um episódio da Série "YES, Minister", em que o Ministro tenta a todo o custo que uma notícia não seja difundida e ao que o director da BBC responde " a BBC não aceita qualquer tipo de pressões ou chantagens vindas do governo".....
Mas no fim a história é outra.....

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Os pequenos partidos

No fim de semana passado realizou-se o congresso do Partido Os Verdes, como a fotografia demonstra bem.
O congresso ou a Convenção é um momento de discussão e serve essencialmente para definir estratégias e caminhos a seguir.
Como é sabido, o PEV há muito que se uniu ao PCP no Parlamento, criando assim a CDU, coligação que costuma ir a votos.
Ao contrário de todos os partidos representados no Parlamento, o PEV não tem ideologia, não luta por uma causa política e a sua expressão em termos de deputados é muito reduzida. Normalmente as intervenções de Heloísa Apolónia costumam ser desastrosas.
Não querendo estar aqui a ser anti-democrático e a proibir a representação dos pequenos partidos, era importante que quem fosse para a luta política o fizesse de forma segura. Isto é, que apresente uma causa e o defenda no Parlamento. Em relação ao PEV quase nunca notamos a sua presença em questões de natureza ambiental, ainda por cima quando "vivemos" uma era de grandes transformações a nível de clima. Não noto no PEV uma preocupação nestas matérias, mas sim em ser uma espécie de "continuação" da política feita pelo PCP. Ninguém lhe tira essa legitimidade, mas a razão da existência do PEV é outra e não ser mais uma voz crítica contra os sucessivos governos.
O Tribunal Constitucional devia ser mais interventivo nesta matéria, sendo que também se devia ser feita uma nova lei dos partidos...... Estas alterações seriam importantes para que o "jogo" democrático fosse mais justo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

A volta do Olhar Direito o Brasil - O STF e o Aborto de Anencéfalos


Estátua da Justiça na frente do STF


Prezados amigos do Olhar Direito, depois um tempo de impossibilitada de postar devido a compromissos profissionais, volto a este espaço. E o mais engraçado é que, neste meio tempo, aconteceram fatos interessantíssimos no Brasil que eu, quando os via, pensava: hum, isso daria um post excelente para o blog. Mas como existe a Lei de Murphy, que preconiza que “se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará”, eu não podia escrever sobre eles.

Agora de volta ao blog, quero falar de um dos eventos mais importantes que aconteceu neste período e que foi, em minha opinião, uma grande evolução para o desenvolvimento da sociedade brasileira, que foi o julgamento do STF que sobre a (des)criminalização do aborto de fetos anencéfalos, no qual o “Tribunal Constitucional” do Brasil decidiu que esta conduta não era um crime.

Apesar do Brasil ser um país extremamente cristão e conservador, o aborto é permitido (ao contrário do que muitos pensam), desde que a gravidez seja fruto de um estupro ou se representar risco à vida da mulher.

E aqui abro um parêntese: sim, o Brasil é um país totalmente conservador e os estrangeiros não devem se enganar com as imagens que veem do carnaval na televisão. Aliás, o carnaval é apenas um momento para extravasar a repressão sofrida pelo moralismo durante o ano inteiro, pois se uma mulher chega a fazer um topless na praia, coisa muito comum nos verões europeus, pode até ser presa por atentado ao pudor.

Enfim, voltando ao tema do aborto de anencéfalos, cuja denominação correta não é nem aborto, mas sim interrupção de gestação de anencéfalos, tirante as duas únicas situações nas quais o aborto é permitido, as demais formas de aborto são consideradas crime contra a vida no Brasil com pena de detenção de 01 a 03 anos.

Pois bem, sabendo desta disposição legal, observa-se que, em virtude da deficiência de ácido fólico em nossa alimentação, é bastante comum casos de gestação de fetos anencéfalos no Brasil, sendo este o quarto colocado no ranking mundial de ocorrências deste tipo de malformação, perdendo apenas para Chile, México e Paraguai.

Mas o que seria a anencefalia? Trata-se de uma malformação nos tubos neurais, na qual há a ausência parcial do encéfalo e da calota craniana. Popularmente falando, o feto não tem parte do cérebro, logo, só consegue sobreviver algumas horas quando nasce e o recém-nascido com esta enfermidade não tem consciência, sensibilidade, visão ou audição.

Resumindo, quando um feto é diagnosticado como anencéfalo, é o mesmo que ser dado como morto, pois não tem expectativa de vida, sendo apenas, guardadas as devidas proporções, um parasita hospedeiro no corpo da mãe, já que fora do útero não consegue sobreviver.

E o que acontecia antes do julgamento no STF? Por não haver a permissão legal expressa de aborto nestes casos, muitas mulheres eram obrigadas levar suas gestações infrutíferas até o fim, mesmo sem expectativa de vida, ao arrepio de danos psicológicos e físicos que tal gravidez poderia representar, caso contrário poderiam ainda correr o risco de serem presas. Eram obrigadas a serem caixões humanos por 09 meses.

Contudo, felizmente, o STF entendeu que o bem jurídico tutelado pelo crime de aborto é o direito à vida, portanto, se o feto anencéfalo não tem expectativa de vida, a interrupção de uma gestação deste tipo não poderia ser enquadrada na conduta criminosa prevista no Código Penal. Ou seja, a interrupção da gestação de anencéfalos não é crime de aborto e a mãe que opta por interrompê-la não corre o risco de ser processada penalmente por isso.

Aliás, achei bastante interessante a colocação do Ministro Gilmar Mendes que afirmou que quando a gravidez é proveniente de estupro, mesmo o feto sendo plenamente saudável, não se discute o aborto nestes casos, mas quando um feto é anencéfalo querem obrigar a mulher a gestá-lo, mesmo sem expectativa de vida.

Óbvio que os setores mais conservadores da sociedade, em especial as igrejas católicas e evangélicas, armaram um escândalo e acusaram o STF de estar quebrando o pacto federativo e desrespeitando a divisão dos três poderes, pois segundo eles, o Supremo Tribunal havia legalizado o aborto, consequentemente estava legislando, algo que é de competência do legislativo (que é reduto destes grupos, diga-se de passagem). Teve gente que disse que o STF estava obrigando as mães de anencéfalos a abortar e falou-se até em eugenia, inclusive.

Na verdade, estes argumentos são meras falácias, pois o STF não legislou, mas apenas interpretou a lei, sem falar que não obriga as mães de anencéfalos a abortar, mas lhes dá a opção de interromper a gravidez caso elas não desejem levá-la até o fim. E não tem nada de eugenia, pois assim como se tem a certeza que 2+2=4, se tem a certeza que os anencéfalos não sobreviverão ao nascer.

Somos a sexta economia do mundo, mas ainda estamos muito atrasados quando se fala de Direitos Humanos, principalmente porque a nossa sociedade é bastante atrasada em termos educacionais, ainda cultivamos valores que seriam aplaudidos apenas na Idade Média, como a misoginia, por exemplo, e ainda estamos no patamar de permitir que radicalismos religiosos guiem os rumos de nossa nação, apesar de sermos oficialmente um Estado laico.

Em suma, temos dinheiro, mas ainda não temos qualidade de vida, e felicito ao STF por sua contribuição para a nossa evolução enquanto sociedade, pois ficar rezando no pé do padre não é garantia de que a dignidade da pessoa humana será sempre respeitada.

Larissa Bona

Nos Passos do Concelho

Muito se fala da separação entre política e futebol. As duas actividades têm sido objecto de grande cumplicidade e amizades nos ultimos anos. Há quem defenda uma maior intervenção camarária na ajuda aos clubes mais representativos, mas muitos consideram que as águas devem estar totalmente separadas. No entanto, uma das formas de conseguir ganhar votos é estar ao lado do clube mais representativo da região.
Vem isto a propósito da recente vitória academista na Taça de Portugal. Como manda a tradição, os Paços do Concelho coimbricenses foram palco da festa dos heróis improváveis do Jamor. Mais sensato seria a presença dos jogadores no Estádio da equipa, mas é preferível que seja a Câmara a dar o primeiro abraço.
O que se passou em Coimbra, sucedeu-se nos mais variados municipios portugueses que viram os clubes locais serem presenteados com uma recepção e homenagem. Estou a lembrar-me do Estoril e do Farense, mas poderia dar outros exemplos que não fizeram manchetes. A unica excepção foi o FCP que, desde a presidência de Rui Rio não tem conseguido abrir as portas da Câmara Municipal do Porto.
Os exemplos citados relatam a promiscuidade e ajuda mútua que existe entre a política local e os seus clubes. Não é por acaso que o Presidente de Câmara aparece sempre ao lado da Taça....
Infelizmente, esta mentalidade já vem detrás e não parece mudar. Apenas Rui Rio teve a coragem de enfrentar o poder que o FCP tem na cidade e na sociedade portuguesa, tão bem exercido pelo seu Presidente.
Não se entenda qual é a lógica de se fazer uma recepção. Aos adeptos basta uma volta em autocarro aberto pela cidade.......Até porque as forças políticas só costumam estar com os clubes na hora da vitória, porque na derrota as edilidades arranjam sempre maneira de se escapar ao financiamento. Não que seja uma obrigação, porque eu considero que as Câmaras não devem ajudar os clubes mais prestigiantes, mas pelo facto da política se servir e muito dos êxitos do futebol. Note-se o caso dos clubes da Madeira que têm um apoio muito forte do governo regional.
O exemplo tem de partir dos políticos e não dos clubes, porque os segundos vão precisar sempre mais dos primeiros e não o contrário. Apesar de Rui Rio ter dado um excelente exemplo, os outros autarcas parece que não têm vontade de o seguir.....

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Imagens Marcantes

Nutro um relativo fascínio por fotografias marcantes. Aquelas que captam um momento que fica na memória para a posteridade. Durante grande parte do século XX, dado a deriva bélica que o marcou, foram as fotografias de guerra as que mais ficaram na retina das pessoas. Actualmente, e visto que vivemos uma clima de paz na Europa, são outras as imagens que marcam. Mais pacificas, menos estridentes e um tanto ou quanto caricatas. Há um político que, desde que há dois anos chegou a chefe de governo no Reino Unido, tem ocupado diversas capas de jornais e revistas com fotografias que marcam. Trata-se de David Cameron. Destaco estas três. Apesar de Conservador, Cameron demonstra uma cativante informalidade.

Mais valioso para Apple do que muitos contratos publicitários
Informalidade Anglo-Saxónica
Soccer rules in Chicago

O caso Relvas/Publico - p.v. catastrofista

Ou muito me engano ou neste caso Relvas/Publico, quem vai sair mal será o próprio PM. Nos governos de hoje, aquele que está protegido pelo aparelho consegue sempre escapar e normalmente nunca dá a cara pela porcaria que fez. Quem paga a factura é o lider do governo : nos media e mais tarde no dia da eleição.
Esta questão pode também marcar o principio da cisão PSD-CDS. Se for realizado um inquérito parlamentar, os centristas não deixarão o Ministro mais importante muito à vontade, porque também há uma sede de protagonismo por parte de Paulo Portas.


Brioso triunfo






domingo, 20 de maio de 2012

Olhar a Semana - Abafar a Relva

Em Portugal e no mundo existe uma apetência especial para que os governos tentem sempre controlar a comunicação social. À medida que os órgãos de informação vão estando na mão de privados, o alvo da tentativa de influência já não é o Ministro responsável pela tutela mas o director do jornal, canal de tv ou mesmo blogue. Raras vezes é o próprio jornalista que sofre directamente "pressão" do visado. Normalmente fala-se com o director, para este dar uma palavrinha ao jornalista. No governo Socrates, muitas foram as ocasiões em que se falou de pressão sobre membros dos nossos media, sendo os nomes de Manuela Moura Guedes e Mário Crespo os mais falados. 
Falar hoje em liberdade de imprensa ou de expressão é uma autêntica falácia. Cada vez mais os poderes usam e abusam da comunicação social como mais lhes convêm, sob as mais diversas formas. Olhemos para o caso do Pingo Doce:  O que Soares dos Santos fez foi utilizar uma campanha para atrair a atenção dos Media e com isso mostrar o seu poder económico mas também político. 
Tentar pressionar os media é uma prática recorrente e cada vez mais aceite no nosso país. Não existe moldura penal para quem faz pressão sobre o jornalista, e mesmo no campo da ética, há muito que isso deixou de ser condenável, pelo que a atitude de Relvas a uma jornalista do Publico nunca poderá ser motivo de demissão de um dos mais poderosos Ministro do governo de Passos Coelho. Até porque como é normal nestas situações, haverá sempre desmentidos que salvam a moralidade dos supostamente culpados.
Ao longo da nossa história pós 25-Abril, as tentativas de influenciar a comunicação social dava para escrever um livro, sendo que nenhum governo tem telhados de vidro nesta matéria, pelo que qualquer observação partidária relacionada com este tema estará sempre manchada por atitudes semelhantes. No fundo, ao temer a comunicação social, os nossos "poderosos" receiam o julgamento dos leitores que são também eleitores no dia da escolha. 
Qualquer coisinha que saia cá para fora é logo motivo para burburinho.
Para terminar apenas referir que foi por causa do caso TVI que José Socrates começou a perder credibilidade, iniciando um período de embaraço pessoal e político, sendo que outras histórias poderão ter ficado na gaveta. O caso Relvas é o primeiro do governo Passos Coelho. A sorte de PPC é que atingiu um Ministro forte do ponto de vista politicamente..........

sábado, 19 de maio de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Salmolipe renasce XXXIV


Mesmo sem forças, Salmolipe conseguiu levantar-se e ir atrás dos salmões reais que haviam raptado Salmodiana. Apesar de tudo, ele ainda acreditava que era possível tirar das garras do outro grupo, a sua amiga. No entanto, havia um problema, já que Salmolipe não fazia a mínima ideia onde aquela espécie de salmões seguia.
Em cada porta que encontrava, Salmolipe fazia a mesma pergunta vezes em conta, não encontrada nenhuma resposta positiva. O desespero já estava a tomar conta do seu coração. Não sabia para que lado se virar. Foi quando as esperanças já começavam a morrer que um peixe-turbilhão lhe deu uma informação bastante útil. 

- Vi um grupo de salmões há cerca de 3 dias a passarem por estes lados. Chamou-me a atenção o facto de se encontrar uma criatura diferente das restantes. - atirou o peixe.

- A sério? Era Salmodiana! de certeza... - exclamou de alívio Salmolipe.

- Não sei quem era, mas não podia fazer parte da mesma "espécie", daí que esse facto me tenha chamado logo a atenção.

- Sabes para onde se dirigiram? 

- Sim para norte, por entre aquela gruta, na direcção da placa onde diz "Hubiz". Na minha opinião foram para o festival de Hubiz que se realiza todos os anos.

- Muito Obrigado, vou de imediato para lá.

- Calma! Dizem as más línguas, que não se admitem corpos estranhos por aquelas paragens. Há focas, leões marinhos e outro tipo de perigos que costumam por lá à procura de comidinha fresca.....

- Neste momento não tenho medo de ninguém. Faço tudo para poder conseguir trazê-la de volta.

- Sendo assim boa sorte.

(continua dia 25..)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Chapada de luva branca no Benfica

Amanhâ a final da Liga dos Campeões Europeus entre o Bayern e o Chelsea vai estar sob vigilância do árbitro português Pedro Proença.
Este foi o mesmo que apitou o célebre Benfica-FCP em que um fora-de-jogo escandaloso no terceiro golo portista deu a vitória e o título aos actuais campeões europeus.
A nomeação de Proença é uma honra para a arbitragem portuguesa e para um sector que está constantemente sob fogo cruzado. Os árbitros são maus? alguns, mas os dirigentes são bem piores.
Esta escolha da UEFA é uma chapada de luva branca em LFV e também em JJ. Depois do "assassinato" que se tem feito a este árbitro, a Uefa ao vir nomeá-lo para a final está a reconhecer todos os seus méritos e valias.
No entanto, considero que esta escolha por parte da UEFA foi inoportuna do ponto de vista do momento. É que se continuamos a alimentar o ego de árbitros que "alteram" a verdade desportiva, então na próxima temporada teremos Olegário noutra final europeia.
O que se passou no Estádio da Luz foi bastante grave para que Proença tenha um prémio deste tamanho. A Uefa devia estar atento ao que se passa nos campos nacionais e não basear as suas nomeações exclusivamente na prestação dos jogos europeus. Ou então Proença tem diferentes critérios para as provas distintas..... 

A Grande Viagem dos Salmões - Alimento XXXIII

(...)

Salmonisco estava confiante da passagem da maioria dos seus companheiros pela fase dos ursos. Não havia a certeza que todos iriam conseguir sobreviver, mas o grupo no seu todo era suficiente para encontrar o caminho mais adequado.

A grande família de Ursos Pardos já estavam no local, e junto às cataratas esperavam pela chegada do alimento. Para além de servirem para consumo próprio, havia que guardar alguns salmões para os seus filhotes, de maneira a lhes proporcionar uma alimentação saudável e equilibrada. Os Salmões eram ricos em proteínas e cálcio, para além do fósforo.

Parte dos Salmonix que acompanhava o seu lider, já estava a chegar muito perto das cataratas....

(continua dia 19..)

Nota : Por motivos de organização do Olhar Direito, A Viagem dos Salmões será publica à Sexta e ao Sábado

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Rua das Três Farmácias

Andava eu a visionar algumas fotografias da cidade de Coimbra, quando me deparo com esta fotografia. Não sei o nome da rua, mas se não tivesse nome eu chamava-lhe a Rua das Três Farmácias.

O sinal verde que indica a existência de uma farmácia está em modo triplo.

Mesmo pelo facto de estarmos em crise e com isso haver mais depressões, angústias, etc etc etc......, não se justifica que numa Rua haja três lojas especializadas em tratamentos médicos. Não pode ser pelo facto de ser uma rua com movimento, porque pelo que se vê na fotografia há bastante espaço para vaguear.
Serão as unicas na cidade?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Queria escrever um ofício




Um ofício que fosse de intensidade e calma
e de um fulgor feliz
E que durasse com a densidade ardente e contemporâneo
de quem está no elemento aceso e é a estatura
da água num corpo de alegria
...E que fosse fundo o fervor de ser a metamorfose da matéria
que já não se separa da incessante busca
que se identifica com a concavidade originária
que nos faz andar e estar de pé
expostos sempre à única face do mundo
Que a palavra fosse sempre a travessia
de um espaço em que ela própria fosse aérea
do outro lado de nós e do outro lado de cá
tão idêntica a si que unisse o dizer e o ser
e já sem distância e não-distância nada a separasse
desse rosto que na travessia é o rosto do ar e de nós próprios

_________________________
António Ramos Rosa, in "Poemas Inédito

E o abismo ali tão perto

Sem consenso político e com novas eleições marcadas para 17 de Junho, o fio que há vários anos segura a Grécia parece estar a partir-se.
Paul Krugman acha que é na época balnear que se dará a queda para o abismo, já a directora geral do FMI prepara tudo e todos para que a queda não tenha efeitos mortais....

O que anda a fazer Ron Paul?

Ron Paul é o unico adversário de Mitt Romney na Corrida Republicana à Casa Branca, já sem qualquer hipotese de ser nomeado. Este candidato tem apenas 112 delegados, menos que Santorum e Gingrich que já desistiram da corrida há muito. De Paul todos esperavam que fosse o primeiro a abandonar o barco, mas para grande surpresa ele ainda continua a lutar contra o impossível.
Sem apoios nem votos, Paul continua com os seus discursos sem sentido. Agora vem com a ideia que é necessário mudar o Partido Republicano. Ao que parece, este candidato tem vários movimentos espalhados pelo país com o intuito de angariar eleitores, pena é que nas urnas ainda não tenha conseguido ganhar um unico Estado. Esta é a principal razão porque não se entende a continuidade de Paul na corrida, já que a sua desistência implicava um foco maior sobre Mitt Romney. Não que o ex-governador do Massachussetts não seja o centro das atenções, mas se estivesse na corrida sozinho, Romney tinha mais tempo para atacar Obama.
Já sem o objectivo de vencer as eleições, Ron Paul quer transformar o Partido Republicano. Também nos Estados Unidos há muitos Patinhas Antão e outros que tais, que fazem da política um momento divertido.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Juntos por pouco tempo

Foi empossado como novo Presidente Francês e à tarde já estava com Merkel. Com este par já não há possibilidade de fazer jogos com o nome dos intervenientes, pelo que temos de pronunciar tanto ele como ela. 
A situação na Europa obriga a que os dois principais países estejam unidos, mesmo que as soluções partidárias e os caminhos idealizados para a UE sejam totalmente distintos. Não era de esperar que no primeiro encontro houvesse estalada e troca de insultos, mas com o tempo isso pode ser uma inevitabilidade. Isto se a interveniente do lado esquerdo da fotografia se mantiver no exercício das suas funções. 
Para já o problema chama-se Grécia. A actual situação grega é complicada, não só por causa do impasse na formação de um governo, mas porque as sondagens indicam uma vitória do Syriza no novo acto eleitoral. Ora, caso isso aconteça, o figurino europeu muda completamente, sendo que os países sob ajuda externa poderão sofrer convulsões sociais.
Sendo Merkel e Hollande de um espectro político moderado, não é de esperar um tratamento carinhoso para o partido da esquerda radical grego.

Vaiar é fixe pah!

Este fim de semana, a Feira do Livro recebeu um convidado especial. Passos Coelho visitou o certame no seu ultimo dia.
Nada de significante, não fosse o facto do PM ter sido vaiado em pleno Parque Eduardo VII por uns manifestantes que no dia anterior haviam celebrado o aniversário dos indignados. No entanto, este não foi um momento complicado para o PM, que de forma informal vestia o papel de cidadão comum que aproveitou um dia de folga para passear. Azar o dele, foi logo para um sítio onde alguns indignados descansavam a ressaca do dia anterior. Por certo, não estavam a comprar livros.
Este pequeno incidente foi logo empolado pela comunicação social e ontem fez manchete em quase todos os pasquins da nossa praça. Qualquer assobio, piropo ou impropério dirigido contra o PM é logo notícia de primeira página.
Estive na feira do livro nesse dia e vi passar a caravana governamental. Não vi nenhum movimento contra o Coelho, mas ouvi apenas algumas bocas vindas de quem por certa estava mal disposto pelo tempo de então.
No entanto, no nosso país há muito que se generalizou o culto da vaia a governantes. Aconteceu muito com Socrates e Passos Coelho leva por tabela.
Bem que podem agradecer à comunicação social que acrescenta o ponto sobre o conto.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

14.2 - Igualdade, Liberdade e Fraternidade

Liberdade, Igualdade e Fraternidade foram os principios universais. proclamados por Jean Jacques Rousseau e que estiveram na base da Revolução Francesa.
A partir de 1789, a França passou por uma grande convulsão e mudança a nível social e político. Os valores de Igualdade, Liberdade e Fraternidade, acompanharam cada soldado em todos os momentos da revolução iniciada por Napoleão Bonaparte.
Foi no mês de Agosto desse ano, que a Assembleia Constituinte aboliu todos os direitos feudais existentes e promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Nos dias de hoje e por esse Mundo fora, este slogan é usado variadíssimas vezes, normalmente quando há uma revolução social em marcha.

E se o candidato for do CDS?

Ainda falta um ano e meio para as autárquicas, mas como é normal em vésperas de eleições, os bastidores dos partidos já estão a preparar os seus candidatos para a próxima luta eleitoral. As autárquicas de 2013 são importantes sob dois aspectos : em primeiro lugar porque em ano de crise, o governo deverá receber um cartão amarelo, pelo que Seguro pode ter um importante balão de oxigénio. Em segundo lugar, muitos dinossauros autárquicos terão que terminar os seus mandatos, devido à lei de limitação de mandatos. Rui Rio, Mesquita Machado, bem como irão fazer a despedida daqueles municipios.
Em Lisboa, prevê-se a continuidade de António Costa. Ainda é cedo para uma candidatura ao Largo do Rato, até porque se o PS vencer as autárquicas, Seguro tem legitimidade para fazer face a Passos em 2015. Perante uma provável vitória do PS em Lisboa, questiona-se qual será o candidato do PSD e CDS à principal câmara do país.
Fernando Seara? Marques Guedes? Santana Lopes? Tendo em conta que as eleições são para perder, não é de todo descabido pensar que o candidato a Lisboa seja do CDS. Para Portas apoiar Menezes no Porto, Passos Coelho tem de lhe dar algo em troca. É aqui que entra a CML, até porque tanto na capital como no Porto, PSD e CDS irão juntos a jogo, pelo que, para o PSD não faz diferença alguma que o candidato a Lisboa seja alguém ligado ao CDS. Assim, em caso de derrota, quem fica a perder são os centristas e não os sociais democratas. No caso de vitória inesperada, ficam os dois partidos a ganhar.
Esta era uma estratégia boa para o PSD e má para Portas. Não vale a pena estar a "queimar" um candidato laranja como aconteceu em anteriores eleições locais. O melhor é esperar que Costa faça o seu trabalho e depois se mude para o Largo do Rato, deixando a Praça do Municipio livre para um candidato social-democrata bem forte.
Até porque nessa altura já não há coligação PSD-CDS.


domingo, 13 de maio de 2012

olhar a semana - a Grécia por um fio

A semana que agora termina fica marcada pelas inúmeras tentativas para se formar um governo, após as eleições gregas de domingo passado. A derrota do PASOK e a vitória da Nova Democracia pareciam dar um novo alento ao povo grego, só que o surpreendente 2º lugar do Syriza ( o BE local), baralhou as contas para o  futuro. 
À grave crise financeira que se vive naquele país, junta-se um problema político que pode vir a ditar a saída  do Euro. É curioso que não foram os planos de austeridade a gerar esta situação, mas sim o facto de não ser possível formar um governo de unidade nacional para ultrapassar esta mesma austeridade que não depende da vontade ideológica de quem está no Executivo, mas sim da União Europeia, FMI e BCE. A Grécia não sobreviverá sem cortes porque não tem dinheiro, mas as medidas impostas estão a ditar sua falência económica e política. 
No fundo, o que veio baralhar as contas e a possibilidade de se realizarem novas eleições, foi o resultado do Syriza que se intrometeu nos partidos mais do centro. É o aumento de votos na Esquerda radical que coloca tudo em causa, sendo que se a Grécia tiver de sair do Euro, é uma vitória para aquele partido.

sábado, 12 de maio de 2012

Os Anos Blair


"Os Anos Blair" é uma obra que vai apaixonar os amantes da política. Aqueles que gostam de espreitar os bastidores de um Governo, vão devorar este livro. 
A obra em análise resulta dos diários de Alastair Campbell, secretário pessoal de Tony Blair que acompanhou a vida política, e não só de um dos mais carismáticos Primeiros-Ministros ingleses, desde a sua eleição no partido até aos ultimos anos. 
Campbell mostra ao pormenor todos os passos dados na resolução dos problemas que qualquer PM tem de enfrentar.  Todo o tipo de problemas têm de ser preparados minuciosamente, mesmo aqueles que têm pouca importância, como foi o caso da gravidez da mulher de Tony Blair. Durante a vigência do mandato de Tony Blair, importa realçar três questões que suscitam curiosidade e que naturalmente são retratados no livro com maior preciosidade. Estou a referir-me à morte da Princesa Diana, ao 11 de Setembro e às eleições legislativas, com particular relevo às que foram ganhas ao seu rival de sempre John Major. A invasão do Iraque também é retratado, contudo a famosa conferência das Lajes é quase ignorada.
Nesta obra podemos conhecer o perfil mais íntimo de lideres mundiais como Chirac, Schroeder, Bill Clinton, George W.Bush e Yasser Arafat. Em relação ao Presidente francês, Campbell confirma as suspeitas de quem faz meros processos de intenções : Jacques Chirac era um lider complicado e de trato dificil. No que toca às relações com o aliado de sempre, cumpre salientar o apoio dado por Tony Blair a Bill Clinton no caso do escândalo sexual com Monica Lewinsky.
Três notas para finalizar. A primeira diz respeito à constante preocupação de Campbell em relação à forma como a imprensa reage às intervenções do seu lider.
A segunda tem a ver com a relação pessoal entre Tony Blair e Gordon Brown. Apesar do primeiro ter escolhido o segundo para seu sucessor, os dois não morriam de amores um pelo outro. 
Em terceiro e último lugar, um episódio caricato que se passou no Bangladesh. Diz respeito à situação em que Tony Blair teve de pedir a um local para lhe emprestar uma camisa de fato.
É um notável livro. 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Desemprego, o Terramoto e Voltaire

Num dia trágico, absolutamente trágico em que soubemos do falecimento de um dos mais promissores (e não só) compositores e pianistas portugueses (Bernardo Sassetti), tivemos também direito a uma outra lição esta mais do tipo trágico-cómica. Hesitei pela primeira razão em escrever este post mas por fim decidi-me.

Diz o nosso primeiro que o desemprego pode ser uma oportunidade. Pois poder pode. Da mesma forma que o terramoto de 1755 foi uma oportunidade para reconstruir Lisboa. Poderão pensar que exagero mas nem por isso. Para alguém que fica desempregado nas circunstâncias actuais esse evento reveste-se da dimensão avassaladora de um terramoto sobretudo se como os prédios mais antigos tiver mais de 45 anos. Restam poucas oportunidades nas palavras do nosso primeiro para então se reerguer.

Aliás relembrando o terremoto essa frase do nosso primeiro evocame-me curiosamente um romance do contemporâneo (do terramoto claro está) Voltaire chamado Candide et L´Optimisme. Estou mesmo a ver o professor Pangloss susssurar a Passos Coelho antes de uma conferência de imprensa onde terá que anunciar que o desemprego atingiu 20%: "Não se esqueça de dizer aos srs. jornalistas que tudo está ao melhor no melhor dos mundos possíveis e que temos assim 20% de pessoas com novas oportunidades".

A bem dizer talvez Passos Coelho precise mesmo de um novo professor de lógica. Alguém que lhe explique o que é uma condição necessária e uma condição suficiente, a defeito de um pouco de bom senso estas primeiras poderiam ajudar um pouco. Na verdade é possível que o facto de estar desempregado possa constituir uma razão para procurar uma outra solução, uma vida melhor. Pode ser que seja, mas não é um condição necessária . Existem outras formas menos dramáticas e perturbadoras de atingir o mesmo objectivo. Não é tão pouco uma condição suficiente. Ou seja não chega estar desempregado para que isso seja só por si uma oportunidade, aliás a bem dizer essa será uma pequena parte - dá tempo e disponibilidade para procurar e pouco mais - porque para além disso cria isso sim uma pressão enorme que faz tudo menos catalisar oportunidades.

Diz o secretário geral do PCP que Passos Coelho não sabe o que é a vida. É verdade que até concordo com Passos Coelho quando refere que o desemprego não deveria ser estigmatizado. Essa parte positiva da mensagem é excelente. Entendo até o desafio e o gosto pelo risco que também transparecia das palavras que proferiu. Porém (e é um grande porém) ignorar o facto de que nas nossas condições de sociedade ser desempregado com mais de 45 anos (para já não falar de outras condições) é mais do que um estigma mas efectivamente uma tragédia pessoal é ignorar mesmo a realidade da vida.

Podem é verdade essas pessoas tentar dar a volta por cima, podem é verdade tentar encontrar soluções e batalhar. Podem sem dúvida. Não é necessário que cheguem a essa condição para o fazer e mais relevante do que isso não é suficiente que sejam desempregadas para que o consigam.

Em resumo Passos Coelho defendeu o terramoto para reconstruir uma vida. Pode ser uma solução da mesma forma que um canhão pode matar uma mosca. Existem é formas mais eficientes e mais eficazes mesmo em termos de custo por Euro investido e pelo menos a isso Passos Coelho deveria ser sensível.

falecer ao som do glorioso

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Falecer já não será o mesmo após esta iniciativa.
O Benfica e uma agência funerária, celebraram um protocolo, para que se faleça de forma diferente. Não que haja uma espécie de voltar ao mundo dos vivos, ou exista a possibilidade de ser enterrado no Estádio da Luz, mas a partir de hoje já é possível ir para a cova ao som do "ser benfiquista": É óbvio que isto só se aplicará aos adeptos encarnados e especialmentes aos que têm um amor incondicional pelo clube e não falharam um unico jogo do Glorioso desde que se começaram a conhecer até à sua morte. Claro está, que só aqueles que colocam o clube à frente de mulher e filhos é que tem este mimo, garantindo assim a velha máxima "morrer com o clube do coração". Adeptos especiais como o Barbas ou o taxista Máximo irão recorrer a este expediente, só faltando mesmo a bandeirinha em cima do caixão. No entanto, esta última hipotese só está acessível a pessoas que fizeram parte da brilhante história do Benfica.
Também ao nível do Direito, vai existir mudanças, porque esta vontade vai ter necessariamente de ser expressa em testamento.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Gaspar "matou" os subsídios

Se as pessoas estão fartas da Política e dos seus principais intervenientes, a questão da reposição dos subsídios é um exemplo do descrédito a que os nossos governantes e não só chegaram.
Desta vez foi Vitor Gaspar que contrariou o actual Ministro das Finanças e também o Primeiro-Ministro, contudo, a boa notícia é ter conseguido confirmar aquilo que a troika alertou há uns meses.
O que foi garantido pelo PM e também por Gaspar é apenas uma "perspectiva técnica" e não uma "decisão política". Perante esta forma de fugir às questões, então estamos esclarecidos quanto à maneira de se abordar assuntos sérios por pessoas responsáveis. Gaspar criou um problema ao proferir estas declarações.
Já escrevi a minha sentença sobre o conteúdo, mas perante questão tão delicada não pode existir por parte do Governo uma tentativa de fuga para aquilo que previsivelmente se vai suceder. E o que vai acontecer? Os subsídios de férias e Natal terão os dias contados com este executivo PSD-CDS, seja em que legislatura fôr. A única salvação para milhares de funcionários públicos é o regresso do PS ao poder nos próximos anos, porque se assim não acontecer, o 13º e 14º mês cairá no esquecimento de qualquer Primeiro-Ministro.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Lobix XXXII

(...)


Os Lobix viviam naquela zona, sendo que eram cerca de 60 Lobos-cinzentos, no entanto constituíam uma das matilhas mais perigosas. Muitos caçadores furtivos tentavam sem grandes resultados apanhar alguns lobos, o que no fundo era uma ameaça também para quem queria caçar. A matilha era liderada por Lobiguo, um velho Lobo cinzento de grande e já com uma certa idade. Ele e Lobona eram Rei e Rainha respectivamente. A sucessão fazia-se após a morte de um dos dois, nunca podendo ficar no poder sem que se preenchesse estes dois lugares. Assim, que o Rei ou a Rainha morressem, era aberta a sucessão. Os sucessores eram escolhidos de entre aqueles que estivessem no Conselho de Sábios Cinzentos. Este Conselho compunha-se de 50 lobos e lobas e nele eram discutidos vários temas como a sucessão, mas também a questão das caçadas. 
Uma das principais fontes de alimento dos lobos eram os salmões. Todos os meses, a matilha deslocava-se ao rio para se alimentar. Aproveitavam a altura de seca extrema para assim consumir o maior número de salmões possíveis. Com menos água, era muito fácil apanhar salmões, mas se o rio estava cheio, a tarefa tornava-se complicada.

(continua dia 14...)

A vez de Portugal...

Rajoy e Passos Coelho reúnem-se na Cimeira Ibérica, que mais parece uma cimeira da crise, tendo em conta as dificuldades que os dois países passam.
Se Portugal há muito que entrou na ajuda externa, os nossos vizinhos espanhois para lá caminham. Apesar da mudança de governo, o governo de Rajoy não conseguiu dar a volta ao contexto, sendo que o maior flagelo é o desemprego com uma taxa de 24%. Tendo os dois países virado à Direita, depois de anos sob o comando socialista, era de esperar melhorias a nível económico e social. No entanto, em Espanha não se está a verificar uma melhoria, mas antes mais desemprego e a convicção que mais dia menos dia, nuestros hermanos recorrerão à troika.
Nesta altura a visita de Rajoy a Portugal é importante na medida em que Passos Coelho pode dar algumas dicas sobre a forma como ultrapassar a irresponsabilidade das medidas tomadas pelos governos socialistas que durante anos foram endividando os dois países. Por uma vez na história, Espanha quer aprender com Portugal a dar um passo em frente.



terça-feira, 8 de maio de 2012

Governos sem gravata

Estes senhores da extrema-esquerda grega foram convidados pelo PR grego a formar governo. Depois da Nova Democracia não ter conseguido o feito, cabe ao BE da Grécia tentar conquistar uma maioria  no Parlamento. Também na Grécia, os senhores de extrema não usam gravata e querem nacionalizar os bancos, bem como tornar nulo o acordo de resgate que levou a que estas eleições se realizassem.
Cavaco Silva mostrava preocupação com a subida dos partidos de extrema nas eleições que tiveram lugar no Domingo passado. A extrema direita de Marine Le Pen foi a terceira força mais votada na 1ª volta das presidenciais francesas e o Syriza conquistou o 2º na Grécia, podendo muito bem governar o país nos próximos anos.
O momento em que estes partidos vão conseguir chegar ao governo está quase a chegar, pelo menos já foram chamados a formar alianças. 
Não é de estranhar a subida dos partidos de extrema. Um pouco por toda a Europa assiste-se ao descontentamento dos cidadãos em relação aos poderes instalados, o que leva ao voto nas organizações que têm um discurso do "voltar ao antigamente". Outros  aspecto a salientar é o crescente eurocepticismo que reina entre os cidadãos europeus de cada país. Se nem a Europa ou os governos locais solucionam  os problemas, o discurso radical ganha mais força nas urnas.
No entanto, e como a maioria das forças políticas ainda estão ao centro e defendem valores democráticos, não será para breve a constituição de governos extremistas, seja de esquerda ou direita. O problema é que já nem os partidos tradicionais se querem entender para resolver os problemas da nação.

A França (ainda) não é a Grécia

Há quem queira colocar os resultados destas duas eleições num mesmo patamar. Engana-se porém quem assim julga por várias razões mas certamente não as que podem imaginar. Não vos vou dizer que a situação económica francesa é diferente da Grega porque no seu fundamental não é. Aliás não é a da França como também não é diferente a situação de todas as nações da Europa, Alemanha incluída como se virá a provar daqui por uns tempos, basta esperar que sequem os mercados para onde esse país alegremente exporta os seus excedentes de produção, mas isto é assunto para outro post.

Estes dois resultados não são comparáveis porque em França estamos ainda a falar de uma vitória dentro do sistema. Alguém que rapidamente se poderá acomodar às "regras" da "razão" desbaratando assim o pouco capital que conseguiu angariar. Preferia que isto não acontecesse mas temo que tenha escassa margem de manobra e duvido que tenha capacidade de mobilizar e mudar com essa pequena margem.

Na Grécia o resultado já está fora do sistema. O voto exprime que se chegou ao limite da paciência e da elasticidade do sistema. Ou seja existe um ponto de ruptura além do qual a moderação natural das pessoas - quando são cumpridos valores mínimos de igualdade, de justiça e de protecção social - quebra-se e transforma-se num extremismo mais ou menos militante quer de esquerda quer de direita com consequências sociais que ainda não conseguimos antever.

Nesse cenário o centro aparece como tendo sido o responsável do problema e o alvo a abater. Os extremos, ambos os extremos, os de esquerda com uma qualquer solução marxizante e os de direita com uma qualquer solução liberal parecem ser as únicas soluções. Parecem digo eu porque no que me diz respeito rejeito em absoluto tanto uns quantos outros.

Os primeiros porque não aceito uma sociedade regulada e controlada por uma entidade central da qual dependem todas as regras - omnipresente e omnipotente nem tão pouco aceito a propriedade colectiva e as suas virtudes.

Rejeito também os segundos porque recuso uma sociedade cuja máxima filosofia é que cada um que cuide de si. Não somos todos igualmente fortes, é verdade, mas a consequência desse facto não deve ser ter menos anos de esperança de vida, menos acesso à saúde ou a educação, ou menos probabilidade do nosso filho frequentar a universidade - essa é a lei da selva, ou  a do farwest que nos querem vender à força da repetirem vezes sem conta.

Dizia que os dois casos não estão no mesmo estado porque num se atingiu o ponto de ruptura no outro (ainda) não. Acredito que Hollande queira evitar politicamente essa ruptura até porque foi na França que se iniciou o movimento que conduziu as reformas e às práticas que hoje consideramos essenciais num estado social. A França como diz Hollande - e bem nesse particular - não é um país qualquer.

Esperemos que nos volte a iluminar (a França bem entendido) mas para isso seria necessário que a comunicação social deixasse de repetir a ladainha dos mercados para que pensando por si própria entendesse que os mercados são aquilo que nós homens queremos que sejam. Não têm vontade própria, não produzem e têm de viver de regras - fixadas por nós. Não são regras escritas em pedra bíblica imutáveis e vindas de uma qualquer entidade superior. São regras que nós fixamos e que em muitos casos teremos pensado mal. Em particular a regra de financiamento dos estados dentro da zona euro que cria um peso absurdo e artificial na divida soberana sem que esta tenha qualquer conexão com a realidade. Peso que esse sim esmaga os estados sociais, não o sistema, o excesso do défice ou mesmo a corrupção. É isto que é preciso ser dito.

Se Hollande não o conseguir dentro em pouco a França será mesmo a Grécia ... antes disso claro que estarão como a Grécia, Portugal e outros ... Mas não porque economicamente o caminho preconizado esteja errado. Estará como a Grécia porque ao aceitar a "razão" e as pseudo-regras de mercado parecerá dizer que as soluções estão efectivamente nos extremos.

Quem como eu considera ambos errados tem a responsabilidade de denunciar a falácia do argumento liberal já que do outro - o marxista - apenas nos teremos de preocupar mais tarde. Porque não tenham a mínima dúvida que num cenário liberal Karl Marx tinha razão em vários pontos. E aí sim teremos de nos preocupar ...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Resistir XXXI

(...)

Após ter levado uma grande tareia dos Salmões reais, Salmolipe encontrava-se bastante ferido e havia perdido o rasto do grupo onde estava Salmodiana. No entanto, o comportamento dos seus inimigos era misterioso, pelo que não desistiu de seguir o rasto que eles deixaram. Algo lhe dizia que seguiam no mesmo caminho que os Salmonix.

Caglão e os seus salmões já estavam no cume do rio. Haviam ultrapassado o seu grande objectivo. Desta vez, não havia o problema dos Ursos, pelo que não houve baixas neste grupo. Ficou apenas o remorso de ver Salmolepe morto. Contudo, havia que seguir em frente e a missão de Caglão era de animar o resto do pelotão, após terem sido confrontados com tão triste episódio.

Encontravam-se neste momento, numa colónia para se alimentarem e continuarem o caminho, só que o rio não estava muito cheio e muitos salmões ficavam expostos à superfície, sendo que não aquele o único problema. O facto de cada um procurar o melhor sítio para se resguardar de eventuais perigos, fazia com que se gerasse uma enorme confusão. A ansiedade e o medo faziam parte do sentimento de cada salmão, isto apesar do recente estômago cheio.

Entretanto, uma família de lobos cinzentos já se deslocava para o local onde Caglão e os seus descansavam. Era hora de lanchar....

(continua dia 9...)

C´est fini

retirada daqui

Acabou-se o namoro que prejudicou a Europa nestes últimos anos. No entanto, parece vir aí uma discussão sem limites.

domingo, 6 de maio de 2012

Viragens


Não há melhor maneira de começar um mandato presidencial do que o fazê-lo com uma frase tipicamente socialista. Para uns a eleição de Hollande é um alívio face às medidas impostas pelo antigo clâ Sarko-Merkel. Contudo, há quem considere que o retorno do socialismo a França é um perigo para o resto da Europa. No fundo, a eleição de François pode ter um contágio noutros países europeus como Espanha, Portugal ou Itália.
Não é por acaso que o primeiro alvo do discurso do novo Presidente francês foi para a Alemanha. Significa isto que as ideias e propostas de Hollande são totalmente diferentes das idealizadas por Merkel.
Os franceses castigaram fortemente as políticas de austeridade e falta de investimento no sector público.

Enquanto que na Grécia, o povo castigou fortemente o PASOK com um terceiro lugar nas eleições deste domingo. Ao contrário do que se passou em França, os gregos culparam aqueles que deixaram o país numa situação lastimável. Para eles, o socialismo que deixou o país à beira da falência não deve sequer formar uma maioria. É tempo de cortar a Direito.

Olhar a Semana - 1º de Maio no bolso


Já muito se falou sobre a campanha promocional do Pingo Doce, por isso não vale a pena continuar a abordar esta questão. No entanto, a forma como Soares dos Santos meteu o 1º de Maio no bolso foi fantástica. Não acredito que o dono da Jerónimo Martins não tenha pensado em tudo. É óbvio que o dia para fazer esta promoção deveu-se sobretudo a querer tapar uma data histórica e com importância na vida política portuguesa. Ainda por cima, tendo em conta o momento que atravessamos era de esperar um foco especial nas acções de rua por parte dos Media. Não foi isso que aconteceu, tendo os discursos de João Proença e Arménio Carlos passado para segundo lugar. 
Com o objectivo cumprido de ter toda a atenção mediática, a Jerónimo Martins teve de enfrentar as críticas da esquerda. Desde a questão do dumping, supermercado aberto no dia do trabalhador, entre outras.....
Não se entende qual a razão de tantos protestos por causa desta promoção que serviu para ajudar muitos portugueses em dificuldades, mas sendo notória que quem ficou a ganhar com esta promoção foi o próprio Pingo Doce.
A esquerda não aceitou ainda o facto de a Jerónimo Martins se ter mudado para a Holanda. Não vejo os partidos mais radicais a levantar a voz contra outras promoções bem mais escandalosas do ponto de vista "económico". 
Se a acção de Soares dos Santos parece uma atitude política contra os valores da esquerda radical, esta vem agora colocar em causa do ponto de vista legal, a obtenção dos lucros conquistados com esta promoção.
Share Button