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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Armadilha LIII

(...)

Salmonisco ia a caminho de salvar Salmonana, mas sem saber onde esta se encontrava, pelo que não teve outro remédio que ir em direcção à casa de Matusi. Saberia que iria ter uma surpresa nada agradável. 

Á espera dele já estava Matusi e alguns dos seus peixes-mais-do-que-fiéis. 

- Caro Matusi gostava que me entregasses Salmonana de modo a continuar a minha viagem - afirmou Salmonana

- Meu bom amigo Salmonisco, os teus desejos não serão atendidos a não ser que te sacrifiques em nome do teu grupo. Salmonana só sai se ficares connosco. A nossa proposta é esta, contrariou Matusi

- Porque razão é que eu deveria ficar com vocês?

- És um salmão muito conhecido e com personalidade forte, além do mais a tua liderança dará aos Salmonix um protagonismo que eu não quero, sob pena de ver a minha espécie em vias de extinção. As histórias que circulam sobre a forma como consegues passar a Boca dos Ursos são fantásticas.  Ficarás aqui preso e sob as nossas ordens. - propôs Matusi.

- O que vem a ser isto? Primeiro és nosso amigo e de repente viras inimigo dos Salmonix ao ponto de querer prender o líder?

-É a nossa proposta, se aceitares és considerado pelos teus como um herói porque deste a vida por outro, agora se recusares os restantes Salmonix irão olhar-te como um cobarde que deixou um companheiro preso para o resto da vida. E garanto-te que dificilmente consegues penetrar nesta rocha, pelo que é não valerá a pena tentares vir em salvação de Salmonana. Nem que tragas a tua comunidade toda.

Enquanto isto durava, Salmolipe e o leão marinho deslocavam-se para a rocha...

(continua dia 1)

Sinto-me iluminado

Confesso que quando li esta notícia me senti iluminado. Ainda bem que a minha cidade vai ter iluminações de Natal, já que sem elas não conseguiria passar a época festiva fora da capital, como é costume. A iluminação nas ruas de Lisboa são uma tradição, no entanto este ano para combater a depressão é preciso atrair as pessoas para o centro da cidade mas também para o comércio,  vai daí toca a iluminar a alma dos lisboetas e gastar quase 300 mil euros. Eles que como o resto dos portugueses estão a diminuir o consumo e muitos já nem sequer têm o subsídio de Natal, pelo que é normal que não liguem muito a esta época, quanto mais às iluminações.

Acho que esta medida é uma forma de António Costa combater as políticas do governo. Sendo ele o principal líder da oposição(não oficial), o Presidente da Câmara quer dar alguma alegria aos seus habitantes e nada melhor do que iluminar Lisboa para uma nova esperança. Estou certo que em 2015 ou mais cedo, as pessoas não vão esquecer o gesto bondoso que Costa teve com os seus transeuntes.

É bom ver que ainda há quem se preocupe com o Natal dos portugueses.

E Relvas? Fica onde?

Passos Coelho afirmou na sua recente entrevista à TVI que Vitor Gaspar era o número 2 do governo e Paulo Portas o terceiro. Então qual é o posicionamento na hierarquia do executivo de Miguel Relvas? Fica no meio?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Paranóia Constitucional

De repente a CRP voltou a existir. Durante anos ninguém ligou à Lei Fundamental, tendo sido atropelada por várias normas (inconstitucionais) que entraram em vigor sem necessidade de visto Constitucional. Para ser rigoroso, o Tribunal Constitucional devia actuar sempre que uma lei fosse aprovada no Parlamento. É o que acontece na Alemanha, onde o órgão fiscalizador tem um papel muito importante, sendo respeitado quer por políticos quer pelos cidadãos. Por cá, o Palácio Ratton está na órbita por causa dos subsídios, do novo OE e agora perante a questão da educação, antes ninguém sabia onde se situava.

Como que um raio de luz sobre uma tempestade, a CRP aparece como a salvadora para evitar mudanças profundas no nosso sistema político e social. É verdade que a casa tem de ser construída pelo chão e não pelo telhado, por isso seria importante fazer uma profunda revisão constitucional, mas não seria isso também um acto inconstitucional? Rever uma Lei Fundamental que está opaca, velha e com artigos a mais? É essencial dar um novo texto a uma Lei que ainda estabelece o caminho para o socialismo no seu preâmbulo. Então mas isso não é inconstitucional também?

O que mais me inquieta nestas palavras inconstitucionais são as frases de ordem perfeitamente fora de lei, além do desconhecimento e falta de interpretação jurídica de cada norma. Está visto que muitos deputados ou os que criticam as medidas do governo não estudaram a Constituição nos seus cursos. 

O bom nesta confusão constitucional é que Portugal voltou a ter uma Lei Fundamental. Ao menos depois destes anos todos ainda se lembram dela. 

Concordo consigo Sr. Primeiro-Ministro

"é dificil rever a despesa do Estado sem rever prestações sociais e pensões". Esta é uma frase retirada da entrevista de Passos Coelho ontem à TVI e que define bem o objectivo deste Governo.

Não percebo como é que a oposição critica o governo por mexer nas funções sociais do Estado e depois quer reduzir a despesa. Para reduzir a despesa, obrigatoriamente é necessário cortar em salários, pensões, funcionários, prestações e outras regalias que aumentam a dívida pública. Durante uns anos a palavra de ordem foi gastar. Aumentar os salários, meter pessoal na função publica sem fazer nenhum, dar subsídios por tudo e mais alguma coisa, servir os cidadãos através de uma educação e saúde gratuitas, tudo isto à conta do dinheiro dos contribuintes. Foi assim que construímos este país, muito à base da generosidade e subserviência do Estado. Até ao momento a oposição não disse onde é que se devia cortar.

Aqueles que se definem como os grandes defensores do Estado Social, foram os que deram cabo dele e em certa medida enganaram as pessoas. Levaram muitos ao engano porque prometeram que estas regalias durariam para sempre, no entanto sabiam perfeitamente que um dia mais tarde não seria possível sustentar o emprego dessas mesmas pessoas. Só que quando chegasse essa altura, outros é que iriam dar a cara e ser responsáveis por uma mudança negativa na vida das pessoas. Os que andaram anos a esbanjar dinheiro já cá não andam ou então estão na primeira linha da frente da crítica  a quem tem de reparar os estragos de outros. No que toca à conversa do Estado Social, há certas críticas da oposição que me fazem rir. Quem destruiu o Estado Social foram aqueles que usaram esta bandeira para endividar ainda mais o país, por isso é que se fala tanto em cortes na Saúde e Educação, não por algum gosto especial mas porque se trata de uma necessidade. Contudo, a oposição continua a ter um discurso demagógico que mina qualquer tentativa de fazer reformas. 

É por estas razões que concordo em absoluto com Passos Coelho. Já o afirmei várias vezes, mas nunca é por demais repetir: Portugal não pode continuar a seguir as mesmas políticas que viveu no passado, isto independentemente da cor política, porque os vícios mantiveram-se apesar das mudanças de governo. 

E não vale a pena pedir mais tempo nem mais dinheiro, porque isso sim seria assumir que as políticas falharam.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Figuras tristes

O CDS sempre esteve com um pé fora e outro dentro na aprovação do OE. Muitos deputados centristas não concordaram com o enorme aumento de impostos, no entanto colocaram os interesses do país acima do partido. Outra coisa não seria de esperar, porque uma crise política e eleições antecipadas não beneficiariam em nada o CDS, já que também seria considerado responsável pelo descalabro. Nunca tive a mínima dúvida que o CDS iria votar a favor do OE, embora o fizesse de forma contrariada, como veio a revelar pelo seu Presidente.

Critiquei a posição do deputado Rui Barreto porque não se mostrou solidário com os seus companheiros de bancada, contudo uma vez tomada a posição, é de louvar a coragem política por ter ido contra a disciplina de voto, sabendo de antemão que isso implicaria a expulsão do partido. A sua postura não teve nenhuma consequência política já que CDS e PSD têm deputados suficientes para fazer aprovar o diploma. 

Contudo, é de lamentar que nem todos tiveram a coragem de Rui Barreto. João Almeida e Ribeiro e Castro votaram a favor mas apresentaram declaração de voto, à semelhança do que sucedeu com alguns do PSD. Havendo esta possibilidade, faz todo o sentido alguns deputados "mostrarem" a sua discordância em relação a documentos que tiveram de seguir a disciplina partidária, mas que pessoalmente não estiveram favoráveis ao diploma. Isto já aconteceu várias vezes e irá continuar a suceder O problema é que os dois deputados do CDS vieram criticar um OE que votaram a favor. Não percebo a razão das críticas após a votação em sede própria. Das duas uma, ou os deputados tinham a mesma coragem que Rui Barreto e furavam a disciplina de voto ou então após votarem favoravelmente não criticavam publicamente o Orçamento de Estado. Não se pode votar a favor num dia e criticar no outro. Isso é pura hipocrisia política e mais parece um número de circo de alguém que é porta voz de um partido que sustenta a maioria e tem responsabilidades. É muito provável que Almeida receba instruções de Paulo Portas. 

O deputado do CDS fica muito mal na fotografia e não ajuda em nada o seu partido. Dá-me a ideia que o CDS pensa que não vai ser prejudicado se o Governo não der a volta à crise e mandar a troika passear. Há alguns deputados que necessitam de ter mais coragem política e enfrentar a "disciplina de voto" imposta pelos partidos.

É pena que muitos ainda continuem a fazer figura de palhaços.

Presidente da República por um dia II

Ao contrário do Pedro, eu não sou favorável ao envio do OE para o Tribunal Constitucional por parte do PR. Esta questão que a oposição tem levantado é um completo disparate e não faz sentido. Não há no Orçamento nenhuma norma que viole a Constituição. Ao contrário da questão dos subsídios onde se poderiam levantar questões importantes, este OE nada tem de inconstitucional, pelo que não será necessário pedir a fiscalização preventiva da sua constitucionalidade.

O que se passa aqui é um jogo político em que a oposição quer envolver o PR para que culpe o Chefe de Estado pela situação que o país vive. Se o PR enviar o OE para o TC e este o declarar inconstitucional, Cavaco tem de vetar o diploma, o que causaria um enorme problema ao país. Tendo em conta que isso não vai acontecer, caso o PR cedesse às pressões políticas e populares, tornar-se-ia cúmplice do governo mesmo que o TC dê luz verde ao OE. É que o Presidente tem o poder de vetar o diploma, sendo assim o que a oposição quer é pressionar o PR para chumbar o Orçamento sem razão aparente. Como Cavaco vai aprovar, o Presidente fica desde logo marcado às políticas deste Executivo. E assim matam um coelho e um cavaco de uma cajadada só, tendo a oposição razões para politica e socialmente arranjar motivo para mais protestos. Não só contra São Bento mas também viram a agulha em direcção a Belém.

Também tenho a sensação que Cavaco não concorda com este OE, no entanto, e tal como o CDS; o PR faz vista grossa desta vez às políticas de Gaspar. Faz muito bem porque tem de pensar nos interesses do país e não nos seus, até porque este é o seu ultimo mandato. É por isto que Cavaco vai deixar passar o OE mas estando atento à evolução do país no próximo ano. Tenho a certeza que o PR não irá ser complacente com mais austeridade. Por isso mesmo, não acredito que o PR largue a "bomba atómica" até numa eventual situação de crise durante o próximo ano. 

Se fosse Presidente da República no dia de hoje era isto que faria.

Presidente da República por um dia


As reacções à aprovação do Orçamento na Assembleia da República reflectem o mau estar que se sente existir no país.
Mesmo a tão grande distância, mas acompanhando com regularidade o que se passa em Portugal, sente-se muitas vezes que o diálogo que se procura estabelecer, em todos os domínios, é um pouco semelhante a um diálogo com Platão.....em grego!
O Orçamento, aprovado com os votos da maioria parlamentar que sustenta o Governo, é contestado mesmo por quem o aprovou.
Em bom rigor, já o era antes da aprovação.
Passeando pelos jornais e pela blogosfera, pensei o que faria se fosse, ainda que só por por um dia, Presidente da República.
Nunca, mas nunca!!, largaria a "bomba atómica" como tantos têm sugerido.
Demitir um governo, qualquer que seja, que tem o apoio de uma maioria parlamentar, num regime semi-presidencialista, é de uma irresponsabilidade a todos os títulos impressionante.
Fica a opção mais óbvia e mais sensata - suscitar a fiscalização preventiva da constitucionalidade da lei que aprova o Orçamento.
Ficaria então entregue aos juízes do Palácio Ratton a última palavra acerca da tão contestada lei.
O que estes viessem a decidir, seria o caminho que seguiria enquanto Presidente da República por um dia.
Cavaco Silva, se não seguir este caminho, ou se, no limite,  contariar a decisão dos juízes do Tribunal Constitucional, estará a contribuir para acentuar o clima de hostilidade que se sente no país.
Se se apoiar no Tribunal Constitucional, qualquer que seja a decisão deste, verá legitimada a sua própria decisão acerca da aprovação deste Orçamento (Cavaco também não gosta dele, é a sensação que tenho) e pacificará, ainda que apenas por alguns dias, um país a viver em profunda turbulência.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Quem é que vende a alma ao diabo

Henrique Monteiro no seu blogue do Expresso classifica na sua crónica o dia de hoje como aquele em que o  CDS vende a alma ao diabo, como que a reprimir o PP pela viabilização deste OE. Se calhar aplaude a atitude do deputado da Madeira que contra a disciplina de voto imposta pelo seu partido votou contra este Orçamento. Talvez seja ele o anjinho no meio de tantos diabinhos.

Também acho que este Orçamento é mau e em que em nada vai ajudar a restabelecer o crescimento. Acho que as contas públicas ficarão mais próximas da meta acordada com a troika e o governo com o aumento dos impostos poderá não ter mais justificações para no próximo ano pedir mais sacrifícios aos portugueses, no entanto o efeito recessivo será enorme e as pessoas ficarão muito mais pobres. Contudo,  é importante não esquecer os efeitos do plano de refundação do memorando anunciado por Passos Coelho. Só teremos resultados lá para o segundo semestre, sendo que não será por 1,6 de recessão que o país vai à falência, até porque a conjuntura económica na Europa também não está a ajudar. 

Apesar do OE ser mau, não vejo razão para o CDS ter chumbado este OE. Numa equipa todos têm de pensar nos interesses colectivos e não exclusivamente nas questões partidárias. Foi por causa deste aspecto que nós chegámos a este estado de situação. É verdade que o CDS teve de se submeter a este OE, no entanto quem não se lembra da questão Nobre? O próprio PSD já teve de ceder às exigências dos sociais-democratas. É assim que funcionam todos os governos e por isso não vejo razão porque este há-de ser diferente.

A culpa é do CDS? Não concordo. A responsabilidade é daqueles que nos levaram a esta situação. Esses sim, é que venderam a alma ao diabo ao deixar o país à beira da bancarrota depois de anos e anos com políticas erradas. É um acto de coragem alguém querer pegar num país falido e querer inverter a situação. Além do mais, o PP está a ser honesto politicamente, porque apesar de ter votado a favor não está a abdicar dos seus princípios. Ao contrário do que é escrito, o CDS não só não vendeu a alma ao diabo como prestou um excelente serviço ao país. 

Tema do Dia XXXVIII : A crise no jornalismo

A CRISE NO JORNALISMO: QUAL A SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Aprendam com os portugueses

O Chicago Tribune critica o Presidente francês François Hollande e aponta os portugueses como modelo a seguir. Diz o jornal que é "Yet it is precisely to Portugal that Hollande should look for an example of the resolve he needs. Avança mesmo que quando Merkel esteve cá reconheceu que Portugal tinha condições para crescer, falando mesmo em corajosa acção por parte do governo.

Este mimo dado pelos norte-americanos é importante para a nossa auto-estima mas prejudicial para os socialistas, em particular para o Presidente francês. No fundo, o que o jornal quer demonstrar são duas coisas muito simples:

Por um lado, a receita socialista é sempre a mesma seja em que lado for  Hollande prometeu o paraíso antes de ser eleito, no entanto o caminho parece ser o da austeridade dura e pura, pelo que não é de estranhar que a França entre em declínio económico muito em breve, como prevê o Chicago Tribune. Em Portugal aconteceu o mesmo pelo facto de Socrates ter preferido também uma política de austeridade cega logo no inicio da crise. O resultado foi o que nós vimos. O que a maioria dos governos está a fazer é equilibrar o que os socialistas deixaram desequilibrado. Infelizmente serão estes governos que sofrerão na pele (leia-se eleições) a austeridade que agora é necessário executar. A cultura de aumentar os impostos é igual em França, Portugal, Espanha ou noutro país que tenha no poder partidos socialistas ou sociais-democratas. É uma tradição que atravessa a mentalidade e a raiz ideológica destes partidos. A receita é sempre a mesma, não há volta a dar.

Por outro lado, o Chicago Tribune elogia o esforço dos portugueses. Diz mesmo que quando as contas estiveram na ordem vamos crescer de forma sustentada. Ao defender as medidas do governo, os americanos estão a favor do governo liberal e dos seus métodos. Ou seja, é preciso reequilibrar as contas, haver austeridade para que se possa "atacar" o mercado e crescer. Sem que haja uma redução e controlo da despesa, não se consegue implementar medidas de crescimento que tenham efeito imediato. 

Não sou a favor de uma austeridade cega ou religiosa, no entanto aqueles que criticam este governo e que afirmam que está a destruir a economia do país, não percebe os excessos que foram cometidos no passado. O buraco é tão grande que não havia outro caminho que não este. É certo que o aumento de impostos é gigantesco, contudo enquanto o plano de redução da despesa não entrar em vigor, terá de ser pela receita que se conseguirão os lucros para abater o défice. É aqui que entra mais uma vez a discussão do Chicago Tribune. Enquanto que para uns tudo está bem e não é preciso mudar, para outros senão houver mudança o país e a sociedade entram em ruptura, porque a relação entre a sociedade e as instituições deterioram-se a cada dia que passa. 

É por isto que é necessário redefinir as funções do Estado, principalmente saber se cabe ao Estado garantir única e exclusivamente as funções sociais. Aqui existe uma diferença ideológica que merece outro post, no entanto se é para manter o Estado social que seja com contas equilibradas. É aí que o Chicago Tribune quer chegar no meu entender. 

Nem para a Direita nem para a Esquerda

António José Seguro está metido numa embrulhada política de todo o tamanho, estando a ser disputado  pela Direita e  pela esquerda.
O governo insiste em trazer o PS para a questão da refundação do Memorando da troika ou por outras palavras, mexer no Estado social. Para o PSD-CDS é essencial que o PS participe nesta reforma do Estado para que haja consenso político e social mas também para preparar os socialistas quando estiverem no governo. Ou seja, o compromisso tem de ser alargado ao PS para que este dê seguimento ao plano estabelecido. Neste campo, o governo tem um trunfo muito importante. A assinatura socialista ao memorando deve obrigar Seguro a aceitar a proposta do executivo mesmo que esteja contrariado. As reformas têm de ser feitas independentemente da cor que esteja no governo, porque senão não há subsistência social e económica em Portugal. A jogada do PSD é vincular em definitivo o PS ao memorando da troika, não dando muita margem de manobra para Seguro criticar as opções do governo. 

Do outro lado está a esquerda que chama pelo PS. BE e PCP querem rasgar o memorando da troika, mas para isso precisam do apoio dos socialistas. Sem o PS, BE e PCP nunca conseguirão vencer o governo nem a troika. Só a convergência das esquerdas acabará com a austeridade cega e nos leva para uma renegociação da dívida, pelo que é imprescindível que Seguro se alie com o comunistas e bloquistas. Nunca o PS fez alianças parlamentares nem municipais com estes dois partidos, mas como se costuma dizer "há sempre uma primeira vez para tudo". Além do mais, é público que Seguro tem divergências com a política seguida por Merkel, pelo que seria uma oportunidade única para que o líder do PS se juntasse às vozes contra a ditadura alemã  No entanto, aceitar o repto dos dois partidos seria quebrar os compromissos negociados e assumidos. Ao ter esta atitude, o PS poderia ser penalizado em eleições por ser responsável de uma crise política que levaria o país a um inevitável segundo resgate que teria como consequência ainda mais austeridade. Apesar de existirem alguns sectores do PS que estão a favor desta ideia, não seria uma jogada inteligente rasgar o memorando e ir para o governo numa situação pior do que aquela em que estamos, até porque o PS nunca obteria maioria absoluta e governar com BE e PCP seria completamente inexequível. Se nem nas Câmaras Municipais isso é viável quanto mais no Governo central. 

Em meu entender, Seguro não vai dar o braço nem à direita nem à esquerda e irá ficar numa posição de neutralidade, para que no futuro possa ganhar politicamente com esta opção. Se participar na refundação do Estado está a ajudar o governo, e ideologicamente isso seria mal visto por estar a dar cabo do Estado Social. Embora isso não seja verdade, o discurso de Seguro tem sido sempre de culpar Passos Coelho por querer destruir o Estado social, pelo que dar a mão ao governo nesta questão seria estar em contradição com tudo aquilo que foi dito até ao momento. O problema é que Seguro tem estado muitas vezes em contradição, não sabendo muito bem por onde ir. O líder do PS tem ainda outra questão para resolver que se chama grupo parlamentar e António Costa. Uma qualquer ajuda que fosse iria agitar estes dois elementos difíceis de controlar por parte de Seguro e da sua equipa.

Não podendo virar-se para a direita, o secretário-geral também não irá aliar-se à esquerda. PCP e BE nunca foram aliados do PS e não é agora que irão ser. Mais importante é a credibilidade do partido socialista. Rasgar o memorando da troika dará cabo da imagem do PS cá dentro mas também lá por fora. Ainda para mais, Seguro não está com vontade de provocar instabilidade social no nosso país, pelo que não irá de maneira nenhuma participar na convergência de esquerda, além do mais não terá a dignidade suficiente para "aceitar" um convite de dois pequenos partidos. Se fosse o PS a convidar BE e PCP seria mais lógico, agora o contrário é que não. 

Na minha opinião, nenhum dos convites feitos merecerá uma resposta positiva por parte do secretário-geral do PS, embora considere que Seguro deveria participar na refundação do Estado até para evitar excessos por parte da direita, no entanto não será desta que o PS colocará os interesses do país acima dos interesses partidários.

domingo, 25 de novembro de 2012

Olhar a Semana - Está calado para isto

Todos nos questionamos sobre os silêncios do Presidente da República. De facto, Cavaco é um Presidente muito calado mas que intervêm nas alturas mais importantes. Esta semana, o PR veio justificar o seu silêncio. Afinal Cavaco está calado porque está a meditar sobre os problemas do país, respondendo de forma irónico às críticas que lhe têm sido colocadas.
O tom irónico e vingativo do PR foi absolutamente desnecessário, fazendo lembrar o discurso após a vitória nas eleições de 2011. Da mesma forma que não acho que Cavaco esteja alheado do país, também não concordo com estes ataques de loucura sempre que é criticado. O PR sempre foi uma pessoa insensível às críticas, daí que responda sempre de uma forma mais dura quando lhe apontam algum erro. Ora, não há nenhum PR que esteja imune às críticas, pelo que Cavaco não se pode sentir especial, no entanto há egos difíceis de perceber.

Nestes tempos difíceis, o PR não pode ter um silêncio de ouro, precisa de dar esperança às pessoas que não sabem o que fazer perante tanta austeridade injustificada. E o PR sendo uma figura respeitada e importante para os portugueses tem obrigatoriamente de falar ao coração das pessoas. A não ser que Cavaco discorde de tudo o que o governo está a fazer, ele tem o dever de dizer aquilo que pensa. Como o PR e o PM estão em sintonia, não há razão nenhuma para o Presidente meditar sobre tudo o que tem a ver com a política portuguesa. 

Além do mais, a nova forma de comunicação colocando posts no facebook não resulta e só mina a "credibilidade" do Presidente como de qualquer político com responsabilidades. É certo que vivemos na era das redes sociais, mas não podemos deixar que a política se transforme posts via facebook ou twitter. Se isso acontecer será a perda total de seriedade...

O argumento que o PR não se pode imiscuir nos assuntos do governo também já não colhe, porque o que estamos a viver é uma situação de emergência, até porque se o PR não fala agora também não terá legitimidade no futuro, caso seja necessário intervir na demissão e nomeação de um novo governo.



sábado, 24 de novembro de 2012

Bandeira do México

A bandeira do México é um tricolor vertical com o brasão de armas nacional colocado no centro.

O verde, o branco e o encarnado foram sempre as adoptadas, no entanto o seu significado foi mudando ao longo do tempo. 

Esta bandeira foi adoptada em 1968, tendo sofrido quatro modificações no seu brasão de armas.

Antes de irmos ao Brasão de armas, vamos ao significado das cores.

Estas cores foram adoptadas no estandarte do Éxercito das Três Garantias de Agustin de Iturbide, sendo que o verde significava independência da Espanha, o branco a religião e o encarnado a união entre europeus e americanos. Já antes, vários estandartes utilizados estão ligados à bandeira mexicana, no entanto é com Iturbide que o verde aparece pela primeira vez, substituindo o azul. Em 1821 o Governo Imperial decretou para sempre as cores verde, branco e encarnado como as cores oficiais da bandeira mexicana. 

Como se disse, o significado das cores foram sendo alterados durante as várias modificações. A secularização do país liderada por Benito Juarez levou a que o significado das cores se mantivesse até aos dias de hoje.  Assim sendo, o verde representa a esperança, o branco a unidade e o encarnado o sangue dos herois nacionais. No entanto, há quem considere que o encarnado significa a religião, muito importante no país mexicano.


Falemos agora do brasão de armas, que foi alterado ao longo dos anos.

Na primeira bandeira nacional, a águia apresenta-se com uma coroa representando o império. No entanto, na segunda bandeira relativo ao período 1823-1864, a águia não está coroada e a serpente encontra-se entre as garras da pata direita. Foi feito uma adição de um ramo de carvalho e outro de loureiro. Na terceira nova alteração, desta vez com quatro águias douradas colocadas nos quatro cantos.  Na ultima versão adoptada em 1968, a águia aparece de perfil e não de frente. 
Na actual bandeira, a águia aparece segurando uma serpente. A águia está pousada num cacto que se encontra numa rocha e se ergue no meio de um lago. Por fim, as ramas de frutos que estão no brasão na parte inferior, está rodeado de uma azinheira e de um louro. Elas representam o Martírio e a Vitória daqueles que deram a vida pela pátria mexicana. 


A cruz nórdica


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

um país mais justo certamente

Com a aprovação do subsídio de desemprego para trabalhadores independentes e profissionais liberais, Portugal tornou-se hoje um país mais justo. Se a luta da esquerda é a protecção dos direitos sociais, a direita tem de se preocupar com aqueles que ainda são discriminados no mercado de trabalho. Foi um governo de direita liberal o único a lembrar-se de "oferecer" um subsídio a quem não tem a protecção do Estado, um direito que é inerente a qualquer pessoa que não tem trabalho, mas que no nosso país só alguns é que podiam usufruir, tal como acontecia com os subsídios de férias e natal. Esta medida revela bem as preocupações sociais deste Governo e vem repor uma injustiça  que durava há anos. Nenhum governo socialista teve coragem de fazer isto, porque preferiram gastar dinheiro com o sector público, pelo que não venham agora com o discurso da justiça social.............

União + Federalista XV

Aplaudo esta decisão. Eleger o Presidente da Comissão Europeia é a mesma coisa que votar no Primeiro-Ministro respectivo.A abertura da União Europeia para democratizar ainda mais o sistema é positivo. Ao podermos eleger o Presidente da Comissão, estamos a legitimar alguém para que este seja o condutor das políticas europeias, euro incluído, mas também a voz da Europa lá por fora. 

Com esta legitimidade democrática aqueles que pretendem "mandar" na Europa porque se julgam mais poderosos do que outros, têm menos espaço de manobra. Esta é uma medida anti-Alemanha e que pretende pôr um ponto final nos desequilíbrios políticos que existem há bastante tempo. Não deixo de ficar contente com este anúncio já que as eleições europeias serão a partir de agora bem mais interessantes do que vinham sendo até ao momento. Não havia debate europeu, as eleições serviam para ajustes de contas e a percentagem de abstenção era enorme em quase todos os países. Não é muito motivante estar a eleger um Parlamento Europeu quando este é o orgão menos importante das instituições europeias, isto para além das questões relacionadas com a soberania.

Penso que este é um passo rumo ao tão desejado federalismo europeu. O que se quer com este medida é criar um Governo da Europa que possa definir as linhas de condução política. Fica no ar a pergunta se este "governo eleito" terá poderes para se intrometer nas questões de soberania nacional. Os poderes do Parlamento Europeu e a sua importância também vão sair reforçados. 

Em 2014 teremos a primeira campanha eleitoral europeia.....

Vai ser interessante.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Está aberta a Secessão

A par da crise económica e social, nuestros hermanos têm no próximo domingo um teste de fogo à união territorial e política que nestes últimos anos tem marcado a história de Espanha. Era de esperar que algum dia, alguma das regiões que há muito lutam pela independência de Madrid conseguissem as suas reivindicações. Se o governo espanhol teve durante muito tempo de lutar contra o terrorismo da ETA, hoje tem um problema político que se chama Catalunha. 

As divergências entre aquela região e o Governo espanhol são enormes, no entanto nunca como agora a possibilidade de independência da Catalunha está tão perto. Basta que a CIU vença as eleições no domingo e cumpra a promessa da realização de um referendo sobre a autonomia daquela região. Pelo que se tem visto nas ruas, as pessoas são favoráveis a uma secessão do governo sediado em Madrid. 


Tendo em conta que estamos perante duas regiões completamente diferentes, com culturas e pessoas distintas, o mais óbvio que cada um siga o seu caminho. Tal como aconteceu no Kosovo, Montenegro e em muitos locais do Mundo, aqueles que não se identificam com uma nação, preferem seguir o seu caminho sozinhos, acabando no fim por ganhar a luta. Seja ela feita através das armas ou por meios democráticos perfeitamente legítimos. 

Concordo que não se pode pedir a uma região que siga os mesmos caminhos financeiros, económicos e políticos quando há outro tipo de culturas e vontade de autonomia. Ainda para mais, é estranho que Madrid seja o alvo da ira de Bascos, Catalães, Maiorquinos, Galegos.....
No entanto, para que um povo consiga a autonomia de outro, é necessário algo mais que a identificação e a luta política. Tem de haver uma história por detrás desse povo. Sem isso é impossível distinguir quais os aspectos porque razão os catalães anseiam pela autonomia. 

Os "sete magníficos" do novo Politburo na China e as novidades do Congresso do PCC

O Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), para além de dar a conhecer a nova liderança do Partido e do país, trouxe duas grandes novidades.
A proposta é então analisar quem são os "sete magníficos" do novo Comité Permanente do Politburo e essas duas grandes novidades.
Começando pelos membros do Politburo, dominado pela sombra tutelar do antigo presidente Jiang Zemin (seis em sete dos membros são conotados com a linha afecta a  Jiang Zemin) temos:


Xi Jinping, o futuro presidente do país, o típico princeling, filho de Xi Zhongxun, a imagem da opacidade tantas vezes associada à China.
O que pensa? Que tipo de liderança vai exercer? Só mais lá para a frente se verá.


Li Keqiang, o futuro primeiro-ministro, formado nas escolas do partido, o homem de mão de Hu Jintao, o único que não está ligado a Jiang Zemin.


Zhang Dejiang, o homem  que deverá ficar com as pastas da energia e transportes, e que carrega consigo a sombra da decisão de enterrar as vítimas do desastre ferroviário de Wenzhou no local.



Li Yuanchao, mais um princeling, o homem que se diz irá ter a seu cargo o combate à corrupção dentro do partido e do país.



Wang Qishan, genro de Yao Yilin, é mais um princeling e será, supostamente, encarregue dos dossiers relacionados directamente com os assuntos económicos.



Zhang Gaoli, que tem como motto, "falar pouco, fazer muito", é um protegido de Jiang Zemin, líder do partido em Tianjin, que supostamente terá a seu cargo uma maior liberalização económica e monetária.



Liu Yunshan, outro membro que cresceu no aparelho político do PCC, e que deverá ter a seu cargo as pastas relacionadas com o controlo dos media.


Conhecidas as caras, e o que se especula acerca de cada um, resta a referência às tais duas grandes novidades.
A primeira, ao contrário do que aconteceu com Jiang Zemin e Hu Jintao, uma verdadeira transição de poderes.
De facto, se Jiang Zemin insistiu em manter-se à frente da poderosa Comissão Militar Central, Hu Jintao abre mão dessa hipótese e deixa Xi Jinping assumir, de jure de facto, o poder na China.
A outra grande novidade é que, pela primeira vez, assistimos a uma liderança a prazo na China.
Neste Comité Permanente do Politburo, só Xi Jinping e Li Keqiang têm menos de 60 anos.
Como tal, só eles se manterão, por força de lei, no Comité Permanente do Politburo por mais de cinco anos.
Os restantes, e com eles a sombra tutelar de Jiang Zemin, estão a prazo (certo) - cinco anos.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os crentes na democracia

A palavra "crente" está associada a alguém que acredita numa religião, ou mesmo não acreditando 100%, tem fé em alguma coisa. Aqueles que se dizem ateus, agnósticos, que não praticam nenhuma religião ou que simplesmente afirmam que não são têm religião porque são do Benfica, estão a mentir. A fé é algo que move o ser humano independentemente da religião. Essa mesma fé é algo a que nós nos agarramos para obtermos aquilo que queremos. Ao fazermos isto estamos a depositar noutra entidade, em algo espiritual que é mais poderoso que nós, o sucesso dos nossos desejos. Não é por acaso que falamos em milagre para qualificar situações que dificilmente conseguimos alcançar. 

Por isto é que todos somos crentes porque acreditamos em algo. Pode não ser numa força transcendente ou a ideias, mas estamos agarrados às nossas próprias convicções embora esperançados numa ajuda invisível. 

É por esta característica que somos um povo muito crente e ligado à religião, seja em Portugal ou no resto do mundo. As religiões sempre tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da sociedade mas também no crescimento das Instituições. Não é por acaso que esta importância das religiões no Mundo deu origem a vários conflitos sobejamente conhecidos. 

Com o passar dos anos e com a natural evolução da sociedade, a religião tende a perder adeptos sobretudo nos mais novos. Com os novos meios de acesso à informação, as múltiplas formas de obter a mensagem fez com que a prática reiterada e contínua não se limite apenas aos ensinamentos religiosos. É relevante salientar um aspecto político importante. A abertura de portas a outras religiões, fez com que cada Estado não fosse identificado por uma religião em concreto, além do mais a mistura de várias culturas no mesmo espaço abriu a possibilidade de se tratar tudo por igual e não havendo uma religião dominante é preferível "não ser de nenhuma"....

Por vezes fazem-se estudos sobre a percentagem de católicos no nosso país, daqueles que não têm religião nem são do Benfica e os que professam outras espiritualidades. No entanto, este tipo de inquéritos deveriam incluir uma nova modalidade: ainda acredita na democracia? era a pergunta que deveria ser feita....

Se esta pergunta fosse feita à 38 anos, haveria uma maioria positiva sem qualquer tipo de dúvida. O cansaço da ditadura levou a um desejo profundo pela mudança para o regime democrático. Não havia dúvida que era esse o caminho. Contudo, acho que a resposta hoje seria muito diferente e com tendência para o não. E digo isto em relação a Portugal bem como no resto da Europa e talvez alargava o meu pensamento para o Mundo em geral. 

Não há dúvidas que é o sistema democrático que fornece os melhores instrumentos para que todos atinjam a satisfação pessoal e profissional no que à conquista dos direitos diz respeito. Como em todos os sistemas, a democracia tem falhas e como tal devem ser corrigidas por quem tem responsabilidades. É curioso que no sistema em que vivemos tanto os eleitores como os eleitos são responsáveis pelas debilidades apresentadas. Se repararmos nunca chegamos à conclusão de quem é a maior dose de responsabilidade. 

Considero que nos dias de hoje são poucos os crentes na democracia, mas voltar à ditadura não é a solução mais desejável, pelo que é imprescindível encontrar um modelo diferente e que responda aos problemas que a república democrática não consegue responder. Em meu entender, tudo na vida tem um ciclo e quando começa a instabilidade económica, social e política é porque o sistema está a dar as ultimas. 

Sou daqueles que acredita na democracia e nas virtudes deste sistema, mas muito há que melhorar para que este volte a ser um sistema forte e que corresponda às necessidades dos cidadãos, não protegendo apenas aqueles que se perpetuam no poder. Este apego ao poder dos representantes que dura anos e a falta de transparência são dois problemas que urge resolver para que não haja revoltas dentro dos próprios Estados.  Na minha opinião alterações neste dois domínios restabelecia a confiança necessária para que a democracia voltasse a ser aceite pelos seus "praticantes".


Nós e os Macacos

Se duvidas houvesse em relação à nossa ligação com os macacos, isto esclarece tudo. Nós humanos, somos mesmo descendentes dos macacos. Em termos físicos mas também no que respeita à inteligência e felicidade. No que toca à inteligência, esta fotografia demonstra tudo. Quem nos ensinou a procurar o conhecimento foram os macacos. Em relação à felicidade também estes famosos animais possuem uma curva de felicidade, coisa rara em algumas espécies de animais mas também numa parte dos humanos. 
Para que a interacção Homem-Macaco fosse perfeita, só faltava que os segundos tivessem os mesmos hábitos que nós e não vivessem a sua vida a subir árvores, mas não sei se têm esse estilo de vida para fugir aos humanos.


terça-feira, 20 de novembro de 2012

O que corre mal então

Se Portugal tem tido seis avaliações positivas desde que começou o programa de ajustamento, não percebo a razão de tanta indignação e receio em relação ao futuro. Convenhamos que a meta do défice está a ser cumprido, e mais importante do que isso é o facto deste governo ter vindo a reduzir o défice a pouco e pouco.....

É claro que a economia portuguesa continua em recessão mas não seria possível inverter o rumo quando a conjuntura europeia também é desfavorável. No entanto, tal como aconteceu nos Estados Unidos, também a Europa vai sair deste efeito recessivo em que se encontra. As eleições na Alemanha podem dar uma ajuda, contudo não é só isso que vai dar um novo alento ao Euro.

Não se pode ser optimista quando no próximo ano vamos ter que pagar o maior aumento de impostos que há memória neste país, mas a questão que se coloca é saber qual a razão de tantas medidas de austeridade se as avaliações da troika continuam a ser positivas. Porque continuamos a ser castigados com tantos sacrifícios, nomeadamente a nível de carga fiscal. 

No meu entender, o governo quis com esta medida assegurar uma boa receita, embora não vá receber a totalidade do dinheiro que está a prever, contudo isso não será um problema se a tempo e horas for cumprido o mega plano de redução da despesa. Com esta redução, a receita fiscal que não virá pode ser tapada pelo lado da despesa. Ou o executivo anda a brincar com os portugueses ou então está mesmo convencido daquilo que está a fazer. É óbvio que as reacções são diferentes da direita à esquerda, mas o que dirá então o PS crítico em relação a esta política. Mais uma vez Seguro reage tarde e as más horas, porque não quer dar o braço a torcer ou então concorda com esta política.

Eu compreendo que o governo tenha a necessidade de em primeiro lugar querer controlar o défice de forma sustentada e evitar derrapagens que possam pôr em causa todo o esforço dos portugueses, daí que seja necessário aumentar a receita fiscal porque é mais seguro do ponto vista orçamental. É óbvio que há que cortar na despesa, no entanto esta só terá efeitos orçamentais e não reais, porque aquilo que se poupa num ano já não valerá para os anos seguintes. No meio disto tudo está o crescimento económico, que passará por uma terceira fase deste programa talvez já em cima das eleições e é curioso que se preveja a diminuição do desemprego em 2015, precisamente em ano eleitoral. Coincidência ou não a verdade é que esse pode ser um trunfo do governo que também aponta 2014 como o regresso ao tímido crescimento. 

Tendo em conta que Gaspar e Passos Coelho têm falhado nas suas previsões negativas, esperemos que acertem nas positivas. Até lá terão de aguentar um ano horribilis como será 2013, pelo menos até ao primeiro semestre. No entanto o executiva conta com dois apoios fundamentais para se manter no poder durante a contestação que se avizinha: o PR que segurará o executivo e a oposição que continua a se mostrar frágil.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ideias Politicas : O Voto popular XIII

Só os maiores de idade é que podem exercer o direito de voto. Todos aqueles que não atingiram os 18 anos estão impedidos de participar em eleições. 
De um certo modo faz sentido, proibir aqueles que perante a lei não têm ainda a capacidade para exercer tamanha responsabilidade. Concordo inteiramente com esta regra, no entanto não vejo grande diferença entre uma pessoa de 18, 17 ou 16 anos. 
O maioridade atinge-se aos 18 anos porque é nessa altura que alguém sai da escola e entra para a universidade, ou supostamente esse é o caminho "normal" de uma pessoa. Daí que se queira colocar sob os ombros a responsabilidade da escolha das suas opções. No que toca a questões pessoais, profissionais mas também políticos. O que a lei quer dizer é que alguém que ainda está sob a protecção dos pais não tem o discernimento de poder escolher o futuro do país. Antigamente, a maioridade era aos 21 anos, contudo não se pode adquirir certos direitos só com essa idade. 

Outra questão ligada ao voto tem a ver com as eleições nos partidos. Ao contrário do que acontece em eleições nacionais, nos partidos qualquer um pode exercer o direito de voto desde que esteja inscrito. Ou seja, nos partidos a maioridade atinge-se aos 16 anos ou em certos casos até mais cedo. Esta diferença de interpretação e aplicação do que é a e quando é que se atinge a maioridade é que não se aceita. Por aqui se vê como os partidos ainda estão reféns do jogo político. Também se nota a facilidade com que se "convence" um miúdo de 16 anos do que se estivermos perante um eleitor que já é maior perante a lei, pelo que se presume responsável nas suas ideias. 

Eu não percebo porque razão um jovem de 16 anos pode votar para as eleições de um partido e está impedido legalmente de participar nas eleições constitucionalmente expressas. Não acho que a Constituição esteja mal, o problema está na lei eleitoral partidária, porque permite aos militantes das "Jotas" votarem nas eleições gerais dos partidos. Não fazia sentido os militantes das Jotas não poderem votar para a sua organização politica, no entanto em minha opinião, deveria haver condicionantes e restrições ao exercício de voto por parte de membros com um idade inferior a 18 anos, para que os partidos seguissem o bom exemplo plasmado na Constituição. Se a Lei fundamental não permite uma coisa, porque razão a lei interna dos partidos contraria a Constituição?

Com 16 anos uma pessoa ainda não tem a capacidade nem experiência pessoal e política para votar de forma correcta. Quando falo em "correcto" estou a dizer na sua plena faculdade de escolher livremente. Considero que é necessário alguma experiência de vida para escolher o melhor, porque votar não é nenhum jogo. Como podem os menores de 16 anos escolher o líder de um partido quando sabem que não o podem escolher para futuro Primeiro-Ministro?


domingo, 18 de novembro de 2012

O dia em que a democracia venceu

Nos últimos tempos, temos visto esta máscara usada por vários manifestantes. Muitos não sabem de quem é esta cara. Esta é a máscara de Guy Fawkes, um famoso conspirador inglês que em 1605 tentou juntamente com um grupo de protestantes derrubar o Rei Jaime I e todos os membros do Parlamento. A tentativa foi frustada e o grupo da Conspiração da Pólvora foi capturado e posteriormente torturado. Fawkes não escapou tendo sido acusado de traição e assassinato.

O famoso "Remember Remember the 5th of November" nasceu nesta história que ainda hoje é recordada, especialmente pelos ingleses. Enquanto que por cá se festeja o Halloween, em Inglaterra no 5 de Novembro festeja-se a captura e morte de Guy Fawkes na chamada "Bonfire Night" em que os ingleses queimam bonecos do revoltoso em fogueiras.

Esta figura tem sido lembrada por causa das recentes manifestações que tem marcado os últimos anos na Europa. Tem tudo a ver com a história de Fawkes. No fundo, o objectivo é derrubar o Estado através de várias acções de protesto. Curioso que muitos anos depois, a figura de Fawkes ressuscita. No entanto, o mais estranho é que, enquanto em Inglaterra se festeja a sua morte, ao ponto de queimarem bonecos com a sua imagem, no resto da Europa Fawkes é visto como um herói. Por aqui se nota também os diferentes estados de espírito com que vivem os cidadãos dos países da Europa. A estabilidade da mais velha democracia do mundo contrasta com aquilo que a maior parte dos países europeus estão a viver, e tudo por causa da moeda única.


Se por um lado apela-se à mudança e à revolta, na ilha confia-se nas instituições democráticas e condena-se os que a tentaram destruir. A história de Guy Fawkes prova que a democracia e a liberdade venceu, e aqueles que manifestam interesse em derrubar dificilmente terão sucesso. 

Olhar a Semana - Quem foi o primeiro a atacar?

Esta semana a guerra Israelo-Palestiniana voltou à baila. A morte de um dos chefes do Hamas só podia dar uma retaliação por parte dos Palestinianos. A guerra dura há décadas sem que haja um entendimento e o pior é que, escusado será arranjar um mediador para resolver a crise no Médio Oriente.

Tanto do lado palestiniano como do Israelita, o argumento para atacar prende-se com motivações religiosas e políticas, no entanto há uma questão que interessa analisar. É o argumento do "quem foi o primeiro a atacar".

Este argumento tem servido para o desenvolvimento de muitas guerras que o mundo conheceu, mas em particular nesta que não tem fim à vista. Quando tudo parece calmo, eis que surge um ataque, a partir daí a paz podre que se verificava acaba e a guerra dá lugar à diplomacia. E nisto quem paga são os povos que não são favoráveis a uma guerra. A questão levantada, lembra-me os governos que se desculpam com a famosa "herança pesada" quando não conseguem resolver os problemas. Salvo as devidas diferenças, nas guerras também é muito assim. Eu ataquei porque fui atacado. Pode ser um argumento válido para um conflito que dure pouco tempo, não para uma guerra que já leva anos e não tem fim à vista. Perante isto, é impossível pensar sequer em diplomacia e negociações para a paz. Se até hoje ninguém conseguiu porque razão no futuro haveria de ser diferente?

A guerra israelo-palestiniano resume-se a este facto. Este é a razão dos cobardes que se escondem nas atitudes do vizinho para baixarem o nível. Quantas vezes é que não vimos isto por cá.

sábado, 17 de novembro de 2012

Corte à Obama


Tragédia na Pista

Estes últimos acontecimentos no GP de Macau dão que pensar. Primeiro, como é que é possível que no espaço de dois dias morram dois pilotos? Um de motas e outro de automoveis. 
Em segundo lugar, qual é a característica fatal da pista que levou a esta tragédia e porque razão a organização decidiu acelerar por lá. Será que há vontade para correr num circuito "kamikaze". 
Em terceiro lugar, não se percebe porque continuam a realizar as provas, isto numa altura em que estas tragédias deviam estar a ser investigadas. A organização devia ter parado as provas de imediato e as autoridades apurar os responsáveis por tudo isto, porque não acredito em azares quando a mesma tragédia acontece por duas vezes no espaço de apenas dois dias. Repito.
Têm de apurar responsabilidades, sob pena de o mundo do desporto automóvel ficar sem adeptos.

Bandeira do Canadá

A bandeira do Canadá é uma das mais bonitas em todo o Mundo. Já alguém questionou qual a razão de ter uma folha como simbolo?

A folha de Bordo (ou a maple leaf) é uma árvore típica no Canada. No entanto, a sua utilização da bandeira tem a ver com o facto de representar historicamente o povo do Canadá. 

As duas barras verticais encarnadas significam o oceano pacifico e o Atlântico, que por razões geográficas banham toda a América do Norte.

A barra branca significa o Canadá. 

É curioso verificar que as cores branco e encarnado foram oficialmente reconhecidas pelo Rei George V a 21 de Novembro de 1921......

Então quando foi adoptada a Maple Leaf? A 15 de Fevereiro de 1965.

Esta maravilhosa criação surgiu da cabeça de três homens. Gunter Wyzsechi ajudou à coloração, Jacques Saint Cyrile com a folha de bordo estirilizada e George Bist com as proporções. Foi criado um comité Parlamentar para ajudar na criação da nova bandeira canadense.

É sem duvida uma das bandeiras que mais chama a atenção, não só pelas cores mas sobretudo pela folha que traz.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ir ao Gabão passear

Na ultima quarta feira, enquanto o país assistia às primeiras cenas de violência frente à AR, outro acontecimento de relevância se estava a desenrolar. O jogo da selecção nacional de futebol no Gabão. Ora, só mesmo por uma verba financeira extraordinária é que Portugal iria ao Gabão jogar um particular. É verdade que nesta altura, todas as selecções aproveitam para fazer jogos amigáveis, no entanto esta deslocação não tem o mínimo sentido, a não ser pela questão financeira.

A importância do jogo revelou-se pela falta de atitude demonstrada pelos nossos jogadores que empataram a duas bolas, e já lá vão 3 jogos consecutivos sem Paulo Bento conseguir uma vitória. Por muito menos Carlos Queiroz foi despedido, sendo que os empates do actual seleccionador foram contra a Irlanda do Norte em casa e agora no Gabão. 

Sendo a federação uma entidade de utilidade pública espera-se que os custos resultantes da viagem possam trazer benefícios. E em futebol, os benefícios são apenas os resultados, já que o país não vai melhorar economicamente por causa de um jogo. 

Tal como acontece em relação ao governo, o estado de graça do actual seleccionador parece estar a acabar. A excelente campanha no Euro 2012, só nos trouxe uma vitória tranquila contra o Azerbaijão  já que a estreia frente ao Luxemburgo foi sofrida e até estivemos a perder. De então para cá, 2 empates contra equipas menores e uma derrota normal na Rússia  Agora o actual seleccionador decidiu-se pegar com Pinto da Costa. Neste momento frágil não é essa a melhor solução que Paulo Bento toma. 

Sempre duvidei das capacidades de Bento e nunca gostei do futebol praticado por Portugal, em especial no Euro 2012. Mas isto é há anos, não vem de agora. No entanto, com Paulo Bento criou-se uma ideia de "renascimento" da Selecção que a boa campanha desportiva no Euro Polaco-ucraniano ajudou. Falo em campanha desportiva e não futebolística, porque o futebol praticado foi de qualidade dúbia, embora tivesse momentos de rasgo. Desde o Mundial da Alemanha que Portugal não consegue ter uma qualificação tranquila, mas isso não tem a ver só com questões de seleccionador. Em termos estruturais é preciso mudar o futebol português. 


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Há quem culpe a polícia e o governo....

Este texto de Daniel Oliveira é inaceitável. Não que justifique a violência, como ele escreve, esteve na manifestação e tentou parar os desordeiras, mas porque quer fazer crer que a polícia agiu mal e sob as ordens directas do Governo.

Em primeiro lugar, qualquer pessoa que esteja a ser agredida tem o direito de reagir. Foi o que aconteceu ontem. A Polícia, mesmo tendo o ius imperi, só pode actuar de acordo com as regras. E neste campo, o Henrique Monteiro explica muito bem as directrizes que a Polícia tem de obedecer antes de entrar em carga. 
Naquela situação, todos vimos que a Polícia não podia fazer mais nada senão reagir contra pedradas! Já acompanhei muitas manifestações porque elas decorrem à porta de minha casa e nunca vi pedras a voar sobre a cabeça dos polícias. Se atirar petardos é mau, e a polícia nunca reagiu a isso, o aparecimento de pedras é uma novidade nas manifestações.

Em segundo lugar, a polícia bateu em manifestantes pacíficos  É claro, mas só ficou lá quem quis, porque antes de entrar no terreno, a polícia avisou que ia carregar. E depois é o natural: vai tudo à frente. Mas então a Polícia vai escolher consoante o aspecto? 

Em terceiro lugar, a polícia teve de ir até ao Cais do Sodré porque foi para lá que aqueles que andaram à pedrada fugiram mal viram o movimento dos polícias. Noutros países os manifestantes lutam com a polícia (veja-se o exemplo italiano); cá em Portugal atira-se a pedra e depois corre-se para o pé da mamã. Repare-se que a maioria dos manifestantes são miúdos  Acho indecente como neste país se culpa a polícia por agir em conformidade com o interesse público. Se a polícia não for atrás deles, então aí sim está a pôr em causa a segurança de todas as pessoas, porque na próxima manifestação vai acontecer o mesmo. É impressionante que só neste país é que a autoridade não pode dar umas bastonadas. Sorte a deles que ainda não chegámos ao tempo dos canhões de água e ao gás lacrimogéneo  porque quando chegar estes senhores vão ficar horrorizados. Outro dado levantado. Então mas se no meio da multidão está um grupo desordeiro, como é que se isola esse grupo que se protege precisamente da multidão? É inacreditável. Nem mesmo a polícia mais avançada do mundo consegue realizar tal táctica, até porque ao mais pequeno gesto, os desordeiros desatam a fugir, como se viu ontem...... 

Ao ler o texto fico escandalizado com a parte final. Como não poderia deixar de ser a culpa é do governo. Ora, foi o governo que mandou a polícia provocar os manifestantes, para que estes se revoltassem e assim houvesse distúrbios de forma a que a greve geral fosse ofuscada. No fundo, o plano do governo foi um sucesso porque só se falou nos desacatos e não do mais importante: que foi a greve geral. Esta atitude de criticar o governo chegando ao ponto de o acusar de ter "provocado" os distúrbios é típico da esquerda radical. Confesso que sinto triste com este tipo de texto. Nem Francisco Louçã se atreveria a tanto, no entanto, ainda vivemos num país onde se discute a utilidade da intervenção da Polícia. 

Juro que não percebo, que numa hora difícil para o país não se aplauda o esforço e coragem de pessoas que arriscam as suas próprias vidas para proteger o bem comum, esse valor tão importante para a nossa esquerda.

Concluo com uma questão para análise. Se as manifestações têm originado violência porque razão continuam os sindicatos a insistir nestes protestos, sabendo de antemão que vai haver problemas? Será que dia 27 vamos ter mais pedradas?


A nova liderança chinesa


Como já se previa, na conclusão do 18º congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), Xi Jinping foi consagrado como Secretário-Geral do Partido.
A acompanhá-lo , naquela que será a quinta geração de líderes chineses, terá Li Keqiang.
Em Março, o primeiro substituirá Hu Jintao, o segundo substituirá Wen Jiabao.
Quem são estes dois homens que vão ficar agora ao leme da segunda economia mundial, do país mais populoso do Mundo?
Xi Jinping, engenheiro químico, de 59 anos, é o típico princeling.
Filho de  Xi Zhongxun, curiosamente um revolucionário do qual  se diz que mantinha boas relações com o   Dalai Lama, Xi Jinping vem sendo educado nos quadros do PCC, nos corredores do poder, até chegar ao topo do partido.
Casado com uma cantora chinesa, pouco se conhece acerca do seu ideário político, do estilo que poderá imprimir à sua liderança.
Tido como próximo de Jiang Zemin, Xi Jinping mantém uma aura de mistério à sua volta, acentuada com o seu desaparecimento da vida pública, e o cancelamento de alguns eventos em que deveria tomar parte, no passado mês de Setembro.
Será este o líder do novo Comité Central do PCC, reduzido de nove para sete membros (a explicação que é dada para que tenha sido dado este passo é a busca de maior eficiência na tomada de decisões) do qual fará também parte Li Keqiang.
Os dois são as caras da profunda divisão que grassa dentro do PCC.
Li Keqiang, 57 anos, tido como próximo de Hu Jintao, é o típico burocrata.
Licenciado em Direito, fez toda a sua carreira dentro do partido, é fluente em inglês, uma personalidade menos opaca e menos cinzenta que Xi Jinping.
Enquanto líder do partido em Henan ficou conhecido pela sua visão reformista, sobretudo na área económica, mas ficou também algo chamuscado na sua imagem enquanto líder por sucessivos escândalos que ocorreram durante o tempo que dirigiu o partido naquela jurisdição.
Como tal, subsistem algumas dúvidas à sua volta e acerca da sua capacidade de liderança.
Resumidamente, estamos então perante uma quinta geração de líderes, mais jovem, dirigida por alguém que ainda não apresentou uma linha de pensamento minimamente perceptível,  uma nova geração que se encontra ainda bastante presa às duas gerações anteriores, e que se defronta com desafios a nível interno (divisões no partido, no país, agravamento do fosso entre ricos e pobres, o litoral e o interior, tensão social crescente) e externo (procura de projectar uma imagem mais aberta e menos bolorenta de uma China que se quer abrir ao Mundo e disputas fronteiriças com países do sudeste asiático, acima de todos os outros). 
Só mais para a frente, a partir de Maio/Junho, se poderá talvez começar a perceber o que traz esta quinta geração de líderes de novo à China e ao Mundo.
Se é que traz algo de novo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A escolha entre trabalhar e fazer greve

O dia de hoje tem sido marcado pela escolha entre ir trabalhar ou aderir à greve. Se do lado privado a escolha natural passa pelo trabalho, no que toca ao sector público este é um mais um dia para o descanso. 
Há muito que os dias de greve deixaram de ser uma festa ou uma desculpa para não se ir trabalhar, isto devido aos condicionamentos que as greves costumam causar nos transportes públicos.

As pessoas estão a sentir, em primeiro lugar que, as greves nada resolvem e devido à falta de dinheiro é preciso facturar e não perder um único dia de salário. Daí que não seja de espantar que Passos Coelho tenha agradecido a quem preferiu trabalhar em vez de protestar. No fundo, o que o PM quis transmitir é esta mudança de mentalidade que a pouco e pouco está a afectar a sociedade portuguesa. Durante muitos anos protestámos, dormimos, simplesmente fizemos nada e agora chegou a hora de produzir. Eu percebo a mensagem de Passos Coelho mas também a dos sindicatos e de quem continuamente protesta. Contudo, esta questão leva-me a analisar o primeiro ponto que abordei. As greves hoje em dia não têm resultado político. A força das greves passou para as manifestações. Essas sim hoje importantes no âmbito social e político. E isto tem uma razão de ser. Enquanto que as greves continuam sob o domínio das organizações sindicais, as manifestações já não se realizam por ordem e graça dos partidos. São os cidadãos que convocam os protestos através das redes sociais, por isso é que têm enorme adesão. Mesmo até quem está descontente com as medidas impostas pelo executivo não fazem greve, porque em meu entender, não vêem esta forma de luta como eficaz. É este o problema de convocar greves com uma distância tão curta. Aliás, hoje a greve não é mais do que um pretexto para a manifestação, no entanto, os líderes sindicais têm também a sua forma de fazer a sua luta. 

Não quero tirar o direito à greve da CRP, mas tendo em conta que o país, o mundo e a sociedade evoluíram muito nestes últimos 25 anos, é melhor deixar cair este direito e deixar o direito à manifestação. Talvez numa próxima revisão constitucional à la Passos Coelho. Agora não me venham dizer que a greve é um direito social.....


Arménio, um trolha da areosa

Recordei-me desta música de Rui Veloso, a propósito da greve geral de hoje. Em particular do líder da CGTP Arménio Carlos. Isto para qualificar o comportamento do sindicalista como pouco ético para não dizer vergonhoso. Esta é a terceira greve em menos de um ano, mas é a segunda no período de oito meses e ambas sob o comando de Arménio Carlos. De registar, que em nenhuma das duas greves convocadas por Arménio Carlos a UGT participou. Quem não se lembra dos momentos em que Carvalho da Silva e João Proença davam conferências de imprensa lado a lado? Com Arménio no poder nada disto é possível, porque o actual secretário da CGTP quer apenas e só protagonismo político, sob pena da sua central sindical morrer por falta de carisma do seu líder. Sim, porque as organizações políticas e sociais dependem muito da imagem que o seu líder tem. E não é de espantar que após o fantástico trabalho de Carvalho da Silva, que houvesse um vazio na nova direcção. Daí que Arménio tenha tratado de fazer greves gerais a todo o custo para ganhar notoriedade.

Quantos camiões virão da Margem Sul para participar na manifestação da CGTP logo à tarde? É uma fila enorme que não pára de crescer, tão grande quantas as filas que se fazem hoje nas paragens de autocarros e  outros serviços públicos que hoje pararam, mesmo estando falidos. Eu quero ver quando estes serviços estiverem nas mãos dos privados quem é que vai fazer greve.....



terça-feira, 13 de novembro de 2012

Soares empurra Seguro

Soares e Seguro têm tido diferentes posturas no que à abordagem da crise diz respeito. Enquanto que ex-líder do PS não pára de falar e omitir opinião, o actual secretário geral não é de abrir muito a boca e com isso, a sua liderança tem sido bastante prejudicada 
No entanto, este pode ser uma estratégia afinada. Não se entende como é que é o ex-PR que dá o peito às balas e não o actual líder, a não ser que haja aqui algo escondido. Seguro pode muito bem falar apenas no essencial e a mando de Soares. Aliás, as contradições em relação à recente proposta do governo em "refundar o memorando" provam que nem o próprio Seguro sabe o que quer. Esta tentativa de bloqueio às propostas vindas do executivo pode ter uma mãozinha de Soares por detrás. É muito estranho que, sendo Seguro um homem lúcido e inteligente tenha isto de hesitações políticas. Além do mais, é fácil verificar que aquilo que Seguro diz em pouca quantidade, Soares afirma com excesso.
Há aqui uma tentativa de Soares usar Seguro para fazer a sua própria política e assim condicionar o actual secretário geral. Note-se que no tempo de Socrates, o ex-PR nunca havia sido muito interventivo no que diz respeito à política. É verdade que o PS estava no governo, mas mesmo assim sempre houve um respeitinho muito grande a Socrates.
Já afastado da política pelos portugueses há bastante tempo, o ex-Presidente teima em estar presente, nem que seja através de uma mão invisível ou então de um líder socialista tão fraco que se deixa influenciar.

1ª Tertulia Olhar Direito

O OLHAR DIREITO CONVIDA TODOS OS SEUS LEITORES A ESTAREM PRESENTES NA 1ª TERTULIA-JANTAR

O EVENTO DECORRERÁ NO RESTAURANTE TERTULIA DE SÃO BENTO (NA RUA DE SÃO BENTO) PELAS 21.30H NO DIA 27 DE NOVEMBRO E CONTARÁ COM A PRESENÇA DE LUIS ROSA, DIRECTOR ADJUNTO DO JORNAL I.

O TEMA SERÁ " A CRISE NO JORNALISMO, QUAL A SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA". O TEMA VERSARÁ SOBRE AS MUDANÇAS ESTRUTURAIS QUE O JORNALISMO ATRAVESSA E QUE LEVOU A DESPEDIMENTOS RECENTES NO JORNAL PÚBLICO E NA LUSA.

AS INSCRIÇÕES DEVERÃO SER FEITAS ATÉ 23 DE NOVEMBRO, SENDO QUE O JANTAR CUSTARÁ 18 EUROS POR PESSOA. DEVERÃO ENVIAR A VOSSA RESPOSTA PARA O EMAIL FRANCISCOCASTELOBRANCO99@GMAIL.COM


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Sai a Merkel entra a troika! Estamos lixados!

Portugal definitivamente está no centro das atenções. Pelas piores razões é certo, no entanto o mediatismo que corre à volta de Portugal desde que pediu o resgate é enorme.
Hoje recebemos Merkel e a troika que começa hoje a sua sexta avaliação ao programa de entendimento. Melhor dizendo, os técnicos da troika é que fazem a avaliação técnica mas é a Chanceler alemã que dá o mote para que os funcionários do FMI possam começar a fazer o seu trabalho.
E felizmente para nós que Angela Merkel sai de Portugal satisfeita. O resultado é bom, Portugal está a honrar os compromissos, pelo que a sexta avaliação não decorrerá com problemas. 
Ora, os técnicos da troika já entram no nosso país condicionados pela visita relâmpago da Frau Europa. Esse facto é de louvar quando os resultados positivos, no entanto se as considerações merkelianas fossem más, então não valia a pena entrar em campo porque o árbitro já estava comprado.
Quero ver se as perspectivas de Merkel se vão cumprir, nomeadamente no próximo ano quando se conhecerem os primeiros resultados. Agora não deixa de ser positivo a vontade das empresas alemãs virem a Portugal com vontade de investir, algo que não acontece na Grécia onde o discruso da chanceler foi bem mais diferente.  A Grécia já parece não ter solução, enquanto que Portugal vai num caminho diferente. Com muito sacrifício é verdade, mas com enorme vontade de triunfar. 
As visitas e as avaliações têm corrido muito bem e isso só mostra que somos um povo que sabe receber, no entanto será que este caminho nos levará a algum lado quando os números saírem cá para fora? 
A questão relevante e que é de analisar é porque é que está tudo a correr tão bem, segundo as palavras de todos mas estamos cada vez mais pobres.

Portugal é "excelente".....

mas não quer dizer que resulte....
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