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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013: O fim da odisseia


sábado, 29 de dezembro de 2012

Bandeira do Quénia

A bandeira do Quénia não tem uma história muito enriquecedora, no entanto as suas cores têm aspectos curiosos.

Antes de mais, o escudo representa a cultura do povo guerreiro Maasai.

A cor preta significa o continente africano.

O encarnado a valentia

O verde as riquezas naturais

O branco a paz e harmonia.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Porque razão se deve demitir um responsável eleito?

Alguém que é eleito para um mandato com um determinado programa uma vez que constata que não o pode executar quer por culpa própria quer por responsabilidades exteriores anteriores ou posteriores, próprias ou de terceiros só tem mesmo uma saída honrosa: A demissão.

Não tem que esperar que alguém com poder para o fazer lhe indique o caminho da porta. Ele (o responsável) conhece bem o que prometeu, o que programou. Ele sabe que não o está a cumprir, pouco importa a razão ou a culpa. Facto, não o está a cumprir.

Nessas condições sobretudo se baseou uma boa parte da sua campanha na sua honestidade intelectual não lhe resta outra solução senão a demissão.

A demissão não é vergonha nem sequer uma aceitação de qualquer tipo de culpa. É simplesmente a verificação de que o programa que o levou a ser eleito não pode ser cumprido e até se admite que se volte a recandidatar com um programa diferente, com uma equipa diferente ou igual tanto faz.

Mas submete-se à única forma que lhe dá legitimidade: O voto. Não pode é com esse voto fazer diferente do que prometeu e advogar que é a única solução e que não existem alternativas. Não lhe cabe essa decisão. Essa decisão cabe aos cidadãos, essa decisão cabe aos sócios.

Nisso e em outras coisas o Sporting mais do que ser "de Portugal" é "Portugal" e mais não digo ...

Um burlão é sempre um charlatão

Não percebo o alarido em torno do caso Artur Baptista da Silva. O que não falta neste país é charlatões e burlões, pelo que o caso do falso representante da ONU é mais um divertimento natalício do que qualquer outra coisa mais grave. A importância que estão a dar a esta situação implicará o aparecimento de mais aldrabões. Eu até acho divertido esta história toda, porque revela bem o sentido de humor que os portugueses têm. 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Demasiado optimista face à realidade

Passos Coelho apresentou ontem um discurso optimista na sua mensagem de Natal. Na minha opinião, foi optimista demais em relação ao que vai ser o próximo ano. Com este enorme aumento de impostos, ninguém vai ter razões para sorrir, até porque os serviços básicos também vão sofrer alterações. Todos os anos a história repete-se e não há maneira de sermos presenteados com reduções de preços.

O próximo ano que se segue será difícil mas pior que isso é a incerteza que vai pairar durante todo o ano, especialmente no que diz respeito a dois aspectos: Será que Portugal vai conseguir regressar aos mercados e se isso terá implicações na nossa vida. O outro aspecto tem a ver com as eleições na Alemanha. Já defendi que uma derrota de Merkel trará uma equidade na aplicação do programa, mas será que isso não implica o fechar da torneira? 

No entanto já sabemos de algumas coisas que vão acontecer: as metas do défice e da recessão não serão alcançadas, pelo que haverá um enorme burburinho à volta deste assunto. A oposição já pensa em eleições e no próximo ano recordará este tema diariamente, tendo Cavaco Silva a bomba atómica nas mãos. Não acredito que o PR demita o governo porque Gaspar falhou nas previsões e além do mais não há alternativa política e económica possível.

Acho que Passos Coelho não devia ter prometido um futuro próspero para todos, porque todas estas incertezas levam à desconfiança dos consumidores e investidores. É incrível como muitos deixam de fazer planos por não saber se vai ser necessário uma corrida louca aos depósitos. Se fosse PM teria optado por não iludir muitos os portugueses, preferindo um discurso prudente e de bom senso, contudo acho que Passos Coelho tentou passar uma mensagem de esperança, o que é sempre bom nestes momentos.

Resta-me esperar que aquilo em que o PM acredita seja de facto o que realmente vai acontecer.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Teorias sobre o fim do Mundo


Hoje supostamente acaba o Mundo, isto se levarmos em linha de conta uma previsão maia. Não sei a que horas nem como é que tudo isto vai acabar, mas espero que ainda vão a tempo de ler uma ultima crónica neste blogue.
De vez em quando assistimos a estas profecias. Quem não se lembra da maldição do ano 2000 e do famoso bug informático que não iria passar o novo milénio. Agora é esta previsão, certamente inspirada no filme 2012 de Roland Emmerich. O que muitos filmes descrevem é aquilo que se irá passar dentro de muitos milhões de anos certamente a raça humana já estará extinta. Tal como todos os animais na terra, também os homens um dia deixarão de existir. 

Se o mundo acabasse hoje, o primeiro país a ser atingido seriam os Estados Unidos da América e não a Austrália. Por norma, são os australianos que costumam ser os primeiros a entrar no novo ano, no entanto é nos EUA que a tragédia acontece. Não por culpa deles, mas pela simples razão dos EUA virem as principais películas em que o tema principal é o fim do mundo. É sempre em território americano que começa a desgraça, até mesmo nos filmes em que aparecem Aliens ou extraterrestres. Para provar isto mesmo, basta falar nos Transformers, MIB, Armageddon, 2012 e muitos outros poderíamos citar. 

No entanto não é esta a única razão para que os EUA sejam o país escolhido como cobaia, sendo que não é por acaso que em território norte-americano acontecem as maiores catástrofes naturais. Coincidência ou não, aproveita-se este factor para dramatizar ainda mais a situação.

Não há uma certeza sob o fim do mundo, até porque será mais a explosão do sol a "prejudicar" os planetas.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Vitória voou para o governo

A não venda da TAP a Efremovich é uma vitória do governo e a derrota de alguns críticos que acusaram Passos Coelho e Miguel Relvas de falta de transparência neste processo. É impressionante que em Portugal quando se tenta "salvar" uma empresa haja um choro de críticas mal intencionadas que minam logo negócio. Não acredito que o governo se tenha deixado condicionar pela campanha da oposição, contudo o negócio estava morto desde o momento em que se começou a falar naquilo que não se sabe.
Se a oposição critica a venda da TAP, porque não propõe uma solução parecida com a da Iberia? Isso seria impossível porque os sindicatos nunca aceitariam a redução dos salários por uma questão de justiça. E mais uma vez o governo é preso por tão cão e preso por não ter, no entanto enquanto a empresa não for devidamente privatizada serão os funcionários a pagar do seu bolso esta opção. Não tenhamos dúvidas que para reduzir custos de uma empresa que está moribunda vai ser necessário reduzir salários. 
Nessa altura, os mesmos críticos irão defender a privatização, querem uma aposta? Uma palavra final para António José Seguro e o seu populismo. Para além de ter iniciado esta campanha contra Relvas, o secretário geral socialista esquece-se que foi o PS que durante anos tentou vender a TAP ao desbarato.
Aplaudo o governo por ter negociado até à ultima e acreditar que a empresa vale mais do que os 20 milhões oferecidos.

É sempre Obama

Sou um fã das capas da Time, especialmente nesta altura do ano quando há uma enorme expectativa em relação ao Prémio Personalidade do Ano. O ano passado concordei com a atribuição, sendo que ela foi bastante feliz. O mesmo não posso dizer em relação a este ano. Repetir a escolha no Presidente dos Estados Unidos parece-me ser um pouco populista. É verdade que Obama venceu as eleições norte-americanas, no entanto trata-se de uma reeleição que geralmente é ganha pelo Presidente em funções, ainda para mais Mitt Romney conseguiu equilibrar a eleição durante largos meses. 
Neste tipo de prémios só se costuma olhar para o positivo, contudo há aspectos negativos a ter em conta. É sob este prisma que Obama foi eleito personalidade do ano?
Não parece que assim seja, acho que há uma certa tendência para elogiar Obama naquilo que faz. Ele teve imensos problemas internos devido à economia mas também em relação ao Obamacare. 
Enfim, estas nomeações são mais escolhas pessoais do que outra coisa, contudo uma atribuição pela revista Time é sempre honroso. 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Estado oferece mamas

O impensável acontece neste país. Uma concorrente de um programa televisivo que passa na TVI afirmou que foi o Estado a pagar o aumento do seu peito e que sem isso era dificil ter entrado para a segunda casa mais famosa do país, a primeira é a do PM. 
É por isto que o sector da Saúde está como está, sendo que foi preciso trazer Paulo Macedo para acabar com estas poucas vergonhas. Este é mais um desperdício do Estado Social que tantos defendem. Não sei o que pensa a esquerda sobre isto, mas será que também temos de comparticipar os desejos de uma concorrente para que não fique frustada o resto da vida? 
Fico preocupado por ter participado neste roubo, à semelhança do que acontece quando alguém vai ao médico todos os dias porque tem uma dorzinha de cabeça. No entanto, Petra parece ter ficado feliz com o seu novo peito bem como a ajuda estatal. Não sei quem comparticipou nisto, se Socrates, se Correia de Campos. No fundo, foi o sistema idealizado por António Arnaut, esse pai socialista; que permitiu às Petras deste país aumentarem a felicidade e o peito.
É este o Estado Social que querem manter endividado?

O toiro e a bailarina


Mais uma excelente pintura da nossa artista Filipa Saragga.

Boas Festas!

Dado que vou estar ausente da blogosfera nos próximos dias, deixo a todos votos de um Santo Natal e de um Maravilhoso 2013.
E deixo-vos um poema de um Mestre e Amigo, infelizmente já desaparecido, o Padre Filipe de Faria.


VAZIO DE MIM

No vazio de mim,
Sem mim,
Há lugar só para Ti,
Meu princípio, minha vida,
Meu sabor de eternidade.

Mas em Ti,
Há todo o mundo
Toda a vida pressentida
Partilhada e assumida,
No doar do que se tem.

Não sou nada;
Mas sou tudo,
Porque Tu Te dás a mim,
Para eu te Dizer sim,
Ao amor que nasce em mim.

O meu nada no Teu tudo,
Faz nascer a criação...
Leva o povo redimido
A sair da opressão

E, na Tua liberdade,
Faz do homem, meu irmão.

O Teu tudo
Faz-me herdeiro do Teu Ser,
No verbo AMAR.

Dá-me parte no QUERER...
E eu não saiba o que é pecar.

E me deixe conduzir
Para o bem
No verbo ESTAR.

(De Flor sem Ocaso - Pe.Filipe de Faria, SJ)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Tempo da Inglaterra decidir


A UE decidiu criar uma união bancária que permite uma melhor regulação e troca de informações entre os principais bancos europeus. É uma excelente medida que aplaudo por princípio e que fazia muita falta ao sistema financeiro europeu, para que situações como a de Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha não voltem a acontecer. Mais do que regular, o importante é supervisionar a actividade bancária e criar regras uniformes para que haja uma cooperação mútua.

A decisão abrange não só países do Euro mas também Estados que não têm a moeda única. A Inglaterra ficou de fora deste processo, mas aplaude esta decisão. Eu não entendo por que razão é que os ingleses continuam a saudar o que é decidido, mas mantêm os dois pés fora de todo e qualquer processo europeu. Ainda compreendo que não queiram estar no euro, até porque os ingleses são muito conservadores no que toca a preservar os seus símbolos, e a moeda é um marco importante na identificação de um país. Ao não participarem no Euro, os ingleses passaram a crise de uma forma mais rápida e agora riem-se dos restantes países europeus. Além do mais, não estou a ver nenhum Primeiro-Ministro inglês estar subjugado às vontades do par Alemanha-França mais alguns países nórdicos.
O que se está a passar na Zona Euro é motivo suficiente para os ingleses se manterem afastados. Não sei se Tony Blair ou algum assessor teve uma visão futurista perturbadora que evitou a entrada dos ingleses na moeda única. Contudo, se o Euro algum dia for uma moeda forte não será legítimo ao Reino Unido entrar para o grupo.

 Não convêm estar na UE sem posteriormente aderir ao Euro. Uma das razões para ser membro da União é que entre para o clube da moeda única. Alguns Estados Membros ainda não estão no Euro, mas a breve trecho irão obrigatoriamente ter que mudar a moeda. Também é pressuposto se algum país quiser sair do Euro, terá também de deixar de ser membro da União Europeia. As regras são claras e para todos, e parece-me bem que assim seja. Ou todos seguem as regras definidas pela maioria ou então o melhor é sair e criar um clube novo.

É esta a posição que o Reino Unido deve adoptar em meu entender. Se não querem estar no euro, não participam nas decisões importantes para o crescimento da UE como é esta questão da União Bancária, então o melhor a fazer é deixar a União Europeia.  É evidente a desconfiança inglesa que gira em torno das instituições europeias e dos líderes que as comandam, bem como a indisponibilidade em ter de se subjugar às decisões franco-alemãs. Tudo isso é bem visível e ninguém condena Londres por isso. Acho até que os ingleses foram mais espertos do que todos os outros e a crise que passa na Europa não atinge a Ilha por esta jogada táctica inteligente. No entanto, ao manter-se na UE o país liderado por David Cameron actua como observador e não como jogador de campo. Perante aquilo que vai vendo acontecer à sua volta, age conforme os seus interesses. Numa União que se pretende para todos só tem lugar quem “joga”, independentemente de perder ou ganhar.

Com esta crise, a União Europeia deveria rever as suas regras e acrescentar algumas. O direito de entrar no clube tem de obedecer a vários critérios que já existem, no entanto a obrigatoriedade de participar nos vários “projectos” tem de ser um deles.
Também é por este factor que se cria a famosa “europa a duas velocidades”. É que enquanto uns são prejudicados pelas crises, outros passam por elas e ainda beneficiam do mal dos outros. 

Até que o Relvas caia

Tudo o que acontece de mal neste governo tem um rosto: chama-se Miguel Relvas. Pelo menos será assim que a oposição vai agir, tendo como aliada a comunicação social;  até que o braço direito de Passos Coelho caia. Não se trata de uma jogada nova porque este tipo de tácticas já foi utilizada em anteriores ocasiões, tendo nalguma delas resultado. Por muito que defenda a demissão de Relvas, acho inaceitável este tipo de campanhas que visam atingir não só a pessoa mas também todo o Governo. Percebo a estratégia daqueles que estão contra o governo, porque se o Ministro cair Passos Coelho fica fragilizado e tendo em conta que 2013 será muito complicado é necessário que a coligação se mantenha unida. 

Se a comunicação social já foi responsável pela queda de alguns "ministros", não foi ela também que promoveu estes "monstros"?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Um oásis de oportunidades


Ninguém esconde que a situação que vivemos no país se deve ao enorme despesismo que durante anos houve em Portugal. Não culpo os partidos ou o governo y e x porque a responsabilidade é de todos, contudo é óbvio que alguns governos tiveram uma quota maior porque das muitas decisões tomadas nem sempre pensaram no futuro do país. Ao ter assumido uma parte da responsabilidade, Guterres esteve muito bem. Tenho pena que nem Cavaco, Durão e em especial Sócrates não venham a público explicar a opção por determinadas políticas. Não vejo em que medida Durão e Santana Lopes possam ter contribuído para o descalabro, já que os dois tiveram muito pouco tempo de sequer convencer Jorge Sampaio de dar uma oportunidade à maioria de então. Por isto, acho que Cavaco e Sócrates foram em grande medida culpados pela situação que estamos a viver. O primeiro não soube aproveitar os fundos comunitários e o ex primeiro-ministro teve comportamentos no domínio da utilização dos dinheiros públicos no mínimo exagerados.


Apesar disso, foi a própria sociedade que aproveitou o crescimento económico bem como a entrada no Euro para endividar-se. É engraçado que com a entrada no Euro, muitos pensaram que Portugal ia ser um país desenvolvido e mais rico. Passados estes anos todos, não foi bem isso que aconteceu e a adesão à moeda única só nos trouxe dificuldade para competirmos com economias mais fortes. A saída de empresas internacionais de Portugal foi o primeiro sinal do atraso que iríamos ter em relação aos outros países, porque novas oportunidades se abririam nomeadamente no leste europeu. Isto não esquecendo o enorme rigor fiscal que faz pensar duas vezes qualquer investidor estrangeiro que queira colocar aqui a sua empresa, contudo podemos ter a favor o facto de a nossa mão-de-obra ser considerada barata, no entanto noutros lugares no mundo ainda há quem trabalhe por uns tostões.


Como dizia, o falso boom económico que o país viveu durante a década de 90 e os princípios do novo século, fez com que fossem as próprias famílias a criar uma dependência do acesso ao dinheiro fácil. Quem não se lembra dos tempos em que numa família, marido e mulher possuírem apenas um carro. Essa mentalidade mudou e até os cinco filhos que andam num colégio ou universidade privada têm a felicidade de terem um carro para cada um. O mesmo se passa em relação aos computadores e telemóveis. Para que não haja lutas lá em casa, o melhor é dar um computador a cada e o problema resolve-se, e há que ter em linha de conta a necessidade do casal ter um aparelho próprio para guardar informação só acessível aos mais adultos. E quantos miúdos que ainda andavam na primária e já possuíam telemóvel?
As necessidades das famílias eram mais vaidades do que prioridades básicas. Não havia mal nenhum em comer bifes todos os dias, contudo aqueles que não o podiam fazer não tinham de sentir vergonha porque não conseguiam atingir um certo estatuto social. Contudo, e para chegar mais alto alguns pediram a ajuda dos bancos que não torceram o nariz e desataram a dar cartões de crédito a todos. Era chique ter um cartão de crédito e o plafond era tão grande que ninguém iria ter a coragem de pedir o dinheiro de volta. Qual era a instituição que tinha o descaramento de deixar uma família inteira à beira da falência?


O acumular de dívidas foi tão grande que já ninguém sabia a quem é que devia.
Não se pode comparar as crises de 1977, 1983 com esta. A crise que vivemos tem outros contornos bem mais complicados do que as duas anteriores e por duas ordens de razões. A primeira está relacionada com a falta de competitividade do nosso país. Portugal e as suas empresas não produzem riqueza suficiente para que os seus produtos estejam no topo do mercado internacional. Não há uma única grande empresa portuguesa que seja líder naquilo que for, que com a sua marca traga o nome de Portugal como um excelente país para investir mas também para se comprarem produtos nacionais. Esta falta de competitividade resulta dos problemas que analisei atrás: a forca fiscal com que os sucessivos governos nos metem, a rígida legislação que obriga a uma burocracia desesperante e a mão do Estado que precisa de intervir em tudo o que diga respeito a negócios realizados no nosso país. É um vício irritante aquele que o Estado usa e abusa quando quer controlar tudo. Para além disto, o outro problema tem a ver com o facto de ser o próprio Estado a querer fazer todo o tipo de investimentos, deixando as contas públicas num autêntico pantanal. Se ninguém quiser investir no nosso país devido aos problemas referidos, é natural que seja o Estado a tomar a iniciativa, no entanto isso vai causar um descontrolo das contas porque há áreas que o Estado não “necessita” de intervir porque há quem faça mais e melhor e não seja preciso os contribuintes pagarem por isso.


Aproveitando a situação débil em que o país se encontra, esta pode ser a oportunidade para se investir no país. Como se tem visto nas privatizações interessados nas empresas portuguesas não faltam. Considero que é curioso o facto de num país à beira da bancarrota, quando chega a hora de comprar as melhores empresas aparecem propostas da China, Angola, Brasil, Alemanha and so on. Não deveríamos estar com dificuldade em injectar capital nessas mesmas empresas, já que a credibilidade está em baixo?
É aqui que surge o oásis de oportunidades aproveitado pelas melhores empresas de alguns dos países que há uns anos estavam numa situação económica débil mas que hoje estão a entrar em Portugal devido à situação de bancarrota. Para que isto esteja a acontecer é preciso que as empresas tenham qualidade e futuro, porque senão ninguém investia um dólar. Se as empresas têm sucesso, tal deve-se ao facto de serem bem geridas em termos financeiros mas também estratégicos. Perante isto, é caso para perguntar, porque razão o país está como está. Ironia das ironias, serão aqueles que hoje estão a ajudar Portugal através do seu capital que irão salvar o país e não qualquer aumento de impostos ou corte na despesa. Em meu entender, isso também ajuda mas não essencial porque trata-se de arrumar a casa e a partir daí, o país cumprindo o memorando fica novamente sozinho tendo apenas de apresentar resultados orçamentais equilibrados.


Não ficaremos sozinhos, mas com a companhia daqueles que neste momento estão a comprar as nossas empresas, e será aqui que as nossas vidas mudarão, porque tudo o que conhecemos até agora será diferente. Melhor ou pior não sei, o tempo o dirá, mas será certamente diferente. Com a entrada de capital estrangeiro empresas como a RTP, ANA, TAP, EDP oferecerão serviços diferentes integrados numa economia liberal em que o factor relevante será o custo. Alterando a economia, tudo o resto seguirá também um caminho de mudança. O memorando será apenas uma questão de cumprir calendário, porque as verdadeiras mudanças acontecerão após a saída da troika. Aí Portugal será um país diferente. 

Para provar o quê?

Confesso que este possível regresso de Berlusconi à chefia do governo italiano me causa perplexidade mas não fico espantado de todo. Não percebo porque razão o antigo PM se vai meter outra vez na política quando a Itália está nesta situação complicada e já provou que não quer Silvio no poder. Além do mais, IL Cavaliere não volta como o salvador mas mais como desestabilizador. Em termos de política europeia também não vai resolver nada, já que é a senhora Merkel que manda e os outros líderes europeus são apenas "escravos" ao serviço das ideias da chanceler. 

A não ser por uma questão de vaidade política ou para provar que ainda não está morto politicamente, é que Berlusconi regressa à vida política activa, provando que nada o afasta das suas opções. Mas a mim ele nunca me enganou, porque quando ele se foi embora era com a certeza que um dia voltava. Sílvio não admite perder. E não venha ele dizer que só é candidato se Monti não se chegar à frente. Está na cara que Il Cavaliere quer provar ao mundo que é melhor PM do que Monti, mesmo tendo sido o último a limpar a porcaria que o primeiro fez durante vários anos.

Tema do Dia XXXIX: Intervenção na Comunicação Social

Para assegurar o pluralismo na comunicação social é necessária a intervenção estatal?

domingo, 16 de dezembro de 2012

Olhar a Semana - à espera das eleições alemãs


Mais do que esperar milagres no próximo ano, o que me preocupa mais é a forma como a Europa está a ser conduzida. O que está a acontecer lá por fora tem naturais implicações nas medidas de austeridade impostas a Portugal. Para mim, não há duvida nenhuma que estamos a ser obrigados a suportar sacríficios por duas ordens de razão: a primeira está relacionada com o compromisso assinado no memorando, e a segunda razão prende-se com a política autoritária exercida por Berlim.
Ninguém tem dúvidas que é Merkel que manda na Europa toda. E quando digo toda, são todos os países que estão no Euro. Por esta razão é que a Inglaterra não se junta ao clube da moeda única nem vai integrar a nova união bancária, apesar de achar uma excelente ideia. Tenho a certeza que enquanto Merkel for chanceler alemã, David Cameron não mete os ingleses nestas confusões, até porque não está para ser relegado para segundo plano. Hollande prometeu muitas mudanças mas é mais do mesmo. No entanto, ao contrário do que acontecia com Sarkozy, hoje a França mantêm uma distância relativamente à Alemanha. Não que isso afecte Merkel, já que é ela a responsável pelo facto de querer caminhar sozinha nesta Europa cada vez mais metida nos seus próprios problemas.


A chanceler alemã vem dizer que são precisos mais 5 anos de austeridade e que a Europa necessita de mais reformas. Dos representantes da União Europeia, eleitos democraticamente sob as mais diversas formas, nem uma palavra, no entanto mesmo que dissessem algo nunca seriam ouvidos, porque o que importa é a palavra da Frau Europa. Nada mais interessa. Perante as opções de Angela Merkel a esperança é cada vez mais remota. Podemos culpar o governo pelo enorme aumento de impostos ou pelas suas políticas apelidadas de neo liberais. Considero que o governo geriu muito mal esta questão do Orçamento de Estado para o próximo ano, contudo o que se passou na minha opinião foi a tentativa desesperada de Passos Coelho e Vitor Gaspar em cumprir as metas acordadas com a troika, ou melhor dizendo às imposições de Merkel.
Não acredito que as políticas definidas venham a mudar nos próximos anos, apesar de pensar que iremos ter um alívio fiscal em 2014 e sobretudo em 2015. Contudo, o problema tem a ver com as reformas estruturais que irão necessariamente prejudicar com a vida de algumas pessoas afectadas por algumas mudanças. Merkel quer mudanças na Europa para que esta se torne competitiva face aos Estados Unidos e aos países emergentes. Na cabeça dela está uma Europa mais organizada, liberalizada mas com uma supervisão rígida e com sanções fortes para quem viole os mecanismos que tentam evitar um desperdício necessário. A Europa só será competitiva economicamente se tiver a casa em ordem, e como até ao momento foi tudo uma balbúrdia, é preciso disciplinar para não haver mais excessos. É esta a Europa que Angela Merkel quer e assim se tornar uma potência económica mas também ter uma voz política activa. Eu concordo que é preciso colocar as contas em dia, contudo acho que a Chanceler exagera nas políticas a adoptar e o seu estilo arrogante não ajuda em nada à compreensão por parte daqueles países que estão sob ajuda externa, ou como diz Vitor Gaspar, são países de “programa”.


Será a esta a política europeia delineada para os próximos anos, a não ser que nas próximas eleições alemãs a chanceler não consiga os resultados necessários para poder continuar a mandar na Europa. Em meu entender, as eleições na Alemanha vão ser o facto político do ano. Como acontece nas eleições americanas em que todo o mundo está atento, também na Europa muitos vão seguir o que se passará na Alemanha com muito interesse. Na minha opinião, seria benéfico para a Europa uma derrota de Merkel. Não que o regresso ao socialismo seja o caminho, no entanto a situação actual não pode continuar. Este projecto de austeridade para “todos” os países incumpridores não é a solução. Acho que dificilmente nascerá uma Europa nova depois das pretensões da senhora Merkel, contudo o futuro do euro estará nas mãos do povo alemão que tem aqui uma oportunidade para mostrar o seu poder.
Até à altura das eleições alemãs tudo o que será dito, escrito e confirmado não me interessa. A minha esperança em que isto mude para números positivos acabou quando é a senhora Merkel que conduz a política europeia, por isso é que não faz sentido haver eleições antecipadas em Portugal. Uma vitória do PS seria a continuação das políticas actuais, por muito que Seguro queira dizer o contrário. A assinatura do PS está no memorando e não tendo maioria absoluta só podia fazer uma coligação com o PSD sob o alto patrocínio do Presidente da República, e isso seria muito mau porque não haveria oposição.

 Fico preocupado com as declarações de Merkel e a forma como está a estrangular a Grécia e Portugal. Rigor e austeridade sim, mas com critério e não para atingir um número bonito, que é o que está a acontecer. Um exemplo disto mesmo é a questão dos 4 mil milhões de cortes que estão a ser preparados. Não é isto mais uma exigência sem qualquer tipo de estudo prévio? Qual a razão de serem 4 milhões e não cinco? Porque não ter em conta aquilo que são os desperdícios reais em vez de cortar por cortar. Se optarmos pela segunda hipótese vão-se criar injustiças sociais que jamais poderão ser reparadas, ao passo que acabarmos com aquilo que não é necessário os vícios não voltarão.
Eu só gostaria que Passos Coelho dissesse frontalmente que não é o governo que estabelece as medidas a adoptar, no entanto isso seria um suicídio político.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Maníacos de Qualidade


Quem não gostaria de penetrar na vida intima de algumas das mais importantes figuras da nossa história. Saber o que está por detrás de cada uma das personagens que fizeram da História de Portugal uma das mais ricas. 
Ao lermos este livro ficamos a saber que D.Maria I e Fernando Pessoa eram loucos, da mesma forma que João César Monteiro tinha perturbações graves. O Marquês de Pombal era obcecado com os Jesuítas, o que originou uma perseguição sem precedentes, em particular aos Távoras. Margarida Vitória e Afonso VI tinham personalidades fortes para o exterior, no entanto sofriam de problemas relacionados com algumas regras impostas pela família. 
Este livro leva-nos a uma viagem pela psicologia de portugueses famosos, no entanto se pegarmos bem nestes exemplos, podemos dizer que aqui está uma pequena amostra do que são os problemas "interiores" da sociedade portuguesa. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Causas & Coisas - Pessimismo

Como povo somos pessimistas. Não nos podem qualificar de optimistas porque nunca o fomos. 
A situação por que passamos contribui muito para este estado de espírito, no entanto quando a tempestade passar não vamos entrar numa onda optimista.
Achamos sempre que o próximo ano será sempre pior, contudo o que passou já foi bastante mau. Não são só as perspectivas económico-financeiras que nos fazem olhar para baixo, é todo um conjunto de situações socio-políticas desfavoráveis. Infelizmente, a nossa história tem sido um pouco assim pelo que não é de espantar que os indices de confiança estejam no negativo. 

Quem vagueia pelos cafés, autocarros, quiosques nota que a conversa é sempre a mesma. Nas notícias só dão "desgraças" e nunca "há dinheiro para nada, nem para um cafezinho". Este é o nosso ADN e não há maneira de o mudar o que nos leva à resignação. Esta é uma característica muito nossa que devemos combater. A resignação faz com que estejamos muito dependentes das decisões e acções dos outros, no fundo é esperar que com o sucesso do outro também nós consigamos chegar a patamares elevados. É sempre melhor esperar pela ajudinha do que lutar com as nossas ideias e vontades. 

É por isto que há muito esperamos por um D.Sebastião que nunca chega.

Barómetro Político - Qual o melhor líder partidário?(2)

Continuamos a nossa análise do Barómetro Político. Hoje vamos saber quem é o melhor líder partidário.
Há aqui um aspecto a salientar, visto que Francisco Louçã já não é coordenador do BE, pelo que esta hipótese passará a ser referente a Catarina Martins e João Semedo. 

Se em Março havia um empate técnico entre Paulo Portas e Pedro Passos Coelho, hoje o líder do CDS está claramente à frente, reunindo 31 votos (37%), ao passo que o Presidente do PSD só teve um voto desde a última análise, ficando-se pelos 23%: 

É natural que Passos Coelho não reúna consenso, contudo é surpreendente o facto de Paulo Portas ter esta vantagem sobre todos os demais, já que também está no governo. No entanto, Portas não tem o desgaste de Pedro Passos Coelho, além do mais ser Ministro dos Negócios Estrangeiros não dá grande visibilidade interna.

Quem continua a não recolher simpatia é António José Seguro. Tem neste momento 11 votos, o que corresponde a 13%. Esta votação bem como a da popularidade das figuras de Estado, revela bem que Seguro nunca será alternativa a Passos Coelho. Assim sendo, o PS tem de resolver este problema porque o poder pode lhe cair nas mãos rapidamente. 

Jerómino de Sousa e o ex-coordenador do BE têm pouca expressão. O lider comunista tem 9 votos, correspondente a 10% e o Louçã com 12 votos e 14%. 

Por aqui também se percebe a tendência de voto que vai existindo à medida que a legislatura vai caminhando. Talvez por esta sondagem, Portas terá capacidade para ser PM....Será que Cavaco também pensa assim?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Verde no fundo


Para quem não é do Sporting, a situação que o clube de Alvalade vive é de rir. Já os sportinguistas temem que o seu clube se torne uma espécie de “Belenenses” e nunca mais voltem a vencer um campeonato nacional ou outro título. No entanto, o clube de Alvalade tem um historial e uma massa adepta que não deixarão o clube cair, embora seja esse o destino de todos os clubes que queiram rivalizar com o Benfica.
Nos vários inquéritos que se faz sobre a responsabilidade do actual momento do clube leonino não há nenhuma hipótese que diga “A culpa é da grandiosidade do Benfica?”.
Brincadeira à parte, mas que tem um pouco de verdade, ninguém é capaz de identificar o problema do Sporting porque não está visível a olho nu. Ou seja, por muito que se mude o treinador, se aposte nas camadas jovens ou se gaste milhões de euros em bons jogadores, o problema continua e tende-se a agravar. Nem a mudança constante de Presidente parece resolver a questão, já que foram implementadas várias medidas e nenhuma delas funcionou. O número de directores desportivos que já passou pela estrutura do futebol ultrapassa os dedos de uma mão e todos eles estão hoje fora do clube desesperados por voltarem a ajudar o clube.
Fala-se muito que o Sporting é um clube que tritura treinadores, mas desde a saída de Paulo Bento que o problema tem sido a liderança fora do relvado.
O Sporting precisa de um Presidente que acabe com rotinas e hábitos que há muito tempo estão instalados dentro de Alvalade. Uma das primeiras medidas a tomar seria acabar com o Conselho Leonino. Não vemos no Benfica e FC Porto nenhum conselho da águia ou do dragão. A existência deste órgão é uma vergonha e só prejudica o funcionamento do clube, em especial qualquer líder. Deixar que alguns sócios eleitos e à porta fechada possam definir o futuro do clube é algo que nem sequer beneficia a democracia que deve existir dentro de um clube. A instabilidade e o ruído que se faz naquelas reuniões acaba por minar o trabalho de quem lidera, porque a dependência do que se passou no Conselho ainda é enorme.
Os clubes são dos sócios e não pode haver determinadas pessoas a decidir o futuro do clube, ainda para mais, quando muitas delas só procuram visibilidade na comunicação social. Dar o poder ao Conselho Leonino, de sequer opinar sobre a táctica utilizada pelo treinador, é acabar com a independência de quem tem de decidir e agir consoante o interesse do clube.

Um clube de futebol não pode ter milhões de pessoas a opinar sobre o caminho a seguir. É óbvio que cada um de nós tem um treinador de bancada dentro de si mas liderar é saber decidir por si sem ter que auscultar um sem número de pessoas. O ruído à volta de uma equipa de futebol acaba sempre por desestabilizar a concentração dos jogadores, mas também a tomada de decisões por parte da equipa técnica. Sem o garante que a estrutura estará fechada ao mínimo desaire, ninguém consegue sobreviver a uma chicotada.

É este o problema central do clube, contudo foi o próprio Sporting que criou este hábito ao longo dos últimos 15 anos, e nem as vitórias em 2000 e 2002 trouxeram uma nova forma de liderança, isto porque nunca apareceu um Presidente que tenha saído da linha Roquette. Assim sendo, as velhas rotinas mantiveram-se, as prioridades nunca foram estabelecidas e a política desportiva quase nunca delineada. Sem saber o que se pretende alcançar como é que se chega a algum lado? Estabelecer um plano para em quatro, cinco anos, criar condições de lutar pelo título era melhor do que estar a prometer o título quando se sabia que não haveria as mesmas condições, porque os problemas financeiros nunca ajudaram a que se cometesse loucuras em termos de contratações, além do mais depois da saída dos craques da formação nunca mais se fez uma boa venda.
Não foi isto que fez Vieira no Benfica?
Prometer títulos nunca se pode fazer, mas criar condições para que se esteja sempre lá em cima é uma questão de plano desportivo, e quem esteve à frente do Sporting nunca esteve preocupado com isso. Achou que mais tarde ou mais cedo a bola não ia bater mais na trave.
Acho preocupante que após a era Paulo Bento, não houve ninguém que estivesse preocupado com esta questão e quando o actual seleccionador nacional esteve à frente do Sporting,  estranhamente foi o próprio que definiu uma estratégia com êxito, já que venceu algumas taças de Portugal e deu luta constante ao Futebol Clube do Porto, deixando o Benfica para o terceiro lugar. Hoje já nem nas competições europeias o Sporting consegue vencer.
Para finalizar, o Sporting precisa de uma política desportiva. É necessário que alguém dentro do clube defina um objectivo. Quando eu digo alguém dentro de Alvalade, não me estou a referir aos actuais responsáveis, mas sim aos sócios. Porque são estes a grande força de qualquer instituição desportiva, já que os jogadores, treinadores, directores e mesmo os Presidentes passam a ninguém se lembra deles futuramente. Os clubes existem por causa dos sócios, são estes que enchem os estádios, vibram com as vitórias e choram na hora da derrota, pelo que são estes que têm de escolher o caminho, a política a ser seguida. Eleger uma personalidade que os lidere é apenas uma tarefa democrática, mas antes disso é necessário conhecer o seu plano, o seu propósito e como o vai atingir.
Se a actual direcção não é capaz de aguentar o barco, as alternativas mais visíveis também ainda não disseram para o que vinham. Podem ter um treinador na cabeça, um director desportivo com coração de leão, jogadores fantásticos já contratados para além de investidores com um camião cheio de dinheiro, no entanto nenhum deles sabe dizer o que pretende atingir, qual a sua política desportivo, daqui a quantos o Sporting estará a lutar pelo título mas sem o poder prometer, como é que se vai organizar internamente, quem será a voz de comando, quem é que falará nos desaires e na hora da vitória……
São estas questões que preocupam os sócios sportinguistas e que perante silêncios temem o futuro do clube, enquanto os adeptos dos clubes rivais vão gozando com as sucessivas derrotas do clube de Alvalade.
“Belenização”? Por enquanto não……

Barómetro Político - A Figura de Estado (2)

Continuando a nossa análise do Barómetro Político, hoje debruçamos sobre a Figura de Estado que mais se tem destacado desde Março.

Passos Coelho continua à frente à semelhança do que aconteceu em Março. No entanto, esta subida tem a ver mais com questões negativas do que propriamente positivas. O PM tem sido o alvo da ira de todos nestes últimos meses, sobretudo depois da apresentação do OE. Primeiro-Ministro tem 30 votos o que corresponde a 42%. Uma percentagem alta se compararmos com o Presidente da Republica que está com 22% e 16 votos.

Cavaco Silva teve uma boa subida a que não é alheio o papel interventivo que tem tido na questão do OE, no entanto já nem o próprio Presidente escapa à ira popular.

Quem continua numa maré de azar é António José Seguro. O líder da oposição não consegue ganhar o respeito das pessoas, mesmo com o governo em queda e a popularidade do PM em claro défice. O secretário geral do PS mantêm os mesmos 4 votos de Março, sendo que a percentagem desceu para 5% devido à subida de outras figuras. 
O único que não subiu foi António José Seguro, o que revela bem a sua incapacidade política. É por isto também que Cavaco não quer eleições antecipadas porque não vê no líder do PS uma alternativa. 

Tendo em conta a actual situação do país, os sindicatos têm tido um papel preponderante devido à realização de manifestações mas também da greve geral. Com a sua acção politica dos últimos tempos e que tem tido adesão, as forças sindicais subiram para 14 votos, o que corresponde a 19%, em Março ultimo tinham 12% apenas. É curioso que estejam bem à frente de António José Seguro e muito perto de Cavaco Silva. 

A Presidente da Assembleia também subiu para 7 votos (9%). 

Registou-se a subida da maior parte das Figuras, sendo Seguro a única excepção. Se as pessoas consideram que Passos Coelho está a fazer um mau trabalho, por outro lado não acreditam no líder da oposição, confiando mais na moderação e intervenção do Presidente da República. Já os Sindicatos são mais importantes para combater as políticas governativas. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

lançar as autárquicas

O PSD joga forte nas autárquicas do próximo ano, para evitar ser humilhado, estando isso relacionado com as medidas de austeridade impostas, no entanto, só lá para o fim do ano é que teremos a certeza de como estão as contas públicas e como vai ser o OE para 2014. Pode acontecer que o governo dê alguma folga no OE 2014 e assim tente conquistar mais uns votos que darão uma vitória nas primeiras eleições de Passos Coelho como líder do PSD. 
O que significa uma vitória nas eleições autárquicas? Ter mais votos? Mais câmaras? Ter maior número de Câmara nas capitais de distrito? Nestas eleições todos costumam ganhar porque os objectivos propostos mudam consoante o resultado obtido, contudo ainda é o maior número de câmaras que conta mas....
No entanto, será na capital que se fará a maior luta. Se o Porto está garantido por parte de Menezes, Lisboa é uma incógnita com a entrada de Seara na corrida. O autarca fez um excelente trabalho em Sintra e é um adversário capaz de explorar os pontos fracos do actual Presidente. Quanto a Costa, terá a sua oportunidade para brilhar atacando o governo. Eu acho que esta corrida é fundamental para o PSD e Seara, mas não é importante para o actual Presidente. Se António Costa perder tem o Largo do Rato à sua espera, pelo que é Seguro quem tem mais perder com uma eventual vitória de Fernando Seara na capital. E na actual conjuntura, Costa tem tudo para criar uma divisão interna no PS e esperar que o poder  central lhe caia no colo. 

Esta é sem dúvida a luta que irá animar as autárquicas de 2013, no entanto há outro ponto de interesse: Saber se alguns dinossauros camarários vão mudar de "Município" e candidatar-se à Câmara Municipal vizinha. No fundo copiar aquilo que Menezes e Seara fizeram. Saltar para um trampolim maior e manter o poder só que num sítio diferente. Isto não viola o principio que esteve na origem da limitação de mandatos nas Câmaras Municipais?

Barómetro Politico - A actuação do governo (2)

Para finalizar o ano político, voltamos a medir o pulso às estatísticas com o nosso Barómetro Político. Ao contrário do que sucedeu na primeira análise feita em Março deste ano, começamos pela actuação do governo. Não podia deixar de fazer referência a este aspecto, até porque hoje muito se fala em queda do executivo e eleições antecipadas.

Em Março a actuação do governo era globalmente positiva, não se perspectivando uma quebra abrupta na popularidade. No entanto, foi isso que aconteceu nestes últimos 9 meses. 

Quando perguntamos como está a ser a actuação do governo, 44 responderam que está a ser um desastre, o que equivale a 39%. Em Março, apenas 12 pessoas responderam nesta hipótese, o que dava uma percentagem de 21%. Foram precisos apenas 9 meses, para que a confiança no governo fosse por água abaixo. As questões orçamentais tiveram um peso enorme nesta mudança do sentido de voto, já que a hipótese com maior percentagem era a questão "O governo está a fazer um bom esforço". Após estes meses, apenas 23% reconhecem a vontade do governo em fazer reformas, contudo neste período foram apenas 7 aqueles que optaram por esta hipótese.

A hipotese que teve mais votos nestes ultimos meses foi a forma desastrosa do governo que obteve mais 23 votos relativamente ao período anterior. Se a maioria considera este governo um desastre, não é de espantar que apenas 5% considerem que o executivo de Passos Coelho está a realizar um trabalho muito bom, são apenas 5 os votos nesta hipotese.

Para ajudar a manter a imagem negativa, aqueles que consideram a actuação do governo muito fraca duplicou de 10 para 20, sendo que a percentagem aumentou apenas um valor, dos 17% para os 18%.


Não há volta a dar. As pessoas estão insatisfeitas com o governo e com este enorme aumento de impostos. Apesar de algumas tentativas para explicar o caminho, a verdade é que ninguém aceita este massacre fiscal. Até porque apenas 9% (11votos) continua a achar que o governo tem de implementar mais medidas.

Estes resultados são o reflexo normal da insatisfação revelada por quem não acredita que Portugal vá dar a volta à situação.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Uma reforma necessária

Um dos problemas do nosso país tem a ver com a questão da justiça. Dentro deste "assunto" existem duas vertentes que precisam de ser alteradas. A primeira relaciona-se com o facto de ainda haver uma justiça para ricos e outra para pobres. Infelizmente ainda se fala muito nesta questão, pelo que para que o país cresça também em termos de justiça social é necessário actuar para que haja mais igualdade. Quando oiço falar no principio da igualdade e equidade, fico espantado porque quase nunca se associa a justiça a esta questão. Não se pode querer um país competitivo quando existem muitas desigualdades que se deve muito ao facto de ter havido um esquecimento por parte do Estado em relação à justiça.

A segunda vertente tem a ver com a morosidade da justiça. Não é possível que um processo demore anos e anos a ser resolvido. Aqui entra uma velha discussão, que está relacionada de quem é  a culpa da lentidão da resolução dos litígios. Muitos culpam os juízes por terem o poder discricionário de decidirem "pegar" no processo quando muito bem entenderem. Se os advogados têm de cumprir prazos, não se percebe porque razão os juízes também não tem essa mesma obrigatoriedade. É verdade que os magistrados têm muitos processos para decidir, mas os advogados têm igualmente muito trabalho em cima da secretária. Em meu entender, não se trata de uma questão de muito trabalho mas de vontade.

Mas não é só pelo muito trabalho dos juízes que a nossa justiça está como está. As nossas leis estão caducas e desfasadas da realidade, isto para além de haver regras que impedem a rapidez dos processos. A nova reforma do Processo Civil que entrará em vigor é uma boa medida para responder a estes problemas, especialmente à questão da morosidade. A justiça cível é importante também do ponto de vista económico, pelo que quanto mais tempo demora um processo em Portugal, mais dificuldade há em investir no nosso país. Não incluo o processo crime porque tem natureza completamente diferente.

Esta reforma na justiça cível é bem vinda, no entanto espera-se que seja bem feita, para não termos de "refundar" o código vezes sem conta. As coisas mal feitas e pouco pensadas geralmente dão maus resultados. 

O Processo civil tem inúmeras regras que são inúteis e só prolongam a agonia de quem espera por uma solução. A questão do despacho saneador, a audiência preliminar bem como o elevado número de dias que se tem para poder contestar ou replicar, são algumas das regras que deviam mudar. Não faz sentido que se tenha de atravessar o deserto para chegar à sentença final. 

Será com uma justiça mais simplificada que se alcançará a competitividade e confiança neste sector, que precisa urgentemente de se tratado como as Finanças, Educação ou Saúde do país. 


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Solidariedade institucional

Num governo de maioria é o partido que obteve maior votação, o responsável pela definição das políticas a seguir. Isto não quer dizer que o partido menos votado tenha de ter uma atitude de submissão e passiva dentro da coligação. No entanto, como a sua responsabilidade é maior deve procurar arranjar alternativas quando não concorda com a política definida. Para criticar tudo e mais alguma existe a oposição, que na maior parte das vezes não está com o governo, mesmo quando acredita numa política.

Um dos deveres principais numa coligação é a solidariedade institucional. Nenhuma maioria sobrevive sem este principio fundamental, sendo que para cumprir este desiderato, nenhum dos partidos deve agredir o parceiro de coligação sob pena de criar uma fractura que seja prejudicial para a estabilidade política, não significando  isto que tenha de haver uma subserviência. A existir divergências, elas deverão ser resolvidas dentro de portas e nunca através da maneira mais eficaz de mandar recados: os jornais. 

Nem o partido mais votado tem a supremacia sobre o outro porque teve mais votos, nem aquele que "sustenta" uma maioria pode estar constantemente a ameaçar sair do governo porque se considerar essencial para o garante da estabilidade política necessária. Os dois necessitam de criar empatia um com o outro, e para isso é necessário que haja proximidade política entre os dois líderes. 

Se há coisa que parece não haver entre Portas e Passos Coelho é essa empatia. Nenhum dos dois deverão ser grandes amigos pessoais, nem até politicamente. Além do mais a questão do protagonismo é chave para a manutenção da coligação que sustenta o nosso governo. Se há coisa que Portas gosta é de ter protagonismo, ao contrário de Passos Coelho que prefere o recato. Tem-se constatado estas duas maneiras de estar na política com esta crise na coligação. Portas manda recados através dos seus colaboradores enquanto Passos Coelho cala-se para não criar ruído de fundo que possa prejudicar o bom funcionamento do governo e assim dar mais um motivo para a oposição pedir a sua demissão. Portas e grande parte do CDS estão a agir mal, enquanto o PM segue a sua linha de coerência, porque se assim não fosse há muito que esta coligação já tinha ido à vida em termos formais. Ao contrário do que se diz, é o PM que está a segurar o fio para que tenhamos governo até 2015. Não adianta disfarçar, até porque o CDS sabia perfeitamente as condições com que ia para o governo, pelo que se aceitou fazer parte da maioria quando foi alertado para as dificuldades deve cumprir o acordado e não estar a dar constantes facadas nas costas do Primeiro-Ministro. 

Se quem não está contente com este governo, com as políticas seguidas mas tem de engolir sapos no Parlamento e depois vem para os jornais mandar recados, devia sair imediatamente porque a sua atitude só revela um mau estar com toda esta situação. Se assim é, porque se mantêm a suportar a maioria? Não tem a ver só com os interesses do país, mas sobretudo com razões partidárias e para não ser visto como alguém que fugiu. 

O que tem faltado nestes últimos meses nesta maioria é a solidariedade institucional. Quem tem quebrado este importante valor democrático é o CDS. A razão para que isso aconteça é a sede de protagonismo do seu Presidente, que há anos joga em vários tabuleiros, conforme as necessidades e interesses pessoais. A sua linha de conduta nos últimos meses tem levado a que haja um suspense enorme sobre se vai haver eleições antecipadas. Portas não se contenta com o número 3 na hierarquia do governo, quer ser mesmo número 1 pela mão de Cavaco Silva.

Não nos façam de gregos

Não entendo muito bem o que é a troika quer para Portugal. Esta questão em torno das condições de ajuda para a Grécia e Portugal não está bem explicada. Se a Alemanha não nos dá as mesmas condições porque razão temos de continuar com uma austeridade cega?

Ao aplicar estas condições apenas à Grécia, no fundo é o reconhecimento que a troika falhou naquele país. Só mesmo uma renegociação da dívida é que poderá salvar o país. Se a Grécia sair do Euro, é o colapso e o fim de um sonho europeu, que irá trazer consequências para o continente mas também para o resto do Mundo. 

No que toca a Portugal, a conversa é outra. O problema é que podemos vir a tornar-nos uma nova Grécia se não houver por parte de quem nos ajuda uma compreensão e abertura negocial importante. Neste aspecto Passos e Gaspar têm de defender os interesses do país e não adoptar uma posição de subserviência.  Se a troika falhou na Grécia, não vejo porque aumentam as possibilidades de acertar no nosso país. Apertar agora para depois haver uma folga pode ter consequências trágicas. Eu espero que as decisões tomadas em sede de Eurogrupo venham a beneficiar Portugal e que não nos façam a mesma coisa que estão a fazer aos gregos. Para países diferentes com programas e problemas distintos, as soluções são diferentes mas é fundamental dar um balão de oxigénio para que haja confiança e esperança. 

domingo, 9 de dezembro de 2012

Olhar a Semana - Creio que não ficará Seguro até Junho

Apesar de gostar de António José Seguro com político mas também na sua honestidade, acho que tem sido um péssimo líder da oposição. É natural que como líder de um Partido que quer ser governo, Seguro não pode ser uma alavanca do Governo, ainda para cima que tem dois partidos a sustentar uma maioria. O que se esperava de um líder da oposição nestas condições era que apresentasse mais alternativas em vez de pactuar com um discurso de destruição.

É importante que o líder do PS recorde-se de duas coisas: Foi o PS que negociou este pacto e a sua assinatura está no memorando até ao fim do programa. No príncipio do seu mandato como líder da oposição, Seguro teve um discurso de apoio e vigilância ao governo, no entanto com o avolumar da crise o tom de voz já é outro. Se há menos de uma semana, Seguro não defendia eleições antecipadas, o discurso de hoje já é completamente diferente. E isto porquê? Não só porque a contestação social é cada vez maior mas também porque o mandato do líder do PS acaba em Junho de 2013. Para quem não sabia, Seguro pode muito bem perder o seu lugar muito antes de Pedro Passos Coelho, se se verificarem duas situações: Em primeiro lugar, se a situação financeira for tão má que obrigue o Presidente a convocar eleições o mais provável é o PS sair vencedor, ainda que sem maioria absoluta. Nesse caso, António Costa avançaria para a liderança socialista com a certeza que ganhava não só o Largo do Rato mas também São Bento. Ao endurecer o discurso, Seguro está a cavar a sua própria sepultura. Querer o poder a todo o custo, pensando apenas nos interesses partidários e não nos do país, pode sair caro ao actual secretário-geral. O outro problema que pode baralhar as contas de Seguro tem a ver com a questão da maioria absoluta. Nunca o PS vencerá sozinho e por isso pergunta-se quem o vai acompanhar no Governo. Os portugueses não querem PCP nem BE, pelo que só resta CDS e PSD. Os centristas estarão fora de jogo, e o PSD só fará maioria caso o Presidente da Republica obrigue.

Perante isto, Seguro está a jogar mal ao endurecer o discurso e já estar a pensar em eleições antecipadas, até porque já estando Costa a trabalhar nos bastidores, seis meses são suficientes para tomar de assalto o Largo do Rato. E com o actual Presidente da Câmara de Lisboa no poder, é mais fácil convencer BE e PCP.

É óbvio que o líder do PS não pensou nestas consequências, porque se assim o fosse não estaria contra a extinção de freguesias e as privatizações. São estas demagogias que levam alguns políticos de qualidade a transformarem-se em maus líderes partidários. A ânsia pelo poder e a certeza que ele está próximo tolham qualquer realidade. O que Seguro não percebeu ainda é que Cavaco Silva nunca dissolverá a Assembleia da República, porque pura e simplesmente não há oposição neste país.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Loureiro sem vergonha

Por esta altura do dia, João Loureiro estará a anunciar a candidatura a Presidente do Boavista. É o regresso do Presidente que esteve em funções de 97 a 2007 e que levou o clube à inédita conquista de um campeonato em 2001. Não se pode dissociar o Presidente deste enorme feito, que no entanto teve custos para o clube se a isso juntarmos a construção do Estádio do Bessa que levou o clube à falência e ajudou o Presidente a cimentar a sua casa.

Hoje o Boavista joga na 2ªdivisão nacional, equivalente a uma terceira divisão e o objectivo de Loureiro é que o clube regresse aos dias de glória, resta saber se para dar cabo definitivamente do clube ou para voltar a ser campeão. Acho vergonhoso o que João Loureiro fez ao Boavista e aos seus adeptos. Para o antigo e futuro Presidente valeu de tudo para ganhar, inclusivamente destruir o próprio clube, pelo que é indecoroso a vontade de Loureiro voltar ao clube. Se os sócios do Boavista tivessem alguma dignidade não permitiram que João Loureiro voltasse a meter os pés no Estádio do Bessa, contudo nesta altura o mais importante é salvar o clube, e ao que parece o ex-vocalista dos Ban tem a varinha mágica para o problema, a mesma solução da década 97-2007. 

A Federação Portuguesa de Futebol deveria impedir que isto sucedesse. Antigos Presidentes não deveriam voltar a poder exercer um segundo mandato numa situação destas. Claro que é utópico pensar assim, por causa do principio do livre associativismo e da democraticidade das instituições desportivas, no entanto penso que para João Loureiro deveria ser aberta uma excepção, a bem do próprio Boavista mas também do futebol nacional. No entanto julgo que este segundo assalto não terá um final feliz, ao contrário do que teve o primeiro mas sempre com benefício para Loureiro.

Escrevo estas linhas antes da apresentação, portanto sem saber o que João Loureiro dirá no discurso. No entanto, palavras como amor,clubismo, sentido de dever, voluntarismo, mudança e 1ª divisão deverão constar das suas linhas. Para bem do Boavista que isto seja uma presidência muito curta.....

Qual é a opinião do governo? Ninguém sabe!

Portugal há cerca de uma semana tinha a garantia que iria usufruir das mesmas condições da Grécia. No entanto, o ministro das finanças alemão desautorizou o Presidente do Eurogrupo e disse que Portugal e a Irlanda, como estavam a cumprir não necessitavam de mais folga. Também não é com amigos no Eurogrupo que Portugal consegue boas condições, já que quem manda mesmo é Wolfang Schauble e Angela Merkel.

Se o governo não tem capacidade de negociação perante a troika, o melhor é admitir isso e uniformizar o discurso para que os portugueses possam saber com o que contar mas também tirar as devidas ilações políticas  nas próximas eleições, se bem que o nosso futuro depende mais do que se passar nas próximas eleições alemãs do que propriamente nas nossas. Este é um dado bem elucidativo de como os tempos mudaram rapidamente e o mais grave é que o comum dos mortais ainda não se apercebeu disso.

Que o governo esteja atado a um programa que nem sequer negociou, eu compreendo e aceito. Que os nossos negociadores não consigam ter coragem para negociar um bom pacote para o nosso país, compreendo em certa medida até porque sempre fomos um povo subserviente. Lá fora mas também cá por dentro. É uma característica muito portuguesa baixar a cabeça quando aquele que tem poder ordena. É por isso que há corrupção, inveja, intrigas na nossa sociedade. 

Estas duas situações ainda são relativamente aceitáveis, já que Portugal depende muito do investimento alemão, contudo não se pode aceitar que o governo fale a várias vozes e não tenha um discurso uniforme, coerente e acertivo. Lá está o problema da comunicação que já falei neste espaço. Sobre esta questão das condições falaram Miguel Macedo, Aguiar Branco, Paulo Portas e o Primeiro-Ministro. Todos  disseram coisas diferentes e o pior de tudo é que em nenhuma delas se percebeu qual é o caminho a seguir. Para agravar ainda mais a situação, o PR veio meter a sua colherada e lançar a confusão total, porque é sempre assim que acontece quando Cavaco decide fazer de PM.

Já todos percebemos que o programa é este e não haverá folga. Já se entendeu que o governo não é bom a negociar. O que não se aceita é a forma infantil como o governo tem transmitido a sua mensagem. Esta baralhada toda só prejudica o próprio PM, porque é ele quem vai a jogo nas eleições e tem a cabeça a prémio. Não é o CDS que sai chamuscado, já que a sua atitude de entra e sai é normal no seu líder.

A questão é que apenas Passos Coelho deveria falar, mas como parece que há dois primeiro-ministros dentro do executivo e é difícil calar o CDS, não há coerência nem uma mensagem definida para transmitir. Senão se tem uma atitude lutadora no inicio, quando Passos e Gaspar acordarem já pode ser tarde e depois nessa altura estão a contar os votos que perderam por causa desta descoordenação total entre membros do governo do mesmo partido, mas também entre Ministros de partidos diferentes. É caso para perguntar o que anda Relvas a fazer no governo, não tem ele a pasta da coordenação política?

O que se está a passar só revela amadorismo e falta de experiência política. O governo só pode falar a uma só voz. Os Ministros não se podem pronunciar todos sobre a mesma matéria, ainda para mais quando se trata de questões económicas, matéria essa muito sensível e que não está no domínio de qualquer um.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Fim do Top

Um dos programas mais conceituados e populares de música vai ter o seu fim no final do mês. Um dos programas mais duradouros de sempre e também com recordes de audiências vai acabar. Sou um adepto do Top + já que é o único programa que nos dá música. Infelizmente nos últimos anos tem vindo a "cortar" o seu tempo de duração. Se há coisa que o TOP + fazia era serviço público, verdadeiro serviço público ao apresentar a tabela dos discos mais vendidos em Portugal, no entanto com a queda das vendas discográficas por causa da Internet, este programa já não cumpria o seu papel. É uma pena ver cair um dos programas-ícones da televisão portuguesa, no momento em que assistimos a um corte na despesa. A crise tem destas coisas, o problema é que quando os bons programas acabam raramente voltam. E assim continuaremos sem nenhum programa que nos dê música, a única alternativa viável ao estado de depressão em que nos encontramos.

Coragem política e social

Apesar de alguns erros no que toca à política fiscal, o governo tem feito reformas nalguns sectores importantes. Falo da nova lei dos trabalho portuário que já está aprovada e agora a extinção de freguesias. Não escolhi estas duas leis por mero acaso. Uma tem em vista o crescimento económico e a outra diz respeito à redução da despesa do Estado. 
No entanto, estes assuntos têm merecido polémica porque há muito tempo não se faziam reformas nestes sectores. A contestação em torno das novas leis retrata bem aquilo que são alguns sectores do país. Não se pode liberalizar nem cortar em matérias que incidem sobre os interesses corporativistas.

O que o governo está a fazer, e na minha opinião muito bem é acabar com privilégios de algumas classes e de certa forma, implementar uma justiça social. Felizmente que tanto a lei do trabalho portuário, como a da redução das freguesias tem o apoio do Partido Socialista. Haja coragem para dar por terminado a um novo-riquismo português que vive à conta do dinheiro dos contribuintes e como agora percebe que vai ter de se sustentar sozinho, está sem saber o que fazer.......

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O motivo para vender a RTP

Neste caso em torno da demissão de Nuno Santos ainda não há dados concretos e tudo se baseia em conspirações e incertezas. Não sei quem e o que é que esteve por detrás da demissão do antigo director de informação, no entanto esta história cheira a Relvas. Se assim for, é mais um caso de intromissão em que o braço direito de Passos Coelho está envolvido, e tendo em conta que é o segundo no mesmo ano envolvendo Orgãos de comunicação social, começam a escassear os argumentos para que Passos Coelho o mantenha no Executivo.

Perante esta dúvida que paira no ar, o melhor é o governo livrar-se o quanto antes da estação pública. Por alguma razão, quando na SIC ou TVI acontece algo semelhante, não há estas suspeitas. O problema aqui tem a ver se descobrimos alguma mãozinha do poder central. Miguel Sousa Tavares afirma que o governo não tem motivos para vender a RTP. Aqui está um bastante importante!

Combate à corrupção e lavagem de dinheiro no topo da agenda da nova liderança chinesa


A nova liderança chinesa, recentemente eleita mas ainda não formalmente empossada, colocou na primeira linha das suas preocupações o combate à corrupção e à lavagem de dinheiro no país.
Esse combate passa também, e em grande medida até, pelos rios de dinheiro que correm na China Continental e que vêm desaguar aos casinos de Macau.
Com as figuras de Bo Xilai, e da sua mulher Gu Kailai, no centro de uma tempestade perfeita, que ainda não se percebe onde e como terminará, é curioso conhecer as ondas e os ventos que essa tormenta trouxe até Macau.
Para tanto, vale a pena ler o artigo que se segue, da autoria de Kate O'Keeffe, publicado pelo Wall Street Journal.

Para quem não está familiarizado com estas questões, junkets é a designação que se dá aos indivíduos/organizações que controlam as salas VIP dos casinos, aquelas onde se jogam as grandes quantias de dinheiro e que geram o grosso das receitas dos casinos em Macau.

China Tightens Reins on Macau

Police in Gambling Enclave, Mainland Detain Junket Operators; First Sign of a Corruption Crackdown

The Chinese government is increasing its scrutiny of Macau's booming casino industry and the junket operators that bankroll its high-rolling gamblers, the first sign of a crackdown on corruption following stepped-up rhetoric by China's new leadership.
In recent weeks, police in mainland China and Macau have detained people from at least three of Macau's biggest junket operators, the middlemen who extend credit to high-roller players and collect the debts in China, according to people familiar with the situation. Some of the detentions have occurred in China and in other cases, the detainees have been moved there, these people say.
Casino operators in Macau have also noticed more restrictions on cross-border financial transactions involving Chinese funds and recently received requests for information from Macau police about the people staying at their hotels, casino executives and others said. Such requests aren't unheard of but have raised concerns in light of the other events, these people say.

The territory is also reviewing its money-laundering rules and recently asked casino operators for feedback on proposed rule changes.
Details about why the people were detained or their current status weren't available because Chinese police don't routinely make such matters public. There have been no official allegations of wrongdoing by junket operators, individuals or casinos.
The recent detentions "are an attempt by the Chinese government to tell people in the market that they need to behave, especially regarding underground money transfers," said Hoffman Ma, deputy chief executive of Ponte 16, a Macau casino.
Macau boomed in recent years as Chinese gamblers flooded into the former Portuguese colony, which now generates more than five times the gambling revenue of the Las Vegas Strip. International authorities, including in the U.S., have raised concerns that wealthy Chinese were using the casinos to launder the proceeds of corruption and to illegally get money out of the country.
Chinese individuals aren't allowed to move more than $50,000 a year out of the country, including to Macau, which, like Hong Kong, is part of China but has its own financial system and its own set of laws. That restriction has prompted some high-roller gamblers to rely on junket operators to get around Chinese laws and provide access to greater sums.
According to a Wall Street Journal analysis of Chinese economic data, about $225 billion flowed out of China in the 12 months through September, a number that captures both legal capital outflow and some of the illicit flow.
Displays of wealth, such as the increasing numbers of wealthy Chinese coming to gamble in Macau's casinos, are of concern to the Chinese government amid heightened outrage at official corruption after the fall of former party high-flier Bo Xilai, who was ousted from his party posts in the spring and whose wife was convicted in August of murdering a British businessman.
Xi Jinping, who took the reins of China's Communist Party last month, highlighted corruption in his first speech as party leader. His predecessor, Hu Jintao, warned in his final speech as party chief that official corruption had become such a serious problem it could "cause the collapse of the party and the fall of the state."
U.S. law-enforcement officials and diplomats have long suspected that junket operators carried out money laundering and had ties to organized-crime gangs known as triads. A reminder of the grip the triads have traditionally held on Macau came over the weekend, when a former leader of a triad operating in Macau, "Broken Tooth" Wan Kuok-koi, was released from maximum-security prison after serving 14 years for triad membership and money laundering among other crimes. Since Macau returned to Chinese control in 1999, triad violence has declined.
Last month at Wynn Macau, 1128.HK -5.50% police detained a partner of one of Macau's major junket operators who has ties to Mr. Bo, the disgraced Chinese politician, said people familiar with the situation. The partner, Pang Yufeng, and his associates, including his driver, were taken to China at the request of Chinese authorities, the people said.
Mr. Pang is one of four partners at junket operator David Star, which has a presence at all six of Macau's casino operators, including properties owned by U.S. operators Wynn Resorts Ltd. WYNN -2.89% and Las Vegas Sands Corp., LVS -2.76% according to people familiar with the matter and David Star's corporate website. David Star didn't return calls seeking comment. Mr. Pang couldn't be reached to comment.
Mr. Pang is also the director of a David Star affiliate called Zhong Ying Sociedade Unipessoal Lda., which operates at Sands' Venetian Macau property, according to Macau corporate records and an internal Sands document viewed by the Journal.
Wynn Resorts general counsel Kim Sinatra declined to comment, as did Sands spokesman Ron Reese. The Macau government's Office of the Secretary for Security and the Macau police also declined to comment.
Officials from the Hong Kong and Macau Affairs Office of China's State Council weren't available to comment.
Chinese police have also detained people on the mainland from at least four junket groups that operate in Macau in conjunction with their alleged illegal underground banking activities, said people familiar with the matter.
Qin Si Xin, another partner of David Star, is among those who have been detained in China, these people say. Mr. Qin, a mainlander, is listed on a Las Vegas Sands ledger viewed by the Journal that shows intracompany transactions between Macau and Las Vegas. In September 2009, he received $1.65 million at the Venetian in Las Vegas from a junket operator in Macau, according to the ledger. It is unclear what the payment was for, but there is no evidence that Mr. Qin's transaction violated any laws. He couldn't be reached to comment.
Transfers where money flows across borders via casino accounts have raised concerns among casino executives and U.S. authorities that customers could exploit the intracompany accounts to launder money.
The apparent crackdown comes as the Macau government conducts a major review of its antimoney-laundering rules. Hong Kong tightened its antimoney-laundering rules in April, which pushed banking business to Macau, people familiar with the transactions said.
There is some evidence that the junket operators' high-roller clients are scaling back their gambling. In the third quarter, Macau's VIP gambling revenue fell 1.1% compared with the previous year, the first decline since 2009. Revenue from slots and mass-market tables rose 27%, according to government statistics.
Mr. Ma, the Macau casino official, said the Chinese government flexed its muscle over Macau in 2008 when it tightened visa restrictions for its citizens coming to Macau, hurting the casinos' business. "Visa restrictions years ago showed the power of the Chinese government to control Macau's gambling revenue if they want to," he said.
 

Um enorme espirro vindo de Pequim que pode "constipar" seriamente Macau e a seu tão propalado milagre económico.
Para seguir com atenção os próximos desenvolvimentos do processo.
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