quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Viragem

A emissão de dívida por parte do Estado português está a ter um efeito positivo. Todos congratulam-se com  este regresso aos mercados, embora ainda seja cedo para percebermos o que vai acontecer daqui em diante relativamente ao programa de ajustamento da troika. Ainda há metas a cumprir e é preciso não esquecer a reforma do Estado que tem de ser feita sob pena de, daqui a uns anos voltarmos à estaca zero. 
Para já, este passo teve dois efeitos importantes. A nível externo é a concretização da credibilização do país perante as instituições políticas e financeiras. Lá de fora sempre vieram com a mesma musica: Portugal não é a Grécia. Ninguém acreditou e todos pensámos que iríamos ter o mesmo destino dos Gregos. Agora sabemos que as palavras de Merkel aquando da sua visita a Portugal não foram em vão e que não nos estavam a mentir, enquanto por cá continuavam as manifestações legítimas de desagrado. Este regresso não é por acaso já que há muito estava a ser preparado e resulta da persistência do Ministro das Finanças em não se ter desviado um milímetro das suas opções, por muito que custe ao bolso das pessoas. 

Com esta antecipação dá-se uma viragem política no nosso país. O PS que andava a pedir maioria absoluta tem agora um problema interno para resolver. O ex Ministro de Sócrates já vem pedir eleições internas. Sempre afirmei que Seguro estava a dar um passo maior que a perna, ao em apenas três meses ter pedido eleições antecipadas, ameaçar com uma moção de censura e agora vir falar em maioria absoluta. Primeiro porque não tem uma posição confortável nas sondagens e além do mais não sabe como é que estaria a popularidade do governo após uma previsível derrota nas autárquicas, e mantinha-se a dúvida se Portugal iria conseguir entrar nos mercados face à conjuntura negativa em que ainda nos encontramos. O segundo factor pode até mudar o primeiro e ser o PS o principal derrotado nas eleições de Setembro/Outubro. Eu acho muito curioso esta repentina mudança de posições no Partido Socialista, tendo bastado a primeira emissão de dívida para soar o alarme no Largo do Rato. Este é um dado novo que vamos acompanhar até Junho. Ninguém fala nisso, mas o PS vai a eleições já este ano porque o actual secretário-geral cumpre os dois anos de mandato. Porventura será realizado um congresso antes das directas, à semelhança do que aconteceu em 2010 no PSD. Assim, António Costa pode mudar de planos e ser desde já candidato a secretário geral socialista, até porque novas eleições internas no PS só ocorrerão em 2015 em cima das legislativas, a não ser que antecipem o acto eleitoral. A oposição interna a Seguro já percebeu os ventos da mudança e não quer deixar o governo fugir porque correm o risco de perder as autárquicas o que seria  histórico, já que nenhum governo costuma vencer estas eleições "intercalares". Antes que a maioria suba nas sondagens é preciso encontrar um novo líder...

O ciclo político deu uma volta, cedo demais ao contrário do que seria de esperar. É importante realçar a confiança e certeza com que Passos Coelho tem vindo a falar sobre este tema. Como se viu, este regresso já estava planeado há algum tempo. Aplaudo a forma calma e serena com que o governo tem enfrentado a contestação na rua e na opinião pública, transmitindo sempre uma imagem de segurança naquilo que estava a fazer, apesar de alguns problemas de comunicação que nesta área são importantes. 

Para finalizar, concordo inteiramente com o texto de José Manuel Fernandes que a Maria Teixeira Alves colocou no post em baixo. O meu texto só confirma tudo aquilo que tem sido o comportamento do PS numa altura de dificuldades e ainda para mais estando outro partido a cumprir aquilo que inicialmente foi assinado pelos socialistas. 

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