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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Berlusconi caiu

Sílvio Berlusconi caiu para sempre com a sua expulsão do Senado. Quem anda na vida e na política a fazer porcaria acaba sempre por pagar. O homem de ferro italiano teve o fim que se esperava, após tantos anos de viver "à grande" e "à francesa", sempre à custa dos contribuintes. As palhaçadas, os escândalos sexuais e tudo o resto tiveram a consequência que se esperava.

Apesar das acusações e das expulsões, Berlusconi não aceita o veredicto popular, da justiça nem o parlamentar. A personalidade do antigo primeiro-ministro não quer ser humilde, preferindo ser arrogante e controverso. Tudo o que "Il Cavaliere" andou a fazer nestes últimos 20 anos teve um preço. Felizmente que ainda há países defensores da ética na política, mas também na própria vida. O exemplo dado pelo parlamento italiano pode ser estendido a outros países, nomeadamente em Portugal onde em nenhuma circunstância, qualquer político foi condenado. Se o foi levou tanto tempo a ser que o efeito da condenação já não tinha relevância política nem mesmo criminal. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Como é costume, Paulo Bento não sabe ganhar

O seleccionador nacional tem-se desdobrado em entrevistas após ter conquistado a fase de apuramento para o Brasil, aliás como já tinha acontecido em 2011. Eu percebo que Paulo Bento não queira abordar temas sensíveis durante a campanha de qualificação, já que a estabilidade da equipa é muito importante. Também considero que após ter festejado a qualificação, a comunicação social queira entrevistar o homem do momento.

O que não acho correcta é a sobranceria e arrogância com que Bento fala após um sucesso. O seleccionador não fez mais do que a sua obrigação, já que Portugal deveria ter carimbado o passaporte para o Brasil em qualquer circunstância. Na minha opinião, Bento falhou porque não conseguiu um primeiro lugar que esteve a um ponto de distância. Ora, a equipa nacional empatou no Luxemburgo e Israel e perdeu pontos em casa com a Irlanda do Norte e a selecção israelita. O único resultado normal foi a derrota com a Rússia fora de portas. Fazendo as contas, Portugal perdeu 8 pontos de forma infantil. Culpa dos jogadores ou do treinador? Para mim o culpado é Paulo Bento.

Se Bento não fez mais do que a sua obrigação, porque vem agora falar de jogadores que desapareceram da selecção? Bento não só fala como também acusa os profissionais de serem maus exemplos. Perante isto podemos afirmar que temos um seleccionador razoável e um homem fraco. É feio ter mau perder, no entanto compreende-se a reacção na hora da frustração. Pior do que ter mau perder é ter mau ganhar, ainda por cima recolhendo os louros da vitória exclusivamente para si. Quem não precisa de Bosingwa, Ricardo Carvalho, Manuel Fernandes ou Danny? Se o "culpado" fosse Cristiano Ronaldo o detestável seleccionador nunca teria reagido como está a fazer agora. Como tem sido seu apanágio, Bento prefere ajustar contas com o passado em vez de projectar o futuro.

Espero que Portugal faça uma boa campanha no Brasil e chegue mesmo até à vitória, no entanto espero que a Federação tenha o bom senso de não renovar com um homem desprezível como é Paulo Bento. Em termos de qualidade e carácter há treinadores que estão desejosos de serem seleccionadores. Um deles é Fernando Santos. 


Vergonha!

A CGTP realizou uma manifestação de manhã na Assembleia da República contra o OE 2014. Nada de mau nem de ilegal. Tudo legítimo.

À tarde elementos da mesma inter-sindical invadiram os ministérios das finanças, economia, saúde e ambiente! Aqui já nada disto é legal e democrático. 

Arménio Carlos é um terrorista político à frente de uma organização que foi respeitada nos tempos de Carvalho da Silva. O incitamento à violência é punido pelo Código Penal. Os camaradas de Arménio deviam tomar uma posição sobre os acidentes de hoje. 

O mundo fica a ganhar com o acordo EUA-Irão

A poucos dias de terminar o prazo para adquirir o Obamacare, o Presidente norte-americano obteve uma vitória internacional muito importante. Depois de ter obrigado o regime de Damasco a entregar o seu arsenal químico, os EUA conseguiram reduzir em parte o enriquecimento urânio iraniano. 

O telefonema de Obama a Rouhani no passado dia 28 de Setembro foi fundamental para que Teerão cedesse na sua tentativa de aumentar a produção nuclear. O fim das negociações em Genebra só foram possíveis graças à personalidade dos dois presidentes. Ambos são moderados e têm como objectivo celebrar a paz. Tenho a certeza que depois do término das negociações, os presidentes dos Estados Unidos e do Irão vão voltar a apertar as mãos, trinta anos depois. 

Se Obama venceu, o mesmo não se pode dizer de Israel. Desta vez, Netanyahu não conseguiu evitar um acordo que apelidou de "erro histórico". É importante realçar o facto dos Estados Unidos por uma vez não se terem influenciado pelos desejos israelitas.

O mundo ficou a ganhar com o acordo alcançado no domingo passado. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Três Passos Seguros

É quase certo que as circunstâncias políticas em Portugal vão mudar em 2014. A um ano das eleições e com meio país a pressionar Cavaco Silva, o futuro de António José Seguro e Passos Coelho vai ser jogado no próximo ano.

A manutenção de Passos Coelho no poder está dependente do sucesso do programa da troika. Se em Junho de 2014 as entidades internacionais não estiveram por cá, o primeiro-ministro ganha a batalha e tem possibilidade de aliviar os portugueses em 2015. Outro aspecto importante é o programa cautelar. O governo não precisa do PS para nada, já que o ajustamento adicional não necessita de consenso, mas apenas do conselho do Presidente da República. O primeiro-ministro precisa muito mais de Portas do que Seguro, no entanto se o líder socialista estiver de boa-fé é sempre bem vindo, contudo o país sabe que isso nunca irá acontecer. Um segundo resgate atira o governo para a rua e o PS vence as eleições sem maioria absoluta, colocando um problema ao PR. 

António José Seguro só fica no Partido Socialista se o governo falhar os seus objectivos. Mesmo que o país necessite de um programa cautelar, o aparelho vai pedir mudanças mesmo que António Costa não seja uma solução a curto prazo. A única possibilidade de Seguro ter hipóteses de vencer Passos Coelho em eleições é o governo falhar e pedir um segundo resgate, caso isso não suceda, Seguro tem os dias contados no Largo do Rato e a única esperança socialista é num novo menino que já esteja a ser preparado pelas bases. Eu não acredito que Seguro vença Passos Coelho em 2015 se os dois conseguirem aguentar-se nas respectivas lideranças partidárias. Nem o PS nem Cavaco Silva gostam de Seguro, por isso o mais provável é que o partido realize eleições internas lá para o final do ano. 

O único líder partidário que se vai manter no poder é Paulo Portas. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Mário Soares sobrevive

O ex-Presidente Mário Soares continua a opinar por tudo e por nada. Se há uns dias  criticou o Presidente da Comissão Europeia o alvo foi novamente Cavaco Silva. Nada de mais não fosse o teor das declarações. Com Mário Soares é sempre assim. O que importa analisar não é o alvo das críticas mas o conteúdo. 

Soares acusou Cavaco de ser partidário. Ora, Cavaco pensava o mesmo de Soares quando o primeiro era chefe de governo. Faz sentido um primeiro-ministro fazer declarações sobre a actuação do Presidente da República em exercício. Era isto que o antigo primeiro-ministro Cavaco Silva fazia ao Presidente da República Mário Soares. 

Nunca é demais escrever que Mário Soares tem um problema que o vai acompanhar até ao resto da sua vida. O ex-Presidente e também ex-primeiro-ministro tem dificuldades em aceitar que o seu tempo já acabou. É sempre importante escutar a opinião de um antigo chefe de Estado e de governo, mas não se pode estar sempre a ajustar contas com o passado. Como já escrevi, aquilo que eu chamo de ressabiamento político é uma característica típica dos socialistas. Além de Soares, também José Sócrates faz uso do seu comentário semanal para que os portugueses lhe peçam desculpa, quando devia ser o contrário. 

Estou convicto que, depois de matarmos as saudades de Soares, vamos ter de aturar os comentários diários de José Sócrates. 

Aqueles que perderam devem escolher sair por cima e nunca estar sujeitos à crítica fácil. Mais uma característica socialista.

Critiquem o miúdo!

Portugal assegurou o apuramento para o Mundial 2014 graças ao talento, coragem e raça de um predestinado para o futebol. Cristiano Ronaldo decidiu esta eliminatória frente à Suécia ao ter apontado os 4 golos da selecção nacional, tendo ficado mais dois por marcar. 

Além de ter ajudado a equipa nacional, Ronaldo mostrou ao mundo quem é o melhor, independentemente do número de bolas de ouro ganhas por Leonel Messi. É no terreno de jogo que se decide o melhor jogador do mundo e não o número de prémios atribuídos, ainda que tenha a chancela da entidade que rege o futebol. Tenho a certeza que CR7 ficou revoltado com as declarações do presidente da FIFA. Ainda bem que Blatter desprezou Ronaldo, já que tal facto contribuiu para que Portugal estivesse no Mundial de forma convincente. 

Gosto daqueles que atingem os seus objectivos com dignidade e não utilizam argumentos baixos para responder a uma crítica. O miúdo Ronaldo, de origens humildes não tem só conquistado proezas dentro do terreno, mas também tem melhorado o nível da sua linguagem. Este CR7 já orgulha o país e merece ostentar a braçadeira de capitão por muitos e bons anos. 

Se anteriormente não gostava da expressão linguística do craque português ontem fiquei fan do jogador, mas também da pessoa. 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Seguro de vida de Obama

É um facto que a proposta do Presidente em obrigar os norte-americanos a optar pelo seguro de saúde por si idealizado correu mal. 

Os níveis de popularidade de Obama estão a cair a pique e os problemas que têm surgido são uma mancha na credibilidade do projecto mas também do seu mentor. Se os problemas relacionados com o site healthcare.gov continuarem, a data limite estabelecida não vai ser cumprida. Obama dizia há uns dias que se sentia "frustrado" com esta situação.

Tal como acontece em Portugal, na América as pessoas deixam tudo para o último dia, pelo que era previsível o acesso de um maior número de pessoas no final do mês. Na minha opinião, se Obama não colocar em marcha um plano alternativo que substitua temporariamente o Obamacare, o Presidente vai ter que desistir da sua política de saúde e os americanos voltam a poder escolher livremente o pacote que entenderem. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Boa Sorte q.b.

Portugal joga amanhã a cartada decisiva rumo ao Mundial do Brasil. O 1-0 conquistado na primeira volta deverá ser suficiente para aguentar a pressão inicial dos suecos. Acho que Ibrahimovic e companhia não têm qualidade para vencer a selecção nacional. No entanto, isto não quer dizer que a equipa das quinas seja muito superior à Suécia. 

A equipa de Bento fez o q.b para estar no playoff não se esforçando o mínimo para tentar o primeiro lugar que só ficou à distância de um ponto. A retórica do treinador foi negativa e quando assim é empatar contra Israel e Irlanda em casa são resultados considerados normais. Vamos ter que aturar Paulo Bento e o seu futebol desinteressante até final de Julho do ano que vem. Contudo, o futebol praticado só deve chegar para os quartos de final. Espero que depois do Mundial haja uma nova mentalidade na Federação no que respeita ao treinador. 

Enquanto Portugal não tiver uma mentalidade ganhadora não vale a pena pensar em títulos. Como se viu em 2004.

domingo, 17 de novembro de 2013

Livre nunca é de esquerda

Já afirmei aqui que a ideia de Rui Tavares é positiva. No entanto, o Partido Livre não deverá ter grande sucesso. Não vou repetir as razões que apontei no post anterior, mas vou acrescentar dois pontos. 

Em primeiro lugar o nome não tem grande saída, ainda para mais quando se trata de um partido com objectivos de conquistar o eleitorado de esquerda. Livre é sinónimo de liberdade que está associada a liberal, além do mais qualquer partido de esquerda que se preze tem de ter a palavra mágica na sua designação. Poderia designar-se Partido da Esquerda Livre. 

Em segundo lugar as pessoas que estiveram ontem na apresentação são militantes descontentes com o Bloco de Esquerda. O principal obreira da nova força também é um "frustrado" bloquista. Este factor é importante já que por aqui se nota a queda do BE. 


Na minha opinião não haverá um partido que vai evitar o desaparecimento Bloco de Esquerda.

Olhar a semana - Portugal vai crescer

A semana fica marcada pelos números do PIB, bem como pelo milagre económico que se verificou na zona Euro. Não foi só Portugal que apresentou bons resultados ao fim de dois anos de programa de assistência. A Irlanda confirmou que vai mandar a troika embora de Dublin daqui a um mês. O bilhete das entidades internacionais será só de ida, já que os irlandeses optaram por não recorrer ao programa cautelar. Em Madrid também houve boas notícias. O resgate à banca espanhola acabou e nuestros hermanos podem continuar livremente as suas transacções. De Atenas não há boas nem más notícias. 

Acompanhei ontem o discurso de Passos Coelho no encontro dos autarcas sociais-democratas e notei que não há um desvio ao que sempre foi dito pelo PM. A confiança, a ambição e a certeza absoluta que as metas iriam ser cumpridas. Concordo que o governo nalgumas matérias foi longe demais, no entanto para equilibrar as contas públicas era necessário angariar mais receitas. 

Felizmente que o problema português só está relacionado com o desequilíbrio orçamental e nada mais. Não é difícil colocar o défice em ordem, o problema vai ser manter esta mentalidade. A grande tarefa que se coloca aos próximos governos é saber se conseguem gerir o dinheiro que dispõem da melhor maneira. Passos Coelho disse ontem que os próximos fundos comunitários serão destinados às empresas, para que possam aumentar a produtividade e criar emprego. Pelos vistos a política do betão vai acabar. O mais certo é que sejam as empresas a "construírem" esse betão, através do financiamento e não é o Estado que tem de alcatroar as nossas auto estradas desertas. 

O PM falou também das exportações. Passos quer atingir a curto prazo 50% nos produtos que vão lá para fora. Temos homem e primeiro-ministro que não tem medo de colocar a fasquia alta. Se a breve trecho as exportações atingirem 50% do PIB temos o problema resolvido. Mas como é que se isso alcança? Passos tem a solução, já que ao reservar os fundos comunitários para as empresas está a dar um sinal de maior crescimento económico. 

Nota-se uma mudança de mentalidade no governo a que não é alheio a entrada de Pires de Lima para a pasta da economia. Ao mesmo tempo que se faz o ajustamento das contas é preciso arranjar ideias para investir. Afinal parece que a crise política de Julho fez bem a todos. 

sábado, 16 de novembro de 2013

Os passageiros da noite - Haruki Murakami


Em After Dark, "os Passageiros da Noite", Haruki Murakami leva-nos a conhecer a cidade de Tóquio. A história gira em torno do movimento cosmopolita que a capital japonesa oferece. Desde a vida nos subúrbios passando pela alta sociedade japonesa. O autor mistura as personagens dos dois mundos em pouco mais de 100 páginas. 

Tal como acontece na maioria dos livros do autor japonês a fantasia, a ficção e o inesperado também estão presentes neste livro. 

O objectivo de Murakami com este livro é criar uma história a partir do e para o nada.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A vontade Rui Tavares é positiva

A ideia é boa e parece ter pernas para andar. No entanto, o sucesso da iniciativa de Rui Tavares depende da forma como o ex-bloquista seduzir a ala socialista mais descontente. Aquela que esteve ao lado de Soares e António Guterres, mas que teve desilusões com Sócrates e Seguro. 

Defendo há algum tempo a existência de um partido de esquerda em Portugal que saiba lutar e representar os ideais de esquerda bem como servir de suporte às classes mais desfavorecidas. O PCP e o BE não têm sabido lidar com o desenvolvimento do país e das ideologias, por isso é que ficam perdidos no velho discurso. 

Saiba Rui Tavares fundamentar a criação da nova força partidária e com isso agarrar alguns socialistas, o país pode vir a ter um novo partido. Mais importante do que isso, é o facto do Partido Socialista poder ter um aliado no governo. 

Caso a nova força obtenha um bom resultado nas europeias, o PS já tem com quem se coligar em 2015.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Portugal saiu mesmo da recessão





Saímos da recessão? Em principio sim, mas cuidado. A economia cresceu 0.2% no terceiro trimestre e confirma os dados verificados no 2º semestre. Se a tendência continuar, o quarto trimestre será ainda melhor. No entanto, os dados relativos a Outubro, Novembro e Dezembro de 2013 só vão ser conhecidos em 2014. Nessa altura o Partido Socialista estará em campanha interna e a preparar um novo congresso para escolher um líder alternativo a António José Seguro, de forma a poder ir a eleições em 2015 com possibilidade de impedir a maioria absoluta da direita.


Se os portugueses castigaram o governo nas últimas autárquicas devido à política de austeridade, os novos dados mudam tudo. Se a isto acrescentarmos a saída do programa de ajuda internacional, é caso para dizer que o governo tem tudo para vencer as legislativas. Além do mais, com o programa cumprido haverá folga para reduzir o IRS no orçamento de 2015. 

O governo tentou incluir o PS nas suas reformas, só que Seguro não quis porque pensou que o país a caminho do segundo resgate. O final do ano está a ser penoso para o líder socialista que não argumentos para contrariar esta vitória do executivo, mas sobretudo do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

Porque foi Passos Coelho quem afirmou em Julho deste ano que Portugal iria sair da recessão....lembram-se?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O destino dos manifestantes no parlamento

Os últimos debates parlamentares têm sido marcados por protestos nas galerias. As pessoas já não se sentem impedidas de protestar no hemiciclo. A moda começou com o "grândola vila morena" e agora teima em não parar. 

A polícia consegue abafar as manifestações perante o espanto dos deputados, no entanto será difícil às autoridades preverem o quer que seja. Tendo em conta que existe um vazio legal no que diz respeito a esta questão, a solução é fechar as portas ao público. Contudo, isso significaria tornar a democracia privada. 

Não quero que acabem com as sessões plenárias abertas ao público, até porque sou adepto da democracia aberta e participativa, para além de assistir com regularidade aos debates quinzenais. Mas não suporto, nem entendo que se proteste nas galerias do Parlamento. É uma falta de respeito à instituição mas também aos seus representantes e representados. Há quem goste do debate público por isso ninguém pode ser privado de assistir à discussão tranquilamente por causa de uma dúzia de arruaceiros. 

Também não sou a favor de uma lei penal para os desordeiros que se manifestem dentro da Assembleia. Em meu entender uma advertência ou mesmo uma multa poderia impedir as pessoas de abrirem a boca.Talvez esta seja a melhor solução, mais equilibrada tendo em consideração a natureza do problema. A relação debate público vs respeito é importante e faz falta à democracia portuguesa. 

Se a desordem começa a ser normal lá em cima, os habitantes do andar debaixo habituam-se rapidamente. Ou será o contrário? 

Capucho é mais um

À medida que o tempo passa começam a surgir nomes para as presidenciais de 2016. Cavaco Silva nem sequer cumpriu metade do segundo mandato e só se fala nas eleições para Belém, quando ainda há legislativas em 2015. 

O último a atirar-se para a frente foi António Capucho. O homem que sempre criticou o governo está disposto a avançar. A única hipótese do social democrata é dar o passo em frente mas como independente, já que nunca vai ter o apoio do PSD liderado por Passos Coelho. Aliás, nenhum dos possíveis candidatos a Belém terá o apoio do actual primeiro-ministro já que todos estão contra o executivo.

Apesar de 40 anos dedicado à política, Capucho nunca foi ninguém. A sua obra é basicamente a nível partidário e pouco mais. Além do mais, o pré-candidato fica ligado à derrota de Marco Almeida nas últimas eleições autárquicas em Sintra. Nestes termos o nome de Capucho é um dos cerca de 400 que o partido quer expulsar. Vendetta?

Como é normal na política portuguesa, aqueles que se apresentam neste momento como candidatos não irão a jogo. Os que querem Belém só o vão dizer na altura própria. É sempre assim que funciona. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A culpa é tua, não é minha. Não, a culpa é de Israel

As negociações para resolver a questão nuclear iraniana não estão fáceis, como se adivinhava. Apesar da iniciativa presidencial norte-americana, as autoridades iranianas não querem abdicar do seu direito a enriquecer urânio. 

A conferência de Genebra está a ser um fracasso para os dois lados, mas também para alguns países membros da União Europeia que não se colocam nem do lado americano nem do iraniano. Penso que a questão pode ser simples de resolver caso as duas partes abdiquem de algo, no entanto não me parece que Teerão esteja disposto a oferecer algo, nomeadamente ser submetido à vontade do Ocidente.

O papel de Israel também é importante porque será Telavive a determinar o quanto está disposta a deixar o Irão possuir armas nucleares. O mesmo é dizer que Netanyahu está a mandar em Barack Obama e John Kerry.

Os primeiros resultados pós eleições na Alemanha

Estranha coincidência ou não, a economia europeia começou a inverter a tendência negativa após as eleições na Alemanha. A vizinha Espanha está quase a sair da crise, a Irlanda vai negociar o programa cautelar e Portugal tem a luz ao fundo do túnel. Só a Grécia é que não consegue sair da crise, contudo o caso grego é completamente diferente dos restantes.

Se os três países conseguirem voltar a financiar-se autonomamente Angela Merkel tem uma vitória em toda a linha. Não só internamente mas sobretudo externamente. Em primeiro porque as medidas de austeridade foram a solução para resolver o problema e depois porque os países mais ricos também são os mais cumpridores. 

Sou daqueles que não gosta do estilo da chanceler, no entanto aprecio o rigor alemão. Não é preciso exagerar nos cortes ou no aumento de impostos, contudo só um controlo do orçamento poderá fazer com que os nossos serviços tenham qualidade. Não vale a pena gastar sabendo de antemão que um dia mais tarde teremos de pagar. Se vamos deixar a conta de electricidade por pagar um ou dois meses, a factura vai ser mais cara. 

Algo mudou na Europa desde Setembro. A mudança está relacionada com o voto de confiança que os alemães depositaram na Chanceler mas também nas negociações para um governo de coligação, até porque deixar Merkel à solta é perigoso.


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O azar de Rajoy

Como se sabe José Maria Aznar marcou uma era na política espanhola. Ao ter substituído o socialista Felipe González no executivo, o líder do PP quis abrir uma nova fase na vida do país. Os anos de prosperidade tiveram a marca do ex primeiro-ministro, no entanto as bases foram destruídas por José Luis Zapatero. A direita espanhola teve de refazer o que os socialistas deram cabo.

O mandato de Mariano Rajoy está a ser marcada pela crise financeira. Apesar de Espanha ter evitado o espectro de um resgate semelhante ao de Portugal e da Grécia, as dificuldades de tesouraria ainda são muitas. Além do mais, o actual chefe de governo espanhol tem um problema acrescido: a independência da Catalunha. Em meu entender o governo regional quer enfraquecer o actual líder popular com esta questão. Não estamos só perante uma reinvindicação nacionalista, mas também numa "vingança" pessoal. Não é por acaso que os catalães se lembrarem de accionar todos os meios políticos à sua disposição.

José Maria Aznar apresentou recentemente as suas memórias. Com este gesto, o antigo líder popular abriu a questão de quem é o melhor: ele mesmo ou Mariano Rajoy. O segundo sempre foi um fiel escudeiro do primeiro, no entanto de quem os espanhóis gostam mais é de Aznar. Rajoy não tem firme pulso e é um líder tibuteante, em recorrer sempre ao diálogo em vez de impor as suas opiniões políticas. Se a autonomia da Catalunha vai a referendo no próximo ano é o fim político de Rajoy e o regresso do PSOE ao poder. 

Aznar não volta à política espanhola, até porque em Espanha não é possível uma candidatura à Presidência após a experiência como primeiro-ministro. No entanto, a entourage do anterior primeiro-ministro pode arranjar alguém que faça oposição interna a Rajoy, mesmo antes das próximas eleições legislativas. 

domingo, 10 de novembro de 2013

Olhar a Semana - Que vergonha

A semana ficou marcada pelos maus resultados das equipas portuguesas nas competições europeias. Não foi só na 4ª jornada da Champions e da Liga Europa que os clubes fracassaram. Os seis emblemas correm o risco de ficarem pelo caminho na primeira fase da época europeia. Benfica e FCP ainda podem ser relegados para a Liga Europa, no entanto isso seria uma catástrofe para os dois principais clubes nacionais.

A falta de preparação, concentração, competitividade e qualidade é patente. Pior do que não conseguir competir com equipas francesas, alemãs, italianas ou inglesas é o facto de nenhum dos clubes ambicionar vencer os gregos, austríacos, ucranianos entre outros.

Sem os dois Sporting nas competições europeias, a representatividade nacional na Liga Europa ficou a cargo dos estreantes Paços de Ferreira e Estoril, para além do habitual Vitória de Guimarães. No entanto, nenhum dos três parece ter pedalada para clubes de segunda dimensão europeia. 

Já os dois grandes do futebol português desiludem. A culpa não é dos grupos de trabalho mas de quem os dirige. Fonseca está verde para a função e até hoje ainda não demonstrou ser o homem certo para a cadeira de sonho. Em relação a Jesus é evidente que o discurso pouco ambicioso do treinador chegou ao balneário. Como é possível uma equipa que vai receber a final da prova no seu estádio não encarar cada desafio como se fosse o último? Pela segunda vez consecutiva o clube encarnado vai ficar pelo caminho logo na fase de grupos. Se a isso juntarmos os fracassos no final da temporada passada, é caso para dizer que o chicote já devia te estalado.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Presidente já decidiu.

A primeira tentativa de Cavaco foi em Julho. Os partidos não aceitaram a proposta do Presidente e cada um ficou na sua quinta. O resultado da arrogância partidária que ainda se vive em Portugal foi um Orçamento muito pesado para o país. Se os três principais partidos estivessem unidos na tentativa de salvar o país da bancarrota, os resultados da execução orçamental eram melhores. Contudo, sem consenso político o espectro de um 2º resgate continua a pairar sobre o país.

O Presidente quer um consenso alargado a dez anos. Isto implica uma profunda reforma das instituições, nomeadamente a nível eleitoral mas também constitucional. A reforma da constituição é novamente tema de conversa mas nem aqui os partidos estão de acordo. O principal culpado da não haver negociações é o PS, porque o seu líder está sempre contra tudo mesmo antes de conhecer e estudar as propostas. 

Eu só vejo uma forma do PR impor uma governo que inclua três partidos. Nas eleições legislativas de 2015 quem vencer nunca terá maioria absoluta, pelo que obrigatoriamente irá ter de fazer coligação. O parceiro de PS ou PSD nessa futura coligação será sempre o CDS. Tendo em conta que os centristas nunca serão um parceiro estável, o PR vai obrigar a que um terceiro partido se junte aos dois primeiros. Nessa altura a intervenção de Cavaco será determinante para terminar o seu mandato como o "salvador da pátria". 

Quem irá liderar o futuro governo? Os três líderes dificilmente terão o apoio das bases. No entanto, por estranho que pareça Passos Coelho é o que tem mais hipóteses de ficar.

A vontade de Cavaco vai-se estender à figura do Primeiro-Ministro porque PSD, CDS e PS nunca irão estar de acordo quanto a um nome para liderar o governo. A responsabilidade de nomear o D.Sebastião cabe a Cavaco Silva. É aqui que surge o nome de Silva Peneda. O homem até já se coloca em bicos dos pés....

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quem matou Arafat?

Se o antigo líder palestiniano foi envenenado irá abrir-se uma crise mundial. Pelo menos nas relações entre os Estados Unidos e os países árabes. O possível envenenamento vai criar tensão na região, sobretudo na questão israelo-palestiniana, já que o cessar fogo nunca é uma realidade.

Infelizmente o ex combatente continua vivo entre nós. Isso é mau do ponto de vista politico porque a discussão relativamente à sua morte será tema para início de novo conflito. 

A pergunta que se faz é muito simples. Quem matou Arafat e porquê. Os principais suspeitos são os Estados Unidos e Israel. No entanto, ainda há suspeitos secundários que vão desde alguns inimigos históricos de Arafat provenientes do médio oriente. Não se pense que os adversários do antigo líder da OLP estavam apenas no Ocidente. 

Ao ter lido a biografia do Rei Hussein da Jordânia chego à conclusão que o ex-combatente era odiado por meio mundo, pelo que não fico espantado com as últimas informações. Acredito que o provável envenenamento terá sido uma de muitas tentativas de assassinar Yasser Arafat. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Os outros ressabiados

Não é só no partido socialista que há ressabiados políticos. 

O PSD também tem os seus frustrados. É curioso que todos eles andam na televisão a papaguear comentários contra o governo. Se Marcelo e Manuela Ferreira Leite têm motivos para atacar o executivo de Passos Coelho, não entendo porque razão Marques Mendes passa os sábados à noite a bater no governo.

Os antigos líderes sociais-democratas não lidaram bem com a perda de mandato. Nenhum deles conseguiu chegar a primeiro-ministro, embora as expectativas na altura tenham sido enormes. O único que ninguém esperava que chegasse a chefe de governo era precisamente Pedro Passos Coelho. 

A frustração com que socialistas e sociais-democratas encaram a vida política é preocupante. Parece que nenhum deles sabe fazer mais nada na vida a não ser andar pelos corredores partidários. Rejeitados pelo partido encontram no inútil comentário político uma forma de sobreviver. 

À moda do Cairo

O que têm em comum Hosni Mubarak e Mohammed Morsi?

Para além de terem sido presidentes do Egipto, os dois ex-governantes passaram num instante da cadeira do poder para uma cela. 

A forma como o Egipto está a ser governado deve preocupar a comunidade internacional. Não é nenhum partido ou organização que está no poder. Os militares controlam tudo: imprensa, população e, como não poderia deixar de ser, as forças de segurança. A intervenção das forças armadas na actual crise é um motivo forte para desequilibrar a democracia no Cairo. 

As manifestações que se têm realizado nos últimos tempos, praticamente desde a queda de Mubarak, são contra o poder militar instalado e pela forma como a autoridade militar tem condenado os ex-governantes, por não pertencerem à elite militar egípcia. 

Pena que os Estados Unidos e a comunidade internacional não actuem no Cairo, da mesma forma que o fizeram em Damasco e na capital iraniana.O Egipto é um país chave na organização e manutenção da estabilidade na região. Se a situação actual se mantiver, temo que no futuro as ditaduras militares voltem ao Médio Oriente. A breve prazo.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Simplesmente mau! Dentro e fora de Portas

Aparentemente o vice primeiro ministro de Portugal não tem boas maneiras. Para além de, politicamente ser fraco e desonesto, Paulo Portas também roça a má educação. Quando Portas está no estrangeiro não representa a sua pessoa nem o seu partido, mas o país. Deste modo, deve agir como um diplomata português e não como um arruaceiro qualquer. 

Os portugueses já estão fartos dos jogos políticos do actual Ministro há mais de uma década. Por isso era dispensável mais notícias como esta. A arrogância do líder centrista ultrapassa fronteiras e nem um pingo de vergonha ou um pedido de desculpas. 

Portas faz o que lhe apetece dentro do país mas também nos corredores do executivo. 

A calçada portuguesa vai sair de Lisboa

As pedras da calçada estão a desaparecer no bairro do Sacramento em Lisboa. É só o início de uma mudança ainda maior que está para breve. Substituir o piso de uma boa parte dos passeios da capital é uma promessa eleitoral que o presidente da câmara, António Costa, promete agora cumprir. A "fase de estudo" já arrancou e o objectivo da autarquia é encontrar as soluções mais adequadas para trocar a tradicional calçada portuguesa.


A mudança nunca será pacífica, já que haverá sempre alguém disposto a defender uma "marca lisboeta única", como Nuno Alvarenga, cozinheiro de 51 anos. A relação dos lisboetas com a calçada, no entanto, ainda é "um misto de amor e desprezo", explica o olisipógrafo Appio Sottomayor: "Se a autarquia decidisse arrancar algumas pedras, não faltaria quem protestasse." A mudança que aí vem, porém, não será radical, assegura fonte do gabinete de António Costa. Para os moradores mais preocupados, o executivo da câmara municipal esclarece que nas zonas turísticas fica tudo como está. A substituição da calçada por outros pavimentos "mais cómodos e acessíveis" servirá para facilitar a deslocação dos idosos e da população com fraca mobilidade.


A questão aqui, contudo, é que a calçada faz parte do quotidiano dos lisboetas. Apesar de perceber que as pedras de calcário e basalto têm alguns inconvenientes para quem usa os passeios, Nuno Alvarenga, que vive na Rua de São Bento, tem receio que a "marca identitária desapareça da cidade". Appio Sottomayor é mais uma voz a favor da calçada portuguesa. E avisa já que o carro tem sido o seu principal inimigo: "Sua majestade o automóvel tem prioridade sobre tudo." O especialista em história da cidade de Lisboa vai mais longe e deixa um alerta: "Com o pára-arranca e o peso dos carros sobre os passeios, as pedras soltam-se rapidamente e os desenhos desfazem-se num instante. O que é uma pena."


Não é só a calçada lisboeta que está em risco. A formação de calceteiros também está a ser afectada com os tempos de austeridade. As autarquias investem cada vez menos em novas empreitadas, conta o calceteiro Miguel Gouveia. E, se a procura é baixa, os novos formandos também têm consciência de que estes cursos têm pouca empregabilidade, explica.


No entanto, Miguel Gouveia acredita no futuro e está convencido de que "haverá sempre mestres artistas a trabalhar na calçada". Até porque são os jovens entre os 20 e 30 anos que têm mais interesse em entrar na escola de calceteiros. É também por isso que o formador não desiste. Miguel Gouveia pretende incutir nos mais novos o gosto pelo ofício: "A parte mais gratificante do meu trabalho é quando começo a reparar que a arte surge no formando, e aí vejo que a minha alma está naquele jovem." Essa é portanto uma das razões para acreditar que haverá sempre mestres especialistas a sair das escolas. E esta arte precisa de bons profissionais que saibam executar as várias técnicas que o ofício exige. A mais popular é a calçada portuguesa, com uma orientação de 45 graus face à esquadria da obra.


Mas há outras formas de desenhar a pedra sobre o chão. Os mestres calceteiros distinguem a calçada à portuguesa, o malhete, a calçada a fiada, a calçada circular, a calçada sextavada, o leque segmentado e o leque florentino. São os próprios mestres que criam e desenvolvem novos tipos de piso, consoante os seus gostos e estilo profissional. Em geral, a calçada mais apreciada é a artística.
Mas a calçada não tem só pontos fortes. O seu lado mais fraco é o betume, que, não sendo de cimento, faz levantar muitas pedras. O mestre Miguel Gouveia não tem dúvidas em afirmar que a calçada portuguesa tem a ver com arte, tradição e património urbanístico. O resto são "modernices", que apesar de tudo não põem em risco o futuro da calçada tradicional portuguesa, remata o calceteiro.

Obamacare II

O tribunal considerou na sentença que o "Congresso tem autoridade para criar impostos". Acrescenta que "o governo federal pode decretar um imposto em qualquer actividade". Nos termos da decisão judicial, aqueles que não pagam impostos terão de ser punidos. Além do mais, o acórdão acrescenta que "a responsabilidade do pagamento para fins constitucionais pode ser considerado um imposto".
Não é difícil perceber que o Supremo considera o Obamacare um imposto "diferente" e "especial", até porque os cuidados de saúde têm de estar abrangidos universalmente para garantir que todos são tratados da mesma forma. Este princípio está decretado em qualquer Constituição. Amauri Costa, advogado brasileiro radicado nos Estados Unidos há 15 anos, concorda com a decisão do Supremo. Para o advogado, "a lei é válida e não fere o sistema jurídico". A obrigatoriedade de aquisição de um produto cujo objectivo principal é colocar toda a população no mesmo patamar tem de ser considerada constitucional.
Há quem considere que o Congresso não tem o direito de ordenar às pessoas que comprem um produto que tem a marca do governo. O chefe do Supremo, John Roberts, declarou que "o governo de Obama não tem o direito de obrigar as pessoas a comprarem um seguro de saúde". É de salientar que 26 estados norte-americanos recorreram ao tribunal para certificar a legalidade do plano.
A recente paralisação que a administração Obama teve de enfrentar foi só a primeira manifestação contra o projecto de saúde. No futuro é previsível que surjam outras formas de tentar impedir a manutenção da lei. Nos últimos dias milhares de americanos tiveram dificuldades em aceder ao site onde podem obter o seguro de saúde. Este obstáculo levanta problemas de logística, já que o prazo fixado pela Casa Branca para que os cidadãos escolham o seguro de acordo com as suas possibilidades financeiras termina no dia 30 de Novembro. Apesar de o Senado ter aprovado a lei que garantiu a continuidade do funcionamento da administração, a guerra entre a Casa Branca e o Capitólio por causa do Obamacare promete continuar. O presidente sabia que a lei iria dividir a sociedade americana, contudo não teve medo de arriscar. Os republicanos tudo farão para revogar a lei, e dessa forma derrotar os democratas bem como o próprio presidente. Se a lei for revogada, será uma mancha no fim do último mandato presidencial de Obama, que termina em 2016.
Nos últimos dias várias pessoas têm recebido cartas das companhias de seguros a avisar que o respectivo seguro de saúde foi cancelado, em detrimento da solução do presidente. Obama garante que os americanos podem ficar com o plano que mais lhes convier. A questão central é saber se o plano de Obama é melhor que qualquer outro seguro de saúde.
A não adesão ao plano de saúde implica multas, o que põe os cidadãos perante a obrigação de escolher o seguro de saúde idealizado pelo presidente.
O Obamacare está a mudar o sistema, segundo a opinião de Henry Aaron. Contudo, as pessoas estão chocadas com o que se está a passar, mas as seguradoras não têm alternativa, já que o Obamacare as obriga de desistir dos planos que têm calculados, nomeadamente nas áreas da maternidade, da idas às urgências e dos tratamentos mentais e dentários.
Através do dinheiro dos contribuintes, metade das pessoas que estão a receber as cartas pagarão menos e a outra mais. Todavia, o maior problema que a administração tem de resolver a curto prazo é o acesso ao site. A resolução desta questão é fundamental para que o programa obtenha sucesso. Katherin Sebelius já assumiu o erro pelo sucedido, evitando deixar Obama de novo sob fogo cruzado.
O presidente mantém-se firme e diz acreditar que brevemente vai "acabar com  as crueldades" a que actualmente os americanos têm de se sujeitar para aceder a cuidados de saúde.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

9ª jornada - Deus no topo e Fonseca no inferno

Há quase quatro jornadas atrás critiquei a postura do Gil Vicente dentro do terreno de jogo. A equipa de João de Deus tem sido o máximo representante do Minho, já que o grande favorito à conquista do 4º lugar já tem quatro derrotas consecutivas no campeonato.

A subida do Gil Vicente em contraste com o grande Sporting de Braga e o europeu Marítimo é apenas um sinal do tempo. Não acredito que a equipa presidida por António Fiuza consiga manter a bitola, no entanto é mais uma formação longe dos lugares de despromoção. Alias, as equipas com menor orçamento, como é o caso do Gil, Estoril e Rio Ave estão a vencer mas também a praticar um bom futebol, contrastando com as más exibições de equipas com melhores individualidades. 

Nesta jornada as duas equipas de Lisboa aproximaram-se do FCP que perdeu na capital, ante um Belenenses renascido. Nota-se que Paulo Fonseca tem qualidade mas ainda está verde. Além do mais, a equipa azul e branca continua orfão de um Moutinho difícil de ser substituído. Estou convencido que, e após vários anos, a luta pelo título vai ser discutida entre os dois grandes de Lisboa, o que trará mais emoção até final da taça. Em termos competitivos, anímicos e mesmo no que toca a futebol praticado são as formações que neste momento estão em melhor forma. O FCP está a sofrer pelo facto de estar a fazer uma má liga dos campeões, mas também por não estar a recolher os frutos das contratações. Licá e Josué estão a baixar de rendimento e isso tem consequências. 

Oito anos depois podemos estar de novo a assistir ao campeonato da segunda circular. Quem não tinha saudades de uma disputa a dois entre os velhos rivais lisboetas?

Obamacare parte I

O plano de saúde idealizado por Barack Obama tem causado agitação política e social em quase todo o país, além de já ter sido objecto da intervenção do Supremo Tribunal dos Estados Unidos e de mais de 40 tentativas legislativas republicanas para matar a lei à nascença, incluindo a paralisia da administração durante várias semanas. Agora, pelo menos temporariamente, os problemas técnicos no acesso ao site do Obamacare parecem ter sido mais eficazes a bloquear a sua entrada em vigor que a anterior estratégia republicana.
A lei em si pode ser analisada de dois prismas, o social e o jurídico. Tendo em conta que, segundo estimativas de 2010, mais de 50 milhões de trabalhadores não têm cobertura médica, é fácil concluir que a proposta de Obama é positiva, até porque o seguro vai abranger entre 30 e 33 milhões de pessoas até 2016. A secretária de Estado da Saúde, Kathleen Sebelius, não tem dúvidas quanto ao êxito do programa. Sebelius entende que "com o lançamento do programa a cobertura médica será mais acessível e estará disponível como nunca".
A partir de Janeiro do ano que vem, todos os cidadãos norte-americanos têm de adquirir o seguro de saúde para não serem multados. Parece estranho, mas o Obamacare funciona como um imposto decretado pelo governo.
Os cerca de 50 milhões de norte-americanos que não possuem cobertura médica não têm alternativa a aceitar a proposta do actual presidente. Contudo, a legitimidade popular de Obama é grande, já que a principal bandeira da sua campanha presidencial foi o projecto de saúde.
Há quem entenda que o projecto do presidente vai destruir as pequenas empresas e pôr em risco os trabalhadores. O senador Ted Cruz acusou o Obamacare de ser "a primeira causa de destruição de emprego". No entanto, um dos aspectos positivos do plano idealizado por Obama consiste no fornecimento de crédito para as pequenas empresas que queiram oferecer seguros aos seus trabalhadores.
O Obamacare também deve ser analisado do ponto de vista jurídico. O Supremo Tribunal dos Estados Unidos considerou o diploma constitucional, apesar de o plano de saúde ter obtido uma curta vitória de 5-4. 

(continua)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Dias difíceis para o Presidente

A vida não está fácil para o Presidente. Depois das complicações relativamente à Síria e Irão, eis que a crise interna chegou para ficar.

A implementação do Obamacare não está a correr como o presidente esperava, facto que já provocou um "shutdown" difícil de explicar nos dias de hoje. A forma como Obama tem gerido esta situação não tem sido a melhor.

O acesso ao site que permite aos cidadãos adquirir o plano de saúde está a gerar muita confusão nos Estados Unidos. O que a oposição republicana não conseguiu fazer, está a ser provocado por uma questão informática. No entanto, o mais pequeno pormenor pode ser suficiente para destruir um programa. 

Barack Obama tem tentado por todas as vias convencer os americanos que adquirir o seu seguro é o melhor para a população. Com a ajuda do Supremo, o líder norte-americano tem ganho esta guerra no plano político, mas continua a perder no campo social. E esse factor é o que mais conta neste momento, porque muitos cidadãos não estão na disposição de trocar o seu plano por outro. Pior mesmo é obrigar as pessoas e posteriormente multá-las. 

Quando o Estado oferece um produto aos seus cidadãos, estes devem ter a oportunidade de escolha pessoal. Nenhum poder tem a possibilidade de obrigar uma pessoa a adquirir um serviço. Além do mais, a decisão do Supremo Tribunal é irrisória, já que considerar o Obamacare um imposto é uma patetice política para além de ser uma ilegalidade. 

Obama está a colocar os americanos numa posição, em que não podem optar entre a sua opção pesosal e as políticas definidas pelo Presidente. Neste segundo mandato, o Presidente tem sido mais duro e casmurro. Não consigo perceber como é que não adivinhou que o site iria estar entupido, quando à ultima hora milhões de americanos vão optar pelo seu seguro. 

Lá como cá, as pessoas deixam tudo para a última hora. 
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