sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sem beco nem saída

Parece que o governo já não tem mais margem de manobra. Com os números do desemprego a atingir marcas históricas, mais uma greve geral aí à porta e todos os quadrantes da sociedade a pedir a cabeça do executivo. Com isto não entendo como é que o governo ou o PR não tomam uma decisão seja ela qual for, para bem do país.

Os números são os piores possíveis e não há maneira de os fazer diminuir, por muito que as previsões a longo prazo sejam melhores. O que importa é o presente e não o que vai acontecer daqui a dois, três anos. É preciso ter resposta para a situação difícil que se agrava mês atrás de mês. Em meu entender, o governo está a começar a ceder e a perder as suas forças e  esperanças que os números vão começar a ser positivos, além do mais os argumentos para justificar os falhanços das previsões começam a escassear. Pode ser que no final do ano quando o número do desemprego chegar aos 20% haja maior lucidez e responsabilidade. De facto, o governo perdeu demasiado tempo com a política de austeridade excessiva e não se preocupou com as políticas económicas. Agora estamos a pagar a incompetência ou inoperância do executivo, não sabemos bem o que é. 

Espero que o governo não esteja à espera do resultado eleitoral das autárquicas para introduzir alterações ao Orçamento de Estado. Já não se aguenta mais impostos, pelo que um novo ataque fiscal será a queda definitiva do executivo. 


Jesus ganha sempre

A renovação de Jesus é um sinal claro de quem realmente manda no Benfica. Apesar do fraco desempenho desportivo, o treinador conseguiu convencer o Presidente ainda que não tenha o apoio dos adeptos. Luis Filipe Vieira cumpriu a sua palavra, pelo que o treinador só poderia sair pelo próprio pé. Caberia a Vieira convencer Jesus que a sua saída só seria uma realidade desde que o treinador admitisse que não teria mais condições para continuar. No entanto, o treinador do Benfica sempre afirmou que, apesar de não ter ganho qualquer troféu não justificaria sair do clube. Ora, com a declaração de intenção de Vieira, o treinador ficou com o poder todo nas mãos. Tendo em conta que Jesus não iria para mais lado nenhum após sair do Benfica, não havia qualquer hipótese do actual treinador sair com dignidade e não continuar. Contudo, o salário do treinador bem como o facto de não ter qualquer perspectivas de clube era lógico que a intenção era continuar. 

Com esta decisão todos ficam a perder menos Jesus, já que o poder dentro do clube vai aumentar com esta renovação. A saída de Carraça é uma certeza porque o dirigente e treinador não se entendem. Além do mais alguém sabe explicar porque razão o craque da equipa B Miguel Rosa não tem lugar na equipa principal? E porque razão o Benfica não teve nenhum defesa esquerdo de raiz durante a época inteira e o jogador Luisinho contratado por Jesus não calçou? O grande mistério tem a ver com a ausência de Rui Costa......

Vieira deu o poder todo a Jesus e este faz o que bem lhe entender, chegando ao ponto de não ter feito mea culpa pelos resultados negativos que a equipa alcançou. O dossier Jesus revela que o Presidente do Benfica é fraco e não sabe gerir um clube de futebol, pelo menos na parte desportiva. Vieira tem medo que o treinador apanhe a A1 com direcção ao Porto, no entanto Pinto da Costa nunca iria contratar um treinador falhado. Porque é isso que Jesus é. Razão tem o Presidente do FCP quando diz que o melhor para o clube é que Vieira continue muitos anos no Benfica.

O Benfica não tem tido sucesso desportivo com a dupla Vieira-Jesus, contudo o clube encarnado gira em torno destas duas figuras. Esta era a altura certa para contratar um treinador com qualidade e ambicioso.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O quem é quem da política: Vítor Gaspar

O Ministro das Finanças é uma personagem curiosa, porque tem apresentado várias facetas que o grande público interpreta das mais variadas formas e feitios. 

Conhecido pelo seu rigor, Gaspar não deixa, no entanto de escapar aqui e ali uma boa dose de humor. Não há dúvida que o Ministro é uma pessoa rigorosa e que gosta de ter tudo em dia. Nota-se isso pelo plano de austeridade que tem vindo a impor aos portugueses, pelo que na sua vida privada não deve ser diferente. A imagem que passa cá para fora é de um enorme controlo sobre os gastos e também uma cuidada gestão do orçamento. Há pessoas que não fazem a mínima ideia do quanto gastam num mês. Gaspar não deve pertencer a esse grupo. 

Por detrás do Ministro rigoroso e exigente, há um ser humano simpático e afável. Das inúmeras aparições públicas, Vítor Gaspar já revelou um enorme sentido de humor na abordagem de alguns temas mais sensíveis. Normalmente um Ministro das Finanças é alguém pouco rigoroso, exigente e algo distante. Gaspar tem as duas primeiras características, o que é bom, mas deixa no ar a ideia que tem também o terceiro aspecto. Contudo algumas tiradas de bom humor fazem pensar o contrário. Outra ideia que passa cá para fora é que o Ministro é uma pessoa segura, sabe o que está a fazer, isto apesar de as políticas orçamentais não estejam a ter grande sucesso. Pode-se dizer que Gaspar não acerta uma previsão económica, no entanto é perfeitamente aceitável que assim seja porque ninguém pode garantir que os números previstos vão ser aqueles. 

O actual Ministro das Finanças é sem dúvida um dos políticos que foi mais vezes objecto de análise, em termos políticos e pessoais. 

fica-lhe mal senhora eurodeputada

Ana Gomes denunciou, a UE investigou. A relação entre a empresa de Passos Coelho, a Tecnoforma e o Centro Português para a Cooperação, que já foi dirigido por Miguel Relvas está a ser alvo de uma investigação por parte do gabinete anti fraude da União Europeia. Quem fez a denúncia foi a eurodeputada e sempre atenta a questões de ética, Ana Gomes. 

A militante socialista, tal como Helena Roseta há uns tempos; decidiu fazer justiça pelas próprias mãos. Já que o PR e o CDS não se decidem a derrubar o actual PM, nada melhor do que bufar cá para fora situações menos sérias em que o Primeiro-Ministro poderá estar envolvido. Não percebo o que pretendem estas duas senhoras com o espalhar das notícias. Com o governo em queda total, é de lamentar este tipo de atitudes, já que o descrédito político do executivo é enorme e não meras notícias que o vão fazer cair. É difícil algum governo cair pelos supostos telhados de vidro do seu PM ou de um Ministro influente. Tal situação nunca aconteceu no nosso país, pelo que não acredito que alguma venha a suceder, a não ser que se tratem de condutas muito pouco claras. O único PM que poderia ter caído devido aos rumores era José Sócrates, que como sabemos resistiu a tudo e a todos, caindo apenas pelo seu quadragésimo PEC. 

Nunca gostei desta forma de fazer política, no entanto esta é uma situação que começa a ser recorrente em Portugal. Lançar a suspeita da honestidade de um PM é fazer jogo sujo, porque não mais se discutem questões de carácter técnico ou político. É verdade que a idoneidade de um governante é matéria relevante, contudo esta só deve ser colocada em causa nos orgãos próprios. É bem verdade que Ana Gomes denunciou em local próprio, no entanto escusava de informar os media das suas queixas. Ficando tudo em silêncio dava maior credibilidade às suspeitas da eurodeputada. Sendo assim, quem fica descredibilizada é a própria denunciante. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Os candidatos virtuais

Os candidatos para as eleições autárquicas já estão quase todos anunciados, pelo que agora é tempo de escolher a melhor estratégia para obter o voto. As campanhas eleitorais para as autarquias são as mais interessantes do ponto de vista do marketing já que em cada terra há sempre alguém capaz de nos surpreender. 
Nestas eleições há um elemento novo, no que toca ao marketing: as redes sociais. O facebook e twitter entraram na vida das pessoas, pelo que os políticas têm que se adaptar aos novos tempos, isto se quiserem chegar a um maior número de pessoas. Os comícios já são do tempo da outra senhora, no entanto ainda se vê um ou outro cartaz, contudo é raro que isso aconteça porque a verdadeira "publicidade" está hoje na internet. Para além de ser mais eficaz tem poucos custos, o que nos tempos que correm é uma grande vantagem. 

O candidato não pode descurar o contacto físico com o eleitor, até porque há muitas pessoas que não têm acesso à internet quanto muito às redes sociais, sobretudo em zonas do interior, no entanto a linguagem terá de ser bem medida para não se cometerem erros. Uma tirada infeliz tem o mesmo significado seja ela proferida aos microfones de uma televisão ou num post no facebook. Note-se o quanto as pessoas ficam indignadas com alguns textos de Cavaco Silva ou Pedro Passos Coelho nas páginas do facebook. Fazer campanha eleitoral no facebook não é uma novidade mas sim uma obrigação de todos os candidatos que queiram ter a maior visibilidade possível. Por isso não é de estranhar a quantidade de páginas pessoais que já circulam pela rede social mais famosa do mundo. 

Antes de se lançarem à estrada, os candidatos já têm contacto com o seus eleitores, sabendo de antemão quais são as suas principais reivindicações e problemas. Pela internet pode também chegar um maior número de mensagens com os mais diversos conteúdos. Seria interessante que o contacto dos eleitores com o candidato e futuro presidente de câmara não se cingisse só ao momento da campanha. A relação virtual deveria continuar após a eleição, já que se estabeleceria uma relação de maior proximidade entre eleitores e eleito. No meu entender é pela internet que se consegue transmitir um maior número de mensagens. 

Ao contrário do que defendo em relação ao chefe de Estado e Chefe de governo, penso que os autarcas deveriam aproveitar e saber usar de uma forma eficaz as vantagens das redes sociais, já que o cargo que ocupam exigem um contacto permanente com os seus munícipes. A democracia tem que adaptar aos novos tempos. 

Sem Ideias não há desenvolvimento

Há um sentimento generalizado que o debate em Portugal está pobre. A discussão de ideias, de propostas, de soluções empobreceu. O que salta mais à vista são as pequenas questões, os chamados fait-divers. 
Este sinal revela um país pequeno controladas por pessoas que pensam pequeno e não são capazes de evoluir intelectualmente. A razão de na maior parte das vezes não existir soluções alternativas ao poder instituído está relacionado com a forma como os líderes chegam ao poder. O caminho natural é feito através das juventudes partidárias, no entanto esse trajecto parece fazer parte do passado. Uma simples amizade ou contacto é suficiente para aparecer num programa de televisão, na primeira página de um jornal ou na primeira fila do Parlamento. 

Por vezes estar ao lado do líder é um passo de gigante para que a sucessão recaia naquele que aparece mais vezes. 

O nível dos políticos e daqueles que todos os dias aparecem nos jornais ou nos ecrãs a falar e a escrever sobre a actualidade baixou muitíssimo.Em parte, a culpa recai sobre quem tem a responsabilidade de escolher os seus cronistas, mas não se pode dissociar essa escolha à ligação que existe entre media e política. Os partidos têm a noção que hoje em dia a televisão é um importante meio para difundir a mensagem, e não é por acaso que a maioria dos comentadores televisivos mas também dos jornais são deputados, antigos líderes partidários e pasme-se antigos Ministros ou Primeiro-Ministros. Fico espantado quando pessoas que ocupam ou ocuparam cargos relevantes sejam agora meros comentadores da actualidade política. Eu percebo que a televisão procure o confronto de ideias, no entanto não é isso que acontece, pelo que fica uma má imagem, não só do interveniente mas também da organização partidária que representam. 

A insistência em escolher pessoas ligadas ao passado enfraquece o debate de ideias. Sem elas não é possível fazer reformas, construir novas pontes de diálogo, debater as melhores soluções para o desenvolvimento do país. Parece que regredimos quase um século no que toca ao debate político e pior ainda, a população não se interessa logo tem menos vontade de participar. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Ainda não percebi qual a posição de Cavaco

Muito se tem escrito e falado sob a posição de Cavaco Silva na gestão desta crise. Sob o Presidente da República recai as esperanças da esquerda para que haja futuras eleições, enquanto que a Direita espera uma atitude de Estado do actual Presidente. 

Cavaco Silva está literalmente no meio das duas facções, em primeiro lugar ao não dizer rigorosamente nada e em segundo ao mandar bocas para o governo. Se a primeira atitude revela uma posição mais concertante com a direita, já a segunda tomada de opção está mais perto da esquerda. É esta sua posição ambígua que tem merecido as críticas, ou seja, Cavaco não faz nada, enquanto que o país vai mergulhando na indefinição, já que a crise se vai acentuando, mas alguns parecem dar esperança. Mesmo no seu discurso, Cavaco não é esclarecedor. Tanto elogia o governo como o critica. Parece que o PR quer ser o elemento neutral no meio da crise política, já que, embora seja verdade que a coligação funciona mal, é também um facto que a esquerda não tem soluções políticas que assegurem a estabilidade do país. Por tudo isto, Cavaco vai adiando a sua decisão, embora na cabeça já saiba o que fazer. Numa coisa eu estou de acordo com o Presidente: não se pode abrir um crise política, ainda para mais quando já se fala em pós troika. 

Cavaco Silva só não faz o mesmo que Jorge Sampaio fez em relação a Guterres, porque Seguro é menos competente que Durão Barroso. Este factor foi suficiente para que o PR não aceitasse o suposto pedido de demissão de Passos Coelho, no entanto se o PM não aguenta o barco porque razão há-de continuar a fazer o frete? Além do mais, não acredito que as autárquicas sejam motivo para que o governo se demita. 

O PR também não pode optar pela via mais fácil: nomear um PM e um novo governo. Apesar das possibilidades constitucionais, isso iria criar um sentimento de revolta na esquerda que anseia por eleições o mais rapidamente possível. 

Como se pode ler, Cavaco tem aqui muitas opções, mas várias condicionantes. No entanto, nunca como agora a voz presidencial era muito importante para acalmar as pessoas, mesmo que isso colidisse com as funções de outros orgãos de soberania, mas tendo em conta que ninguém confia no governo nem nas alternativas que a actual Assembleia de República nos fornece, era tempo de Cavaco ter a iniciativa, de pelo menos, dar esperança aos portugueses. 


Mais uma oportunidade perdida?

Espero que não estejamos perante mais uma oportunidade perdida para fazer as reformas necessárias. Há quem queira a troika fora de Portugal, no entanto se não fosse ela não tínhamos dinheiro para pagar salários, pensões, reformas bem como manter os serviços a funcionar como os hospitais, escolas públicas e outras actividades importantes para o funcionamento do Estado. 

No entanto, ainda há muito por fazer no domínio da administração pública, justiça, educação e saúde. Mais do que ter um número e a partir daí cortar, é fundamental melhorar a qualidade dos serviços, principalmente na saúde e educação. Se há necessidade de uma maior intervenção do Estado nestes dois sectores, o que for gasto terá de ser bem aplicado, para não se cometerem os erros do passado. Pior do que gastar, é fazê-lo de forma inadequada. 

Considero que o governo está muito preocupado em apresentar resultados à troika sem saber muito bem o que está a fazer, sem saber quais são as prioridades. A mesma questão coloca-se em relação ao investimento: para onde e como é que o governo quer ir. Ninguém fez esta pergunta, pelo que o governo fica desobrigado a responder. Espero que o "programa" de investimento não tenha os mesmos problemas políticos que a política de austeridade causou na coligação. 

O tempo que vivemos é de mudança, pelo que é de aproveitar as oportunidades que nos dão. As instâncias europeias estão a conceder-nos esse privilégio, pelo que era bom saber aproveitar. A mim parece que não está a acontecer isso, pelo menos nesta primeira fase. O executivo de Passos Coelho ainda tem dois anos para convencer os portugueses que as reformas irão mesmo para a frente, sem qualquer tipo de objecções ou condicionantes. 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Espelho meu espelho meu

Quando o espelho de uma pessoa é demasiado grande normalmente é porque algo não vai bem interiormente. A arrogância ou a sobranceria são dois aspectos que perturbam o desenvolvimento da personalidade. O desprezo total pelo outro leva muitas vezes que a queda seja bastante grande, sendo depois difícil de recuperar o que já está irremediavelmente perdido. 
Normalmente isso acontece com pessoas inseguras, que sabem não possuir o dom de conquista e pior do que tudo não aceitam fracassar. Se perder não consta do seu vocabulário, o fracasso é algo inadmissível, já que perante os outros não pode ser visto como alguém que errou, fracassou ou simplesmente teve uma derrota.

Este introdução serve para qualificar a personalidade do treinador do Benfica. A personalidade de Jorge Jesus levou o Benfica ao fracasso. Por isso os jogadores reagiram mal no final do jogo e os adeptos levaram mais um tiro no coração. São aqueles que vestem a camisola e estão sempre com a equipa que mais sofrem com os desaires do seu clube, ainda para mais quando são iludidos. Diz-se por aí que Jesus é do Sporting, não sei se é verdade ou não, mas a realidade é que o treinador do Benfica não sente as derrotas do clube que orienta da mesma forma que milhões de apaixonados hoje estão desolados, porque lhes foi prometido o céu e agora estão à beira do inferno. O egoísmo nem sequer permite dar os parabéns ao adversário nem esperar em campo para aplaudir o mesmo aquando da atribuição do troféu. Lá por fora costuma ser assim, pelo que em Portugal não deveria ser uma excepção. 

Quando alguém está focado num objectivo esquece o mundo à sua volta. Os sentimentos pelos outros, a forma de chegar a pretendido e tudo o resto. Valores e princípios são esquecidos para atingir a glória e o sucesso, sentimentos destruídos, além de outros aspectos negativos. As pessoas egoístas são assim e mesmo que nós queiramos não mudam um pouco, pior do que tudo sentem-se felizes por ver a desgraça alheia. 

E com isto peço ao treinador benfiquista que sai pelo próprio pé e deixe o Benfica em paz. 

domingo, 26 de maio de 2013

Olhar a Semana - perspectivar o segundo semestre

O segundo semestre poderá ser menos doloroso que o primeiro. As medidas de crescimento apresentadas esta semana pela dupla economia/finanças fazem crer num momento de viragem, já programado pelo governo. O culminar desta aposta será em Setembro com o regresso pleno aos mercados. Se o mar ficar mais calmo poderemos acreditar que esta coligação vai durar até ao fim, com menos ou mais guerras entre os dois parceiros. No entanto, por mais birras que Portas e Passos Coelho façam, há sempre uma voz presidencial a exercer influência junto dos dois líderes partidários. Já sabemos que Cavaco vai optar pela estabilidade, mas pior do que isso, não confia em Seguro para liderar os destinos do país. Além do mais, na cabeça do Presidente está a situação grega e italiana, pelo que é melhor evitar crises políticas nesta altura do campeonato.

O governo neste semestre que se avizinha vai ter que recuperar a sua imagem. O discurso terá de ser mais confiante e assertivo, sob pena de não ter mais margem de manobra. As eleições autárquicas poderão dar um indicador da forma como o governo se aguentará ou não. A derrota é certa, no entanto uma votação próxima do PS pode ser importante, até porque também o líder socialista estará em análise. O melhor que o governo deveria fazer antes das autárquicas era anunciar uma folga no orçamento para 2014. Isso traria votos para o seu lado bem como deixaria a oposição sem tema para a campanha eleitoral. É natural que o PS use as eleições para pedir um castigo ao governo, só que as autárquicas têm cariz diferente. Seguro confia que o que aconteceu com Guterres em 2001 vai suceder com Passos Coelho. O problema é que o actual PM está refém das palavras do Presidente que não admite uma crise política antes de 2015. 

 Há esperança que o verão seja melhor que o inverno e que as perspectivas económicas sejam diferentes, ainda que tímidas. Apesar da tristeza dos números, o governo tem cumprido escrupulosamente o programa de ajustamento. O pós verão pode trazer novidades, até na liderança do PS, já que se o governo sair vencedor, António José Seguro terá novamente de ir às urnas. 

sábado, 25 de maio de 2013

Eu sou ciumento, logo sou doente mental?

Diz-se por aí que o ciúme vai ser considerado doença mental. Se assim é quase toda a população mundial seria "doente mental". O Ciúme é um dos sentimentos transversal a qualquer pessoa. Normalmente acontece quando se está em fase de pré-namoro, no entanto a fase da relação também não escapa a este sentimento. Há quem considere o ciúme um sentimento negativo, contudo eu acho que se trata de algo positivo, isto porque independentemente da resposta do outro lado, o mais importante é gostarmos de alguém. Esse é o primeiro passo para nos alegrarmos e vivermos felizes, depois tudo acontece. 

O ciúme pode levar à tristeza, a depressões, a sentimentos de solidão ou frustração, pelo que é natural que este seja levado ao extremo de ser considerado uma patologia mental. Contudo, acho que não deve ser levado ao extremo, até porque é uma situação passageira e que com o tempo passa. O que difere de pessoa para pessoa é a forma como se reage. 

Repito que o ciúme deve ser encarado de forma positiva e com a maior naturalidade possível, pelo que não se atribui crédito a quem "sofre" desesperadamente por ciumes, pelo que dou os parabéns aos corajosos que em vez de se esconderem atrás de um sentimento negativo preferem lutar para conquistar a paixão de outrem. 

O Grande Gatsby

O romance de F. Scott Fitzgerald no grande ecrâ, interpretado por Di Caprio e a promessa Toby Maguire. Um filme enorme que nos mostra a relação entre o poder e o amor. Gatsby um homem rico constrói um império para conquistar a mulher da sua vida. Contudo, os planos não lhe correm de feição e o homem famoso acaba sozinho e sem ninguém a seu lado. 
"Gatsby" transmite uma mensagem importante: apesar de todo o luxo em que Jay Gatsby vive, só o amor de uma mulher o tornará feliz. De facto, é uma grande lição para quem esconde os seus sentimentos atrás da riqueza. O dinheiro torna-nos imortais, no entanto o amor recolocam-nos na terra. Por muito bens que tenhamos, os sentimentos serão sempre mais importantes e esses é que nos farão efectivamente felizes. Ter alguém a nosso lado é que nos torna ricos e felizes, depois o resto virá por acréscimo com trabalho e dedicação. Gatsby tinha tudo mas acabou por ficar sem nada, é o que acontece quando as pessoas se tornam demasiado arrogantes e cometem erros com os outros ao longo da vida. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

portugueses está na hora de investir

A dupla economia/finanças apresentou ontem um plano de crescimento para os próximos anos. Ao contrário do que tem sido habitual, o OE 2014 não deverá conter grandes mexidas nos impostos, isto é, a austeridade pura e dura não deverá fazer parte do pacote orçamental para o próximo ano. Apesar da boa notícia, é de crer que haja cortes ao nível da administração pública como pensões e salários. 
Os incentivos fiscais e a descida do IRC são as grandes novidades apresentadas ontem por Álvaro Santos Pereira e Vitor Gaspar. Os dois afirmaram que este é um momento importante e de viragem. Neste aspecto, o governo tem um discurso coerente já que desde sempre apontou as suas prioridades para o equilíbrio orçamental e depois virar a agulha para o crescimento. A questão é que politicamente as medidas de crescimento podem vir tarde. É óbvio que o país vai beneficiar com as alterações introduzidas, no entanto o governo calculou mal o timing de anunciar as medidas com vista ao crescimento. A pressão política e social que se faz sentir para que o PR demita o governo é enorme, a coligação está na iminência de cair e os ataques pessoais ao PR são uma constante, além do mais as autárquicas estão à porta e a derrota do governo é uma certeza até porque sem Menezes e Seara o fracasso vai ser ainda maior. 

Ajudar as empresas tornarem-se mais competitivas com a descida do IRC através de incentivos fiscais é uma excelente ideia. No entanto, o trabalho do governo noutras áreas ainda está por fazer, em particular na denominada reforma do Estado. Se este plano de crescimento ficar a meio caminho como tem acontecido com algumas promessas do executivo, não há volta a dar e vamos mesmo cair na bancarrota. 

O Ministro da Economia disse que Portugal está parado há dez anos, por isso não percebo porque razão o executivo anda nisto há quase dois anos.....

Dos palhaços e não só

Chamar Palhaço a uma pessoa não é insultuoso. Palhaço é aquele que faz figuras tristes, porta-se de forma pouco ética com os outros e não sabe o que quer da vida. Não creio que o PR faça figuras tristes, porte-se de forma pouco ética e não saiba o que quer para o país. Concordo que Cavaco Silva seja um pouco egocentrista, no entanto sou contra qualquer demissão do governo nesta altura, ainda para mais quando estamos a pouco tempo de mandar a troika dar uma volta. 
MST é um excelente cronista embora seja um bocado chato a falar. É daquelas pessoas que devia falar através da escrita, porque os seus textos são fantásticos. Os comentários de MST colocam-no numa posição de amor/ódio perante os seus seguidores. Às vezes queremos dizer uma coisa mas como não nos sabemos expressar, acabamos por dizer outra de forma mais violenta. É por isso que existe a expressão "mais vale estar calado". Normalmente quem escreve muito bem tem alguma dificuldade fazê-lo da mesma forma falando. 

MST poderia ser um génio se por vezes não mandasse algumas bocas foleiras. É óbvio que chamar Palhaço ao mais alto magistrado da Nação não é bom, contudo o que fica é o soundbyte e não a frase toda. Vivendo em democracia temos de aceitar a liberdade de expressão, contudo esta tem limites. No entanto, esta frase proferida por MST não tem qualquer maldade. É o escritor/comentador na sua essência e verdade. Até porque ele agradece já que faz publicidade ao seu novo livro......

quinta-feira, 23 de maio de 2013

os novos bufos

Primeiro foi Marques Mendes a anunciar a realização do Conselho de Estado de segunda feira passada, agora é Jorge Sampaio a revelar que na reunião foi colocada a hipótese de realização de eleições antecipadas. 
Ora, já todos sabemos como funcionam as fugas de informação, no entanto a novidade prende-se com o facto de serem os próprios Conselheiros a dar a cara. Os bufos agora já não têm que se esconder, pois estão à vista de todos. 
Este sinal é preocupante, visto que o que se discute na reunião não deve ser objecto de conhecimento público, a não ser que algum orgão de comunicação revele a informação através da "fonte". Como ninguém sabe quem é a dita "fonte" não há problema, pois não se pode apontar o dedo a ninguém em particular. O caso muda quando os próprios conselheiros decidem fazer papel de jornalista. Ainda para mais quando se trata de um ex-Presidente da República. O respeito pelas instituições, pelas decisões a tomar, as opiniões e caminhos escolhidos há muito que se perdeu. Vivemos na era do boato e da procura constante de notícias quentes para animar a malta e colocar os comentadores excitados com acontecimentos minuto a minuto. Se não viesse tudo cá para fora, haveria mais interesse e especulação. 

Decisões zero

Há um sentimento crescente na sociedade que as instituições democráticas servem para pouco. Melhor dizendo, não resolvem o problema das pessoas. O conselho de Estado da segunda feira passada não solucionou o problema político que está à vista de todos. E que o agravar desta situação só vai prejudicar o bom funcionamento das próprias instituições bem como o caminho certo para que Portugal volte a crescer rapidamente. 

O aparato em torno da reunião magna é enorme, as expectativas estão ao rubro, no entanto o resultado final é frustrante para todos. Imprensa e população. Se para os primeiros cada conselho de Estado serve para criar um ambiente de expectativa, já em relação aos segundos não é positivo o silêncio daqueles que têm por missão aconselhar o Presidente da República. De sala onde se realizou a reunião não veio nenhum sinal, seja ele positivo ou negativo, apenas a indefinição e a dúvida. Porque é assim que está o estado de espírito do actual PR e enquanto assim for a situação se arrastará até que uma das partes não tenha mais nenhum argumento que não seja o de abandonar o executivo. Até pode ser o próprio PM, visto que com traições e falta de apoio institucional não tem condições morais para levar o barco a bom porto. Sem decidir o que seja mas com todas as dúvidas a pairar na sua cabeça, Cavaco Silva está a deixar o país num estado de ansiedade. Confiar na sorte ou no destino em política pode ser fatal, já que o feitiço normalmente costuma virar-se contra o feiticeiro, e ninguém neste momento está interessado que esta situação perdure. 

Não é só a falta qualidade ou honestidade nos políticos que leva à descrença das pessoas, mas é a ausência de decisões em tempo útil, e na maior parte das vezes na sua totalidade, que desanima a população. O sentimento em relação a alguém que nós elegemos é incapaz de decidir seja em que direcção for é meio caminho para não confiarmos novamente nessa pessoa. A questão é saber se a culpa é dos representantes das instituições ou da orgânica e funcionamento das entidades. Inclino-me mais para a primeira opção, contudo não seria mau rever algumas funções de instituições que pouco ou nada resolvem o problema de fundo. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

A sobrevivência do "Estado"

O que está em causa no cumprimento do programa de ajustamento é a sobrevivência do próprio Estado. Poderá haver transformações a nível da orgânica, do seu funcionamento, da sua composição, contudo as tarefas essenciais manter-se-ão, sendo difícil a sua substituição por entidades que têm como único propósito obter lucro. A competência para cumprir um desígnio não se mede em função da sua viabilidade financeira mas consoante a disponibilidade com que enfrenta os problemas do dia a dia. 

Reformar o implica fazer uma profunda reflexão sobre em que matérias é que o Estado deve actuar prioritariamente e gastar mais do seu tempo. Acontece que as funções do Estado não estão perfeitamente definidas, havendo sinais claro de alguma confusão naquilo que são os seus objectivos primordiais. O que se tem criado ao longo da última década é a ideia que o "Estado serve para tudo" e tem "cuidar de tudo". Não é saudável que assim seja, até porque algumas tarefas necessitam de ser organizadas mas também rentabilizadas. 

É natural que as reformas a implementar demorem alguns anos a ter efeito, no entanto o que falhou neste governo foi ter um projecto neste sentido. A única preocupação foi equilibrar o défice à custa de um enorme aumento de impostos e cortar nos salários para diminuir a despesa. Esse desiderato foi feito apenas no sentido de consolidar as contas públicas, não foi um corte na despesa com cabeça, tronco e membros. Mais do que os falhanços das previsões económicas, se este governo cair, será pela sua inacção no que toca à redução da despesa.  

segunda-feira, 20 de maio de 2013

"sujinho, sujinho" e sem nível

O FCP foi um justo campeão porque mais uma vez soube aproveitar as fraquezas do principal rival. Mérito para Vitor Pereira que estuda o Benfica em pormenor e demérito para Jesus que joga contra o FCP em função do adversário e não a pensar no próprio jogo. No entanto, VP deveria pedir desculpa pelas declarações que proferiu após o Benfica-Sporting ao apelidar o campeonato de "sujinho, sujinho". Se tivesse o mínimo de nível e dignidade, o treinador dos azuis e brancos fazia uma auto avaliação e pedia desculpa em público. É muito fácil ter honra na hora da vitória, o mais dificil é sair por cima quando se perde. VP sai do FCP como bi campeão mas por baixo. Esperava-se por parte do treinador FCP um comentário sobre o penalti que decidiu este campeonato. Sujinho mas com mérito, deveria ser este o título dos jornais. 

Mais uma reunião magna

Um Conselho de Estado para estudar a questão económica e financeira do país, ainda para mais anunciado por um conselheiro de estado na televisão. Até as reuniões magnas convocadas pelo PR estão a perder credibilidade institucional e importância mediática. Em meu entender, Cavaco Silva quer discutir o futuro do governo e desta coligação, arranjando um tema mais soft para desviar as atenções do que se vai passar dentro da sala. Com a coligação e o governo por um fio não é de admirar que o PR proponha a nomeação de um novo governo liderado por uma personalidade fora do âmbito partidário e que cumpra o programa da troika até 2014 e aguente o país às eleições legislativas de 2015. Cavaco Silva não pode passar ao lado da situação política mesmo que por vezes pareça que está a dormir. Em menos de um ano este é o segundo conselho de Estado para resolver a situação política em que nos encontramos. Este sinal não poderia ser mais preocupante, tendo em conta a instabilidade que vivemos. Por muito que as metas estejam a ser cumpridas, o divórcio é evidente e não há como fugir a isso. O entendimento só terá lugar quando os dois colocarem os interesses do país acima dos partidários, contudo a ausência de Vítor Gaspar da reunião não permitirá aos conselheiros queixarem-se da austeridade excessiva com que os portugueses estão a ser brindados, pelo que será dificil que o actual ministro das finanças perceba realmente que o caminho por si indicado não é o mais saudável para o país. 
Para finalizar, peço ao Dr.Marques Mendes que não saia da reunião antes dos restantes conselheiros e venha cá para fora bufar o que se passou lá por dentro antes da comunicação oficial.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

de volta para fora

Pelos vistos a passagem de Socrates por Portugal parece ser curta. Depois da estadia em Paris, há quem o queira mandar para Bruxelas como Comissário Europeu. Percebo a intenção de Seguro, já que José Sócrates tem sido a voz principal contra este governo. De Seguro não se ouve nada a não ser promessas de ganhar eleições. Era uma boa ideia Seguro mandar Sócrates para Bruxelas, até para que o ex-PM não se tornasse a principal voz contra um hipotético governo socialista liderado por Seguro porque duraria menos tempo que o executivo de PPC está a conseguir aguentar-se. 

Ideias Políticas XXI: Abstenção e voto em branco

Não sei em quem votar ou simplesmente aqueles que se apresentam como candidatos não preenchem o perfil desejado. Que fazer então? Abster-me ou votar em branco?

A questão é pertinente até para a estatística final.

 A abstenção representa um claro desinteresse pelo acto eleitoral. No entanto, pode significar um protesto ao sistema político na globalidade. O voto em branco diz-nos que aqueles que estão em jogo não merecem a minha confiança. Normalmente os números da abstenção são estudados com pormenor, enquanto que os votos em branco passam ao lado dos comentários. De facto, quem não interesse, vontade em participar no jogo político não precisa de ir às urnas. No entanto, aquele que não vota porque não concorda com o sistema na globalidade está a dar razão para que nada se altere, além do mais permite que outros decidam por si. 

Aquele que vota em branco vai com intuito de protestar e afirma a sua posição ao não considerar nenhum dos participantes competentes para merecer a sua confiança. Ao mesmo tempo está a pedir mudanças e ao votar as suas exigências tornam-se legítimas porque participou no acto eleitoral. O abstencionista não tem a mesma legitimidade que aquele que vota em branco, porque recusa participar. Em meu entender, quem não participa não pode reclamar nem exigir seja o que for. Mais, o voto em branco é a única forma de protesto legítima numa eleição, ao contrário do que muitos afirmam ser a abstenção o indicador de descontentamento. Penso que se dá pouca importância aos que vão votar mas que optam por protestar no próprio acto eleitoral. 

A abstenção tem várias leituras possíveis, enquanto que o voto em branco só tem um significado possível. A primeira forma significa a ausência total de participação e um profundo desprezo pelas instituições que vão a votos. 

La sagrada família

Na passada quarta feira celebrou-se o dia mundial da família. Esta instituição tem sofrido ao longo dos últimos tempos diversas modificações. Em primeiro foi a legalização do divórcio e mais tarde o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Hoje mesmo ficámos a saber que o parlamento aprovou a co-adopção por casais do mesmo sexo. Na prática quer dizer que um filho de um membro do casal homossexual vai poder ser adoptado por esse mesmo casal. No fundo, atribuem-se direitos sociais, no entanto esquecem o que é mais importante para a criança. 

Ao longo do tempo, a família tem sofrido vários atropelos à sua sobrevivência. Com a introdução de novos institutos começou a se dar menos importância a aspectos relacionados com a família, como foi o casamento. Embora constituir família seja a prioridade número um da maior parte das pessoas, muitos optam em primeira instância pelas várias alternativas a este modo de vida. Foram as próprias que introduziram outros modus vivendi, colocando em causa a importância desta instituição. A família é o culminar de vários passos que uma pessoa dá na vida, assumindo um compromisso para o resto da vida. Este é o único compromisso que assumimos até ao fim dos nossos dias, pelo que dar esse passo nem sempre é fácil. Mesmo no que toca a direitos sociais já não há grandes benefícios para as famílias, pelo que não é de admirar que as pessoas queiram retardar ao máximo consumar esse passo. Qualquer pessoa singular é tratada da mesma forma que um agregado familiar numeroso. Os incentivos sociais poderiam ser um passo importante para a reabilitação da instituição como factor de equilíbrio social. Note-se que após a queda da ditadura o célebre "Deus, Pátria, Família" de Salazar deixou de fazer sentido num país que acolheu a liberdade. 

Por alguma razão Salazar defendia esta frase. A educação nacional não tem de ser um conservadorismo bacoco mas também não pode deixar de atender a certos valores e princípios. E a sociedade portuguesa tem esquecido alguns bons valores conquistados ao longo do século XX. 


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Alguns nomes que estão a ser lançados

As autárquicas aproximam-se e os candidatos começam a saltar cá para fora. A lista de nomes para as autarquias, assembleias e freguesias é infinita e não é possível decorá-la. Nesta altura a curiosidade é enorme para saber quem é o "candidato" da terra. Alguns são meros militantes partidários de base que avançam em nome do partido mas outros fazem-no pelo apego à vila onde nasceram. As autárquicas têm esta particularidade especial: a vontade de estar à frente dos destinos da "terra" onde sempre nasceram é sempre especial. 
Dos inúmeros nomes que já são conhecidos, cabe-me destacar dois pela negativa: João Ribeiro, ex porta voz do PS e candidato à Câmara de Setúbal e Carlos Abreu Amorim, deputado pelo PSD que concorre à Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, onde vai tentar fazer esquecer Luís Filipe Menezes. Conhecendo o perfil político dos dois candidatos só posso afirmar que é uma má opção por parte dos dois partidos. Tanto um como o outro não fizeram muito trabalho quando tiveram responsabilidades nos respectivos partidos, no entanto isso não é problema para alguém que queira ser candidato. A questão está relacionada com o peso de quem vai avançar. Tanto João Ribeiro como Abreu Amorim têm tarefas complicadas. O primeiro joga em terreno comunista e não sendo ele um histórico socialista não me parece que tenha a força suficiente para mudar. O PS costuma jogar forte em Lisboa e Porto e esquece as restantes capitais de distrito, locais onde normalmente o PSD consegue vencer. A aposta em João Ribeiro é revela isto mesmo. Já Abreu Amorim não tem o perfil indicado para aqueles que apoiaram Menezes durante anos o vejam como alguém capaz de o substituir. É verdade que não é fácil chegar aos calcanhares de Menezes em Gaia, no entanto a aposta em alguém que faz parte do círculo histórico do PSD faria mais sentido. Talvez Rui Rio quem sabe.....

As autárquicas estão à porta e apesar da crise vai ser interessante saber qual será a cor do cartão que os portugueses darão ao governo, contudo a aposta do PS em nomes pouco sonantes pode dar a Seguro uma vitória moral e não uma banhada como se espera. 

De volta à glória europeia

O Benfica pode hoje voltar à glória europeia. 51 anos depois da última taça dos campeões europeus, a equipa encarnada está à distância de uma vitória para voltar a meter a mão num troféu europeu. A 9ª final europeia do clube da Luz pode representar o terceiro título europeu. Foi com Jorge Jesus que o Benfica voltou às grandes noites europeias, não esquecendo que em 2011 os encarnados chegaram às meias desta mesma competição, ganha pelo FCP na altura. Apesar de cometer erros frente ao FCP, Jesus devolveu aquilo que os benfiquistas mais desejavam: conquistar um troféu europeu.  Recorde-se que em 13 anos, esta é a quinta participação de um clube português numa final europeia, depois das conquistas do FCP em 2003 e 2004, da final do Sporting em 2005 e da vitória azul e branca há dois anos na estreia desta competição. 

O futebol continua a colocar o nome de Portugal no mapa da Europa, é por isso que este desporto tem forte visibilidade no nosso país. Hoje todos os caminhos vão dar a Amesterdão, e a verdade é que a conquista deste troféu vai fazer esquecer os fracassos em termos nacionais. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

A frustração leva ao anti-benfiquismo

A paixão clubistica leva muitas vezes a que se cometam exageros nomeadamente em relação a violência, quer física quer verbal. Como se sabe há uma enorme rivalidade entre os quatro grandes clubes portugueses, sendo que o Sp.Braga ainda não é um clube com dimensão nacional a nível de adeptos. Estando em disputa o título nacional entre FCP e SLB, os adeptos do Sporting apoiam o clube azul e branco como é óbvio. No entanto, é raro os adeptos benfiquistas torcerem pelo Sporting quando o clube leonino luta com os azuis para o título. Os adeptos do FCP como estão habituados a correr pelo título todos os anos já nem se lembram de quem apoiar entre Benfica e Sporting. A última vez que os dois clubes de Lisboa estiveram na luta pelo título foi em 2005.....

Considerando que nos últimos anos se tem assistido a uma luta entre Benfica e FCP, os adeptos leoninos preferem que seja o rival do Norte a vencer o campeonato em detrimento do clube da Luz. No entanto, festejar vitórias alheias apenas por ódio ao clube da Luz não me parece correcto nem saudável, ainda para mais num momento em que o clube de Alvalade registou a pior classificação de sempre ao não se apurar para as competições europeias e tendo a participação na fase de grupos da taça da liga em risco, é no mínimo estranho, roçando o rídiculo. Eu percebo que muitos sportinguistas sofram com o facto de o seu clube não ganhar nada há vários anos e estando em risco de acabar. Contudo, a frustração não pode ser sempre virada para o eterno rival, porque se isso acontece é porque lhe estão a dar a grandeza que o clube da Luz merece. Os sportinguistas deviam primeiro arrumar a casa e só depois saltar com as vitórias do FCP contra o Benfica. Esta atitude só mostra o quão FCP e Sporting estão ligados e como o clube leonino se submete à vontade azul e branca. Ninguém me tira da memória a forma como João Moutinho foi para o Dragão, hoje o ex capitão é uma pedra fundamental no onze portista. 

Este anti-benfiquismo que se verifica é apenas resultado da frustração sentida pela falta de títulos que o clube de Alvalade sente. Nem a Taça da Liga conseguem ganhar...

Portas às avessas

Ainda não percebi muito bem qual é a jogada de Paulo Portas. Se ficar o mais tempo possível no executivo e depois culpar o PSD pelo fracasso na coligação, ou então sair para ter mais votos através dos mesmos argumentos. Uma coisa é certa, se esta coligação se aguentar até 2015 o CDS sairá fortemente penalizado, porque a sua continuidade no governo depende do resultado eleitoral que o PSD obter. O líder centrista não quer ser traído pelo seu parceiro de coligação após 2015, pelo que, prefere trair e assim retirar dividendos políticos mas não só. O alarido criado em torno da posição dos centristas em relação à sobretaxa nas pensões é estratégico e está pensado de forma a causar instabilidade no seio dos ministros sociais democratas do governo bem como dentro do próprio PSD. Portas pretende sair com a cara lavada de um processo que seguramente vai correr mal para Passos Coelho. A não ser que no futuro soprem ventos de mudança.....

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Como o povo sofre

No sábado passado o país parou para ver o clássico FCP-SLB. Tal como acontece noutras situações, a bola faz parar o país inteiro, especialmente quando se trata de eventos internacionais onde participa a nossa selecção. Não vi esta "loucura" quando o PM fez uma comunicação ao país para anunciar novas medidas de austeridade. É normal que assim seja, já que anunciar cortes e aumento de impostos não é aquilo que mais gostamos de ouvir. 

A minha crítica vai para as prioridades das pessoas. Ou seja, um jogo de futebol é mais importante do que saber a situação financeira do país e no fundo perceber se há perspectivas de melhora. Por aqui já se nota um maior interesse relativamente ao futebol em detrimento da política. É óbvio que o primeiro mexe com o coração das pessoas e a segunda actividade merece o repúdio de grande parte da população, além do mais só causa tristeza e não traz emoção. Em termos mediáticos, um desafio de futebol é mais aliciante que uma curta declaração política ao país, mesmo que se trate de uma questão de sobrevivência como aquele que vivemos. Sempre foi assim e continuará a ser enquanto o futebol for uma espécie de "refúgio" para alguns problemas que as pessoas tenham. Valerá a pena encontrar as razões porque a bola é mais interessante do que um debate político. 

A cultura e maturidade de um povo também se medem em pormenores como estes. 

Aliança desfeita

Se dúvidas houvesse sobre o desnorte em que se encontra o governo, a questão da sobretaxa nas pensões acaba com as especulações.
O PM e o Ministro das finanças fazem as coisas sem consultar Paulo Portas, logo o restante staff do CDS também não é informado. Assim sendo, chovem um coro de críticas por parte de membros centristas relativamente às políticas, não de Passos Coelho mas às opções de Vitor Gaspar. O choque é entre Gaspar e Portas e não tanto em relação a Passos e o líder do CDS. À semelhança do que aconteceu em 2004 com Durão e o mesmo Portas, a coligação só se aguentou durante dois anos. Há aqui um problema de convivência entre os dois partidos, que no princípio da legislatura são os dois melhores amigos, mas há medida que o tempo passa acabam por se zangar. Portas já se chateou com Marcelo, Durão Barroso e agora Passos Coelho. A estabilidade política passa muito pelo PSD conseguir maioria absoluta nas eleições, contudo nenhum líder até hoje conseguiu formar governo sem a ajuda do CDS de Portas. Como o líder centrista não está para aturar certas e determinadas orientações, é normal que as mais recentes Alianças Democráticas venham a cair, possibilitando ao PS formar governo em futuros actos eleitorais e ainda para mais com maiorias absolutas no Parlamento. No entanto, desta vez há uma questão importante: Cavaco não quer Seguro como PM, pelo que vai aguentar este barco até onde puder. Já se notou que o CDS tem uma força enorme neste governo e que basta Portas ameaçar fechar com a porta que o barco afunda definitivamente. Para bem do país e dos reformados, ainda bem que a sobretaxa não vai para a frente, contudo este recuo representa mais uma derrota para Vítor Gaspar.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Ir a Marte e ficar

Emigrar está na moda, ainda por cima com a crise que atravessamos, esta palavra torna-se quase numa certeza. 
Recentemente foi aberto um site para inscrições com o objectivo de ir viver para Marte. Não se trata de uma experiência passageira mas de uma realidade permanente. Ou seja, quem for já não volta à Terra. Nada melhor que usar humanos para fazer experiências noutros planetas. Os cobaias desta aventura espacial querem fugir da Terra porque aqui não encontram a felicidade. 
Explorar o espaço deve ser interessante, no entanto viver num planeta diferente não deve ser uma sensação agradável, ainda para mais quando se sabe que dificilmente poderão voltar a pisar o solo, além do mais o planeta vermelho não deve ser o melhor sítio do universo para construir uma família, arranjar trabalho e fazer outras coisas do dia-a-dia. A partir de 2022 haverá notícias do espaço............

Provocar a águia

Amanhã o país vai estar ligado à televisão a ver o clássico FCP-Benfica. O jogo do título desta vez decide-se no Dragão e não na Luz como nos últimos dois anos. Os protagonistas de um lado e de outro são quase os mesmos. O árbitro do jogo é Pedro Proença, tal como no jogo do famoso fora de jogo de Maicon.

Pelo terceira vez Proença vai apitar um FCP-SLB decisivo para as contas do campeonato. Quem não se lembra do penalty marcado contra o Benfica após Lisandro se ter atirado para a piscina. Não vale a pena recordar o golo que deu a reviravolta no campeonato a favor dos azuis e brancos. Não se coloca em causa a competência de Proença, até porque o melhor árbitro português vem de uma final da champions e da final do Euro 2012, e para supervisionar o jogo mais importante do campeonato, é necessário o melhor árbitro. No entanto, há que ter em conta o passado deste juiz no histórico destes jogos, além da sua preferência clubística que o tem impedido de fazer juízos imparciais. 

A nomeação de Proença é uma afronta ao Benfica que entra em campo condicionado. Não em termos de jogo mas psicologicamente. O que se espera do jogo de amanhã é uma arbitragem isenta e limpa e que no fim ganhe o melhor, haja ou não campeão no fim do jogo. A verdade é que vai ser um desafio bem ríjinho e cheio de casos. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O Porto tem candidato!

Tenho acompanhado com algum interesse a  pré campanha autárquica de Rui Moreira. O independente que tem o apoio do CDS por detrás, tem seguido uma linha interessante do ponto de vista eleitoral. Para o eleitor autárquico é necessário que o candidato faça uma boa propaganda do concelho. Rui Moreira tem aproveitado este factor para chegar junto dos corações portuenses. 
Com a candidatura de Luís Filipe Menezes pendente da decisão do Tribunal da Relação e com um PS fraco na Invicta, Moreira vai fazendo a sua campanha de forma tranquila e serena. Sem ataques pessoais ou palavras fáceis, no fundo mantendo a linha de Rui Rio, pelo que não é de estranhar o apoio do actual autarca ao candidato.
Sem Menezes, o PSD dificilmente arranjará um candidato de igual notoriedade que o actual Presidente da Câmara de Gaia e que consiga competir com Rui Moreira. As próximas eleições podem assistir a um novel Presidente da Câmara, o que representaria uma derrota para PSD e uma vitória, ainda que indirecta; do CDS. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Sem a troika mas com austeridade

A segunda emissão de dívida em cinco meses trouxe confiança aos mercados, às agências de rating, ao BCE.
Não há dúvida que no plano externo a imagem de Portugal melhora a cada dia que passa, sendo de antever o cumprimento dos prazos estabelecidos para a saída da troika no nosso país. Se assim for ainda bem para Portugal, porque isso significa que os objectivos foram cumpridos e desde logo o cenário de bancarrota é colocado de parte. Cumprido o memorando da troika, isso não significa que os sacrifícios vão acabar. Colocar as contas em dia vai demorar anos, pelo que haverá necessariamente de continuar a cortar em alguma coisa. Não é pelo facto da troika estar de saída do nosso país que o trabalho estará cumprido. O balão de oxigénio que o governo vai ganhar caso consiga mandar a troika daqui para fora em 2014 será enorme ao ponto de poder pensar num voto de confiança para 2015. Resta saber qual será a política após 2015.....
Neste momento estamos perante duas realidade completamente diferentes. Externamente ganhamos credibilidade junto das instituições que investem em Portugal, mas os números internos são preocupantes. Perante estes dados é natural que o PR continue a dar um voto de confiança ao executivo, porque acredita sinceramente que em 2014 já estaremos por nossa conta. Apesar da austeridade excessiva, penso que é importante criar as condições para "irmos à nossa vidinha", contudo que no futuro não se cometam os erros do passado. É esse o trabalho que o governo está a fazer. 

Bye bye Fergie

Alex Ferguson vai sair do comando técnico do Manchester United. Um dos mais conceituados treinadores do Mundo vai abandonar o cargo ao fim de 27 anos e após ter conquistado 38 troféus. O mítico treinador sai ao fim de uma carreira de enorme sucesso e respeito. Fergie não só ganhou quase 40 troféus como é respeitado em qualquer estádio. Após ter sido novamente campeão, Alex sai de forma positiva do clube onde esteve toda a sua vida. Fecha-se um ciclo, inicia-se outro. O sucessor de Alex Ferguson terá a pesada herança de continuar o sucesso do treinador escocês. Fala-se em Mourinho mas o português não é homem para ficar no mesmo clube durante muito tempo, além do mais ao United fica melhor ter um timoneiro britânico, no entanto a memória do Sir ficará gravada para sempre numa das bancadas do Old Trafford.

As mexidas na função pública

O anúncio de novas medidas de austeridade pareceu-me acertado. Há muito para fazer no sector da administração pública, nomeadamente em relação aos direitos adquiridos. Aumentar o horário de trabalho da função pública é de louvar, já que os trabalhadores privados não têm a  possibilidade de ter um horário fixo, quanto mais irem para casa às quatro da tarde. Além do mais, a pouca produtividade do sector público afecta o funcionamento dos trabalhadores que necessitam da rapidez e eficiência desses mesmos serviços. 

Também concordo com a alteração do número de dias de férias, até porque neste campo também existe uma desigualdade evidente. 

O que se pretende com esta reforma é aproximar os direitos existentes entre administração pública e sector privado. Não se compreende como é que ainda estamos nesta fase de reforma, já que nesta matéria deveríamos estar aproximados dos países desenvolvidos. A única crítica em relação a estas novas medidas tem a ver com o número de funcionários públicos a mandar embora. Deveria ter sido feito um relatório, serviço a serviço para determinar onde é que efectivamente é necessário cortar. Também não concordo com a criação de um novo imposto, ainda para mais a ser suportado apenas pelos mais velhos. É ilegal a criação de um imposto com fins meramente temporários, para além de ser pouco ético. 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Passos metido entre dois Coelhos

Pedro Passos Coelho não tem tido uma vida fácil dentro do governo. Por um lado o CDS e o seu presidente, que também é Ministro dificultam ao máximo as políticas gasparianas com sucessivos boicotes às intenções do Ministro Gaspar. Por outro lado são os avisos de Belém, e como já conhecemos as taras e manias de Cavaco Silva é de prever que até 2015 o Presidente da República não deixe o governo andar sozinho a fazer asneiras atrás de asneiras. 
Resolvido o problema Relvas, o PM tem que pensar o que fazer com Gaspar porque muito do que será o futuro passa pelo Ministro das Finanças. Já se percebeu que Portas e a sua entourage é contra esta política e que as opiniões do PR em nada coincidem com a vontade de Bruxelas expressa em Vitor Gaspar.  A sobrevivência deste governo depende da continuidade em sentido positivo e negativo do actual Ministro das finanças: em sentido positivo porque a politica levada a cabo tem de ser continuada, e negativamente porque não sabemos se a austeridade nos levará ao abismo. Se Gaspar sair o PM fica sem margem de manobra, no entanto pode ser que um novo Ministro traga ar fresco e uma nova política. Contudo, Gaspar não é só o homem de Passos Coelho mas também de Bruxelas e de Berlim, pelo que é será difícil arranjar uma justificação para o mandar embora, a não ser que o Ministro se farte.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Responsabilizar pela gestão danosa do Estado

Muito se fala em responsabilizar criminalmente aqueles que tiveram responsabilidades governativas e deixaram o país nesta situação. A gestão danosa é um crime, sendo mais grave quando se trata de questões relacionadas com o Estado. 
Responsabilizar os responsáveis pela austeridade cega em que nos encontramos seria díficil, já que apenas se podia apontar o dedo aos Primeiro-Ministros. 
Os governos vêm e vão mas quem paga a factura é sempre o zé povinho, como se costuma dizer. As consequências das irresponsabilidades só se verificam anos mais tarde e numa altura em que não se pode fazer rigorosamente mais nada para se evitar a catástrofe. Geralmente são pessoas bem intencionadas e que pretendem recuperar o país os bombeiros de serviço. Passos Coelho é o bombeiro de Portugal que tenta apagar os fogos que foram criados durante anos na máquina do Estado. A sua missão é de louvar mas impossível de ser compreendida pelas pessoas, é natural que assim seja porque o bolso está cada vez mais vazio e não há maneira de o ver crescer. Quem paga a factura é o que está sentado na cadeira, porque é ele que tem de tomar as decisões mais complicadas. Não o faz de ânimo leve e apresenta-se com cara de poucos amigos. As medidas duras têm de ser implementadas custe o que custar, não para benefício próprio mas porque o país está em primeiríssimo lugar. Não se pode crucificar alguém que com coragem toma decisões difíceis e em nome da colectividade, alguém que procura a todo o custo evitar que o futuro seja bem mais negro. O enorme corte na despesa que se anuncia vai demorar anos a produzir efeitos, os mesmos  que levaram a tornar a situação insustentável. Será duro para todos mas principalmente para aqueles que viveram à grande e à portuguesa à custa do Estado. 

Podem julgar politicamente o PM por inúmeras opções que tomou de forma errada, no entanto não se pode querer a sentença criminal a alguém que tem a coragem de prejudicar a sua imagem em detrimento do que é melhor para o país. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Triste Open

Ao passear pelo Estoril Open, perdão Portugal Open deparei-me com um cenário desolador. Não é que seja novidade, no entanto mete dó ver um torneio de ténis tão fraquinho. Não só na qualidade tenística mas também na capacidade organizativa. Embora tenhamos em nosso território o número 4 do Mundo, o interesse pela modalidade continua a ser mínimo. Quem foi ao Estoril Open quase desde o seu nascimento ( em 1990) tem pena de assistir à morte lenta de um torneio que tinha tradições por cá mas também lá por fora. 
Lembro-me dos tempos em que a armada espanhola vinha em peso e proporcionava grandes enchentes no court central (bem mais pequeno do que o actual) e fantásticos espectáculos dentro de court. A animação era imensa, o entusiasmo constante, a qualidade dentro do court estava ao mais alto nível. Com o passar dos anos tudo isso se perdeu. Os courts passaram a estar vazios e nem a famosa tenda VIP consegue estar a abarrotar, daí que seja normal o abandono do principal sponsor do torneio, tendo agora o director do torneio se contentar com o apoio do Banco Carregosa, obrigando à mudança do nome do torneio. E já nem os tenistas portugueses conseguem ter prazer em jogar no court central. 

É pena que os eventos desportivos de grande projecção estejam a sair de Portugal. É verdade que a crise tem afastado algumas provas, contudo a política desportiva neste país é zero. Não me refiro só à prática em si, mas ao plano de eventos que traz sempre turistas e marcas internacionais ao nosso país. Deitar fora uma oportunidade destas é má política. 

Estranho sinal

O 1º de Maio deste ano marcou a estreia de Arménio Carlos e Carlos Silva à frente da CGTP e UGT respectivamente. Estranha coincidência ou não, as duas centrais sindicais fizeram manifestações em locais diferentes da capital. Num momento em que os seus líderes pedem a demissão do governo e a saída da troika do nosso país, seria inteligente estar unidos na rua, até para mostrar às pessoas que aquilo que defendem é benéfico para o país. No entanto, tanto CGTP como UGT deram um sinal de desunião e desinteresse pelo estado do país mas sobretudo pela defesa dos direitos dos trabalhadores. Numa altura em que os funcionários públicos e os reformados são os mais afectados, as centrais sindicais preferem organizar sozinhas manifestações. Por aqui se vê que o povo não pode contar a esquerda para combater as políticas ditas de direita, pelo que não serão as forças sindicais as que melhor assegurarão os superiores interesses dos trabalhadores. Toda a falácia de Arménio Carlos como do novato Carlos Silva cai por terra após esta mensagem de "cada um por si". Se as duas colectividades não se unem é porque defendem políticas diferentes e têm caminhos alternativas para resolver a crise. 
A luta sindical em Portugal sofreu um duro revés, mas pior do que isso os mais necessitados têm de se agarrar a outras ideias. 
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