Etiquetas

segunda-feira, 31 de março de 2014

Nem uma para amostra

Ao ouvir os discursos de António José Seguro ficou preocupado, porque podemos estar perante o próximo primeiro-ministro de Portugal. O tom é sempre o mesmo: criticar o governo e só fala das medidas de austeridade. As conferências "Um novo rumo para Portugal" só tem servido para o líder partidário captar a atenção dos media, fim-de-semana após fim-de-semana. Embora os temas variem, não se admite que Seguro só fale sempre do mesmo, ou então aquela parte do discurso já está preparado para ser transmitido pelas televisões. 
O que pretende Seguro com estas conferências? Dar visibilidade ao PS ou a si mesmo? A ideia até é boa mas torna-se inútil quando a principal mensagem é o mesmo de sempre. Seguro não tem ou não quer ter a capacidade para mudar. É natural que em vésperas de eleições haja tendência para o excesso de críticas, mas o que os portugueses é de políticos que tragam algo diferente, porque já todos estamos fartos da mesma "lengalenga". 

domingo, 30 de março de 2014

Olhar a Semana - 200

A rubrica que iniciou a 21 de Setembro de 2008 tem hoje a sua 200ª edição. Desde então, durante quase todos os domingos foi possível fazermos um resumo do que mais importante se passou na semana. O estilo não é parecido com o de Marcelo nem traz as mentiras de José Sócrates, mas foi possível abordar os temas quentes da semana de outra forma.

Esta rubrica não foi feita só por mim mas também pelos colaboradores que por aqui passaram. De facto, fazer uma rubrica semanal é bem diferente do que analisar os acontecimentos dia-a-dia, ideia a ideia. Não foi com o objectivo de implementar uma cartilha que se fez esta rubrica. O mais importante é pegar num tema que tenha feito manchete em todo o lado e fazer uma análise, às vezes colidindo com aquilo que se escreveu durante a semana. No entanto, em certas ocasiões é necessário pegar em assuntos passado. 

O país e o mundo não param. As novidades continuam a surgir todos os dias e as ideias são mais do que muitas. 

Se tudo continuar como está espero estar a celebrar o número 500, pois isso significa que o mundo da blogosfera ainda está bem vivo.

Obrigado a todos!

sábado, 29 de março de 2014

Figuras da Semana III


Por Cima  

Rolling Stones - O grupo esteve em vias de extinção por causa da morte de L´Wren Scott, namorada de Mick Jagger. Felizmente que as notícias sobre o fim dos Stones não eram verdade e que todos se mantêm de boa saúde. Esta banda ultrapassa gerações e idade, sexos, e culturas. No dia em que estes senhores deixarem de tocar a música mundial fica mais pobre, pelo que é de aproveitar o facto dos Rolling Stones virem ao Rock in Rio Lisboa 2014, naquela que será muito provavelmente a sua última aparição por Portugal. Como forma de não deixar a banda morrer, o ideal seria criar clones de Mick Jagger e companhia. 

No Meio: 

António José Seguro - Por incrível que pareça, o líder socialista não esteve muito mal esta semana, mas também ainda não conseguiu ser brilhante. A lista do PS às europeias é no geral boa. Tem alguns nomes pouco interessantes como Silva Pereira ou Carlos Zorrinho, mas algumas pessoas prometem fazer um bom trabalho em Bruxelas, como tem sido apanágio dos socialistas. A maior polémico foi a exclusão de Vital Moreira, cabeça-de-lista às europeias de 2009. O professor universitário perdeu com Rangel quando Sócrates ainda estava no poder, não por sua culpa mas pela qualidade demonstrada pelo actual número 1 da coligação Aliança Portugal. A maior crítica nesta lista é a razão de Francisco Assis ser o primeiro, mas isso já escrevi aqui esta semana. Acho que Seguro cedeu à tentação de fazer um favor ao ex-candidato socialista e mandou para Bruxelas alguém com peso no partido e que pode apoiar um candidato contra Seguro caso este não ganhe as europeias de forma clara. Nesse caso, a responsabilidade da derrota terá de ser repartida. 

Em Baixo : 

Barack Obama - O presidente norte-americano esteve mal esta semana porque decidiu excluir a Rússia do G-8. Moscovo é um importante aliado norte-americano e europeu, pelo que não se percebe esta aliança com o novo governo de Kiev. É certo e sabido que a Rússia tem algumas posições pouco claras, mas não deixa de ser um país que quer a estabilidade no mundo. Desde a crise na Crimeia que os EUA não têm feito outra coisa que não ostracizado Vladimir Putin. Neste momento, Obama conta com o apoio da maioria dos países europeus, como se viu naquela reunião secreta antes da cimeira nuclear. No entanto, no futuro as coisas podem muito bem não ser assim já que a Europa vai arrepender-se de ter dado a mão ao clã Yatseniuk. Um outro factor interno está relacionado com esta nota. O prazo para os cidadãos norte-americanos aderirem ao Obamacare termina na segunda-feira e apenas 6 milhões aceitaram o plano idealizado pelo presidente. Eu disse num texto que o número até era aceitável, mas os problemas em torno da implementação não se podem apagar.

Bandeira da Malásia

A actual bandeira da Malásia foi desenhada em 1947 por Mohamad Hamzad, no entanto, só posteriormente é que foi adoptada a estrela de 14 pontas. No dia 19 de Maio de 1950 o rei George VI aprovou o actual modelo, mas só foi adoptada a 16 Setembro 1963. 

De acordo com a história esta bandeira foi baseada na Companhia das índias orientais e possui 14 listas vermelhas e um fundo branco, tendo uma lua crescente e uma estrela sob o fundo azul. 

As 14 faixas representam os 13 estados do país e a última significa todo o território nacional. 

O campo azul significa a unidade do povo malaio e o amarelo é a família real. 

Como é público, a lua crescente é um dos símbolos mais fortes do islão.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Milionário procura candidato

As presidenciais norte-americanas só são em 2016 mas a pré-campanha há muito que está aí. Se do lado democrata a luta será entre Hillary Clinton e os outros, do lado republicano ainda há muitas dúvidas apesar de Mitt Romney se estar a preparar para mais uma tentativa de assalto à Casa Branca. 

Os candidatos republicanos ainda não abriram o jogo mas é certo que vai haver notícias já que o ciclo de 8 anos do partido democrata está a chegar ao fim. Se Clinton chegar à presidência é um autêntico milagre. A provável vitória republicana nas eleições de 2016 deverá aguçar o apetite do partido mais conservador ou liberal. Por estes motivos é que um billionário norte-americano, Sheldon Adelson, anda à caça do melhor candidato republicano no mercado. Adelson vai "investir" numa pessoa da mesma forma que um clube desportivo pretende retirar dividendos de um activo. 

Como em tudo na vida não há almoços grátis, o milionário não vai apostar tudo sem pretender algo em troca. É natural que Sheldon Adelson queira alguns favores para investir dinheiro seu num candidato republicano que possa conquistar a Casa Branca. Tendo em consideração que nos Estados Unidos a vitória eleitoral não depende do mérito, competência, ideias mas do "marketing" político, quem tiver o apoio de Adelson parte ligeiramente à frente, embora o dinheiro não garanta a vitória, até porque em 2012 a família Adelson investiu em Newt Gingrich e o candidato obteve um resultado muito fraco. Na minha opinião, o melhor que Sheldon tem a fazer é unir esforços com Mitt Romney para tentar impedir Clinton de chegar ao poder. 

Antes das primárias repulicanas irá haver uma luta para saber qual será o candidato que merece a atenção do milionário. O Washington Post chama a este concurso a "As primárias de Sheldon" e entende que a sua atitude é sinal de uma democracia que não funciona. Não é possível que a publicidade e o marketing vendam mais do que uma ideia política. 

Se em Portugal os partidos não mudam a sua organização interna, daqui a uns anos um banqueiro qualquer agarra no seu dinheiro e investe o que bem entender, tendo sempre em consideração os seus interesses privados. E se todos começarem a ter esta atitude em Portugal ou nos EUA....


quinta-feira, 27 de março de 2014

6 milhões é muito

Ainda faltam três dias para a data estabelecida por Barack Obama para os norte-americanos adiram ao Obamacare. No entanto, em cerca de 309 milhões de habitantes, mais de 6 milhões "compraram" o seguro de saúde mais polémico dos últimos anos. 

É difícil que a implementação deste programa é uma vitória para o presidente, uma vez que foram milhares os problemas em torno da proposta. Desde a ameaça republicana em iniciar uma paralisação que atingisse os serviços públicos norte-americanos até à dificuldade de acesso ao site. Por outro lado, nas propostas políticas deste género há sempre uma vitória, já que o programa vai para frente com mais de 6 milhões de pessoas. Obama pode reclamar para si este louros e esperar que no futuro a utilização do Obamacare seja uma mais-valia para o presidente mas também no que toca à população. O futuro política de Barack Obama não está em causa, mas é importante para si mas também para os democratas que a sua presidência termine da melhor forma, sobretudo em termos internos, porque em relação à política externa a administração tem tido nota positiva. 

Apesar dos prós e contras, acho que o Obamacare irá ser sempre uma meia-vitória. Nunca um falhanço total ou uma vitória completa. Andará ali sempre no meio da questão, o que tendo em conta os todos os problemas pode ser analisada de forma positiva pelos analistas norte-americanos. 

 Ninguém pode acusar o presidente de ter tentado a implementação do Obamacare. Pelo menos, Obama fica com essa marca importante a nível interno. 

Ideias Políticas: Uma ou duas Câmaras XXV

Um pouco por todo o mundo os sistemas parlamentares têm vários formas: Uns adoptam o sistema de uma câmara só, enquanto outros preferem duas câmaras legislativas, a que normalmente dão o nome de Senado. Em Inglaterra, Estados Unidos e Itália é adoptado um sistema bicameralista. Por seu lado, em Portugal, Espanha, França só há uma câmara legislativa.

Normalmente as câmaras baixas como a "House of Lordes" britânica ou o Senado americano são compostas por pessoas da sociedade civil, embora estejam ligados aos partidos. No entanto, não ocupam a função de deputado a tempo inteiro, ao contrário do que acontece na Câmara dos Comuns ou no Congresso estado-unidense. 

O processo legislativo é complexo pelo que não vale a pena perder tempo a explicá-lo. O que interessa é aprofundar as consequências políticas de uma e outra situação. 

Os países que adoptam o sistema com duas câmaras adoptam uma visão mais conservadora uma vez que necessitam de um rigoroso processo legislativo, ao contrário do que acontece com os países que têm apenas uma câmara. No entanto, o processo anglo-saxónico também é mais livre e independente devido à sua natureza porque os deputados eleitos têm um contacto maior com os eleitores e cada problema é trazido para a discussão parlamentar, seja na câmara baixa ou na alta. Tendo em conta que há sempre questões menos relevantes a tratar é necessário saber separar as águas. 

Um outro aspecto está relacionado com a forma de organização política. Num sistema como o nosso, os partidos precisam de ser forças colectivas fortes para alcançarem o maior número de deputados e com isso fazem uma "equipa". Por seu lado, tanto a Câmara dos Lordes como o Senado são parlamentos "individuais" em cada deputado, embora represente o partido, está por si próprio. A força da máquina partidária não é tão evidente no sistema anglo-saxónico como no latino. 

O sistema de uma câmara como o de duas estão implementados no contexto de cada país. A geografia também um factor importante uma vez que é necessário integrar representantes de todos os Estados. Com os defeitos e virtudes de cada sistema, o mais importante é que este funcione para o bem dos cidadãos. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Vital, o proscrito

O cabeça-de-lista do PS às eleições europeias de 2009 foi proscrito pela direcção de António José Seguro do combate eleitoral de Maio. Vital Moreira, adversário de Paulo Rangel há cinco anos não vai poder voltar ao Parlamento Europeu. Ninguém duvida das capacidades de Vital Moreira, mas a verdade é que este PS não olha à competência mas aos nomes. Seguro escolheu Francisco Assis como cabeça-de-lista só para manter afastado de Portugal um ex-candidato à liderança socialista. 

Caso o debate de ideias vingasse em Portugal, Vital Moreira seria reconhecido cá dentro da mesma forma como é lá por fora. Não o é pelos portugueses e muito menos pelo seu partido, apesar da sua parte "independentista". O líder socialista excluiu Moreira mas mantém Ana Gomes e Elisa Ferreira. Porquê? Por causa da sua competência. Contudo, se esta qualidade fosse a primeira razão para escolher um líder, Vital Moreira já estaria a caminho de Bruxelas novamente, até porque mais um debate sobre a Europa com Rangel seria muito interessante. Vital Moreira pode não ter ganho as europeias de 2009 mas é uma mais valia para a Europa e o PS devia primeiro pensar no colectivo do que no individual. Infelizmente vamos assistir a uma troca de acusações e um regresso ao passado na próxima campanha eleitoral, uma vez que o principal interveniente socialista não deve ter nenhuma visão sobre a Europa. Tudo o que sair da boca de Francisco Assis será o que Seguro já disse ao país. 

Fico com a sensação que Francisco Assis pediu a António José Seguro um lugar para ficar calado após ter perdido as eleições para o actual secretário geral em 2011. Acho muito estranho o PS não apostar nestas europeias e lançar um nome ao desbarato.

Mais uma Proençada de Vítor Pereira

Infelizmente não tenho por hábito escrever sobre nomeações de árbitros para os jogos de futebol, no entanto, o clima que se vive em redor do sector obriga-me a fazer algumas reflexões.

Pedro Proença foi o árbitro do Benfica-FCP de 2011/2012 (fora-de-jogo não marcado a Maicon) e do FCP-Benfica da penúltima jornada da temporada passada (não houve qualquer lance que tivesse influência no resultado). O melhor árbitro português, segundo dizem, acaba de apitar o decisivo Sporting- FC Porto. 

Na base das nomeações deve ser indicado o melhor árbitro para o melhor jogo da jornada, e de facto, o Sp.Braga- Benfica é decisivo tanto para um lado como para o outro. Vencendo em Braga, o Benfica é praticamente campeão porque depois tem mais três jogos em casa e uma deslocação a Arouca antes da viagem ao Dragão. 

Muito se tem falado sobre o facto de Proença não ter apitado nenhum jogo do Benfica esta temporada, e para o fazer, só havia duas hipóteses: ou o jogo em Braga ou o no Dragão. A hipótese de voltar a arbitrar um jogo entre Benfica e FC Porto está afastada por causa dos acontecimentos de há duas temporadas, mas também devido à posição benfiquista em relação a Proença. E neste momento, quem manda no sector....

Não tenho nada contra a nomeação mas o timing é péssimo para o juiz mas também aos dois clubes que lutam por objectivos. Mas não só. Proença vem de um jogo entre Sporting e FCP em que teve influência directa no resultado. Pode ser mau para o juiz que ainda tem fresco na memória a arbitragem do jogo de Alvalade. Tendo em conta que ainda há muitas equipa a lutar por diversos objectivos, e aplicando a máxima de Vitor Pereira que um jogo do título merece a mesma atenção que um jogo em que estão presentes duas equipas que lutam para não descer, o juiz deveria ser protegido e indicado para outro jogo. Eu acho que o actual presidente da comissão de arbitragem da Federação não sabe gerir pessoas e os momentos críticos do campeonato...

Tenho a certeza que se o jogo correr mal do ponto de vista da arbitragem haverá novamente tiroteio e não é nada bom Proença estar novamente envolvido numa luta que não é a sua. Parece que não mas a possível conquista do título pelo Benfica parece estar a incomodar muita gente, não só em relação a este mas também pelo que pode acontecer na próxima temporada. 

As balas estão preparadas e só falta o mínimo erro para o tiroteio começar novamente...


terça-feira, 25 de março de 2014

A reunião mais secreta do ano

O que fazem EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália,  Japão, Reino Unido e a UE sentados a uma pequena mesa redonda, numa sala minúscula e com pouca luz?

Esta reunião pode ter várias interpretações possíveis uma vez que nela estão presentes as nações mais desenvolvidas do mundo. Os oito países mais fortes do nosso planeta têm necessidade de se aliar e discutir o presente e futuro do planeta na escuridão. Não estão só os líderes mas também as segundas figuras, ou seja, os ministros dos negócios Estrangeiros que são os mandatários dos presidentes ou primeiro-ministros quando é preciso agir. 

Há quem diga que nesta reunião foi discutido as sanções a aplicar à Rússia devido aos recentes desenvolvimentos na Crimeia. Não sabemos se foi abordado mais algum tema, mas é provável que a Síria, as armas nucleares, a crise na Venezuela e o défice português tenham entrado no menu, uma vez que os representantes dos maiores países do mundo não tiveram tempo de almoçar e, embora não se veja na fotografia, o comer ficou-se por uma sanduíche uma cola. 

No fim da reunião, o mundo ficou a saber que estes 7 países mais a União Europeia decidiu expulsar a Rússia do G8. No entanto, Moscovo pode ficar no G20 até ordem em contrário. De facto, se olharmos para a sala podemos verificar que dificilmente a Rússia caberia nesta reunião. Como se vê estão todos muito apertadinhos e em cima dos outros, o que é perigoso tendo em conta as diferenças políticas entre os líderes destes dois países. 

Como não podia deixar de ser Barack Obama foi a personagem principal mas também a garantia que Angela Merkel e David Cameron não chegassem a vias de facto devido à questão europeia. Por aqui se vê uma distância entre a França e Alemanha, já que se os franceses ainda fossem liderados por Sarkozy de certeza que a cumplicidade seria maior. 

O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, parece que não tem nada a ver com a Europa porque está muito longe de Merkel, Hollande e Cameron, mesmo tendo em conta a pequena dimensão da mesa que nem dá para ter papeis em cima da mesa. Eu só não percebo porque razão os líderes mundiais têm microfones na mesa. Se fosse num espaço maior ainda compreendia, agora ali não se entende até porque é impossível haver reuniões bilaterais durante a reunião magna. Nesse caso, a casa-de-banho seria um bom local para discutir questões mais profundas. 

A presença dos braços-direitos na reunião também era escusado pelo facto de estarem presentes as primeiras figuras, embora haja sempre o medo de que o discurso seja alterado. Quem não se lembra das reuniões entre Sócrates e Passos Coelho, em que o segundo acusava o primeiro de dizer para a comunicação social coisas diferentes do que se tinha passado intra-muros. 

Se a Rússia abandonar o G-8, as próximas reuniões do grupo não será realizado em nenhuma cidade onde será necessário reforçar a segurança e aturar os manifestantes, porque como se vê, basta uma pequena mesa para decidir o destino político, social e económico do planeta. 

Verdade de um lado, insegurança do outro

Passos Coelho tem à sua frente uma tarefa difícil nestas eleições. Apesar do fim do programa de ajustamento ocorrer uma semana antes das europeias, dificilmente isso irá repercutir-se no voto. No entanto, a coligação Aliança Portugal tem a seu favor o facto de António José Seguro não cair no goto dos portugueses nem dos socialistas. 

Saúdo a coragem do actual primeiro-ministro em revelar os cortes que irão ser feitos no OE 2015. Ao contrário do que muitos pensavam, não deverá haver redução de impostos devido a questões eleitoralistas. Eu acho que os anos Sócrates revelaram que os portugueses estão fartos de medidas com vista a ganhar as eleições. Neste ponto Passos é honesto, sério e correcto com a sua verdade mas também com os eleitores. 

Infelizmente o PS não trilha o mesmo caminho, uma vez que até hoje não disse aos portugueses como vai reduzir o défice, já que isso é fundamental para a sobrevivência da nossa democracia. Podemos ter crescimento económico mas a redução da despesa é algo que terá de ser sempre feito e isso não pode ser conotado com o facto de qualquer governo só impor austeridade. Por isto, qualquer discurso que iluda os portugueses de que o governo só está a apertar o cinto é falso. 

Posto isto, ainda bem que Passos Coelho vai dizer a verdade antes da campanha, onde pode ser apanhado na mentira. 

segunda-feira, 24 de março de 2014

O jornalista não tem de ser sempre independente e imparcial

Embora o jornalista tenha de guiar a sua profissão por deveres deontológicos acho que a questão da independência e imparcialidade não se coloca. Um pouco por todo o mundo, e isso é uma evidência em Inglaterra, os órgãos de comunicação social não têm medo de mostrar as suas preferências políticas, sociais e clubísticas. No entanto, em Portugal qualquer desvio à "independência" é censurado pela maior parte da opinião pública e quem mostra a sua cor é de imediato atacado. 

Na minha opinião, e já escrevi várias vezes sobre isso, um órgão de comunicação social só sobrevive se mostrar as suas preferências, porque assim não irá passar a sua mensagem. É importante que quem lê, ouve ou vê possa estar o mais informado possível mas tem de perceber a orientação que está por detrás das linhas editoriais, escolhas das peças e artigos de opinião. Existe em Portugal um enorme tabu em relação a esta questão, porque todos têm medo de assumir as suas orientações em nome de valores como a independência e imparcialidade. 

A conversa em torno dos dois princípios referidos é uma falsa questão porque quem analisa, informa ou opina não tem a obrigatoriedade de representar os interesses de todos os sectores. Isso é completamente impossível de fazer e vai acabar com uma das funções do jornalismo que é informar, mas não só. José Rodrigues dos Santos, enquanto entrevistador tem o direito de fazer as perguntas que entender e quem está a ser entrevistado não pode conhecer as perguntas, uma vez que isso é contra-natura. Isso é que é desprestigiar o jornalismo e toda uma classe que se esforça para informar as pessoas. O entrevistado tem de ir a uma entrevista sem saber o que lhe vai acontecer. No Reino Unido não vejo os PM´s incomodados com a escolha das perguntas, podem não concordar mas isso é outra questão. O mesmo se passa com Obama que dá inúmeras entrevistas e não se sente intimidado pelas perguntas. 

O que cativa o público é saber que por detrás de um jornalista está alguém com convicções, opções e que domina bem uma determinada matéria. Depois é o próprio público que faz a selecção daquilo que quer ler, ver e ouvir. Num mundo global e competitivo em que vivemos não podemos ter medo de assumir as nossas preferências e transmitir aos outros as opções, mas sempre com respeito pelo lado que não concordamos. As pessoas hoje pretendem que os jornalistas sejam também actores políticos para depois poderem optar por esta ou aquela solução. Aquele "jornalista" é a favor do tema x, e o jornal adopta a ideologia "y". 

É isto que torna interessante e fascinante o mundo "político" e do "debate" de ideias em que vivemos. Se estivermos apegados a conceitos que são mais importantes noutras profissões, a nossa tarefa deixa de ser recebida pelo público. Público esse que está agarrado com maior frequência à comunicação social, também por via das redes sociais. 

Um país individualista e de poucos consensos

Querer que a sociedade portuguesa chegue um consenso sobre qualquer coisa é uma tarefa muito difícil. Por regra a nossa população é muito adversa a estabelecer acordos e principalmente trabalhar em equipa. Não é só a nível da política e do futebol que isto acontece. 

Normalmente os portugueses olham mais para o seu próprio umbigo do que o colectivo em geral. Em primeiro lugar estão sempre as ambições pessoais do que as do grupo, porque o que importa é chegar ao topo o mais rapidamente possível. Claro que isto é uma visão errada e só traz prejuízos, mas infelizmente é isto que acontece na maioria dos casos. 

Por tudo isto não admira que os convites ao consenso partidário estejam constantemente a cair em saco roto. Porquê? Porque o líder do PS tem legitimamente ambições de ser primeiro-ministro e dar o braço a torcer é meio caminho para ter o partido contra ele mas também essa atitude irá ajudar a coligação a ter mais votos nas legislativas. Por seu lado, o PSD pretende com este discurso do "consenso" ficar bem na fotografia perante os eleitores. Ao menos tentámos e foi o PS que não quis nada, afirmam os sociais-democratas. 

Como se costuma dizer cada um defende a sua dama e ninguém está preocupado com os valores colectivos. A nossa sociedade é egoísta, individualista e tem pouco sentido colectivo, porque não pensam que o sucesso de uma organização é também o seu sucesso, preferindo pensar no dinheiro que se consegue amealhar ao longo da vida. 

Na minha opinião os constantes apelos ao consenso feitos por parte do PR são inúteis e uma perda de tempo. No entanto, Cavaco Silva está a fazer o seu papel, sabendo de antemão que nada vai mudar na política portuguesa. E muito menos na sociedade. 

domingo, 23 de março de 2014

Olhar a Semana - Um erro histórico

Esta semana o novo governo ucraniano assinou com a União Europeia um acordo comercial. A razão pelo qual Viktor Yanukovich foi demitido está relacionado com a aproximação de Kiev a Bruxelas. Como bem se recordam, a maioria da população em Kiev pretende aderir à UE, mas o presidente deposto sempre foi reticente por causa da sua amizade com a Rússia. 

A UE decidiu apoiar a revolução de Fevereiro e agora dá a mão a um governo ilegítimo e que nasceu de uma revolução sem sentido. Acho que a UE tem estado muito mal neste processo porque o novo governo de Kiev não tem legitimidade democrática. Na minha opinião Bruxelas deveria ter esperado pelas eleições de 25 de Maio para tomar uma posição e fazer os acordos que bem entendesse. Se tivesse actuado assim, Bruxelas tinha mais legitimidade para estabelecer parcerias e estava mais segura relativamente aos intervenientes no processo. 

Os dirigentes europeus não sabem quem são os novos donos do poder em Kiev. Ao menos com Yanukovich sabiam com o que podiam contar, mas com Yartseniuk e a sua "malta", estão a negociar com desconhecidos que podem transformar a Ucrânia num país pró-europeu mas anti-Rússia. Ao dar apoio a Kiev, Bruxelas está a transmitir a mensagem que não quer trabalhar com Moscovo. Na minha opinião isolar a Rússia numa altura destas e apoiar um bando de radicais que contratam snipers para matar os seus próprios manifestantes, é correr um risco que pode vir a tornar-se fatal em termos económicos, políticos e sociais. E sabemos muito bem como a UE anda dividida. 

A pressa é inimiga da perfeição, pelo que também não considero sensato o facto dos principais líderes europeus terem apoiado a revolução da praça da independência, o que só mostra o baixo nível intelectual e político das pessoas que lideram a Europa neste momento. 

É pena que a UE tenha decidido apoiar uma revolução ilegítima, numa altura em que a ajuda de Moscovo seria muito bem vinda, até porque não consta que na Rússia haja problemas económicos. O mais grave é que a maioria dos países europeus irá novamente emprestar dinheiro para pagar a reconstrução de um país que foi destruído pelos seus actuais governantes. 

sábado, 22 de março de 2014

Figuras da Semana II

As figuras desta semana são:


Em Cima 

Pedro Passos Coelho - Foi à Alemanha discutir com Angela Merkel a saída de Portugal do programa de assistência financeira e veio de lá com nota positiva. A chanceler e "dona da Europa" ficou contente com os resultados obtidos por Portugal, mas sobretudo com o esforço do governo liderado por Passos Coelho. A confiança alemã significa que o país pode sair de forma limpa, o que evitará um novo descontentamento e a quebra do consumo interno. O elogio de Merkel é para Passos Coelho a confirmação que Portugal foi um bom aluno neste processo de ajustamento. Agora venha a devida recompensa. 

No Meio

Vladimir Putin - A sua posição em relação à Crimeia pode motivar manifestações de apoio ou repúdio, daí que o actual presidente russo esteja esta semana no meio. A Rússia também está no posição intermédia neste conflito, uma vez que não deve ceder perante o novo poder instalado em Kiev, mas também não pode usar a força militar defender os seus interesses na região da Crimeia. Putin e a Rússia estão no meio de um conflito político e não só e que tem outros actores como é o caso dos EUA, União Europeia mas também a China. Considero que a atitude de Putin tem sido racional: por um lado não cede às pressões do ocidente, mas por outro quer manter a Rússia fora de qualquer acusação de criar instabilidade na região.

Por Baixo

Presidentes de Benfica, FC Porto e Sporting - O que se assistiu esta semana foi uma autêntica vergonha, mas não é diferente daquilo a que não estejamos habituados. O resultado do Sporting - FC Porto foi um motivo para os líderes dos três maiores clubes portugueses iniciaram uma guerra de comunicados e palavreado que em nada os dignifica. É certo que a comunicação social faz eco desta troca de palavras, mas é só para mostrar o nível dos dirigentes que lideram os clubes com maior popularidade em Portugal. Se em termos de grandeza Benfica, FCP e Sporting são os maiores de Portugal, no que ao nível dos dirigentes diz respeito merecem a descida de divisão. No entanto, o campeonato nacional ficaria muito pobre sem a presença dos históricos. São eles que mandam e que fazem as capas dos jornais. 

Bandeira da República Centro-Africana

A bandeira da República Centro-Africana foi adoptada a 1 de Dezembro de 1958 e consiste em quatro faixas na horizontal com cores diferentes e uma na vertical, bem como uma estrela.

As cores da bandeira são uma combinação da bandeira francesa e dos emblemas pan-americanas, mas também da Etiópia.

A combinação do azul, branco, verde, amarelo e encarnado simboliza o respeito e amizade entre os povos europeus e africano.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Um olhar sobre as declarações de independência e anexação

Ao longo da nossa história temos vindo a assistir ao nascimento de novos países. Apesar do mundo já estar "definido" e sem "espaço" para novas nações, há sempre quem queira afastar-se do seu habitat e procurar novos caminhos, culturas e lideranças. 

Nos últimos tempos temos vindo a assistir a fenómenos de declaração de independência mas também de anexação. Acho que o problema em torno da Crimeia vai acabar por resultar na autonomia da região e esta suposta "junção" à Rússia está relacionada também com este factor. Uma coisa é certa, eles não querem ser ucranianos. 

Tivemos a declaração de independência do Kosovo, Montenegro e do Sudão do Sul. Os motivos que estão por detrás desta vontade são religiosos, políticos, culturais e até sociais. 

Neste ano o mundo vai ter que lidar com dois referendos relacionado com a autonomia da Catalunha e da Escócia. Ao contrário do que possa suceder na Crimeia, em Espanha e no Reino Unido não haverá problemas militares e a polémica girará em torno das soluções políticas a encontrar. 

O nacionalismo das várias regiões espanholas é um problema com que o país vizinho vai ter de se confrontar, até porque a Catalunha deu um passo decisivo para que outras regiões pudessem seguir a via da autonomia. O mínimo que os governantes das regiões autónomas pedem é realizar uma consulta popular para aferir do sentimento em vigor. O resto são problemas constitucionais e políticos que com arte e engenho são possíveis de ultrapassar. Em Espanha, o País Basco há muito que luta pela autonomia, mas foi a Catalunha que se chegou à frente. Agora é a cidade de Vigo que quer fazer parte de Portugal. Atenção que não estamos a falar da região da Galiza a querer voltar ao passado. É a própria cidade de Vigo que tenciona realizar um referendo sobre a possibilidade de se juntar a Lisboa. 

É difícil resolver estas questões relacionadas com autonomia porque haverá sempre dois pesos e duas medidas. O mundo é suficiente grande e desigual para aceitarmos ficar com o mapa tal qual como está. É óbvio que novas nações vão nascer, mas será que uma comunidade pequena tem direito a usufruir de regalias que só uma grande nação tem direito?

quinta-feira, 20 de março de 2014

De comunicado em comunicado

O país não está cansado das guerras futebolísticas porque isso entretêm o erário público. À falta de outros interesses, as pessoas querem é saber das tricas, sejam elas provenientes do futebol ou não. 
Nas últimas semanas temos vindo a assistir a uma guerra entre os três principais clubes portugueses. O mais curioso é que o principal protagonista tem sido o Sporting e não o Benfica ou o FCP. Digo isto, porque não foi nem o clube da Luz nem o nortenho que acenderam a chama neste final de temporada. 

O Sporting, liderado pelo seu presidente Bruno de Carvalho, decidiu abrir uma frente de batalha após a derrota em Setúbal, condicionando a arbitragem do recente clássico entre leões e dragões. Pelo meio meteu o Benfica ao barulho, porque senão fossem os 7 pontos retirados pelas más arbitragens, o Sporting estaria no primeiro lugar e com francas possibilidades de ser campeão, uma vez que ficou provado no derby entre águias e leões que o Sporting tem equipa para ser o vencedor. 

Bruno de Carvalho estava com medo do FCP mas atacou o Benfica, porque era isso que os adeptos queriam. Agora que o FC Porto já está quase eliminado do segundo lugar, semana a semana vamos assistir a um ataque por parte dos dirigentes leoninos a cada jogo do clube da Luz. O presidente leonino quer imitar Pinto da Costa e usar a táctica da pressão para ver se resulta. No último domingo resultou, mas duvido que daqui para a frente a sua estratégia tenha resultados, até porque Luís Filipe Vieira tem muito mais poder que o pequeno dirigente leonino. 

O facto do FCP não estar a ser o principal protagonista deste filme está relacionado com o mau desempenho da equipa mas também por culpa da instabilidade directiva que o clube vive derivado da sucessão de Pinto da Costa. Há muito que não víamos os dirigentes portistas a não reagir a uma má arbitragem logo depois do jogo, ainda para mais quando se trata de um encontro decisivo e logo frente a um rival. No entanto, a ironia portista foi mantida com a publicação daquele comunicado sobre "as boas maneiras dos viscondes". 

Apesar da "guerra aberta" entre os três principais clubes portugueses ser por vezes saudável, é preciso não esquecer que isso pode chegar aos adeptos e esse é um factor mais complicado. Quem anda a envergonhar o nosso futebol não são os adeptos, jogadores, treinadores e muito menos os árbitros. É a escumalha de dirigentes que todos os dias nos entram pela comunicação social adentro. 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Os Tordos e os Tortos

O cantor Fernando Tordo anunciou há quase três semanas que iria abandonar o país, porque estava farto e insultou Pedro Passos Coelho porque "o primeiro-ministro não me dá lições de moral". 

A comunicação social fez deste acto imigratório o maior acontecimento nacional dos últimos 50 anos bem como usou uma forma de explorar a crise em que vivemos. É mais um que Passos Coelho atira para fora do país, relatavam as televisões.

A forma como este tipo de atitudes são aproveitadas para criticar quem nos governo é lamentável. No entanto, acho que foi isso que o histórico cantor quis com esta sua aparente saída de Portugal. Digo aparente, porque Fernando Tordo vai voltar a Portugal para fazer concertos. Ora, então não estava zangado com o país e agora vem angariar dinheiro? Não o pode fazer no seu novo lar? Ou na sua nova residência, o cantor Fernando Tordo não é reconhecido como figura pública e distinto cantor?

Acho é um indecência a propaganda feita por alguém que estava no baú e agora pretende renascer para os media e por isso inventa histórias de descontentamento com o país, mas no fim de contas precisa do mesmo país para encher os seus bolsos. 

Tenho a certeza que Fernando Tordo está mortinho para voltar a Portugal e ser recebido no aeroporto pelos fotógrafos e jornalistas que decidiram vergonhosamente dar cobertura a um tema sem interesse nenhum. 

Seguro não vai poder fugir

A partir de agora António José Seguro não tem escapadela possível. Angela Merkel conta com ele para ajudar Portugal a sair, não só do programa da troika, mas para fazer do país um lugar onde se possa respirar melhor e sem menos austeridade. 

Tenho a convicção que o líder socialista não se vai mostrar teimoso como tem sido com o primeiro-ministro. Teimoso não, mas eleitoralista, o que se compreende. No entanto, a voz de Merkel tem outro alcance até porque Seguro só terá uma oportunidade para ser líder do governo, e se o for (espero bem que não), terá de continuar a aceitar as propostas vindas de Berlim. É verdade que nenhum primeiro-ministro tem mostrado firmeza perante a chanceler alemã, mas Passos Coelho tem tido uma atitude diferente daquela que Socrátes tinha, no que às relações Portugal-Alemanha diz respeito. 

Não estou a ver Seguro com aquele ar de pau mandado a fazer frente à chanceler. Passos Coelho ao menos não mostra publicamente uma imagem de submissão. Esta pequena diferença também é importante na hora de escolher o próximo primeiro-ministro português. 

terça-feira, 18 de março de 2014

Um grande dia para Vladimir Putin



Vladimir Putin teve hoje um dia em grande. A sua declaração sobre a anexação da Crimeia à Rússia diz tudo sobre a força que o actual Presidente tem neste momento, muito superior até que o próprio Barack Obama. A Rússia é hoje uma super potência que tem como aliado principal a China, que nem por um momento se mostrou contra o referendo de domingo. 

Com os Estados Unidos pouco visível e a UE sem rei nem roque, a Rússia vai demonstrando a sua força não só no plano militar, mas sobretudo no campo político. Putin venceu a questão da Crimeia e agora não há nenhuma maneira daquela região fazer parte da Ucrânia. É verdade que há questões territoriais, mas isso não é o mais importante porque conta é o sentimento do povo e a sua vontade. Se antes do conflito em Kiev já havia um nacionalismo russo, agora há muito mais. O presidente Putin não fez mais do que proteger o seu povo dos fascistas que tomaram o controlo de Kiev. Não se pense que outras regiões russófonas vão ter o mesmo tratamento dado à Crimeia. Desta vez nem as vozes de Berlim, Washington, Londres ou Bruxelas são suficientes para parar Putin. Na minha opinião o presidente esteve muito bem na atitude que tomou, pois era previsível que os habitantes da Crimeia viessem a sofrer pelo que aconteceu no princípio de Fevereiro. 

A outra grande vitória de Putin foi a morte do líder checheno, Doku Umarov. Com esta notícia, o presidente pode ter menos receio de uma revolta na região da Chechénia que luta há anos pela independência. Ora, depois de ter apoiado a autonomia na Crimeia, Putin tinha de resolver um problema com a reivindicação dos chechenos, mas com a morte  do seu líder, haverá espaço para negociações. 

O que separa PS e PSD há 40 anos

Eu não percebo como é que em Portugal os dois maiores partidos políticos não conseguem chegar a acordo relativamente a várias matérias de interesse nacional. Não se trata de amarrar os partidos a documentos ou princípios estabelecidos, mas encontrar caminhos sustentáveis para que o presente e o futuro do país sejam melhores. Ao Governo cabe encontrar as soluções adequadas e a oposição é responsável por encontrar alternativas credíveis ao proposto pelo executivo. 

Em Portugal PS e PSD sempre foram mais inimigos do que partidos rivais. Esta rivalidade não faz sentido num quadro parlamentar onde apenas dois partidos podem governar o país quando conquistam a maioria absoluta. Acontece que numa situação de minoria parlamentar, aquele que estiver no governo vai necessitar sempre da ajuda do outro, em particular os socialistas que nunca irão fazer uma coligação com o BE ou o PCP. 

Não entendo esta atitude do PS relativamente ao futuro do país, já que o PSD de Passos Coelho por diversas vezes suportou o governo liderado por José Sócrates. Não custa nada ao PS dizer cá para fora que vai colaborar no sentido de conduzir o país a um futuro melhor, em vez de passar uma mensagem de pessimismo. 

É visível que o líder do PS pretende romper com algumas reformas que estão a ser feitas pelo governo PSD-CDS quando eventualmente chegar ao poder, contudo isso não vai ser possível pelo facto de isso em política ser difícil e também porque tem custos para o Estado. No entanto, o actual secretário-geral socialista jamais será primeiro-ministro deste país. Pelo menos, enquanto Cavaco Silva for Presidente da República.

segunda-feira, 17 de março de 2014

A luta pelo poder inclui o Sporting

Bruno de Carvalho diz que o golo do Sporting frente ao FCP "não se trata de um erro grosseiro", mas admite que possa ser fora-de-jogo. 

Ora, o actual presidente leonino não é só presidente de um clube mas também comentador de arbitragens e analista futebolístico. Todas as segundas-feiras o líder do Sporting vai fazer uma abordagem à actuação do árbitro responsável pelos jogos do clube no fim-de-semana. 

Esta atitude do presidente leonino é muito semelhante com a que Pinto da Costa adoptou durante muitos anos, o que leva a crer que Bruno de Carvalho quer implementar um estilo dentro do aparelho. Não se trata de queixar por queixar, mas de querer protagonismo, quer o clube vença quer perca o jogo do fim-de-semana. O presidente leonino quer tornar-se num membro incómodo na defesa dos interesses leoninos. 

A estratégia de Bruno de Carvalho é outra, porque assim tira audiência ao FCP que nos próximos dias vem abordar o polémico lance que afastou a sua equipa do 2º lugar e do acesso directo à Liga dos Campeões. Quando Pinto da Costa vier a público falar sobre o lance já não vai ter direito a capa nos jornais. 

O que Bruno de Carvalho quer não é só falar dos árbitros, mas começar a crescer dentro do futebol e das suas estruturas. O presidente pretende ser ouvido em qualquer circunstância. O Sporting, e em particular Bruno de Carvalho, reentraram na luta pela conquista do poder no futebol português.

Para já a guerra é só entre Sporting e FC Porto, mas na próxima temporada é bem provável que o Benfica faça parte, até porque todos começam com zero pontos e o Sporting voltou à luta pelo primeiro lugar. 

Segue-se a via diplomática

Cerca de 95,5% da população da Crimeia votou favoravelmente à integração na Rússia. Perante este resultado não pode haver outro cenário que não a aceitação por parte de Kiev e da restante comunidade internacional dos resultados de ontem. Se o resultado fosse equilibrado ainda haveria questões por colocar, no entanto, nem a minoria tártara que vive na região consegue fazer valer o seu estatuto. 

Em termos de sentimentalismo e nacionalismo nada mudou desde o tratado de Budapeste, pelo que não é por haver um acordo que as pessoas se vão sentir ucranianos. A população sente que pertence e sempre pertenceu à Rússia e o referendo de ontem foi uma prova disso. Kiev, Bruxelas e Washington têm de compreender e aceitar este facto e não será pela imposição de sanções que o sentimento se vai alterar. Não vai haver guerra porque as tropas russas já protegem a população da Crimeia há muito tempo, embora só agora tenham saído da toca, mas isso foi uma atitude de conservar a segurança dos russos. 

O pior perigo que pode advir do resultado de ontem está relacionado com o sentimento da população que vive no leste da Ucrânia. Este facto pode originar uma divisão no segundo maior país da Europa, mas não creio que isso vá acontecer. 

Não acredito que vá haver conflito militar na Crimeia e acho que uma atitude desse género por parte de Kiev ou Washington será incompreensível. Na minha opinião, todos os problemas relativamente a direitos do povo da Crimeia deve ser tratado de forma diplomática. Penso que será a próxima via, no entanto, acho que a Crimeia deu ontem um passo para se tornar uma região independente e o referendo foi uma forma de deixar Kiev fora-de-jogo. 

Era esta a justiça que Seguro queria?

Ao contrário do que sucede noutros países, como é a Alemanha, a justiça em Portugal não funciona e por este andar nunca irá caminhar para um sentido positivo. O caso da prescrição em redor dos julgamentos do BPN, BPP e BCP chocam qualquer pessoa que queira recorrer à justiça para resolver os seus problemas.

Os banqueiros Jardim Gonçalves, João Rendeiro e Oliveira Costa podem deixar de pagar milhões de euros em multas porque os seus processos que estão na justiça já podem ter prescrito, em certa medida por erros cometidos pelo Banco de Portugal mas também pelo Ministério Público. 

António José Seguro propôs criar um tribunal especial para investidores estrangeiros que quisessem intervir em Portugal, de forma a que os processos não demorassem muito. Eu não sei se o secretário-geral estava a incluir também condições especiais para certas determinadas figuras nacionais que não podem ser julgados como cidadãos normais. Em vez de termos de assistir a este triste espectáculo, o tribunal para ricos construía as suas próprias regras e assim ficávamos todos felizes e contentes, porque já sabemos o que esperar e não vale a pena continuarmos a brincar à justiça. Esta gente faz um aparato em relação aos seus processos para depois encher o peito pelo facto de sair ilibado de forma ilegal e imoral. 

Se o secretário-geral do PS quer ser governo e dar instrumentos aos poderosos para escaparem à justiça, então o meu voto será noutro partido que não os socialistas. No entanto, a ideia de Seguro acaba por fazer sentido num país onde a justiça é o principal factor de desigualdade social e económica. 

domingo, 16 de março de 2014

Knock-Out FCP

Vitória justa do Sporting perante um FCP sem ambição, que não deixa a pele em campo e tem uma defesa de papel. Com este resultado, os dragões estão definitivamente afastados do título (podem ficar a 12 pontos! do título. Ora, para sabermos se o Sporting ainda é candidato ao título é preciso que o Benfica jogue com o Nacional. Sendo que os encarnados ainda têm de ir a Braga, é muito provável que  uma vitória no reduto dos madeirenses deixe o Benfica com o título à vista. Mas nada de festejar antecipadamente!

É verdade que o Sporting ganhou mas não é mentira que o golo leonino foi obtido em fora-de-jogo. Se houvesse coerência Bruno de Carvalho fazia uma conferência de imprensa amanhã e Leonardo Jardim dizer que o clube tem o recorde mundial de golos obtidos em fora-de-jogo (jogo com o Benfica em Alvalade, lembram-se?). Só por uma questão de coerência e honestidade, mais nada....


Diz que é uma espécie de clássico decisivo

O clássico de hoje vai ser decisivo. Na luta pelo segundo mas também na questão do título. As consequências dos três resultados possíveis já são conhecidas e não vale a pena recordar a poucas horas antes do desafio. 
Embora o jogo no relvado seja o mais importante, a verdade é que este clássico ganha contornos decisivos também por causa da arbitragem. Qualquer erro vai levantar suspeita e um resultado que não saia da legalidade do jogo vai causar indignação de um lado e do outro, e tenho a certeza que no final o Benfica vai ser objecto de ataques. 

Há muito que um clássico SCP-FCP não era fundamental para o Benfica, isto mostra o quanto o clube encarnado anda longe da liderança, mas também da confortável situação de poder festejar o título antes da última jornada para se dedicar às outras competições. Foi assim que o FCP de Mourinho e Villas Boas conseguiram vencer as competições europeias e também é desta forma que muitos clubes europeus conseguem ganhar mais do que um título por temporada. Quando assim não acontece....

Olhar a Semana - Cenários em aberto após o SIM no referendo da Crimeia

Os habitantes da região autónoma da Crimeia vão hoje votar em referendo a integração na Rússia. Em 1964, Ucrânia e Moscovo acordaram, de acordo com o tratado de Budapeste, que a Crimeia faria parte do segundo maior país da Europa, mas que as tropas russas poderiam ficar instaladas na região até 2045.

Em primeiro lugar o resultado de hoje significa o fim do tratado de Budapeste e das relações de paz entre Kiev e Moscovo, mas não só. A tensão entre a Rússia e a Europa e os EUA será uma evidência após o dia de amanhã. E estou a falar apenas do campo diplomático. Muitos analistas falam das comparações com a Chéchenia e outras regiões, contudo o que está hoje em causa é a integração de uma região num país e não a independência da Crimeia. Esse assunto poderá ser discutido lá mais para frente, quando Moscovo estiver instalado em Simferopol sem o ruído internacional, mas por agora o que se discute é a saída das mãos de Kiev e o regresso às origens. 

O Sim vai ganhar hoje, pelo que é importante prever cenários.

Moscovo vai aceitar o resultado, mas Kiev, Washington e Bruxelas não. Para não haver conflito armado, é preciso que a Ucrânia, UE e os EUA não utilizem a via armada para tentar devolver a Crimeia à Ucrânia, pelo menos do ponto de vista constitucional. A questão que se coloca é saber qual destas três "personagens" vai dialogar com a Rússia e o Presidente Putin, uma vez que o presidente russo já disse que não se senta à mesa com Kiev e não há "acordo" entre a Rússia e os EUA. Este é o cenário de conflito diplomático.

O segundo cenário é o conflito armado. A Rússia já se preparou para um eventual ataque contra a vontade da Crimeia manifestar a vontade fazer parte do território russo. Neste caso, os EUA estarão na linha da frente do combate militar, cabendo à UE e a Kiev um papel secundário, já que não têm força para fazer face às forças russas. A UE pode tentar um papel fundamental ao aplicar sanções económicas a Moscovo.

O terceiro cenário, e o menos provável, é o facto de todas os agentes envolvidos nesta crise reconhecerem o resultado do referendo. Com esta hipótese tudo fica na mesma, e só o território da Ucrânia sofre uma pequena redução, mas poderá haver exigências no leste do país, e este facto é o que mais preocupa os novos membros do governo ucraniano. Contudo, Kiev e Washington já disseram que não vão aceitar qualquer resultado do referendo, pelo que voltamos ao primeiro cenário descrito acima. 


sábado, 15 de março de 2014

Figuras da Semana I

As figuras desta semana são:


Em cima:

Uli Hoesness - presidente do Bayern Munique: O dirigente do maior colosso alemão foi condenado a uma sentença de 3 anos por fuga aos impostos. Hoesness não usou o seu direito de recorrer e anunciou que vai cumprir a pena. Este caso é uma prova que a justiça alemã funciona e que quem prevarica aceita com toda  a normalidade a sanção que lhe é imposta, mesmo tendo direito a recorrer da decisão. O mais impressionante é o exemplo que Hoesness dá a todos, em particular a muitas pessoas cá do burgo. Pagar impostos não devia ser objecto de fuga mas um cumprimento de um dever. No entanto, em Portugal quem foge aos impostos tem direito a tudo e mais alguma, ainda por cima são aqueles que têm mais rendimentos os principais prevaricadores. Passos Coelho disse recentemente que em Portugal só 40% das pessoas é que pagam impostos. Ora, vamos meter os restantes 60% na prisão?

No Meio

Cavaco Silva - O Presidente da República voltou a meter a foice em seara alheia. Os comentários em relação à forma como Portugal deve sair do programa de ajustamento devem ser evitados, até porque isso é matéria exclusiva do Governo e não para ser partilhada com o PR. Quem conhece os dossiers é o executivo e Cavaco tem apenas um conhecimento privilegiado das negociações com a troika. É nestas alturas que Cavaco não consegue despir o fato de primeiro-ministro. 

Por Baixo

Movimento Basta - Podia fazer uma referência negativa ao Sporting mas também ao seu presidente, Bruno de Carvalho, mas prefiro criticar o nascimento e a oportunidade do "movimento basta", alegadamente um movimento defensor das posições do Sporting e que amanhã vai fazer um comício no Estádio de Alvalade antes do clássico. Penso que é uma excelente forma de fazer pressão para quem vai apitar o jogo, contudo o clube leonino está a outra vez a tentar desculpar as suas más exibições com as arbitragens. Para bem do Sporting é melhor o clube não ganhar já o campeonato este ano. A criação do Movimento roça o ridículo e faz temer o pior.

Figuras da Semana

Hoje iniciamos uma nova rubrica. Todos as semanas vamos eleger três figuras que se destacaram durante a semana. Iremos atribuir cada um tendo em conta o que de bom, medianamente ou de mau fizeram. As qualificações vão ser:


  • Em cima - Aquela personagem que se destacou durante a semana pela positiva. Quem, com os seus actos, proporcionou melhorias no assunto que tem em mãos. No fundo, aquele que se destacou mais e obteve mais méritos. 
  • No meio - Há quem diga que no meio é que está a virtude. Quem se encontrar "no meio" é porque não teve uma prestação positiva nem negativa. A sua conduto pode originar factores positivos mas também é possível que encontre soluções negativas. 
  • Por baixo - Normalmente quem acaba por ficar por baixo de uma situação é porque actuou mal. Não teve bem e por isso merece uma reprimenda. É o mesmo que lhe ser atribuído um sinal vermelho ou uma medalha de lata.

Hoje vamos dar a conhecer os primeiros nomeados. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

a guerra diplomática segue dentro de momentos

Foto: John Kerry e Serguei Lavrov em Londres


Estados Unidos e Rússia não chegaram a acordo esta sexta-feira relativamente à situação na Crimeia, no entanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo confirmou que Moscovo não vai atacar o leste da Ucrânia, bem como respeitar o resultado do referendo que se realiza no domingo na região da Crimeia. Por seu lado, John Kerry também adiantou que os EUA não irão aceitar qualquer votação que saia do escrutínio popular daqui a dois dias. 

Temos duas posições firmes mas que se opõem uma à outra, pelo que qualquer que seja o resultado do referendo na Crimeia é provável assistirmos a um conflito, ainda que não atinja proporções de guerra mundial. É certo que no próximo domingo a maioria dos habitantes da Crimeia vão votar a favor da integração da Rússia, até porque não querem liderados pelos fascistas de Kiev. Depois disso poderão haver movimentações do lado ucraniano e russo, mas também dos EUA. Contudo, acho que esta crise vai ser resolvida pela via diplomática.  

A melhor solução é criar um estatuto pessoal para a região, mas isso já existe. Em meu entender, os russos pretendem reforçar os poderes na região que lhe garantam a manutenção do controlo no Mar negro, factor essencial para impedir qualquer "estrangeiro" de se aproveitar economicamente daquela zona. 

Moscovo não quer os novos donos do poder a tomar conta da Crimeia e sem a almofada Yanukovich é preciso arranjar um argumento forte para impedir Kiev de ter ideias que não se estendam ao seu território. 

O homem por detrás do lider

Por detrás de um político está sempre um homem, um ser humano, que tem os mesmos sentimentos e gostos do que o comum dos mortais. A única diferença que separa um líder dos demais é a responsabilidade que tem de executar as suas ideias e o facto das suas decisões implicarem alterações na vida dos outros. É por isto que o comum dos mortais entende que um líder não olha a meios quando pretende atingir um fim. Por exemplo, em matéria de acções militares, os presidentes ou primeiro-ministros são responsáveis pelo destino de milhares de vidas, no entanto, a decisão "política" nunca é fácil e mexe sempre com os sentimentos de quem decide, embora muitas pessoas achem o contrário. 

Não obstante o sentimento em relação a algumas decisões tomadas, há sempre uma personalidade que está na base da decisão. A julgar pelas fotografias, é um facto que George W.Bush e Barack Obama têm atitudes diferentes, mas nenhum deles descarta a possibilidade de resolver uma crise política através do envio de uma força militar. E quem diria que o actual presidente norte-americano é um adepto das selfies e não pode ver uma saia à frente? Pois, a imagem política é totalmente daquela que as câmaras de televisão ou uma objectiva pode captar. 

Na era moderna e da comunicação é importante que um líder saiba passar a mensagem que está integrado na sociedade, que não uma pessoa fechada nos problemas do país ou do mundo e, mais do que isso, é sensível aos problemas reais das pessoas. Quem não tiver estas características não fará parte da história.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Um Papa preocupado em unir as pessoas

Georgio Bergoglio foi eleito Papa há um ano, tendo escolhido o nome Francisco I para ser conhecido pelo mundo católico. As suas acções como líder da Igreja Católica fascinaram e surpreenderam o mundo, já que o seu antecessor, Bento XVI era o contraste do novo sumo pontífice. 

O Papa começou por marcar a diferença nos gestos e afectos. Não entrou com um grande discurso nem com teorias desmedidas, mas aproveitou por conquistar os fiéis através de simples atitudes que ganharam respeito um pouco por todo o mundo. Não foi por acaso que Francisco I começou assim, uma vez que um corte com o passado iria atrair também a comunicação social. Os media difundiram em primeiro lugar os gestos de um Papa que se dizia humilde e sem apego aos bens materiais, normalmente concedidos aos líderes católicos por força da sua posição. 

Ao longo deste primeiro ano, o Papa argentino foi difundido a sua mensagem e opinando sobre temas como a homossexualidade, abuso sexual de menores na Igreja e sobretudo, pedindo às pessoas que tenham compaixão pelo outro. Ao contrário do que aconteceu com João Paulo II e Bento XVI, a mensagem de Francisco I nunca foi política porque em momento algum condenou qualquer governo ou política. De forma inteligente, Francisco preferiu unir o mundo através de mensagens relacionadas com o respeito entre as pessoas. De facto, mais do que os problemas políticas, as guerras, a fome em África, a corrupção, o que tem mudado a nossa "civilização" é a falta de consideração que um ser humano tem pelo outro. Nestes termos é normal que haja mais conflitos, corrupção, violência, desrespeito pela integridade física dos menores. 

Na minha opinião a mensagem de Francisco tem sido a correcta. Aborda questões que são muito importante a nível mundial mas sem se intrometer na vida interna dos países. A aposta é tentar mudar os comportamentos negativos que tem afectado as relações entre as pessoas e, como consequência disso, a origem de problemas sociais, económicos e políticos. 

Não estamos perante um Papa intelectual ou de massas, se bem que a popularidade de Bergoglio tem vindo a aumentar, mas acho que a Igreja neste momento deve estar preocupado em questionar a falta de valores impostos à pessoas. Espero que Francisco continue a transmitir esta mensagem.

Á terceira não será de vez


Mitt Romney vai ser candidato às presidenciais de 2016. A julgar pelos rumores de que estará a reunir os conselheiros políticos, o ex-governador do Massachussetts prepara a sua terceira tentativa para entrar na Casa Branca. Romney parece Pedro Santana Lopes que não percebe o facto de em política só se pode ser candidato a um cargo uma vez, porque se perdemos quer dizer que a maioria não nos escolheu. A razão da "rejeição" não tem nada a ver com o outro candidato, mas com as nossas propostas e ideias, e algumas vezes com a personalidade. 

Este princípio vale para a política como para os restantes cargos da sociedade. É verdade que Passos Coelho foi eleito presidente do PSD à segunda tentativa, mas o actual primeiro-ministro recolheu uma dose de simpatia quando concorreu contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes. Há excepções que resultam, mas a regra é que não há milagres políticos à segunda tentativa.

Se concorrer duas vezes ao mesmo cargo é mau, fazê-lo uma terceira vez ainda é pior e demonstra que a pessoa já está por tudo para ganhar o lugar e isso não deve ser um princípio em política. É certo que Romney chegou mais longe da segunda vez do que da primeira, e no pensamento do antigo governador está a possibilidade de chegar ao topo na terceira tentativa. Não é por acaso que existe um ditado famoso para estas situações. No entanto, em política as coisas não funcionam assim. Um verdadeiro líder ganha à primeira e sem contestação, com a maioria dos votos. Outro aspecto importante é o facto de Romney ter de vir a enfrentar Hillary Clinton, mas esta também já é a segunda vez que irá participar na corrida presidencial.


quarta-feira, 12 de março de 2014

A revolta dos coitadinhos do futebol



Infelizmente ando a escrever bastante sobre o Sporting nos últimos tempos. Não que eu seja um anti-lagarto mas porque entendo que os dirigentes do Sporting se desculpam com as arbitragens perante o insucesso. Sim, escrevi insucesso porque os responsáveis leoninos acham que estar em 2º lugar nesta altura é mau. Tenho ouvido vários comentadores ligado ao Sporting e todos dizem que a estratégia da direcção é errada, porque não está a elogiar o bom trabalho que tem sido feito por Leonardo Jardim e a sua equipa. É um facto que Benfica e Sporting estão a anos-luz um do outro e o recente derby bem como a eliminatória da Taça de Portugal mostraram quem é o mais forte no plano desportivo. Este é o único que interessa analisar, apesar das queixas do Sporting no jogo da Taça. Os dirigentes leoninos têm memória curta e esquecem a forma como o Sporting marcou no primeiro jogo entre os dois clubes em Alvalade....

Esta direcção parecia ir no bom caminho mas tem embarcado na mesma onda de outros dirigentes. Ao mínimo deslize dos árbitros começam a protestar. E quando iniciam o protesto já não há quem os pare, porque eles (Sporting) são sempre os coitadinhos e nunca vão poder ser campeões porque o Benfica e o FC Porto é que controlam o dito poder. Quando os responsáveis directivos lançam o primeiro ataque, os adeptos correm em massa e chegam ao ridículo de criar o Movimento Basta. e de organizar comícios como se a luta pela verdade desportiva fosse como a obtenção do poder na política. Porque não vão todos para o Marquês de Pombal? Desde que saiam em Maio para deixar os adeptos benfiquistas festejarem.....

 Bruno de Carvalho deu o mote para a revolução e os adeptos vão cumprir as ordens do general. Pensava que o líder leonino era diferente, mas não. É bastante pior porque comporta-se como um adepto, quando na realidade é um dirigente com responsabilidades e não pode ter este tipo de comportamentos. É preciso perceber quais as origens do actual presidente....

Os adeptos leoninos que criaram este movimento estão a prestar um mau serviço porque a sua iniciativa parece um braço na luta contra qualquer erro ou suspeição relacionada com nomeação de árbitros. O futebol não precisa destes movimentos e o Sporting não precisa de se desculpar com as arbitragens quando perde já que está a realizar uma excelente temporada e qualquer excesso de confiança pode levar a que este projecto caia por terra, uma vez que se o Sporting for campeão este ano, terá obrigatoriamente de o ser na próxima temporada, o que aumenta a responsabilidade de Leonardo Jardim. E mandar embora Jardim pode ser o maior erro, ainda para mais se for devido a pressões dos adeptos. 

O discurso dos dirigentes do Sporting, dos seus adeptos e de alguma comunicação social ligada ao clube, é de coitadinho. Parece que são sempre os mais prejudicados, mas não percebem que para se ganhar é preciso ter bons jogadores. Os erros de arbitragem não podem esconder os erros de gestão cometidos durante vários anos e que levaram o clube à situação desportiva da temporada transacta. Bruno de Carvalho está a perceber que os sócios são exigentes e vão pedir o campeonato, e como sabe que o Sporting não tem as mesmas condições que Benfica e FCP, o presidente prefere desviar este problema do que enfrentar os adeptos com esta realidade. 

A campanha para o referendo já começou

A campanha para o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia já está em marcha, muito antes da campanha para as próximas legislativas britânicas que se realizarão em 2015. Caso o governo de David Cameron mantenha o poder a consulta popular vai ser uma realidade em 2017, como se pode notar pelo cartaz apresentado. 

Esta propaganda dos Conservadores surge depois de Ed Miliband, líder do Labour, ter vindo anunciar publicamente que não vai haver referendo caso o antigo partido de Tony Blair vença as eleições do próximo ano. Embora os Liberais-democratas liderados por Nick Clegg estejam no governo com os Conservadores, é público que o 2º partido da coligação governamental britânica entende que a "população vai votar contra a saída da UE". 

Há muitos analistas em Londres que entendem o eurocepticismo de Cameron, não para saír da UE mas para dar a oportunidade às pessoas de se pronunciarem. À semelhança do que fez em relação à independência da Escócia, o actual primeiro-ministro pretende uma clarificação popular sobre os temas que dividem a sociedade escocesa e inglesa. 

David Cameron está a usar esta questão para pressionar a Europa a fazer reformas, mas também para reforçar os poderes do Reino Unido na UE e juntar-se à França e Alemanha, mas o melhor seria mesmo expulsar os franceses da liderança europeia. 

Mesmo que o Labour vença as eleições, o que eu acho improvável, Ed Miliband não devia ter tomado esta posição quando ainda falta um ano para as legislativas e três para o dito referendo. É que se Miliband for o próximo primeiro-ministro vai ter a comunicação social e a população a exigir uma consulta popular sobre a matéria, até porque não há sinais de Miliband vir a ser um bom defensor do Reino Unido na UE. 


geração "relação virtual"

A ideia é criar um evento e convidar o máximo de pessoas possível. Mesmo que ninguém apareça o mais importante é que manifestem essa intenção virtualmente. Ainda por cima a lista de convidados parece ser interessante, uma vez que as fotografias assim o demonstram. 

No dia de anos vou mandar um mensagem virtualmente porque está fora de moda mandar um sms ou sequer fazer um telefonema, até porque uma mensagem no Facebook não tem qualquer custo. E como estamos em época de crise o melhor é seguir as sugestões do governo. O mesmo acontece no Natal e no Ano Novo onde as tradicionais mensagens ou postais foram substituídos pelos "likes" e "comments". Será que o telemóvel também vai ficar em desuso?

A amizade é mais virtual do que pessoal já que passamos mais tempo ao computador do que sentados no café a conversar. É verdade que quem trabalha precisa do PC e as horas tardias com que se sai dos deveres profissionais obriga a que o contacto com os amigos esteja reservado para o fim-de-semana. E a conversa gira em torno dos sentimentos e reflexões que se vão colocando nos respectivos murais. Hoje já não se acaba uma relação de forma pessoal, bastando tirar a pessoa da lista de amigos. Desta forma é possível esquecer traições, gestos mal interpretados e outro tipo de situações porque também isso é-nos transmitido pela rede social. 

O que dizer da promoção de um projecto, de uma ideia ou uma imagem? Esqueçam o site, uma página na internet. O mais importante para ser mostrado está na página e o sucesso desta depende também do número de fans, mas também dos comentários que eles vão fazendo cada vez que mostramos um bocadinho da nossa vida íntima. Deve ser frustrante para quem não tem um fan sequer. 

Vou de férias mas tenho de mostrar onde estou, com quem estou. Tenho a sensação que dificilmente vou aproveitar o descanso já que preciso o que andam a fazer os meus amigos que estão a trabalhar. Não chega a companhia de uma pessoa, mas é preciso dizer ao mundo o quão bom é o hotel ou a praia em que mergulhei.

Todos criticamos certas posturas provenientes do uso das redes sociais, mas a verdade é que estamos sujeitos a viver com ela todos os dias.

terça-feira, 11 de março de 2014

Que grande crença!

O clássico de domingo entre Sporting e FC Porto já está a dominar a semana desportiva, isto porque hoje foi conhecida a nomeação de Olegario Benquerença para apitar o desafio. O ditado diz que como qualquer ser humano o árbitro pode errar e por isso o passado de Benquerença não interessa, mas é interessante fazer um histórico sobre os últimos clássicos apitados por este homem proveniente de Leiria. Essa tarefa de pesquisa está a cargo da comunicação social que amanhã e até ao próximo domingo vão analisar esta escolha.

Os adeptos já estão desconfiados desta nomeação e disso estão a dar conta nas redes sociais. Nesta altura do campeonato e depois das declarações de Bruno de Carvalho qualquer nome levanta suspeitas, sobretudo pelos sportinguistas, mas indicar Benquerença é dar motivo de conversa para a semana toda aos adeptos e à comunicação social, para não se falar do que está em causa. Olegario é mau mas não havia melhor, pelo que a opção recaiu no medíocre. 

Ao contrário do que se esperava no início da temporada, o jogo do título não é, mais uma vez o FC Porto-Benfica na última jornada, mas o Sporting-FC Porto deste domingo. O jogo corre o risco de ser muito mal arbitrado, no entanto, os responsáveis da FPF pensam de maneira diferente.

Manifesto dos Traidores

O manifesto de 70 notáveis que pede a reestruturação da dívida mais parece um manifesto de traidores, isto porque um dos signatários é Manuela Ferreira Leite. Não percebo como é que nesta altura têm a coragem de vir falar em alterar o que está programado, uma vez que faltam poucos dias para a saída da troika de Portugal. Para mim, este documento é um intenção de algumas pessoas mostrarem que estão vivas, mesmo depois de durante quase 3 anos terem criticado as opções do governo. Não é por acaso que entre os contestatários está também Francisco Louçã, uma possibilidade para Belém daqui a dois anos. 

Estas pessoas deveriam ter aparecido mais cedo e não se esconderem tanto por detrás das câmaras de televisão onde habitualmente fazem comentários políticos sem conhecerem a realidade dos números. Como é que alguém pode falar em adoptar a medida x ou y se não conhecem as contas do Estado e muito menos o programa de ajustamento? É um descaramento político estas pessoas ainda terem espaço mediático. 

Cavaco não sabe estar calado

O Presidente da República fala quando não deve mas não abre a boca quando o momento exige a sua opinião. Vem isto a propósito da opinião demonstrada por Cavaco Silva sobre a forma como Portugal deve sair do programa de assistência financeira. Ora, pensava eu que esta era uma matéria da exclusiva competência do governo mas também do Parlamento e na qual o PR não deveria fazer interferências. 

Tendo em linha de conta que a opinião presidencial é susceptível de causar várias interpretações bem como pressões junto dos orgãos executivo e legislativo, Cavaco não deveria ter emitido a sua opinião e omitido qualquer preferência institucional, embora a visão de um Presidente é sempre pessoal, visto que se trata de um cargo unipessoal. 

Porque fica Cavaco muito tempo calado quando o país precisa dele, como foi o caso da situação política em Julho 2013 e agora quando tem o dever de estar isento, faz ouvir a sua voz de Chefe de Estado ao impor uma saída do programa com ajuda cautelar. Estará o PR na posse de todos os elementos financeiros e económicos que lhe permitam dar uma opinião sustentada? Ou a sua teimosia é apenas pessoal e partidária? Cavaco Silva deveria ter ficado pela tentativa de reunir consenso entre os partidos políticos, no entanto os seus esforços esfumaram-se em Julho e a partir de agora nada há a fazer.

Em minha opinião Cavaco não está a prestar um bom serviço ao governo porque se defende um programa cautelar, está indirectamente a dizer que o executivo de Passos Coelho falhou os seus objectivos e dá razão a Seguro que continua a pedir eleições antecipadas se o governo optar pela via mais segura. 

Espero que o governo não se deixe influenciar por esta atitude de Cavaco Silva. Como dizia o antigo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, "saber quando nos devemos calar é uma das regras básicas da vida, mas também na política". 

Cavaco tem um problema porque não sabe estar calado quando deve e não fala quando é fundamental que o faça. Para mim não se trata de incompetência mas de pura estratégia política, o que não faz sentido quando Presidente nunca tem o lugar em risco.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Arbitragem tem de mudar

O fim-de-semana não correu bem para os árbitros. Já o fim-de-semana passado também houve polémica com a arbitragem. Não se pode atingir os homens do apito pela via mais fácil, que é chamá-los de corruptos. Por exemplo, o Sporting indignou-se (e bem) com a arbitragem de Setúbal e foi logo atirar culpas para o Benfica quando o principal beneficiado foi o FC Porto. Na próxima semana há um decisivo Sporting- FC Porto que vai determinar quem irá entrar directamente na Champions. No final do jogo nem leões nem dragões poderão imputar responsabilidades ao clube da Luz. 

Os erros de arbitragem foram graves e diversos. Foras-de-jogo, golos fantasmas e as habituais dúvidas nos lances dentro das áreas. Já defendi o uso de meios tecnológicos para avaliar as situações de dúvida em caso da bola passar ou não a linha de golo. No entanto, o caso em torno de Aaron Hunt volta abrir a questão e a possibilidade do vídeo abranger outros lances. Se o árbitro estava perto do lance e se enganou é porque a competência e qualidade dos árbitros já não é suficiente para avaliar um lance decisivo. A questão não tem a ver com os dois requisitos técnicos mas com a possibilidade de se poder acertar rumo à melhor decisão. E não me venham com a história de que o jogo tem de parar a meio, porque basta uma comunicação ao árbitro-vídeo do árbitro principal. E perante as repetições tira-se a dúvida. Não falo das possibilidades financeiras porque isso é outro assunto, mas acho que cada liga deveria poder optar pela forma como pretende melhorar a sua competitividade. 

Não é justo pagar menos e beneficiar mais

O princípio que tem norteada as políticas públicas nos últimos anos é que as pessoas pagam menos impostos mas pretendem ter mais benefícios. A utilização dos equipamentos públicos tem de ser racional e obedecer a vários critérios, entre os quais o rigor, disciplina e necessidade. Não é possível num país onde apenas 40% das pessoas pagam impostos ter serviços públicos de qualidade e que o Estado seja o garante da manutenção e investimento desses mesmos serviços.

Normalmente aqueles que reclamam mais Estado e não querem a intervenção privada em alguns sectores são os mesmos que não contribuem com o seu rendimento para a melhoria e capacidade de resposta dos hospitais, escolas, segurança social, melhor policiamento, serviço público de televisão....

Como é possível manter o Estado forte, coeso e financeiramente saudável se os próprios cidadãos desse Estado não o ajudam?

Em Portugal há muito a cultura do "grátis". Ora, a saúde tem de ser gratuita, a educação também, bem como outras áreas em que seria possível fazer funcionar a relação entre qualidade do serviço prestado vs lucro decorrente da actividade. Este é o pensamento da maioria das pessoas que têm responsabilidades políticas no aumento da dívida, devido ao facilitismo com que se entregou a gestão dos equipamentos públicos nas mãos do Estado, mas o próprio Estado não consegue que 60% dos seus cidadãos paguem impostos para ajudar a ter mais receitas. 

Sinceramente que fico chocado quando se defende que o objectivo do Estado não deve ser a obtenção do lucro mas a prossecução do interesse público. As duas realidades não são compatíveis? Penso que são, até porque é necessário pagar salários, pensões, manutenção dos equipamentos. O Estado pode e deve criar mecanismos para aumentar a sua receita. Porque senão vai ter de obrigatoriamente fazer cortes. E isso dói muito mais.

domingo, 9 de março de 2014

Prejudicado em benefício de quem?

É um facto que o Sporting foi bastante prejudicado em Setúbal, mas também não é mentira que os erros de arbitragem foram para os lados, pelo que não percebo o excitamento da comunicação social em falar apenas dos contra os lagartos. Será pelo facto do Sporting estar na luta pelo título?

Como é normal, os adeptos verde e brancos vão virar a sua raiva contra o Benfica, porque depois da descolagem do FC Porto, ainda sonhavam com um título que não estava programado para o início da época. 

Quem paga é sempre o velho rival da segunda circular, porque o Benfica é o alvo a abater, quer seja pelos adeptos portistas, quer pelos sportinguistas. E quando uma destas equipas disputa o ceptro com os encarnados, parece existir uma santa aliança azul-verde para que os lampiões não sejam campeões. 

Nenhum sportinguista pensou que quem pode estar por detrás dos erros de arbitragem é o FCP por uma simples razão: Se o FCP não entra directamente na Liga dos Campeões é um autêntico problema para as depauperadas finanças portistas, até porque nenhum jogador da actual equipa vai ser vendido a um preço exorbitante porque muitos dos actuais "players" vão ser despachados. Não se pode chamar incompetente ao árbitro que fez a maravilhosa arbitragem do jogo sadino.....

Por outro lado, já sabemos que Leonardo Jardim também fala das arbitragens no final dos jogos, porque quando toca a nós todos têm o direito de fazer uma avaliação sobre um membro do jogo. 


Share Button