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sábado, 31 de maio de 2014

Figuras da semana XII

Esta semana nesta rubrica vamos analisar a actual crise no Partido Socialista:

Por Cima:

António José Seguro -  O ainda secretário-geral socialista ganhou as autárquicas e as europeias. Ninguém lhe pode retirar esse mérito, apesar do último acto eleitoral a vantagem sobre a maioria governamental não ter sido por aí além. Até ao momento, o líder tem reagido bem à candidatura de António Costa. Não a tem valorizado muito e mais do que isso está a passar a mensagem de que é ele o comandante do partido, mas não só: Seguro quer continuar a ser candidato a primeiro-ministro. Tem legitimidade para ocupar o cargo porque foi eleito em directas. No fundo, o líder socialista não se assustou com o avanço de Costa e mostra firmeza no período mais difícil da sua liderança. Porventura, Seguro sabe que o "tempo" para António Costa ganhar as eleições já passou e por isso não está preocupado com o calendário. Na minha opinião, o actual secretário-geral não se vai livrar de ir a Congresso, mas acho que mesmo assim o líder socialista tem vantagem, não só pelas vitórias eleitorais, mas porque conhece o país. Outra coisa: Seguro está no parlamento e isso é uma vantagem para qualquer líder socialista, em particular, num momento complicado para o governo.

No Meio

Partido Socialista - Após uma noite eleitoral de união no seio do PS, na segunda-feira o partido começou a desmoronar-se. Quem diria que as críticas feitas por António Costa no domingo à noite iriam acabar numa candidatura. Durante a semana fomos assistindo ao anúncio de apoios, quer para Seguro, quer para António Costa. A divisão que há no PS mostra que o partido tem necessidade de um congresso para discutir a sua situação interna. Mais do que falar sobre o país, o PS precisa de olhar para si, para o que quer. E os depoimentos que foram tornado públicos ao longo da semana mostram isso. No entanto, falta saber o que pensam Sócrates e Mário Soares. É previsível que o ex-primeiro ministro dê o seu apoio a António Costa, mas acho que Soares vai ficar neutro nesta disputa.

Em Baixo

António Costa - Acho que o actual presidente da Câmara de Lisboa escolheu mal o timing para anunciar a sua candidatura. O ideal seria ir a jogo no ano passado quando tinha todas as condições para o fazer. Um ano depois, Seguro já venceu dois actos eleitorais e está em melhores condições de ser primeiro-ministro do que António Costa. Para já, o autarca não passa de um candidato a líder do partido. Caso seja eleito, tem de conseguir conquistar os portugueses, o que em menos de um ano é muito difícil, até porque não tem o parlamento para enfrentar o Primeiro-Ministro e o governo. Costa deveria esperar mais um ano e a derrota do PS nas legislativas para depois ser oposição durante quatro anos e, desta forma, conquistar a liderança socialista tendo o parlamento como palco. Costa foi desleal com Seguro e com o partido porque desuniu os socialistas num momento de vitória, mesmo que ténue. 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

TC é mais oposição ao governo do que o PS

Qualquer que seja a decisão do Tribunal Constitucional o governo não pode aumentar os impostos novamente para fazer face à decisão judicial. O país não comporta mais uma subida do IVA e muito menos do IRS. Tem de haver outra maneira de garantir o cumprimento do orçamento sem ser angariar dinheiro pelo lado da receita. 

Embora a decisão do TC seja fundamental para a sobrevivência política do governo, a verdade é que o PS está a fazer um favorzinho à maioria. Não podia António Costa esperar mais uma semana e lançar a sua candidatura mais tarde? Todas as noticias sobre a decisão do TC e/ou um aumento do IVA para 25% vão cair em saco roto, porque agora interessa discutir a liderança socialista, sendo que, quando Sócrates e Mário Soares entrarem na disputa eleitoral (por fora) será ainda mais mediático. 

Ao contrário do que tem acontecido com o PS, a verdadeira oposição a este governo tem sido os juízes que moram no Palácio Ratton. Vamos ver que desculpa ou que príncipio arranjam os magistrados para chumbarem pela terceira vez consecutiva o orçamento.  

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O imbróglio em que Sócrates meteu o PS

A candidatura de António Costa à liderança do PS vai criar mais uma imbróglio político, mas desta vez quem será atingido é o PS.

Se Costa tentar o Largo do Rato, terá de haver eleições antecipadas na Câmara Municipal de Lisboa. A lei não obriga a isso, mas da mesma forma que Carmona Rodrigues teve de ir a votos depois de Santana Lopes sair para primeiro-ministro, o mesmo príncípio vai aplicar-se ao PS. Ora, se Costa não vencer o Largo do Rato e o PS perder a CML, o partido socialista fica sem argumentos políticos para combater a direita. Com isto, as sondagens irão favorecer a maioria que continua calma no seu lugar a assistir a tudo isto. 

Acho que mesmo vencendo a corrida à liderança do PS, António Costa tem pouco tem pouco tempo para vencer o governo. O possível congresso e as directas só se realizarão perto do final do ano quando o governo já tem outras condições para pensar numa vitória eleitoral. Nessa altura as pressões para as legislativas realizarem-se o mais depressa possível vão surgir da parte do PSD e CDS. 

Acho que o principal problema do PS é o seu líder. No entanto, as pessoas não esqueceram que foi o partido socialista o principal responsável pela chegada da troika, embora não tenha aplicado a dose excessiva de austeridade. No fundo, os portugueses penalizaram o governo, mas também o executivo socialista que liderou o país de 2005 a 2011 e do qual António Costa fez parte. Na minha opinião, um ponto que joga contra António Costa é o facto de ser visto como o número 2 de Sócrates. Isso pode ser bom para consumo interno, mas mau quando o eleitorado a conquistar é o país. 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A bola sempre esteve ao lado de António Costa

A reunião entre Seguro e Costa decorreu num ambiente favorável ao actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Se o líder do PS não convocar um congresso extraordinário, António Costa trata de o fazer. Por aqui não haverá qualquer problema para António Costa, uma vez que a sua candidatura também teve em conta este aspecto: a certeza que Seguro recusaria um congresso e Costa tem os apoios suficientes para o convocar. 

Portanto, António Costa foi falar com Seguro para o colocar entre a espada e a parede, ganhando assim pontos nesta corrida à liderança do PS que promete ser entusiasmante. António José Seguro não pode escapar porque qualquer decisão que tome levará à disputa da liderança, coisa que não quer. Costa já está a ganhar pelo facto de Seguro ter de convocar o congresso sob pena de ser confrontado com a realização deste contra a sua vontade. 

Na minha opinião António Costa fez um jogada perfeita ao encostar Seguro às linhas, já que qualquer decisão levará a um congresso extraordinário. Em meu entender, Seguro deve marcar o congresso porque assim revela que não tem medo de ir a jogo. E uma pessoa que se mostrou confiante na noite eleitoral de domingo, tem de revelar que não tem receio de disputas internas, mesmo que esta venha fora de horas. No entanto, o que mais interessa neste momento aos militantes socialistas é ter a melhor figura possível para disputar as legislativas com a maioria que governa. Perante este cenário é muito provável que PSD e CDS comecem a trabalhar no sentido de irem coligados às legislativas de 2015. 

O bailarico criado em torno da liderança socialista neste momento tem um vencedor que é António Costa. O líder da câmara de Lisboa conseguiu o que queria: ganhar as eleições na CML, apoiar António José Seguro nas autárquicas e nas europeias e avançar no momento de fragilidade para o actual líder socialista. Na minha opinião para ficar com tudo, a António Costa basta ter o apoio de José Sócrates e Mário Soares. 

O local escolhido é o Vaticano

A atitude do Papa Francisco I perante o problema israelo-palestiniano é bastante positiva. Na minha opinião as negociações tendo em vista a paz só podem ocorrer em terreno neutro, sendo que, nem os EUA nem qualquer outro país árabe, deverá ser palco da tentativa de alcançar o cachimbo da paz. 

O Vaticano deve servir para que os líderes das duas partes se sintam à vontade para falar, negociar e exigir a outrem um compromisso. É óbvio que muitos palestinianos são muçulmanos e em Israel a maioria é judaica. Por isto tudo, não há melhor lugar para um encontro entre as partes envolvidos. No entanto, coloca-se a questão do Hamas e da Fatah estarem unidos. 

Acho que o Vaticano não deve excluir o Hamas e receber o grupo de forma digna. Penso que o Papa fez esta oferta por duas razões. Em primeiro lugar para que não haja mais sangue, e em segundo para não haver exclusões políticas bem como pressões internacionais, quer de um lado quer do outro. Francisco I deve tratar o Hamas, da mesma maneira que irá receber os líderes israelitas e Mahmoud Abbas. 

O sinal positivo pelo Papa tem tudo para ter um final feliz, mas agora é preciso haver mais vontade do que nunca. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Diversão à moda do PS

Eis que um dois depois da vitória do PS nas eleições europeias, António Costa anuncia que vai ser candidato à liderança do PS contra Seguro. Terá de ser assim porque ser líder da oposição em tempo de vacas gordas não é aquilo que alguém deseja. A ser assim vamos ter eleições no PS antes do grande momento que são as eleições legislativas. E será no Largo do Rato que haverá mudanças e não na São Caetano à Lapa ou no Caldas. Quem diria que após 3 anos de austeridade bruta seria o partido socialista alvo de confusão interna. E logo após duas vitórias eleitorais consecutivas que ditaram o pior resultado de sempre para a maioria que governa o país. Sendo que em muitos casos nas autárquicas e nas europeias houve coligação pré-eleitoral. 

O que está mal no PS para surgirem um choro de críticas após "uma vitória eleitoral", como qualificou o secretário-geral do partido na noite de Domingo. 

Em primeiro lugar o líder. Seguro nunca foi um socrático, pelo que nunca recolheu o apoio dos barões nem do grupo parlamentar. O suporte do actual líder socialista vem das bases, da máquina partidária, da maioria e das federações socialistas espalhadas um pouco por todo o país. 

Em segundo lugar o PS parece o Sporting. Os notáveis estão sempre à espera de uma derrota do líder para ter um pretexto para provocar eleições antecipadas. O problema é que Seguro não teve nenhuma derrota, embora nas europeias tenha conquista uma "vitória pífia", de acordo com Luís Marques Mendes. No entanto, o primeiro factor faz com que justifique o segundo. 

Em terceiro lugar António Costa é um mito, tal como era Manuela Ferreira Leite. Por estes motivos o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa nunca teve coragem para avançar, sobretudo contra Seguro porque este controla o aparelho, embora não tenha poder sobre os comentadores televisivos. Na minha opinião, António Costa não ganha a Seguro e muito menos as legislativas. O líder da câmara lisboeta pode ter imensas qualidades, mas tem os mesmos vícios de José Sócrates. 

Por tudo isto, o avanço de Costa é precipitado, mas acho que o presidente da Câmara lisboeta tem de avançar se quer ser primeiro-ministro no curto prazo. Ou então espera pelas legislativas do ano que vem e fica na oposição durante quatro anos. Esta seria a melhor solução para António Costa porque assim consegue construir uma oposição, uma vez que se o PSD-CDS juntos não obtiverem maioria absoluta nas próximas legislativas será mais fácil de atingir. Mesmo que ganhe as eleições e seja convidado para formar governo, um pouco ao estilo do que aconteceu com o segundo governo de Sócrates. 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Os britânicos avisam Bruxelas

O grande vencedor da noite eleitoral europeia foi Nigel Farage. O líder do UKIP alcançou a vitória nas eleições de ontem, dando seguimento a um resultado positivo na quarta-feira passada nas eleições autárquicas no Reino Unido. 

O Ukip conseguiu bater os dois partidos do governo (conservadores e liberais-democratas) bem como o principal partido da oposição (trabalhistas): É curioso verificar que um partido com um discurso anti-europa ficou bastante à frente de outro com a mesma atitude (partido conservador). A vitória do UKIP significa que os britânicos poderão votar a favor de uma eventual saída da UE em 2017, contudo, tendo em conta que os conservadores ficaram atrás dos trabalhistas, e os liberais-democratas, quase nem sequer existiram nestas eleições, fica a ideia que nas próximas legislativas em 2015, será o UKIP a decidir quem terá o poder. 

Nigel Farage tem tudo a seu favor para negociar com quem entender. Não acho que a vitória da Frente Nacional em França tenha sido surpresa porque já era um resultado esperado. Também sabemos a importância da imigração para os franceses. No Reino Unido surgiu um novo tipo de eurocépticos. Não são aqueles que estão contra a UE, mas os que pretendem alterações dentro das instituições. Com este resultado, o Reino Unido ganha legitimidade e força para se tornar uma voz muito importante dentro da UE e isto não é alheio a perda de poder da França.  

Tenho a certeza que o Reino Unido será ouvido com mais atenção por parte de Bruxelas. Foi esse o sinal que os britânicos enviaram ontem à noite. 

Ninguém ganhou, todos perderam

Na noite eleitoral de ontem só houve dois vencedores: o PCP e o partido da Terra que elegeu Marinho Pinto para o Parlamento europeu. De resto, PS, Aliança Portugal e o BE saíram destas eleições com a certeza que vão ter de trabalhar muito para conquistar os seus objectivos daqui a um ano e meio.

No entanto, o único partido que não percebeu a insignificância do seu resultado foi o PS. Por muito que "por um voto se ganha, por um se perde", os socialistas não podem festejar este resultado. É o mesmo que uma equipa grande não vença o campeonato e festeje a conquista de uma taça. Como se viu após a noite eleitoral, alguns militantes socialistas não estavam muito satisfeitos com os 31‰. O que não compreendo é a forma como António José Seguro se deu ao luxo de dar por garantida a vitória nas legislativas. 

Se nestas condições o PS não consegue alcançar uma vitória esmagadora, duvido que o consiga fazer quando houver melhores indicadores económicos. Não estou a dizer que a maioria de direita pode voltar a conquistar o poder de forma absoluta, mas acho que os portugueses não querem o PS no poder. Pelo menos de forma isolada. 

Uma nota para o PCP. Os comunistas entraram nesta campanha com uma ideia e foram premiados pela vantagem de apresentarem um programa para a Europa. O seu cabeça-de-lista, João Ferreira, é promissor e não tem aquele discurso do passado. Por seu lado, Marinho Pinto utilizou estas europeias para tentar chegar ao seu grande objectivo que são as legislativas. No fundo, fazer barulho dentro da Assembleia da República.

domingo, 25 de maio de 2014

O meu voto na Aliança Portugal

Hoje votei na Aliança Portugal, coligação de Direita e que inclui os partidos do CDS-PP e PSD. Embora esta coligação seja apoiada por um governo que tem sido contestado desde o dia que tomou posse achei que deveria premiar o executivo por ter cumprido com o programa de assistência e financeira. 

Em nenhum momento vi, quer o PSD ou o CDS a fazerem críticas a um programa que foi imposto a Portugal por causa do PS. Ao contrário do que aconteceu com os socialistas a direita não criticou nem teve posições contra a sua assinatura. Por outro lado, acho que os deputados centristas e sociais-democratas têm feito um bom trabalho no Parlamento Europeu. É para isso que servem as eleições europeias. 

Embora tenha criticado o excesso de austeridade imposto por este governo, sou daqueles que acredita que não havia outra solução e o executivo foi obrigado a cumprir o programa, porque senão o fizesse o país iria pagar muito mais. E também tenho a certeza que a linha política do PS era a mesma, não obstante as promessas constantes do seu líder António José Seguro, que durante estes três anos não apresentou um único caminho alternativa, ao contrário do que foi o discurso do PCP e do BE. O PS nunca disse se o caminho era pagar a dívida ou renegociá-la. 

A Aliança Portugal dificilmente vence estas eleições, no entanto, a diferença percentual para o PS não será muito grande, sendo que os socialistas deverão ter apenas mais dois deputados do que a coligação encabeçada por Paulo Rangel e tem Nuno Melo como número 2. A questão é saber se os socialistas levam 10 ou 9 deputados, porque há o risco de perderem um para Marinho Pinto. Esse será o grande vencedor da noite eleitoral caso seja eleito.

É verdade que Seguro vai conseguir a sua segunda vitória eleitoral sobre Passos Coelho e que parte em vantagem para as legislativas 2015. Apesar das recentes derrotas, penso que daqui a um ano e meio tudo será diferente, até porque os portugueses não querem correr o risco de dar uma vitória sem maioria absoluta ao PS. Isso são contas de outro rosário e que vão ser objecto de análise já a partir de amanhã. 

Sobre as europeias só mais uma nota: Caso a composição do parlamento europeu seja substancialmente diferente do que aquilo que se está à espera, vai haver mudanças na Europa mas também nos Estados-Membros. 

sábado, 24 de maio de 2014

Figuras da semana XI

Pela décima semana consecutiva vamos anunciar as principais figuras da semana

Por Cima

Lisboa - A cidade lisboeta está de parabéns esta fim-de-semana. Não só recebe a final da Liga dos Campeões em futebol como arranca o 10º aniversário do Rock In Rio, festival de música que se realiza em Portugal de dois em dois anos e que também teve a sua primeira edição no ano do Europeu 2004. Apesar da crise, Portugal continua a receber eventos desportivos e culturais que são notícia em todo o mundo. Em termos económicos e mediáticos estes eventos são muito bons, no entanto, aquilo que costuma ficar é a boa hospitalidade lisboeta. De certeza que sem este aspecto estes eventos seriam uma raridade e não uma normalidade. 

No Meio

Ucrânia - As eleições presidenciais ucranianas realizam-se amanhã. Apesar do clima instável após a queda de Viktor Yanukovich, o acto eleitoral pode significar uma mudança de rumo no país. No que diz respeito ao Ocidente, porque o leste ucraniano a guerra continua a ser notícia. No entanto, o apoio de Vladimir Putin ao vencedor das eleições de amanhã é fundamental para que no futuro haja estabilidade no país e na região. Veremos se o novo governo ucraniano aceita o resultado porque, parece que, a candidata apoiada por Yatseniuk não vai vencer. 

Em Baixo

Campanha Eleitoral - Mais uma vez tivemos uma campanha eleitoral muito pobre. Em termos de ideias, debate e até no que diz respeito ao mediatismo na comunicação social. Apesar das arruadas, dos discursos e das imagens inéditas não foi possível retirar qualquer sumo nestes 15 dias. O que fica para a história são os insultos, o tema do regresso de Sócrates bem como ajuste de contas com o passado. O pior é que os responsáveis nunca ligam aos números da abstenção e por isso é que em todas as campanhas a lenga-lenga é a mesma. 

Anti-Madridista pois claro!

Hoje os dois principais clubes de Madrid, Atlético e Real, jogam a final da Liga dos Campeões no Estádio da Luz. Lisboa acolhe a primeira final da competição disputada por dois clubes da mesma cidade, facto que nunca tinha acontecido na história.

Logo no ano em que Lisboa recebe mais uma vez uma final de uma competição europeia de clubes, Madrid tinha de ser a principal protagonista. Com a presença dos dois poderosos da capital vizinha, a final em Lisboa fica para segundo plano. Ainda para mais num ano em que o Atlético de Madrid voltou a conquistar o campeonato espanhol e o Real procura a sua 10ª taça dos clubes europeus. Porque razão foi assim?

Por tudo isto, e apesar de estar a torcer pelo Atlético de Madrid (me perdona Cristiano), hoje sou anti-madridista! O facto de se tratar de uma final inédita está a retirar protagonismo a Lisboa e ao Estádio da Luz. Com tudo o fair-play possível quero é que depois desta final, Lisboa volte a ser dos lisboetas! No entanto, que ganhe o melhor!

Nenhum dos clubes vai ficar em Lisboa após a final, o que se compreende. Se o Real ganhar fará a festa na Praça Cibeles, enquanto os colchoneros irão para a Praça Neptuno, cerca de 200 metros da Cibeles. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Arruadas para a Europa


O PS e a Aliança Portugal desceram o Chiado. Os socialistas fizeram-no hoje (sem Sócrates mas com Seguro ) e a coligação PSD-CDS ontem (sem Passos Coelho e Paulo Portas). Agora é a vez dos cabeças-de-lista à Europa fazerem o seu papel. 

No domingo qualquer que seja o resultado nada vai mudar. É provável que o governo leve um murro no estômago, ainda que desta vez seja menor do que nas autárquicas, mas é um facto que o PS não irá atingir um resultado que lhe permita ir descansado para as eleições. Uma coisa é certa: depois das eleições de domingo todos os partidos vão ter de fazer reflexões internas porque há muita coisa que está a correr mal, e a insatisfação nota-se. 

No entanto, convém salientar a importância e o regresso das campanhas de rua. Por aqui se vê o lado saudável da nossa democracia. O povo gosta é disto! 

Portugal dos "palitos"

O nosso país tem particularidades muito interessantes, como é o caso, de um homicída responsável pela morte da mulher, da sogra e de duas crianças chegar a um tribunal e ser ovacionado pela população. A mesma população que injuriou e insultou os pais de Madeleine Mccan por, alegadamente, terem "matado" a sua própria filha. Facto que posteriormente não foi provado, ao invés, os crimes de Manuel "Palito" são públicos, tanto para a justiça como para o público. 

Então qual é a diferença?

É muito curioso verificar que existe este tipo de contrastes no mesmo país. E que a própria população reage de forma diferente quando se trata de acusar pessoas que não estão "formalmente" condenadas e ilibar os que foram responsáveis por crimes hediondos, como é o caso do homicídio. 

Mesmo que Manuel Palito apanhe a pena máxima será recordado como um herói porque a população o trata dessa forma. No fundo, o homicida prefere ser absolvido pelas pessoas do que pela justiça.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

O primeiro choque

O Reino Unido dá hoje o pontapé de saída nas eleições europeias. De hoje até domingo os países Estados-Membros irão escolher os seus representantes no parlamento, sendo que após esta votação os eurodeputados vão eleger o seu representante: o presidente da comissão europeia. 

No Reino Unido a campanha tem sido interessante já que David Cameron introduziu o tema da saída do país da UE. Não é de agora, mas o actual primeiro-ministro disse durante estes dias que saía do governo caso o referendo sobre a manutenção britânica na UE não se realizasse. Ou seja, o partido conservador tem uma posição anti-europeísta, o que é bem diferente de ser eurocéptico. Cameron quer o Reino Unido fora da UE e por isso é que tem insistido neste tema. Por seu lado, o Labour liderado por Ed Miliband não vê com bons olhos uma mudança de estratégia, mas entende que os britânicos devem lutar por melhores condições em Bruxelas. No fundo, pretendem a partilha do poder que está demasiado concentrado no Eixo Franco-Alemão, se bem que com a entrada de Hollande no Eliseu seja a Alemanha a dominar todos os campos europeus. 

Perante este cenário era de esperar uma campanha interessante e com temas europeus em cima da mesa. No entanto, o aparecimento do UKIP na liderança das sondagens veio transformar o escrutínio britânico bem mais apelativo do que era à partida. O UKIP presidido por Nigel Farage é eurocéptico e adopta uma postura bem diferente do primeiro-ministro. O caso do UKIP é comparado pelos analistas europeus à Frente Nacional francesa de Marine Le Pen, por isso é que no Velho Continente estão com medo de uma vitória deste pequeno partido britânico nas eleições.

Não considero o UKIP semelhante ao partido e extrema-direita em França porque Nigel Farage não é nenhum anti-Europa. Nestes termos, uma vitória do UKIP ou do Labour hoje é bem melhor do que ser David Cameron o primeiro classificado. 

Em primeiro lugar porque se o Partido Conservador vencesse isso legitimaria a posição anti-Europa de David Cameron e fazia temer uma provável vitória no referendo agendado para depois das legislativas 2015. E todos sabemos qual a posição dos britânicos em relação a Bruxelas. Em segundo lugar, a questão escocesa poderia caminhar no sentido da independência. Por fim, a principal preocupação de Bruxelas seria o Reino Unido e o tabuleiro de xadrez europeu iria sofrer algumas mudanças caso David Cameron obtenha a maioria dos eurodeputados, porque o seu discurso perigoso em relação à UE está a causar apreensão em Bruxelas e não só. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A sua eleição preocupa

Mais do que uma vitória do Partido Socialista nestas eleições, o que acaba por ser normal, é o facto de António Marinho Pinto ter fortes possibilidades de vir a ser eleito eurodeputado, e dessa forma, iniciar a sua carreira política logo à primeira oportunidade. Não quero com isto tirar o mérito a quem legitimamente se candidata, mas quem chamou "energúmenos" aos advogados estagiários não deveria ter oportunidade de se passear pelos corredores de Bruxelas. Contudo, não serão esses os votantes do antigo bastonário da Ordem dos Advogados.

Não sei qual é o programa político de Marinho Pinto para a Europa, no entanto, pelo que temos visto nos media acho que não deve ter grande para dizer. O estilo arruaceiro e carrancudo dizem tudo. Nos últimos anos têm aparecido alguns fenómenos anti-partidos que são casos de sucesso, como foi Manuel Alegre e Fernando Nobre. Há quem considere que o surgimento destas pessoas é bom para a democracia. Eu não concordo quando estamos perante pessoas que não têm ideias sustentadas e fundamentadas. Tudo aquilo que é dito no vazio da ideologia merece suspeição da minha parte, porque não sei se querem entram na política com boa ou má intenção. 

É óbvio que Marinho Pinto sozinho não faz nada, mas pode ser o início de uma carreira política que terá influência em Portugal. E quem sabe sucesso....

Que triste campanha

A campanha eleitoral para as europeias desceu para um nível inaceitável. Já ouvimos palavras como "vírus", "nazi" e outras que nos fazem pensar sobre a qualidade dos nossos políticos bem como a sua competência. Não se percebe porque razão personagens como Paulo Rangel, Francisco Assis, Manuel Alegre ou Nuno Melo embarcam neste tipo de insultos. Será para ganhar votos, porque isto é uma forma de prender os portugueses à sua causa? Em certa medida as pessoas gostam deste tipo de trocas de palavras. 

Não considero que os intervenientes principais tentem ocultar a falta de argumentos sobre a Europa através de uma campanha "suja" e pouco "limpa" em matéria de linguagem. Tenho a certeza que Paulo Rangel e Francisco Assis são pessoas que têm qualidade política acima da média, no que diz respeito a matérias europeias. Posto isto, penso que se trata de estratégia eleitoral, embora esta não seja a melhor forma de conquistar votos. Felizmente os líderes partidários não desceram ao nível dos candidatos, e é bom que assim se mantenham. 

Não tenho dúvidas que este factor é a principal causa da abstenção que se vai verificar nestas eleições europeias. E não culpem a comunicação social porque não passa os temas europeus. Perante isto, é natural que a valia dos candidatos não passe da mediocridade. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Seguro é igual a Hollande


Nesta campanha para as eleições europeias temos assistido a uma nova faceta do líder socialista. Ele promete tudo e mais alguma, desde não despedir um único funcionário público a não aumentar os impostos. Não vale a pena perder tempo com esta feira das vaidades que é o líder do partido socialista. Ora, o nosso secretário geral socialista assemelha-se muito ao presidente francês, François Hollande, também ele um socialista dos sete costados. 

Quem não se lembra das promessas feitas por Hollande na sua campanha eleitoral para o Eliseu, fazendo votos para que os franceses optassem pela mudança. Sim, esse é um slogan muito próprio dos socialistas. No entanto, e como todos sabemos essa alteração acabou por não acontecer, sendo que a nota dominante foi o aumento das medidas de austeridade. Posto isto, sabemos muito bem com o que contar se António José Seguro vier a ser primeiro-ministro de Portugal. Não prevejo que faça diferente do actual líder francês, porque nos próximos anos Portugal vai ter que manter o controlo das contas públicas e com poucas perspectivas de crescimento económico. 

Gostava de saber como vai o actual líder socialista manter o défice obrigatório por Bruxelas senão mexer na despesa? Era bom que explicasse ao auditório nacional e, se possível, ainda na campanha para as europeias. 

Mudança é aquilo que os eleitores pedem ao Partido Socialista, esteja na oposição ou no governo.

Quaresma do início até ao Brasil

Ao contrário do que muitos esperavam, Ricardo Quaresma não foi convocado por Paulo Bento para ir ao Mundial do Brasil. Embora tenha estado nos 30 pré-convocados do seleccionador nacional, o mustang não vai ao Brasil por razões "técnico-tácticas". 

A decisão de levar ou não Quaresma é da responsabilidade do seleccionador e ele é a única pessoa que tem autoridade para decidir. No entanto, como é costume cá no burgo quando as coisas correrem mal, a não convocatória de Quaresma vai ser como argumento contra as opções do seleccionador. Aliás, ainda nem sequer a selecção reuniu-se e as conversas no café e na comunicação social já giram em torno do jogador portista. 

Pela época que fez, Quaresma merecia ir ao Mundial e não são as questões tácticas que o impedem de ir ao Brasil. Na minha opinião, Paulo Bento também se socorreu de factores extra como são os comportamentais e de integração no grupo. De facto, Bento não vê Quaresma como alguém que faça parte do grupo ou de um colectivo. O número 7 do FCP é um jogador muito individualista, o que é problemático quando seja necessário fazer um jogo colectivo, em particular quando se está a perder, além do mais o jogador sempre foi mais um atleta de clube do que de selecção. 

Apesar das escolhas de Paulo Bento já estarem decididas, até ao primeiro jogo o tema Quaresma será sempre abordado, porque como tem sido hábito nas vésperas das grandes competições, o povo só está unido a partir do primeiro jogo. Até lá é só discussões....

segunda-feira, 19 de maio de 2014

À procura de uma voz na Europa

Um dos principais problemas na Europa é a falta de comando. Ou do seu excesso. Os principais líderes europeus são Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu; Durão Barroso, líder da Comissão Europeia e Catherine Ashton, representante da UE para as relações externas. 

Todos eles têm representado a União Europeia a diversos níveis porque não conseguiram obter um consenso relativamente ao que a Europa deve dizer em matéria de política externa, porque cada uma destas figuras tem uma opinião e visão diferente sobre os problemas. 

É por isto que várias pessoas dizem que a "Europa fala a várias vozes". Esta frase não poderia ser mais adequada ao momento e à confusão que este factor tem provocado no seio da organização. Devido a esta indefinição não é possível encontrar uma posição certa e unânime que dignifique a instituição e a valorize dentro da comunidade internacional. Isto porque, na última década as potências emergentes têm conquistado um papel muito relevante na resolução dos grandes problemas globais. O conflito na Ucrânia é um sinal demonstrativo do poder que a UE perdeu ao longo dos tempos que tentava encontrar um líder, não só interno mas também externo. 

Numa altura em que falta uma semana para começar as eleições europeias era importante criar um órgão que fosse o responsável pela política externa da organização. Os líderes dos outros órgãos não podem nem devem abordar problemas que estão fora da sua jurisdição. Penso que o presidente da Comissão deve estar focado nas questões internas, cabendo ao órgão liderado por Catherine Ashton representar a UE nas relações com os outros países e entidades internacionais. 

Criar uma voz externa única deve ser prioridade para os próximos quatro anos. 

domingo, 18 de maio de 2014

Olhar a Semana - Sócrates e Capucho

Os dois grandes personagens da campanha eleitoral têm sido José Sócrates e António Capucho. O antigo primeiro-ministro vai participar no último dia de campanha socialista e descer o Chiado ao lado de António José Seguro, Francisco Assis, António Costa e demais figuras do partido. Por seu lado, António Capucho anunciou o voto no PS, tendo tomado o pequeno almoço ao lado do candidato socialista ao parlamento europeu. 

Em relação a Sócrates era natural que reaparecesse depois do seu comentário televisivo ter sido suspenso. Como um bom animal político que é, o ex-PM precisa de arranjar para aparecer e ser notícia, mesmo que o povo ainda não tenha esquecido o mal que fez ao país. No entanto, este tipo de pessoas não sabem quando devem desaparecer, continuando a mostrar que estão vivos, mesmo que não se goste deles. Sócrates aparece na campanha para dar um apoio falso a Assis e a Seguro. Tenho a certeza que as aparições do antigo líder socialista não se ficam por aqui e que no futuro iremos vê-lo agarrado a alguém que esteja contra o actual secretário-geral. 

A situação de António Capucho é diferente uma vez que este é um histórico do PSD. Não tenho dúvidas nenhumas que Capucho é um activo valioso da Direita, além de ser uma personalidade com nível político e intelectual. No entanto, o ex-autarca de Cascais está zangado com a actual direcção por esta não lhe ter dado um devido destaque, leia-se lugares, e agora vem tendo posições contra o partido. Em Sintra e agora nas europeias. Quem sabe se nas próximas presidenciais Capucho não avança com uma candidatura independente ou não será ele o principal apoiante de um "independente" da área social-democrata. Será Marcelo?

Apesar de tudo os dois têm sido as pessoas mais faladas nesta primeira semana de campanha. 

sábado, 17 de maio de 2014

Figuras da semana X

As figuras desta semana são:


Por cima:

Soberania financeira - A partir de hoje Portugal reconquista a sua independência financeira. Ainda não navegamos de forma limpa e sem qualquer tipo de austeridade, mas é um passo positivo rumo ao futuro. Já aqui abordei os prós e contras destes três anos, mas a partir de agora as palavras crises, troika, austeridade e sacrifícios vão ser menos ouvidos e escritos. Sinais dos tempos

No Meio:

Joseph Blatter - O presidente da FIFA admitiu que a atribuição do Mundial 2022 ao Qatar foi um erro. Esta confidência só prova que o Mundial do Qatar foi objecto de tráfico de influências e outras questões extra-futebol. É pena que assim seja mas não fica mal ao líder da FIFA reconhecer esta situação, no entanto, a partir de agora todos vão olhar com desconfiança para as próximas decisões tomadas pelo organismo internacional. Na minha opinião, Blatter deveria demitir-se imediatamente. Infelizmente tanto a FIFA e a UEFA estão a entregues a presidentes, não só incompetentes, mas também pouco éticos.

Em Baixo:

Luiz Felipe Scolari - Felipão passou por Portugal e deixou uma marca na selecção nacional. Conseguiu perder a única final em que Portugal esteve presente, e pior do que isso, essa proeza foi obtida em casa. Quase seis anos depois da partida do Sargentão, surgem notícias de uma eventual fuga aos impostos. Verdade ou não, tenho a convicção que esta é mais notícia que separa ainda mais o seleccionador nacional dos portugueses. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Os meus 23 convocados para o Brasil

Paulo Bento vai anunciar os 23 convocados para o Mundial daqui na próxima segunda-feira. Não me querendo substituir ao seleccionador nacional, vou fazer a minha lista:


Guarda Redes - Beto (Sevilha), Eduardo (Braga) e Rui Patrício (Sporting)

Defesas - Pepe (Real Madrid), Bruno Alves (Fenerbahce), Rolando (Inter), Ricardo Costa (Valência), Fábio Coentrão (Real Madrid), João Pereira (Valência), André Almeida (Benfica)

Médios - Raul Meireles (Fenerbahce), João Moutinho (Monaco), Miguel Veloso (Dinamo Kiev), William Carvalho (Sporting), Ruben Amorim (Benfica)

Avançados - Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Varela (FC Porto), Ricardo Quaresma (FC Porto), Nani (Manchester United), Hugo Almeida (Besiktas), Helder Postiga (Lazio), Rafael Silva (Sporting Braga), Éder (Sporting Braga)

Aposto um queijinho em como vão ser estes os convocados..

Campanha eleitoral tapada pelo aparelho partidário

Embora a campanha eleitoral já tenha começado, será amanhã que os dois partidos vão jogar forte. Isto porque, no sábado vai-se realizar o Conselho de Ministros extraordinário para assinalar a saída da troika e a reunião Novo Rumo para Portugal organizado pelo PS. 

Enquanto os candidato das duas forças políticas mais fortes andam nas ruas, os peso-pesados ficarão fechados reunidos com a cúpula dos partidos e a obter para si os louros da vitória. Sou contra a reunião do governo em plena campanha eleitoral, mas também acho que a oportunidade do encerramento das jornadas socialistas não é a mais apropriada. 

Quem fica a perder com isto tudo são os candidatos ao parlamento europeu porque perdem espaço mediático para as suas próprias organizações, no entanto, não será difícil perceber o quanto Passos Coelho/Paulo Portas e António José Seguro precisam de tempo de antena nesta altura. Pois tanto a dupla de direita como o líder socialista precisam de reconquistar a confiança perdida ao longo desta legislatura. Nada melhor do que roubar protagonismo a candidatos que são credíveis e podem ser uma alternativa às actuais lideranças no futuro. 

Tenho pena com que este arranjinho o debate sobre a Europa fique para trás. Portugal e a União Europeia não merecem este tipo de tratamento. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Vencedores e vencidos após três anos de austeridade

Desenho de Dusan Reljic

Estamos a dois dias do final da presença da troika em Portugal. No dia 17 de Maio, três anos depois do início do resgate, os técnicos do FMI, Comissão Europeia e BCE jamais voltarão a colocar os pés em Portugal, o que significa a recuperação da soberania financeira de Lisboa. 

Durante este período houve altos e baixos, mas o cumprimento do programa nunca teve em causa. A oposição chegou a falar de segundo resgate e eleições antecipadas, rejeitando desta forma a sua própria assinatura no memorando, e é natural que saia por baixo depois de três anos de esforço. Seguro não só colocou em causa a estabilidade política como todo o trabalho colectivo que foi feito. E não falo apenas do dinheiro que as pessoas perderam ou entregaram ao Estado por causa dos impostos. 

Em termos políticos Passos Coelho e Cavaco Silva saíram vitoriosos perante o líder do PS. O primeiro porque sempre acreditou que iria cumprir o programa, mesmo com as facadas dadas por Paulo Portas, e o segundo porque na crise de Julho do ano passado decidiu manter Passos Coelho no governo, isto apesar das facadas de Paulo Portas. Quem ficou contente com a atitude "irrevogável" do líder centrista foi Seguro, que viu ali a sua grande oportunidade para conquistar o poder. No entanto, Passos Coelho foi melhor porque não abandonou o barco nem deixou Portas sair e Cavaco mostrou um cartão encarnado ao secretário-geral socialista, faltando apenas saber de que cor será o cartão que os portugueses irão mostrar daqui a um ano. 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Pois é, a maldição mantém-se

"Nem daqui a cem anos o Benfica volta a ganhar uma competição europeia"

Hoje é o dia para quebrar a maldição de Gutmmann

Os olhos vão estar postos em Turim e na final da Liga Europa disputada entre Sevilha e Benfica. O clube andaluz procura a sua terceira vitória nesta competição depois de em 2004 e 2007 ter conquistado os primeiros troféus europeus. O Benfica vai no encalce da sua 10ª final europeia, um ano após ter perdido a mesma competição para o Chelsea. 

Quando o Benfica entrar hoje em campo, os jogadores vão ter na memória, não só o desafio da temporada transacta, mas também a famosa maldição de Bela Gutmman. Por muito que os responsáveis queiram negar, a tradição e as estatísticas contam, mas também é um facto que o clube da Luz conquistou as duas vitórias europeias frente a clubes espanhóis. 

Os encarnados partem à conquista do terceiro troféu da temporada, quiçá o mais importante, aquele que todos os adeptos há muito desejam até para quebrar a referida maldição do técnico húngaro. Nas finais não há favoritos, pelo que o Benfica terá de abordar o jogo com seriedade até porque o Sevilha tem jogadores e eficazes. 

terça-feira, 13 de maio de 2014

O bloco central europeu

Da esquerda para direita temos Ska Keller, Martin Schulz, Jean Claude Juncker e Guy Verfsholdt. Estes são os quatro candidatos a suceder ao português Durão Barroso. Não será fácil prever quem vai ganhar porque isso depende do voto dos europeus nas próximas europeias, mas Jean Claude Juncker e o socialista Martin Schulz são os favoritos, porque lá como cá também existe um bloco central formado pelo Partido Socialista europeu e o Partido Popular Europeu, cabendo aos liberais e à esquerda radical um papel menor. 

O facto das eleições europeias serem disputados até ao último voto faz com que os dois principais candidatos estarem também a ser julgados por políticas adoptadas pelos seus partidos políticos. Ora, não há dúvida que nos últimos cinco anos houve uma mudança, em particular nos países mais afectados pela crise. Em todos eles os socialistas ou sociais-democratas pagaram pelo facto de terem sido os responsáveis pela entrada da troika. Em Portugal e Espanha foi o PS que pagou a fava, mas na Grécia foram os sociais-democratas. 

Perante este facto, será crível pensarmos que a esquerda radical ou os liberais poderão vencer na Europa?

Penso que ainda não será desta, mas tanto Ska Keller como Guy Verfsholdt ficarão perto dos dois primeiros. Não tenho dúvidas que o bloco central europeu será castigado neste acto eleitoral, porque os partidos nacionais que representam os "blocos nacionais" vão ter menos votos, muito por culpa da subida de algumas forças como o UKIP  e Frente Nacional francesa.

Embora não possa parecer, a realidade política europeia não está muito longe da nacional e isso será um factor que o eleitor terá nos próximos dias 22,23,24 e 25 de Maio. Ainda é difícil fazer uma análise acertada, mas todos já estamos a recear o pior. 

Habemus candidato da esquerda

O ex primeiro-ministro, António Guterres, admite que pode ser candidato às presidenciais de 2016, facto que foi confirmado por Marcelo Rebelo de Sousa, outro possível concorrente para substituir Cavaco Silva daqui a dois anos. 

A partir de agora já não há dúvidas quem vai ser o candidato da esquerda e apoiado pelo Partido Socialista, mas ainda não sabemos quem será o líder do PS daqui a um ano e meio. No entanto, apesar de Seguro estar condicionado pelo resultado das legislativas do ano que vem, não será por causa do líder que Guterres vai deixar de ter o apoio de toda a máquina socialista, até porque ele é a única e última esperança da esquerda para regressar a Belém. 

Em minha opinião Guterres tem feito um bom percurso internacional e foi um razoável primeiro-ministro, embora não tenha aguentado a pressão dos maus resultados nas autárquicas 2011. Contudo, a credibilidade e honestidade política bem como a competência são factores que o antigo comissário da ONU para os refugiados deve aproveitar. Ao contrário do que acontece com Marcelo, António Guterres esteve fora durante uns bons anos e ninguém lhe responsabiliza pela crise que atravessamos. No meu entender, Marcelo tem a desvantagem de aparecer constantemente na comunicação social, ao passo que Guterres pode chegar, ver e vencer.  

Seria interessante assistir a uma corrida entre Guterres e Durão Barroso já que estiveram os dois frente-a-frente no parlamento embora o primeiro não tenha concorrido nas eleições ganhas pelo segundo. O único problema para Durão Barroso é o próprio Marcelo Rebelo de Sousa. A esquerda joga uma carta forte e avança primeira que a direita rumo às próximas eleições presidenciais. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

O troca clubes

Ninguém tem dúvidas da qualidade de Leonardo Jardim. Os resultados alcançados no Beira-Mar, em Braga, Olympiacos e agora no Sporting falam por si. No entanto, há algo em Jardim que não bate bem porque o seu trabalho não uma continuidade sustentável. No Beira Mar, Jardim retirou-se um ano depois de ter sido campeão e antes do final da temporada de regresso à 1ªliga. Após um terceiro lugar com o Sporting Braga demitiu-se por causa de um conflito com o presidente. Na Grécia onde estava em primeiro ao serviço do Olympiakos surgiram notícias de um alegado envolvimento do técnico com a mulher do presidente do clube. Por fim, é previsível que abandone o clube de Alvalade após uma fantástica época ao serviço dos leões. O destino de Leonardo Jardim deve ser o Mónaco. 

Não se percebe porque razão o treinador alcança bons resultados, mas depois não continua o seu trabalho. Parece que o facto de ter feito uma boa primeira época lhe dá o direito de exigir mais aos responsáveis directivos, porque se assim não for Jardim bate com a porta. Assim, é difícil construir uma carreira sustentada e de sucesso que lhe permita vencer títulos. E não me venham dizer que Jardim é campeão grego, porque no fim não foi ele que recebeu as faixas e a medalha. Sem isso, não há registo histórico. 

Apesar de ser um treinador com qualidade, Jardim também é, à semelhança do que acontece com Jorge Jesus, um pouco arrogante, embora o ar civilizado disfarce alguma hipocrisia. Ou então o actual leonino não terá capacidade para aguentar a pressão decorrente de no segundo ano a exigência ser maior. Se for para o Mónaco, Leonardo Jardim vai ter que vencer o campeonato, porque uma derrota na Liga francesa vai ditar o despedimento e, nessa altura, as portas do campeonato português podem estar fechadas. 

A obrigatoriedade de abordar a Europa



A campanha para as eleições europeias já começou. Num ano particularmente difícil para o país mas também para os restantes países europeus é de esperar um voto de protesto por parte dos eleitores que se irá reflectir no aumento da abstenção e no voto em algumas forças políticas anti-europeístas, como é o caso do UKIP no Reino Unido e a Frente Nacional em França. 

No entanto, os partidos tradicionalistas também poderão optar por fazer uma campanha anti-Europa e contra os governos que estão no poder e são responsáveis pela austeridade. No fundo, esse voto será igualmente uma crítica à liderança alemã. Vai ser interessante acompanhar a campanha no Reino Unido uma vez que o tema central do debate será o referendo pós-eleições à manutenção do país na União Europeia, com o principal partido no poder a fazer uma pressão enorme para a importância da consulta popular.

Como é natural em cada país as eleições vão servir para debater questões internas e externas. Duvido que em Portugal os principais cabeças-de-lista falem muito da Europa, mas acho que deviam aproveitar a oportunidade para informar os portugueses sobre as políticas europeias, já que este é um tema que as pessoas ignoram. Contudo, discutir questões da Europa num país que é na sua maioria pró-UE é normal que se perca tempo a falar sobre os problemas nacionais, em particular as medidas de austeridade que fomos obrigado a consumir. 

O importância do Euro e as suas regras são um tema fundamental e que os partidos politicos têm a obrigação de esclarecer aos portugueses nestas eleições até para não continuarmos sob o espectro de um novo resgate porque até hoje não sabemos se isso é "um problema europeu" ou "meramente nacional". 


domingo, 11 de maio de 2014

Olhar a Semana - Campeões dos milhões

À hora que escrevo o Manchester City prepara-se para sagra campeão inglês, pela segunda vez nos últimos três anos. Recorde-se que os citizens não ganhavam campeonatos desde a década de 50. Durante a semana o PSG conquistou o bi-campeonato, depois de vários anos ter estado sem tocar em qualquer troféu, ficando à frente do Mónaco, clube que andou perdido pela segunda divisão gaulesa durante alguns anos. 

Se os três clubes mencionados andavam durante muito tempo longe da glória, o que fez com que o seu nome voltasse a constar da história dos campeões?

O aparecimento de "oligarcas" árabes, norte-americanos e russos devolveu a esperança dos adeptos destes clubes que algum dia seria possível lutar ombro a ombro com os crónicos candidatos ao título. Ora, o City e o Chelsea só se aproximaram de Arsenal, Manchester United e Liverpool depois de investimento estrangeiro relevante. O caso do PSG é diferente uma vez que os parisienses sempre foram um "habitué" das conquistas francesas mas foi necessário um empurrão para a equipa da capital francesa não fique definitivamente para trás em relação ao Lyon, Marselha, Lille e outros. 

É curioso verificar que as ligas italiana, espanhola e portuguesa ainda não foram alvo da vontade dos milionários. O investimento tem sido em equipas francesas e inglesas porque são estas que têm estado arredado dos títulos europeus nos últimos anos e mesmo com enorme gastos no plantel, este ano é a península ibérica que domina as finais europeias. 

Por tradição mas também por não haver necessidade os principais clubes de Espanha e Portugal não terão a ajuda extra de qualquer milionário que decida colocar dinheiro para obter a glória desportiva. Real Madrid, Barcelona, Atl Madrid, FC Porto, Benfica e Sporting vão continuar a apostar na formação e prospecção de jovens talentos que possam ser cobiçados pelos tubarões milionário do futebol europeu. 

Em minha opinião a aposta seguida por clubes como o Chelsea, Manchester City e os dois clubes franceses tem enorme risco porque a não concretização dos objectivos pode colocar em causa a existência do projecto e a vontade de continuar a meter capital. Quando o dinheiro acaba, qual é a alternativa? Sem formação ou uma base de scouting dificilmente se consegue superar a má disposição do investidor. 

O caminho seguido pelos clubes ibéricos e italianos é a mais correcta porque não tem riscos, sendo que os projectos são sólidos. No futuro não tenho dúvidas que estes clubes serão os mais beneficiados em termos de conquistas europeias e sobretudo a nível de selecções. Outro aspecto é o relacionado com a formação: não se vê um único jogador da formação nos clubes ingleses e franceses, porque não há espaço para lutar com as vedetas. 

O facto de na final da Liga Europa e da Liga dos Campeões estarem 4 equipas que optam pelo modelo básico e de formação mostra que os projectos "milionários" só têm sucesso dentro de portas, muito por culpa da concorrência desleal e que urge combater. 

sábado, 10 de maio de 2014

Figuras da semana IX

Anunciamos hoje os nossos destaques desta semana:

Por Cima:

Comunicação Social- A comunicação social portuguesa teve esta semana razões para sorrir. O jornal i comemorou o seu 5º aniversário, enquanto que o Expresso lançou a sua versão diária, totalmente digital. No entanto, as novidades não se ficam por aqui já que no dia 19 o Observador vai fazer a sua estreia. Aqueles que apregoam o fim do sector e dizem mal dos seus profissionais, têm aqui razões para ficar tristes. Por outro lado, quem gosta de ter informação ao minuto tem muito por onde escolher, sobretudo nas plataformas digitais, já que essa será a grande aposta das marcas nos próximos anos. Não acredito no fim do papel até porque há muitas pessoas que gostam de comprar o jornal. Espero que as boas notícias deste mês sirvam para o lançamento de outras iniciativas e projectos. 

No Meio:

Vladimir Putin - Aproveitou a divisão na Ucrânia para pedir aos separatistas que cancelem o referendo previsto para amanhã e ao mesmo tempo anunciou a retirada das tropas russas no leste do país. Com esta atitude coloca sobre os ombros de Kiev a responsabilidade do que vier a acontecer no futuro, mas também garante que não vai proteger os movimentos armados que se organizaram em várias cidades como Donetsk, Luhansk, Sloviansk e Odessa.


Em Baixo

Marinho Pinto - Nem como candidato pelo MPT às eleições europeias, o antigo bastonário da Ordem dos Advogados consegue manter o nível. Após durante anos ter feito "política" enquanto líder dos Advogados, agora faz campanha suja na sua estreia no corredor da política. Perante tudo isto a questão que se coloca é saber quais são os seus objectivos. A única conclusão a que se pode chegar é o facto de Marinho Pinto estar preocupado apenas com os seus interesses pessoais enquanto pessoa. Uma vez que, nem como Advogado ou político, cumpriu com honestidade o seu papel. Este senhor é uma lástima e a minha esperança é que depois destas eleições nunca mais tenhamos de o ouvir. 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Cheira a despedida?

Jorge Jesus diz que "tem sempre a mala feita". Nesta altura da temporada o futuro do treinador continua em aberto porque é perfeitamente normal que os grandes clubes europeus queiram atacar um técnico que venceu o campeonato nacional, a taça da Liga e está em muito boa posição para ganhar a Taça de Portugal e a Liga Europa. 

O que pode acontecer a Jesus foi o mesmo que sucedeu a André-Villas Boas que depois de uma época de sonho assinou pelo Chelsea. No entanto, a carreira do técnico fora de Portugal não tem sido a mesma que ocorreu dentro de portas. Veremos se o Zenit é a excepção aos fracassos de Londres (ao serviço de Tottenham e Chelsea). Não sei se Jesus vai pelo mesmo caminho e se os grandes clubes europeus precisam de um treinador como o actual timoneiro do Benfica, além disso JJ está muito no Benfica e se cumprir o ano de contrato que lhe falta pode ganhar mais títulos, incluindo um que o Benfica não venceu, como é a Supertaça Europeia. E também a supertaça nacional. 

Outro factor que joga a favor da manutenção do actual treinador na Luz é a possibilidade de vir a ser o treinador com mais anos de casa e o mais titulado. Duvido que no futuro haja algum treinador que fique tanto tempo no Benfica, até porque eu considero que a ligação JJ vs Vieira irá para além de 2015. Em relação aos títulos também será complicado alcançar um sem número de êxitos numa só temporada. Agora é que se vê a importância das taças da Liga conquistada por Jesus porque sem elas não tinha um currículo invejável. 

No final da época muito vai ser dito e escrito, mas eu acredito que a vontade de Jesus é ficar em Portugal, até porque as grandes equipas espanholas e inglesas vão manter os seus treinadores. A única mudança que se deve verificar é no Barcelona, sendo que o novo treinador deve viajar de Madrid...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Afinal o IRS também vai descer

O governo anunciou que o IRS pode baixar nesta legislatura se houver condições para isso.

Ora, há uma semana aquando da apresentação do DEO, Maria Luís Albuquerque disse que não haveria condições para isso, e o primeiro-ministro, tem vindo a repetir a mesma ideia há bastante tempo. Sempre acreditei que o executivo não poderia ganhar as próximas eleições se não der um bocadinho de si aos eleitores que, durante três anos, fizeram enormes esforços para colocar o país em ordem. 

Se o governo não anunciou antes mas já sabia que iria descer o IRS, estamos perante uma medida relevante e eleitoralista. Em minha opinião isso não tem mal nenhum porque o governo tem de fazer qualquer coisa positiva para começar a ganhar a confiança dos portugueses, sendo que não basta dar um pontapé na troika para ficarmos mais alegres, até porque se a austeridade continua o PSD e CDS não conseguem alcançar um voto. 

Penso que o governo tem andado ao sabor da estratégia e por isso é que anuncia medidas difíceis e depois alivia a tensão criada em torno dessa orientação. Não espanta que alguns acusem Passos e Maria Luís de "mentirosos".

Apesar da vontade do PM e da Ministra em baixar o principal imposto, tenho a certeza que a pressão feita pelo CDS, em particular Paulo Portas, está a resultar. Relativamente ao número 2 do governo, justiça seja feita porque desde sempre defendeu um alívio imediato da carga fiscal. 

Moscovo apoia presidenciais ucranianas

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tem sido muito criticado por supostamente apoiar os separatistas que tomaram controlo da maior parte das cidades do leste ucraniano. Para espanto de muitos, mas não todos, o chefe de Estado russo mostrou a sua satisfação pela realização das eleições presidenciais no próximo dia 25, mas anunciou a retirada das tropas na fronteira ucraniana.

Na minha opinião a atitude de Putin é a mais correcta e serve para pressionar Kiev a fazer o mesmo. Ou seja, a Rússia está a dar uma oportunidade ao novo governo ucraniano de recorrer à via diplomática para resolver a questão no leste do país, porque se intervir militarmente poderemos estar num conflito sem fim à vista. Moscovo confirmou que não pretende ficar com Ucrânia quando essa era a principal opinião da maioria dos analistas internacionais. É muito fácil apontar o dedo e acusar alguém com base em especulações, mas o mais difícil é provar, pelo que a nova tomada de posição por parte do Presidente Putin só surpreende os que pretendem diminuir a influência de Moscovo na região, como é o caso da União Europeia e dos Estados Unidos. Em meu entender, tanto Washington como Bruxelas têm tido um comportamento miserável ao dar o apoio a Yartseniuk, mas eu não vou repetir aquilo que disse. 

O futuro do país depende do resultado das presidenciais que se realizam no mesmo dia das eleições europeias. Só um novo Presidente, talvez seja Yulia Tymoschenko, é que pode resolver a crise no leste do país, sendo que terá obrigatoriamente de contar com Moscovo. 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O risco de Passos Coelho se tornar impopular

O primeiro-ministro corre o risco de ser tornar impopular para sempre e com isso não ganhar as eleições do próximo ano, tudo por causa do duro programa de ajustamento. Mas não só. Tal como acontece com António José Seguro, o líder do PSD "mentiu" e "aldrabou" muitas vezes. No entanto, o líder da oposição tem essa prerrogativa: como não está no governo pode "prometer". Se vai cumprir é outra conversa que só será confirmada caso ganhe as eleições. 

Por muito que Passos Coelho quisesse fazer diferente não poderia devido à imposição da troika. Nesta imagem vemos um Passos Coelho que comanda uma nau que vai no caminho certo. O problema é saber se os portugueses confiam nessa narrativa e aceitam mais austeridade, por mínima que ela seja. A partir de agora, qualquer anúncio menos "popular" será aproveitado para fazer manchete ou uma notícia de última hora, facto que levará à revolta dos marinheiros. Como se pode verificar nesta imagem, noto um Primeiro-ministro muito confiante do caminho que traçou até ao momento. Não é por acaso que Passos vai à inauguração do museu dos descobrimentos no Porto. Também naquela altura a astúcia e vontade dos portugueses fez com que Portugal andasse pelas bocas do mundo devido aos seus feitos, tal como acontece em Bruxelas e um pouco por toda a Europa.

Com a troika fora de Portugal, a única dúvida é saber se o Primeiro-ministro não acabou com o projecto que tinha para o país no pós-troika.  

O risco de Seguro se tornar demagogo

António José Seguro surpreende, não pelo sua competência política, mas pelo discurso que roça a demagogia e populismo porque eu não acredito que bem lá no fundo, o líder socialista tenha convicção naquilo que vai dizendo e a comunicação social reproduz com tanto afinco. 

É impensável que um líder partidário desta natureza seja algum dia primeiro-ministro. Os portugueses nunca o vão escolher mesmo que Passos Coelho seja o alvo de todas as críticas. O problema é que Segura nunca será a solução para esse problema. 

Na entrevista ao Expresso diário, Seguro diz que não vai despedir funcionários públicos nem aumentar impostos. Ora, onde é que vimos esta promessa? Em quase todos os políticos que mais tarde vieram a ser chefes de governo. Passos Coelho afirmou que não ia mexer no 12º e 13º salário, por seu lado, Seguro vem dizer que vai fazer tudo ao contrário do que tem sido pelo actual primeiro-ministro. No entanto, o pior é o líder socialista falar como se fosse primeiro-ministro. 

Admiro a honestidade intelectual de António José Seguro, contudo a sua liderança no PS tem sido desastrosa porque cada vez que abre a boca, não só não diz nada de relevante, como está a fazer uma oposição tradicional. 

Este tipo de declarações faz com que as pessoas chamem os políticos de "mentirosos"  e "aldrabões". O político, por vezes, acha que as pessoas não se lembram daquilo que eles disseram, mas a comunicação social faz questão de avivar a memória dos eleitores. As pessoas não são nem mentirosas nem aldrabonas, mas as necessidades eleitorais origina frases soltas, e pior do que isso, não são pensadas e atiradas para o ar com o intuito de fazer uma grande manchete e prejudicar o "rival" que está a ter este tipo de políticas. 

Seguro tem este problema, apenas e só porque quer conquistar o poleiro. Tem toda a legitimidade de o querer, no entanto, primeiro precisa de ganhar credibilidade junto do eleitorado. 

E isso não está a acontecer....

terça-feira, 6 de maio de 2014

O risco de Cavaco se tornar faccioso

Cavaco Silva tem um enorme sentido de Estado e um bastante qualidade para ser Presidente da República. No entanto, sente-se uma certa amargura em algumas respostas do PR. Bem sei que, no interior do PR, há uma certa vontade em mostrar que o caminho percorrido por ele é o mais correcto, mas também em confirmar que os anos dourados de Portugal foi quando era primeiro-ministro. 

O problema é que o chefe de Estado tem de representar este papel nos bons e maus momentos. A declaração de vitória após a eleição de 2011 foi um desses momentos menos bons. O outro aconteceu um dia depois da saída da troika, mas o pior foi o facto de Cavaco Silva ter feito uma declaração no facebook (e com erros...). 

Percebo a vontade interna de Cavaco exteriorizar alguns dos seus sentimentos, mas em certas ocasiões não o pode fazer. Até porque o governo também não enveredou por esse caminho, e se calhar tem mais razões para o fazer do que o PR. A saída limpa foi bem feita pelo governo, mas o PR não aproveitou a onda positiva para ganhar alguma popularidade. 

Esta resposta revanchista tem um outro problema e está relacionado com o facto desta mensagem ser uma demonstração de apoio ao executivo.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Má opção política e social

A entrada da Guiné-Equatorial na CPLP está a levantar problemas a Portugal, não só a nível interno, mas também externamente. A Amnistia Internacional mostrou a sua preocupação relativamente à possível adesão, muito por culpa da pena de morte que ainda não foi abolida. 

Não se percebe como é que Malabo não tem como prioridade abolir uma prática que não faz sentido numa civilização que vive quase toda em democracia e tem leis penais adequadas à realidade em que vivemos. 

As preocupações da organização internacional são credíveis se tivermos em linha de conta o apoio que está a ser dado antes do trabalho dentro da Guiné ser feito. Ou seja, primeiro Malabo faz as reformas necessárias e depois manifesta-se o apoio a uma adesão. Não é só a CPLP que funciona assim, porque o alargamento da União Europeia também tem sido feito nesta base. É a entidade "internacional" que obriga a alterações no regime para fazer parte do clube. O que se passa com a Guiné-Equatorial em relação a uma possível entrada na CPLP é o que está acontecer na Sérvia no que diz respeito à UE.

Na minha opinião o apoio dado pelas instituições supra-nacionais aos países deve ser transmitido "depois" das reformas internas estarem efectuadas, e não contrário. Isto porque, toda e qualquer "mudança" feita à pressa e com vigilância internacional pode ser mal feita e corre o risco de estar inacabada. 

Tenho a certeza que a entrada da Guiné-Equatorial na CPLP é um destes casos e acho que todos os membros vão passar pela vergonha de admitir um país que viola constantemente os direitos humanos, sendo que Portugal irá ser alvo de críticas internacionais. Pode ser que a adesão de Malabo pode servir os interesses económicos nacionais, contudo o apoio demonstrado por Lisboa desde o primeiro momento pode vir a revelar-se um erro político que terá custos sociais.  

Um país diferente

O governo anunciou ontem uma saída limpa do programa da troika. Vitória ou não, a verdade é que o executivo cumpriu aquilo a que se tinha proposto há três anos. 

Na mensagem de ontem, o Primeiro-Ministro não fez nenhuma campanha eleitoral ao reclamar para si os louros da conquista. Aliás, esta fotografia mostra bem a união de todo o executivo em torno de um objectivo. O homem que juntou o executivo para dizer ao país que "cumpriu" foi o mesmo que em Julho 2013 disse "não me demito, não abandono o meu país" e "não vou aceitar o pedido de demissão de outros". 

Tudo tem uma lógica, e neste caso, aquele que acreditou sempre na sua capacidade, foi o mesmo que nunca desistiu. E há um ano atrás Portugal caminhava para o segundo resgate, iria haver dezenas de mortos nas manifestações e até uma revolução militar estaria a ser pensada. Já nem falo da oposição socialista que foi um descalabro durante este tempo todo, ou não tivesse o PS assinado o memorando que foi cumprido pelo PSD e CDS. Os socialistas criticavam a sua própria assinatura ao mesmo tempo que ameaçavam o governo "caso Portugal não consiga sair limpo". Verdade seja dita que Seguro esteve muito bem ontem quando afirmou que a saída limpa era uma boa notícia para o país, porque isso vai evitar mais austeridade. 

A partir deste momento, a oposição tem todas as razões para criticar o executivo se este insistir com mais austeridade, porque neste momento, são as ideias políticas e crenças ideológicas do governo que vão funcionar e não a ditadura imposta pela troika. 

domingo, 4 de maio de 2014

Hoje saímos limpo

Desde que se começou a falar da forma para Portugal sair do programa da troika defendi uma saída limpa ou à irlandesa, e nunca a possibilidade de sermos "vigiados" por um programa cautelar, como muitos defenderam, inclusive o próprio Presidente da República. 

Os sacrifícios a que os portugueses foram obrigados, nomeadamente com um enorme aumento de impostos e os cortes nos salários dos funcionários públicos bem como as pensões, deveu-se ao desequilíbrio das contas públicas, daí que o programa tenha sido concluído com sucesso e no prazo definido. Eu percebo a austeridade imposta pelo executivo, porque só assim foi possível reduzir o défice de 10% para abaixo dos 3%. 

É natural que ninguém gosta de ver os seus salários e pensões cortados (porque também é uma injustiça) e ficar desempregado. Bem sei que os números do desemprego são elevados, mas com uma economia a crescer a percentagem desce rapidamente. Convém não esquecer que o governo também criou em tempos de crise estágios profissionais para ajudar as empresas a criar emprego jovem. 

Na minha opinião Portugal não precisa de nenhum plano B de reserva para fazer face a eventuais necessidades. O que o país precisa a partir de hoje é de uma consciência, sobretudo a nível de quem nos governa. É um facto que os portugueses fizeram um esforço por culpa da má gestão de vários governos, mas sobretudo do executivo liderado por José Socrates que decidiu aumentar o rendimento dos funcionários públicos em vésperas de eleições. Este tipo de inconsciência política não pode voltar a acontecer.

Hoje saímos limpo mas o futuro ainda nos reserva alguns desafios, em particular a nível político porque são esses que vão estar em jogo nas próximas eleições europeias mas também nas legislativas 2015. Vejo muitos analistas a fazerem o funeral ao executivo. No entanto, convém recordar que os portugueses não têm memória curta e, apesar da excessiva austeridade imposta por esta maioria, não esquecem quem nos levou aos sacrifícios. 

Olhar a Semana - Abriu a época balnear virtual

Após meses de intensa chuva, o mês de Maio iniciou com sol e calor, dando motivos mais do que suficientes para as pessoas começarem a sua época balnear. 

Como vivemos na época das redes sociais, é fundamental marcar o nosso lugar na praia mostrando ao mundo inteiro onde costumamos apanhar sol. Antes tínhamos de ir à praia para ver um bom desfile de bikinis mas agora basta ligar o facebook porque tudo o que queremos ver está à distância de um click. 

As relações pessoais transformaram-se em sociais num curto espaço de tempo e todo e qualquer passo é seguido através da net. Penso que este fenómeno se deve também ao pouco tempo livre que temos por causa do nosso trabalho, família e outras obrigações. No entanto, esta necessidade revelada na rede é também sinal de não perder o contacto com quem não podemos estar todos os dias, ou a maior parte deles. 

É curioso que muitos já anunciaram a morte prematura do facebook, mas a verdade é que este lugar virtual também já é responsável por marcar tendências, ainda que virtuais. A abertura da época balnear virtual vem no seguimento das "selfies", dos tributos a várias pessoas conhecidas (por exemplo Eusébio) e dos festejos de campeão do Benfica. 

Ao contrário do que acontece na vida real, no mundo facebookiano ninguém sabe qual será o próximo passo.  

sábado, 3 de maio de 2014

Figuras da Semana VIII

Esta semana voltamos a eleger os destaques positivos e negativos da semana:


Por Cima:

Sport Lisboa e Benfica:  O clube da Luz está de parabéns pela segunda presença consecutiva na final da Liga Europa. Uma vitória e um empate frente à poderosa Juventus valeu o passaporte para a terceira final da temporada e a quinta em duas épocas consecutivas. Na próxima semana o Benfica começa a jogar a primeira de quatro finais que terá até Agosto (se não contarmos com uma eventual presença na final da Supertaça europeia). A final da Taça da Liga antecede uma deslocação ao Dragão para fechar o campeonato e as duas finais mais importantes: Liga Europa e Taça de Portugal. Tenho a convicção que o Benfica vai acabar com quatro taças na mão.

No Meio

Guerra na Ucrânia - Sim, a situação na Ucrânia já está numa fase em que se pode afirmar com clareza que se está numa fase de guerra. Os confrontos em Odessa e os últimos acontecimentos na cidade de Slaviansk são um forte sinal que o país está já perdido, mas não se sabe muito bem para quem. O mais provável é este conflito durar uma eternidade porque as soluções diplomáticas não vão funcionar. Veremos o que acontecerá no dia das eleições presidenciais, porque só uma parte do país é que tem condições para ir ás urnas. 

Em Baixo

Governo - A semana do governo começou mal mas pode terminar bem. No entanto, o anúncio da subida do IVA e da TSU provocaram um grande mal estar nos portugueses. O impacto das medidas integradas no DEO foi um desastre para o executivo que foi atacado por todos os lados: oposição, comunicação social e população. Na minha opinião o anúncio da saída limpa prevista para amanhã não vai ter um efeito imediato no ânimo das pessoas, porque muitos ainda acreditam que "a troika vai-se embora mas a crise fica". As pessoas pensam assim muito por culpa do governo e da sua estratégia. Ou Passos Coelho tem um trunfo na manga para dar a volta nas sondagens ou então vai acabar muito mal.....

Conferência sobre 40 anos do 25 de Abril






Mais aqui https://www.facebook.com/media/set/?set=a.748926615147499.1073741827.160789243961242&type=1


Bandeira da Sérvia

A Bandeira oficial da Sérvia tem o brasão de armas, no entanto, muitas vezes a bandeira utilizada não tem o brasão, tendo sido adoptada a 16 de Agosto de 2004

De acordo com a história, a bandeira da Sérvia tem as cores da Rússia, mas de forma invertida. Esta situação deve-se ao facto de alguns dirigentes sérvios se terem deslocado a Moscovo e pedido para usar a bandeira russa nas batalhas. Há quem diga que esse pedido não foi aceite e então os Sérvios usaram uma forma de imitar os russos.

As cores não têm significado especial e as escolhas são semelhantes às escolhas efectuadas pelos países da antiga União Soviética


sexta-feira, 2 de maio de 2014

1ª Conferência Olhar Direito: 40 anos do 25 de Abril

Na terça feira passada o Olhar Direito realizou uma conferência sobre os 40 anos do 25 de Abril na Faculdade de Direito de Lisboa. Os oradores desta tertúlia foram Mendro Castro Henriques, José Adelino Maltez e Francisco Moita Flores.

Os oradores começaram a sua intervenção fazendo uma abordagem histórica para depois falar sobre o estado actual do país, focando a sua atenção nos vários vícios que têm atingido Portugal há 40 anos. Francisco Moita Flores considerou que "a tomada pelos burocratas de todo o processo político contribui para a alteração da demografia e da forma como ela se expressa". O antigo director da PJ não tem dúvidas que o "25 de Abril falhou porque houve uma tomada do poder sindical e partidária por carreiristas e isso reflecte-se numa participação mais fraca e da lenta renovação dos quadros". No entanto, Moita Flores acedita que a "maior perda está relacionada com a língua portuguesa porque tem sido mal tratada". 

A intervenção do antigo presidente da Câmara Municipal de Santarém centrou o seu discurso nas várias "revoluções" e "transformações" que o país tem sofrido desde o 25 de Abril. Para Moita Flores os ideais de Abril falharam pelas razões acima enumeradas. 

O historiador José Adelino Maltez garante que o "25 de Abril não foi um golpe de Estado nem uma revolução, mas uma onda inspiral". A frase que mais espantou a audiência foi quando Adelino Maltez disse que o "o 25 de Abril já não é de esquerda". Numa intervenção focada muito nos aspectos históricos actuais, o historiador terminou em beleza ao ter dito que "Abril é liberdade". Aliás, esta foi uma ideia partilhada por todos os presentes. 

Apesar de recordar o 25 de Abril ser um exercício meramente histórico, há sempre lições a tirar do golpe efectuado há 40 anos. É normal que todos os anos ouçamos os mesmos relatos, visionamos as imagens de sempre e os heróis de Abril nunca deixarão de ser aqueles que deram o corpo às balas. No entanto, há um problema que as gerações mais novas enfrentam: Como é que aqueles que não viveram Abril vão contar aos seus filhos e netos a história da revolução?

Fica a pergunta...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Estratégia pós-troika

As reacções às medidas do DEO mostram uma indignação social por um aumento mínimo de 0,25% na taxa do IVA e a subida da TSU. 

É verdade que o governo, e em particular Pedro Passos Coelho, disse que não iria haver mais aumento de impostos nem mexidas nos salários dos funcionários públicos. Ora, o PM não vai cumprir a primeira promessa mas garante a manutenção da segunda. 

Eu percebo que os críticos venham agora chamar "mentiroso" ao PM e ao resto do governo. No entanto, também deviam ter em consideração o facto do executivo ter dito que os cortes dos salários da função público serem permanentes, o que também não corresponde à verdade. Pois é, o governo vai começar já em 2015 a devolução de 80% da tabela salarial dos funcionários públicos. Afinal, o governo mente, mas para o mal e também para o bem. 

Não vou criticar o governo por fazer um aumento ridículo na taxa do IVA. O imposto que verdadeiramente afecta as pessoas é o IRS e esse vai ficar na mesma, pelo menos por enquanto, porque se houver condições o governo pode muito bem baixar a carga fiscal. 

O que dizem os críticos da possível saída limpa do programa de assistência e financeira? Espero que também reconheçam ao governo de ter vencido este problema.
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