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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Figuras da Semana

Por cima

Alexis Tsipras - O primeiro-ministro grego conseguiu uma boa vitória para o seu país depois do Eurogrupo ter aprovado o seu plano de reformas. Após esta decisão o executivo tem a tarefa complicada de tornar a vida da população bem melhor do que tem sido até hoje. O primeiro teste à popularidade de Tsipras, Varoufakis e dos restantes governantes começa agora. 

No meio

António Costa -  O secretário-geral do Partido Socialista cometeu uma gaffe que deixou o aparelho mal-disposto. Numa conferência de celebração do novo ano chinês, Costa disse que o país está bem melhor do que estava há quatro anos. Ora, o líder socialista acaba de dar uma ajuda a Passos Coelho numa altura em que está a perder pontos nas sondagens. A pouco e pouco António Costa vai mostrando um pouco de Seguro que tem dentro de si. 

Em baixo

Julen Lopetegui - O treinador do FC Porto festejou uma vitória difícil frente ao Boavista optando por criticar as arbitragens que supostamente estão a ajudar os encarnados a manterem-se na liderança. Lopetegui não tem feito outra coisa senão dar bicadas no rival e não elogia a sua equipa que tem praticado um bom futebol. O espanhol já percebeu como funcionam as coisas e prefere manter pressão sobre os árbitros que vão apitar os jogos do Benfica. Veremos se o treinador supera as próximas dificuldades que começam amanhã frente ao Sporting e acaba numa complicada deslocação a Braga na próxima ronda. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

De braço-dado ou sozinho...



Surgiu neste texto do Francisco Castelo Branco uma curiosa abordagem ao que tem sido o tabu pré-eleitoral das legislativas deste ano.
Primeiro porque são conhecidos os principais actores candidatos ao cargo de primeiro-ministro; segundo porque é normal este estádio de limbo enquanto se afinam as “armas” que se levaram a combate quando se acenderem as luzes da ribalta da campanha eleitoral.
É, por isso e nesta altura, a principal interrogação eleitoral: o tabu que gravita em torno de eventual coligação pré-eleitoral PSD-CDS ou da ida às urnas separadamente. A esta questão o Francisco adicionou uma “pitada de sal”, prontamente ‘saboreada’ pela Mafalda: a liderança do CDS. E bem… porque as duas questões não são dissociáveis.
Decorria o ano de 1982 quando me filiei na Juventude Centrista. Percorri, desde essa altura, muitos anos de militância, de campanhas, de concelhias (uma das quais já pelo CDS). Há vários anos que a veia ideológica social-democrata teimava em demonstrar-me alguma diferenciação partidária entre as convicções e a militância centrista. Mas, mais importante ainda, foi a minha decepção (tal como o Franscisco refere) na excessiva personificação partidária do CDS, após o falecimento de Adelino Amaro da Costa e do fim da AD. Refiro-me, por exemplo, a Freitas do Amaral, a Manuel Monteiro e a Paulo Portas. Excepção feita, diga-se em abono da verdade, para essa personalidade de excelência que foi (e é) Adriano Moreira. Impunha-se esta declaração de interesses para que não haja qualquer tipo de dúvidas.

Tenho algumas concepções diferenciadas do texto do Francisco.
Desde há muito que as lideranças do CDS sempre foram, principalmente pela questão da personificação do cargo, muito frágeis, tal como o posicionamento do partido no espectro partidário nacional. Basta recordar que foi sempre pela mão de coligações/acordos pós-eleitorais que o CDS chegou ao poder (com Mário Soares, com Durão Barroso, com Passos Coelho).
Neste momento, em contexto de ano eleitoral, o CDS só tem à sua frente um único destino: a sua irrelevância futura na política nacional.

Razões:
1. Não pode, nem consegue, negar o seu passado recente enquanto parceiro e membro deste Governo e corresponsável com as políticas que foram implementadas. Concordasse ou não com elas. Irrevogavelmente não bateu com a porta, não deu um murro na mesa, assinou sempre por baixo (mesmo que contrariado).
2. Ir isoladamente a eleições é o mesmo que um suicídio político, já que não consegue encontrar discurso que o afaste deste três últimos anos.
3. Propondo-se a uma eventual coligação pós-eleitoral com o PS (tal como muitas vezes foi referido e escrito) seria a pública adjectivação de um partido apenas preocupado com a cadeira do poder.
4. Alterar a liderança, nesta fase, era mais um tiro na já frágil sobrevivência partidária. Seria uma enorme divisão interna e seria, publicamente, uma tentativa incompreensível e condenável de desresponsabilização pelos anos de governação. O eleitorado e os eleitores não iriam aceitar.

Portanto, ao CDS resta manter-se (em “coma”) ligado à máquina da coligação, esperar que o PS continue a não ser alternativa (ou a não descolar nas intenções de voto) e assim ter a esperança de, pelo menos no nome, continuar a ser relevante em mais quatro anos.
Tenho muitas dúvidas, como se sabe.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Está na hora de mudar a Porta

O resultado das próximas eleições legislativas vão definir o futuro de todos os partidos a não ser que o vencedor não alcance maioria absoluta nem consiga efectuar uma coligação. Neste caso o mais provável é termos um segundo acto eleitoral geral em 2016. 

O momento diz-nos que o PS vai ganhar sem maioria e que os dois partidos da coligação chegam perto do primeiro lugar. Ainda faltam alguns meses, mas se a futura coligação conseguir o milagre de ultrapassar os socialistas nas sondagens vão ter que fazer coligação com o partido liderado por Marinho Pinto. 

O CDS pode vir a ser muito afectado no próximo acto eleitoral, pelo que, é normal que a actual direcção queira ir a jogo em conjunto com o PSD. O melhor seria ir sozinho para saber qual o verdadeiro valor actual do partido. Penso que o episódio do irrevogável do líder centrista não deixa outra alternativa. Uma vez que não se afigura um bom resultado para o CDS (coligado ou não com o PSD) seria importante fazer um análise interna sobre os últimos anos. Não os quatro anos de governo, mas aqueles que estiveram sob a liderança de Paulo Portas. Tal como vai acontecer com o PSD (e talvez o PS) é importante uma reflexão profunda além da organização de congressos sem interesse nenhum e com características comunistas. 

O movimento liderado por Filipe Anacoreta Correia promete dar luta a esta direcção que se tem eternizado no poder. Uma nova liderança também permitiria ao partido abrir-se a outros sectores e ideologias. Infelizmente o CDS tem-se caracterizado por ser um partido que não altera o seu líder há bastante tempo. Na política esta situação é má. Os partidos devem ser mais abertos e democráticos. Isso não acontece nos dias que correm no PP. 

Espero que a porta da discussão sobre a liderança seja aberta após as eleições legislativas. A bem do CDS, mas também de Portugal.

O facilitismo da banalidade discursiva



Em pleno processo negocial do programa de ajustamento financeiro à Grécia, são mais as polémicas e as movimentações paralelas do que o confronto de posições políticas entre a Alemanha, a União Europeia e o Governo grego.
As mais recentes boçalidades políticas demagógicas vieram pela voz e intervenção do ex-primeiro ministro luxemburguês (abraços com alguns processos pouco claros) e actual presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Segundo a agência noticiosa Efe, o actual sucessor de Durão Barroso, numa intervenção perante o Comité Económico e Social da União Europeia, terá admitido erros graves nos programas de ajustamento e nas políticas de austeridade impostos a Portugal, Irlanda e Grécia (esta ainda em fase de ajustamento): «a troika ‘pecou contra a dignidade’ de portugueses, gregos e também irlandeses», concluindo que «é preciso rever o modelo e não repetir os mesmos erros». Nas mesmas circunstâncias, Juncker afirmou que, pelo facto de ter presidido ao Eurogrupo durante os processos de ajuda externa referidos, aquela observação “poderia parecer estúpida”. A questão é mesmo essa… a observação não parece; é mesmo estúpida.
Não se ouviu qualquer crítica ou uma simples observação contrária aos programas de ajuda externa e às consequentes políticas de austeridade impostas aos três países, enquanto presidente do EuroGrupo e responsável por parte de todo o processo de ajustamento financeiro. Muito menos à estrutura e funcionamento da Troika.
Corrigir, alterar, “dar a mão à palmatória”, são atitudes nobres, com carácter, com personalidade, quando, em função do reconhecimento do falhanço de determinados objectivos, se pretende mudar. Vir falar em erros, em alterar regras e a história dos processos, só porque politicamente é o mais correcto em função de conjunturas negociais, é pura demagogia política, pura banalidade discursiva. Para mais quando não se acredita (como nunca se acreditou) nem uma vírgula no desvio dos conceitos e princípios.
Além disso, o que espera Juncker com estas declarações? Criar alguma pressão na União Europeia (à qual preside) para uma mudança de concepção político-financeira? Pressionar a União Europeia (da qual é líder) para que seja reposta significativa justiça nos ajustamentos financeiros feitos a Portugal e à Irlanda? Vai pressionar os países-membros da UE (dos quais é referência) para devolver a dignidade roubada a milhares de portugueses e irlandeses? Ou tudo isto, mais uma vez e tal como aconteceu nas suspeitas de irregularidades bancárias e financeiras no Luxemburgo, enquanto primeiro-ministro, serve apenas para branquear as responsabilidades que assumiu, frontal e veemente, num passado tão recente?
Face a tudo isto, Jean-Claude Juncker, já que fala tão fluidamente em dignidade deveria assumir a sua e, perante o que foi a história, os factos, as políticas, que agora repugna, pedir a demissão do cargo que ocupa, a bem da Europa e da nossa dignidade.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Luz grega

A Grécia tem luz verde do Eurogrupo para implementar as suas reformas. O novo governo conseguiu um primeiro voto de confiança por parte de Bruxelas e de todos os membros da zona euro, incluindo Portugal e Espanha que estiveram pouco disponíveis para dar mais tempo a Atenas. 

A medida do Eurogrupo é sensata e correcta, apesar de sempre ter escrito que a Grécia desperdiçou todas as oportunidades que teve. No entanto, com a eleição de um novo executivo é normal que haja um voto de confiança das instituições europeias. Na minha opinião Alexis Tsipras e Yannis Varoufakis transformaram uma derrota que seria complicada de explicar aos gregos numa vitória que vai animar a população e os mercados. O problema é que estes não estão para esperar muito. O mesmo acontece com Bruxelas e principalmente Berlim. 

Penso que a opção da entidade europeia que controla a zona euro foi mesmo a primeira e última oportunidade e que Angela Merkel vai estar atenta ao evoluir da situação. O povo grego também irá escrutinar as opções do Syriza, sendo que não lhe dará muito tempo para que as suas vidas melhorem significativamente porque foi isso que Alexis Tsipras prometeu durante a campanha eleitoral. 

Embora se tenha dado um novo passo ainda é cedo para sabermos se o Syriza é um partido vai mesmo mudar os interesses instalados. Eu não acredito, pelo menos no que diz respeito à necessidade de austeridade. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

jornada 22

O FC Porto passou no primeiro de três testes complicados que tem até ao confronto com o Benfica na Luz. Uma exibição apagada, mas eficaz permite à equipa de Julen Lopetegui manter a pressão sobre o líder que tem sido acusado de ser levado ao colo pelas arbitragens. Ninguém pode colocar em causa a justiça da liderança do Benfica apesar de em Moreira de Cónegos os erros do árbitro ter favorecido a equipa forasteira. No topo registar apenas a aproximação do Belenenses ao Vit.Guimarães que segura o quinto lugar embora ainda não tenha vencido nas cinco jornadas da segunda volta. A recepção ao Marítimo na próxima ronda é o jogo ideal para os minhotos regressarem às vitórias e ainda pensar apanhar o rival Sp.Braga e fugir à equipa de Lito Vidigal.

Não havendo novidades no topo as alterações verificaram-se no fundo da tabela. A Académica obteve um resultado surpreendente na Amoreira ao vencer o Estoril. José Couceiro começa a ser contestado. O Penafiel foi a Setúbal ganhar a um concorrente directo e o instável Arouca também conquistou os três pontos. Quem ficou a perder foi o Gil Vicente que voltou ao último lugar e o Boavista que deixou as equipas referidas aproximarem-se. Apesar de tudo, tanto os galos como os axadrezados parecem estar um pouco acima da restante concorrência. 

Uma última nota para mais um desaire do Estoril e Marítimo. As duas formações sofreram a segunda derrota consecutiva em casa, sendo que o registo fora não é famoso. Ainda não há motivos para preocupação, embora Couceiro esteja a ser contestado, mas as duas formações só têm mais nove pontos do que o último classificado. 

Positivo
Regresso do derby do Porto, exibição decisiva de Christian Tello, Pedro Santos em grande no Sp.Braga, Belenenses perto do Vit.Guimarães, grande golo de Nani em Alvalade, segunda vitória da Académica no campeonato

Negativo
Contestação em torno de José Couceiro, segunda derrota consecutiva do Marítimo em casa, arbitragem de Jorge Ferreira no Moreirense-Benfica, Vit.Guimarães continua sem vencer na primeira volta,

Jogador da Jornada: Christian Tello (FC Porto)
Treinador da Jornada: Lito Vidigal (Belenenses)
Melhor jogador do campeonato: Hassan (Rio Ave)

Ao lado da posição do governo

Como já manifestei várias vezes neste espaço estou com a posição adoptada pelo executivo português em relação à Grécia. De facto, não se entende como é que uns cumprem escrupulosamente com as suas obrigações e outros pretendem fugir a elas. O governo Syriza pretende exclusivamente não pagar aquilo que deve e apenas receber ajuda externa. Gostava de perguntar a Alexis Tsipras como vai resolver o problema grego sem medidas de austeridade. 

Acho muito bem Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque estarem do lado dos interesses alemães porque foi muito difícil aquilo porque passaram os portugueses, além de que a impopularidade das medidas podem custar uma derrota nas eleições legislativas no final do ano. A solidariedade não passa só por ajudar os gregos, mas também por estes cumprirem e dessa forma agradecerem os sacrifícios que outros povos estão a fazer em prol da manutenção da Grécia na zona euro. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Olhar a semana... A fiscalidade de plástico



Ainda há muito pouco tempo a ex-ministra das Finanças do governo de Durão Barrosa, Manuel Ferreira Leite (pelos visto possível candidata a candidata à presidência da República) afirmava, no seu espaço de comentário televisivo, que a máquina fiscal portuguesa tinha uma história e um trabalho meritório nestes anos da democracia. Não colocando isso em causa, nem o trabalho feito, a verdade é que a questão fiscal em Portugal vai muito para além da sua “máquina”. Mais do que o valor monetário, em causa estará o volume e a quantidade de taxas e impostos. Mais ainda… a dificuldade que o contribuinte português tem na percepção do impacto e do destino dessa violenta carga fiscal, principalmente quando se depara com um Estado cada vez mais vazio das suas responsabilidades sociais, nomeadamente na área social, na saúde, na educação, na justiça, nos transportes e acessibilidades, nos bens essenciais como a água e a energia, ou se questiona perante a justiça tributária como por exemplo face ao IMI.
No passado domingo entrou definitivamente em vigor, após período transitório, o pagamento de dez cêntimos por cada saco plástico, fruto da Reforma da Fiscalidade Verde (Lei 82-D/2014, de 31 de dezembro), regulada, no caso dos sacos de plástico leves (artigo 30.º da Lei n.º 82-D/2014), pela Portaria 286-B/2014, também de 31 de dezembro.
O princípio que determinou esta medida governativa não é inovador, nem a própria Fiscalidade Verde (questionável num país, como o nosso, com um impacto do sector industrial muito baixo). Tal política fiscal é fruto da preocupação, a nível comunitário, com o elevado consumo e os impactes ambientais e económicos dos sacos de plástico leves e que determinou a alteração à Diretiva 94/62/EC relativa a embalagens e resíduos de embalagens, impondo aos Estados-membros a redução do elevado consumo destes sacos. Do ponto de vista ambiental, nada a opor. Mas a questão volta a ser a da justiça e do impacto da medida fiscal.
Primeiro, a legitima dúvida do contribuinte (neste caso, o chamado “adquirente final”) de que, tal como a lei o prevê, uma parte (não especificada) da verba seja realmente aplicada acções de conservação da natureza e da biodiversidade.
Segundo, a dúvida de que a tão elogiada “máquina fiscal” seja suficientemente eficaz (e eficiente) na cobrança do valor da “venda” dos sacos plásticos leves por parte do comerciante.
Por fim, e mais uma vez, a responsabilidade fiscal cabe sempre ao contribuinte/consumidor, tal como em tantos e tantos casos fiscais (por exemplo, relembre-se o que acontece com os “direitos de passagem” no caso das facturas do sector das comunicações).
O comerciante apenas serve de “entreposto fiscal” entre o Estado e o contribuinte, alheando-se de responsabilidades ambientais e fiscais. Paga, por tanto, sempre o mesmo do costume. Por outro lado, que legitimidade, ou se quisermos até, que moralidade tem o comerciante na exigência do pagamento do saco plástico (mesmo por dever legal) quando o saco que o consumidor adquire vem impregnado de publicidade? Que valor paga a “marca” ao consumidor como veículo publicitário/marketing? Neste caso, a lei deveria exigir a entrega de sacos sem qualquer publicidade (“brancos”).
Por último restam inúmeras dúvidas e interrogações quanto ao impacto ambiental da medida, excluindo uma eventual redução do número de sacos plásticos produzidos e comercializados. É que há já quem faça “contas à vida”: dez cêntimos por saco, após 20 idas às compras, significam, por exemplo, uma despesa de dois euros e 20 sacos plásticos em stock doméstico. Ora, um conjunto de 15 sacos do lixo custam cerca de três euros. Mais vale utilizar os sacos plásticos pagos no hipermercado. E lá se vai uma boa parte do princípio ambiental.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Figuras da Semana

Por Cima

Acordo Grécia - O acordo entre a Grécia e o Eurogrupo foi bom para as duas partes, embora os quatro meses que Atenas tem pode não ser suficiente. Durante este período critiquei a postura do governo grego porque parecia ter uma derrota clara. No entanto, o novo executivo obteve uma pequena vitória, embora tenha pouco tempo para cumprir com os compromissos. Vai ser preciso um super Varoufakis para idealizar um plano perfeito em tão pouco tempo.

No Meio

António Costa -  O candidato a primeiro-ministro arranja sempre uma desculpa para criticar o governo português. É normal que assim seja porque enquanto veste a pele de secretário-geral do Partido Socialista tem de conquistar os votos dos portugueses. O problema é que as sondagens ditam que o PS está muito longe da maioria absoluta e a maioria só está a cinco pontos percentuais dos socialistas e ainda por cima ainda não houve uma formalização de que os dois partidos do governo vão juntos a eleições. Ora, alguns membros do PS também já não acreditam numa vitória que lhes permita governar sozinhos. Sem uma maioria absoluta, António Costa dificilmente será primeiro-ministro por muito tempo. 

Em Baixo

Revolta em Kiev - Há um ano um grupo de pessoas criou uma revolta na praça da independência em Kiev com o objectivo de derrubar o ex-presidente Viktor Yanukovich. Como resposta a esses acontecimentos os russos que viviam no leste pegaram nas armas e dividiram o país ao meio, além da Crimeia ter sido anexada à Rússia. Um ano depois todos sabemos que a Ucrânia é um caso perdido. De quem é a culpa? Podemos ouvir todos os argumentos possíveis, mas a verdade é que não haveria resposta no leste sem os acontecimentos na Praça da independência.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Eusébio no Panteão

A trasladação dos restos mortais de Eusébio para o panteão nacional nesta altura é um erro. Apesar da figura importante que foi o antigo jogador do Benfica não se devia dar este tipo de honras num curto espaço de tempo. A questão não tem a ver com a relevância do King, mas com o momento, além de ser necessário fazer uma discussão sobre o assunto. No Panteão Nacional deveriam estar apenas os antigos chefes de Estado e de governo. As restantes celebridades nacionais poderiam descansar na sua campa junto da família. 

A situação de Eusébio vai criar um precedente e qualquer dia não há espaço no panteão para os inúmeros pedidos que vão ser feitos daqui para a frente. As figuras nacionais que já não estão entre nós deveriam ser homenageadas de outra forma que não passa apenas pela trasladação para o panteão. Deveria haver na capital um memorial. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Fuga grega

A Grécia não vai ter condições extra para cumprir as suas obrigações com a Europa. Mesmo que haja mais tempo isso não significa a diminuição da austeridade. Ainda bem que assim é porque todos têm de ser responsáveis na zona euro. Se as imposições alemãs são justas ou não isso é discutível, mas só no quadro de todos os países do euro é que podem alterar as actuais exigências. Mudar as regras do jogo a meio não é certo para quem fez sacrifícios. Fala-se muito em solidariedade na Europa, embora nunca seja o argumento utilizado por quem tem de cumprir com aquilo que assinou. 

O novo governo liderado por Alexis Tsipras tem a primeira derrota política. Numa primeira fase o povo grego está com o governo, mas isso vai mudar rapidamente porque o executivo não vai ser capaz de explicar porque falhou. Ou seja, o Syriza cometeu um erro grave quando foi para a campanha prometer mudanças a vários níveis. É verdade que foi recompensado, mas há o reverso da medalha. Outra situação que não foi pensada diz respeito à coligação. Duvido que o partido com ideologia bem diferente do Syriza aguente esta situação por muito mais tempo. 

Isso são contas de outro rosário. O que importa realçar foi o falhanço das negociações entre a Grécia e a Europa. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Nobre atitude

O antigo presidente AMI, Fernando Nobre, mostrou a sua disponibilidade para candidatar-se à Presidência da República. Numa entrevista ao i, o ex-candidato diz que só avança caso entenda que seja útil. 

Numa altura em que se fala mais de presidenciais do que legislativas não há nada melhor do que haver mais um figura que se coloca em bicos dos pés para Belém. No entanto, o verdadeiro objectivo de Nobre é ter o apoio do PSD e não avançar sozinho. Tenho a certeza que Passos Coelho vai pensar nele como uma solução depois da tentativa falhada em nomear Fernando Nobre para Presidente da Assembleia da República. Como se viu há quatro anos o caso foi de difícil resolução. 

O problema de Nobre é o mesmo de Santana Lopes. Ambos foram a eleições e perderam. No caso do antigo presidente do PSD isso sucedeu várias vezes. Os portugueses nunca votam numa personalidade que rejeitaram politicamente num momento anterior. Isto é a primeira regra da política. É verdade que o actual primeiro-ministro também só conseguiu ser líder do PSD à segunda tentativa, mas nesse caso estamos perante uma eleição partidária. Com Santana Lopes e Fernando Nobre a questão é diferente. Nem vale a pena concorrer a Belém porque não vencem em qualquer circunstância. Posto isto, só uma candidatura apartidária consegue fazer com que um deles ou os dois voltem à cena política nacional. 

O antigo candidato presidencial aparece porque não quer ser esquecido. Na política as pessoas aparecem e desaparecem num fechar de olhos.

Agora é a altura certa para este tipo de pessoas aparecerem com o objectivo de dizerem que estão vivas. Mais nada.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Conflito tecnológico entre a União Europeia e os Estados Unidos

A questão da falta de concorrência ao Google em espaço europeu motivou a intervenção do Presidente Obama. Neste momento, a União Europeia e os Estados Unidos estão em pé de guerra por causa do gigante norte-americano.

Os europeus defendem que existe monopólio do Google e falta de competição no mercado, embora não tenham nenhum motor de busca que faça concorrência à empresa norte-americana. Os EUA dizem que a Europa pretende criar um caso em torno da presença da marca e reclama a autoria da invenção da internet. Na opinião do presidente este facto justifica a quebra de regras por parte de empresas como o Facebook, Google, entre outras. No meio disto tudo temos a habitual forma de fazer política com ameaças e acções que prejudicam os consumidores, como foi o caso do encerramento do Google News em Espanha.  

O que a União Europeia pretende é o fim do monopólio e da superioridade do Google no espaço europeu porque isso retira espaço aos outros motores. No entanto, não há intenção dos governos europeus em investir na tecnologia através das melhores universidades e centros de investigação. A crise financeira canalizou o dinheiro disponível para outras necessidades. 

Neste conflito atlântico entre as duas instituições a razão está dos dois lados. Por um lado, os argumentos dos europeus são viáveis porque todos respeitam as regras e não deve haver excepções, além de que o comportamento do gigante norte-americano tem sido preocupante e pouco ético. Não se entende o encerramento da Google News no país vizinho. As razões de Washington também é acertada uma vez que Silicon Valley é o ponto de partida para o mundo inteiro ter acesso aos brinquedos tecnológicos. Mal ou bem este é um produto que os norte-americanos exportam para os restantes continentes. 

Na minha opinião cabe à UE tentar impedir o monopólio do Google através da criação de um concorrente directo. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

jornada 21

O Sporting disse adeus ao título após o empate no Restelo. Os leões estiveram a perder até ao último minuto dos descontos. Uma derrota significaria que o Sp.Braga só estaria a três pontos do leões. Veremos como se processam as próximas jornadas uma vez que os dois clubes têm de medir forças com o FC Porto. Os jogos serão decisivos para saber quem tem unhas para tocar o terceiro lugar, mas muito importantes para os azuis e brancos. O título só pode ser discutido entre Benfica e FC Porto que venceram os respectivos jogos em sua casa. Na próxima ronda há deslocações complicadas para os dois primeiros. Estou certo que serão os jogos fora de casa que irão ter influência na atribuição do campeão. Neste aspecto, os dragões têm uma tarefa complicada porque as duas próximas deslocações serão ao Bessa e a Braga. Pelo meio há a recepção ao orgulhoso Sporting. 

O Gil Vicente continua a surpreender. Os galos venceram em casa o Paços de Ferreira e ainda não perderam nesta segunda volta. Com este resultado a zona de despromoção já não é uma realidade, além de ser a equipa envolvida na luta pela manutenção que está a jogar melhor futebol. Os principais rivais dos gilistas são o Boavista, V.Setúbal, Arouca, Académica e Penafiel. Duas destas seis formações vão descer. 

A 21ª jornada ficou marcada pela terceira chicotada psicológica da temporada. Depois de João de Deus e Ricardo Shéu terem abandonado o Gil e o Penafiel no princípio da época, agora foi a vez de Paulo Sérgio não resistir às péssimas exibições da briosa que só tem uma vitória na 6ª jornada. A decisão do presidente da Académica peca por tardia. 

Positivo
Exibições positivas de Benfica e FC Porto, estreia de Rui Fonte a marcar na Liga, defesas de Mika ao serviço do Boavista, Simy e o novo andamento do Gil Vicente

Negativo
Despedimento de Paulo Sérgio no comando técnico da briosa, Vit.Guimarães aos arames no Dragão, Empate do Sporting no Restelo confirma adeus ao título, arbitragem no Sp.Braga - Arouca

Jogador da Jornada: Lima (Benfica)
Treinador da Jornada: José Mota (Gil Vicente
Melhor jogador do campeonato: Hassan (Rio Ave) com cinco nomeações

Quem quer ser colega de Marinho Pinto

As últimas sondagens referentes às próximas eleições legislativas colocam o PS no primeiro lugar, mas longe da maioria absoluta. Os dois partidos do governo juntos estão a cinco pontos dos socialistas. Mesmo que PSD e CDS decidam coligar-se não conseguem obter maioria absoluta. Ainda é cedo para fazer análises, mas é certo que o vencedor vai ter que procurar fazer uma aliança. 

Os partidos de esquerda não vão na cantiga de António Costa. Não irá haver coligações entre o PS e o PCP ou o BE. Só faltam os partidos que podem conquistar deputados como é o caso do partido de Marinho Pinto e o Livre. É provável que o PDR aumente a sua percentagem, ultrapassando mesmo o BE. Se assim acontecer o novo partido tem todas as condições de ser a força mais apetecível pelo vencedor do acto eleitoral. 

O discurso do antigo bastonário da Ordem dos Advogados será focado na necessidade de encontrar um partido que não permita aos partidos tradicionais de fazerem tudo o que lhes apetecer durante a próxima legislatura, nomeadamente nas concessões de soberania que se deve fazer a Bruxelas.  

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Figuras da semana

Por cima  

Separatistas pró-russos - Após várias rondas de negociação parece que as partes envolvidas no conflito ucraniano chegaram a um princípio de cessar-fogo. Nas negociações que duraram 17 horas só houve vencedor que foram os rebeldes. Kiev vai ter de fazer cedências às regiões que querem ter relações económicas e políticas privilegiadas com Moscovo. Desta forma começa a desintegrar-se o território ucraniano em termos políticos. Putin também levou vantagem sobre Obama nesta questão. Não vale a pena proferir grandes teses no momento em que estamos a analisar as figuras da semana, mas é um facto que algo vai mudar no leste do país partido ao meio.

No meio 

Alex Tsipras - O governo grego começa a perder o gás que beneficiou nos primeiros dias. A partir de agora a Grécia tem um problema para resolver que se chama pagar a dívida. Não há outra forma, mesmo que internamente o novo executivo siga a sua ideologia. É natural que o faça, mas vai ter que cumprir as obrigações perante os credores internacionais. Não há outra hipótese. O problema para Tsipras vai ser a forma como explicará às pessoas o seu falhanço.

Em Baixo  

Guerra Benfica-Sporting -  Como costuma acontecer o derby lisboeta prolongou-se para fora das quatro linhas já que no relvado o único vencedor foi o FC Porto porque ganhou dois pontos aos rivais na luta pelo título. As ameaças, os comunicados violentos e o corte de relações anunciados pelas respectivas direcções não levam a nada e começam a fartar aos olhos dos adeptos. Neste caso a fogueira foi acesa pelo Sporting devido ao mau perder do seu presidente. Luís Filipe Vieira não deveria ter respondido e sair por cima. Como fazem os líderes.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

À procura dos votos benfiquistas

Assumo que sou benfiquista, mas esta situação é inexplicável.. O secretário-geral do Partido Socialista e também presidente da Câmara municipal de Lisboa vai dar uma ajudinha ao Benfica, muito preciosa em tempos de campanha eleitoral para São Bento. Nada melhor do que perdoar uma dívida ao clube mais popular de Portugal para ganhar votos nas eleições legislativas, ou não é que o Benfica tem seis milhões de adeptos?

É inacreditável como António Costa utiliza os cargos que ainda tem para vencer as eleições. O apoio dado ao Sport Lisboa e Benfica contraria a política fiscal de Costa que passa por introduzir taxas em tudo o que é sítio na capital. Não há dúvida que esta situação é escandalosa e só vai prejudicar o mesmo uma vez que isto também será utilizado pelo governo como trunfo eleitoral. Não sei se é preciso fazer um aproveitamento político deste episódio porque os lisboetas e o país sabem que não se trata de uma política decente quando grande parte das pessoas foi sujeita a muitos sacrifícios. 

António Costa começa a perder toda a moral e autoridade. Ainda só vamos em Fevereiro e as eleições são só em Outubro. 


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

À beira de um ataque de nervos

publicado na edição de hoje, 11 fevereiro, do Diário de Aveiro.
A Europa, mais concretamente a União Europeia e a Zona Euro, estão a ferro e fogo, à beira de um autêntico ataque de nervos. Em causa a pressão da Grécia em relação à sua dívida e ao programa de ajustamento a que tem estado sujeita. Mas não só… a par, e não menos importante, a Europa vê-se a braços a com o prolongar da crise na Ucrânia e com a posição de força da Rússia.
Em vésperas da reunião do Eurogrupo e do Conselho Europeu muito está em jogo, neste momento, na União Europeia. E não se pense que é apenas fogo-de-vista ou fumo sem fogo. Tudo é colocado em causa: os princípios magnos da constituição da União Europeia, os Tratados (concretamente o de Lisboa, por exemplo), a solidariedade (ou a falta dela) entre os Estados-membro, os fundamentos económico-financeiros dos processos de ajustamento (a austeridade), entre outros.
Os próximos dias e as próximas horas ditarão quem será o mais inflexível, quem será o mais moderado nas posições, quem cederá primeiro, quais os países que estarão ao lado da Grécia e quais os que estarão ao lado da Alemanha. No fundo, os próximos dias marcarão a queda ou a consolidação dos princípios financeiros que têm sustentado os programas de ajustamento aos países em desestruturação financeira.
Mas há mais. Há quem considere que as posições assumidas pelo governo grego não passam de meras conjunturas negociais e demagogia eleitoral. Já aqui o disse, há dias, que achava que as posições assumidas pelo Syriza, nas eleições, e assumidas como programa governativo pela nova coligação governamental grega, acabariam por, mais cedo ou mais tarde, ceder ou criar uma profunda ruptura. Espera-se o bom-senso político, de ambas os lados, para que a ruptura não surja porque uma saída grega da zona euro terá um efeito ainda não bem avaliado, mas que se afigurará negativo para a moeda e para a própria estabilidade da zona-euro.
Há ainda um outro dado importante nesta semana explosiva na Europa. E um dado que ultrapassa a sua configuração geoestratégica e bélica para contornos geopolíticos e financeiros: o conflito na Ucrânia e a relação tensa entre a Rússia e a Europa/Estados Unidos.
Mais do que a Grécia tomar as “dores de parto” da Rússia, todo este aproximar grego a Putin afigura-se como um cavalo de Tróia da Rússia na Europa. E poderá estar aqui a ponte política e a arma negocial russa no conflito ucraniano, apresentado-se Putin como a sustentação do “Plano B” grego caso falhem as negociações no Eurogrupo. Quando muitos dos países da ex-URSS se apressaram a solicitar a adesão à União Europeia e à Zona Euro, bem como a NATO, eis que a crise grega e as recentes eleições na Grécia invertem a tendência e aproximam países europeus da Rússia, aumentando a sua importância geoestratégica na Europa e na Ásia.
Daí a imediata preocupação da Alemanha em reunir com os Estados Unidos tentando mediar o conflito pela via diplomática (ao contrário dos Estados Unidos que preferiam a via militar com ajuda bélica ao governo da Ucrânia para combater os separatistas), bem como a imediata reacção da China face às posições financeiras assumidas pelo governo grego em relação a processos de privatização.
Não é só a nível económico-financeiro que se discute o futuro da Grécia e da União Europeia (e as respectivas instituições) nos próximos dias. Vai muito para além da dívida, da sua renegociação e do programa de ajustamento.
O futuro da União Europeia passa, essencialmente, pela forma como a Europa contornará ao conflito na Ucrânia e conseguirá fragilizar a relação, que se afigura intensa, entre a Grécia e a Rússia.
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