Etiquetas

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Bloco alemão

Conferência no ISCTE com Brendan Simms


A Alemanha sempre teve um papel importante dentro da Europa, mas também foi olhada com desconfiança devido às feridas causadas pela segunda guerra mundial. 

Nesta década o poder económico de Berlim garantiu influência sobre o rumo da União Europeia. A crise do euro é o exemplo mais notório da força conquistada pelo governo alemão, sobretudo desde que Angela Merkel é chanceler. 

Na minha opinião a Alemanha é amada por uns e odiada por outros. Os que não gostam das políticas alemãs são países como Portugal, Grécia, Espanha e o Reino Unido. Ninguém adivinhava que o poder na Europa mudasse de Londres para o eixo Paris-Berlim. No entanto, isso aconteceu devido ao crescimento económico que permitiu às empresas alemãs serem responsáveis pela valorização da moeda única. 

Neste momento o apoio dos países de leste, outrora inimigos, constitui um bloco a leste que impede a influência de Moscovo e cria divisões no resto da Europa. Ou seja, nenhum outro país tem a capacidade para criar um bloco. 

A força não vem só da economia. Ao longo dos últimos anos conquistou poder político dentro e fora das instituições europeias. As decisões tomadas com Paris reduziu as principais figuras europeias, como foi o caso de Durão Barroso, a meros actores que serviam apenas como mensageiros. 

Desde o fim da segunda guerra mundial que a Alemanha tem vindo a subir, ao ponto de serem maiores do que a própria União Europeia. Isto é, na Europa existe apenas o bloco alemão.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Republicanos perdem peso político


A saída de Scott Walker da corrida republicana à Casa Branca provoca um vazio nas primárias do próximo ano. O mesmo acontece com a demissão de Joe Boehner como "Speaker" do congresso norte-americano. Os dois acontecimentos estão ligados devido ao momento eleitoral nos Estados Unidos. As consequências das duas baixas são internas e externas. No plano interno, Donald Trump fica sem opositores credíveis até às primárias de Fevereiro de 2016. Nesta altura, as únicas candidaturas que ameaçam o milionário são as de Jeb Bush e Marco Rubio. Scott Walker era um figura forte e capaz de trazer credibilidade ao partido. Em relação às consequências externas, não tenho dúvidas que Hillary Clinton ganha com a saída do governador do Wisconsin. A ex-primeira-dama não tem que se preocupar com a oposição, embora Trump seja forte no plano mediático e populista. Por outro lado, a antiga secretária de Estado tem vantagem no plano ideológico. Contudo, isso nem sempre é o mais importante no acto legislativo. 

A demissão de Joe Boehner do congresso também significa uma vitória para os democratas, que têm tido pouco espaço de manobra nas duas câmaras norte-americanas. Donald Trump também sobe na estrutura partidária porque não tem de prestar contas com ninguém ligado ao partido. 

As pessoas que poderiam dar financiamento, espaço mediático e ideias políticas para o Partido Republicano tirar a Casa Branca aos democratas saem de cena antes do início das primárias. Tendo em conta que Joe Biden não vai concorrer contra Hillary e Barack Obama estará ao lado desta na campanha, vejo que os republicanos foram lançados às feras. Ou seja, não há ninguém que ofereça suporte institucional aos candidatos. O único que não se importa com isto é Donald Trump.

sábado, 26 de setembro de 2015

Figuras da Semana


Por Cima

Coligação - As sondagens dizem que a coligação constituída por PSD e CDS vai-se manter no governo. A única dúvida é saber se consegue chegar à maioria absoluta. A campanha eleitoral para as legislativas tem sido muito semelhante ao que se passou no Reino Unido. À medida que se ia aproximando o dia das eleições, os partidos do governo ganhavam mais força. Os números sobre o défice por causa do Novo Banco deram esperança à oposição, mas no dia seguinte, Bruxelas confirmou que se tratava de um número contabilístico. Afinal foi mais um indicador que sopra a favor do executivo.

No Meio

Bloco de Esquerda -  Os bloquistas têm feito uma campanha interessante. Catarina Martins está em grande forma e parece que o seu trabalho vai ter frutos. A estratégica que tem adoptado também revela inteligência Critica o governo, mas deixou de atacar o Partido Socialista. Após a disponibilidade de fazer uma coligação de esquerda com os socialistas, a líder bloquista sabe que não pode pisar o risco. Isto é, não convém colocar tudo no mesmo saco. 

Em Baixo

António Costa -  O líder socialista aproveitou os números do INE sobre o buraco que o Novo Banco causou no défice para criticar o governo. No entanto, Bruxelas disse que se tratava de um número contabilístico. Ora, Costa não sabe como funciona o fundo de resolução. O pior acontecimento para o secretário-geral socialista foi o speaker de um comício em Leiria lhe ter chamado "palhaço". Num ápice o vídeo tornou-se viral. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

As minhas eleições - José Maria Montenegro (2)

Eu sei que todas as eleições são sempre «as mais importantes de sempre», «absolutamente decisivas» e «históricas», por muito que o day after nos devolva a normalidade, e a história prossiga no seu ritmo habitual.

Desta vez, contudo, tenho o pressentimento de que estamos a assistir a uma campanha que vai ficar na história. Não pelas razões de sempre.

Há uma dimensão popular nas campanhas – muito propiciada pelas rotineiras visitas das comitivas partidárias a feiras, mercados e ruas – que sempre rendeu belos tempos de antena. Esse lado mais popular é, em boa verdade, provocado (o termo é mesmo este «provocado») pelos repórteres que acompanham os candidatos e que acham que os diálogos fortuitos com os transeuntes são grandes furos jornalísticos.
Ao lado desta expressão castiça da campanha há uma outra que se joga nos grandes chavões. Tanto podem ser acusações (foram eles que chamaram a Troika! Eles propõem cortes de 600 milhões!) como podem ser grandes promessas (vamos criar um novo subsídio, vamos cortar algumas portagens, vamos criar 207.000 postos de trabalho, vamos acabar com a prova de acesso para a carreira docente!). Também estes costumam garantir espaço mediático inspirando manchetes ou, pelo menos, chamadas de primeira página nos principais jornais. E depois, claro, muitos cartazes e outdoors com os candidatos a sorrir e a pedir o voto.
Por via de regra, as promessas mais sedutoras, os outdoors mais triunfantes e os gritos mais sonantes no palanque, geram a «onda» de vitória. É sempre assim. Tem sido sempre assim.

E desta vez, será mesmo assim?

Do lado do PS tudo se repete. Com a tradicional aposta nas acusações e promessas (muitas promessas!), já para não falar dos outdoors (tanta foi a tinta que fizeram correr) e dos gritos comicieiros dos sempre disponíveis homens das bases que nunca desiludem (esta semana já tivemos Augusto Santos Silva, em Vila Real, e João Galamba a lançar António Costa em Viseu).

Do lado da Coligação, contudo, a opção é intrigantemente de ruptura. Onde estão as grandes promessas? Quais são? E os outdoors pelo país inteiro? Onde estão? E os gritos sonantes no palanque? Onde os podemos ouvir? É que só ouvimos que haverá redução gradual e moderada de impostos, e que a próxima legislatura, sob reserva de prudência orçamental, será de aposta no social, no combate à pobreza e na promoção da natalidade. Pouco, parco e nada sedutor.
Os livros dirão que esta estratégia da Coligação está votada ao insucesso. Dirão que é uma campanha sem esperança, sem propostas de futuro e, por isso, condenada à derrota eleitoral. As sondagens – e mais do que as sondagens, a dinâmica popular da campanha – parecem contrariar «os livros».


Estas legislativas de 2015 podem, de facto, ficar na história. Não pelas razões de sempre mas por revelarem «novos» eleitores. Não mais aqueles permeáveis às promessas e à tradicional «poluição» de campanha, mas aqueles que valorizam simplesmente a sensatez, a previsibilidade e o realismo. E se a esta sobriedade se associam os dados «moderadamente animadores» (sobre os índices de confiança dos consumidores e empresários, sobre o crescimento da economia, sobre a cobrança de impostos, sobre as descidas de taxas de juros, sobre as revisões dos ratings da República, sobre a balança comercial, sobre a procura interna, sobre a abertura do ano escolar, ou sobre a recuperação do emprego) o dia 4 de Outubro pode mesmo ser histórico. Suspeito que vai ser o dia em que os eleitores vão colocar Portugal à Frente e escolher a verdadeira Alternativa de Confiança …

Empreendedorismo salva Passos Coelho

Os programas para a criação de empresas que oferecem emprego às pessoas foram uma das maiores vitórias do governo liderado por Passos Coelho. Os estágios profissionais também ajudaram os jovens a entrarem mais facilmente no mercado de trabalho. 

Numa altura em que estamos perto das eleições este pode ser a grande franja de eleitorado da coligação, já que os reformados e pensionistas não vão perdoar ao governo o corte nas pensões. No entanto, as pessoas que foram vítimas da crise não perderam tempo em arranjar um novo rumo para as suas vidas. 

As chamadas Start-up também foram importantes no desenvolvimento económico de Israel. A grande diferença relativamente a Portugal é que os nosso vizinho não nos quer atacar. Aliás, de Espanha também pode vir bom casamento económico. 

O que se tem passado nos últimos anos é apenas o início, já que o programa Portugal 2020 também prevê meter dinheiro nas empresas. Nada para a construção de grandes obras públicas.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Números que mudam o voto

Durante a campanha eleitoral têm surgido números que agradam à coligação e outros aos partidos da oposição. No último mês o Instituto Nacional de Estatística revelou os números do desemprego face ao mesmo período do ano passado, do crescimento económico, da dívida pública, entre outros. O mais recente foi a divulgação do défice, mas por causa do problema relacionado com o Novo Banco. 

O dia das eleições está mais perto e os partidos jogam tudo consoante os números da economia que podem fazer pender a balança para um lado ou para o outro. Ou seja, estando previsto um empate técnico e com cerca de 29% de indecisos, é natural que os números positivos e negativos tenham influência. 

Nota-se que os partidos agarram-se às novidades como se fosse a última cartada decisiva para conquistar o eleitorado, o que mostra desconfiança em relação aos programas eleitorais que desenharam. Um bom indicador da importância das estatísticas são as sondagens diárias que são reveladas pelos principais canais de televisão. 

Tenho a certeza que o voto varia consoante os resultados que chegam ao conhecimento das pessoas. Apesar de tudo, nenhuma das candidaturas a primeiro-ministro pode reclamar vitória sobre os números da economia. Há resultados para todos os gostos, mas mais do que isso, as interpretações que se fazem não favorecem as condições para Pedro Passos Coelho ou António Costa conquistarem a desejada maioria absoluta.  


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Novo rombo

O aumento do défice do ano passado para 7,2% por causa do Novo Banco é um buraco que nenhum português quer suportar. Não se trata de culpar o governo A ou B porque quem for eleito tem um problema gigante para resolver. Nesta altura existe também a preocupação em torno da venda da instituição. Nota-se que ninguém quer num projecto que morre a cada dia que passa. O futuro primeiro-ministro tem dois gigantes problemas para se ocupar até final do ano. Duvido que o banco seja vendido e não cause mais constrangimentos aos contribuintes. 

A solução encontrada pelo governo e Banco de Portugal para fazer face à crise do Banco Espírito Santo não foi a melhor. Com mais ou menos euro, estamos a pagar as gestões ruinosas. 

Durante a campanha os principais partidos têm de explicar como vão lidar com a situação. Não será sensato o governo fugir às suas responsabilidades e o Partido Socialista atirar as culpas para cima do executivo porque necessitam de apresentar uma proposta antes da chamada às urnas. 

Debates decisivos

A prestação dos candidatos nos debates televisivos assume importância numa geração dominada pelo consumo de informação, através das várias plataformas existentes, nomeadamente as redes sociais. Um exemplo foram as análises que se fizeram à derrota de Pedro Passos Coelho no primeiro confronto e à forma como António Costa não soube explicar como iria reformar a segurança social no debate realizado pelas rádios portuguesas. 

O sinal mais evidente que os debates têm influência nas sondagens pré-eleitorais aconteceu nos Estados Unidos da América. Scott Walker desistiu da corrida à Casa Branca depois da sondagem efectuada após o confronto na CNN lhe ter dado um asterisco. Ou seja, a votação nem sequer chegou aos 1%. Ao invés, a boa forma evidenciada por Donald Trump coloca-o no topo do mundo. 

Nos dias que correm não é fácil expor todas as ideias políticas nos confrontos televisivos, devido à rapidez com que os candidatos têm de responder às perguntas, sendo necessário preparar uma estratégia que favoreça o soundbyte.

A decisão tomada por Scott Walker prova que a mensagem transmitida no contacto com os militantes tem menos importância do que a prestação nos dois confrontos que se realizaram entre todos os candidatos republicanos á Casa Branca.  

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Prioridade às maiorias parlamentares

A discussão surgiu porque Cavaco Silva pretende dar posse à maioria que tiver mais deputados e não ao partido com mais votos. O problema também se colocou nas recentes eleições legislativas no Reino Unido quando as sondagens davam uma pequena vitória ao Partido Trabalhista, mas os conservadores poderiam eleger mais parlamentares. 

A querela constitucional é difícil de resolver porque ambas as hipóteses oferecem legitimidade para governar. Quem tiver mais votos recolhe a vontade da população, mas as maiorias parlamentares sustentam os executivos. Ou seja, as pessoas escolhem os representantes do parlamento, que nomeiam o governo. No entanto, em Portugal os votos reflectem mais a figura do principal candidato do que os cabeça-de-lista em cada distrito. Ao contrário do que acontece em Terras de Sua Majestade, o líder do partido tem um carisma que lhe permite reclamar a chefia do governo. 

No Reino Unido e Grécia as maiorias parlamentares, foram facilmente constituídas. Em Portugal isso raramente acontece porque não há uma tradição de coligações com partidos menores, também porque eles ainda não entraram no hemiciclo. No entanto, as eleições de 4 de Outubro podem quebrar uma barreira. O PDR e o Livre estão muito perto de eleger um deputado. 

Na minha opinião as maiorias devem ser convidadas a formar governo. Contudo, a primazia deve ser dada ao partido que tiver mais votos. O princípio que impera é o da estabilidade. Isso só se consegue com uma maioria parlamentar. Não acredito que um governo só pode ser constituído se for suportado por uma maioria. Os governos minoritários também são legítimos. Os votos são apenas uma expressão popular para compor o quadro parlamentar. O executivo tem de ser um reflexo das opções tomadas por cada força partidária. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Quem vai cortar as pensões

O discurso sobre as pensões é demagógica nos dois principais partidos. Nem a coligação ou o Partido Socialista explicam como vão reformar a Segurança Social. Uns não dizem como vão obter 600 milhões e os outros utilizam a palavra congelamento para recolherem receitas. 

No dia-a-dia da campanha eleitoral, Passos Coelho e António Costa prometem aquilo que sabem não cumprir. Neste aspecto, tiro o chapéu a Catarina Martins porque desarmou Paulo Portas, Passos Coelho e António Costa nos debates televisivos. Por tudo isto, não percebo a euforia da coligação quando, o líder socialista no segundo confronto com o primeiro-ministro, ficou embaraçado quando questionado sobre a questão.

A forma é sempre a mesma, mas os prejuízos também. Ninguém vai esquecer o que foi dito na campanha eleitoral. O problema será maior para António Costa do que em relação a Passos Coelho porque o primeiro terá a comunicação social em cima na altura de tomar decisões. Um começo em falso no executivo será escrutinado. Mas não só. O acordo para uma coligação de esquerda depende da palavra dada e honrada que o líder socialista frisou nos comícios. O PCP já se colocou de fora, mas o Bloco de Esquerda fez uma proposta sem ter tido resposta do secretário-geral socialista.

Infelizmente a campanha tem sido dominada pelo tema da segurança social. Os candidatos insistem na discussão para mostrarem aos eleitores quem tem mais probabilidades de não cumprir com a palavra.

Reforço da liderança de Tsipras

A vitória de Alexis Tsipras nas eleições legislativas gregas confirma o desejo de mudança da população. Ou seja, as pessoas querem acabar com a austeridade e sair da zona euro. A confiança demonstrada no Syriza não significa que as pessoas aceitem as medidas de austeridade. Também não acredito que o primeiro-ministro seja um actor passivo em Bruxelas. 

A maioria absoluta no Parlamento não foi conquistada, mas o ANEL vai servir novamente de muleta ao Syriza. 

A legitimidade democrática interna fica reforçada com os restantes partidos longe de incomodarem o novo executivo. Os adversários de Tsipras são o Aurora Dourada e a Alemanha de Merkel. Curiosamente, na visão do actual chefe de governo, tanto o partido grego como a chanceler alemã fazem parte da mesma família política. 

Destaco a capacidade de resistência dos homens ligados ao novo partido face às adversidades que enfrentaram ao longo ano. A primeira foi a vitória nas legislativas de Janeiro. Contudo, o reforço da confiança demonstrada no referendo de Junho e os resultados de ontem são ainda mais impressionantes. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Assembleia multi partidária sem governo

A sondagem que a SIC e o Expresso publicou tem muitas leituras. 

O PS vence e garante a António Costa o direito de reclamar a chefia do governo, mesmo que perca no número de mandatos. O Presidente da República vai sempre chamar aquele que obtiver o maior número de votos. A coligação ainda tem uma esperança porque os socialistas estão a descer. Nas próximas duas semanas a campanha vai endurecer porque também começam os tempos de antena. Os partidos da direita esperam que aconteça o efeito Cameron. Ou seja, a vitória do partido que estava no governo, não obstante as sondagens que davam uma ligeira vantagem à oposição. No dia das eleições foi o que se viu...

A vitória do Partido Comunista Português. A CDU volta a ter um papel importante no quadro político ganhando votos ao PS, BE e demais partidos à esquerda que tentam eleger deputados para a Assembleia da República. A chave da constituição de um futuro governo será o PCP e não os bloquistas, por isso, a jogada de Catarina Martins no debate com António Costa foi um risco, porque os comunistas estão mais perto de ter a faca e o queijo na mão. 

O partido de Marinho Pinto tem a possibilidade de eleger dois deputados. A eleição de Marinho e Pinto será um motivo para os portugueses acompanharam todas as sessões parlamentares nos próximos quatro anos. Nem a coligação, nem o Partido Socialista sozinhos precisam do antigo bastonário para viabilizar uma maioria absoluta. No entanto, socialistas, comunistas e republicanos democráticos são necessários para convencer Cavaco Silva a não convocar novamente legislativas. 

A esquerda vai estar em peso no próximo parlamento. O BE elege deputados que garantem a continuidade do ruído e o Livre tem possibilidades de se fazer ouvir. Rui Tavares e Catarina Martins são dois bons políticos que farão uma oposição responsável, mas polémica. Se o PSD estiver em processo eleitoral interno a verdadeira oposição será feita pelos dois. 

Por fim, o que acontece no PSD e CDS. Os sociais-democratas e centristas tudo farão para impedir a formação de um novo governo suportado por uma maioria composta por vários partidos. Tentam negociar com o PDR para o PS apresentar um orçamento sem garantia de passar na Assembleia da República. No entanto, as questões orçamentais e os cortes previstos pelo PS nas pensões obrigam a duras negociações entre os comunistas e António Costa. Se o PCP não estiver alinhado com os socialistas, não será o PSD nem o CDS que vão dar uma mãozinha, já que, dessa forma calam a oposição interna. Neste período, Passos Coelho e Paulo Portas preocupam-se em apagar os fogos internos e a encontrar razões para o governo socialista durar o menos tempo possível. 

Perante o cenário em causa quem fica numa posição desconfortável é o Presidente da República, que tem os poderes limitados por causa das eleições presidenciais. Cavaco Silva vai decidir ou deixar o problema para o seu sucessor?

Dia de Passos

O dia correu bem ao primeiro-ministro. No segundo debate entre Passos Coelho e António Costa com transmissão pela TSF, Antena 1 e RR, houve uma vitória clara do líder social-democrata por ter encalhado o secretário-geral socialista com a reforma da segurança social. António Costa teima em não dar o braço a torcer por razões eleitoralistas. Neste assunto, independentemente de quem ganhar as eleições, é notório que vai haver acordo entre os principais partidos. 

Também é certo que ambas as reformas implicam cortes nas pensões, o que não agrada ao Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português. 

A entrevista à RTP também correu bem ao presidente do PSD. As perguntas difíceis foram respondidas com inteligência, mas sem nunca admitir erros políticos nos problemas causados pela sua governação. Passos Coelho tem sabido defender-se das questões relacionadas com a excessiva austeridade. 

No final da tarde, António Costa colocou uma nota a circular na imprensa e redes sociais em que desvalorizava as críticas sobre a sua prestação no debate. Não me lembro de Passos Coelho ter feito o mesmo após os comentadores terem dado a vitória ao socialista no primeiro confronto. 

A rua é o melhor indicador para saber se o país está ou não com cada partido. No entanto, as prestações televisivas nos debates e nas entrevistas também são importantes no sentido de perceber se temos homem para ocupar o cargo de primeiro-ministro. A publicação da nota por parte de Costa revela preocupação sobre o que poderá acontecer no dia 4 de Outubro. 


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Schengen caiu à primeira dificuldade

A proposta da Alemanha para encerrar as fronteiras com a Áustria para evitar o fluxo de refugiados que foge da guerra na Síria prova que o acordo Schengen é facilmente quebrado. As razões não se devem só a qualquer insatisfação governamental, mas porque as ameaças que a Europa sofre obrigam a uma atitude por parte dos seus membros. 

As medidas de Berlim para controlar os refugiados, já tinham sido tentadas pela França quando sofreu os ataques terroristas em Janeiro e  por outros países, em particular os escandinavos e de leste. A construção de um muro na fronteira entre a Hungria e a Sérvia indica que nenhum Estado-Membro é favorável à circulação de pessoas e mercadorias sem controlo. Isso só seria possível se a Europa fosse um continente em paz. 

Os países de leste e do norte pretendem com este gesto que a Europa não permita a entrada de pessoas sem que haja um motivo forte. A liberdade é algo que existe, mas com regras. Não tenho dúvidas que a União Europeia tentou imitar os Estados Unidos quando idealizou o espaço Schengen. No entanto, em muitos aspectos os países da UE têm falhado. 

No futuro, qualquer país que queira encerrar as fronteiras não terá dificuldade em encontrar um motivo para o fazer. 

A Europa das liberdades começa a ser uma utopia. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Vitórias improváveis


As últimas sondagens no New Hampshire mostram como as primárias norte-americanas não vão ser um passeio para Hillary Clinton, além de criarem maior confusão no Partido Republicano. 

Nos democratas o senador do Vermont está à frente da antiga secretária de Estado norte-americana. A vantagem não é circunstancial, mas 7 pontos percentuais são relevantes e constituem uma motivação extra quando faltam cinco meses para o início das primárias. No próximo ano as eleições começam em Fevereiro e não em Janeiro. Os resultados garantem emoção na corrida e se Joe Biden decidir avançar haverá luta até final. Os números ainda são provisórios, mas revelam que não existe unanimidade em torno de Clinton no seio do Partido Democrata. A estratégia da ex-primeira-dama tem de mudar rapidamente sob pena de ser ultrapassada no início da corrida. 

A luta no Partido Republicano também está ao rubro. Donald Trump lidera confortavelmente, embora Ben Carson se tenha aproximado. Isto quer dizer que os favoritos Jeb Bush, Marco Rubio, Scott Walker e John Kasich apresentam resultados miseráveis nesta altura. Bush, Rubio e Walker quereriam estar com indicadores mais positivos para endurecer a campanha. No entanto, tem sido Donald Trump a ter mais palco ao longo dos últimos meses. O médico Ben Carson ganha visibilidade que desejava. 

As sondagens valem quase nada, mas provocam entusiasmo nas candidaturas que ninguém apostava. 

A primeira aliança de esquerda

O Bloco de Esquerda mostrou disponibilidade para fazer uma coligação pós-eleitoral com o Partido Socialista após as eleições de dia 4 de Outubro. O convite foi feito pela líder do partido no debate com António Costa na TVI24. A declaração apanhou de surpresa o secretário-geral socialista, bem como todos os que acompanham a campanha. António Costa não respondeu porque as exigências do Bloco de Esquerda passam por um recuo do PS no congelamento das pensões durante os próximos quatro anos. 

A estratégia bloquista é inteligente porque condiciona o PCP de fazer o mesmo, ou outro partido que venha a conquistar lugares no parlamento nacional. Neste momento, o PS fica refém da proposta porque se não aceitar governar com maioria absoluta deveu-se a egoísmo político. No entanto, o BE tem um problema que se chama representatividade. Ou seja, ninguém sabe que resultado o partido vai obter nas eleições e se conquista deputados suficientes para ajudar o PS. Por isto Costa não respondeu. 


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Afinal Costa também quer cortar nas pensões

A representante do Bloco de Esquerda desmontou a proposta socialista para a reforma da segurança social. Catarina Martins insistiu que António Costa pretende ter a mesma política dos partidos de direita sobre a matéria. As questões da Segurança Social têm marcado os debates e a campanha eleitoral, sendo que os bloquistas conseguem explorar as respostas incertas dos principais líderes. 

O secretário-geral socialista anunciou que vai aumentar o salário mínimo, repor o 13º e 14º mês, bem como as pensões que foram cortadas pelo executivo. No entanto, parece que também vai optar pelo mesmo caminho que tem trilhado nos últimos quatro anos. Por muito que Costa acredite nas suas soluções, sabe que não há margem para fazer isso tudo. O problema para ele é que o discurso da promessa já não colhe nos portugueses, até porque foi isso que nos levou à austeridade. 

Os confrontos televisivos têm insistido neste tema e na reforma fiscal. O país tem outras questões mais interessantes e importantes para serem esclarecidas pelas candidatos. 

Perante este cenário não será com o Bloco de Esquerda que o Partido Socialista fará coligação ou acordos de incidência parlamentar. 

Os três desafios de Jeremy Corbyn


A eleição de Jeremy Corbyn para líder do Partido Trabalhista marca um novo ciclo na política britânica. Após o fracasso da liderança de Ed Miliband, o Labour decidiu apostar num homem ainda mais à esquerda do anterior líder. Os homens que colocaram o partido no poder durante 13 anos, Tony Blair e Gordon Brown, foram os maiores críticos durante a campanha eleitoral que começou a seguir à derrota histórica nas eleições legislativas de Maio. 

Os trabalhistas têm um desafio complicado pela frente. Não se trata apenas de regressar ao poder, mas, em primeiro lugar, tirar a maioria absoluta ao Partido Conservador. A primeira tarefa será essa. Talvez os trabalhistas regressem ao governo daqui a 10-15 anos. Na minha opinião, o partido escolheu Corbyn para desgastar o governo, embora não o vejam como um grande líder. Concordo que o Partido Trabalhista tenha de ter soluções de esquerda porque essa é a sua matriz política. No entanto, como se viu com Ed Miliband, a radicalização das propostas e, sobretudo, do discurso não agrada aos britânicos que são maioritariamente conservadores. 

O primeiro-ministro fica numa posição vantajosa se o caminho trilhado pela oposição continuar a ser o mesmo. No entanto, os trabalhistas têm outro problema com que se preocupar. As intervenções do Partido Nacional Escocês na Câmara dos Comuns têm sido mais responsáveis politicamente. 

O novo líder tem de vencer algumas batalhas se quiser chegar a primeiro-ministro. Em primeiro lugar apresentar medidas que garantam ao Labour voltar a conquistar os seus apoiantes tradicionais, deixando de estar dependente dos sindicatos que causaram problemas a Ed Miliband. O segundo trabalho passa por construir uma oposição no parlamento que seja melhor do que a dos nacionalistas escoceses. Por fim, chegar à população britânica.

Neste último ponto vai ser importante a posição tomada por Jeremy Corbyn em relação ao referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Caso o actual líder decida ficar ao lado de Nigel Farage na campanha contra a saída, é mais um problema para o partido no plano interno. 

domingo, 13 de setembro de 2015

Arruada eleitoral - A nudez entra na campanha

A primeira semana de pré-campanha teve vários episódios que foram relatados, mas merecem ser recordados. 

A democracia portuguesa assiste a tempos de antena inéditos. Pela primeira vez uma candidata à Assembleia da República transmite mensagens políticas através da nudez. As fotografias não estão colocadas em nenhum outdoor, mas em capas de revistas. Talvez seja a melhor forma de chamar a atenção já que ninguém liga ao que está escrito nos cartazes, mesmo que contenham frases não autorizadas e imagens retiradas dos bancos de imagens. Joana Amaral Dias retirou o protagonismo a Pedro Passos Coelho e António Costa ao aparecer nas capas da revista Cristina e da Vidas. Não se pense que foi apenas um acto isolado porque a candidata do Agir confirmou à RTP2 que pretendia passar uma mensagem com natureza política. Aqui está uma forma diferente de fazer campanha e chamar a atenção dos meios de comunicação social para as causas do partido. O país aguarda com expectativa o tempo de antena do Agir......

A outra personagem que tem sido constantemente mencionada, mas não anda nas ruas é José Sócrates. O ex-primeiro-ministro já está em prisão domiciliária como era sua intenção para ser o centro de todas as atenções. Um dia antes do debate entre Costa e Passos Coelho decidiu abrir a boca e declarar apoio ao líder socialista. O secretário-geral não se importou com isso, mas também não rejeitou peremptoriamente visitar o seu amigo e camarada na porta 33 da Rua Abade Faria, onde Mário Soares já entrou três vezes, enquanto Costa fica sozinho. No dia seguinte, circulou na internet uma fotografia de Sócrates com vários peso-pesados do PS que suscitaram várias interpretações. Tenho a certeza que antes do arranque oficial da campanha, no dia 20, Sócrates vai dar uma entrevista.

As peripécias de Joana Amaral Dias e o processo mediático de José Sócrates colocaram o debate entre os candidatos a primeiro-ministro para segundo plano. Não houve novidades no discurso de Passos Coelho e na atitude de António Costa. O confronto teve momentos interessantes, mas sem aquele sal que costuma marcar este tipo de eventos. Mário Soares e Álvaro Cunhal vão continuar a serem recordados nas futuras campanhas eleitorais. 

sábado, 12 de setembro de 2015

Figuras da Semana

As nossas escolhas da semana são:

Por Cima

Passos Coelho/António Costa - O debate entre os dois principais candidatos a primeiro-ministro foi interessante, decorreu num tom cordial e respeito, sendo que os comentadores atribuíram a vitória ao líder socialista. A forma como o nível da campanha está a ser elevada levou o Presidente da República a elogiar todos os candidatos. Nos confrontos televisivos também se tem visto respeito. O mais importante no que toca aos dois principais candidatos é a dúvida em torno do vencedor. Só no dia 4 de Outubro vamos saber quem será chefe de governo, mesmo que apareçam sondagens a favorecer um ou o outro. 

No Meio

Angela Merkel -  A Alemanha tem tido uma postura positiva no acolhimento dos refugiados que chegam da Síria e passam pela Hungria. A chanceler alemã não assume o mesmo sentimento que Viktor Orban. No entanto, não se percebe esta alteração de comportamento em pouco tempo. Não se lembram da forma como o governo foi exigente em relação à Grécia? Talvez Merkel esteja arrependida e queira agradar à opinião pública internacional. 

Em Baixo

José Sócrates -  O ex-primeiro-ministro fez uma declaração para o Jornal de Notícias no início da semana em que declarou o apoio a António Costa. No debate o secretário-geral fugiu à pergunta da jornalista sobre a mensagem de José Sócrates, o que indica desconforto perante a situação. Costa não pode dizer sim nem não a qualquer missiva que venha da Porta 33 da Rua Abade Faria. Não era isso que Sócrates esperava do seu amigo e líder partidário. O cenário deixa em aberto nova ofensiva de Sócrates numa entrevista televisiva que não deve tardar. Tem até dia 20, data oficial do arranque da campanha eleitoral.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Do Bloco sempre o mesmo discurso

O debate entre Passos Coelho e Catarina Martins foi uma réplica do confronto entre a última e Paulo Portas. A oposição tem razão quando não pretende debater com os dois líderes dos partidos que suportam a maioria absoluta. Notou-se um líder social-democrata cansado após o frente-a-frente com António Costa e, no dia depois do jantar da coligação em Lisboa. 

Não houve momentos quentes nem se pode dizer que houve um vencedor. No entanto, o discurso da coligação torna-se chato porque está sempre virado para o passado. Os representantes da coligação devem falar mais sobre o futuro, as medidas que tornam possível a recuperação económico e não caírem sempre no jogo dos adversários políticos que falam sempre sobre os quatro anos de austeridade. 

É uma pena que o Bloco de Esquerda não consiga ter outro tipo de alcance político. Isto é, a cassette é sempre a mesma e, mesmo quando se trata de estar perante partidos da oposição, também não há novidade.  

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Caixas de correio vazias

Fotografia: Olhar Direito

A tecnologia coloca em causa a existência dos meios tradicionais. Numa época em que os emails e as redes sociais se tornaram o meio normal de transmissão de mensagens as caixas de correio tendem a ficar mais vazias de correspondência, embora ainda sejam utilizadas para depositar publicidade indesejada. 

O envio de mensagens entre pessoas já não se faz através de uma carta ou postal. No entanto, ainda restavam as contas da electricidade, factura do telemóvel, notificações judiciais, bem como outro tipo de situações, que passaram a ser enviadas por email. Também assistimos a uma mudança na forma de receber as contas. No nosso tempo qualquer "conta" fica esquecida na caixa do correio porque é na net que estão as respostas aos nossos contactos. Aos poucos os correios só servem para enviar mensagens de uma localidade para outra, mas qualquer dia inventam outra forma mais fácil para ultrapassar os custos e a distância. 

O aumento dos serviços tecnológicos matou as formas tradicionais nas várias áreas. A caixa de correio vazia enquanto que o email está cheio de mensagens é um sinal de modernidade, mas também de uma certa pena pelo desaparecimento de práticas antigas. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Nem sim nem não



As perguntas mais difíceis colocadas pelo trio de jornalistas que moderou o frente-a-frente entre Pedro Passos Coelho e António Costa não foram respondidas. Os candidatos a primeiro-ministro fugiram habilmente sobre uma eventual demissão em caso de derrota e se existe a possibilidade de haver um bloco central. No entanto, a escapadela do debate pertenceu a António Costa quando questionado se iria visitar José Sócrates à porta 33 da Rua Abade Faria. Um taxativo "não sei" e "não está previsto", pode vir a ter consequências políticas se o ex-primeiro-ministro ficar zangado com a falta de solidariedade.

O líder socialista atacou bem as fragilidades do executivo, mas Passos Coelho conseguiu respostas à altura do cargo que ocupa. Costa perdeu quando trouxe os gráficos que mostram números da economia. Neste campo devia ter-se resguardado ao ridículo porque este tipo de combate já não se usa. Embora consiga colocar a nu o excesso de austeridade que afectou milhares de portugueses, não concretiza as medidas com que pretende fazer diferente. O problema é que continua a prometer sem dizer como. Um exemplo é a forma como Passos Coelho explica que a criação de emprego tem de ser feita através da injecção de dinheiro nas empresas, mas António Costa não explica quais as políticas necessárias para fazer crescer a economia. Não sei se teve medo de dizer que também iria apostar nas empresas por razões ideológicas. 

Num outro plano, o presidente do PSD deveria não deveria ter recorrido muito à governação Sócrates. Poderia tê-lo feito sem mencionar o nome do ex-primeiro-ministro devido ao momento judicial. 

Taxistas a favor da violência

Fotografia: Olhar Direito

A contestação dos taxistas em relação à forma de trabalhar da Uber não tem razão de ser. O sector não gosta de concorrência, nem se adequa às novas realidades. Os protestos e algumas agressões contra membros da plataforma electrónica já se tinham verificado quando apareceram os Tuks-Tuks. As empresas de táxis, em particular os trabalhadores, têm de aceitar o aparecimento de novas formas de competição e não recorrer à violência quando outros lhes roubam clientela. A melhor forma de conquistarem mais receitas passa por fazer reformas, no número da frota e nos preços que praticam. Os preços praticados são inaceitáveis e existem automóveis a mais em Lisboa. 

Na minha opinião é uma vergonha o líder da ANTRAL apelar à violência contra a Uber ou qualquer outro concorrente para manter o domínio na capital. Qualquer dia combate os autocarros e o metro por serem meios de transporte mais baratos e acessíveis do que os taxis. 

Porta 33


O aparato em torno da Porta número 33 da Rua Abade Faria tem de ser justificado pelo facto de albergar um antigo primeiro-ministro com a obrigação de permanência na habitação. No entanto, foram inúmeras as vezes que José Sócrates abriu a porta da casa da sua ex-mulher desde sexta-feira. 

Os jornalistas ficam à espera de alguma revelação bombástica, mas tudo cai em saco roto por duas razões. Em primeiro Sócrates já bufou declarações para os jornais e não será à porta de sua casa que vai dar a primeira entrevista. No entanto, existe um forte motivo para a curiosidade jornalística, que também é a da população. O segundo motivo é a constante presença de Mário Soares, que, em quatro dias, foi a casa de Sócrates três vezes. Possivelmente estarão a conspirar contra António Costa, mesmo que o ex-chefe de governo tenha garantido que está ao lado do Partido Socialista e do seu secretário-geral. Se isto for verdade, acho que não deveria dizer nada sobre António Costa porque o obriga a responder perante a insistência dos jornalistas. Há outro problema. Sócrates faz questão de misturar a justiça com a política, o que tem sido separado pelos responsáveis socialistas. 

As condições da Rua Abade Faria não permitem grandes manifestações de apoio nem um show-off por parte daqueles que querem fazer uma visita, embora tenham ido ao Estabelecimento Prisional de Évora. A sorte é que a rua está em obras e as grades não permitem uma visibilidade para quem quer ser visto. 

O país aguarda pela primeira entrevista de Sócrates na televisão e uma visita guiada à sua casa nos próximos três meses. 

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Portas demolidor na defesa dos números económicos

O vice-primeiro-ministro defendeu bem as ideias da coligação para o país durante os próximos anos. Paulo Portas explicou bem os números da economia que são positivos, menos para a esquerda. Os partidos como o Bloco de Esquerda teimam em não reconhecer o mérito das pessoas e do governo na melhoria da economia e na redução do desemprego. Catarina Martins continua com o discurso habitual de que o trabalho é precário. Em certos casos até pode ser, mas Portas disse que cada um tem de lutar pela sua vida. No BE é só facilidades e o Estado é que tem de assegurar tudo e mais alguma coisa. 

Nota-se uma preocupação nos bloquistas em perder a representação parlamentar. Não acredito que haja mais deputados na próxima legislatura tendo em conta as posições que defendem. Na minha opinião o Bloco de Esquerda luta para ter o mesmo resultado que teve nas eleições europeias. Ou seja, a eleição de um único deputado. 


As minhas eleições (1) - Graça Canto Moniz

Notas sobre as próximas eleições

No sábado passado estreou, em Portugal, “Show me a hero”, a mais recente mini série da HBO que promete dar que falar. Além da participação de Oscar Isaac (o incrível Abel Morales de “A most violent year” (2014), dirigido por J. C. Chandor) o título, e sobretudo este primeiro episódio, fez-me lembrar o momento presente que o nosso país vive. Eu passo a explicar.

A trama gira em torno de um vereador (Isaac) que é levado a concorrer contra o enraizado Mayor de Yonkers, no poder há mais de 10 anos. O ato heroico presente no título não reside na conquista do cargo e na consequente derrota de um dinossauro republicano. Antes, o título fará sentido, com o desenrolar da série, consoante o desempenho do novo Mayor, cujo legado que recebe exige que dele nasça um herói.

Se Passos Coelho (PC) é ou não herói ficaremos a saber com o resultado eleitoral de 4 de outubro que, sobretudo, avaliará o desempenho do executivo por si chefiado. Contudo, convém não esquecer que em 2011, o líder da coligação encontrava-se numa situação semelhante à do jovem Mayor de Yonkers, quando recebeu o pesado legado de dois governos socialistas.

De peito inchado e rosto deselegantemente transpirado, a fazer frente a PC, está António Costa, um Mayor também com laivos dinossáuricos mas com aspirações mais ambiciosas que o jovem Isaac. Contudo, Costa atingiu o ponto em que tudo o que acontece o pode prejudicar, até o passar do tempo. Recentemente foi José Sócrates que saiu da prisão preventiva para prisão domiciliária: a concessão de mais liberdade ao antigo primeiro ministro do PS implicou a prisão do futuro de António Costa. Em Melgaço, Costa bem tentava dissertar sobre o Sistema Nacional de Saúde, a “privatização” da Segurança Social, as crueldades do governo ao Estado Social, mas não consegue deixar de ser interrompido pela perguntinha sobre Sócrates. Uma e outra e outra vez. Os dias que antecederam o “regresso” de Sócrates davam à campanha socialista o trunfo dos lesados do BES e as dificuldades da venda do Novo Banco, mas o regresso do ex PM tudo abafou.


Pois é: José Sócrates que, em 2011, quase levou o país à bancarrota, o mesmo que “não tinha a mínima dúvida” de que o défice ia baixar para 4,6% em 2011, o mesmo que em Janeiro de 2011 anunciava uma “folga de 800 milhões nas contas públicas, tem, em 2015, depois de 4 anos heroicos de muitos portugueses, o poder de interferir nas eleições legislativas de 4 de Outubro, como já anunciou. Alguns dirão que está profundamente ferido, com a recusa de afeição, enquanto este preso, dos seus camaradas mas a mim parece-me uma questão de ego: em jogo está a campanha não do partido que o elegeu como secretário geral mas a sua campanha pessoal, a sua “narrativa” de que é um preso político, detido para impedir que o PS ganhe as próximas eleições. Ao terceiro dia, Sócrates já falou. Mas a procissão ainda vai no adro.

Texto de Graça Canto Moniz

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Europa mais solidária


A forma como os partidos políticos olham a organização política da União Europeia mostra que podemos ter um debate interessante sobre o assunto. As críticas feitas por António Costa e alguma esquerda relativamente à maneira como o executivo tem cedido às exigências da Alemanha e França são justas, embora o Partido Socialista, como se viu com José Sócrates, não consiga fazer melhor quando estiver no poder. As promessas feitas pelo secretário-geral socialista nesta matéria não são coerentes com aquilo que acontece nos bastidores. 

Os únicos partidos que poderiam defender mais os interesses nacionais nunca vão estar no governo. Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português dificilmente terão voz neste assunto. 

O que se discute é se existe ou não mais solidariedade na Europa e qual forma de cumprir com essa obrigação dos países mais poderosos junto dos desfavorecidos. No entanto, também é importante que os últimos trabalhem mais para ficarem ao nível dos primeiros. 

A crise grega não foi unicamente financeira, tendo tido contornos políticos. Alguns reclamaram que Portugal devia estar ao lado da Grécia, situação que o governo rejeitou liminarmente. 

Figuras eleitorais

A campanha eleitoral para as eleições legislativas em Portugal em Outubro e as presidenciais norte-americanas no próximo ano estão a ser marcadas pelo mediatismo em torno de José Sócrates e Donald Trump. Os dois marcam a agenda da comunicação social e dos eleitores na habitual conversa de café. Enquanto que as forças partidárias e os restantes candidatos republicanos optam por trazer questões importantes, existem outros sectores que preferem questões menores, como é a possibilidade de Sócrates contaminar o período em que estamos e as declarações do milionário norte-americano relativamente a vários assuntos. 

Naturalmente que o ex-primeiro-ministro não é candidato, mas pode vir a interferir no resultado final se quiser bater no governo ou na liderança de António Costa. Não acredito em coincidências e acredito que Sócrates preferiu sair agora do que há três meses para perturbar a campanha e não a conclusão da fase de inquérito.

O mesmo se passa com Donald Trump, embora com alcance diferente. O milionário está na campanha republicana para fazer ouvir a sua voz e mostrar o poder financeiro. No fundo, pretende avisar os outros candidatos que o dinheiro sozinho também é capaz de vencer eleições. Não bastando fazer promessas políticas. 

Na minha opinião era importante que as duas figuras fossem afastadas das respectivas campanhas. No entanto, acho difícil que aconteça, porque quando Sócrates abrir a boca vai ser uma confusão e Trump lidera as sondagens no Partido Republicano. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Figuras da semana

Por Cima

José Sócrates - A alteração da medida de coacção de José Sócratés em plena campanha eleitoral constitui um momento positivo para o antigo primeiro-ministro, que escolheu o momento certo para atrair todas as atenções. Não só mediáticas, mas também políticas. A primeira entrevista de Sócrates deverá ocorrer depois do debate entre Passos Coelho e António Costa. Tudo corre bem a Sócrates. Sai da prisão preventiva quando quer e num momenro em que a sua mensagem pode ser prejudicial para o seu partido. A partir de agora vai ser uma romaria ao número 33 da Rua Abade em Lisboa, com especial atenção se António Costa vai visitar o seu camarada. Isto está tudo a correr ao ex-primeiro-ministro, que volta o principal protagonista do país.

No Meio

David Cameron -  O primeiro-ministro deu o braço a torcer e vai permitir a entrada de mais refugiados no Reino Unido. Numa visita a Portugal o chefe de governo britânico reconsiderou algumas posições que tem tido nos últimos tempos. Podemos não concordar com o que se está a passar, mas não se pode deixar de ajudar. Cabe aos responsáveis encontrar respostas humanitárias e políticas para resolver o problema. 

Em Baixo

Viktor Órban - O responsável húngaro teve atitudes e declarações infelizes sobre a questão dos refugiados. Não abrir as portas do seu país é admissível, mas não devia tentar impedir as pessoas deslocarem-se para outros países, que mostraram disponibilidade para os acolher. Os países de Leste estão a ficar um pouco afastados das políticas de solidariedade que levou à construção da União Europeia. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Começou mais uma campanha

A libertação de José Sócrates ocorre numa altura em que se inicia a campanha eleitoral. A alteração de medida de coacção já se previa para Setembro, embora há seis meses o anterior primeiro-ministro tivesse recusado esta medida. Neste momento não tenho dúvidas que há interesse por parte da justiça e de José Sócrates na sua libertação, mas mais o segundo do que as autoridades judiciais. Sócrates não fica só em prisão domiciliária como não tem que andar de pulseira electrónica, o que lhe permite dar entrevistas. Tenho a certeza que vai superar as entrevistas aos candidatos a primeiro-ministro. 

A saída de Sócrates de Évora é prejudicial para António Costa e aqueles que no Partido Socialista não se insurgiram publicamente contra a detenção do ex-chefe de governo. A partir de agora vamos assistir a mais uma campanha diferente daquela que tem lugar para a Assembleia da República. 


António Guterres a caminho de Belém ou Nova Iorque


O actual Comissário dos Refugiados das Nações Unidas (ACNUR), António Guterres, confirmou que vai deixar o cargo no final do ano. A decisão aumenta as especulações em torno de uma eventual candidatura a Belém, mesmo que Guterres tenha recusado participar na corrida presidencial. Todos sabemos que em política, o que é verdade hoje será mentira amanhã. A política funciona desta forma. 

A presidência da república não é a única hipótese para Guterres, que também ambiciona ser secretário-geral das Nações Unidas. O único problema para concorrer a Belém é o tempo, já que o actual mandato na organização internacional só termina no final do ano. As eleições presidenciais são em Janeiro e as candidatura devem ser todas anunciadas logo após as legislativas. Mesmo sendo uma figura consensual no país, precisava de mais tempo para preparar o caminho até porque Marcelo Rebelo de Sousa é um adversário duro de roer. 

O percurso político de António Guterres não fica por aqui. A próxima paragem será Nova Iorque para depois regressar definitivamente a Portugal.

Tipicamente português

A polémica em torno da vinda de refugiados para Portugal provocou comentários pouco felizes dos nossos responsáveis. António Costa disse que os emigrantes poderiam trabalhar nas nossas florestas, mas há quem entende que eles também serviam para ajudar os bombeiros. 

As declarações proferidas são infelizes porque reduzem os refugiados a um bando de pessoas que não tem capacidade para mais nada do que fazer trabalhos de menor dimensão. No fundo, é o que se passa em alguns sectores da nossa sociedade. Há sempre alguém que gosta de menorizar o trabalho dos outros por estarem hierarquicamente num lugar inferior. 

A mentalidade portuguesa é assim. Tenho a certeza que muitos refugiados que vão chegar a Portugal e à Europa tiveram uma profissão na terra onde a guerra lhes caiu em cima. No entanto, no nosso país podem não ter as oportunidades que procuram porque os nossos responsáveis se calhar não vão dar a oportunidade que merecem. A questão central é a forma como dirigentes de topo estão a tratar as pessoas que ainda nem sequer chegaram. O destino dos refugiados não pode ser objecto de apreciação pessoal para fins eleitorais. Venham ou não trabalhar na floresta isso é uma matéria que não tem de ser discutido na praça pública, ainda por cima quando estamos em campanha. Repito que a atitude demonstrada nos últimos dias é uma prática constante no dia-a-dia das empresas. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Republicanos calaram Donald Trump


O candidato republicano mais polémico assinou um documento no qual se compromete a não entrar na corrida eleitoral por outra força partidária. Os termos do acordo também obrigam o milionário a apoiar o republicano que for nomeado para concorrer com o vencedor nas primárias democratas à Casa Branca. 

O ruído causado por Donald Trump, mas também por alguns membros importantes do Partido Republicano parece ter terminado. Neste momento não há razões para Reince Priebus ou qualquer outro responsável da máquina ficar contra o candidato, que tem de ter o mesmo comportamento perante os restantes colegas. Na minha opinião estamos perante uma forma de calar Donald Trump, embora todos os candidatos tiveram que fazer o juramento. No entanto, o percurso do milionário tem causado desconforto e inquietação no seio da estrutura, o que tem prejudicado as ambições de alguns, que pretendem vencer Hillary Clinton. 

Não se pode atirar todas as culpas para Donald Trump, mas a verdade é que as declarações proferidas são más para a imagem do Partido Republicano. 

Perdoar o aborto não retira culpa

O Papa Francisco I surpreendeu mais uma vez ao perdoar todas as mulheres que cometem aborto. Ora, as orientações do líder religioso não têm que ser seguidas por todos os padres. Certamente que haverá padres que não vão obedecer aos pedidos. A questão do aborto ainda é delicada em todo o mundo, e não pode ser resolvida com um mero perdão por parte da Igreja Católica. Na minha opinião, Francisco I tem-se tornado populista e humanista nas decisões que toma. Não estamos perante um líder político ou religioso, mas um homem com coração que sabe ver além das próprias responsabilidades. 

As mulheres que abortam não devem ser punidas criminalmente, mas também não podem ser perdoadas facilmente. O que está em causa é uma vida humana, e mesmo que ela não tenha sido desejada ou não haja condições para a receber, o aborto deve ser sempre o último recurso. 

Nesta questão a intervenção da Igreja é irrelevante, já que a alma de quem aborta não deixa de ficar arrependida porque o padre perdoou o seu acto. É um sentimento que está sempre presente na vida da pessoa. Por este motivo acho que Francisco I se está a intrometer num assunto que não exclusivamente respeito à Igreja. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Moeda única no centro do debate


A crise na Grécia deve servir de exemplo para os nossos partidos abordarem o tema da moeda única durante a campanha eleitoral. Não se trata de fazer um referendo sobre se Portugal deve sair ou não, neste caso todos os partidos apontam para a manutenção, mas para saber como o nosso país pode ter uma economia forte no seio da zona euro, sem recorrer unicamente ao debate entre a necessidade de austeridade ou reestruturar a dívida. Os partidos de esquerda e da direita precisam de ir mais além. 

O euro é uma moeda forte quando as economias estão organizadas. Isto só é possível com organização das contas públicas e investimento nas empresas. O Estado não pode continuar a ser um centro de emprego. Neste aspecto penso que o Partido Socialista deveria ter outra visão e não se cingir a um discurso gasto. Como se viu na campanha eleitoral no Reino Unido realizada por Ed Miliband.  

A economia é um tema importantes nestas eleições, já que o desemprego desce e o crescimento económico tem aumentado. O modelo que está a ser implementado pelo executivo, apostando nas exportações, deve ter continuidade, mesmo que o Partido Socialista vença as eleições. No entanto, António Costa já deixou algumas promessas de voltar a investir no sector público, bem como gastar dinheiro na abertura de serviços dependentes do Estado para servir as populações. 

O funcionamento da democracia


O governo da Nova Zelândia escolheu quatro modelos para a futura bandeira do país que serão submetidos a referendo até final do ano. A população vai votar através de um boletim que vai chegar a casa por correio. 

Na minha opinião a iniciativa governamental aproxima os cidadãos dos eleitos. Neste caso, estamos perante uma forma da democracia funcionar. O instituto do referendo não é perfeito, mas é o único que permite às pessoas participarem nas grandes questões nacionais. Penso que os países deveriam adoptar o mesmo comportamento que o executivo de Wellington. Na Europa não existe a prática de recorrer ao referendo. As questões europeias, como se viu na Grécia, necessitam maior escrutínio nacional. No entanto, os governos preferem viabilizar as propostas através do parlamento. 

No nosso país as autarquias também deveriam ter mais poder para referendar algumas questões, como a introdução de impostos, viabilização de orçamentos, agendamento de festividades no município. 

A ideia do governo neo-zelandês é excelente já que a actual bandeira é muito parecida com a da vizinha Austrália. Penso que este passo é uma forma de cortar definitivamente com Sua Majestade, a Rainha de Inglaterra. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Não ao PS, governo, mas sim ao euro

O primeiro debate televisivo com Catarina Martins e Jerónimo de Sousa foi bastante desinteressante. Os dois líderes partidários não animaram o debate porque a linha ideológica que representam são muito próximas. PCP e BE têm alguma dificuldade em se distanciar ideologicamente. Este factor é um problema para os partidos de esquerda que concorrem, pela primeira vez, às legislativas. 

Os dois mostraram pouca abertura para negociar com António Costa uma possível solução governativa de esquerda. Não confiam no Partido Socialista para mudar a política de austeridade. Ou seja, não pretendem um executivo submisso a Bruxelas e a Angela Merkel. A chanceler é a principal inimiga política de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. 

Curiosamente nenhum defende a saída de Portugal da zona euro. 

O confronto foi pouco vivo e nenhum dos dois conseguirá aumentar os níveis de popularidade nestas eleições. O Bloco de Esquerda corre o risco de ficar com um ou dois deputados. 

Ninguém quer o Novo Banco

O governo e o Banco de Portugal estão a ter dificuldades em vender o Novo Banco. Aquilo que parecia ser uma compra apetecível tornou-se num encargo para o Estado. O Novo Banco não é o Banco Espírito Santo, mas tem os mesmos problemas e defeitos. Ou seja, os produtos tóxicos não ficaram todos na instituição fundada por Ricardo Salgado. 

Tal como aconteceu com a privatização da TAP, parece que as companhias portuguesas não têm recursos para atrair o investimento estrangeiro. Tanto a companhia aérea como o banco deixaram uma imagem negativa devido à gestão ruinosa das respectivas administrações. Não é fácil o governo vender a ideia que está tudo bem com as empresas. Por alguma razão as duas chegaram a um estado calamitoso. A TAP ainda se safou, mas podia e devia ter melhores compradores. O Novo Banco não vai conseguir o mesmo êxito, ainda por cima numa altura em que Pedro Passos Coelho vai estar empenhado na campanha eleitoral e delegando em Carlos Costa a responsabilidade do falhanço do negócio. Isto é, se nada for conseguido ou mal executado a culpa recai sempre no governador. 
Share Button