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sábado, 31 de outubro de 2015

Figuras da semana

Por Cima

Pedro Passos Coelho - O primeiro-ministro nomeou um governo equilibrado e com caras novas, além de ter introduzido o Ministério da Modernização Administrativa para efectuar uma verdadeira reforma do Estado. A saída de Paula Teixeira da Cruz e Nuno Crato mostra que o chefe do executivo não é alheio ao que se passa na rua. Os dois anteriores ministros não recolhiam consenso no sector. A manutenção do seu núcleo duro, também revela inteligência na forma como se quer proteger dos ataques provenientes da oposição, sindicatos e comunicação social. O próximo teste será a aprovação do programa do governo na Assembleia da República. 

No Meio

Paul Ryan -  O republicano foi eleito para "Speaker" do Congresso norte-americano. Numa altura em que o Partido Republicano se encontram profundamente divididos, como se nota nos debates, nada melhor do que um pacificador para restaurar o equilíbrio entre os vários sectores. O nome encaixa bem, também para evitar uma vitória dos democratas nas eleições do próximo ano. O gesto de Ryan ao só ter aceite o convite caso o Partido mostrasse unidade é um sinal de maturidade política. Quem sabe se estamos perante um futuro candidato à Casa Branca.

Em Baixo 

Acordo Esquerda - Os sinais de desentendimento entre os partidos de esquerda são mais do que os consensos. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa disseram publicamente que não concordam com alguns aspectos essenciais. O caso mais inacreditável foi a confidência por parte do líder comunista que rejeita o Tratado Orçamental. No entanto, o mais grave é o facto dos partidos não estarem reunidos todos à mesma mesa. Ou seja, o PS é o único que tenta perceber quais são as reivindicações das duas outras forças. Isto mostra claramente que António Costa quer um entendimento à força para continuar a ter poder dentro dos socialistas. O secretário-geral socialista ainda vai a tempo de reflectir sobre aquilo que é melhor para os interesses do partido e também do país, até porque Francisco Assis já mexe com os outros desalinhados, além de Carlos César não ter sido apoiado por todos os deputados socialistas na eleição para líder da bancada parlamentar. 

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Retrato jornalístico: Política e futebol em pé de guerra


A nova rubrica pretende dar um olhar mais amplo sobre os trabalhos jornalísticos que vou publicando ao longo da semana nas várias plataformas. Tentarei dar uma visão diferente daquele que costumo implementar nos meus artigos. 

O mundo do cinema aguarda com expectativa a estreia do novo 007. O novo título da saga James Bond conta novamente com Daniel Craig no papel do agente ao serviço de Sua Majestade. A história será sempre a mesma porque isso é o que está no ADN da sequela. Não haverá novidades no próximo filme, mas o record de bilheteira permanece assegurado. No mundo do cinema, destaque para a estreia de "O Último Caçador de Bruxas", que conta com Vin Diesel. O herói da saga "Velocidade Furiosa" veste uma personagem diferente antes de voltar a gravar um novo filme do capítulo furioso. 

A política nacional continua a fervilhar. O governo tomou posse e agora espera a anuência da Assembleia da República para exercer plenas funções. Durante os próximos dias a informação e contra-informação servirá para confundir os comentadores, que vão especular sobre tudo e mais alguma coisa. A decisão da queda do governo está nas mãos do Partido Socialista, mas também na vontade do PCP continuar a querer violar o Tratado Orçamental. O Bloco de Esquerda não diz nada porque já percebeu que o acordo não está assegurado. 

A guerra Benfica/Sporting continua, mesmo depois da vitória expressiva do Sporting sobre o Benfica. Na Luz apontam-se baterias para o futuro, mas em Alvalade Jorge Jesus e Bruno de Carvalho pretendem a destruição total do rival da segunda circular. O mesmo acontece com os partidos da esquerda relativamente às forças da direita. 

Nos Estados Unidos são os republicanos que centram todas as atenções. Os debates televisivos não têm conteúdo político e o aparelho partidário continua chocado com os resultados de Donald Trump. Enquanto isso, Hillary Clinton já prepara a eleição geral

O empreendedorismo mudou a vida de alguns jovens portugueses que tinham a ambição de construiu um negócio, mas não sabiam como andar para a frente. No entanto, o medo de arriscar e o comodismo são factores que os mais novos têm medo de combater. 

A Direita também se manifesta

A provável queda do governo depois da apresentação do programa nos dias 9 e 10 de Novembro tem gerado indignação junto da direita portuguesa. No dia da votação, os apoiantes da coligação Portugal à Frente que venceu as eleições, marcaram uma manifestação junto da Assembleia da República. 

O facto é inédito, já que, os protestos estão associados aos partidos de esquerda, em particular, aqueles que nunca estiveram no poder. Vai ser curioso perceber como o PCP organizará as manifestações contra um executivo por si apoiado. 

As manifestações não são um exclusivo dos partidos de esquerda. A direita também sabe organizar protestos que influenciem o sentido dos votos. Se o novo executivo liderado por António Costa for aprovado por Cavaco Silva, vamos assistir a várias manifestações de desagrado por parte da direita. A rua não é exclusiva da esquerda. A questão é saber como a esquerda, nomeadamente o BE e o PCP, reage aos protestos. 

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Não haverá um terceiro Bush na Casa Branca


A possibilidade de haver um terceiro elemento da família Bush na Casa Branca é cada vez mais remota devido aos maus resultados de Jeb Bush nas sondagens. As primárias ainda não começaram, mas os números não são favoráveis ao membro do clã Bush. 

O dinheiro e os apoios que reuniu são importantes, mas Jeb Bush não está a conseguir cativar o eleitorado, nem se destacar nos debates. O apoio do pai George H.W.Bush e do irmão George W.Bush não é suficiente para convencer os republicanos. Se o mandato do primeiro foi positivo, os oito anos do segundo deixaram marcas nos republicanos e na própria família. 

As tentativas de atacar as outras candidaturas, em particular a de Marco Rubio não têm surtido efeito, já que, as respostas provenientes dos adversários costumam ser mais duras. O último confronto dos republicanos mostrou as debilidades do antigo governador da Florida. De acordo com os estudos de opinião, o membro do clã não vai ter bons resultados no Iowa, New Hampshire, Carolina do Sul e Nevada.

A estratégia de Jeb Bush tem sido errada porque sentiu que não teria de batalhar para conquistar os votos e porque tinha alguns homens fortes do partido, além de poder financeiro. As eleições norte-americanas são muito mais do que isso. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Competição tecnológica

A União Europeia tem tido um comportamento positivo no combate à competitividade tecnológica no espaço europeu, estabelecendo regras importantes para as empresas norte-americanas. 
Nos últimos anos as companhias aproveitaram o vazio jurídico para criarem as próprias regras e ganharem com o aparecimento de novidades que entusiasmaram os consumidores europeus, já que, em termos tecnológicos, os norte-americanos sempre estiveram à frente, na parte de produção, mas também na utilização. Neste capítulo a União Europeia continua atrasada relativamente aos Estados Unidos. Ou seja, dificilmente na Europa será criado um lugar como Silicon Valley. 

As empresas europeias começam a perceber a importância da tecnologia. Não é por acaso que surgem imensas start-ups na área. No entanto, os instrumentos norte-americanos ainda são a primeira escolha dos europeus. 

O combate não deve ser feito de forma negativa. Isto é, a UE tem de incluir as companhias tecnológicas norte-americanas e não expulsá-las, como aconteceu em Espanha. O mais acertado seria desenvolver um esforço conjunto para fazer face à concorrência asiática. Na minha opinião, nenhum governo ou mesmo a UE irão criar algum gigante tecnológico, porque isso não está nas prioridades governativas, nem sequer em termos orçamentais. Neste momento existe pouca vontade política para a UE seguir o rumo do desenvolvimento tecnológico porque as empresas norte-americanas já se instalaram e conquistaram o público europeu. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O novo governo não merecia cair

As escolhas de Pedro Passos Coelho para o novo executivo parecem acertadas. Por um lado, foram substituídos ministros que eram bastante contestados, além de estarem ligados à máquina do PSD e CDS, como são Paula Teixeira da Cruz, Nuno Crato, Miguel Poiares Maduro e António Pires de Lima. Os dois primeiros nunca conseguiram gerar consensos nos respectivos sectores. 

O primeiro-ministro nomeou pessoas que têm experiência governativa, mas também profissional, de forma a tentar alterar o voto dos socialistas e acalmar a esquerda. A introdução de um Ministério da Cultura mais não é do que ceder às pressões dos socialistas e de alguns lobbys do sector que reclamam mais apoio. 

Os ministros do CDS ficaram todos, o que significa o peso de Paulo Portas no executivo. No entanto, tanto Pedro Mota Soares como Assunção Cristas estiveram entre os melhores. Na saúde, Paulo Macedo sai de cena depois de ter cumprido a missão de colocar o Serviço Nacional de Saúde na ordem. 

O governo pode ter apenas dez dias de duração, mas ninguém pode acusar Passos Coelho de não ter tentado. Os ministros garantem a execução de políticas viradas para as pessoas. No entanto, não percebo porque razão Fernando Negrão foi repescado para o ministério da Justiça depois de ter perdido a eleição para presidente da Assembleia da República. Passos escolheu o deputado em dois dias?

O primeiro-ministro deve exigir a António Costa que apresente a sua ideia de governo. A eleição de Ferro Rodrigues para líder da Assembleia da República é um sinal que nada vai mudar no legado de Costa. 

A saga continua a mesma de sempre

A estreia do novo filme de James Bond só acontece na próxima semana, dia 5 de Novembro, mas no Reino Unido já fez as delícias dos adeptos da saga. O filme conta com a participação de Daniel Craig. No entanto, a história do 007 continua a ser sempre a mesma. Mudam os actores, mas o enredo mantém-se. 

Não se trata de um problema relacionado com este 007, mas com o objectivo da saga. Não muda nada, nem mesmo os cenários. Temos sempre o mesmo herói, o vilão, as bond girls, sendo que a tecnologia associada aos métodos de espionagem e armamento evolui de filme para filme. Não percebo qual o motivo para a continuação da saga, já que, nem por uma vez 007 se transformou num vilão. Talvez não fazia mal aos realizadores da saga mudarem a história para não perderem adeptos. É óbvio que hora e meia de James Bond não faz mal a ninguém, mas ver um filme cujo final já é conhecido não parece ser a melhor forma de conquistar público. 

Como acontece nos governos, as mudanças nas direcções dos filmes também são necessárias. Ou será que o 007 só sobrevive desta maneira?

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Governo de iniciativa presidencial

A melhor opção para o país será a terceira via, isto é, a opção por um governo de iniciativa presidencial. No entanto, nenhum dos partidos aprovava essa solução na Assembleia da República devido ao ambiente crispado em que vivemos. Nesta situação, nem a maioria de direita aceitaria a decisão. O problema tem a ver com a manutenção do poder por parte do PSD/CDS e da conquista no lado da esquerda. 

Um governo de iniciativa presidencial acabava com o clima tenso numa altura muito importante para o país. Uma vez que acabámos de sair do resgate a consolidação orçamental e recuperação económica têm de ser garantidas. Ora, se tivéssemos líderes responsáveis nos partidos que não se preocupassem apenas com o poder, talvez fosse possível sentar todos na mesma mesa em prol dos interesses públicos. 

Tenho a certeza que o executivo conseguia consensos porque não excluía ninguém das negociações e fazia o que era necessário para o país. O governo poderia juntar pessoas ligadas a todas as forças partidárias, embora o primeiro-ministro fosse uma personalidade da confiança política de Cavaco Silva. A solução não teve muito sucesso no passado, mas o presente exige uma solução destas para acalmar as hostes partidárias, já que, não há razões políticas por detrás das decisões tomadas nos últimos dias. Como expliquei no post anterior, os partidos têm actuado por vingança e não através das convicções políticas. 

domingo, 25 de outubro de 2015

Olhar a Semana - Vendettas políticas

A actual situação política tem-se transformado numa autêntica vendetta política que tem como objectivo ou assalto e manutenção do poder. Vejamos:

O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português apresentaram moções de rejeição ao programa de governo na noite eleitoral de 4 de Outubro. Uma autêntica vingança política relativamente aos quatro anos de austeridade impostos pela direita. 

Uns dias mais tarde, o Partido Socialista anunciou conversações com os partidos de esquerda, tendo encenado negociações com a direita só para não excluir nenhuma força. António Costa até se reuniu com o PAN. A primeira vendetta sobre o PSD e CDS estava feita. 

Na quinta-feira o Presidente da República indigitou Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro, mas fez mais. Cavaco Silva aplicou uma vendetta aos partidos de esquerda, em particular o PCP e o BE, quando deixou subentendido que não iria dar posse a um executivo liderado por António Costa com apoio de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. 

Umas horas mais tarde, o PS anunciou uma moção de rejeição ao programa de governo como resposta ao discurso hostil do Presidente da República. 

Provavelmente Pedro Passos Coelho vai ficar a liderar um governo de gestão para vingar a forma como o Partido Socialista impediu a plenitude de funções do governo e a consequente demissão. 

A última vendetta ocorrerá durante o período de substituição do chefe de Estado em que a esquerda vai legislar sobre tudo e mais alguma coisa para mostrar a sua força. 

Os acontecimentos desde 4 de Outubro até às próximas eleições revelam a mesquinhez política dos nossos líderes partidários. Nenhum colocou o lugar à disposição para facilitar as negociações. Por esta razão também não passa no parlamento um governo de iniciativa presidencial, sendo que essa seria a melhor solução. Numa altura em que os poderes constitucionais estão limitados, os partidos com assento parlamentar deveriam pensar em eleições internas para questionar as lideranças que obtiveram maus resultados nas últimas legislativas. No entanto, o cheiro a poder é mais forte. Por isso é que ninguém cede em nome do interesse nacional e todos os passos dados visam exclusivamente ambições partidárias e resolver questões de sobrevivência política. No último caso, particularmente os três maiores partidos. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Figuras da Semana

Por Cima

Joe Biden -  O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que não se vai candidatar às eleições norte-americanas de 2016. O responsável terminou com especulações veiculadas pela comunicação social. A atitude de Joe Biden foi a mais correcta porque não criou divisões no seio do Partido Democrata, nem deixou Barack Obama numa situação complicada, numa altura em que o actual Presidente já deixou claro que vai apoiar Hillary Clinton. Biden teve sentido de Estado, além de ter colocado os interesses do partido à frente das ambições pessoais, já que, tinha possibilidade de fazer frente a Hillary Clinton. Não se candidatou porque isso iria obrigar Barack Obama a tomar uma decisão relativamente ao resto do mandato, sendo que ainda falta um ano e meio para o fim do trabalho.

No Meio

Partido Comunista Chinês - A estrutura do partido proibiu os militantes de jogarem golfe, após o surgimento de notícias que davam conta de utilização de dinheiros públicos na prática desportiva, além de servir para alguns presidentes de Câmara se divertirem em pleno horário de trabalho. O PCC esteve bem nesta atitude, mas ainda tem de ir mais além no combate à corrupção. A promessa foi feita pelo presidente Xi Jinping

Em Baixo

António Costa - O líder socialista só dá maus exemplos, apesar das jogadas políticas lhe permitirem sonhar com a conquista do poder. As acções de Costa são autênticos passos para tomar o poder que não conseguiu obter pelos votos. Não está em causa a legitimidade constitucional nem democrática da opção tomada. O problema está no princípio. A irresponsabilidade chegou ao ponto de apresentar uma moção de rejeição ao programa do governo como forma de protesto pela decisão do Presidente da República, não tendo nenhum argumento porque ainda não sabe as políticas do programa que vai ser apresentado pela direita. Costa mostra satisfação pelo que está a acontecer. Na noite das eleições o sorriso era bem evidente. No entanto, o único que se vai queimar por estar  a fazer o jogo do PCP e BE é o secretário-geral porque os outros dois partidos não terão nenhuma revolta interna pelas posições que sempre assumiram. Costa vai ter duas derrotas. A primeira será imposta pelo Presidente da República, já que, deixa Passos Coelho em gestão e a segunda deverá ocorrer no próximo Congresso quando a oposição interna atacar em força. 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A nova legislatura já terminou


O parlamento inicia hoje os trabalhos da nova legislatura. Na câmara estão representados os deputados eleitos nas últimas eleições de 4 de Outubro. Neste momento, os partidos da esquerda têm mais representatividade parlamentar do que a direita. Também há uma estreia chamada PAN, que já reclama por um melhor lugar no hemiciclo. 

As condições de governabilidade não estão asseguradas porque o primeiro-ministro indigitado não tem maioria no parlamento, estando sujeito a enfrentar três moções de rejeição do programa de governo anunciadas antes de serem conhecidas as propostas para a próxima legislatura. PS, PCP e BE não vão permitir que o executivo entre em funções. Perante o cenário é provável que tenhamos um governo de gestão durante os próximos meses, porque não é possível convocar eleições antecipadas, já que, Cavaco Silva não tem mais poderes constitucionais. 

O primeiro teste à correlação de forças no parlamento ocorre na eleição do presidente da Assembleia da República. O PS apresenta Ferro Rodrigues e a Coligação aposta em Fernando Negrão. Quem vencer fica com o segundo cargo mais importante do país. 

A democracia portuguesa atravessa uma fase delicada devido à queda do número de votos nas principais forças, mas também porque a direita não apresenta mais soluções do que duas forças partidárias. 

Não é a primeira vez que um governo não tem apoio maioritário na Assembleia. No entanto, apenas o governo de António Guterres chegou ao fim nessa situação, mas há vinte anos a situação financeira era outra. 

A sessão parlamentar que começa poderia ser divertida e interessante para quem gosta de discussão ideológica, mas a incessante sede de poder impede a concretização de qualquer debate. O novo governo vai cair e entrar em gestão até final de Março 2016. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Erro histórico

A jogada de António Costa para chegar ao poder sem ter vencido as eleições, é um erro histórico, do qual vai ter implicações políticas. Na frente interna e externa. 

O primeiro será levar o país para uma onda de desconfiança em relação às entidades organizacionais. O Presidente da República nem sequer indigitou qualquer nome para primeiro-ministro e a Europa já lança avisos. O problema não tem a ver com o Partido Socialista, mas com o próprio Costa, que, parece querer levar o partido para a esquerda. Não é bom quando alguns dirigentes comparam o nosso país com a Grécia. No entanto, todos sabem que as políticas despesistas estão de volta. 

As implicações internas são mais do que as externas. Em primeiro porque o BE e PCP não vão para o governo. Alguns podem ficar aliviados, mas é o pior que pode acontecer ao país. Sem um desses partidos no executivo, o risco de ruptura torna-se cada vez maior. Desde logo por causa das obrigações internacionais. Não percebo como é que a esquerda aceita dialogar com António Costa e nunca o fez em relação a José Sócrates. Dirão os apoiantes comunistas e bloquistas que o actual secretário-geral socialista está mais à esquerda do que o ex-primeiro-ministro. 

O outro problema é a divisão no Partido Socialista. Os centristas e os moderados do PS nunca vão aceitar estar nas mãos de dois partidos que não garantem estabilidade política sem fazerem parte do governo. Pelo menos um deles deveria fazer parte do governo. Nesta situação, homens como Francisco Assis, Álvaro Beleza e outros que começam a sair do anonimato não querem aliar-se a ninguém. Pretendem que os socialistas estejam no governo ou na oposição de acordo com o programa eleitoral. No entanto, não acredito numa "pasokização" dos socialistas por causa dos históricos. Neste aspecto, Mário Soares, Jorge Sampaio, Vera Jardim e outros têm um papel importante na manutenção da ideologia do partido, sendo os únicos com capacidade para derrotar António Costa. 

Por exemplo, não é por acaso que José Sócrates obteve melhores resultados com um discurso centrista do que Costa optando por fazer um corte ideológico com os moderados. 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Bye Bye Biden



O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, está fora da corrida eleitoral nas próximas eleições. O discurso realizado na Casa Branca acompanhado de Barack Obama revela que o presidente norte-americano conseguiu persuadir o seu vice de concorrer contra a antiga secretária de Estado. O que está em causa é a vitória de Hillary Clinton, a continuidade dos democratas no poder, mas também a crise no seio do Partido Republicano. Ou seja, uma vitória nas próximas eleições não tem só repercussões nos vencedores. 

A candidatura de Joe Biden trazia interesse à campanha eleitoral e algum debate de ideias, que também está a ser feito entre Bernie Sanders e Hillary Clinton. Nos republicanos a pré-campanha é tudo menos ideológica por culpa dos bons resultados de Donald Trump. 

Neste momento não pode haver divisões nos democratas, mesmo que o poder esteja nos republicanos. No entanto, tudo corre mal ao partido que controla o congresso. O candidato que está à frente nas sondagens não é o mais desejado pela estrutura e a saída de Joe Boehner da liderança do Congresso mostra que as várias sensibilidades não são capazes de coabitar no mesmo partido. Ou seja, se os democratas ficarem unidos aumentam as possibilidades de conquistar a Casa Branca, sendo que a maioria no Congresso e no Senado será uma consequência do resultado eleitoral de Novembro 2016. 

Não há dúvidas que Obama quer lançar Hillary Clinton para a presidência porque também representa um momento histórica na política norte-americana, além de serem necessárias todas as forças para derrotar o discurso de Donald Trump. 

A escolha entre Donald Trump e Hillary Clinton

As sondagens não enganam. Donald Trump e Hillary Clinton são os favoritos para ganharem as eleições primárias e lutarem pela eleição geral daqui a um ano. 

Nos republicanos o milionário norte-americano continua destacado dos restantes candidatos. O segundo classificado é Ben Carson e não Jeb Bush ou Marco Rubio. Ou seja, os concorrentes que têm o apoio de membros influentes do Partido Republicano estão a ser ultrapassados pelos menos mediáticos, embora tenham suporte financeiro, como é o caso de Trump. As sondagens revelam uma certeza. Com 8% das intenções de voto, Bush e Rubio dificilmente conseguem ganhar nos Estados fundamentais. Os números das sondagens são uma desilusão, em particular para o membro da família Bush. 

Na minha opinião todos os analistas desvalorizaram os resultados de Trump, mas agora começam a ter respeito pelo candidato. A existência de vários concorrentes nos republicanos fez com que uma única figura tivesse mais tempo de antena do que os restantes. Isso é o que tem feito a diferença na pré-campanha.

A eleição nos democratas também parece estar decidida. Não acredito que Joe Biden entre na corrida e destrone Hillary Clinton. A antiga primeira-dama continua confortavelmente sentada na cadeira do poder que lhe permite disputar a eleição em Novembro de 2016. As primárias serão apenas uma formalidade para entreter os meios de comunicação social. Bernie Sanders poderá ganhar algum Estado importante, mas não tem capacidade para assustar a provável primeira mulher presidente dos Estados Unidos porque as sondagens garantem mais de 50% dos votos. 

Ainda falta muito tempo, mas caso as sondagens estejam correctas, iremos assistir a um confronto titânico em 2016.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Newsletter e empreendedorismo são modas curtas em Portugal

As modas em Portugal duram pouco. Ou seja, nem sequer têm tempo para crescer. Nos últimos meses não se fala noutra coisa senão empreendedorismo. Os casos de pessoas que iniciaram um projecto pessoal são cada vez mais, além de terem sido tratados pela imprensa como a salvação do país e a o principal motivo da recuperação económica. O que interessa não é ter um canudo ou experiência, mas vontade de arriscar, mesmo que isso signifique dar um tiro no escuro. 

Nos próximos anos veremos quantas empresas ou empresários mantiveram o negócio que iniciaram graças ao apoio do Estado português. Não nego que há um novo paradigma na economia portuguesa, à semelhança do que fizeram os israelitas. No entanto, a mensagem transmitida por alguns responsáveis revela falta de conhecimento técnico e insegurança sobre o futuro. 

A outra moda é a das Newsletters. Os principais órgãos de comunicação social adoptaram uma nova forma de chegar ao leitor, fazendo um resumo do dia. Isto era positivo se o conteúdo não fosse o mesmo, embora haja alguns que inovaram. Contudo, o excesso de oferta pode ser prejudicial para as audiências. Por outro lado, também é positivo ter informação disponível de manhã.  


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Unida no governo, dividida nas presidenciais

A esquerda portuguesa surpreende todos os dias. Num dia apoio um governo liderado pelo PS, mas depois apresenta candidatos próprios à presidência da república para impedir os concorrentes socialistas de ganharem votos que lhes permita passar à segunda volta. 

Tanto o PCP como o BE querem travar uma vitória de Marcelo Rebelo de Sousa dividindo a esquerda, numa altura em que o eleitorado socialista se parte em duas opções. Não faz sentido os dois partidos apresentarem Edgar Silva e Marisa Matias. No entanto, tem sido a prática nos últimos anos. 

O mais estranho é a diferença de postura face aos dois momentos eleitorais. Numa ocasião apoiam o PS para viabilizar um governo de esquerda, mas não estão com nenhum dos dois candidatos presidenciais que se apresentam no centro-esquerda. 

Ora, não há uma coerência política no PCP e BE a não ser derrotar a direita. Se fosse assim teriam ficado quietinhos e deixar a esquerda inteira votar em Maria de Belém ou Sampaio da Nóvoa. A fragmentação de candidatos prejudicou a esquerda nas últimas eleições presidenciais. Perante este cenário, Marcelo só tem mesmo continuar o seu caminho. 

domingo, 18 de outubro de 2015

Olhar a Semana - Mais uma semana agitada, mas não decisiva

Na rubrica desta semana fazemos uma análise ao que poderá vir a acontecer durante os próximos dias. O Presidente vai receber Pedro Passos Coelho amanhã, e inicia a consulta aos partidos na terça e quarta. 

O problema começa amanhã quando Cavaco Silva indigitar Passos Coelho primeiro-ministro e formar governo. A partir daí, a histeria nos restantes partidos será diluída na comunicação social e depois no Palácio de Belém. O chefe de Estado ignora as queixas dos partidos de esquerda, em particular do PS. Nesse preciso momento, começam as divisões internas nos socialistas para o secretário-geral tomar uma posição a favor ou contra na apresentação do programa de governo na Assembleia da República. 

O programa passa mesmo com os berros de António Costa. O maior problema é o Orçamento de Estado por causa das exigências europeias. Outro aspecto tem a ver com a realidade do país. Será que vamos conseguir atingir o défice de 3% em 2015  e com isso utilizar os mecanismos de flexibilização? Ninguém sabe responder porque as dúvidas colocadas por Costa na TVI e as garantias de Maria Luís Albuquerque são vão ser respondidas mais tarde. 

No meio das questões em torno da formação da nova maioria fico indignado porque ninguém quer saber da opinião do deputado do PAN. Mesmo sendo apenas um penso que deveria ser incluído na confusão que se instalou após a eleições até para adquirir experiência. Uma coisa é certa: todos querem ficar o poder, já que, quem não o tiver perde legitimidade interna. Isto vale principalmente para Passos Coelho e António Costa, mas também deveria servir para Paulo Portas e a própria Catarina Martins. Nem sequer menciono a longevidade de Jerónimo Sousa. 

sábado, 17 de outubro de 2015

Figuras da Semana

Por cima

Hillary Clinton -  A candidata democrata às eleições presidenciais norte-americanas venceu o debate na CNN realizado em Las Vegas. Nem com a sombra de Joe Biden constantemente presente, a ex-primeira-dama deixa de dar o máximo. As primárias estão praticamente ganhas, faltando saber como vai chegar o candidato republicano à eleição geral. 

No Meio

Francisco Assis -  O eurodeputado socialista deu uma entrevista convincente na RTP. Como é seu timbre, não ficou nada por dizer. Há muito que o PS não tem um possível candidato sem papas na língua nem com medo de defrontar o actual poder instalado nos socialistas. Após a declaração de Assis e da manutenção do discurso de Costa, vamos ter disputa pela liderança do Partido Socialista. 

Em Baixo

Partido Nacional Escocês - Os nacionalistas escoceses apelidaram a Câmara dos Comuns como "um jardim infantil". Ora, a frase do SNP só fazia sentido se os próprios não estivessem por lá, ou comportam-se como uns meninos de coro. Duvido que o partido de Nicola Sturgeon mantenha a postura quando o tema da independência da Escócia vier novamente para a agenda. Para já, podiam ter colocado para cima o parlamento britânico. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O medo nos corredores da União Europeia

A crise de refugiados na União Europeia teve o condão de provocar medo nos dirigentes da União Europeia, sobretudo nos países do Norte, que não pretendem dar a mão aos do Sul. A paranóia securitária de alguns países levou à possibilidade do encerramento das fronteiras. No entanto, não se percebem as críticas de alguns dirigentes à forma como os países de Leste estão a lidar com a situação. 

A situação precisa de ser encarada sob o ponto de vista humanitário e não tendo em conta apenas as questões relacionadas com a segurança porque isso tem levado a alguns excessos. 

Os receios da União Europeia é a possível entrada de terroristas em território comunitário. No fim-de-semana um atentado na Turquia fez mais de cem mortos. A população manifesta o seu desagrado perante a presença de pessoas ligadas ao Estado Islâmico misturadas com os refugiados. Outro problema tem a ver com as condições que estão a ser dadas aos imigrantes, o que poderá causar alguma revolta. 

A resposta da União Europeia deverá deixar de ser condicionada. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A sombra de Joe Biden

A comunicação social norte-americana quer empurrar o vice-presidente dos Estados Unidos da América para a corrida eleitoral. Todos os dias há uma notícia que pode indiciar qualquer coisa. No entanto, até agora não houve nada. 

Nos debates entre os candidatos democratas há um lugar para o candidato sombra. 

Os norte-americanos precisam que a corrida nos democratas tenha a mesma intensidade que nos republicanos. Neste momento Hillary Clinton não tem adversário de peso, mesmo que Bernie Sanders esteja a conquistar pontos nas sondagens. No entanto, a antiga primeira-dama vai passear nos próximos 7 meses, tendo como principal alvo os concorrentes republicanos. 

As pressões para Joe Biden apresentar uma candidatura surgem mais por parte dos media do que no seio dos democratas, até porque Barack Obama não via com bons olhos uma candidatura contra Hillary Clinton. 

Na minha opinião, o vice-presidente não irá a jogo para não comprometer as aspirações democratas. Numa altura em que os republicanos estão fragilizados por causa do discurso de Donald Trump, existe a forte possibilidade de Hillary chegar ao poder. Por essa razão Barack Obama também está empenhado em promover a ex-secretária de Estado. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

À medida de Cavaco

A actual situação política serve os interesses do Presidente da República. Ou seja, não estando reunidas condições políticas para haver um governo estável, nomeia-se aquele que tem mais probabilidades de seguir as orientações gerais do Chefe de Estado. Seja à esquerda ou direita, ninguém tem capacidade para durar os quatro anos de legislatura. No entanto, isso é o menos importante, tendo em conta que vamos ter eleições presidenciais em Janeiro. O que interessa é o resultado das presidenciais. 

Durante os períodos constitucionais que limitam os poderes do actual e futuro chefe de Estado haverá um governo minoritário que tem a responsabilidade de cumprir o programa e o orçamento. Não mais do que isso. Por estas razões, Cavaco vai ignorar a frente de esquerda liderada por António Costa e nomear Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro, mesmo que corra um risco enorme durante o programa do governo e o orçamento. Na minha opinião tanto um como o outro vão passar. Contudo, quem será o verdadeiro "chefe de governo" é o próprio Presidente da República, que também aconselha António Costa a não impedir a formação do executivo porque, em termos internos, também se encontra numa situação complicada. 

Nos próximos seis meses vamos assistir ao regresso de Cavaco Silva como homem mais poderoso do país, situação que nunca rejeitou. A justificação da opção tomada será sempre em nome da estabilidade nacional,já que, Passos Coelho não é vítima de nenhuma revolta interna para o derrubar. O único que o pode fazer cair é António Costa e os líderes do PCP e Bloco de Esquerda. 

O cenário está montado para Cavaco Silva voltar a ser Deus Todo Poderoso deste país. Ainda que só por alguns meses, mas suficiente para escrever um livro.

8ºaniversário


Hoje completamos oito anos de muita escrita, inúmeros artigos e um sem número de opiniões sobre o mundo que nos rodeia. Durante os oito anos relatámos todos os momentos que considerámos importantes, em particular os que mudaram o país e o mundo. 

A prioridade deste blogue foi sempre analisar o dia-a-dia nas mais diversas áreas. No entanto, nos últimos anos a política nacional e internacional ocuparam as nossas prioridades. As lutas pelo poder, o jogo de ideias, os conflitos de interesses em cima do tabuleiro de xadrez têm repercussões nas nossas vidas. 

O caminho que tem sido feito mostra a qualidade dos antigos colaboradores e dos que ainda cá continuam. Desde 2007 que já passaram por este espaço mais de dez pessoas. No início de 2015 iniciámos as Tertúlias que contam com três edições e em Agosto nasceu um projecto na área do futebol. 

Numa altura em que a blogosfera sofre uma crise de visitas por causa das redes sociais, a manutenção de um blogue de opinião político é arriscado. Nem sempre se consegue ficar satisfeito com a resposta por parte dos leitores. Contudo, o gozo de intervir fala sempre mais alto do que qualquer like. 

No próximo ano pretendemos reforçar a nossa presença na blogosfera e nas redes sociais através das páginas, bem como por via de outros projectos, como é o Golo. A realização das presidenciais portugueses e das norte-americanas exigirá um maior compromisso com o debate de ideias. 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

O futuro do país decide-se às 18h

A partir das 18h, os partidos da coligação e o Partido Socialista reúnem-se para tentarem chegar a um acordo sobre as condições de governação do país na próxima legislatura. Os socialistas partem em vantagem porque têm a certeza que PCP e BE aprovam, pelo menos, o programa de governo e Orçamento de Estado para 2016. 

O PSD e o CDS estão dispostos a ceder, mas temem que os partidos de esquerda já tenham convencido António Costa. A dúvida não se vai dissipar até final do encontro, porque o secretário-geral socialista só toma uma decisão no final da semana. 

O futuro do país está nas mãos de Costa, que não assiste ao anúncio da candidatura de Maria de Belém a Presidente da República. O aparelho socialista marca presença naquela que é a única possibilidade de evitar uma vitória de Marcelo. Ao mesmo tempo, Sampaio da Nóvoa faz campanha no ISCTE. 

É certo que Costa ganhou mais poder nos últimos dias, mas também sabe que, nem Maria de Belém, nem Sampaio da Nóvoa, chegam ao Palácio de Belém. Ou seja, tentar ser primeiro-ministro para depois Marcelo Rebelo de Sousa utilizar a bomba atómica é um passo demasiado arriscado. 

A única opção de António Costa

O Partido Socialista meteu-se numa embrulhada política. O apoio de António Costa às propostas do PCP e do Bloco de Esquerda fazem soar os alarmos no Largo do Rato. Ou seja, aquilo que muitos chamam "pasokização" do PS tem pernas para andar. 

O líder socialista tinha outras opções, mas como pretende ficar com o poder opta pela mais difícil para o seu partido devido à sua matriz ideológica. O PS e o PSD não podem negar o seu passado político, mas têm de perceber que são partidos do centro e que se pretende uma atitude moderada nas suas políticas. Qualquer desvio para a direita ou esquerda não será bem aceite pelos militantes. António Costa quer que o partido tenha políticas de esquerda, nomeadamente nos apoios sociais. No fundo, trata-se de gastar mais para ajudar aqueles que mais precisam, independentemente da necessidade de cumprir metas orçamentais. 

O secretário-geral poderia ter apoiado a direita no parlamento sem estar no governo para vigiar as políticas executivas durante a legislatura. Se assim fosse, a coligação não cometeria excessos e a Assembleia da República seria sempre um lugar de discussão sobre as propostas de cada partido. Se fizesse isto, Costa tinha ainda mais poder, além de controlar internamente o seu partido. 

Pode ser que ainda haja uma esperança.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Políticas desportivas federativas

As federações desportivas necessitam de oferecer mais apoios financeiros, logística e obter divulgação junto dos meios de comunicação social para as modalidades ditas amadoras crescerem e conseguirem melhores resultados, sobretudo nos Jogos Olímpicos.
Neste campo, o Comité Olímpico de Portugal tem feito um bom trabalho, tentando criar ferramentas que permite aos atletas mais formação, não só a nível desportivo, mas também mental. Nos dias que correm e com a presente competitividade é fundamental trabalhar a cabeça. Hoje em dia a pressão para obter resultados cresce devido à exigência dos adeptos, media e patrocinadores. Numa situação de crise as federações deixaram de ser auto-sustentáveis, passando a estar dependentes da vontade privada.

A crise financeira retirou a capacidade de decisão às federações desportivas que dependiam muito do Estado. 

Há um trabalho de fundo que precisa de ser feito para os nossos atletas terem mais e melhores condições de trabalho. Os projectos devem ser definidos a longo prazo e não no curto, como acontece em algumas modalidades. Considero que um bom resultado nos Jogos Olímpicos é fundamental para o país, mas a preparação não se deve focar apenas na competição desportiva mais importante do mundo, já que as provas mundiais e europeias reflectem mais a qualidade dos atletas devido à sua regularidade. 

Numa altura que falta menos de um ano para os jogos no Rio de Janeiro há imensas questões que devem ser discutidas para não pressionar os atletas. 

Presidenciais no meio das legislativas

A confusão política continua nesta semana. Talvez venhamos a ter uma posição oficial de António Costa sobre o que quer fazer. O Bloco de Esquerda irá assumir a postura do PCP ao mostrar disponibilidade para fechar acordos com o PS. No entanto, será na visita ao Palácio de Belém que tudo se decide. 

Não acredito que Cavaco Silva aceite uma solução de governo à esquerda depois do discurso da semana passada. Tenho a convicção que o Presidente da República pretende sensibilizar António Costa para, no mínimo, não chumbar o orçamento de Estado, que poderá ter novidades de última hora se os números da execução não forem verdadeiros. Ou seja, isso será uma derrota para a coligação, mas que o líder socialista terá de engolir para bem do interesse nacional. 

O maior problema para Cavaco Silva e o próprio secretário-geral dos socialistas tem a ver com campanha eleitoral que está em marcha. Com a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa no terreno todas as perguntas que Cavaco devia responder, serão feitas ao professor, a Maria de Belém e a Sampaio da Nóvoa. Os três têm o poder de colocar em causa as decisões tomadas pelo actual Chefe de Estado, o que origina mais turbulência política. 

O ruído em torno das legislativas ainda não acabou, sendo que as presidenciais chegaram mais cedo do que o previsto. 

domingo, 11 de outubro de 2015

Olhar a Semana - Sem acordo

O maior problema acontece após os resultados eleitorais. Nem à direita ou à esquerda é possível formar um governo que tenha capacidade de durar os quatro anos da legislatura. O partido que tem a possibilidade de ajudar à estabilidade, seja qual for o caminho, também corre o risco de ficar dividido. 

Durante a semana assistimos a uma série de movimentações de todos os partidos para conquistarem o apoio do Partido Socialista. António Costa sentia-se como peixe na água porque não venceu as eleições, mas ficou com o poder nas suas mãos. Por isso é que estava sorridente na noite eleitoral. No entanto, qualquer decisão que venha a tomar vai dividir o PS, à semelhança do que aconteceu com a questão presidencial. Além disso, a liderança vai ser questionada, mesmo que, neste momento, Costa tenha carta branca para fazer o que entender. 

Se o líder socialista der a mão à esquerda, PSD e CDS entram em processo eleitoral interno, se pretender constituir um governo ou efectuar acordos parlamentares com a direita, haverá quem sinta a necessidade de romper as disciplinas de votos. 

Na minha opinião o Presidente da República não deveria colocado a questão de só dar posse a um governo de maioria. Penso que poderia ter deixado a porta aberta para os partidos negociarem as leis consoante a ideologia de cada um. Cavaco Silva fez mal ao ter excluído os partidos da esquerda de qualquer solução, seja de que forma for. A melhor maneira de resolver o diferendo seria responsabilizar a Assembleia da República pelo futuro do país. 

sábado, 10 de outubro de 2015

Figuras da Semana

Por Cima

Marcelo Rebelo de Sousa -  O professor finalmente assumiu um desejo antigo. Certamente que esteve à espera da melhor oportunidade para regressar à política depois de Paulo Portas ter dado cabo da sua ambição quando foi formada uma AD para lutar contra António Guterres. A candidatura de Marcelo também abre um problema no seio da coligação porque o líder do CDS dificilmente toma uma posição pública sobre as presidenciais. 

No Meio

Jerónimo de Sousa - O líder da CDU fez uma proposta para o PS poder contar com o apoio dos comunistas num eventual governo de esquerda. Nas propostas estão medidas que aumentam o rendimento dos portugueses. Não vi nenhuma intenção em sair da NATO, do Euro ou da União Europeia. Ou seja, as intenções dos comunistas são realistas e têm a ver com a qualidade de vida das pessoas. Jerónimo tem a noção que o tempo dos sacrifícios não pode ser eterno.

Em Baixo

António Costa/Pedro Passos Coelho - Os dois líderes dos principais partidos tiveram uma derrota nas eleições, mas serão eles que decidirão o futuro do país. Nas suas mãos estão a possibilidade de haver governo durante quatro anos ou realizarmos novas eleições dentro de um ano. O primeiro "round" de negociações não correu bem, pelo que, adivinham-se tempos complicados que obrigam a uma aprovação rápida do orçamento. Espera-se que António Costa e Passos Coelho colocam a qualidade política em cima da mesa e não a teimosia que lhes é atribuída. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Marcelo Rebelo de Sousa


O candidato à Presidência da República, Marcelo de Rebelo de Sousa, não podia ter escolhido melhor dia para lançar a sua candidatura. Em Lisboa, a Coligação e o Partido Socialista empurravam com a barriga as culpas do primeiro falhanço nas negociações para estabelecer um entendimento. Não tem que ser um pacto para aprovação do Orçamento até final da legislatura. Na minha opinião isso é pedir demais. 

Todos percebemos que as conversas entre os dois derrotados da noite eleitoral não vão ser fáceis. Por esse motivo, Marcelo Rebelo de Sousa quis chamar para si a atenção mediática e deixar a discussão partidária para segundo plano. Ou seja, o professor mostra que tem capacidade para mediar o conflito. O problema é que o país não pode esperar até Abril. 

Hoje era o dia pelo qual muitos portugueses esperavam e que ninguém acreditava ser possível. O mistério resultou numa certeza que só o próprio conhecia. 

O momento político que atravessamos garante que o candidato da direita passe à primeira volta porque não vai ter adversários. A tarefa mais difícil que lhe compete será acabar com as hipóteses de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém na primeira volta. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

As fronteiras de Moscovo

A ajuda de Moscovo ao regime liderado por Bashar al-Assad no combate ao Estado Islâmico tem provocado desconfiança no Ocidente, bem como descoordenação no terreno devido à presença das forças curdas e dos ataques aéreos da coligação internacional orientadas pelos Estados Unidos. Ou seja, os rebeldes islâmicos lutam pela sua sobrevivência em várias frentes. Não percebo como ainda não foram destruídos.

Não se pode estar sempre a desconfiar das intenções russas. Se age é porque tem interesses obscuros, se fica parada não quer fazer parte dos alinhados. 

Tenho a convicção que uma força constituída por Damasco e Moscovo seria perigoso, mas como acontece em todo o mundo, as forças do Estado Islâmico são um problema para a segurança mundial. 

A Rússia combate contra os militantes e não a favor de Bashar al-Assad. A posição assumida agora por Moscovo devia ter sido a mesma de Washington. A única maneira de conhecer os terrenos pisados pelo ISIS passa por aceitar a orientação do regime. Quando a guerra terminar Assad já não será mesmo, nem terá apoio suficiente para se manter no país. No entanto, há uma causa comum que se chama Estado Islâmico. Se o objectivo de todos é derrubar militarmente o movimento, porque razão se criam divisões num espaço curto de território. 

O combate dos Estados Unidos ao Estado Islâmico tem sido um fracasso. Os ataques aéreos não fazem mossa na estrutura. A única forma é combater no terreno. Se os Estados Unidos estão com medo de avançar, não tenho dúvidas que a Rússia irá tomar essa decisão. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Hollande e Merkel pedem legitimidade à Europa



A intervenção da Rússia na Síria é um motivo suficiente para a Europa se unir. A crise de refugiados resultante da guerra no país de Bashar al-Assad dividiu os países da União Europeia em vários blocos. Os do Norte, do leste, do centro e dos balcãs. 

Os desentendimentos verificados durante o ano mostram que os governos não se encontram juntos no mesmo caminho. O espaço schengen tem sido constantemente colocado em causa por causa dos ataques ao jornal Charlie Hebdo e da crise de refugiados. A crise na Grécia só foi resolvida após inúmeras reuniões. 

Entretanto, também surgiram as posições de direita do governo Cameron, que foram reforçadas após a maioria absoluta conquistada em Maio. 

A União Europeia só consegue ter influência se falar a uma só voz. Nos últimos anos, Angela Merkel tem sido o rosto que tapa as lideranças das instituições, como aconteceu com Durão Barroso; bem como os restantes responsáveis políticos. No entanto, as recentes posições da França acalmaram Berlim. François Hollande conseguiu que se ajudasse a Grécia na recente crise financeira. Sem a intervenção de Paris, talvez Atenas já estivesse fora da zona euro criando um pânico de proporções que ninguém saberia calcular. 

O problema dos refugiados necessita de ser resolvido na fonte. Ou seja, encontrar uma solução política para a questão na Síria. 

A crise na Síria só se resolve com intervenção política, mas para isso acontecer é necessário força e autoridade. O que não há. No entanto, Merkel e Hollande precisam de pedir legitimidade à restante Europa para adoptarem uma solução conjunta que acabe com a guerra naquele país porque os Estados Unidos não conseguem chegar a Damasco nem a Moscovo. 

Os únicos interlocutores que estão mandatados para convencer Vladimir Putin são Hollande e Merkel, que também estiveram reunidos com o presidente russo na crise ucraniana. 

Cristo avança para Belém



A decisão de Marcelo Rebelo de Sousa de tornar público a intenção de se candidatar à presidência da república deve ser conhecida nos próximas dias. A intervenção de Cavaco Silva sobre o futuro governo não deixa margem de manobra ao professor. Marcelo tem de revelar a disponibilidade em garantir a estabilidade das instituições democráticas nos próximos anos. Não tenho dúvidas que o professor tem as qualidades necessárias para gerar consensos. 

O professor não pode desperdiçar a única oportunidade que tem para chegar a Belém. O momento político é favorável até porque sem maioria absoluta, os partidos da direita colam-se ao candidato mais popular. Neste momento, Marcelo não precisa de suporte político porque a direita está fragilizada e o Partido Socialista encontra-se dividido nas questões presidenciais. O comentador conquista votos na direita, além de entrar no centro e também em certos sectores da esquerda. 

O caminho está aberto, faltando apenas escolher a data para o início da mobilização. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

PS nas mãos de Sócrates

A derrota de António Costa nas legislativas cria um problema interno no Partido Socialista. Em primeiro lugar porque os objectivos não foram alcançados, mas uma demissão não garante estabilidade ao partido. Se houver barulho as presidenciais podem estar perdidas e o líder sentir-se-à obrigado a fazer acordos com a esquerda devido às pressões. 

Não sou favorável à queda de um líder da oposição quando perde as eleições, em particular quando se trata de um grande partido como é o PS. Defendo que seja necessário reflexão interna que não tem de passar por realização de eleições internas. Neste caso, seria importante um congresso após as presidenciais. No entanto, as últimas informações apontam para a marcação de um conclave e eleições primárias. 

O actual secretário-geral não é pessoa para desistir. Ou seja, não vai atirar a toalha ao chão porque também tem uma posição favorável neste quadro parlamentar. No fundo, pode fazer acordos com a esquerda e o governo. As eleições primárias são uma forma de legitimar a liderança de Costa e calar a oposição interna, mas também permitir o regresso de José Sócrates à vida política. Enquanto o antigo primeiro-ministro tenta provar a sua inocência nos tribunais, Costa mantém o equilíbrio no partido e na legislatura. O PS não ganha nada em ser responsável pela queda do executivo, a não ser que tudo corra mesmo mal à coligação. Nos próximos quatros anos o PS deve ter uma atitude construtiva e vigilante. Só assim consegue ter hipóteses para 2019. Tenho a convicção que José Sócrates volta à liderança do PS nessa altura.

Os resultados das legislativas provaram que Costa não tem mais para oferecer. Não tenho dúvidas que foi um bom autarca, mas é preciso mais ideias para chegar a primeiro-ministro. Neste aspecto, Passos Coelho e Paulo Portas, sobretudo o último são muito melhores. Como se viu a máquina da direita conseguiu dar a volta ao texto num ano. António Costa garante que ninguém fica com o partido até ao regresso de Sócrates. Neste período o PS não pode mudar constantemente de liderança nem dar sinais de instabilidade sob pena de ser visto como um partido que não oferece alternativa. No fundo, foi por causa disto que os resultados de Domingo foram um fracasso. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A utilidade do PAN

O Partidos dos Animais e da Natureza conseguiu eleger um deputado, tornando-se na sexta força política representada na Assembleia da República. A luta contra as touradas ganha nova força, mas agora no parlamento. O PAN pode ter no Bloco de Esquerda um grande aliado na tentativa de acabar com a festa brava. Para já, é a única certeza que temos do novo partido, já que, ninguém sabe de que forma se consegue cumprir a medida de criar um estatuto jurídico do animal. 

Existem algumas áreas, como a protecção das florestas para evitar os fogos, que necessitam de maior intervenção política e legislativa. Neste caso a intervenção do PAN será relevante, tendo em conta que as outras forças partidárias não se preocupam unicamente com questões ambientais. Os partidos com sectores específicos de intervenção também são bem vindos ao parlamento, embora a constituição de uma segunda câmara tornasse mais decisiva a acção de forças políticas sectoriais, cuja prioridade não é a política geral.

Coligação vence sem maioria. Esquerda rejeita programa de governo. PS fica com o poder material


O país político ficou dividido ao meio. A coligação não conseguiu a maioria absoluta, sendo necessário estabelecer diálogo com o Partido Socialista para viabilizar as leis, em particular o Orçamento para 2016. No outro lado está a esquerda formada por Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português que anunciaram a rejeição do programa de governo sem ser apresentado. Bloquistas e comunistas apelam ao Partido Socialista para derrubar o governo sem sequer estar formado. 

Nunca o PS se sentiu importante, mesmo não tendo chegado ao poder formal, terá nas suas mãos o poder material. Ou seja, o futuro do país depende da forma com o líder socialista ou o novo secretário-geral orientaram a política do partido. Por estas razões, compreendo a decisão de António Costa em não se demitir, bem como o sorriso que demonstrou na hora da derrota. No entanto, a previsível reflexão que originará candidaturas e as eleições presidenciais limitam a sua acção durante o próximo ano.

A legislatura promete ser emocionante em termos políticos, mas a animação está guardada para depois das eleições presidenciais. 

domingo, 4 de outubro de 2015

Dia de eleições - Derrotas



Os resultados eleitorais significam uma derrota da coligação e do Partido Socialista. O quadro parlamentar que se apresenta durante os próximos quatro anos reflecte uma maioria de esquerda. Ou seja, António Costa tem o direito de reclamar a chefia do governo, já que, também conta com o apoio declarado do Bloco de Esquerdo e Partido Comunista Português. No entanto, o actual secretário-geral vai sofrer contestação interna e, em vez de, estar a combater o governo minoritário na Assembleia terá de se preocupar com a vontade de alguns militantes em chegar à liderança. Como sabemos José Sócrates começa a falar antes de conhecer a acusação no seu processo e António José Seguro também apareceu.

A coligação não tem vida fácil nos próximos meses. A vitória nos votos não é suficiente para tomar conta do poder na sua plenitude. Isto é, todos os movimentos de Passos Coelho e Paulo Portas estarão sob escrutínio do BE, PCP e do Livre. A entourage social-democrata necessita de ter cuidado com os passos a dar nos próximos tempos. Os próximos meses serão cruciais para testar a capacidade de Passos Coelho criar consensos. Se o actual primeiro-ministro conseguiu passar o teste nos últimos quatro anos também tem forças para abandonar algumas políticas de austeridade. 

Dia de eleições - O estabilizador


A intervenção de Cavaco Silva vai ser importante para garantir estabilidade no país. O Presidente da República tem de ter a certeza daquilo que vai fazer porque também está em fim de ciclo. Em Janeiro há presidenciais e o novo Chefe de Estado não pode fazer nada até Maio de 2015. Ou seja, as escolhas de Cavaco terão consequências externas, mas também nos próprios partidos. Caso nenhum dos partidos consiga maioria absoluta, a liderança de PSD, CDS e PS vai ser posta em causa até realização de novo acto eleitoral. As pressões internas determinam a formação de alianças no parlamento. 

Na minha opinião, Cavaco Silva optará por dar posse à formação que tiver mais votos, mesmo que não obtenha maioria absoluta. O orçamento passa sem dificuldades e o programa de governo só tem relevância constitucional se houver alguma bancada parlamentar que proponha um voto de rejeição. 

As opções do Presidente da República não agrada a todos, mas é a única que garante estabilidade até às presidenciais. Não acredito que tente construir consenso numa altura em que também se jogam as lideranças partidárias. No governo ou oposição, Passos Coelho e António Costa não estão seguros se não houver maioria relativa. Assim que o novo Chefe de Estado seja eleito, o parlamento cai bem e são convocadas eleições antecipadas, mas antes haverá escrutínio interno nos partidos. 

Em 2013 Cavaco Silva tentou um entendimento entre os três maiores partidos, tendo estabelecido um papel de moderador na crise que o país vivia na altura devido ao acto "irrevogável" de Paulo Portas. Dois anos depois não iremos assistir à mesma atitude. O Presidente da República vai querer estabilidade e deixar para o seu sucessor a resolução do problema. 

Dia de eleições - Pontos de interrogação




Há muito tempo que, em Portugal, os resultados das eleições legislativas são uma incógnita. A onda de incerteza reveladas pelas sondagens não sucede só no nosso país. As legislativas na Grécia, no Reino Unido e na Dinamarca também foram encaradas com intranquilidade. Na Grécia foi preciso recorrer a dois actos eleitorais para o Syriza necessitar de fazer uma coligação governamental. No reino da Dinamarca os liberais também precisaram de parceiros para formar governo. O único que dispensou alianças foi David Cameron. 

Durante a campanha tem havido um apelo à maioria absoluta por parte dos partidos de direita. A esquerda reclama chegar ao poder porque terá maioria parlamentar. Ou seja, cabe ao Presidente da República decidir quem ocupa o Palácio de São Bento. Se as sondagens estiverem correctas tanto Passos Coelho como António Costa têm legitimidade para pedir ao PR uma oportunidade. Neste caso a esquerda leva vantagem sobre a direita. A não ser que haja uma surpresa. 

A única maneira de terminar com todos os pontos de interrogação é aparecer essa surpresa. Dizem que o PAN e o Livre podem ajudar a desfazerem algumas dúvidas. 

sábado, 3 de outubro de 2015

Que se lixe o dia de reflexão!



O meu voto amanhã vai para a Coligação Portugal à Frente suportada pelo PSD e CDS-PP. Apesar dos cortes, da austeridade, desemprego, alguma contestação social, penso que o governo fez um trabalho positivo no controlo das contas públicas, embora tenha sido muito à custa da subida de impostos. Neste aspecto houve algum excesso.

No entanto, algumas reformas como a da justiça, na distribuição dos fundos comunitários aos empresários, na atribuição de estágios aos mais jovens foram responsáveis pela inversão do rumo que o país estava a seguir. 

A eleição de amanhã não é um ajuste de contas com o passado, nem saber quem vai cortar mais pensões nos próximos anos. Neste aspecto, o Partido Socialista falhou porque deveria ter insistido mais nas medidas do que nos ataques sobre as alegadas mentiras. 

Os partidos têm de ser honestos e dizer o que podem fazer dentro do rigor orçamental que o país tem de estar sujeito. A mensagem da coligação passa, mas o PS parece que tem o condão de mudar tudo porque prometeu novamente mundos e fundos, sem clarificar a sua posição relativamente à forma como Portugal se deve bater lá fora. Por terem um discurso coerente nesta matéria, Bloco de Esquerda e PCP conquistam votos. 

A outra mudança que o novo governo deve fazer diz respeito às matérias constitucionais. Desde logo, as formalidades necessárias para a apresentação de um novo executivo. Os resultados de amanhã vão originar conversar do Presidente da República com os partidos políticos, mas tudo deve ser feito de forma célere. 

Escreve no dia de reflexão sem medo de multas por parte da CNE. Também era importante acabar com o dia de hoje. Não faz o mínimo sentido. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As minhas eleições: José Baptista (3)

Os dias frenéticos que antecederam a escrita e publicação deste comentário pessoal no blog "Olhar Direito" foram momentos intensos, cheios de tensão própria da época mas reveladores de um momento pré eleitoral esclarecedor.
Agradeço ao Francisco pelo convite para publicar estas linhas pessoais no seu blog, na expectativa que possam interessar a quem as venha a ler.
Nota Prévia: são duas da manhã e estou na auto-estrada do Norte, a caminho de Lisboa, depois de um serão a ouvir Marcelo Rebelo de Sousa, um animador nato de plateias!

Vamos por pontos:

Ponto 1:
Considero que esta campanha foi das mais esclarecedoras a que já assisti. Debateram-se os programas propostos, os métodos e os caminhos. Houve dois debates realmente interessantes, os outros serviram para satisfazer o pluralismo que é importante mas não para decidir caminhos. Ficámos a perceber que o Partido Socialista apresentou vários cenários macro económicos com diversos programas e que, no fim de todo o processo, o seu líder António Costa se manteve sem compreender as tabelas de Excel que os seus peritos lhe prepararam. Outra hipótese é o Partido Socialista não querer mesmo dizer o que tinha escondido nas contas, os cortes que propõe e que não quer revelar, além das medidas menos populares que, uma vez Governo, teria de tomar. Preferiu ficar pelo facilitismo em vez de dizer a verdade: o país ainda não está curado do muito mal que lhe fizeram durante muitas gerações e precisa de continuar a ser vigiado de perto, ou seja, a festa da Parque Escolar, dos TGV's e das obras públicas não pode voltar. Nem dia cinco nem num futuro longínquo!

Ponto 2:
A dupla da Coligação Portugal à Frente, Passos e Portas, superou as expectativas. Uniram-se e mostraram aos seus Partidos que juntos podiam muito mais. Ajustaram os discursos, alinharam as prioridades, agiram para não terem de reagir. E conseguiram dar o peito em vez de se acanharem nos momentos que correram menos bem.
A Coligação veio a eleições para as ganhar sabendo que o caminho era difícil. Chega ao fim da campanha com o desejo inequívoco de alcançar uma maioria... Mas disso falaremos mais à frente.

Ponto 3:
António Costa e o Partido Socialista não perceberam que Portugal sofreu demasiado para que estes continuem a brincar, ensaiando sucessivos atos irrefletidos. A vitória que almejam nestas eleições, para taparem o colossal buraco nas contas do Partido que neste momento são uma calamidade e ao mesmo tempo satisfazerem uns amigos, depende dos portugueses perceberem o projeto que é apresentado, o que acontece amanhã às pensões, à segurança social, aos funcionários públicos, ao apoio aos jovens com políticas ativas de emprego, ao apoio aos mais velhos e a tanto mais neste nosso Portugal, à mercê das vontades de um qualquer decisor político, que antes de eleições não tem coragem de dizer ao que vai verdadeiramente.

Ponto 4:
A necessidade da estabilidade é uma arma poderosa da maioria e essencial para quem almeja realmente governar. Governar no sentido grandioso, no sentido do dever cívico, das convicções, da necessidade do país. Não governar para se ser absoluto mas sim para se ser incisivo na terapia e convicto no resultado.
Uma maioria não se quer absoluta para se ser dono e senhor mas sim para proteger o país de uns loucos que já afirmaram que chumbarão um Programa de Governo ou um qualquer Orçamento que venha da Coligação seja ele qual for. A maioria absoluta permite ao país ter a garantia que dentro de poucos meses não estaremos a caminhar para eleições antecipadas. A mensagem que se impõe é simples: só uma maioria, com 116 deputados eleitos das listas da Coligação, garante a estabilidade que os juros da dívida pública exigem, a segurança do funcionamento do Estado social, o garante do serviço nacional de saúde e um apoio real aos que mais necessitam.

Ponto 5:
Hoje, sexta feira dia dois de outubro, termina a campanha. Para uns acaba-se o período de esclarecimentos. Para outros terminam os momentos de humor, os circos preparados sem palhaços dos bons, as manifestações encomendadas, as promessas de tudo e mais alguma coisa e as patetices próprias destes momentos.
Para todos hoje é dia de continuar a respirar liberdade e acreditar que no amanhã, no futuro da minha geração, dos nossos filhos e dos nossos netos, Portugal será um país de contas certas, que não deve nem teme, que não volta a baixar a cabeça nem a ser subjugado porque não se soube governar. O sentimento de vergonha que vivemos em dois mil e onze, por força das políticas erradas e ainda hoje desejadas pelo Partido Socialista, é aquilo que nunca mais quero voltar a sentir. Nunca mais!

Dia 4 de outubro, de forma convicta, votarei por Portugal. Sempre e acima de tudo por Portugal!


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sondagem OLHAR DIREITO



Durante o mês de Setembro colocámos duas perguntas aos nossos leitores. 

A primeira questão sobre o partido que irá vencer as eleições e a segunda classificou a prestação dos líderes partidários nos debates. 

Nas duas a Coligação Portugal à Frente e os respectivos líderes venceram. 

Os resultados da Sondagem sobre o vencedor das eleições foi o seguinte:

  • Coligação Portugal à Frente 60% - 12 votos
  • Partido Socialista                 25% - 5 votos
  • Livre/Tempo de Avançar      5% -  1 voto
  • Agir                                      5 %- 1 voto
  • Nós Cidadãos                      5%  - 1 voto
  • Coligação Democrática Unitária 0% 
  • Bloco de Esquerda                    0%
  • Partido Democrático Republicano 0%
Na pergunta sobre o vencedor dos debates: 
  • Pedro Passos Coelho/Paulo Portas 50% - 6 votos
  • António Costa                                33%  - 4 votos
  • Jerónimo de Sousa/Heloísa Apolónica 8% - 1 voto
  • Catarina Martins                                 8% - 1 voto

As dificuldades de um entendimento entre a esquerda

As sondagens mostram que a Coligação vence, mas sem maioria absoluta. Ora, o PS responde trazendo casos da vida real para os comícios. A última foi uma senhora cujo filho tinha casado na Quinta das Torres, embora trabalhasse na China. Os socialistas aproveitaram o momento da senhora cor-de-rosa para tentar roubar os votos à direita. 

Confesso que me sinto impressionado pela forma como a direita se uniu nesta campanha, enquanto o PS mostra divisão. Um exemplo disto é a falta de presença dos antigos líderes. Seguro foi varrido por Costa. É natural que não apareça. Sócrates está em prisão domiciliária e só fala após as eleições. Soares prefere visitar Sócrates do que descer ruas com o actual secretário-geral. Também não se vê vivalma de Jorge Sampaio. Calma. Sei que o antigo Presidente da República não foi líder, mas foi chefe de Estado durante dez anos. O único que se junta a Costa é Ferro Rodrigues. No entanto, a sua importância como líder socialista foi quase nulo. 

Os partidos de esquerda, como o BE e o PCP, também entraram em conflito com o PS, numa altura em que tentam chegar ao poder através de uma coligação com os socialistas. Isto não faria sentido se, no terreno, já se tenham apercebido que Costa não vai lá. Isto é, não chega a São Bento por via da maioria dos votos, quanto mais através de mais apoio na Assembleia da República. 

Não sabemos o que vai acontecer no Domingo, embora possamos concluir que não haverá uma maioria de esquerda no parlamento nos próximos quatro anos. Não consigo entender como é que, havendo mais partidos do que à direita, torna-se complicado chegar a um consenso. A história de Portugal confirma que a esquerda, em particular o PCP, não tiveram uma importância positiva no desenvolvimento da nossa democracia. 

A culpa não é só dos partidos ditos mais radicais, mas também do PS porque nos últimos anos não tem assumido uma ideologia de combate à suposta ideologia de direita que governa Bruxelas. Como se viu em vários países, por exemplo em França com Hollande e o PASOK na Grécia, as ideias de esquerda não conseguem evitar as políticas de austeridade e controlo orçamental. Nenhum líder socialista tem a capacidade para governar com um programa baseado nos velhos princípios. Neste ponto o secretário-geral do PS não sabe disfarçar a dificuldade em assumir um único discurso, o que suscita ataques provenientes da direita e da esquerda.  
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