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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O último rastilho que faltava acender

O assassinato de Andrei Karlov na Turquia faz lembrar tempos em que se encomendavam mortes. Nos nossos dias não é preciso nenhuma organização cometer um crime semelhante, basta alguém ter uma arma e penetrar no espaço sem ser notado. As conclusões dirão se o polícia estava a agir em nome de outrem.

A morte do Embaixador russo na Turquia representa o fim das relações entre Moscovo e Ancara, mesmo que os dois presidentes tenham dito que tudo se iria manter na mesma. Não acredito nas palavras de Putin e Erdogan porque o que se passou é grave e não vai ficar sem resposta, além de que Moscovo fez muito barulho após um avião russo ter sido abatido em espaço turco. Se o corte de relações esteve iminente naquela altura, agora existem razões ainda mais fortes. 

Os dois países mostram divergências sobre o futuro da Síria, pelo que, dificilmente haverá acordo entre os dois. A morte de Karlov é um motivo para a Turquia pedir eventual apoio dos Estados Unidos se sentir as costas ameaçadas, embora a nova administração norte-americana coloque Ancara fora do grupo de aliados. 

O terrorismo tem conseguido alterar a ordem internacional, sobretudo as relações diplomáticas entre as várias potências. A assassínio do Embaixador é um acto terrorista, mas também um ataque político que visa provocar uma reacção de modo a se acender um rastilho que provoque fogo em tudo o resto.

A Turquia é uma grande potência no Médio-Oriente e um dos maiores países que se encontram à porta da Europa. Não haverá nenhuma guerra armada, apesar dos dois episódios relatados, mas os conflitos diplomáticos já começam a ser uma das principais características da política internacional nos últimos anos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Continua a revolta da população

A eleição de Donald Trump para a Casa Branca trouxe algo que nunca se imaginava acontecer nos Estados Unidos. A revolta da população e sectores da sociedade norte-americana nunca tinha sido um hábito em anteriores eleições, mesmo com a vitória de outros presidentes polémicos, como por exemplo George W.Bush.

A verdade é que nunca a campanha eleitoral tinha sido dura e chegado a um ponto sem retorno, no que toca à linguagem e atitude dos candidatos. Na minha opinião, a vitória de Hillary Clinton também tinha o mesmo efeito porque a antiga secretária de Estado nunca caiu no goto das pessoas. O triunfo de Trump também se deve à fraca qualidade da opositora. 

As decisões políticas de Trump terão o mesmo impacto que os escândalos de corrupção no governo de Dilma Rousseff. Isto é, qualquer medida menos popular vai ser alvo de grande instabilidade social. O principal inimigo do novo Presidente não serão as elites políticas, em particular do Partido Republicano, mas o sentimento de revolta que caiu junto das pessoas.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

António Costa - O primeiro-ministro acaba o ano em grande nas opiniões e sondagens, além de conseguir domesticar os partido que apoiam o executivo. O executivo não cedeu às exigências do PCP para aumentar o salário mínimo em 600 euros. A grande prova à sustentabilidade será testada no início do próximo ano com a proposta dos bloquistas para alterar o código do trabalho.


No Meio

Jerónimo de Sousa - O líder do PCP obteve uma derrota porque o salário mínimo não vai chegar aos 600 euros em 2017. Os comunistas começam a perder lutas que pareciam ser fáceis por causa do novo governo socialistas, mas parece que afinal as políticas de direita continuam na governação. O recente congresso não ajudou Jerónimo de Sousa a ter mais influência junto do executivo. O PCP sai por debaixo do BE neste final de ano.


Em Baixo

Barack Obama - O presidente norte-americano acaba o último ano de mandato em baixo por causa da insistência na questão da interferência russa nas recentes eleições. Obama ainda não aceitou a derrota porque a aposta de Clinton foi uma decisão pessoal, pelo que, também se trata de um erro do Chefe do Estado. Se o presidente arranjasse provas era possível afirmar que não está obcecado com Moscovo. A forma como Obama apontou o dedo à Rússia foi responsável pelo surgimento de vários conflitos porque as duas potências poderiam ter estado juntas em vários assuntos. 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Uma medida que o PS não pode aceitar

A proposta do Bloco de Esquerda para alterar as leis das relações laborais são um retrocesso porque visa repor aquilo que estava mal antes da reforma efectuada pelo anterior executivo.

Os bloquistas chegaram a um ponto em que exigem tudo e mais alguma coisa ao governo liderado pelo Partido Socialista. Os temas laborais vão marcar a agenda política no início do ano, sendo que, também é um teste ao governo devido a razões ideológicas.

Se o executivo aceitar as alterações está a enviar um sinal que cede às tentações e chantagem do Bloco de Esquerda, mas se recusar tem um problema bicudo porque é a segunda nega a um parceiro depois de ter chumbado a proposta do PCP para aumentar o salário mínimo em 600 euros.

As divergências são normais, mas existe um ponto em que os partidos nunca vão estar de acordo. Os socialistas, bloquistas e comunistas têm diferentes visões sobre a protecção de direitos, garantias e nem todos representam as mesmas classes. À medida que a legislatura avança, BE e PCP pedem cada vez mais, algo que o PS não vai conseguir satisfazer. 

Tenho a certeza que as propostas laborais têm a capacidade de criar divergência no seio das posições comuns entre os três partidos. As propostas do Bloco são uma autêntica risada porque visa voltar ao antigo e não propõem nada de novo. O objectivo é copiar o que estava mal e nunca propor novas situações. A linguagem bloquista sempre a reclamar mais direitos faz parte do passado.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O ano de todas as respostas

As eleições em França, Holanda, Itália e na Alemanha vão dar um resposta importante sobre o momento político da União Europeia.

A primeira questão é saber se os futuros governos serão pro ou anti União Europeia, para depois ser feita uma avaliação geral. É provável que hajam sinais diferentes em diversos países como aconteceu nos resultados das eleições austríacas e no referendo italiano. 

O principal problema passa por verificar se a fractura política é uma inevitabilidade. Se isso acontecer haverá questões sociais e económicas importantes para serem tratadas com seriedade pelos dirigentes europeus, sendo que, as respostas têm de ser pensadas.

A eleição mais importante ocorre em França onde Marine Le Pen pode provocar um terramoto no plano europeu, da mesma forma que o Brexit abalou as estruturas da União Europeia. 

Neste momento o clima é de desconfiança e esperança por causa das forças eurocépticas, mas também porque nos actos eleitorais os candidatos pró-Europa podem acabar definitivamente com os nacionalismos emergentes nos últimos anos. No entanto, se a maioria dos governos se torna contra as instituições europeias vão existir mudanças porque essa é a vontade das respectivas populações. O outro indicador é a possibilidade de haver reforma dentro das instituições, alterando a dinâmica europeia. 

O aspecto mais complicado não é a vontade de mudar as políticas europeias, mas terminar com o projecto político e económico da União Europeia. Isso é algo que se fala pouco porque todos se preocupam mais com as mudanças políticas em cada país. 


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O poder do futebol e da política

Os dois assuntos são motivo de interesse por parte dos portugueses, sendo também alimentados pela comunicação social. 

Os inúmeros debates políticos e sobre futebol que passam na TV alimentam a discussão entre as pessoas.

O problema é que existe falta de racionalidade ou educação na troca de argumentos. Isto é, a clubite ou o partidarismo cega qualquer troca de ideias entre as várias partes, levando a excessos de linguagem e comportamentos. 

As cenas que se assistem nos ecrãs é um sinal preocupante na nossa sociedade porque demonstra aquilo que é evidente.Os dois sectores conseguem oferecer poder que dificilmente pode ser perdido. Neste caso, o poder é revelado de várias formas, sendo que, a principal é a de influenciar os outros, mas também arranjar empregos e meios de subsistência financeiros. 

Por esta razão, existe cada vez mais um discurso agressivo com trocas de palavras e insultos entre as pessoas em pleno ecrã. O pior é verificar que são os principais responsáveis dos partidos e dos clubes que promovem as guerrilhas, transmitindo aos adeptos e militantes a raiva que sentem em relação ao outro. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A ONU vai continuar a ser diplomática

A eleição de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas é um momento importante para a história da política portuguesa, sendo que, o país também vai beneficiar em termos de relações internacionais, porque algumas nações irão tentar chegar a Guterres por via do governo e Presidente da República. 

As recentes visitas de Estado de Marcelo Rebelo de Sousa são um reflexo da vitória de Guterres.

O novo homem-forte da ONU tem prioridades bem estabelecidas, embora sejam todas de difícil execução pela forma como o mundo está dividido devido aos interesses regionais. Os países já deixaram de actuar sozinhos nas relações bilaterais, passando a estar integrados em organizações políticas e económicas que falam em nome de todos, mesmo quando não há unanimidade. 

O cenário para Guterres não é o ideal, mas ter dado o passo nesta altura revela coragem e ambição de mudar, em particular dentro da própria organização. Na minha opinião, Guterres tem capacidade de trabalho, competência e um discurso que vai convencer as partes, bem como chamar a atenção do público em geral. Note-se que a presidência de Obama teve inúmeros erros, mas o poder da oratória tem bastante impacto na era da comunicação e da informação.

A primeira prioridade passa por resolver o conflito na Síria com o poder local, sem a interferência dos Estados Unidos, Rússia, Turquia ou dos restantes países árabes. Na minha opinião, se Guterres estiver com Bashar al-Assad sem o conhecimento destes intervenientes dará um grande sinal a todos os que actuam na região. 

Apesar da intervenção de Guterres ser mais exímia e esclarecida que Ban Ki-Moon, as Nações Unidas vão continuar a desempenhar um papel diplomático, embora mais vigilante. O novo secretário-Geral não será um líder autoritário com vocação para a chantagem. A inteligência de Guterres é o factor decisivo para conquistar os objectivos. 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Pouco entusiasmante

O primeiro mês de Trump como Presidente eleito dos Estados Unidos não tem sido entusiasmante, ao contrário do que aconteceu durante a campanha eleitoral.

As nomeações para os cargos mais importantes não são grandes referências da política norte-americana, sendo que, alguns provêm do sector privado. 

O desconhecimento pode ser um benefício, mas também uma desvantagem. Se Trump pretendia Washington fora das mãos do sistema, tem cumprido com a palavra, embora existam cargos com necessidade de experiência e conhecimento dos corredores porque o Congresso e o Senado vão ser os maiores opositores do Presidente que vai ser empossado no dia 20 de Janeiro. 

Neste momento, as nomeações têm sido bastante analisadas pelos meios de comunicação social para perceber qual é o caminho da futura administração, sendo que, se afigura complicado fazer qualquer previsão. As nomeações que mostraram um pouco daquilo que estaria na cabeça do  novo Chefe do governo foram para o gabinete. A integração de Steve Bannon e Reince Priebus sugerem que Trump pretende ter o Congresso na mão, mas actuar com as ideias que o levaram à Casa Branca. 

Não acredito que seja uma tarefa fácil. 

sábado, 10 de dezembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Alexander Van der Bellen - A vitória de Alexander Van der Bellen nas presidenciais austríacas afasta o perigo dos nacionalistas tomarem conta do país. No entanto, o triunfo tem mais sabor para o novo Presidente porque confirma o resultado da primeira eleição anulada por obrigação do tribunal. Van der Bellen venceu duas vezes,


No Meio 

União Europeia - Os dois resultados eleitorais do fim-de-semana não são favoráveis nem maus para os dirigentes europeus sempre atentos ao que se passa em cada eleição nacional. Não houve uma vitória para os defensores do projecto europeu ou para os eurocépticos. Apesar de tudo, a União Europeia fica com mais um problema para resolver em Itália. 


Em Baixo

Matteo Renzi -  O primeiro-ministro italiano pediu a demissão após a população ter rejeitado em referendo as propostas de alterações à constituição, tendo sido o segundo chefe do governo a sair da liderança por causa de um resultado negativo numa consulta popular. A saída de Renzi foi mais uma fuga para a frente que propriamente um acto típico de uma liderança que não tem mais condições para governar. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Ensaio sobre a Integração Europeia Parte XI

II - Conclusões

Os desafios que a União Europeia enfrenta no presente e futuro são mais complexos do que aqueles que se verificaram no passado. A ideia de alcançar a paz deu origem à comunidade europeia, mas existem mais propósitos para a manutenção do actual ideal europeu.

A Europa tem de competir com blocos económicos que se estão a desenvolver rapidamente, pelo que, precisa de arranjar soluções políticas e económicas. As constantes mudanças políticas e sociais têm de ser aproveitadas pelos dirigentes europeus.

O projecto europeu sofreu vários desígnios desde o início do século XXI devido aos problemas que atingiram o continente. As alterações verificadas a nível político, social e económico, bem como na segurança são o reflexo da incapacidade de resposta.

As prioridades da integração europeia não podem ser apenas os alargamentos, mas o aprofundamento das matérias que podem resolver a vida dos cidadãos. A falta de entendimentos provocou pior de qualidade de vida nos países da União Europeia, o que se traduziu no aumento da contestação, no seio das instituições, mas sobretudo nas oposições dos governos dos Estados-Membros que fazem parte do clube europeu.
As ameaças também aumentam devido à falta de coesão política. Os Estados Unidos já não precisam da Europa, enquanto a Rússia esfrega as mãos de contente pelas desavenças dos parceiros europeus. Para piorar, o Reino Unido decidiu trilhar um caminho próprio que resultará na derrota da União Europeia em alguns aspectos como o comércio livre, crescimento da economia e no plano das relações externas. Não fica muito espaço para os países europeus porque o Reino Unido quer chegar em primeiro lugar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A incapacidade da Europa gerar consensos

Os resultados nas duas eleições do último fim-de-semana são um bom motivo para a Europa acordar e gerar consensos, procurando unir em vez de criar mais divisões.

A União Europeia passa por um processo complicado devido ao surgimento de forças que pretendem realizar referendos sobre a manutenção de cada país no clube europeu. Na minha opinião, os dirigentes europeus não deveriam ter medo que cada Estado realizasse um escrutínio popular, já que, na maioria dos casos a opinião das pessoas nunca foi consultada. 

Se as instituições europeias mostrarem receio de aceitarem a realidade o mais provável é haver cada vez mais descontentamento, não apenas dos partidos ou dos responsáveis políticos nacionais, mas das populações. 

Não acredito na desintegração europeia após o Brexit. Os países não vão abandonar o clube europeu, mas haverá menos líderes ligados ao ideal europeu, com particular incidência no Sul da Europa onde se têm verificado bastantes alterações internas. 

A nível das instituições também estamos a assistir a mudanças com a eleição de partido ditos nacionalistas para o Parlamento Europeu. No fundo, tem sido por dentro que a União Europeia está a sofrer alterações, embora ainda não tenham chegado aos verdadeiros órgãos decisores. O Parlamento Europeu é importante, mas ainda tem pouco peso político. 

O grande desafio dos dirigentes passa por incluir todos os governos no projecto europeu, mas como se viu na reacção à eleição de Trump não vai ser esse o caminho. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Ensaio sobre a Integração Europeia Parte X

2.6 Os problemas causados pela saída do Reino Unido da União Europeia

A saída do Reino Unido da União Europeia é o momento mais complicada do projecto europeu. As consequências não serão visíveis no curto prazo, estando previstas que surjam daqui a alguns anos.
O resultado do referendo prejudica mais a União Europeia que o Reino Unido, devido à importância que o país tem no desenvolvimento económico da Europa, embora não desempenhe um papel relevante a nível político. Ora, precisamente por esta razão, os britânicos decidiram abandonar o clube europeu, embora haja outras razões como a imigração e o comércio livre.

A União Europeia perdeu um Estado-Membro, mas pode compensar com novos alargamentos. No entanto, nenhum novo Estado-Membro tem a importância do Reino Unido. A saída dos britânicos acontece num momento em que o eurocepticismo está em crescimento em vários países da Europa, com a ascensão de partidos nacionalistas que pretendem mudar as actuais políticas europeias. Algumas forças afirmam ser anti-europeias, mas nenhuma delas tem como objectivo acabar com a União Europeia. O discurso é virado para a forma como as políticas de Bruxelas não funcionam e pela necessidade de existirem alterações. O Brexit provocou uma grande mudança ao nível das relações entre os Estados-Membros, já que, em termos económicos o Euro não perde nenhum membro porque os britânicos optaram por continuar na libra. No plano social também não se registam transformações importantes.

O Brexit será responsável por uma grande fissura política na União Europeia. A partir de agora, os Estados-Membros mais fortes como a Alemanha e França tentam reforçar o poder para impedir novos focos de instabilidade. Por seu lado, os países com menos força e voz dentro das instituições reclamam mais atenção sob pena de consultarem as populações tendo em vista a saída do clube europeu. Não sendo possível satisfazer as duas vontades, haverá conflitos de interesse e ameaças de bater com a porta., criando divisões internas que serão aproveitadas pelos Estados Unidos e a Rússia.

Como tem acontecido nos últimos anos, haverá sempre espaço para negociação, mas as reuniões nunca são conclusivas e não é com novos tratados que se resolvem os problemas. O momento actual é o mais delicado da história porque está em causa a coesão interna. Se a divisão prevalecer não voltará a ser possível continuar com o sonho concretizado nos anos 50 do século XX.


A opção tomada pelos britânicos reflecte a vontade de algumas populações europeias porque o caminho que está a ser trilhado não favorece a igualdade, as oportunidades e o desenvolvimento económico, que foi sempre a bandeira principal da construção europeia ao longo dos anos, sobretudo com a introdução da moeda única. 

Termina na sexta-feira com as conclusões

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O novo jogo político na Europa

Os resultados eleitorais na Áustria e em Itália revelam que a Europa continua dividida num jogo que tem tudo para correr mal.

Neste momento não se discutem ideias nem projectos, mas apenas os poderes de Bruxelas e as forças do mal que podem destruir a União Europeia. De referir que alguns partidos que cantam vitória sobre o status quo europeu também têm representação parlamentar europeia. 

A discussão relativamente ao eurocepticismo começou com a vitória do Brexit e estendeu-se aos restantes países que se encontram em processo eleitoral. A vitória de Trump nos Estados Unidos foi apenas um motivo para justificar mais receio junto do establishment europeu porque a realidade norte-americana e a europeia são bastante diferentes.

No espaço europeu existe um sentimento de revolta contra as medidas de Bruxelas, mas o surgimento de algumas forças ditas nacionalistas está mais relacionado com as políticas internas. Em muitos casos, os governantes locais têm falhado, como aconteceu em Itália. Não é possível associar a queda de Matteo Renzi ao Brexit ou à vitória de Trump nos Estados Unidos. O erro que muitos estão a cometer passa por associar instabilidade política no plano interno a factores europeus. 

A única justificação para a saída de Renzi é a mesma que levou David Cameron abandonar o barco após a vitória do Brexit. Nenhum deles pretendeu governar o país contra a vontade da população em aceitar as novas regras. Ou seja, Renzi e Cameron tinham de dar lugar a outro porque não fazia sentido conduzir um barco com destino diferente.

Nos últimos tempos criou-se um fantasma que supostamente ameaça os valores e ideais europeus. Em cada acto eleitoral parece que há um jogo entre os defensores do establishment e os eurocépticos para desviar as atenções dos verdadeiros problemas internos em cada país. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ensaio sobre Integração Europeia Parte IX

2.5 A forma como a União Europeia quer ficar ao lado da Ucrânia

A revolução de Maidan em Fevereiro de 2014 provocou profundas alterações no país. A oposição contestou a aproximação do presidente Viktor Yanuchenko à Rússia. A maioria da população manifestou nas ruas a intenção de ter uma relação mais forte com a União Europeia. O executivo não deu ouvidos aos pedidos e instalou-se uma guerra em plena praça da independência em Kiev.

A deposição do presidente Ianuchenko não foi bem acolhida no leste do país, maioritariamente favorável à Rússia, pelo que teve início uma revolução que se mantém. A divisão do maior país da Europa implica o nascimento de um novo país. No entanto, o que interessa à União Europeia é manter a parte que continua favorável à integração europeia.

A Ucrânia dava sinais claros de adesão ao clube europeu nos próximos anos, mas o conflito que ainda perdura, altera a vontade das duas partes. Neste momento existem relações próximas, sobretudo a nível comercial e militar. A União Europeia não quer perder a Ucrânia, e metade dos ucranianos precisa da ajuda europeia.

 A União Europeia ganha um aliado de peso se a Ucrânia continuar do lado europeu. Em termos políticos, a Rússia fica diminuída porque não tem nenhum país para estabelecer relações privilegiadas. A entrada da Ucrânia significa colocar uma parede nas intenções de Moscovo em dominar os países da região, tornando a economia russa bastante mais fraca e com necessidade de procurar outros parceiros fora do continente.
A adesão da Ucrânia será o momento mais importante da integração europeia no futuro por razões estratégicas.


 Continua na quarta-feira com o tema "Os problemas causados pela saída do Reino Unido da União Europeia"

sábado, 3 de dezembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

François Fillon - O antigo primeiro-ministro conquistou as primárias da direita e vai disputar as presidenciais com Marine Le Pen. Apesar de algumas diferenças, Fillon e Le Pen têm visões semelhantes nalguns assuntos como a Europa e a imigração. Neste momento, Fillon é a única esperança dos franceses para evitar que a extrema-direita vença em Maio, mesmo a dos socialistas.


No Meio

Paul Nuttal - O novo líder do UKIP parece de pedra e cal no lugar. Não vai ser fácil substituir Nigel Farage, mas parece que o ex-líder vai viver para os Estados Unidos. O problema de Nuttal é conseguir fazer crescer o partido, mesmo numa altura em que o discurso anti-União Europeia está em alta no Reino Unido. Também não parece fácil substituir o Labour como a voz da classe dos trabalhadores.

Em Baixo

François Hollande - O presidente francês não se vai recandidatar, sendo que, é a primeira vez na história da República francesa que o Chefe do Estado não concorre a um segundo mandato. As políticas de Hollande fracassaram em vários níveis. No plano económico e social, além do político. O socialista nunca teve a voz que os franceses exigem a um líder. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ensaio sobre a Integração Europeia Parte VIII

2.4 A possível adesão da Turquia à União Europeia

As relações entre a União Europeia e a Turquia nunca foram brilhantes, mas também não são conflituosas. Isto é, não existe nenhum padrão que garante uma aliança estável.
A adesão da Turquia na União Europeia é um desejo dos responsáveis turcos e dos dirigentes europeus. As pretensões nunca passaram de meras formalidades por causa da falta de condições políticas. O regime nunca cumpriu as exigências europeias e Ancara não aceita algumas intromissões políticas, sociais e económicas. O autoritarismo do actual executivo não permite retomar as conversações, já que, o modelo democrático pretendido pelo clube europeu não está nos horizontes de Recepp Tayyip Erdogan.

Apesar das condicionantes, a Turquia continua a ser a principal porta de entrada da União nos assuntos relacionados com o Médio-Oriente. Se a Turquia estiver do lado europeu, consegue transmitir os desejos da Europa de acabar com algumas ditaduras naquela região, transformando-as em verdadeiras democracias. Por esta razão, Ancara tem sempre a porta aberta da União Europeia, mesmo que seja apenas uma relação residual.

A adesão da Turquia tem mais desvantagens do que benefícios. O país não tem uma cultura europeia nem sequer se assemelha aos valores ocidentais. No plano político, a prioridade são as relações com os vizinhos e as potências asiáticas. O principal entrave é a falta de democracia. As instituições políticas não funcionam consoante os valores da União Europeia. Também é preciso ter em conta o plano social, já que, as portas de alguns países europeus iriam ser invadidas por milhões de turcos à procura de melhores condições de vida em igualdade de circunstâncias com os restantes cidadãos europeus. A falta de condições para receber imigrantes iria ser a principal queixa diária dos Estados-Membros. Em termos económicos não existe vantagens porque a Turquia nunca será uma potência.

A Turquia dificilmente vai ser um membro da União Europeia. O estatuto que pode vir a ter é o de um Estado amigo, sendo que, a relação muda consoante o líder que ocupar o poder em Ancara. Os restantes tipos de acordos também continuarão em vigor, mesmo havendo quebra de regras.  

Continua na segunda-feira com o tema "A forma como a União Europeia quer ficar ao lado da Ucrânia" 
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