quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Mais uma estratégia errada da União Europeia

A corrida para secretário-geral das Nações Unidas fica ensombrada pela entrada a meio da búlgara Kristalina Georgieva para evitar a vitória de António Guterres. 

A candidata conta com o apoio da União Europeia, em particular da Alemanha.

A necessidade da União Europeia meter a mão em tudo confirma-se nesta corrida electrizante. António Guterres é um cidadão europeu, mas não vai actuar apenas pelos interesses do bloco, enquanto Kristalina vai ter esse papel. Percebe-se a ideia de Merkel e companhia, mas as Nações Unidas são cada vez menos um lugar onde é importante estar para obter benefícios. O secretário-geral tem de ter uma posição activa, mas ao mesmo tempo apaziguadora. 

O grande problema desta União Europeia passa por tentar recolher benefícios nos assuntos que intervém. Por isso mesmo não tem chegado a consensos. Ou seja, o bloco tem de estar unido para defender os interesses dos mais poderosos, pretendendo fingir que actua unido e no fundo só alguns ficam a ganhar. 

Isto é o que se passa nesta questão de última hora. O objectivo passa por ter um secretário-geral com funções políticas do que humanitárias. António Guterres será um líder no terreno e com preocupações de paz e humanas. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Debates não prejudicam Trump

A pequena vitória de Clinton no último debate não retira gás à campanha de Trump. Não acredito que os confrontos ainda sejam decisivos num país em que o escrutínio é diário. As populações dos swing-states não se deixaram influenciar por aquilo que se passou na segunda-feira.

Os debates são mais importantes para as cadeias de televisões e os analistas do que para as pessoas que costumam encher os comícios. 

A credibilidade de Trump é algo que está a crescer todos os dias. As ideias e medidas já são conhecidas, faltando convencer a população que será melhor líder que Hillary Clinton. A antiga primeira-dama passa uma imagem fria, além dos escândalos que surgem não favorecem um candidato à Casa Branca, ainda por cima sendo mulher. A suposta experiência política só serve para os debates que são sempre objecto de milhões de análises em todo o Mundo. 

Na minha opinião, Trump ganha pontos na discussão política, sobretudo ao abordar a política externa e a economia. As propostas económicas de Clinton não criam mais emprego. O discurso habitual que o governo vai dar oportunidades a todos não tem efeito. Ao invés, Trump tem uma solução para evitar que as empresas abandonem o país. 

As diferenças na política externa também são importantes. Trump não quer que os Estados Unidos sejam  polícias do Mundo, embora ataque os inimigos com rigidez. Hillary mantém o discurso de Obama sobre o poder que os norte-americanos exercem em várias zonas do globo. No entanto, recua na intenção de colocar tropas para combater o Estado Islâmico. 

O estilo dos candidatos não será o factor principal na hora da votação.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pequena vitória de Clinton no debate para resolver questões do passado

Uma pequena vitória para Hillary Clinton no primeiro debate presidencial com Donald Trump. A antiga secretária de Estado norte-americana esteve melhor em todos os aspectos do jogo, sobretudo nas questões que incomodaram o adversário nos últimos meses. Por outro lado, Trump não conseguiu tirar Clinton do sério durante a questão dos e-mails. 

Nos assuntos relacionados com a governação do país, notou-se a diferença entre os dois candidatos. Clinton continua com o discurso fácil de uma militante de esquerda, enquanto os Estados Unidos de Trump terão tiques autoritários, bem como conflitos com alguns países por questões políticas e comerciais. 

As ideias políticas são importantes para chegar à Casa Branca. Trump não pode estar o tempo todo a dizer que foi um grande empresário e trata bem os funcionários. Não é por isso que o candidato vai ganhar votos nas minorias com quem tem tido problemas de linguagem. Neste momento, ninguém sabe o que vai acontecer aos imigrantes nos Estados Unidos se Trump for eleito. 

As tentativas de Trump interromper a candidata com o intuito de a enervar também não resultaram. Pelo contrário, Clinton conseguiu irritar o adversário com confidências e gestos do passado. Durante o debate, notou-se confiança na antiga secretária de Estado e instabilidade em Trump. 

Os pequenos aspectos podem ser importantes para convencer os indecisos. Não se falou muito de política porque era necessário esclarecer as últimas escaramuças entre os candidatos. 

Neste debate a ideologia ficou em casa prevalecendo o pequeno soundbyte que fez manchetes durante muito tempo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Corbyn reforça o poder

Os trabalhistas reelegeram Jeremy Corbyn para continuar como líder num resultado que envergonha os deputados contestatários que aproveitaram a demissão de David Cameron após o referendo para lançarem a candidatura de Owen Smith. 

A diferença de votos não deixa margem para dúvidas. Corbyn ganhou respeito e poder sobre a bancada em Westminster. A partir de agora os que não estão com a actual liderança devem abandonar o cargo que ocupa. Mesmo uma vitória à tangente conferia legitimidade ao líder, sendo que, os números reforçam a estratégia. 

A jogada dos deputados trabalhistas foi um erro porque não fazia sentido colocar em causa a liderança só para aproveitar a suposta falta de legitimidade de Theresa May como primeira-ministra para convocar eleições antecipadas. Não conseguiram ocupar o poder dentro do partido e também não irão convencer Corbyn a pedir a antecipação das legislativas que se realizam em 2020, nem sequer a realização de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia.

O líder confirmou que iria seguir a mesma linha, pedindo união dentro do partido. Não sei se vai acontecer, mas aqueles que continuarem com os jogos de sombras devem ser afastados porque os resultados eleitorais têm de ser respeitados. Não se pode admitir mais uma revolução após a votação, tendo em conta que se trata de um grupo minoritário Corbyn tem o apoio dos sindicatos e dos militantes que construíram a força do Labour, embora as vozes de Tony Blair e Neil Kinnock, bem como de alguns dirigentes como Alan Johnson serão sempre ouvidas.  

sábado, 24 de setembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Jeremy Corbyn - O líder do Partido Trabalhista venceu as eleições com grande vantagem sobre o rival. Uma vitória sem contestação, um ano depois de ter chegado à liderança. A pressão e a chantagem dos deputados trabalhistas não teve sucesso. Uma grande derrota para os parlamentares que vão ter de aturar o líder até às próximas eleições. Os que não quiserem obedecer às ordens terão de abandonar a bancada parlamentar porque Corbyn confirmou que estava certo. O triunfo confirma que a eleição não servia para nada.


No Meio

Mariana Mortágua - A deputada do Bloco de Esquerda provocou uma grande polémica ao ter sugerido aumentar os impostos para os mais ricos. As críticas não se fizeram esperar, mas a intenção era mesmo essa. Provocar o debate e a indignação na direita. Agora veremos se consegue convencer os socialistas.


Em Baixo

Owen Smith - A nota negativa deve ser endereçada aos deputados que lançaram a candidatura contra Corbyn que se revelou um verdadeiro fiasco. Smith hipotecou a sua carreira enquanto deputado, sendo que, não vai ter condições para cumprir a promessa de fazer barulho. A partir de agora dificilmente alguém vai fazer barulho na bancada dos trabalhistas em Westminster porque a derrota foi humilhante. 

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O dia do Partido Trabalhista

Os trabalhistas escolhem amanhã o novo líder. Não se trata apenas de uma opção entre a continuidade e a mudança, ou a divisão e a união no partido. O que está em causa é a ideologia. Ou seja, se continua a ser um partido de esquerda na defesa dos valores sociais contra o conservadorismo do governo, ou fica mais perto do centro.  

Neste momento, o mais importante para o partido é definir um caminho ideológico e os valores que vai defender, independentemente da orientação do executivo ou se vai ganhar eleições, porque no Reino Unido a política não gira em torno dos actos eleitorais. O actual líder manteve posições que não mereceram o apoio de alguns deputados como a questão dos bombardeamentos à Síria, a renovação do programa nuclear. Nestes dois aspectos, Corbyn colou-se à opinião pública e deixou os membros do Parlamento mostrarem discordância. Aliás, a forma como o líder se opôs aos ataques na Síria pode também estar relacionado com o passado, em particular com a ligação de Blair à guerra do Iraque. 

No último ano, Corbyn manteve uma postura de trazer problemas pessoais de alguns indivíduos para os debates parlamentares. As questões que levantava também tinham a ver com situações concretas de alguns sectores como os jovens médicos e a educação. No dia após as eleições na Escócia, Cameron disse que o Labour estava a desapontar os seus eleitores. 

A imagem que Corbyn trouxe é de um líder e partido muito preocupado com os problemas individuais em vez de se concentrar nos assuntos colectivos dos britânicos. Não acredito que Owen Smith seja o melhor candidato porque a única proposta que tem é a realização de um novo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Se o candidato começar por aí, é um mau sinal. 

O partido sabe que com Corbyn continua o mesmo caminho ideológico, embora com várias oposições, enquanto Smith tem pouco sumo para dar. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Theresa May entre a pressão interna e as mudanças na Europa

As negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia não vão ser fáceis porque dependem das condições internas e externas. A nova primeira-ministra britânica tem um longo caminho pela frente relativamente ao calendário, mas sobretudo à forma como se processa a saída.

No plano interno, os conservadores têm de ter em conta a oposição dos partidos que querem sair totalmente da União Europeia como o UKIP e dos que pretendem ficar mais perto possível, como acontece no seio do partido do governo e alguns trabalhistas. No entanto, se Owen Smith vencer a eleição para líder do Partido Trabalhista, May vai ser confrontada com a exigência de um novo referendo para também evitar que a Escócia realize uma consulta popular sobre a independência do país. As condições podem ser debatidas e votadas no parlamento, mas não está excluída a participação das pessoas. Os problemas começam a surgir antes da invocação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa.

As maiores complicações estão a nível externo porque algumas vontades podem chocar com as exigências internas. Ou seja, Theresa May tenta estar no meio para defender os interesses do Reino Unido, mas dificilmente deixará de optar por um dos lados. As eleições na Alemanha e em França vão condicionar o processo de saída do Reino Unido. Apesar da pressa anunciada por alguns dirigentes europeus e o líder francês, os actos eleitorais têm o efeito de travar o processo. Hollande e Merkel não querem perder votos para as forças anti-europeias que irão utilizar o Brexit como forma de espalhar a mensagem contra o diktat europeu. 

Tudo vai mudar se Marine Le Pen for eleita presidente francesa e Merkel tiver menos apoio parlamentar. Se os actuais líderes alemão e francês pretendem uma saída rápida, também necessitam que o Reino Unido fique mais próximo da União Europeia. Ora, isso contrasta com algumas posições internas. 

A nova chefe do governo britânico tem maioria absoluta no parlamento, mas deve seguir a recomendação dos partidos da oposição e dos conservadores eurocépticos para se afastar definitivamente da União. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O ataque de Mariana

As polémicas declarações de Mariana Mortágua sobre a necessidade de quem acumula fortuna ser castigado com impostos mostra a linha ideológica do governo. O Bloco de Esquerda não faz parte do executivo, mas o PS está refém desta linha ideológica, mais severa para os mais ricos do que as propostas dos comunistas. 

Os bloquistas têm vontade de mudar o status quo da sociedade portuguesa, não dando apenas oportunidades aos mais desfavorecidos, mas cortando as asas a quem pretende ter regalias fruto do trabalho. No fundo, trata-se de criar mais igualdade tirando a quem tem mais mas não para dar aos que têm menos. 

A subida do Bloco de Esquerda nas últimas eleições aconteceu num contexto de crise, pelo que, dificilmente obterão um resultado semelhante se continuarem nesta linha. Da mesma forma que foram beneficiados com os cortes feitos pelo governo anterior nos salários e pensões, também serão prejudicados por atacarem as denominadas elites. Ou aqueles que querem ter boa qualidade de vida.

As vitórias e derrotas dos bloquistas estão relacionadas com os momentos sociais e económicos. Isso nota-se mais na liderança de Catarina Martins do no longo mandato de Francisco Louçã. O BE vai criar um problema ao PS porque também os socialistas pretendem estabelecer uma desigualdade entre ricos e pobres, com prejuízo para os primeiros. 

A necessidade de se atacar uma determinada classe para conquistar votos nunca resultou em Portugal porque a sociedade é equilibrada. Não é muito inteligente desferir um golpe naqueles que acumulam fortunas porque trabalharam durante a vida inteira. 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Quem quer tramar Corbyn

A bancada parlamentar rebelde do Partido Trabalhista nunca esteve com o líder. É verdade que Jeremy Corbyn deu liberdade aos seus pares, mas o cacique dentro do parlamento foi evidente ao longo do último ano. 

O resultado do Brexit foi aproveitado pelos parlamentares para mudar a liderança do partido. Tendo em conta que os trabalhistas também estavam divididos entre a manutenção e a saída da União Europeia, não se pode culpar o líder pelos números. No entanto, houve outras situações que mereceram análise negativa, como as eleições locais e na Escócia. 

Na minha opinião, o grande problema de Corbyn foram as guerras que comprou relativamente a alguns assuntos como os bombardeamentos na Síria, a renovação do programa nuclear Trident e o serviço nacional de saúde. Nestas ocasiões, o líder nunca teve o apoio da bancada, sobretudo na questão da Síria onde se destacou o ministro sombra dos Negócios Estrangeiros, Hillary Benn. Sempre que alguém se destacava no parlamento, Corbyn entendeu que se tratava de uma ameaça ao lugar que ocupa. A verdade é que o opositor do líder é um desconhecido chamado Owen Smith.

Os trabalhistas não podem cair na tentação de pedir eleições legislativas antecipadas. Contudo, isso só deverá acontecer se Smith ganhar o acto eleitoral. 

As grandes divisões no partido aconteceram a nível parlamentar, sendo que, os anteriores líderes também ajudaram a denegrir a imagem de Corbyn. Neil Kinnock e Tony Blair têm sido os principais rostos da oposição interna, embora a actual liderança esteja segura no seio do establishment. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A semana mais importante para o Partido Trabalhista

No sábado o Partido Trabalhista escolhe o novo líder. Os trabalhistas vão optar entre a continuidade de Jeremy Corbyn ou a alternativa proposta por Owen Smith. 

Os dois são apoiados por diferentes facções do partido. O actual líder conta com o suporte dos membros mais importantes e dos sindicatos, enquanto Smith tem na mão a maior parte do grupo parlamentar, tendo sido, por esta via que nasceu a candidatura. 

O que está em causa nestas eleições é a unidade do partido porque em termos eleitorais não será possível antecipar as eleições legislativas que se vão realizar em 2020. A maioria conservadora está bastante sólida. Apesar de não haver união, o Labour continua a ser um partido forte, pelo que, a sua existência ainda não está em causa. O que separa as várias facções é a ideologia que o partido deve seguir, já que, as duas últimas lideranças foram criticadas por se centrarem muito à esquerda. Ed Miliband e Jeremy Corbyn tiveram de viver com a sombra de Tony Blair. 

Não havendo uma liderança para disputar eleições, resta atacar os problemas internos e ter uma posição sobre o Brexit. No primeiro caso, a política dos conservadores tem sido fantástica em diversos pontos. Não é fácil ao Partido Trabalhista liderar um assunto porque o governo está a fazer um bom trabalho desde o legado de Cameron e os primeiros sinais de Theresa May mostram preocupação com a imigração. No plano externo, os conservadores também vão recolher os frutos de cumprirem a vontade dos britânicos, mesmo que seja uma saída light como chamou a nova líder do UKIP.

O caminho dos trabalhistas não será fácil, independentemente de quem seja o líder. A opção por Owen Smith significa que tudo volta ao ponto zero, mas a manutenção de Corbyn só garante estabilidade no grupo parlamentar por pouco tempo.  

domingo, 18 de setembro de 2016

À volta do Mundo - A mesma União Europeia de sempre

O discurso de Jean-Claude Juncker sobre o estado da União Europeia não galvanizou a maioria dos eurodeputados. O presidente da Comissão Europeia continua a pedir mais Europa, mas sem resolver os problemas dos cidadãos como o desemprego, as desigualdades e a coesão. Os líderes europeus continuam a bater na mesma tecla.

A reunião informal dos Chefes de Estado e do governo dos 27 Estados-Membros decorreu em Bratislava para discutir os problemas da união. O evento não contou com a presença do Reino Unido porque um dos assuntos em cima da mesa, eram as consequências e causas do Brexit. No entanto, nada foi concluído, tendo sido marcadas mais reuniões que culminarão com uma cimeira em Roma no próximo ano, na altura em que se festejam os 60 anos do Tratado assinado na capital italiana. As expectativas acabam sempre por sair frustradas após cada encontro......

continua

Olhar a Semana - Justiça contra política

A operação Marquês parece o processo judicial contra iniciado no Brasil contra Dilma Rousseff com políticos a falarem mal de magistrados e vice-versa. Ora, a entrevista do juiz Carlos Alexandre à SIC incendiou o ambiente entre a justiça e a política, em particular entre o ministério público e o ex-primeiro-ministro. 

Os sucessivos adiamentos patrocinados pela Procuradoria-Geral da República é mais um motivo para José Sócrates fazer barulho. Não se percebe porque razão o arguido ainda não teve conhecimento da acusação, se é que alguma vez será notificado de alguma coisa. Sócrates anda à espera de uma notificação há três anos. Tendo em conta que se trata de um assunto envolvendo um antigo chefe do governo, o processo deveria ser mais célere. Enquanto não conhece o veredicto, Sócrates tem margem para continuar a influenciar o processo por todas as vias, em particular por aquela que gosta mais, a comunicação social. 

O novo membro desta polémica é Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República foi metido ao barulho por Sócrates ou meteu-se na confusão por vontade própria. Ninguém sabe. 

Não há ninguém que fique por cima do outro. Ou seja, nem os agentes da justiça ou o político em causa podem apontar a culpa ao outro lado, sendo que, a comunicação social, e não as redes sociais, serve de veículo para transmitir a mensagem. 

Impressiona a forma como Sócrates tenta condicionar a justiça, mas o pior é a justiça se ter deixado entrar nesse jogo. 

Sem dúvida que já faltou menos para igualarmos o Brasil.

sábado, 17 de setembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

União Digital - A União Europeia deve apostar no mercado digital para modernizar os países, reduzir a burocracia e aumentar o consumismo. O objectivo não passa por copiar os norte-americanos e asiáticos, mas introduzir alternativas às pessoas. 


No Meio 

Jean-Claude Juncker - O presidente da Comissão Europeia fez o mesmo discurso no estado da União Europeia. Não surpreendeu os eurodeputados porque não tem nada de novo. Contudo, é preocupante a forma como o líder pretende mais Europa, mesmo que não tenha reflexo na vida das pessoas. Se as políticas da União Europeia não são bem aceites, os discursos dos líderes são totalmente ignorados.

Em Baixo

José Sócrates - O ex-primeiro-ministro abriu uma guerra com todos os agentes da justiça, por causa do processo Marquês. A comunicação social também não tem escapado à ira do socialista. O novo ódio de estimação de Sócrates chama-se Marcelo Rebelo de Sousa. De facto, mesmo que venha a ser inocente, Sócrates está a fazer tudo para não voltar a ter um cargo político com importância. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Empatados até ao dia da eleição

As sondagens dão um empate técnico entre os dois candidatos à Casa Branca, pelo que, vamos assistir a um reforço dos ataques pessoais. Nesta fase não tem havido grandes questões em cima da mesa. O principal assunto ainda tem a ver com a polémica utilização do email por parte de Clinton. 

As questões relacionadas com o carácter dominam a agenda da campanha. Neste mês e meio que faltam para as eleições não será fácil arranjar um tema que interesse aos candidatos e ao público. A estratégia não vai ser diferente. Curiosamente, a campanha nas eleições primárias foi bastante mais interessante do que para a eleição geral.

Talvez o início dos debates seja mais conclusiva que os comícios realizados pelos candidatos. Na recta final, Hillary Clinton tem de se defender de alguns ataques, enquanto Donald Trump vai continuar a atacar o establishment norte-americano com sede em Washington. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Brexit deu poder ao eixo Paris-Berlim

Desde a confirmação do Brexit a União Europeia já indicou vários caminhos e possibilidades, mas sem saber quais serão as consequências. O pedido de saída imediata foi a primeira reacção dos dirigentes europeus, talvez por estarem com a cabeça quente. Nessa altura o Reino Unido não tinha um novo primeiro-ministro, mas a Europa queria tudo feito à pressa sem alguém no comando da ilha britânica.

Após a eleição de Theresa May, o presidente francês solicitou rapidez na invocação do Artigo 50 do Tratado de Lisboa. Ora, a nova chefe do governo voltou a referir que era necessário prudência, já que, no Reino Unido faltam limar arestas sobre a questão. 

Neste momento, a pressa deu lugar à calma. O antigo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que só depois das eleições alemães se vão iniciar as conversações. A Europa não pode continuar dependente dos estados de espírito e das agendas políticas da França e Alemanha. Na minha opinião, foi por esta razão que os britânicos quiseram sair da União Europeia. Não querem aturar mais os alemães e franceses. Não faz sentido fazer pressão para uma saída rápida e agora querem esperar até à conclusão das eleições legislativas na Alemanha e presidenciais em França. Ninguém sabe em que ficamos. 

As indecisões, as pressões e as palavras mal escolhidas revelam desorientação. O problema não tem a ver apenas com o Reino Unido, mas com a fragmentação. A França e a Alemanha têm medo de não conseguirem unir os restantes países em torno do ideal europeu, o mesmo é dizer, à volta do lobby Paris-Berlim no seio da comunidade europeia. 

O Brexit teve o condão de fechar mais o grupo restrito de países que decidem o futuro da União Europeia do que aumentar a democracia. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

União sem liderança nem rumo

O Parlamento Europeu reinicia os trabalhos com o debate sobre o Estado da União Europeia. O Brexit não é único problema que os 27 Estados-Membros vão ter de enfrentar no futuro. O maior desafio será o combate ao terrorismo e aplicar as leis europeias sem cair no erro de criar uma guerra com o islão. 

À medida que surgem novos atentados, a Europa tem tendência a encerrar fronteiras. A recente lei sobre a utilização do burkini em França não é um bom indicador sobre o que poderemos esperar no futuro. 

A saída do Reino Unido da União Europeia vai obrigar a um esforço maior no que diz respeito às relações comerciais e políticas. A Europa tem de ter um líder que seja capaz de falar com os Estados Unidos, países asiáticos e as economias emergentes. Não podemos continuar a dar a responsabilidade total aos alemães e franceses. Alguns países como Espanha e a Itália têm de aproveitar a dimensão territorial para criarem novas soluções. 

A Alemanha e a França não têm capacidade para dar dimensão à União Europeia numa altura em que a Casa Branca pode ficar nas mãos de Trump. Uma vitória do empresário significa que a UE fica encurralada e sem apoios no Atlântico e no Oriente, já que, Putin continua a ser a pessoa mais detestada no continente.

Ainda existe autoritarismo na governação da União Europeia, sobretudo a nível dos países mais influentes e não propriamente dentro das instituições. A insignificância do Presidente da Comissão Europeia e das decisões tomadas pelo Conselho Europeu tornam as instituições pouco credíveis. 

O próximo ano será exigente devido aos actos eleitorais nos dois países mais importantes, mas as questões relacionadas com o nacionalismo na Escócia e na Catalunha não são apenas problemas do foro interno do Reino Unido e da Espanha. 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Sem aliança em Lisboa

Não percebo a indignação ou tentativa de pressão de alguns dirigentes do CDS para o PSD abdicar de ter um candidato à Câmara Municipal de Lisboa. A candidatura de Assunção Cristas não é a melhor opção porque em 2019 vai concorrer à liderança do partido. É verdade que António Costa também saltou do Município para o Largo do Rato, mas a líder centrista ainda tem muito caminho para percorrer, pelo que, não pode passar a imagem de alguém que está apenas interessada em testar a popularidade. 

O PSD não deve cair na tentação de se deixar condicionar pelo anterior parceiro de coligação porque o CDS pretende espaço para a líder apalpar a popularidade. Quem fica a ganhar serão sempre os centristas e nunca os sociais-democratas que perdem uma oportunidade para recuperarem a autarquia mais importante do país. A escolha do nome tem de ser bem pensada porque uma vitória em Lisboa abre boas perspectivas de vencer as legislativas, independentemente do ano em que se realizarem.

A liderança de Assunção Cristas tem tido posições distintas na aproximação ao PSD. Após o congresso ficou visível que ninguém queria ficar colado aos sociais-democratas, mas sobretudo a Passos Coelho. Agora já precisam do apoio da actual liderança. O único aspecto que continua igual são as sondagens. A jogada política de Cristas não vai trazer resultados positivos. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Mais uma ameaça terrorista

A ameaça norte-coreana não tem estado presente na campanha eleitoral norte-americana, embora nas primárias republicanas, John Kasich, tenha feito referência ao líder louco coreano.

Os Estados Unidos não mandam no Mundo, mas a aproximação ao pacífico durante o mandato de Barack Obama visa impedir a China de expandir influência na região e conter a ameaça da Coreia do Norte. A luta contra o terrorismo também precisa de abranger o regime de Pyongyang, sendo que, apenas dois países estão na mira de Kim Jong-Un. 

A luta do Estado Islâmico é contra o resto do Mundo, em particular o Ocidente por causa dos valores democráticos e de liberdade, enquanto a Coreia do Norte tem como alvos o vizinho do Sul e os Estados Unido, bastando iniciar uma invasão a Seul para irritar Washington. 

Nas últimas semanas chegaram várias notícias de lançamento de mísseis bem sucedidos. Não há dúvida que existe vontade de provocar os dirigentes norte-americanos. A estratégia de Kim Jong-Un é semelhante aos jihadistas que operam na Síria e no Iraque. A principal arma dos terroristas é causar pânico e um estado de alerta nos inimigos.  


domingo, 11 de setembro de 2016

Espanha continua sem solução de governo

A crise política em Espanha domina a atenção internacional. O programa do governo de Mariano Rajoy não passou no parlamento espanhol, cabendo a Pedro Sánchez tentar formar uma maioria que sustente um executivo. O líder do PSOE pretende a solidariedade do Ciudadanos e o apoio do Podemos para governar. A data limite para Sánchez conseguir o impossível é 31 de Outubro, senão haverá novas eleições em Espanha, talvez em Dezembro, o que seria um feito inédito na democracia do país vizinho.
A China avisou os jovens deputados eleitos para o Conselho Legislativo de Hong Kong que não vai permitir manifestações a favor da independência. No entanto, os responsáveis dos movimentos democráticos prometem dar luta ao regime chinês, já que, garantiram deputados suficientes para alterar alguns preceitos constitucionais. A revolução que começou nas ruas conseguiu chegar ao parlamento.  Continua

Olhar a Semana - Autárquicas

Nesta semana tivemos notícias sobre candidaturas à Câmara Municipal de Lisboa. 

A imprensa pressiona Pedro Santana Lopes a decidir, enquanto Assunção Cristas anunciou que vai concorrer à principal autarquia do país.

O PSD tenta lançar Santana Lopes em Lisboa e o CDS confia na candidatura de Assunção Cristas. Ora, os sociais-democratas podem ter um bom candidato para colocar em causa as actuais obras na cidade de Lisboa. Não existe justificação para a capital se ter transformado num estaleiro. O avanço de Cristas não é uma boa jogada apesar de ser uma forma de testar a popularidade da nova líder. Durante um ano, Cristas vai ter que falar para os eleitores lisboetas quando se pretende conquistar votos em todo o país. Não sou adepto desta forma de fazer política. 

O primeiro-ministro já disse que o PSD não volta ao governo. Costa tem a certeza que as actuais políticas vão resultar. Ou seja, não haverá demissão se as autárquicas correrem mal aos socialistas. 

sábado, 10 de setembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Theresa May - A primeira-ministra britânica tem gerido muito bem a questão do Brexit, em termos internos e internacionais. May está a sofrer pressão por parte da oposição para novo referendo e no plano externo para invocar imediatamente o Artigo 50 do Tratado de Lisboa. Os partidos britânicos também querem mais esclarecimentos sobre as condições de saída. A chefe do governo não se tem precipitado nem mostrado arrogância perante os opositores internos e externos. Uma postura exemplar de uma primeira-ministra que com menos de três meses no cargo.

No Meio

Donald Tusk - Os responsáveis europeus continuam a fazer pressão sobre o Reino Unido. A Europa tem pressa em avançar sem os britânicos. É legítimo o pedido constante feito pelos dirigentes, mas ninguém sabe quais são as consequências. Isto é, qual a razão de tanta pressa se a União Europeia nunca pensou no plano B que passou a ser o plano A?

Em Baixo

Pedro Sánchez - O líder do PSOE continua apenas interessado em salvar a pele, apesar de duas derrotas eleitorais consecutivas. Sánchez tenta uma nova fórmula para passar o programa do governo parlamento espanhol. Pede ao Ciudadanos para não votar contra um acordo celebrado entre o PSOE e o Podemos, sem ter qualquer compromisso com o partido liderado por Pablo Iglésias. Ora, Sánchez não tem nada, mas já está a pedir que os partidos assumam posições, sem se saber quais são as ideias e propostas dos socialistas. O mais grave nisto tudo foi ter telefonado pessoalmente a Rajoy para lhe dizer que não conta com o PP. Por estas razões percebemos porque o líder não consegue vencer eleições.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A nova invenção de Sánchez

O líder do PSOE inventou uma nova união parlamentar para tentar formar governo. Pedro Sánchez quer fazer acordos parlamentares com o Podemos, mas pretende a abstenção do Ciudadanos para governar o país. No entanto, fez questão de dizer pessoalmente a Mariano Rajoy que não contava com o PP.

O socialista não sabe estar na política, nem tem qualidade para ser primeiro-ministro de um país. A forma como tenta alcançar o poder é bem pior do que a protagonizada por António Costa em Novembro de 2015. Sánchez está desesperado para chegar ao poder porque sabe que vai perder se existirem novas eleições. A única forma de se manter líder socialista é arranjar acordos que satisfaçam a direita, a esquerda e as forças regionalistas. No entanto, não quer saber do PP para nada. 

Os dirigentes socialistas não vão perdoar nova derrota a Sánchez. Se o líder falhar novo assalto ao poder, pode ser que haja eleições internas antes das legislativas de novo em Dezembro, mas também tem a derrota garantida porque a população espanhola não vai perdoar mais jogadas políticas. Aos poucos Mariano Rajoy caminha para a desejada maioria absoluta.

Na minha opinião, Sánchez meteu-se numa embrulhada porque o Ciudadanos nunca vai apoiar o Podemos e o partido de Pablo Iglesias jamais cederá às exigências de Albert Rivera. Contudo, no fim lá estará o líder socialista a criticar as atitudes de quem não salvou o cargo que tem no PSOE. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Mais amigo dos velhos inimigos

Os elogios de Donald Trump a Vladimir Putin são um sinal de mudança na política externa norte-americana. O empresário deverá escrever uma página nova nas relações dos Estados Unidos com alguns velhos inimigos como a Rússia, China e o Irão. A política para o Médio-Oriente deverá ser a mesma que vem sendo seguido, embora com maior presença militar para combater o Estado Islâmico. Em relação à Coreia do Norte não acredito que haja coragem para fazer face ao regime vigente, apesar das constantes ameaças com testes de mísseis. 

O estilo pouco diplomático de Trump pode passar a ideia que os Estados Unidos vão ter mais inimigos. Na minha opinião, Trump pretende ter bons contactos com os países referidos, aproveitando o trabalho de Obama. Acredito que haja mais encontros entre os respectivos Chefes de Estado das grandes potências para resolver os problemas do Mundo, em particular o terrorismo. Obama deveria ter realçado o papel importante que a China, Rússia e mesmo o Irão têm no Mundo, mesmo não concordando com algumas políticas. 

No sentido inverso, Trump vai ter que lidar com a insatisfação dos dirigentes europeus face à eleição. Contudo, os maiores problemas diplomáticos serão provocados pelos dirigentes mexicanos que não querem construir nem pagar o muro prometido pelo candidato. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Facciocismo

O discurso em Portugal costuma ser bastante agressivo, seja no futebol ou na política. As duas áreas que provocam mais debates na comunicação social e nas redes sociais. 

A forma como se faz o debate em torno do futebol e da política revela facciocismo, mas sobretudo mau perder. No entanto, os vitoriosos também raramente sabem ganhar. A luta pelo poder vale tudo. Na hora da vitória ficam todos fechados e na derrota o insulto é a arma mais frequente. 

Por estas razões vivemos numa sociedade crispada devido ao clubismo futebolístico e partidário, o que origina impossibilidade de consensos. No futebol a culpa é sempre do árbitro e na política quem costuma levar por tabela é o Presidente da República, já que, tem como função ser o árbitro dos partidos. 

Nestas duas áreas é necessário mais consenso do que crispação porque a evolução, sobretudo no primeiro, depende da existência de soluções. 

É verdade que a comunicação social promove tudo isto. As horas que se discutem as grandes penalidades e as questões mais insignificantes da política também ajuda a criar mais crispação.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Novas formas de transmitir a mensagem política

A eleição de vários jovens activistas para o parlamento de Hong Kong é um sinal de vitalidade das novas plataformas digitais. A mensagem chega mais rápido ao destinatário e não corre o risco de ser interceptada.

A luta contra o poder instituído já não se faz apenas nas ruas através das tradicionais manifestações que acabam por ter várias interpretações. Uns dizem que correu mal ao governo, outros lançam estatísticas que provam o contrário. O público não consegue ficar totalmente esclarecido.

O objectivo dos activistas não é apenas transmitir a mensagem internamente, mas ter impacto internacional. As revoltas só têm expressão se a comunidade internacional reagir aos acontecimentos. Não é por acaso que a informação chega ao mesmo e pelas mesmas vias às populações locais, mas também ao resto do Mundo. No fundo, o momento é vivido por todo o mundo. 

A existência de formas digitais para passar a mensagem política visa obter uma opinião favorável sobre os motivos da revolta por parte da comunidade internacional porque já não é suficiente produzir alterações internas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Reentradas

Os discursos políticos da chamada "rentreé" seguem a mesma linha daquilo que ouvimos durante o último ano. A boa retórica de Passos Coelho será um entrave ao esforço realizado por Assunção Cristas de tentar agarrar quem a ouve. Jerónimo de Sousa continua com as mesmas ideias de sempre, só alteradas pela necessidade de chegar a um acordo com o PS para o próximo Orçamento de Estado.

O debate político e as diferenças vão aumentar devido à proximidade das autárquicas. 

Nos discursos dos líderes partidários, nota-se que Passos Coelho e António Costa mais os partidos da esquerda têm visões diferentes para o país. As propostas do líder social-democrata cabiam bem na presidente do CDS, que tenta mostrar propostas diferentes do PSD.

Como tem sido habitual, o novo ciclo político que culmina com as eleições autárquicas não trouxe nada de novo. Não seria de esperar outra coisa porque continuamos a ser dirigidos pelas mesmas pessoas. 


sábado, 3 de setembro de 2016

Entrevista a Bárbara A.Santos




A modelo Bárbara A.Santos abre a porta do mundo da moda ao OLHAR DIREITO. O conceito, as vantagens e desvantagens de ser manequim, bem como outros aspectos. A manequim também revela os projectos que tem na área da comunicação social.

 Como nasceu o gosto pela moda?

Nasceu há três anos, mas comecei a fazer moda aos 14 por influência da minha mãe. Quando pensei em desistir, percebi que amava esta área.  Cada vez que vestimos um coordenado diferente, estamos a interpretar papéis.

Tens outras actividades?

Sou apresentadora do programa “Ritmos Atuais” e ao mesmo tempo repórter para outro do programa da TV Yeto, uma televisão francesa, que faz a ponte com Angola. Além disso, sou directora criativa da revista F Magazine Luxury que está relacionada com moda, viagens, tecnologia, lifestyle luxuoso… É uma revista que pretende conquistar o público feminino e masculino. Circula em Portugal e Angola.

Em que projecto tens estado mais focada?

Neste momento, o que ocupa mais tempo na minha vida é a televisão, a revista e o restaurante “SushiFashion”, no qual sou relações públicas. No entanto, tenho feito alguns desfiles em Portugal e Paris.

Quais as diferenças que existem em Portugal e França?

Fora de Portugal o profissionalismo é maior pela forma como trabalham, como somos tratadas. Em Paris, os desfiles têm uma dimensão maior, por todos os aspectos a eles inerentes. Mas Portugal é sempre Portugal, por tudo o que para mim representa.

Quais as principais qualidades da nossa moda?

A moda em Portugal tem bastante qualidade. Os nossos estilistas conseguem ser tão bons ou melhores do que os franceses. No entanto, ainda não apostam no mercado estrangeiro.

Deveria haver mais apoios?

A moda é uma forma de arte. O Estado deveria dar mais apoios como acontece noutras áreas.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O primeiro dia do terceiro acto eleitoral

O parlamento espanhol vota pela segunda vez o programa de governo apresentado pelo governo liderado por Mariano Rajoy. Na primeira votação, o PP conseguiu 170 votos a favor e 180 contra. No entanto, a posição do PSOE não vai mudar e por isso, o país vai entrar novamente numa crise política.

Em circunstâncias normais, o Rei Felipe VI chamava o líder da oposição para tentar formar governo. O problema é que Sánchez não tem alternativa, apesar do apoio demonstrado pelo Ciudadanos após as eleições de 26 de Junho. Mesmo assim, o PSOE precisa de mais uma força que se chama Podemos. Não será agora que os dois partidos se vão entender porque o partido de Pablo Iglésias pretende mais poder.

Se o Rei de Espanha chamar Sánchez está a perder tempo, pelo que, o melhor é marcar novas eleições. Não existe outra hipótese senão recorrer a novo acto eleitoral porque será a única forma de se arranjar uma maioria. Enquanto os actuais líderes partidários continuarem no poder, o resultado poderá ser sempre igual, independentemente do número de eleições que se venha a realizar, ultrapassando recordes que se poderão ter batido em países pouco desenvolvidos. Caso o Chefe do Estado tivesse poder, talvez assumisse as rédeas do jogo, mas a actual situação também revela falta de capacidade de Felipe VI para lidar com a crise. Na minha opinião, Marcelo Rebelo de Sousa tinha capacidade para resolver a questão se Portugal estivesse na mesma situação do país vizinho.

Não há volta a dar. Em Dezembro haverá novas eleições legislativas em Espanha com os mesmos actores responsáveis pela crise política.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

As democracias imperfeitas do Brasil e de Espanha

As situações políticas em Espanha e no Brasil mostram que a democracia nem sempre consegue ser perfeita, apesar dos instrumentos disponibilizados pelas respectivas constituições. 

O país vizinho prepara-se para o terceiro acto eleitoral num ano por causa da sede de poder do líder socialista. É impressionante como a vontade de apenas um homem consegue colocar o sistema em causa e provocar a confusão. O sistema constitucional espanhol não será o mesmo depois do que se passou neste ano. A atitude de Pedro Sánchez vai ser responsável por mudanças na constituição espanhola porque não se pode permitir a paralisação de um país devido à ambição de uma pessoa. Os partidos têm de continuar a ser protagonistas. A democracia deveria resolver o problema, mas em Espanha não existe qualquer mecanismo que proteja os vencedores e penalize os derrotados. Nem sequer uma segunda votação ao programa do governo consegue normalizar a situação política no país. 

O futuro vai confirmar que Sánchez continuará em segundo e Rajoy na primeira posição, sendo que, dificilmente haverá maioria de esquerda ou direita no parlamento espanhol. Como resolver o imbróglio?

No Brasil a destituição de Dilma Rousseff e a ascensão ao poder de Michel Temer não foi bem aceite pelos brasileiros. Como se viu na cerimónia de inauguração dos Jogos Olímpicos, Temer será sempre visto como um golpista, enquanto Dilma nunca terá apoio do Congresso e do Senado. Neste caso, a democracia encontra-se dividida porque os representantes suportam uma solução e os representados pretendem outra. O que se vai perceber nos próximos dias é uma mobilização contra o Chefe do Estado, mesmo que a antecessora não recolha total simpatia. No entanto, por causa de Dilma o povo revoltou-se contra Temer. 

A situação política no Brasil também será instável nos próximos anos, com possibilidade de haver um golpe de Estado por parte dos militares contra Temer, sendo que, o objectivo não será recolocar Dilma no poder, mas instaurar um novo regime no país. 
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