segunda-feira, 24 de julho de 2017

A cortina de valores que separa o Ocidente do Leste da Europa

As notícias provenientes da Polónia são mais um exemplo da onda de populismo que cerca o Leste da Europa. Nos últimos anos têm surgido vários exemplos de atentados às liberdades das pessoas, bem como tentativas de usurpação de poder através do controlo de instituições. 

A Europa pode não ter uma cortina de ferro a separar o Ocidente de Leste, mas ainda existem diferenças nos valores e princípios que precisam de ser trabalhados pela União Europeia. O clube europeu não tem condições de ter sucesso caso se mantenham práticas pouco habituais com aquilo que esteve na origem do projecto. 

As grandes disparidades estão nas ideologias e na forma como se aplicam certas regras que não são aceites no Ocidente, embora sejam normais em determinados países também por causa da herança da União Soviética. 

As mentalidades demoram tempo a mudar e não será a entrada num clube supostamente democrático que alteram os costumes. A resposta da União Europeia não tem sido eficaz porque alguns países não conseguem ou não pretendem ter outro tipo de comportamento, sendo que, encerrar ainda mais o espaço de diálogo e solidariedade mantém as mesmas reacções. 

A desconfiança que alguns países do Leste ainda têm relativamente aos vizinhos é outro factor de instabilidade regional que causa maior desunião dentro da União Europeia. Não é possível estar num clube onde ainda se registam muitos ódios. 

O futuro não é certamente federalizar para serem todos iguais, mas é necessário que haja objectivos comuns. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ano 2012: Escândalos de doping no ciclismo internacional

O ciclismo internacional enfrentou dois grandes problemas com os casos de doping de Lance Armstrong e Alberto Contador.

O ciclista espanhol acusou positivo num controlo efectuado durante a Volta à França em 2010, mas o castigo só foi confirmado em 2012 pelo Tribunal Arbitral do Desporto. A vitória no Tour 2010 também foi retirada. A suspensão durou até 2014. 

O norte-americano também ficou sem os sete títulos conquistados no Tour em 2012. As acusações duraram durante dez anos, mas a confissão só chegou em 2013 no programa de Oprah. Um ano antes, Armstrong deixou de lutar judicialmente pela inocência, talvez pensando numa forma de se ilibar publicamente.

A verdade é que, dois dos melhores ciclistas do novo milénio tiveram problemas com o doping, embora Alberto Contador tenha limpado a imagem nos últimos anos. A farsa de Armstrong acaba por ser bem pior, já que, se trata de uma mentira muito bem trabalhada durante anos. 

Os dois ganharam respeito de todos na estrada por causa dos inúmeros feitos, sobretudo na corrida francesa. O espanhol fica apenas com dois títulos no Tour, sendo que, numa delas bateu o norte-americano. 

As primeiras edições da Volta à França da década acabaram por ser manchadas por erros cometidos no final dos primeiros dez anos do século XX.  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Prejudicar o funcionamento da economia de mercado

O negócio da Altice com a PT e a Media Capital transformou-se numa arma de arremesso político por todos os partidos.

As forças de esquerda tentam novamente impedir a entrada de dinheiro estrangeiro em Portugal, enquanto a direita critica a postura intervencionista do executivo. No meio disto está o governo liderado por António Costa que lança outros mecanismos para obter controlo político. Não esquecer que também Marcelo Rebelo de Sousa cedeu aos interesses de outras empresas para influenciar o negócio. 

A economia portuguesa não pode funcionar com constantes interferências políticas de todos os quadrantes, sobretudo se o Presidente da República também pretende ter uma palavra a dizer. Neste caso, o único partido que esteve muito bem foi o PSD que questionou as posições de António Costa. 

A entrada da Altice na PT, mas principalmente na Media Capital é uma oportunidade única para o jornalismo em Portugal que se encontra nas ruas da amargura. O problema é que ninguém quer o melhor para o país por razões ideológicas ou simplesmente para impedir novos concorrentes no mercado. 

O que se passa com a chegada da Altice é a mesma situação do que aconteceu com a entrada de novos investidores na TAP, embora a Media Capital seja uma empresa privada. Não houve despedimentos na transportadora aérea, havendo uma nova oferta de rotas e investimento. 

As posições ideológicas do governo começam a ficar muito parecidas com o Bloco de Esquerda e o PCP.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Níveis históricos de impopularidade

Os níveis de impopularidade de Donald Trump são anormais tendo em conta que só passaram seis meses desde a tomada de posse como Presidente dos Estados Unidos. 

As guerras que o chefe do Estado comprou com a imprensa e em certa medida, também com os republicanos afectam a imagem de um líder que se pretende segura. No entanto, as eventuais ligações à Rússia não caem bem junto do eleitorado norte-americano que considera Moscovo como o principal inimigo.

Em pouco tempo, Trump raramente conseguiu unanimidade junto das pessoas nas decisões políticas que toma. O problema não está unicamente na governação, mas na forma como apresenta a Casa Branca para dentro e fora dos Estados Unidos. As constantes mensagens no twitter não é a melhor forma para um presidente comunicar, sobretudo se pretende arranjar conflitos com outras personagens porque dificilmente se entende o sentido das palavras.

Não se pode fazer um escrutínio completo apenas pelos tweets.

Não acredito numa recuperação da imagem presidencial junto das pessoas, mesmo que obtenha uma vitória em 2020, porque dificilmente haverá mudanças de estilo. Contudo, Trump começa a ganhar estofo para se mexer nos bastidores da política norte-americana. A ausência de críticas aos democratas mostra que sabe gerir os dossiers. Neste momento, interessa responsabilizar os republicanos. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

An 2012: Uma liderança insegura a passageira

A liderança de António José Seguro no Partido Socialista foi uma das piores de sempre. A vitória sobre Francisco Assis parecia indicar algo positivo, mas a forma como se dirigiu aos militantes socialistas no dia da eleição não augurava nada bom.

Apesar da reeleição em 2013 nunca recolheu simpatia junto dos militantes nem dos portugueses. A falta de capacidade política acabou por ser um sinal constante durante as intervenções na Assembleia da República com Pedro Passos Coelho. O acto eleitoral em 2013 é um passo para o abismo, já que, um ano depois é destronado da liderança por António Costa. O actual primeiro-ministro só não se candidatou antes porque as sondagens lhe eram desfavoráveis e ainda acumulava cargo na Câmara Municipal de Lisboa.

Apesar de tudo, ainda liderou os socialistas durante o período da crise e mais problemática para o governo PSD-CDS. O discurso de Seguro nunca mudou, roçando mesmo o ridículo, num debate em que pediu ao primeiro-ministro o fim do sigilo bancário por causa da polémica do não pagamento de dívidas no prazo à segurança social. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ano 2012: A eleição mais fácil para Obama

A corrida para o segundo mandato na Casa Branca tornou-se bastante fácil para Barack Obama. Em primeiro lugar porque não teve concorrentes nas primárias, já que, a recandidatura seria sempre vantajosa contra qualquer oponente. Em segundo, o presidente norte-americano sempre teve o partido na mão. Por fim, na eleição geral derrotou claramente Mitt Romney.

As eleições acabaram por ser desinteressantes porque não houve primárias nos democratas e nos republicanos a candidatura de Mitt Romney derrotou bastante cedo os restantes 12 candidatos que desistiram ao longo do percurso. 

O grande confronto estava marcado para Novembro de 2012 entre Romney e Obama. O democrata ganhou no voto popular, na percentagem, além de ter conquistado maior número de votos eleitorais. Neste aspecto, o presidente esmagou Romney com 332 contra 206. A percentagem foi o factor mais equilibrado, já que, no voto popular, Obama conquistou mais cinco milhões que o opositor. 

O empresário republicano obteve um melhor resultado do que em 2008, onde tinha perdido nas primárias, mas os números mostram que ainda existia uma grande diferença entre um político e alguém com pouca experiência em cargos públicos, apesar de Romney ser considerado como membro do establishment republicano. Nestas eleições, um dos grandes apoiantes foi Donald Trump. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Rússia coloca Trump num beco sem saída

A Rússia tem tido domínio político sobre os Estados Unidos. As alegações de envolvimento de Moscovo nas eleições norte-americanas do ano passado são uma vitória para Putin, mesmo que continue a negar qualquer interferência.

O Kremlin assiste à degradação e perca de força dos Estados Unidos a vários níveis, mas sobretudo no plano político e militar. A entrada da Rússia na guerra da Síria impediu os norte-americanos de substituir Bashar al-Assad e criar um clima favorável na região. Neste momento, são os russos que anunciam a morte do líder do Estado Islâmico e constroem infraestruturas de apoio ao desenvolvimento militar no Médio-Oriente. 

A presidência de Trump pode ser colocada em causa devido às ligações a Moscovo. O actual presidente norte-americano tem sido uma marioneta ao serviço de Putin. O aperto de mão entre os dois líderes favorece mais o líder russo que Trump por causa do sentimento anti-Moscovo ainda existente nos Estados Unidos. Qualquer passo dado pelo líder norte-americano no sentido de tentar estabelecer relações com a Rússia será sempre alvo de críticas. O problema é que Trump não pode virar as costas numa altura em que apareceram mais provas que o ligam ao regime, sobretudo com a troca de emails entre o filho e responsáveis russos.

A estratégia montada por Moscovo tem tido resultados porque cria caos político nos Estados Unidos. O presidente norte-americano fica numa posição bastante fragilizada, enquanto Putin continua a sorrir. As críticas são todas dirigidas à forma como Washington deixou Moscovo entrar na Casa Branca. Em primeiro lugar, com um presidente supostamente apoiado pela Rússia. Em segundo, criando uma aparência de amizade que nunca será aceite em território norte-americano.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Sinais de insegurança de May

A tentativa de Theresa May unir todos os partidos em torno do Brexit não é má ideia, mas revela alguma insegurança política por causa das críticas dos conservadores. 

A posição da primeira-ministra não é favorável, pelo que, no próximo ano é possível que haja pedidos de demissão dentro do partido, enquanto os trabalhistas vão esperar por novo acto eleitoral antecipado. Os conservadores vão tentar mudar de líder sem recorrer a eleições gerais, mas as confusões podem originar um aproveitamento do Partido Trabalhista no plano político e também nas sondagens. 

Os apelos a uma unidade nacional e à cooperação dos restantes partidos só acontece porque May está frágil dentro dos conservadores. No último ano, raramente falou em união para ultrapassar os problemas do Reino Unido. O Brexit também exige um comportamento adulto das restantes forças, só que a primeira-ministra está a pedir mais do que isso. 

As outras forças não devem corresponder à chamada da primeira-ministra por causa da jogada que esteve na origem da antecipação das eleições e também devido à vontade de realizar o chamado "Hard-Brexit", algo que, nem os trabalhistas e liberais-democratas estão dispostos a aceitar. 

O isolamento dentro do partido é cada vez maior, pelo que, precisa de procurar apoio fora para ter legitimidade política nos próximos anos. Na minha opinião, haverá eleições dentro de dois anos depois da conclusão das negociações com a União Europeia, sendo que, a primeira-ministra ainda pode liderar o navio, mesmo havendo acto eleitoral interno nos conservadores em 2018. No entanto, os primeiros sinais depois das eleições de 8 de Junho são bastante preocupantes, mas May parece ter características semelhantes a Margaret Thachter.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Ano 2012: Mudanças na política internacional e no desporto

A reeleição de Barack Obama na Casa Branca acaba por ser um acontecimento natural tendo em conta a história da política norte-americana dos últimos anos. O democrata ganhou as primárias sem oposição, já que, costuma ser a prática sempre que um Presidente se recandidata. Nas eleições gerais derrotou Mitt Romney por uma grande diferença. 

O segundo mandato de Obama é mais virado para a política externa com o reatamento das relações com Cuba, a assinatura do acordo de Paris relativamente às alterações climáticas e a confirmação que a Rússia é o principal inimigo dos Estados Unidos.

A eleição de Xi Jinping para a liderança do Partido Comunista Chinês é mais importante que a continuidade de Obama em Washington. Xi Jinping só substituiu o presidente Hu Jintao em 2013, mas também começaram a sentirem-se mudanças, sobretudo na aproximação aos Estados Unidos. A China começou a investir na Europa, além de ter contribuído para o acordo celebrado em Paris 2015. 

Numa altura em que as grandes potências definiam as principais orientações, a Europa continuava mergulhada numa crise financeira sem fim à vista. A Grécia e Portugal estavam sob alçada da troika, mas os alarmes voltaram a soar com os resgates a Espanha e Chipre. Apesar de serem menos graves que as situações portuguesas e gregas, começou novamente a se falar em efeito dominó. 

O desporto mundial teve de engolir os casos de doping dos ciclistas Lance Armstrong e Alberto Contador. O norte-americano confessou que tomou substâncias proibidas durante os anos em que venceu o Tour de France. O espanhol também acabou por ser apanhado depois de ter conquistado a prova francesa pela terceira vez em 2010. 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

A impossibilidade dos britânicos continuarem ligados à Europa

O discurso agressivo de Theresa May sobre a necessidade de um hard-Brexit contrasta com a vontade do Reino Unido manter uma ligação com a União Europeia após 2019.

Não existe possibilidade de estar com um pé dentro ou fora do clube europeu. A população do Reino Unido escolheu ficar com os dois pés de fora porque para se manterem conectados à Europa tinham votado favoravelmente. 

O actual quadro geopolítico não permite que se mantenha uma relação porque cada um dos blocos serão concorrentes, sobretudo na aproximação aos Estados Unidos, situação que os britânicos têm enorme vantagem. A nível económico também se vai verificar uma enorme competição e desigualdade. A UE continua mergulhada no desemprego, particularmente mais jovem, enquanto o Reino Unido mantém elevados níveis de crescimento. As realidades são completamente diferentes.

A manutenção do Reino Unido no mercado único traz mais benefícios aos cidadãos europeus do que à população britânica, embora seja neste momento a questão que coloca instabilidade dentro dos principais partidos além de ser o aspecto de divisão. 

O contraste entre o que Theresa May diz para fora e a vontade revelada dentro dos gabinetes onde decorrem as negociações complica a posição do Reino Unido perante os restantes membros da União Europeia. A primeira-ministra também fica fragilizada porque apresenta duas ideias diferentes. O resultado nas recentes legislativas pode alterar o desejo de realizar apenas um soft-Brexit.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Dois casos de má gestão política

O governo liderado por António Costa não geriu bem as duas últimas situações políticas, como os incêndios e o roubo de armas em Tancos.

O primeiro-ministro permitiu que a oposição pudesse atacar os ministros responsáveis pela Administração Interna e Defesa. Os dois ficaram frágeis politicamente devido à inacção do chefe do governo. 

A grande preocupação de Costa passou por resolver as situações, mas deixou que se criticasse o executivo antes de colocar um ponto final no assunto. O circo mediático pelo qual também se deixou envolver, anestesiou todos os principais responsáveis porque a enorme onda de solidariedade poderia impedir que se apontassem culpas por se tratar de situações naturais, como o incêndio em Pedrogão. 

Neste momento não há salvação possível para os ministros da Administração Interna e da Defesa, mesmo que rolem cabeças nas chefias dos organismos. A demissão de cinco generais não abafou as críticas. Costa continua desinteressado em defender os colegas, mantendo-se em férias numa altura em que Azeredo Lopes e Constança Urbano de Sousa precisam de apoio. 

Não se esperava uma má gestão política de um primeiro-ministro que tem fama de ser um excelente político.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Os desafios do Ocidente dividido

O Ocidente tem que se confrontar com várias ameaças ao mesmo tempo que começa a perder apoios internacionais.

A saída de cena dos Estados Unidos e o Brexit são dois aspectos que aumentam as divisões políticas e sociais. Os vários estilos de liderança não permitem que haja unanimidade em determinados assuntos importantes para o crescimento e influência do Ocidente.

Nos últimos anos tem havido um enorme decréscimo da influência das decisões ocidentais noutros cenários como acontece na Síria. O peso político nem o militar conseguem derrubar as outras potências emergentes. O mais grave são a degradação das condições económicas. 

A eleição de Donald Trump contribuiu para as tensões e desconfiança, mas as costas começaram a virar com Barack Obama. Os países europeus também não podem ficar eternamente à espera que os Estados Unidos mudem de postura de quatro em quatro anos. Tem de haver um caminho traçado pela União Europeia sem depender daquilo que fazem os norte-americanos porque estes não vão carregar o fardo para sempre. 

O desinteresse dos Estados Unidos em contar com a UE está relacionado com a maneira como a França e Alemanha dirigem o processo europeu, e a saída do Reino Unido abre portas a um novo entendimento com o aliado mais velho de sempre. 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

A última oportunidade para construir unidade na União Europeia

A saída do Reino Unido da União Europeia abre um novo capítulo na história da entidade supra-nacional. A correlação de poderes perde uma potência com capacidade para bloquear as intenções do eixo franco-alemão.

O futuro do clube europeu sem os britânicos já está a ser preparado pelas duas forças habituais, embora haja esperança numa União Europeia mais democrática com a eleição de Emmanuel Macron. Os alemães também falam mais em legitimidade democrática do que aconteceu nos últimos vinte anos. As duas principais potências económicas e políticas do continente podem iniciar o processo de reformas, mas o debate tem que incluir todos os países, sob pena de haver uma nova revolta que coloque definitivamente tudo em causa.

A capacidade dos países do leste europeu, a intenção de abrir o processo de alargamento a outros actores, como a Sérvia, e recuperação económica de Espanha são factores que a França e a Alemanha não podem ignorar. Apesar do poder dos dois países, haverão outros com capacidade para influenciar os destinos das políticas europeias porque os problemas não afectam apenas o centro da Europa, mas também o leste. 

A França e a Alemanha têm de mostrar abertura e vontade de fazerem parte de um grupo unido, em vez de recolherem benefícios dos restantes intervenientes internacionais por se encontrarem numa posição de liderança dentro da União Europeia. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Os dois caminhos que o Brasil ainda pode evitar

A crise política no Brasil relacionada com a investigação de processos judiciais vai originar alterações profundas no futuro. A resignação não será a atitude dos brasileiros nesta situação porque o escândalo nem sequer é aceite junto da elite.

A vergonha é algo com que os brasileiros não vão lidar por causa da corrupção que envolve os políticos. O país está novamente nas bocas do Mundo por piores razões, apenas três anos depois da realização de grandes eventos desportivos que voltaram a dar uma boa imagem.

A classe política mancha tudo o que o Brasil tem de bom. O futebol, o samba, as paisagens e as produções artísticas.

O problema é que o país não pode ser governado por Neymar, Deborah Secco ou Gilberto Gil, pelo que, é necessário escolher um político que saiba liderar e esteja imune às tentativas de suborno. Os últimos desenvolvimentos não deixam ninguém descansado porque parece que a teia ainda é maior do que se pensava. Por outro lado, o poder judicial também não tem credibilidade junto da opinião pública.

Neste momento, existem duas soluções plausíveis. A entrada em cena dos militares ou a eleição de um candidato com características semelhantes a Nicolás Maduro. No primeiro caso, corria-se o risco de se chegar a uma ditadura militar pouco comum na América Latina, mas a segunda opção pode trazer um candidato parecido com Nicolás Maduro. A história democrática do Brasil não aceita nenhuma das soluções, pelo que, em 2018 ainda se vai tentar construir um novo caminho neste regime.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Rússia não pode ser o principal inimigo do Ocidente

A constante retórica do Ocidente contra a Rússia é a principal arma para esconder alguns problemas graves que não foram bem resolvidos. 

A insistência da anterior administração norte-americana liderada por Barack Obama em arranjar um inimigo comum do ocidente não correu bem porque foram outras potências que estiveram no radar das políticas ocidentais, nomeadamente os maiores países do Médio-Oriente e a Coreia do Norte. 

Os sucessivos desafios dos países ocidentais, nomeadamente europeus, não correram bem, pelo que, importa colocar pressão em Moscovo com o intuito de arranjar uma desculpa para os falhanços. Neste campo, os diferentes discursos dos responsáveis europeus com as atitudes de aproximação da Alemanha e da França revelam desorientação sobre a melhor forma de lidar com a questão. 

A alteração da política externa norte-americana relativamente a Moscovo também implica mudanças na União Europeia, já que, nenhum dirigente europeu pretende estar ao lado de Trump. A verdade é que as investigações sobre as ligações do presidente norte-americano à Rússia também significa diferentes posições. 

A Rússia não pode ser vista como o principal inimigo do Ocidente, numa altura em que se enfrentam desafios como o terrorismo, imigração e outras situações. A política de Obama falhou totalmente porque permitiu a Moscovo definir um caminho próprio com sucesso. Neste momento, os russos têm mais influência na Síria do que os norte-americanos. 

Não haverá qualquer conflito porque Putin sabe os limites, apesar do que aconteceu na Ucrânia, mas não se pode dar importância mundial a uma simples anexação de um pedaço de território como é a Crimeia. Na minha opinião, o autoritarismo crescente de Erdogan na Turquia é muito mais preocupante.

sábado, 24 de junho de 2017

Ano 2011: A coligação de direita que cumpriu o mandato

O PSD venceu as eleições legislativas de 2011, mas sem maioria absoluta. Apesar das trapalhadas de José Sócrates, o novo líder social-democrata não conseguiu conquistar deputados suficientes para liderar o pais sozinho, pelo que, seria necessário efectuar uma coligação. 

O parceiro habitual dos sociais-democratas no governo sempre foi o CDS-PP. Paulo Portas voltava ao executivo depois de ter estado entre 2001 e 2004 com Durão Barroso e Pedro Santana Lopes. O único rosto que se manteve na política portuguesa seria o de Portas.

O CDS conseguiu a marca histórica de 24 deputados. O PSD venceu com 38%, mais dez que o PS. Os comunistas conquistaram 7% e o Bloco de Esquerda ficou na última posição com 5% e apenas oito deputados. 

O entendimento entre os dois partidos acabou por ser natural porque o país precisava de um governo estável para enfrentar as dificuldades impostas pela troika. O presidente da República ainda tentou alcançar um consenso entre os partidos do arco da governação devido aos problemas financeiros, mas apenas PSD e CDS se uniram, mesmo que o Memorando de Entendimento também tivesse a assinatura dos socialistas, que escolheram António José Seguro como sucessor de José Sócrates. 

O governo PSD-CDS cumpriu a legislatura, mesmo tendo enfrentado a pior crise financeira da história do país. Os portugueses renovaram a confiança na coligação, apesar de não ter tido maioria absoluta, mas o primeiro lugar nas legislativas de 2015 merecia uma oportunidade para continuar o trajecto de crescimento. 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Recuo estratégico de Corbyn

As palavras de Jeremy Corbyn na Câmara dos Comuns depois do Discurso da Rainha revelam um recuo face à mensagem transmitida durante a noite eleitoral.

O líder trabalhista não voltou a pedir a demissão da primeira-ministra porque sabe que não tem uma maioria a apoiá-lo. Apesar da suposta colaboração entre os conservadores e o DUP não garantir estabilidade durante quatro anos, Corbyn tem praticamente nada para apresentar. 

A posição assumida pelo trabalhista foi bem diferente porque admitiu que o partido não estava apenas na oposição, mas em posição para chegar brevemente ao governo. Corbyn teve uma atitude mais inteligente que António Costa e Pedro Sanchez.

O Partido Trabalhista só consegue conquistar o poder se mostrar que tem um programa melhor que os conservadores no plano interno. No Brexit os conservadores devem alcançar os desejos pretendidos pela população no referendo de 2016. O problema para Corbyn é a possibilidade de Theresa May antecipar as eleições depois do Reino Unido sair da União Europeia. Tendo em conta que a primeira-ministra também é uma estratega, o opositor dificilmente tem hipóteses de vencer. 

A intenção de Corbyn recuar no pedido de demissão é uma boa jogada, já que, ninguém o perdoaria por iniciar uma crise política. A verdade é que os conservadores conseguiram uma colaboração parlamentar que permite governar durante dois anos em função das negociações com a União Europeia.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Como se vive uma tragédia "à portuguesa"

A época dos incêndios volta a colar o povo à televisão, num ano em que a selecção joga uma competição desinteressante como é a Taça das Confederações. A estreia da equipa de todos nós e do prevaricador melhor jogador do Mundo não entusiasma as pessoas, os media nem o presidente da República e o primeiro-ministro.

Nos últimos dias a tragédia de Pedrógão Grande dominou a atenção de todos, como sucedeu com acontecimento semelhantes fora do país. Desta vez o luto chegou ao nosso burgo e num ápice repetem-se os mesmos gestos que vimos sempre que a desgraça atinge os outros.

O primeiro momento é marcado por notícias da tragédia que rapidamente são comentadas nas redes sociais. Também nestas situações é mais fácil estar sentado a descrever aquilo que as imagens televisivas passam. Num instante o país fica a saber que o Chefe do Estado se desloca para o local, embora sem perceber qual e a razão, talvez para apagar o fogo....Mas não. Afinal era para continuar a presidência dos afectos e decretar três dias de luto nacional. O mesmo aconteceu com o primeiro-ministro que não pode deixar o presidente ter todo o protagonismo.

O segundo momento é sempre o mais difícil porque aparecem as imagens que ninguém gostaria de ver, mas são colocadas no ar durante horas seguidas para se perceber a magnitude da tragédia. Nesta fase começa a nascer uma onda de solidariedade por todo o país, talvez influenciada pelos afectos presidenciais às vítimas. A verdade é que os portugueses são fantásticos neste aspecto porque conseguem estar do lado daqueles que mais precisam. 

Na terceira e última fase chegam os especialistas cuja primeira missão é apontar falhas em tudo e mais alguma coisa. Os peritos nem sequer devem saber ligar uma mangueira, mas é preciso encontrar um bode expiatório. Qualquer um começa a escrever ou a falar porque é aquilo que, neste momento, as pessoas querem saber.  A pior parte é mesmo esta em que saem cá para fora as inúmeras mentes brilhantes de Portugal. 

A facilidade com que se passa da tristeza para as críticas nestas situações, revela que o espectáculo é mais importante que a vida das outras pessoas. Num ápice, aqueles que perderam tudo nos incêndios já não interessa porque a prioridade passa por apontar falhas. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Ano 2011: A demissão de José Sócrates

O primeiro facto político que originou as eleições antecipadas foi a demissão de José Sócrates.
O primeiro-ministro elaborou o PEC 4 para evitar pedir um resgate financeiro, mas nenhum dos partidos na Assembleia da República aceitou as medidas. Os partidos da esquerda e o CDS recusaram liminarmente ficar ao lado do governo em mais uma tentativa de fuga para a frente com duras medidas de austeridade. 

O PSD tinha sido o único partido que deu a mão ao executivo nos anteriores PEC´S. O problema é que Passos Coelho não se mostrou disponível para ajudar Sócrates.

No final da votação do diploma, Sócrates já estava a caminho de Belém para pedir a demissão a Cavaco Silva. O Presidente da República aceitou o pedido. 

O discurso de vítima não resultou nas eleições legislativas realizadas em Junho. A derrota de Sócrates deve-se ao pedido de resgate que o governo teve de realizar junto das instituições financeiras internacionais. O chumbo do PEC 4 foi apenas uma justificação para a demissão. Sócrates planeava culpar a oposição pela instabilidade política e tentar alcançar mais uma maioria absoluta, só que não contava com a chamada da troika. 

As jogadas políticas sempre foram o principal objectivo de Sócrates. Após ter falhado a conquista da maioria absoluta em 2011, não havia condições para a legislatura acabar porque não existiu qualquer compromisso do primeiro-ministro perante o novo quadro parlamentar. O PS abusou do apoio que o PSD deu nalguns PECS. 

As tentativas frustradas de Sócrates alcançar a maioria absoluta é algo que pode estar na cabeça de António Costa. O actual líder socialista também tem as mesmas artimanhas, como se viu, para chegar ao poder. O problema é que Costa ainda não ganhou eleições.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Um novo mau exemplo da política externa de Trump

O novo Chefe do Estado norte-americano decidiu terminar as relações diplomáticas com Cuba. A chantagem de Trump em solicitar reformas políticas no país em troca de apoio norte-americano nunca será uma boa jogada política, sobretudo se tivermos em conta a admiração do povo cubano pelo regime iniciado por Fidel Castro. 

O presidente acha que faz um favor ao mundo se exigir mudanças políticas em Havana, mas sabe perfeitamente que dificilmente consegue obter resultados, apesar de Castro ter anunciado que sai em Fevereiro de 2018. O ambiente causado pela administração norte-americana pode causar revolta em Cuba, ao ponto de ter um inimigo parecido com Kim Jong-un mais perto da fronteira com os Estados Unidos. A reacção dos lideres dos países sul-americanos é um indicador negativo que vai causar mais sentimentos negativos contra Washington. 

Os defensores de Trump podem argumentar que o presidente está a cumprir as promessas, mas não devem ter a coragem de dizer que está a actuar em nome dos Estados Unidos. 

O reatamento das relações entre os Estados Unidos e Cuba foi positivo em termos económicos e políticos. O esforço do Papa Francisco I para juntar os dois antigos inimigos acaba por ser deitado para o lixo por uma questão de intromissão nos assuntos internos. Nem sequer indico os apoios norte-americanos a grandes regimes totalitários.

Não existe coerência na política externa norte-americana. Não há um rumo definido, mas uma vontade em rasgar compromissos e terminar com o bom trabalho só porque se falou nisso na campanha eleitoral. Donald Trump pensa pouco na forma como os Estados Unidos podem ajudar na manutenção da actual ordem internacional. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O poder total de Macron

Os resultados eleitorais alcançados por Emmanuel Macron em apenas seis meses prometem uma mudança positiva na política europeia. Não se espera o surgimento de mais forças anti-sistema como aconteceu recentemente, mas irão nascer mais movimentos com vontade de criar novas ideias, em particular plataformas de debate. 

O novo Presidente francês aproveitou um vazio de ideias no país e na Europa para conquistar o eleitorado nacional, mas em breve também vai conquistar os restantes europeus. 

O que importa analisar são as vitórias eleitorais em França, terminando com o bipartidarismo entre Republicanos e Socialistas, além de acabar com o receio da Frente Nacional. Daqui a quatro anos o discurso de Marine Le Pen tem de ser outro porque as circunstâncias serão diferentes. 

O mapa político-partidário deixou de pertencer a dois partidos para passar a ser apenas de um. Tendo em conta que os dois partidos tradicionais estavam em crise esperava-se uma dispersão dos votos. O mau momento de forma dos Republicanos e Socialistas traduziu-se no poder absoluto do partido de Macron. De repente todos ficaram sem espaço no parlamento e no Eliseu. 

O poder de Macron não é absoluto, embora tenha total controlo sobre as instituições devido à maioria. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ano 2011: O engodo socrático

A crise política iniciada em 2011 que terminou em eleições legislativas iniciadas tem de ser explicada no contexto do pedido de resgate de Portugal ao Fundo Monetário Internacional. 

As peripécias do governo liderado por José Sócrates impediu que o problema tivesse sido resolvido mais cedo. Num ano em que Cavaco Silva se recandidatava a Belém, o país não precisava de mais actos eleitorais. 

A história de um ano politicamente intenso começa com as várias recusas de José Sócrates relativamente à necessidade do país pedir ajuda financeira. Numa primeira fase nem Teixeira dos Santos desacreditou o primeiro-ministro, mas depois teve que assumir algo que já todos esperavam. As agências de rating tiveram o primeiro encontro com os portugueses porque todos os dias Portugal baixava de escalão até ao último denominado Lixo. 

A oposição fazia cada vez mais barulho e só o Presidente da República mantinha uma postura coerente. Ou seja, não estava histérico, mas também mostrava preocupação.

Os sucessivos acontecimentos impossibilitaram uma análise fria, já que, Sócrates pedia para ser aprovado o PEC 4 no parlamento porque não tinha maioria absoluta e ao mesmo tempo já se vislumbravam sinais da troika. Uns dias depois pediu a demissão porque os partidos não apoiaram as medidas de austeridade, pelo que, a oposição seria responsável pela necessidade efectuar um pedido de ajuda financeira, tendo sido a principal acusação do líder socialista na campanha eleitoral que acabou por perder. 

No fundo, Sócrates sabia que tinha de pedir ajuda financeira, mas arranjou o PEC 4 como um pretexto para justificar a demissão e atacar a oposição. Muito simples!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Hipocrisia das nomeações políticas

Os partidos políticos deviam ter mais cautela sempre que criticam os adversários por nomearem dirigentes para os mais altos cargos da administração pública. 

O grande cancro da actual democracia é o chamado "job for the boys" que todos os partidos gostam de praticar sem terem em conta qualquer questão relacionada com o mérito. 

Os portugueses já perceberam que os partidos utilizam as nomeações políticas como arma de guerra com o intuito de ferir o oponente, mas ninguém leva a sério porque todos fazem o mesmo. Isto é, ninguém tem telhados de vidro nesta questão. 

O pior desta história relacionada com a TAP é uma nova interferência presidencial, embora isso também seja uma situação habitual. Normalmente, as reflexões de Marcelo Rebelo de Sousa terminam num telefonema e num comunicado à imprensa para confirmar que o Presidente tem mesmo tiques ditatoriais. 

A guerra nas nomeações promete colocar sempre em causa a capacidade da pessoa para realizar o trabalho. O debate será em torno da amizade ou cartão político e nunca pelo mérito profissional, podendo originar situações injustas. 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Os perdedores que reclamam o poder

A legitimidade democrática advém do voto popular, embora haja mecanismos constitucionais que permitem a formação de maiorias pelas forças que não ganharam as eleições, mas em conjunto ultrapassam em larga "maioria" os vencedores.

Nos últimos anos, o caso mais exemplar deste tipo de aproveitamento constitucional aconteceu em Portugal depois das legislativas em 2015. O Partido Socialista conseguiu juntar bloquistas e comunistas no parlamento para aprovar o programa de governo, antes de terem chumbado o programa da coligação PSD-CDS que obteve maioria simples no parlamento. 

Durante ano e meio em muitas eleições houve tentativa de recorrer ao mesmo sistema. As várias tentativas de Pedro Sánchez imitar o líder socialista português chocaram na intransigência do Podemos manter um compromisso com os eleitores. O último exemplo desta forma de conquistar o poder surgiu na sequência do resultado das eleições britânicas. O pedido de Jeremy Corbyn para Theresa May se demitir do cargo de primeira-ministra lembra o que aconteceu há dois anos em Portugal.

Não se coloca em causa a legitimidade constitucional das acções realizadas por três líderes socialistas que foram derrotados e preferiram conquistar o poder da população sem vencerem as eleições. O caminho torna-se mais complicado para um primeiro-ministro que não teve uma vitória nas urnas. Os sistemas são diferentes, mas a população portuguesa, espanhola e britânica deu um sinal claro que não queria qualquer dos líderes partidários no comando do governo. A população enviou uma segunda oportunidade aos governos que se encontravam no poder, embora retirando mais força para encontrarem outras soluções no quadro parlamentar. 

Os líderes derrotados tinham mais possibilidade de chegar ao poder caso obtivessem bom desempenho na oposição, mas optaram pela via mais fácil. A vitória política de António Costa não teve seguimento com Pedro Sánchez, pelo que, aguarda-se o que acontece com Corbyn. O mais preocupante no líder do Partido Trabalhista é não conseguir formar uma maioria com todos os partidos da oposição, além de que dificilmente se consegue juntar Liberais-Democratas com socialistas e nacionalistas escoceses. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ano 2011: A Primavera que originou o actual terrorismo no Mundo

As revoluções políticas e sociais que tiveram início durante o ano de 2011 são responsáveis pela onda de terrorismo que o mundo vive actualmente.

O Ocidente aplaudiu com bastante força as quedas de Hosni Mubarak, Muammar Gaddafi e Ben Ali, além de ter assistido à redução do poder de Bashar al-Assad. Os tiranos sempre olhados com desconfiança pelas potências ocidentais, com os Estados Unidos à cabeça, estavam a perder poder e a democracia iria ser pacificamente instalada naquelas regiões. Puro engano.

Após seis anos de intensos combates entre forças do governo e grupos opositores a conclusão é que tudo devia ter ficado como estava. As constantes trocas no poder, sobretudo no Egipto trouxeram instabilidade na região e no mundo. 

O único caso de sucesso na região acabou por ser a Tunísia, já que, a Líbia e a Síria resultaram em guerras civis com ou sem a manutenção dos ditadores no poder. No Egipto a Irmandade Muçulmana chegou ao poder, mas os generais conseguiram recuperar o país, embora também se desconfie do uso da força por parte de Al-Sisi. 

O Ocidente manifestou satisfação pela queda dos ditadores, mas agora não sabe responder ao domínio territorial dos grupos terroristas, que pretendem subverter a ordem ocidental, principalmente na Europa. 

O mais provável é a divisão de países como a Síria, Yemen e a Líbia, o que dará para os grupos terroristas terem poder, embora sempre controlado pelos maiores exércitos. 

A culpa do actual clima de guerra na região não é do Ocidente, mas os apoios contra determinados regimes deu errado. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A estratégia de Theresa May para 2019

A convocação de eleições antecipadas por Theresa May não serviram apenas para oferecer um mandato seguro ao vencedor nas negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. O que estava em causa também era a legitimidade política da sucessora de David Cameron.

A primeira-ministra não podia conviver com a oposição sempre a pedir eleições antecipadas, pelo que, antecipou-se ao ruído e decidiu ir a jogo sem medo. O resultado final não é brilhante, mas garante a manutenção dos conservadores no poder apoiados por um partido que nem sequer pretende ir para o governo nem exige alterações ao rumo definido no manifesto. 

Nestas condições, Theresa May tem carta branca para garantir o "hard-brexit" desejado pelos conservadores mais eurocépticos e pela maioria da população porque conquistou a vitória, contrastando com a vontade da oposição ficar perto da União Europeia. Tendo em conta que os interesses do Reino Unido serão a prioridade do novo executivo, qualquer acordo será aceite pela população, embora criticada pela oposição. 

A primeira-ministra lidera um governo minoritário, mas continua com maioria no parlamento, embora suportada por dois partidos. 

O que muda é a força do executivo e da maioria porque a oposição continua minoritária. Apesar do bom resultado alcançado pelo Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn vai enfrentar novo acto eleitoral interno. Os Liberais-Democratas cresceram, mas continuam com poucos deputados e o UKIP desapareceu do parlamento. Por outro lado, os nacionalistas escoceses perderam força para reclamar mais um referendo. Os quatro maiores partidos da oposição nem sequer alcançam o número de deputados dos conservadores. A única novidade é a força de algumas forças da Irlanda do Norte do País de Gales. 

A estratégia de May passa por convocar novas eleições em 2019 após a saída do Reino Unido da União Europeia. O acordo fará com que os conservadores reconquistem a maioria absoluta para iniciarem um novo caminho no Reino Unido sem as leis provenientes de Bruxelas. Só por esta razão, Theresa May arriscaria ser primeira-ministra sem estabilidade interna e tendo de enfrentar os poderes europeus praticamente sozinha.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A escolha de um líder para enfrentar a União Europeia

Os britânicos voltam às urnas, dois anos depois das últimas legislativas e um após o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia.

Nos últimos anos houve várias mudanças que proporcionaram o actual ambiente político. As alterações nos partidos políticos trouxeram novas abordagens e filosofias. Num ápice, Nigel Farage deixou de ser uma figura proeminente do UKIP e o Partido Trabalhista continua sem acertar na liderança. Os conservadores reforçam o poder graças ao trabalho de David Cameron. 

O Reino Unido não pode continuar neste sobressalto político se pretender ter sucesso nas negociações com a União Europeia. Nunca haverá união entre todos, mas é fundamental que haja uma liderança forte e coesa para fazer face ao poder em Bruxelas na hora de dizer adeus porque os dirigentes europeus não querem facilitar a vida aos britânicos. 

O que está em causa nestas eleições não é a eleição de um líder que efectue reformas internas na economia e nos sectores sociais porque o trabalho já está feito graças aos governos Cameron desde 2010. Neste momento, será preciso alguém que defenda os interesses do país junto de Bruxelas. 

Por estas razões, faz sentido realizar um acto eleitoral antes de 2020, independentemente dos números das sondagens beneficiarem Theresa May. Desta vez, os britânicos vão eleger o representante do Reino Unido no confronto com a União Europeia e não um governo, pelo que, a líder dos conservadores ganha vantagem sobre Corbyn, mesmo que os recentes atentados possam dar o poder dos trabalhistas terminarem com os bombardeamentos aéreos na Síria. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O Presidente que se mantém no lado errado da história

As decisões do presidente norte-americano em sair do acordo climático e acusar o Irão de apoiar o terrorismo internacional mostram que está no lado errado nas duas questões.

O abandono do acordo de Paris poderia ter sido feito noutra altura e numa circunstância em que as restantes potências também demonstrassem vontade em alterar o texto final. A polémica decisão de Trump isola os Estados Unidos do resto do Mundo, sendo o único alvo das críticas, dando possibilidade à China e Rússia fingirem que vão ratificar o acordo sem serem sancionadas. O presidente norte-americano preferiu seguir outro caminho mais difícil de justificar. 

Na recente viagem ao Médio-Oriente, Trump colocou-se ao lado da Arábia Saudita na tentativa de acusar o Irão de apoiar o terrorismo internacional. Os recentes atentados em Teerão provam que o presidente continua a apontar o dedo ao inimigo errado, já que, o regime saudita é considerado um dos principais financiadores de grupos terroristas. 

A guerra comprada com o Irão por causa do acordo nuclear impede o actual chefe de Estado norte-americano de terminar as ligações com os sauditas, que também pretendem diminuir a influência de Teerão na região, sobretudo no Yemen. Trump apoia a entrada de terroristas no Yemen para instalar um novo regime suportado por Riade. 

As ligações estabelecidas baseiam-se erro estratégico, ignorância ou apenas defender os interesses de outros grupos. Quaisquer que sejam os motivos de ter tomado as decisões, é certo que causa indignação e revolta. O alerta dado por várias entidades parece não ter surtido efeito. 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Saída pela porta pequena e com a justiça à perna

Nos últimos anos o país assistiu a várias operações judiciais envolvendo pessoas sonantes do meio político, económico e financeiro.

O caso que mexeu mais com as pessoas esteve relacionado com a Operações Marquês onde o primeiro-ministro José Sócrates foi constituído arguido, estando à espera da acusação. O poder judicial chegou ao topo de uma pirâmide difícil de alcançar, já que, sempre se falou numa justiça pobre e outra para ricos. 

A maior parte dos processos judiciais envolve corrupção, pelo que, existe um padrão semelhante em todos as situações que começam a surgir. Os nomes de Ricardo Salgado, Oliveira e Costa e António Mexia estão ligados a casos de corrupção em grandes empresas privadas, embora também haja ligações ao poder público. 

Não se pode falar num problema semelhante ao do Brasil, porque o que se passa em Portugal com a utilização de crimes graves para manutenção do poder em empresas privadas, mas sempre a piscar o olho aos interesses públicos com o objectivo de arranjar um lugar na administração do Estado. 

Os grandes empresários começam a perder poder de influência, mas saem pela porta pequena e com a justiça à perna. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Os maiores desafios da história da UE

A União Europeia vive a pior crise desde a fundação na segunda metade do século passado.

Os desafios são cada vez maiores e parece que existe sempre mais um problema que ameaça a coesão interna. A saída do Reino Unido é o pior acontecimento político, sendo que, o terrorismo ocupa a primeira posição a nível social. No entanto, o combate aos terroristas tem de ser global porque todos são atingidos. 

As questões políticas afectam a união e a solidariedade dentro e fora das instituições, pelo que, não pode ser a Alemanha e a França a conduzirem os destinos políticos da União Europeia consoante os desejos dos respectivos líderes. 

Apesar da posição do Reino Unido, a União Europeia teme mais o poder da Rússia e o afastamento dos Estados Unidos porque com a influência do primeiro sobre os países do leste tem menos capacidade de expansão e sem os norte-americanos não consegue resolver situações como o combate ao terrorismo, as intenções de Putin e a guerra na Ucrânia. A crise económica será gerida apenas e só pelos membros da moeda única. 

As reacções negativas ao Brexit e à suposta ameaça russa afastam os países que gostariam de optar por uma solução diferente. Os membros mais fortes incluem os menos poderosos em decisões pouco debatidas. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Trump seguiu o exemplo das grandes potências

A saída dos Estados Unidos do acordo de Paris para combater as alterações climáticas não é apenas um acto político contra o documento. As justificações de Trump vão ser bem aceites pelos norte-americanos, mas o resto do Mundo, sobretudo a Europa, têm razões sentirem preocupações porque se trata de mais um abandono depois de ter rasgado o TTP e pensar em alterações ao NAFTA. 

O presidente norte-americano deu um sinal importante que não cede aos interesses globais nem às ameaças constantes contra o aparente isolamento dos Estados Unidos se terminar a cooperação com a comunidade internacional em algumas matérias. Trump não está a revogar as medidas de Obama, mas reverter algumas benesses concedidas pela anterior administração. 

O passo dado por Trump também vai ser seguido pelas outras grandes potências, que ainda revogaram o acordo. Apenas os países pequenos, como Portugal, se apressaram a cumprir as ordens provenientes dos poderosos. 

O discurso proferido na Casa Branca segue a mesma linha de pensamento da recente cimeira da NATO, onde choveram críticas aos maiores países europeus por causa da falta de contribuição financeira. 

Não se pode condenar a tentativa de Trump proteger a população norte-americana em vez de ficar na linha da frente na resolução dos problemas do planeta. O problema é que noutras matérias, como o combate ao terrorismo, a participação de Washington é fundamental. 

Na verdade, a questão climática não está no topo das prioridades das grandes potências. Há décadas que se tenta chegar a um entendimento, mas ninguém se preocupa com as pequenas ilhas do Pacífico que correm o risco de desaparecer daqui a cinquenta anos. Neste aspecto, os Estados Unidos não podem ser apontados novamente como o grande culpado. 

terça-feira, 30 de maio de 2017

A União Europeia continua a ser o alvo de todas as críticas

As críticas à forma como a União Europeia geriu o dossier dos refugiados continua a merecer críticas de todos os quadrantes, dentro e fora do espaço europeu. 

A ajuda dada por muitos países não tem sido valorizada, sendo preferível apontar o dedo aos prevaricadores. Neste aspecto, o Leste europeu está debaixo de fogo, ao contrário do sul da Europa que merece elogios, sobretudo Portugal e Espanha. 

As decisões relativamente aos refugiados deveriam ser tomadas colectivamente e não individual como tem acontecido nalgumas ocasiões. No entanto, também se percebe as posições que visam proteger as populações. 

O que interessa é entender a forma como a União Europeia vai responder ao problema sem continuar a ser alvo de críticas por parte de todos os actores. Por um lado, não se pode fugir ao acolhimento porque chegam barcos todos os dias ao sul da Grécia e de Itália. Por outro, o continente europeu não tem de permanecer como porto de abrigo de milhares de pessoas. Tendo em conta que se tem olhar para as duas hipóteses, a resposta nunca pode ser fechar as portas ou deixar entrar todos os que procuram a Europa para viver. 

A solução passava por criar critérios para aceder a determinados direitos, à medida que a integração se concretizava. Apesar das desvantagens e vantagens, seria a melhor de evitar fechar as portas ou correr riscos se todos pudessem entrar.

No plano politico, a União Europeia, incluindo os países mais acolhedores, sofrem pressões para adoptar a segunda solução. Ou seja, abrir totalmente as portas. 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

As migrações actuais impedem respostas solitárias dos governos

Os fluxos migratórios ocorridos nos últimos anos estão a mudar o mundo. A deslocação de pessoas ocorre não apenas por questões relacionadas com a guerra, mas também devido a outras razões, como as alterações climáticas. 

As constantes mudanças que originam migrações não estão a ser acompanhadas pelos governos, já que, existe falta de preparação para os principais problemas que causam constrangimentos nas vidas das pessoas. 

Independentemente da causa, as populações são as que mais sofrem, mas os países desenvolvidos também vão ser afectados porque serão o porto de abrigo, como se viu no recente fluxo de migrantes par a Europa. Ou seja, uma inundação numa ilha não tem consequências só naquela localidade. 

A velocidade também impede que se tomem soluções acertadas. A era da tecnologia trouxe conhecimento em tempo real do que se passa na China, Índia, Portugal ou Nepal. Quanto mais rápido tiver que se actuar, dificilmente consegue chegar a uma opção que agrade a todas as partes. Por exemplo, se a população da ilha tiver que se deslocar rapidamente não há tempo para se decidir sobre a hospitalidade dos novos vizinhos.

Os factores referidos são importantes, mas a imprevisibilidade impede que se possa saber onde se vai realizar o próximo atentado ou inundação, pelo que, não se podem preparar planos alternativos. 

Os executivos deixaram de conseguir responder a todos os problemas decorrentes das migrações, precisando da ajuda das organizações humanitárias, pelo que, não existem condições para a portar continuar fechada. O tema não pode ser resolvido por cada um, mas em conjunto, como acontece com o ambiente.

sábado, 27 de maio de 2017

Ano 2010: A melhor temporada do Sp.Braga no futebol português e europeu

Os bracarenses entraram para a história do futebol português e europeu devido a dois grandes feitos.

O primeiro foi a luta histórica com o Benfica pelo primeiro lugar do campeonato até à penúltima jornada. Um grande braço de ferro entre as duas equipas, sendo que, o Sp.Braga perdeu a hipótese de vencer o título na deslocação ao Estádio da Luz. No entanto, a segunda posição significou a melhor posição de sempre no campeonato. 

O bom desempenho dos bracarenses na liga permitiu o acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O primeiro adversário era o Celtic, tendo vencido em casa por 3-0 e perdido por 2-1 na Escócia. 

Os guerreiros continuaram em prova, mas tinham de jogar perante o poderoso Sevilha. O jogo na Pedreira correu bem com uma vitória por 1-0. A derrota no Sanchez Pizjuan por 4-3 possibilitou a conquista de um feito inédito. O desafio dos bracarenses em Espanha foi um dos melhores de história do clube. A fase de grupos não correu bem, embora a eliminação para a Liga Europa permitisse ao clube atingir a final da prova em 2011 frente ao FC Porto. 

Os dois melhores anos do clube no campeonato e nas competições teve como timoneiro Domingos Paciência. O técnico fica ligado a uma parte importante da história, mesmo sem ter ganho títulos.

O Sp.Braga sofreu uma enorme transformação com a entrada de António Salvador em 2004, sendo que, os troféus surgiram no início da década. Os feitos alcançados em 2010 são menores se forem comparados com a vitória na Taça da Liga em 2013 e a conquista da Taça de Portugal em 2016.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ano 2010: Fim do processo Casa Pia

O processo Casa Pia terminou no dia 3 de Setembro de 2010, após ter sido iniciado em Fevereiro de 2003 com a detenção de várias pessoas, entre as quais Carlos Cruz, por suspeitas de abuso sexual a menores que pertenciam à instituição.

O escândalo teve início em 2003 com algumas revelações na comunicação social, mas o processo judicial só começou mais tarde. 

A maior parte das detenções ocorreu em Fevereiro e Julho de 2013, sendo que, no início do julgamento, em 25 de Novembro de 2004, estavam sete arguidos perante o juiz. 

O caso marcou o início de uma nova forma de relacionamento entre a justiça e a comunicação social devido à forma como todos foram escrutinados. A mistura da investigação jornalística com a judicial criou confusão ao ponto de ter havido nomes colocados pela imprensa, que nunca chegaram a ser acusados. 

O espectáculo em torno do processo levou a que se confundissem as duas investigações, havendo mesmo um sentimento contra ou a favor dos arguidos. A sociedade portuguesa seguiu o caso com bastante atenção por causa do envolvimento do antigo apresentador de televisão. As defesas dos arguidos também aproveitaram as câmaras de televisão para efectuaram o tempo de antena.

Após vários anos em torno do mesmo espectáculo, é possível afirmar que nem a justiça e a comunicação social cumpriram bem o papel que devem ter na sociedade portuguesa. Nenhuma das entidades pode cometer o mesmo erro.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O primeiro frente a frente entre a Europa e Trump

A primeira viagem internacional de Trump visa encontrar pontos de concórdia entre os Estados Unidos e os diversos países visitados pelo Presidente, mas também mostrar as diferenças que separa a actual administração de Barack Obama. 

A escolha dos locais a visitar tem algum sentido tendo em conta o momento conturbado que atravessa o mundo, sendo que, os Estados Unidos têm interesses nestes sítios.

A visita a Israel acaba por ser o momento mais relevante porque também por causa da questão israelo-palestiniana existe conflito entre o ocidente e médio-oriente. A mudança mais brusca de uma anterior administração norte-americana para a nova aconteceu na defesa dos interesses israelitas. Obama defendia dois Estados, enquanto Trump quer impor uma solução aos palestinianos. 

A primeira presença de Trump na Europa, devido a reuniões da NATO e do G7 é um teste à capacidade dos dirigentes europeus saberem receber um líder que criticaram durante muito tempo, chegando ao ponto de questionar a legitimidade democrática. Não se trata de nenhuma cimeira entre os Estados Unido e a Europa, mas a importância de vários países europeus nas duas organizações é sinal das primeiras discordâncias com Washington, sobretudo no financiamento da organização atlântica. 

Os responsáveis europeus vão ficar com uma primeira impressão de Trump e das exigências norte-americanas, mas também perceber qual é o sentido de orientação do Reino Unido. A velha aliança pode começar a construir algo em conjunto, deixando de fora a França e a Alemanha. 

Após a confirmação do apoio a Israel, todos esperam a primeiro ataque à Europa por parte de Trump.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Invulgar contestação social ao governo

O número de greves que o governo socialista teve de enfrentar não é normal, tendo em conta o apoio parlamentar do PCP. 

As manifestações ainda não são muitas, mas as greves são a mais gravosa forma de luta contra as medidas de qualquer executivo. Os sindicatos ultrapassaram os protestos na rua para prejudicarem o funcionamento dos serviços públicos.

No espaço de um mês, função pública, juízes e professores ameaçam paralisar os serviços em nome da falta de compromisso por parte do governo relativamente a várias situações. Por um lado, cada organização pode estar a pedir demais, mas por outro, o governo também pode nem sequer cumprir o que prometeu. 

O que interessa destacar é a falta de diálogo dos socialistas, mesmo estando reféns dos comunistas e bloquistas. A atitude demonstra que o PS pretende iniciar a próxima campanha eleitoral atacando os dois partidos que permitiram governar durante a legislatura. O próximo inimigo não serão os partidos da direita, mas os dois actuais parceiros. 

O governo socialista deveria passar incólume perante a contestação social, já que, supostamente cumpriu com as propostas. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Ano 2010: O início do domínio dos conservadores britânicos

As eleições britânicas de 2010 colocaram ponto final em 13 anos de poder dos trabalhistas, divididos entre Tony Blair e Gordon Brown.

A governação trabalhista, sobretudo, com Blair no poder, fica marcado pelo boom económico e a guerra no Iraque. No final da primeira década do século XXI, Gordon Brown permitiu que a desregulação originasse a pior crise económica no Reino Unido. 

O governo eleito após as eleições de 2010 teve que efectuar reformas económicas para tornar o Reino Unido numa potência. 

O caminho iniciado por David Cameron em Downing Street começou por ser complicado porque não obteve maioria absoluta, necessitando de uma coligação com os Liberais-Democratas. O executivo cumpriu os cinco anos de mandato, tendo-se tornado numa vitória para o primeiro-ministro, já que, há bastante tempo que nenhuma coligação conseguiu cumprir a legislatura. 

A população britânica reforçou a confiança nos conservadores em 2015. Cameron conquistou a maioria absoluta, reduzindo a importância dos restantes partidos que tiveram todos de mudar de liderança. Os trabalhistas elegeram o terceiro líder em apenas cinco anos. 

O primeiro-ministro demitiu-se porque perdeu o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia no ano passado, sendo substituído por Theresa May. A nova chefe do governo convocou eleições antecipadas para dia 8 de Junho de forma a tentar reforçar a maioria absoluta que detém no parlamento. 

A recuperação económica, o crescimento sustentado e a saída da União Europeia foram os principais factores das crescentes vitórias dos conservadores. O Reino Unido voltou a assumir uma posição independente em matérias como a economia, imigração, política externa, combate ao terrorismo. O estilo de liderança de Cameron e May também ajudaram à manutenção do poder. Por muito que se critique as fracas oposições de Ed Miliband e Jeremy Corbyn, o mérito tem de ser dado aos dois primeiros-ministros da década. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O reforço das máquinas partidárias

A vitória de Pedro Sánchez nas primárias para a liderança do PSOE mostram a importância das máquinas partidárias. O mesmo acontece com Jeremy Corbyn no Labour.

Apesar das duas derrotas eleitorais e de vários erros estratégicos que impediram o apoio de qualquer outro partido a um governo liderado pelos socialistas, os militantes votaram na continuidade. Durante o longo processo eleitoral que decorreu em Espanha, Sánchez fez quase tudo errado, o que também costuma acontecer com Jeremy Corbyn.

Os pequenos descontentamentos que se costumam traduzir em actos eleitorais internos já não têm força suficiente para impedir o líder derrotado de se candidatar e muito menos originar uma derrota eleitoral. Note-se as várias tentativas para demover Jeremy Corbyn da liderança do Partido Trabalhista sem qualquer resultado positivo. 

À medida que vão ganhando eleições internas, Pedro Sánchez e o líder inglês reforçam o poder, mesmo com focos de instabilidade. O problema é que as vozes críticas não têm expressão nas urnas.

Os exemplos nos partidos socialistas espanhol e inglês revelam que nem sempre a melhor solução é realizar eleições internas para deitar abaixo as fracas lideranças porque, nestes casos, houve um reforço do poder. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O povo brasileiro tinha razão

O Brasil continua com o mesmo problema de sempre. Os níveis de corrupção na política chegam às mais altas instâncias do Estado, sendo que, a possível destituição de Michel Temer é a segunda consecutiva pelos mesmos motivos que levaram à saída de Dilma Rousseff. 

Não há solução possível para um cultura instalada há muito tempo no país irmão.

O mais grave é algumas pessoas irem para a política com o intuito de serem impunes à justiça. 

Nesta situação nem as alegações de Temer afastam qualquer inocência antes de qualquer prova em contrário. O que está em causa é o precedente que se vai abrir na política brasileira. A partir deste momento, os próximos chefe do Estado ou mesmo os candidatos à presidência serão olhados com desconfiança. 

A classe política começa a ser escrutinada pela justiça brasileira, confirmando as queixas apresentadas pela população. Afinal o povo tinha muita razão. 

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A polémica mais perigosa para Donald Trump

As polémicas continuam a fazer parte do mandato de Donald Trump, mesmo sem completar 365 dias. 

As primeiras situações eram apenas questões menores, mais ligadas com política do que com questões éticas e morais, estando em causa opções estratégicas. 

O problema que o presidente norte-americano tem de resolver é muito maior, sendo que, a solução para abafar as notícias não pode ser só atacar tudo e todos. Donald Trump não se pode esconder no habitual ataque rasteiro que costuma fazer aos olhos dos norte-americanos e do mundo. 

A tentativa de condicionar o inquérito relativamente à possibilidade de Moscovo ter interferido nas eleições do ano passado é mais um sinal muito parecido com as críticas ao juiz que anulou a proibição de cidadãos de alguns países muçulmanos viajarem para os Estados Unidos, mais conhecido por Travel Ban, ou as pressões partidárias para colocar ponto final no Obamacare.

O padrão de Trump para resolver os problemas mais mediáticos tem sido sempre o ataque e a pressão sobre os agentes que contrariam a vontade executiva. 

Na minha opinião, o empresário dificilmente cumpre o mandato na Casa Branca.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Os tiques autoritários de Marcelo

As notícias que dão conta da eventual interferência de Marcelo Rebelo de Sousa no encerramento da Caixa Geral de Depósitos de Almeida revelam que temos um Presidente da República a roçar o autoritarismo. 

Aos poucos, Marcelo troca a presidência dos afectos por uma governação semelhante a alguns ditadores modernos que também começaram com pequenos gestos pouco mediáticos para acabarem em atitudes mais gravosas.

A comparação poderia ser exagerada se o poder do Presidente da República fosse limitado. Ou seja, caso não houvesse hipótese de interferir noutro tipo de situações, como a constituição de um governo. Por exemplo, se em 2019 nem PS ou PSD conquistarem maioria absoluta, serem obrigados a formarem um bloco central, tendo como primeira consequência a demissão de António Costa e Pedro Passos Coelho. 

O cenário não pode ser considerado irrealista porque a saída dos dois líderes partidários favorece as ambições de Marcelo Rebelo de Sousa em se candidatar a novo mandato em 2021. Tudo é possível numa pessoa que esteve dez anos como comentador político como única forma de conseguir vencer uma eleição. 

O mais grave é Marcelo se deixar envolver nesta questão por razões meramente mediáticas.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ano 2010: A primeira vitória de Dilma

As eleições brasileiras marcaram o fim do reinado de Lula da Silva. O antigo presidente cumpriu dois mandatos no Palácio do Planalto, pelo que, teria obrigatoriamente de sair da presidência.

Como acontece em muitas ocasiões, o Chefe do Estado escolheu um sucessor dentro do Partido dos Trabalhadores para a obra continuar. Lula nomeou Dilma Rousseff para tentar conquistar a cadeira do poder. 

O acto eleitoral acabou por ser um passeio para a candidata do PT. Dilma recolheu 56% da votação, contra 43% do candidato social-democrata, José Serra, 

Na primeira volta, a candidata conquistou 46% contra 32% de José Serra. Marina Silva ficou em terceiro 19% e Plínio de Arruda nem chegou aos 1%.

A governação de Dilma Rousseff mereceu a confiança dos brasileiros em 2014, embora dois anos depois, tivesse iniciado o processo de impeachment. 

O mandato da presidente esteve sempre marcado por ligações a Lula da Silva. Ninguém dissociou as opções tomadas por Dilma de uma vontade expressa pelo antigo presidente. A partir do momento em que os escândalos de corrupção começaram a afectar o nome de Lula, também saíram notícias sobre o envolvimento da presidente. 

Apesar de tudo, alguns responsabilizam a governação pelo crescimento económico e a redução das desigualdades sociais no Brasil. 

domingo, 14 de maio de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Emmanuel Macron - O candidato sem ideologia, que não é da esquerda nem da direita, ganhou as presidenciais francesas. A votação registada legitima Macron, embora o grande teste seja nas eleições legislativas. Apesar do triunfo, o grande feito do novo Presidente é a aceitação por parte dos dirigentes europeus. 

No Meio

Donald Trump - O polémico despedimento do director do FBI coloca novamente o presidente norte-americana na mira dos críticos. Não se percebe porque razão Trump gosta de demitir pessoas sem mais nem menos. Aos poucos vai metendo os amigos nos lugares mais importantes da administração.

Em Baixo

Jeremy Corbyn - O líder trabalhista assegura que não se demite caso perca as eleições legislativas. A declaração fez soar novamente os alarmes daqueles que sempre o criticaram, além de conferir legitimidade a um nascimento de um movimento logo depois da noite eleitoral.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

As derrotas consecutivas dos socialistas europeus

A esquerda está perto de sofrer uma nova derrota no Reino Unido. 

As mudanças de discursos de alguns partidos socialistas para zonas mais à esquerda tem tido consequências a nível eleitoral. O resultado nas eleições presidenciais em França é preocupante para a recuperação do poder por parte da esquerda tradicional, que também ficou sem importância depois das legislativas na Holanda.

A falta de soluções equilibradas estão a afastar os eleitores mais jovens, por causa do ataque excessivo às grandes empresas e aos negócios. A propaganda de Jeremy Corbyn continua a ser de um militante da extrema-esquerda. 

As pessoas não estão receptiva ao tipo de discurso do líder trabalhista porque sentem que os empregos ficam em risco. 

Desde há muito tempo que as visões mais radicais se apoderaram dos socialistas, que não têm outro caminho senão iniciar uma luta contra o capital para ser a voz dos trabalhadores. O medo de continuar ligado ao centro é uma das principais razões das alterações.

A vitória de Macron surge na altura em que os partidos socialistas e sociais-democratas enfrentam a maior crise de sempre porque deixaram de se interessar pelo centro.  

quinta-feira, 11 de maio de 2017

A má opção de Cristas

A prestação de Assunção Cristas no debate quinzenal foi deplorável. A líder do CDS está a perder tempo ao fazer campanha para a autarquia de Lisboa ao mesmo tempo que exerce as funções de presidente. 

A melhor forma de se concentrar no primeiro objectivo a curto prazo seria delegar a liderança num membro da direcção para tentar conquistar votos do CDS em Lisboa e não apenas testar a condição de líder. 

O CDS poderia ser um grande partido dos centros urbanos, mas como Cristas tem exercido dois cargos, dificilmente o pouco eleitorado conquistado nas autárquicas vota no partido daqui a dois anos. 

A proposta para aumentar o metro de Lisboa em 20 estações é ridícula. A cidade não comporta nem necessita de tantas linhas. O problema é que Cristas não tem modo de fazer oposição a Fernando Medina porque as recentes obras melhoraram a vida das pessoas. 

A triste figura também beneficia Teresa Leal Coelho, que se manteve quietinha no parlamento. 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Ano 2010: A estabilização total das lideranças sociais-democratas

Os sociais-democratas realizaram o quarto acto eleitoral interno em cinco anos. As mudanças de líderes ocorreram durante durante a primeira maioria absoluta do governo liderado por José Sócrates, sendo que, o PSD também obteve um mau resultado em 2009, apesar do PS ter perdido a maioria absoluta.

Nenhum dos líderes conseguiu conquistar o apoio interno. Manuela Ferreira Leite ganhou o direito de defrontar o primeiro-ministro em eleições, mas também perdeu votos. 

As eleições em 2010 trouxeram novos rostos e ideias. Os concorrentes foram Pedro Passos Coelho, que se candidatou pela segunda vez, além de Paulo Rangel e José Pedro Aguiar Branco. O debate teve momentos mais crispados, mas a realização de um congresso antes das directas trouxe mais animação e interesse ao acto eleitoral. A presença dos antigos presidentes também beneficiou o conclave social-democrata. 

A vitória coube a Pedro Passos Coelho, seguido de Paulo Rangel e Aguiar Branco. 

Um ano depois realizaram-se eleições legislativas antecipadas e o PSD regressou ao poder, embora necessitando de uma coligação com o CDS. 

A partir da primeira vitória, Passos Coelho não voltou a perder eleições no partido, tendo assegurado união, mesmo depois da saída do governo por causa do chumbo do programa do governo na Assembleia da República em 2015 pelo PS,BE e PCP. Passos Coelho construiu uma imagem de líder forte, competente, optando por um caminho mais centrado na iniciativa privada, mesmo em assuntos dominados pelo Estado. 

Desde Cavaco Silva que não se via os sociais-democratas unidos em torno de um presidente. O partido também estabilizou porque algumas figuras foram convencidas pelo trabalho de Passos Coelho, como se viu no regresso do PSD à oposição.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os perdedores nunca assumem as derrotas

A declaração de Jeremy Corbyn relativamente à continuidade na liderança do Partido Trabalhista mesmo em caso de derrota é semelhante à atitude demonstrada por António Costa após a derrota eleitoral nas legislativas em 2015.

O posicionamento do líder trabalhista enfraquece o partido antes do acto eleitoral porque os eleitores sabem que tudo continua na mesma. O voto em Corbyn é um risco se assume que pretende continuar agarrado ao poder. Normalmente os perdedores responsabilizam-se pela derrota, mas Corbyn já definiu um culpado se os conservadores confirmarem a maioria absoluta. 

No plano interno também existem consequências. Alguns candidatos podem trabalhar menos, ou mesmo retirarem-se da corrida, sabendo que não haverá alterações na liderança. Os concorrentes não pretendem assumir sozinhos as culpas de uma eventual derrota. 

No dia do tiro de partido da campanha trabalhista, Corbyn tenta acalmar os detractores, mas só vai arranjar mais inimigos internos, já que, uma das grandes discussões da campanha será as condições para a manutenção da actual liderança, sendo que, o tema desvia as atenções do confronto com os conservadores. 

Em caso de derrota, as forças trabalhistas anti-Corbyn irão pedir a cabeça do líder logo a seguir à divulgação dos resultados, pelo que, é provável que haja novas eleições em Setembro.

O líder trabalhista não é um bom política, faltando competência, carisma e plano estratégico. 

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Macron não tem o tapete estendido

A eleição de Macron não pode ser considerado um alívio, embora a vitória de Marine Le Pen tivesse contornos mais preocupantes. 

O problema está na incerteza das políticas seguidas pelo novo Presidente francês. Os dirigentes europeus e mesmo o país escolheu Macron, mas não sabe como será o futuro, começando pela forma como vai conseguir dirigir um país sem ter um partido, embora a formação da nova força partidária possa reforçar a conquista do Eliseu.

As legislativas serão importantes para saber com quem é que o governo tem de lidar, se com os socialistas ou republicanos. Caso haja uma igualdade eleitoral, não acredito que Macron consiga satisfazer todas as vontades. 

A tarefa do Emmanuel vai ser mais bem difícil do que se imagina a nível externo e interno. Na minha opinião, os responsáveis europeus dificilmente cedem perante as novas exigências de Paris. 

Apesar do triunfo, Macron não pode dizer que é uma nova corrente política porque também representa o descontentamento do eleitorado francês, embora de uma forma mais moderada. O sentimento pró-Europa não pode servir como argumento para ser bem acolhido junto das instituições europeias. 

O primeiro passo vai ser conquistar a democracia francesa.

sábado, 6 de maio de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump - O Presidente norte-americano teve uma pequena vitória com a revogação do Obamacare na Câmara dos Representantes. Apesar da aprovação no Senado ser mais complicado, Trump conseguiu vestir a pele de político e mudar as mentes de alguns republicanos mais conservadores e moderados. O líder republicano pode não ter andado nos corredores, mas tem inteligência suficiente para ocupar o cargo.

No Meio

Theresa May - O momento para proferir um discurso sobre a União Europeia depois de ter pedido a demissão podia ter sido diferente. O conteúdo é bom, mas a altura não foi a melhor porque o que estava em causa era o pontapé de saída das eleições legislativas. Nota-se um desgaste do Reino Unido relativamente às decisões europeias.

Em Baixo

Partido Socialista - A tentativa de colagem dos socialistas a Rui Moreira para ganharem créditos eleitorais nas autárquicas e não só correu mal porque os partidos da direita, nomeadamente o CDS já se adiantaram, apesar de não terem qualquer receptividade por parte do presidente da Câmara. Uma vitória em Lisboa e no Porto seria o ideal para o executivo continuar no governo em 2019, mas de vez em quando os penetras também perdem.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Bruxelas tem mais um inimigo

A declaração de Theresa May no dia em que apresentou a demissão à Rainha é um aviso forte a Bruxelas. 

À medida que os países se tornam capazes de virar as costas ao establishment europeu, nota-se uma certa vingança por parte de Bruxelas porque pretende ganhar sempre. Os dirigentes europeus convivem mal com a derrota como se viu na recente eleição de Donald Trump.

A União já perdeu o Reino Unido, mas não pode torná-lo em mais um inimigo como fez em relação a Donald Trump. Numa altura em que os Estados Unidos e o Reino Unido declararam cooperação e manter as relações comerciais, chega um novo aviso da ilha britânica. 

Os britânicos não estão interessados em continuar agarrados às exigências da União Europeia, preferindo apostar noutros mercados como o norte-americano e a Austrália. As palavras de Theresa May podem ter consequências, sobretudo na luta contra o terrorismo e no plano económico. Se Londres vier a ser a principal praça financeira da Europa e o local onde as empresas norte-americanas pretendem estabelecer as sedes vai criar problemas às maiores economias da zona euro. 

A União Europeia não pode perder as relações que tem com os Estados Unidos, em particular se Washington preferir negociar com Londres. O principal obstáculo não é Donald Trump porque qualquer Presidente continua a manter uma ligação especial com Londres. A questão está na postura dos dirigentes europeus. 

A chefe do governo tem razão nas acusações a Bruxelas sobre as interferências eleitorais, embora muito diferente do estilo russo. Numa altura em que começa a campanha eleitoral, cujo tema principal é o Brexit, a única maneira dos responsáveis europeus se fazerem ouvir é enviarem avisos e condicionar as negociações. 

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Conservadores em vantagem por causa do Brexit

A saída do Reino Unido da União Europeia é o tema principal das próximas eleições legislativas.

Os partidos políticos tentam encontrar soluções para a saída ou mesmo defendendo a manutenção para conquistarem o eleitorado. Nenhuma força partidária tem a varinha mágica, sobretudo para prever o que vai acontecer à economia, aos imigrantes e às relações políticas e comerciais com outros países. 

Na campanha para o referendo, os conservadores e os trabalhistas eram os partidos mais divididos entre o Brexit e o Remain, sendo que, os primeiros tiveram divisões no governo. A liberdade dos ministros poderem fazer campanha por qualquer um dos lados foi uma das grandes decisões de Cameron.

Um ano depois do escrutínio popular, os conservadores uniram-se em torno do que é melhor para o Reino Unido, enquanto os trabalhistas continuam divididos, não só relativamente ao Brexit, mas também à liderança de Jeremy Corbyn. 

Nos primeiros dias de campanha, percebe-se qual é a intenção do executivo, mas ninguém sabe a verdadeira posição do principal partido da oposição. Os outros partidos também definiram bem a opção. Liberais-Democratas e nacionalistas escoceses pretendem a manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

O Partido Trabalhista vai ter que encontrar uma forma de falar a uma só voz sobre o Brexit porque qualquer descuido será aproveitado pelos meios de comunicação e a oposição. Os trabalhistas podem defender o Brexit, embora com ideias diferentes relativamente aos conservadores. Por exemplo, na imigração estão na linha da frente para lutarem pelos direitos dos cidadãos da União Europeia no Reino Unido. Isso pode ser um bom slogan para os filhos de pais "europeus" que já podem votar, mas não conquista os eleitores britânicos.
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