quarta-feira, 8 de março de 2017

Ainda estamos num clima de vendetta política

O resultado das últimas eleições legislativas aumentou a crispação entre os partidos e nem a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente da República diminuiu as tensões. 

A atitude do actual Chefe do Estado é um factor de conflito por causa da vontade em se colocar num dos lados da barricada. Hoje apoia o governo, amanhã está do lado da oposição. Quem manda são sempre as sondagens. 

Neste momento, o governo goza de um estatuto que nunca foi possível usufruir desde 2011. Ou seja, o executivo de António Costa tem problemas para resolver, mas os indicadores económicos são positivos, ao contrário do que aconteceu com Passos Coelho. Nem sempre o PS partilha o mérito com as restantes bancadas, preferindo meter todas as fichas numa maioria absoluta em 2019. 

Apesar do esforço a nível financeiro, Costa tem lidado com algumas polémicas que podem fragilizar o executivo. Não são parecidas com aquelas do governo Sócrates, mas levam a desconfiar da competência. O tom crispado, vingativo e de menorizar a oposição também não ajudam sempre que é preciso pedir uma mãozinha aos partidos da direita. Num ano e meio, o governo já necessitou de duas mãos direitas. 

Nota-se que existe um ambiente tenso que desfavorece a oposição, em particular Pedro Passos Coelho sempre descredibilizado por concorrentes internos que nunca chegaram a primeiros-ministros. 

O estado político actual pode resumir-se na célebre frase da vingança serve-se fria porque tanto governo como oposição esperam o momento certo para desferir o golpe final. Os debates no parlamento estão a ser o principal palco da luta política mais calorosa, sendo que, ainda não houve qualquer escândalo, tipo licenciatura ou falta de pagamento de contribuições à segurança social, na liderança de António Costa. 

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