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quinta-feira, 29 de junho de 2017

A última oportunidade para construir unidade na União Europeia

A saída do Reino Unido da União Europeia abre um novo capítulo na história da entidade supra-nacional. A correlação de poderes perde uma potência com capacidade para bloquear as intenções do eixo franco-alemão.

O futuro do clube europeu sem os britânicos já está a ser preparado pelas duas forças habituais, embora haja esperança numa União Europeia mais democrática com a eleição de Emmanuel Macron. Os alemães também falam mais em legitimidade democrática do que aconteceu nos últimos vinte anos. As duas principais potências económicas e políticas do continente podem iniciar o processo de reformas, mas o debate tem que incluir todos os países, sob pena de haver uma nova revolta que coloque definitivamente tudo em causa.

A capacidade dos países do leste europeu, a intenção de abrir o processo de alargamento a outros actores, como a Sérvia, e recuperação económica de Espanha são factores que a França e a Alemanha não podem ignorar. Apesar do poder dos dois países, haverão outros com capacidade para influenciar os destinos das políticas europeias porque os problemas não afectam apenas o centro da Europa, mas também o leste. 

A França e a Alemanha têm de mostrar abertura e vontade de fazerem parte de um grupo unido, em vez de recolherem benefícios dos restantes intervenientes internacionais por se encontrarem numa posição de liderança dentro da União Europeia. 

terça-feira, 27 de junho de 2017

Os dois caminhos que o Brasil ainda pode evitar

A crise política no Brasil relacionada com a investigação de processos judiciais vai originar alterações profundas no futuro. A resignação não será a atitude dos brasileiros nesta situação porque o escândalo nem sequer é aceite junto da elite.

A vergonha é algo com que os brasileiros não vão lidar por causa da corrupção que envolve os políticos. O país está novamente nas bocas do Mundo por piores razões, apenas três anos depois da realização de grandes eventos desportivos que voltaram a dar uma boa imagem.

A classe política mancha tudo o que o Brasil tem de bom. O futebol, o samba, as paisagens e as produções artísticas.

O problema é que o país não pode ser governado por Neymar, Deborah Secco ou Gilberto Gil, pelo que, é necessário escolher um político que saiba liderar e esteja imune às tentativas de suborno. Os últimos desenvolvimentos não deixam ninguém descansado porque parece que a teia ainda é maior do que se pensava. Por outro lado, o poder judicial também não tem credibilidade junto da opinião pública.

Neste momento, existem duas soluções plausíveis. A entrada em cena dos militares ou a eleição de um candidato com características semelhantes a Nicolás Maduro. No primeiro caso, corria-se o risco de se chegar a uma ditadura militar pouco comum na América Latina, mas a segunda opção pode trazer um candidato parecido com Nicolás Maduro. A história democrática do Brasil não aceita nenhuma das soluções, pelo que, em 2018 ainda se vai tentar construir um novo caminho neste regime.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Rússia não pode ser o principal inimigo do Ocidente

A constante retórica do Ocidente contra a Rússia é a principal arma para esconder alguns problemas graves que não foram bem resolvidos. 

A insistência da anterior administração norte-americana liderada por Barack Obama em arranjar um inimigo comum do ocidente não correu bem porque foram outras potências que estiveram no radar das políticas ocidentais, nomeadamente os maiores países do Médio-Oriente e a Coreia do Norte. 

Os sucessivos desafios dos países ocidentais, nomeadamente europeus, não correram bem, pelo que, importa colocar pressão em Moscovo com o intuito de arranjar uma desculpa para os falhanços. Neste campo, os diferentes discursos dos responsáveis europeus com as atitudes de aproximação da Alemanha e da França revelam desorientação sobre a melhor forma de lidar com a questão. 

A alteração da política externa norte-americana relativamente a Moscovo também implica mudanças na União Europeia, já que, nenhum dirigente europeu pretende estar ao lado de Trump. A verdade é que as investigações sobre as ligações do presidente norte-americano à Rússia também significa diferentes posições. 

A Rússia não pode ser vista como o principal inimigo do Ocidente, numa altura em que se enfrentam desafios como o terrorismo, imigração e outras situações. A política de Obama falhou totalmente porque permitiu a Moscovo definir um caminho próprio com sucesso. Neste momento, os russos têm mais influência na Síria do que os norte-americanos. 

Não haverá qualquer conflito porque Putin sabe os limites, apesar do que aconteceu na Ucrânia, mas não se pode dar importância mundial a uma simples anexação de um pedaço de território como é a Crimeia. Na minha opinião, o autoritarismo crescente de Erdogan na Turquia é muito mais preocupante.

sábado, 24 de junho de 2017

Ano 2011: A coligação de direita que cumpriu o mandato

O PSD venceu as eleições legislativas de 2011, mas sem maioria absoluta. Apesar das trapalhadas de José Sócrates, o novo líder social-democrata não conseguiu conquistar deputados suficientes para liderar o pais sozinho, pelo que, seria necessário efectuar uma coligação. 

O parceiro habitual dos sociais-democratas no governo sempre foi o CDS-PP. Paulo Portas voltava ao executivo depois de ter estado entre 2001 e 2004 com Durão Barroso e Pedro Santana Lopes. O único rosto que se manteve na política portuguesa seria o de Portas.

O CDS conseguiu a marca histórica de 24 deputados. O PSD venceu com 38%, mais dez que o PS. Os comunistas conquistaram 7% e o Bloco de Esquerda ficou na última posição com 5% e apenas oito deputados. 

O entendimento entre os dois partidos acabou por ser natural porque o país precisava de um governo estável para enfrentar as dificuldades impostas pela troika. O presidente da República ainda tentou alcançar um consenso entre os partidos do arco da governação devido aos problemas financeiros, mas apenas PSD e CDS se uniram, mesmo que o Memorando de Entendimento também tivesse a assinatura dos socialistas, que escolheram António José Seguro como sucessor de José Sócrates. 

O governo PSD-CDS cumpriu a legislatura, mesmo tendo enfrentado a pior crise financeira da história do país. Os portugueses renovaram a confiança na coligação, apesar de não ter tido maioria absoluta, mas o primeiro lugar nas legislativas de 2015 merecia uma oportunidade para continuar o trajecto de crescimento. 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Recuo estratégico de Corbyn

As palavras de Jeremy Corbyn na Câmara dos Comuns depois do Discurso da Rainha revelam um recuo face à mensagem transmitida durante a noite eleitoral.

O líder trabalhista não voltou a pedir a demissão da primeira-ministra porque sabe que não tem uma maioria a apoiá-lo. Apesar da suposta colaboração entre os conservadores e o DUP não garantir estabilidade durante quatro anos, Corbyn tem praticamente nada para apresentar. 

A posição assumida pelo trabalhista foi bem diferente porque admitiu que o partido não estava apenas na oposição, mas em posição para chegar brevemente ao governo. Corbyn teve uma atitude mais inteligente que António Costa e Pedro Sanchez.

O Partido Trabalhista só consegue conquistar o poder se mostrar que tem um programa melhor que os conservadores no plano interno. No Brexit os conservadores devem alcançar os desejos pretendidos pela população no referendo de 2016. O problema para Corbyn é a possibilidade de Theresa May antecipar as eleições depois do Reino Unido sair da União Europeia. Tendo em conta que a primeira-ministra também é uma estratega, o opositor dificilmente tem hipóteses de vencer. 

A intenção de Corbyn recuar no pedido de demissão é uma boa jogada, já que, ninguém o perdoaria por iniciar uma crise política. A verdade é que os conservadores conseguiram uma colaboração parlamentar que permite governar durante dois anos em função das negociações com a União Europeia.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Como se vive uma tragédia "à portuguesa"

A época dos incêndios volta a colar o povo à televisão, num ano em que a selecção joga uma competição desinteressante como é a Taça das Confederações. A estreia da equipa de todos nós e do prevaricador melhor jogador do Mundo não entusiasma as pessoas, os media nem o presidente da República e o primeiro-ministro.

Nos últimos dias a tragédia de Pedrógão Grande dominou a atenção de todos, como sucedeu com acontecimento semelhantes fora do país. Desta vez o luto chegou ao nosso burgo e num ápice repetem-se os mesmos gestos que vimos sempre que a desgraça atinge os outros.

O primeiro momento é marcado por notícias da tragédia que rapidamente são comentadas nas redes sociais. Também nestas situações é mais fácil estar sentado a descrever aquilo que as imagens televisivas passam. Num instante o país fica a saber que o Chefe do Estado se desloca para o local, embora sem perceber qual e a razão, talvez para apagar o fogo....Mas não. Afinal era para continuar a presidência dos afectos e decretar três dias de luto nacional. O mesmo aconteceu com o primeiro-ministro que não pode deixar o presidente ter todo o protagonismo.

O segundo momento é sempre o mais difícil porque aparecem as imagens que ninguém gostaria de ver, mas são colocadas no ar durante horas seguidas para se perceber a magnitude da tragédia. Nesta fase começa a nascer uma onda de solidariedade por todo o país, talvez influenciada pelos afectos presidenciais às vítimas. A verdade é que os portugueses são fantásticos neste aspecto porque conseguem estar do lado daqueles que mais precisam. 

Na terceira e última fase chegam os especialistas cuja primeira missão é apontar falhas em tudo e mais alguma coisa. Os peritos nem sequer devem saber ligar uma mangueira, mas é preciso encontrar um bode expiatório. Qualquer um começa a escrever ou a falar porque é aquilo que, neste momento, as pessoas querem saber.  A pior parte é mesmo esta em que saem cá para fora as inúmeras mentes brilhantes de Portugal. 

A facilidade com que se passa da tristeza para as críticas nestas situações, revela que o espectáculo é mais importante que a vida das outras pessoas. Num ápice, aqueles que perderam tudo nos incêndios já não interessa porque a prioridade passa por apontar falhas. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Ano 2011: A demissão de José Sócrates

O primeiro facto político que originou as eleições antecipadas foi a demissão de José Sócrates.
O primeiro-ministro elaborou o PEC 4 para evitar pedir um resgate financeiro, mas nenhum dos partidos na Assembleia da República aceitou as medidas. Os partidos da esquerda e o CDS recusaram liminarmente ficar ao lado do governo em mais uma tentativa de fuga para a frente com duras medidas de austeridade. 

O PSD tinha sido o único partido que deu a mão ao executivo nos anteriores PEC´S. O problema é que Passos Coelho não se mostrou disponível para ajudar Sócrates.

No final da votação do diploma, Sócrates já estava a caminho de Belém para pedir a demissão a Cavaco Silva. O Presidente da República aceitou o pedido. 

O discurso de vítima não resultou nas eleições legislativas realizadas em Junho. A derrota de Sócrates deve-se ao pedido de resgate que o governo teve de realizar junto das instituições financeiras internacionais. O chumbo do PEC 4 foi apenas uma justificação para a demissão. Sócrates planeava culpar a oposição pela instabilidade política e tentar alcançar mais uma maioria absoluta, só que não contava com a chamada da troika. 

As jogadas políticas sempre foram o principal objectivo de Sócrates. Após ter falhado a conquista da maioria absoluta em 2011, não havia condições para a legislatura acabar porque não existiu qualquer compromisso do primeiro-ministro perante o novo quadro parlamentar. O PS abusou do apoio que o PSD deu nalguns PECS. 

As tentativas frustradas de Sócrates alcançar a maioria absoluta é algo que pode estar na cabeça de António Costa. O actual líder socialista também tem as mesmas artimanhas, como se viu, para chegar ao poder. O problema é que Costa ainda não ganhou eleições.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Um novo mau exemplo da política externa de Trump

O novo Chefe do Estado norte-americano decidiu terminar as relações diplomáticas com Cuba. A chantagem de Trump em solicitar reformas políticas no país em troca de apoio norte-americano nunca será uma boa jogada política, sobretudo se tivermos em conta a admiração do povo cubano pelo regime iniciado por Fidel Castro. 

O presidente acha que faz um favor ao mundo se exigir mudanças políticas em Havana, mas sabe perfeitamente que dificilmente consegue obter resultados, apesar de Castro ter anunciado que sai em Fevereiro de 2018. O ambiente causado pela administração norte-americana pode causar revolta em Cuba, ao ponto de ter um inimigo parecido com Kim Jong-un mais perto da fronteira com os Estados Unidos. A reacção dos lideres dos países sul-americanos é um indicador negativo que vai causar mais sentimentos negativos contra Washington. 

Os defensores de Trump podem argumentar que o presidente está a cumprir as promessas, mas não devem ter a coragem de dizer que está a actuar em nome dos Estados Unidos. 

O reatamento das relações entre os Estados Unidos e Cuba foi positivo em termos económicos e políticos. O esforço do Papa Francisco I para juntar os dois antigos inimigos acaba por ser deitado para o lixo por uma questão de intromissão nos assuntos internos. Nem sequer indico os apoios norte-americanos a grandes regimes totalitários.

Não existe coerência na política externa norte-americana. Não há um rumo definido, mas uma vontade em rasgar compromissos e terminar com o bom trabalho só porque se falou nisso na campanha eleitoral. Donald Trump pensa pouco na forma como os Estados Unidos podem ajudar na manutenção da actual ordem internacional. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O poder total de Macron

Os resultados eleitorais alcançados por Emmanuel Macron em apenas seis meses prometem uma mudança positiva na política europeia. Não se espera o surgimento de mais forças anti-sistema como aconteceu recentemente, mas irão nascer mais movimentos com vontade de criar novas ideias, em particular plataformas de debate. 

O novo Presidente francês aproveitou um vazio de ideias no país e na Europa para conquistar o eleitorado nacional, mas em breve também vai conquistar os restantes europeus. 

O que importa analisar são as vitórias eleitorais em França, terminando com o bipartidarismo entre Republicanos e Socialistas, além de acabar com o receio da Frente Nacional. Daqui a quatro anos o discurso de Marine Le Pen tem de ser outro porque as circunstâncias serão diferentes. 

O mapa político-partidário deixou de pertencer a dois partidos para passar a ser apenas de um. Tendo em conta que os dois partidos tradicionais estavam em crise esperava-se uma dispersão dos votos. O mau momento de forma dos Republicanos e Socialistas traduziu-se no poder absoluto do partido de Macron. De repente todos ficaram sem espaço no parlamento e no Eliseu. 

O poder de Macron não é absoluto, embora tenha total controlo sobre as instituições devido à maioria. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Ano 2011: O engodo socrático

A crise política iniciada em 2011 que terminou em eleições legislativas iniciadas tem de ser explicada no contexto do pedido de resgate de Portugal ao Fundo Monetário Internacional. 

As peripécias do governo liderado por José Sócrates impediu que o problema tivesse sido resolvido mais cedo. Num ano em que Cavaco Silva se recandidatava a Belém, o país não precisava de mais actos eleitorais. 

A história de um ano politicamente intenso começa com as várias recusas de José Sócrates relativamente à necessidade do país pedir ajuda financeira. Numa primeira fase nem Teixeira dos Santos desacreditou o primeiro-ministro, mas depois teve que assumir algo que já todos esperavam. As agências de rating tiveram o primeiro encontro com os portugueses porque todos os dias Portugal baixava de escalão até ao último denominado Lixo. 

A oposição fazia cada vez mais barulho e só o Presidente da República mantinha uma postura coerente. Ou seja, não estava histérico, mas também mostrava preocupação.

Os sucessivos acontecimentos impossibilitaram uma análise fria, já que, Sócrates pedia para ser aprovado o PEC 4 no parlamento porque não tinha maioria absoluta e ao mesmo tempo já se vislumbravam sinais da troika. Uns dias depois pediu a demissão porque os partidos não apoiaram as medidas de austeridade, pelo que, a oposição seria responsável pela necessidade efectuar um pedido de ajuda financeira, tendo sido a principal acusação do líder socialista na campanha eleitoral que acabou por perder. 

No fundo, Sócrates sabia que tinha de pedir ajuda financeira, mas arranjou o PEC 4 como um pretexto para justificar a demissão e atacar a oposição. Muito simples!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Hipocrisia das nomeações políticas

Os partidos políticos deviam ter mais cautela sempre que criticam os adversários por nomearem dirigentes para os mais altos cargos da administração pública. 

O grande cancro da actual democracia é o chamado "job for the boys" que todos os partidos gostam de praticar sem terem em conta qualquer questão relacionada com o mérito. 

Os portugueses já perceberam que os partidos utilizam as nomeações políticas como arma de guerra com o intuito de ferir o oponente, mas ninguém leva a sério porque todos fazem o mesmo. Isto é, ninguém tem telhados de vidro nesta questão. 

O pior desta história relacionada com a TAP é uma nova interferência presidencial, embora isso também seja uma situação habitual. Normalmente, as reflexões de Marcelo Rebelo de Sousa terminam num telefonema e num comunicado à imprensa para confirmar que o Presidente tem mesmo tiques ditatoriais. 

A guerra nas nomeações promete colocar sempre em causa a capacidade da pessoa para realizar o trabalho. O debate será em torno da amizade ou cartão político e nunca pelo mérito profissional, podendo originar situações injustas. 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Os perdedores que reclamam o poder

A legitimidade democrática advém do voto popular, embora haja mecanismos constitucionais que permitem a formação de maiorias pelas forças que não ganharam as eleições, mas em conjunto ultrapassam em larga "maioria" os vencedores.

Nos últimos anos, o caso mais exemplar deste tipo de aproveitamento constitucional aconteceu em Portugal depois das legislativas em 2015. O Partido Socialista conseguiu juntar bloquistas e comunistas no parlamento para aprovar o programa de governo, antes de terem chumbado o programa da coligação PSD-CDS que obteve maioria simples no parlamento. 

Durante ano e meio em muitas eleições houve tentativa de recorrer ao mesmo sistema. As várias tentativas de Pedro Sánchez imitar o líder socialista português chocaram na intransigência do Podemos manter um compromisso com os eleitores. O último exemplo desta forma de conquistar o poder surgiu na sequência do resultado das eleições britânicas. O pedido de Jeremy Corbyn para Theresa May se demitir do cargo de primeira-ministra lembra o que aconteceu há dois anos em Portugal.

Não se coloca em causa a legitimidade constitucional das acções realizadas por três líderes socialistas que foram derrotados e preferiram conquistar o poder da população sem vencerem as eleições. O caminho torna-se mais complicado para um primeiro-ministro que não teve uma vitória nas urnas. Os sistemas são diferentes, mas a população portuguesa, espanhola e britânica deu um sinal claro que não queria qualquer dos líderes partidários no comando do governo. A população enviou uma segunda oportunidade aos governos que se encontravam no poder, embora retirando mais força para encontrarem outras soluções no quadro parlamentar. 

Os líderes derrotados tinham mais possibilidade de chegar ao poder caso obtivessem bom desempenho na oposição, mas optaram pela via mais fácil. A vitória política de António Costa não teve seguimento com Pedro Sánchez, pelo que, aguarda-se o que acontece com Corbyn. O mais preocupante no líder do Partido Trabalhista é não conseguir formar uma maioria com todos os partidos da oposição, além de que dificilmente se consegue juntar Liberais-Democratas com socialistas e nacionalistas escoceses. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ano 2011: A Primavera que originou o actual terrorismo no Mundo

As revoluções políticas e sociais que tiveram início durante o ano de 2011 são responsáveis pela onda de terrorismo que o mundo vive actualmente.

O Ocidente aplaudiu com bastante força as quedas de Hosni Mubarak, Muammar Gaddafi e Ben Ali, além de ter assistido à redução do poder de Bashar al-Assad. Os tiranos sempre olhados com desconfiança pelas potências ocidentais, com os Estados Unidos à cabeça, estavam a perder poder e a democracia iria ser pacificamente instalada naquelas regiões. Puro engano.

Após seis anos de intensos combates entre forças do governo e grupos opositores a conclusão é que tudo devia ter ficado como estava. As constantes trocas no poder, sobretudo no Egipto trouxeram instabilidade na região e no mundo. 

O único caso de sucesso na região acabou por ser a Tunísia, já que, a Líbia e a Síria resultaram em guerras civis com ou sem a manutenção dos ditadores no poder. No Egipto a Irmandade Muçulmana chegou ao poder, mas os generais conseguiram recuperar o país, embora também se desconfie do uso da força por parte de Al-Sisi. 

O Ocidente manifestou satisfação pela queda dos ditadores, mas agora não sabe responder ao domínio territorial dos grupos terroristas, que pretendem subverter a ordem ocidental, principalmente na Europa. 

O mais provável é a divisão de países como a Síria, Yemen e a Líbia, o que dará para os grupos terroristas terem poder, embora sempre controlado pelos maiores exércitos. 

A culpa do actual clima de guerra na região não é do Ocidente, mas os apoios contra determinados regimes deu errado. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

A estratégia de Theresa May para 2019

A convocação de eleições antecipadas por Theresa May não serviram apenas para oferecer um mandato seguro ao vencedor nas negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia. O que estava em causa também era a legitimidade política da sucessora de David Cameron.

A primeira-ministra não podia conviver com a oposição sempre a pedir eleições antecipadas, pelo que, antecipou-se ao ruído e decidiu ir a jogo sem medo. O resultado final não é brilhante, mas garante a manutenção dos conservadores no poder apoiados por um partido que nem sequer pretende ir para o governo nem exige alterações ao rumo definido no manifesto. 

Nestas condições, Theresa May tem carta branca para garantir o "hard-brexit" desejado pelos conservadores mais eurocépticos e pela maioria da população porque conquistou a vitória, contrastando com a vontade da oposição ficar perto da União Europeia. Tendo em conta que os interesses do Reino Unido serão a prioridade do novo executivo, qualquer acordo será aceite pela população, embora criticada pela oposição. 

A primeira-ministra lidera um governo minoritário, mas continua com maioria no parlamento, embora suportada por dois partidos. 

O que muda é a força do executivo e da maioria porque a oposição continua minoritária. Apesar do bom resultado alcançado pelo Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn vai enfrentar novo acto eleitoral interno. Os Liberais-Democratas cresceram, mas continuam com poucos deputados e o UKIP desapareceu do parlamento. Por outro lado, os nacionalistas escoceses perderam força para reclamar mais um referendo. Os quatro maiores partidos da oposição nem sequer alcançam o número de deputados dos conservadores. A única novidade é a força de algumas forças da Irlanda do Norte do País de Gales. 

A estratégia de May passa por convocar novas eleições em 2019 após a saída do Reino Unido da União Europeia. O acordo fará com que os conservadores reconquistem a maioria absoluta para iniciarem um novo caminho no Reino Unido sem as leis provenientes de Bruxelas. Só por esta razão, Theresa May arriscaria ser primeira-ministra sem estabilidade interna e tendo de enfrentar os poderes europeus praticamente sozinha.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A escolha de um líder para enfrentar a União Europeia

Os britânicos voltam às urnas, dois anos depois das últimas legislativas e um após o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia.

Nos últimos anos houve várias mudanças que proporcionaram o actual ambiente político. As alterações nos partidos políticos trouxeram novas abordagens e filosofias. Num ápice, Nigel Farage deixou de ser uma figura proeminente do UKIP e o Partido Trabalhista continua sem acertar na liderança. Os conservadores reforçam o poder graças ao trabalho de David Cameron. 

O Reino Unido não pode continuar neste sobressalto político se pretender ter sucesso nas negociações com a União Europeia. Nunca haverá união entre todos, mas é fundamental que haja uma liderança forte e coesa para fazer face ao poder em Bruxelas na hora de dizer adeus porque os dirigentes europeus não querem facilitar a vida aos britânicos. 

O que está em causa nestas eleições não é a eleição de um líder que efectue reformas internas na economia e nos sectores sociais porque o trabalho já está feito graças aos governos Cameron desde 2010. Neste momento, será preciso alguém que defenda os interesses do país junto de Bruxelas. 

Por estas razões, faz sentido realizar um acto eleitoral antes de 2020, independentemente dos números das sondagens beneficiarem Theresa May. Desta vez, os britânicos vão eleger o representante do Reino Unido no confronto com a União Europeia e não um governo, pelo que, a líder dos conservadores ganha vantagem sobre Corbyn, mesmo que os recentes atentados possam dar o poder dos trabalhistas terminarem com os bombardeamentos aéreos na Síria. 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

O Presidente que se mantém no lado errado da história

As decisões do presidente norte-americano em sair do acordo climático e acusar o Irão de apoiar o terrorismo internacional mostram que está no lado errado nas duas questões.

O abandono do acordo de Paris poderia ter sido feito noutra altura e numa circunstância em que as restantes potências também demonstrassem vontade em alterar o texto final. A polémica decisão de Trump isola os Estados Unidos do resto do Mundo, sendo o único alvo das críticas, dando possibilidade à China e Rússia fingirem que vão ratificar o acordo sem serem sancionadas. O presidente norte-americano preferiu seguir outro caminho mais difícil de justificar. 

Na recente viagem ao Médio-Oriente, Trump colocou-se ao lado da Arábia Saudita na tentativa de acusar o Irão de apoiar o terrorismo internacional. Os recentes atentados em Teerão provam que o presidente continua a apontar o dedo ao inimigo errado, já que, o regime saudita é considerado um dos principais financiadores de grupos terroristas. 

A guerra comprada com o Irão por causa do acordo nuclear impede o actual chefe de Estado norte-americano de terminar as ligações com os sauditas, que também pretendem diminuir a influência de Teerão na região, sobretudo no Yemen. Trump apoia a entrada de terroristas no Yemen para instalar um novo regime suportado por Riade. 

As ligações estabelecidas baseiam-se erro estratégico, ignorância ou apenas defender os interesses de outros grupos. Quaisquer que sejam os motivos de ter tomado as decisões, é certo que causa indignação e revolta. O alerta dado por várias entidades parece não ter surtido efeito. 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Saída pela porta pequena e com a justiça à perna

Nos últimos anos o país assistiu a várias operações judiciais envolvendo pessoas sonantes do meio político, económico e financeiro.

O caso que mexeu mais com as pessoas esteve relacionado com a Operações Marquês onde o primeiro-ministro José Sócrates foi constituído arguido, estando à espera da acusação. O poder judicial chegou ao topo de uma pirâmide difícil de alcançar, já que, sempre se falou numa justiça pobre e outra para ricos. 

A maior parte dos processos judiciais envolve corrupção, pelo que, existe um padrão semelhante em todos as situações que começam a surgir. Os nomes de Ricardo Salgado, Oliveira e Costa e António Mexia estão ligados a casos de corrupção em grandes empresas privadas, embora também haja ligações ao poder público. 

Não se pode falar num problema semelhante ao do Brasil, porque o que se passa em Portugal com a utilização de crimes graves para manutenção do poder em empresas privadas, mas sempre a piscar o olho aos interesses públicos com o objectivo de arranjar um lugar na administração do Estado. 

Os grandes empresários começam a perder poder de influência, mas saem pela porta pequena e com a justiça à perna. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Os maiores desafios da história da UE

A União Europeia vive a pior crise desde a fundação na segunda metade do século passado.

Os desafios são cada vez maiores e parece que existe sempre mais um problema que ameaça a coesão interna. A saída do Reino Unido é o pior acontecimento político, sendo que, o terrorismo ocupa a primeira posição a nível social. No entanto, o combate aos terroristas tem de ser global porque todos são atingidos. 

As questões políticas afectam a união e a solidariedade dentro e fora das instituições, pelo que, não pode ser a Alemanha e a França a conduzirem os destinos políticos da União Europeia consoante os desejos dos respectivos líderes. 

Apesar da posição do Reino Unido, a União Europeia teme mais o poder da Rússia e o afastamento dos Estados Unidos porque com a influência do primeiro sobre os países do leste tem menos capacidade de expansão e sem os norte-americanos não consegue resolver situações como o combate ao terrorismo, as intenções de Putin e a guerra na Ucrânia. A crise económica será gerida apenas e só pelos membros da moeda única. 

As reacções negativas ao Brexit e à suposta ameaça russa afastam os países que gostariam de optar por uma solução diferente. Os membros mais fortes incluem os menos poderosos em decisões pouco debatidas. 

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Trump seguiu o exemplo das grandes potências

A saída dos Estados Unidos do acordo de Paris para combater as alterações climáticas não é apenas um acto político contra o documento. As justificações de Trump vão ser bem aceites pelos norte-americanos, mas o resto do Mundo, sobretudo a Europa, têm razões sentirem preocupações porque se trata de mais um abandono depois de ter rasgado o TTP e pensar em alterações ao NAFTA. 

O presidente norte-americano deu um sinal importante que não cede aos interesses globais nem às ameaças constantes contra o aparente isolamento dos Estados Unidos se terminar a cooperação com a comunidade internacional em algumas matérias. Trump não está a revogar as medidas de Obama, mas reverter algumas benesses concedidas pela anterior administração. 

O passo dado por Trump também vai ser seguido pelas outras grandes potências, que ainda revogaram o acordo. Apenas os países pequenos, como Portugal, se apressaram a cumprir as ordens provenientes dos poderosos. 

O discurso proferido na Casa Branca segue a mesma linha de pensamento da recente cimeira da NATO, onde choveram críticas aos maiores países europeus por causa da falta de contribuição financeira. 

Não se pode condenar a tentativa de Trump proteger a população norte-americana em vez de ficar na linha da frente na resolução dos problemas do planeta. O problema é que noutras matérias, como o combate ao terrorismo, a participação de Washington é fundamental. 

Na verdade, a questão climática não está no topo das prioridades das grandes potências. Há décadas que se tenta chegar a um entendimento, mas ninguém se preocupa com as pequenas ilhas do Pacífico que correm o risco de desaparecer daqui a cinquenta anos. Neste aspecto, os Estados Unidos não podem ser apontados novamente como o grande culpado. 
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