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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Até Setembro


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Ano 2012: Crise no jornalismo

Os primeiros despedimentos no Público deram início à crise do jornalismo que se estendeu ao Diário de Notícias em 2013 e ao jornal i e semanário Sol no final de 2015.

A queda nas vendas dos jornais e os cortes na publicidade originou um massivo corte em muitas redacções, mas também atingiu a televisão e a rádio. A chegada do digital obrigou a mudanças profundas, começando com a inevitável reestruturação das empresas.

Nos últimos cinco anos houve uma enorme crise no sector do jornalismo porque muitos donos deixaram de investir nos jornais porque não tinham viabilidade financeira nem poder de influência. A qualidade também é outro aspecto que esteve na origem da sangria na redução de pessoal. 

O jornalismo em Portugal também atravessa um deserto de ideias, de temas interessantes para a opinião pública, mas sobretudo capacidade para informar. As redes sociais destruíram alguns postos de trabalho e tiveram responsabilidade na degradação de como se procura uma notícia. A vantagem de chegar a mais pessoas não foi devidamente compensada com lucros. 

A seca ainda vai durar algum tempo, mas parece que o futuro será melhor no plano financeiro e credibilidade. A vontade de se criarem novos projectos com qualidade é um sinal bastante positivo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A cortina de valores que separa o Ocidente do Leste da Europa

As notícias provenientes da Polónia são mais um exemplo da onda de populismo que cerca o Leste da Europa. Nos últimos anos têm surgido vários exemplos de atentados às liberdades das pessoas, bem como tentativas de usurpação de poder através do controlo de instituições. 

A Europa pode não ter uma cortina de ferro a separar o Ocidente de Leste, mas ainda existem diferenças nos valores e princípios que precisam de ser trabalhados pela União Europeia. O clube europeu não tem condições de ter sucesso caso se mantenham práticas pouco habituais com aquilo que esteve na origem do projecto. 

As grandes disparidades estão nas ideologias e na forma como se aplicam certas regras que não são aceites no Ocidente, embora sejam normais em determinados países também por causa da herança da União Soviética. 

As mentalidades demoram tempo a mudar e não será a entrada num clube supostamente democrático que alteram os costumes. A resposta da União Europeia não tem sido eficaz porque alguns países não conseguem ou não pretendem ter outro tipo de comportamento, sendo que, encerrar ainda mais o espaço de diálogo e solidariedade mantém as mesmas reacções. 

A desconfiança que alguns países do Leste ainda têm relativamente aos vizinhos é outro factor de instabilidade regional que causa maior desunião dentro da União Europeia. Não é possível estar num clube onde ainda se registam muitos ódios. 

O futuro não é certamente federalizar para serem todos iguais, mas é necessário que haja objectivos comuns. 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ano 2012: Escândalos de doping no ciclismo internacional

O ciclismo internacional enfrentou dois grandes problemas com os casos de doping de Lance Armstrong e Alberto Contador.

O ciclista espanhol acusou positivo num controlo efectuado durante a Volta à França em 2010, mas o castigo só foi confirmado em 2012 pelo Tribunal Arbitral do Desporto. A vitória no Tour 2010 também foi retirada. A suspensão durou até 2014. 

O norte-americano também ficou sem os sete títulos conquistados no Tour em 2012. As acusações duraram durante dez anos, mas a confissão só chegou em 2013 no programa de Oprah. Um ano antes, Armstrong deixou de lutar judicialmente pela inocência, talvez pensando numa forma de se ilibar publicamente.

A verdade é que, dois dos melhores ciclistas do novo milénio tiveram problemas com o doping, embora Alberto Contador tenha limpado a imagem nos últimos anos. A farsa de Armstrong acaba por ser bem pior, já que, se trata de uma mentira muito bem trabalhada durante anos. 

Os dois ganharam respeito de todos na estrada por causa dos inúmeros feitos, sobretudo na corrida francesa. O espanhol fica apenas com dois títulos no Tour, sendo que, numa delas bateu o norte-americano. 

As primeiras edições da Volta à França da década acabaram por ser manchadas por erros cometidos no final dos primeiros dez anos do século XX.  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Prejudicar o funcionamento da economia de mercado

O negócio da Altice com a PT e a Media Capital transformou-se numa arma de arremesso político por todos os partidos.

As forças de esquerda tentam novamente impedir a entrada de dinheiro estrangeiro em Portugal, enquanto a direita critica a postura intervencionista do executivo. No meio disto está o governo liderado por António Costa que lança outros mecanismos para obter controlo político. Não esquecer que também Marcelo Rebelo de Sousa cedeu aos interesses de outras empresas para influenciar o negócio. 

A economia portuguesa não pode funcionar com constantes interferências políticas de todos os quadrantes, sobretudo se o Presidente da República também pretende ter uma palavra a dizer. Neste caso, o único partido que esteve muito bem foi o PSD que questionou as posições de António Costa. 

A entrada da Altice na PT, mas principalmente na Media Capital é uma oportunidade única para o jornalismo em Portugal que se encontra nas ruas da amargura. O problema é que ninguém quer o melhor para o país por razões ideológicas ou simplesmente para impedir novos concorrentes no mercado. 

O que se passa com a chegada da Altice é a mesma situação do que aconteceu com a entrada de novos investidores na TAP, embora a Media Capital seja uma empresa privada. Não houve despedimentos na transportadora aérea, havendo uma nova oferta de rotas e investimento. 

As posições ideológicas do governo começam a ficar muito parecidas com o Bloco de Esquerda e o PCP.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Níveis históricos de impopularidade

Os níveis de impopularidade de Donald Trump são anormais tendo em conta que só passaram seis meses desde a tomada de posse como Presidente dos Estados Unidos. 

As guerras que o chefe do Estado comprou com a imprensa e em certa medida, também com os republicanos afectam a imagem de um líder que se pretende segura. No entanto, as eventuais ligações à Rússia não caem bem junto do eleitorado norte-americano que considera Moscovo como o principal inimigo.

Em pouco tempo, Trump raramente conseguiu unanimidade junto das pessoas nas decisões políticas que toma. O problema não está unicamente na governação, mas na forma como apresenta a Casa Branca para dentro e fora dos Estados Unidos. As constantes mensagens no twitter não é a melhor forma para um presidente comunicar, sobretudo se pretende arranjar conflitos com outras personagens porque dificilmente se entende o sentido das palavras.

Não se pode fazer um escrutínio completo apenas pelos tweets.

Não acredito numa recuperação da imagem presidencial junto das pessoas, mesmo que obtenha uma vitória em 2020, porque dificilmente haverá mudanças de estilo. Contudo, Trump começa a ganhar estofo para se mexer nos bastidores da política norte-americana. A ausência de críticas aos democratas mostra que sabe gerir os dossiers. Neste momento, interessa responsabilizar os republicanos. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

An 2012: Uma liderança insegura a passageira

A liderança de António José Seguro no Partido Socialista foi uma das piores de sempre. A vitória sobre Francisco Assis parecia indicar algo positivo, mas a forma como se dirigiu aos militantes socialistas no dia da eleição não augurava nada bom.

Apesar da reeleição em 2013 nunca recolheu simpatia junto dos militantes nem dos portugueses. A falta de capacidade política acabou por ser um sinal constante durante as intervenções na Assembleia da República com Pedro Passos Coelho. O acto eleitoral em 2013 é um passo para o abismo, já que, um ano depois é destronado da liderança por António Costa. O actual primeiro-ministro só não se candidatou antes porque as sondagens lhe eram desfavoráveis e ainda acumulava cargo na Câmara Municipal de Lisboa.

Apesar de tudo, ainda liderou os socialistas durante o período da crise e mais problemática para o governo PSD-CDS. O discurso de Seguro nunca mudou, roçando mesmo o ridículo, num debate em que pediu ao primeiro-ministro o fim do sigilo bancário por causa da polémica do não pagamento de dívidas no prazo à segurança social. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ano 2012: A eleição mais fácil para Obama

A corrida para o segundo mandato na Casa Branca tornou-se bastante fácil para Barack Obama. Em primeiro lugar porque não teve concorrentes nas primárias, já que, a recandidatura seria sempre vantajosa contra qualquer oponente. Em segundo, o presidente norte-americano sempre teve o partido na mão. Por fim, na eleição geral derrotou claramente Mitt Romney.

As eleições acabaram por ser desinteressantes porque não houve primárias nos democratas e nos republicanos a candidatura de Mitt Romney derrotou bastante cedo os restantes 12 candidatos que desistiram ao longo do percurso. 

O grande confronto estava marcado para Novembro de 2012 entre Romney e Obama. O democrata ganhou no voto popular, na percentagem, além de ter conquistado maior número de votos eleitorais. Neste aspecto, o presidente esmagou Romney com 332 contra 206. A percentagem foi o factor mais equilibrado, já que, no voto popular, Obama conquistou mais cinco milhões que o opositor. 

O empresário republicano obteve um melhor resultado do que em 2008, onde tinha perdido nas primárias, mas os números mostram que ainda existia uma grande diferença entre um político e alguém com pouca experiência em cargos públicos, apesar de Romney ser considerado como membro do establishment republicano. Nestas eleições, um dos grandes apoiantes foi Donald Trump. 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Rússia coloca Trump num beco sem saída

A Rússia tem tido domínio político sobre os Estados Unidos. As alegações de envolvimento de Moscovo nas eleições norte-americanas do ano passado são uma vitória para Putin, mesmo que continue a negar qualquer interferência.

O Kremlin assiste à degradação e perca de força dos Estados Unidos a vários níveis, mas sobretudo no plano político e militar. A entrada da Rússia na guerra da Síria impediu os norte-americanos de substituir Bashar al-Assad e criar um clima favorável na região. Neste momento, são os russos que anunciam a morte do líder do Estado Islâmico e constroem infraestruturas de apoio ao desenvolvimento militar no Médio-Oriente. 

A presidência de Trump pode ser colocada em causa devido às ligações a Moscovo. O actual presidente norte-americano tem sido uma marioneta ao serviço de Putin. O aperto de mão entre os dois líderes favorece mais o líder russo que Trump por causa do sentimento anti-Moscovo ainda existente nos Estados Unidos. Qualquer passo dado pelo líder norte-americano no sentido de tentar estabelecer relações com a Rússia será sempre alvo de críticas. O problema é que Trump não pode virar as costas numa altura em que apareceram mais provas que o ligam ao regime, sobretudo com a troca de emails entre o filho e responsáveis russos.

A estratégia montada por Moscovo tem tido resultados porque cria caos político nos Estados Unidos. O presidente norte-americano fica numa posição bastante fragilizada, enquanto Putin continua a sorrir. As críticas são todas dirigidas à forma como Washington deixou Moscovo entrar na Casa Branca. Em primeiro lugar, com um presidente supostamente apoiado pela Rússia. Em segundo, criando uma aparência de amizade que nunca será aceite em território norte-americano.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Sinais de insegurança de May

A tentativa de Theresa May unir todos os partidos em torno do Brexit não é má ideia, mas revela alguma insegurança política por causa das críticas dos conservadores. 

A posição da primeira-ministra não é favorável, pelo que, no próximo ano é possível que haja pedidos de demissão dentro do partido, enquanto os trabalhistas vão esperar por novo acto eleitoral antecipado. Os conservadores vão tentar mudar de líder sem recorrer a eleições gerais, mas as confusões podem originar um aproveitamento do Partido Trabalhista no plano político e também nas sondagens. 

Os apelos a uma unidade nacional e à cooperação dos restantes partidos só acontece porque May está frágil dentro dos conservadores. No último ano, raramente falou em união para ultrapassar os problemas do Reino Unido. O Brexit também exige um comportamento adulto das restantes forças, só que a primeira-ministra está a pedir mais do que isso. 

As outras forças não devem corresponder à chamada da primeira-ministra por causa da jogada que esteve na origem da antecipação das eleições e também devido à vontade de realizar o chamado "Hard-Brexit", algo que, nem os trabalhistas e liberais-democratas estão dispostos a aceitar. 

O isolamento dentro do partido é cada vez maior, pelo que, precisa de procurar apoio fora para ter legitimidade política nos próximos anos. Na minha opinião, haverá eleições dentro de dois anos depois da conclusão das negociações com a União Europeia, sendo que, a primeira-ministra ainda pode liderar o navio, mesmo havendo acto eleitoral interno nos conservadores em 2018. No entanto, os primeiros sinais depois das eleições de 8 de Junho são bastante preocupantes, mas May parece ter características semelhantes a Margaret Thachter.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Ano 2012: Mudanças na política internacional e no desporto

A reeleição de Barack Obama na Casa Branca acaba por ser um acontecimento natural tendo em conta a história da política norte-americana dos últimos anos. O democrata ganhou as primárias sem oposição, já que, costuma ser a prática sempre que um Presidente se recandidata. Nas eleições gerais derrotou Mitt Romney por uma grande diferença. 

O segundo mandato de Obama é mais virado para a política externa com o reatamento das relações com Cuba, a assinatura do acordo de Paris relativamente às alterações climáticas e a confirmação que a Rússia é o principal inimigo dos Estados Unidos.

A eleição de Xi Jinping para a liderança do Partido Comunista Chinês é mais importante que a continuidade de Obama em Washington. Xi Jinping só substituiu o presidente Hu Jintao em 2013, mas também começaram a sentirem-se mudanças, sobretudo na aproximação aos Estados Unidos. A China começou a investir na Europa, além de ter contribuído para o acordo celebrado em Paris 2015. 

Numa altura em que as grandes potências definiam as principais orientações, a Europa continuava mergulhada numa crise financeira sem fim à vista. A Grécia e Portugal estavam sob alçada da troika, mas os alarmes voltaram a soar com os resgates a Espanha e Chipre. Apesar de serem menos graves que as situações portuguesas e gregas, começou novamente a se falar em efeito dominó. 

O desporto mundial teve de engolir os casos de doping dos ciclistas Lance Armstrong e Alberto Contador. O norte-americano confessou que tomou substâncias proibidas durante os anos em que venceu o Tour de France. O espanhol também acabou por ser apanhado depois de ter conquistado a prova francesa pela terceira vez em 2010. 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

A impossibilidade dos britânicos continuarem ligados à Europa

O discurso agressivo de Theresa May sobre a necessidade de um hard-Brexit contrasta com a vontade do Reino Unido manter uma ligação com a União Europeia após 2019.

Não existe possibilidade de estar com um pé dentro ou fora do clube europeu. A população do Reino Unido escolheu ficar com os dois pés de fora porque para se manterem conectados à Europa tinham votado favoravelmente. 

O actual quadro geopolítico não permite que se mantenha uma relação porque cada um dos blocos serão concorrentes, sobretudo na aproximação aos Estados Unidos, situação que os britânicos têm enorme vantagem. A nível económico também se vai verificar uma enorme competição e desigualdade. A UE continua mergulhada no desemprego, particularmente mais jovem, enquanto o Reino Unido mantém elevados níveis de crescimento. As realidades são completamente diferentes.

A manutenção do Reino Unido no mercado único traz mais benefícios aos cidadãos europeus do que à população britânica, embora seja neste momento a questão que coloca instabilidade dentro dos principais partidos além de ser o aspecto de divisão. 

O contraste entre o que Theresa May diz para fora e a vontade revelada dentro dos gabinetes onde decorrem as negociações complica a posição do Reino Unido perante os restantes membros da União Europeia. A primeira-ministra também fica fragilizada porque apresenta duas ideias diferentes. O resultado nas recentes legislativas pode alterar o desejo de realizar apenas um soft-Brexit.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Dois casos de má gestão política

O governo liderado por António Costa não geriu bem as duas últimas situações políticas, como os incêndios e o roubo de armas em Tancos.

O primeiro-ministro permitiu que a oposição pudesse atacar os ministros responsáveis pela Administração Interna e Defesa. Os dois ficaram frágeis politicamente devido à inacção do chefe do governo. 

A grande preocupação de Costa passou por resolver as situações, mas deixou que se criticasse o executivo antes de colocar um ponto final no assunto. O circo mediático pelo qual também se deixou envolver, anestesiou todos os principais responsáveis porque a enorme onda de solidariedade poderia impedir que se apontassem culpas por se tratar de situações naturais, como o incêndio em Pedrogão. 

Neste momento não há salvação possível para os ministros da Administração Interna e da Defesa, mesmo que rolem cabeças nas chefias dos organismos. A demissão de cinco generais não abafou as críticas. Costa continua desinteressado em defender os colegas, mantendo-se em férias numa altura em que Azeredo Lopes e Constança Urbano de Sousa precisam de apoio. 

Não se esperava uma má gestão política de um primeiro-ministro que tem fama de ser um excelente político.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Os desafios do Ocidente dividido

O Ocidente tem que se confrontar com várias ameaças ao mesmo tempo que começa a perder apoios internacionais.

A saída de cena dos Estados Unidos e o Brexit são dois aspectos que aumentam as divisões políticas e sociais. Os vários estilos de liderança não permitem que haja unanimidade em determinados assuntos importantes para o crescimento e influência do Ocidente.

Nos últimos anos tem havido um enorme decréscimo da influência das decisões ocidentais noutros cenários como acontece na Síria. O peso político nem o militar conseguem derrubar as outras potências emergentes. O mais grave são a degradação das condições económicas. 

A eleição de Donald Trump contribuiu para as tensões e desconfiança, mas as costas começaram a virar com Barack Obama. Os países europeus também não podem ficar eternamente à espera que os Estados Unidos mudem de postura de quatro em quatro anos. Tem de haver um caminho traçado pela União Europeia sem depender daquilo que fazem os norte-americanos porque estes não vão carregar o fardo para sempre. 

O desinteresse dos Estados Unidos em contar com a UE está relacionado com a maneira como a França e Alemanha dirigem o processo europeu, e a saída do Reino Unido abre portas a um novo entendimento com o aliado mais velho de sempre. 
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