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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Acontecimento do ano 2008: Nascimento do Kosovo

No dia 17 de Fevereiro de 2008, o Kosovo tornou-se independente da Sérvia, tendo Pristina como a capital do país. 

A declaração não foi pacífica, já que, nem todos aceitaram a segunda independência depois de, em 7 de Setembro de 1990, o Kosovo ter sido a primeira tentativa.

O mundo ficou dividido com a iniciativa kosovar. Os Estados Unidos, França, Alemanha, Dinamarca e a Turquia reconheceram a independência, além de Portugal. No total foram 36 Estados que estiveram ao lado do governo kosovar, enquanto a Rússia, Ucrânia, Sérvia e Espanha protestaram. 

O nascimento de Pristina causou indignação na região, em particular no Montenegro, com protestos dos partidos sérvios. 

A criação de mais um Estado na região é visto como um sinal de estabilidade e paz, porque todos as etnias têm algo com que se identifiquem. As opiniões menos favoráveis acreditam que a situação vai criar um precedente noutras zonas como a Ossétia do Sul e a Abkházia.

Uma coisa é certa. A independência do Kosovo significa o fim total da antiga Jugoslávia, sendo mais um país que consegue nascer em 20 anos. 

Figura do ano 2008: Barack Obama

A nomeação de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos marca o ano político de 2008.

O senador do Illinois fez uma campanha brilhante, com um discurso fantástico que tocou qualquer pessoa, independentemente do partido e mesmo vivendo fora dos Estados Unidos.

A eleição mudou muitos aspectos da política norte-americana, mas também aproximou a Casa Branca dos cidadãos. Durante oito anos foram inúmeras as tentativas do Presidente em comunicar com a população através das redes sociais. 

No plano político, houve bastante alterações a nível interno com a introdução do Obamacare, mais direitos para as minorias e uma necessidade de corresponder aos problemas das pessoas. Na economia também se sentiram progressos, apesar de algum desemprego em alguns Estados que foram responsáveis pela eleição de Donald Trump.

O pior do mandato de Obama surgiu a nível externo, onde não conseguiu impor a força, mesmo por via diplomática. As vitórias com o acordo nuclear iraniano e a aproximação a Cuba têm pouco valor porque neste período apareceram outras forças capazes de discutir o primeiro lugar com os Estados Unidos.

Não se pode negar a importância da chegada de Obama à Casa Branca. Alguns consideraram que se tratou de um feito histórico. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ano 2008: La Roja espanta o mundo com futebol de qualidade

O futebol europeu assistiu ao nascimento de geração de futebolistas espanhóis que jogavam de pé para pé, ao primeiro toque e de uma forma que obrigava o adversário a correr atrás da bola ao ponto de se desgastar.

A selecção espanhola venceu o Euro 2008, iniciando um ciclo de vitórias no futebol europeu e mundial com a conquista do Mundial 2010 e Euro 2012, praticando o famoso tiki-taka. O triunfo no campeonato realizado na Suiça e Áustria foi apenas o começo, sendo que, os restantes torneios confirmaram a evolução do estilo de jogo.

A selecção portuguesa também participou no torneio, tendo sido eliminada pela Alemanha nos quartos-de-final, na despedida de Luiz Felipe Scolari como seleccionador depois da final do Euro 2004 e das meias-finais do mundial da Alemanha em 2006.

Durante o ano também se realizaram os Jogos Olímpicos em Pequim. No certame, dois atletas portugueses conquistaram medalhas. Nélson Evora arrecadou o ouro no triplo salto masculino e Vanessa Fernandes alcançou a prata no triatlo.

Uma boa prestação da comitiva portuguesa.

No desporto também destacar a chegada do alpinista João Garcia ao cume do Broad Peak.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima 

Cavaco Silva - Uma grande entrevista do ex-Presidente da República. A postura de Cavaco Silva é completamente diferente da de Marcelo Rebelo de Sousa. Também por este aspecto se distinguem os grandes estadistas dos líderes vulgares. Cavaco Silva foi maltratado por todos porque não queria ser popular. Nunca decidiu em função da opinião pública, publicada ou aproveitou a popularidade do governo. Num período em que teve de gerir as maiores crises políticas, o antigo Chefe do Estado decidiu sempre pelo interesse nacional.

No Meio


António Costa - O primeiro-ministro vingou-se dos ataques do PSD e CDS trazendo para a praça pública um tema polémico. A jogada política pode ter sido importante para desviar as atenções da CGD, mas não deve ter consequências nas sondagens. 


Em Baixo

Coreia do Norte - O regime norte-coreano tem um dos piores problemas para resolver. A morte do meio-irmão de Kim-Jong Un pode desencadear um golpe de Estado que se adivinha nos bastidores. Os militares nunca concordaram com nomeação do filho do querido líder, pelo que, qualquer meio serve para colocar em causa a actual liderança. O ditador tem mais com que se preocupar do que testar misseís nucleares.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Ano 2008: Barack Obama conquista a Casa Branca

A conquista da Casa Branca por Barack Obama aconteceu no dia 4 de Novembro de 2008. O antigo senador do Illinois começou em grande com um discurso fantástico que empolgou a população norte-americana e deu esperança ao resto do Mundo, depois da administração W.Bush ter sido castigada.

A caminhada de Obama começou com a habitual vitória nas primárias sobre Hillary Clinton. A luta pela nomeação foi renhida, mas a antiga primeira-dama deixou de ter hipóteses a partir do momento, em que a popularidade de Obama começou a crescer. Tendo em conta as picardias entre os dois principais candidatos, nada fazia prever que Clinton seria secretária de Estado norte-americana no primeiro mandato e a eleita por Obama para ser a candidata do Partido Democrata nas presidenciais de 2016.

Os republicanos nomearam John McCain. O antigo veterano de guerra conseguiu ser melhor que o milionário Mitt Romney. 

A vitória de Barack Obama foi robusta, tendo vencido no voto popular por uma diferença de dez milhões e alcançando mais sete pontos percentuais que o republicano. 

A mudança começou a ser construída nesse dia. 

As eleições tiveram pouco interessante em termos competitivos, mas a chegada de uma personagem cativante como Barack Obama despertou atenção em todo o Mundo. A saída de George W.Bush também foi um motivo para alegria.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Um presidente sem amigos externos

O primeiro inimigo externo do Presidente norte-americano chama-se México. 

Os mexicanos vão ter que sofrer com as novas políticas da Casa Branca por causa das promessas eleitorais. Trump ganhou muitos votos ao se ter colocado contra os mexicanos e muçulmanos, tendo poupado as outras minorias.

Não acredito que os Estados Unidos consigam crescer política e economicamente se actuarem sozinhos. Ou seja, tendo em conta que o Canadá também não é o maior aliado de Trump, os Estados Unidos ficam sem amizades para beneficiar a região.

A actual política externa norte-americana não terá em consideração promover o cescimento da América do Norte numa altura em que os vizinhos do Sul tentam efectuar reformas políticas e económicas com a ajuda da União Europeia.

Será interessante verificar quais são as principais prioridades do presidente relativamente às alianças externas, sendo quase provável, uma aproximação à Rússia e o apoio à causa israelita contra a Palestina.

Quase apetece escrever que Trump começou o mandato sem amigos externos..

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Ano 2008: Discussões que ainda valem a pena ter

Ao longo dos meses foram inúmeras as discussões sobre vários assuntos que marcam a agenda nacional e internacional. 

Alguns temas não estão encerrados devido à importância que têm, sendo obrigatório pensar constantemente nas soluções. 

Os dois assuntos que mereceram destaque em 2008 foi a pena de morte e a legalização das touradas. O primeiro tem sempre impacto a nível mundial, já que, existem países que introduziram ou pretendem no sistema jurídico. O segundo divide associações da protecção dos animais e os defensores da festa brava. 

Não existe uma conclusão definitiva que possa agradar a todos. A verdade é que nos dois estão em causa direitos de seres vivos. 

A pena de morte necessita de ter um acompanhamento a nivel global, em particular pelos países mais influentes das Nações Unidas, em particular os Estados Unidos. Se as maiores nações chegassem a um consenso sobre o assunto talvez houvesse mais liberdade e democracia. 

Uma geração de líderes sem visão para a Europa

Os líderes europeus assistem impávidos e serenos às mudanças políticas no continente e não só. O problema não tem a ver apenas com arrogância, mas está relacionado com a falta de competência. A nova geração de líderes não está devidamente preparado, já que, chegou ao poder bastante cedo. 

A Europa e a União Europeia sente falta dos grandes nomes que construíram ideias e projectos em prol dos cidadãos europeus. Apesar da alternância de poder, havia sempre um denominador comum: o interesso europeu.

Actualmente, o que importa é dominar as políticas e impô-las a todos como se a Europa fosse uma Federação. Ora, a tentativa de copiar o modelo norte-americano é o maior erro que os dirigentes europeus cometem. 

Os últimos presidentes franceses e alemães criaram um diktak que prejudicou não só a relação entre os países, mas também as próprias instituições europeias. A revisão dos tratados reforçou a capacidade dos órgãos, mas na realidade ficaram com menos poder. As várias cimeiras também não servem para nada porque as decisões são sempre adiadas para os próximos encontros. 

O cumprimentos dos tratados é importante, mas não podem ser vistos como uma constituição supra-nacional. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Jogo político à volta da Caixa

A polémica da Caixa Geral de Depósitos não têm fim à vista porque há sempre uma novidade que prolonga a discussão e as tricas partidárias. 

A esquerda tem medo de ouvir a verdade porque qualquer coisa será motivo para haver mal estar entre os partidos, sobretudo o PS que meteu água por todos os lados neste processo. Vai ser difícil mandar embora Mário Centeno, mesmo que os partidos da oposição continuem a criar instabilidade.

A questão central é saber até quando o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português vão continuar a engolir o Ministro das Finanças. O BE prometeu vigilância apertada em assuntos importantes e agora está a tapar o sol com a peneira. Os comunistas mantém sempre uma posição incerta para gerar desconfiança. 

A demissão de Matos Correia da Comissão Parlamentar de Inquérito foi uma boa jogada do PSD porque atira as culpas para o PS. Os socialistas estão numa camisa de forças sem saber o que fazer e a quem dar ouvidos. 

Por um lado, não podem aceitar as críticas da oposição, mas por outro, necessitam de ter cuidado com as reacções para não criar inimizades nos actuais companheiros parlamentares. 

O mais engraçado nesta história é a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa servir para criar mais caos político. O Presidente da República deveria apelar ao entendimento entre os partidos em nome do interesse nacional, mas actua como uma força partidária, embora constituída apenas pela sua pessoa.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ano 2008: As redes sociais roubaram a influência dos blogues

Em dez anos tudo mudou na blogosfera. 

No início da década, os blogues surgiram como o grande espaço do comentário político, tendo sido ocupado por grandes intelectuais do nosso país. A democracia também se fazia na internet, sendo que, algumas caras do jornalismo e política começaram a ser lidas e conhecidas na blogosfera. 

O aparecimento das redes sociais deram cabo dos blogues porque a mensagem chegava a mais pessoas via facebook que através de sites. A partir do momento em que procurar informação passou a ser uma tarefa que dava muito trabalho, deixou de fazer sentido opinar num site.

No início pensava-se que os blogues iriam trazer discussão pública útil que poderiam ser aproveitados para criar movimentos de intervenção política. Isso acabou por não acontecer por causa das ferramentas fáceis de utilizar. Na altura também se organizarm concursos e nas eleições 2009, alguns candidatos reuniram-se com bloguistas para debater as questões nacionais.

O outro problema que não se verificou teve a ver com a influência. Nenhum blogue conseguiu ocupar o papel que está destinado aos jornais. Ou seja, denunciar algo que prejudicasse alguém. 

Os blogues serviram essencilamente para cada um ter opinião sobre qualquer assunto. É verdade que alguns blogues, como os de moda, ainda sobrevivem porque é uma forma das marcas venderem os produtos. 

O tempo não volta para trás, mas parece que o aumento da necessidade de opinar pode fazer ressuscitar alguns espaços de referência.

A vingança ainda se serve fria

Na política portuguesa o ditado "a vingança é um prato que se serve frio" aplica-se na perfeição. 

Os livros escritos por antigos presidentes ou primeiros-ministros, ou mesmo governantes, raramente são sobre os mandatos. O principal conteúdo é explicar como se relacionam com outros intervenientes políticos.

O novo livro de Cavaco Silva relata as experiências com José Sócrates e também António Costa. No segundo volume o país vai saber como o ex-Presidente da República se relacionava com Pedro Passos Coelho. Sem saber como eram os bastidores no período mais complicado da crise, é fácil constatar que, nem Sócrates e Costa, caíram no goto de Cavaco Silva, mas também não era preciso lançar nenhum livro para se ter percebido.

A grande diferença de Cavaco e Marcelo é que o primeiro respeitou sempre a separação de poderes, mesmo na difícil decisão de dar posse a António Costa. 

O que se passa com o actual Chefe do Estado é precisamente o contrário. Marcelo está apenas preocupado com o umbigo. Vai ser divertido ou chocante ler as experiências do Presidente na altura de editar a vendetta.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Basuki Tjahaja Punama - O candidato apoiado pelos cristãos na região de Jacarta leva vantagem sobre dois adversários muçulmanos. Se Punama for eleito pode ser um factor de disuassão do terrorismo que ainda perdura naquelas bandas. 

No Meio

Marcelo Rebelo de Sousa - O presidente da República começa a interferir nas questões governativas, terminando a lua de mel com o primeiro-ministro. A paz foi quebrada porque Marcelo não evitou meter a foice em seara alheia. O maior problema não é ter tentado demitir Centeno, mas a forma pública como continua a querer ser o principal protagonista. Isso vai causar impopularidade.

Em Baixo 

Mário Centeno - O ministro das Finanças tem sido o principal protagonista na questão da entrega da declaração dos rendimentos dos antigos gestores da Caixa Geral de Depósitos. Centeno fez um acordo com o antigo presidente à revelia do primeiro-ministro, mas teve que dar a mão à palmatória e desfazer a promessa. Por muito que queira apresentar bons resultados económicos, o ministro fica com imagem de mentiroso. Mentiu ao país e aos deputados e também não cumpriu com António Domingues. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Ano 2008: A monarquia ainda se discute 100 anos depois da morte do Rei

A morte do Rei D.Carlos em 1908 ainda indigna os monárquicos portugueses.

A forma como os republicanos decidiram acabar com um regime nunca será perdoado por todos os descendentes das famílias monárquicas, nem pelos que aderiram ao movimento, mesmo não tendo sangue azul.

Num país com muitos séculos de monarquia é normal que o fervor perdure durante muito tempo. As discussões e a reivindicações nunca serão apagadas, apesar das gerações mais novas terem nascido na república e em democracia. 

É verdade que existem monarquias constitucionais, mas o modelo de poder absoluto é o que faz mais sentido, já que, garante ao monarca poder legislativo, executivo e judicial. Se as funções estão distribuídas a figura real não passa de meramente decorativa, tendo inexistência política. 

A república não é um sistema infalível, mas assegura que as pessoas possam escolher através do sufrágio universal. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Marcelo entra finalmente em cena

Na primeira dificuldade política para o governo, eis que entra em cena o Presidente da República. 

A história sobre a polémica em torno da Caixa Geral de Depósitos ainda tem muito para revelar, mas o nome de Marcelo Rebelo de Sousa também já está metido ao barulho por causa da eventual demissão de Mário Centeno.

A nuvem continua a ser grande para se perceber todos os pormenores, embora não haja grande dúvida sobre a interferência presidencial na manutenção ou futura demissão de Mário Centeno. Afinal a posição de árbitro durou apenas um ano depois das eleições e menos de 365 sobre a tomada de posse. 

É impressionante o número de notícias sobre o envolvimento do Presidente na escolha política de António Costa. A partir de agora começam a revelarem-se algumas dificuldades do primeiro-ministro em lidar com uma situação problemática. No momento em que Marcelo começa a tomar conta do jogo político ninguém perto de si vai conseguir sobreviver. 

Perante a confusão criada por Marcelo Rebelo de Sousa em torno da demissão de Centeno, não acredito que o ministro continue no cargo. O Chefe do Estado pretende mesmo estragar tudo....

Na minha opinião, António Costa também não tem capacidade para lidar com Belém, exceptuando nas alturas em que é preciso sorrir para a fotografia. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Bom senso britânico

Os britânicos habituaram o mundo a ter outro tipo de comportamentos. A eleição de Donald Trump provocou azia e revolta, mas o Reino Unido aproveitou para reforçar os laços com os Estados Unidos fragilizando a economia europeia, bem como a coesão política. 

Na recente visita aos Estados Unidos, Theresa May conseguiu manter a aliança sem se ajoelhar, o que acontece muitas vezes com os actuais líderes europeus sempre que procuram alianças políticas. 

No final do ano, o governo britânico convida Trump a visitar o Reino Unido. Ora, a proposta provocou uma reacção negativa em alguns sectores, mas também no Speaker do parlamento que recusou receber o líder norte-americano. As palavras de Bercow devem-no atirar para a porta de saída. 

O executivo liderado por May recusou o pedido da população para fechar as portas a Trump. O respeito pelos resultados democráticos e a manutenção de uma aliança estratégica que vai beneficiar as duas partes foram os argumentos utilizados pela primeira-ministra. O bom senso britânico imperou sobre a arrogância e histeria verificada nas actuais lideranças europeias, mas também no Reino Unido. Theresa May não se sujeitou ao populismo e oportunismo político que a eleição de Trump originou. Falar mal do empresário também dá votos...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A revelação de Centeno tramou os acordos parlamentares

A bomba que caiu ao final da tarde vai mudar a face do governo. Por muito que António Costa queira, Mário Centeno deixou de ter condições políticas para ser Ministro das Finanças. A embrulhada da Caixa Geral de Depósitos confirmou a incompetência técnica e política do braço-direito do primeiro-ministro.

Se recuarmos a 2013, recordamos que a demissão de Vítor Gaspar praticamente deitou abaixo o governo CDS-PSD. As confissões e o desejo de Centeno também vão abrir brechas nos acordos entre os partidos de esquerda porque não há razão para defenderem o Ministro. 

Apenas a cegueira ideológica vai impedir que PCP e BE sejam favoráveis à continuidade de Centeno.

Percebo que Costa não queira deixar cair um dos ministros mais importantes. O primeiro-ministro voltaria a estar debaixo de críticas depois de ter excelentes números económicos. 

O PSD obteve uma vitória política sobre o executivo, já que, obrigou Centeno a dizer aquilo que a oposição queria. A partir de agora Costa vai ser confrontado no parlamento com a disponibilidade do ministro para se demitir. Duvido que consiga estar à altura das respostas. 

O pior mesmo foi a marcação de uma conferência de imprensa para explicar o que se passou na Caixa Geral de Depósitos sem primeiro ter ido ao parlamento. 

Por fim, parece que Marcelo Rebelo de Sousa já começa a interferir com a política governativa. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O cumprimento do défice não resolve o problema económico

Nos últimos 6 anos, os governos liderados por Passos Coelho e António Costa tiveram de lidar com o problema do défice. 

A necessidade de ordenar as contas públicas obrigou a uma intervenção externa que colocou milhares de pessoas no desemprego.

O valor do défice desceu de forma vertiginosa, mas o desemprego continua em alta, tendo havido uma desaceleração do ritmo após a entrada do governo socialista. 

As prioridades dos governos PSD-CDS e PS foram apenas e só cumprir com as metas estabelecidas por Bruxelas, não existindo qualquer plano para o crescimento económico também ser sustentável. Dificilmente os executivos futuros poderão passar a linha vermelha dos 3%, mesmo com as ideologias do PCP e BE.

O país não pode ficar contente com a consolidação das contas públicas por duas razões. A primeira porque continua a não existir crescimento económico. Em seis anos os sinais foram tímidos, em quaquer executivo. Em segundo, o desemprego ainda é gigante. 

Os dois problemas são estuturais e não se resolvem com mudanças de políticas. Tendo em conta que , nesta matéria, PSD e PS divergem pouco em termos ideológicos porque defendem a iniciativa privada, deveria existir uma linha traçada, apesar da resistência dos partidos que costumam estar coligados. 

Neste momento, mais do que festejar o cumprimento das obrigações é preciso pensar o país a longo prazo. Na minha opinião, Marcelo Rebelo de Sousa pode dar um contributo importante. 

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Theresa May - Até agora os conservadores ganharam em todas as frentes na questão do Brexit. Mesmo não sendo um partido unido em torno do SIM ou NÃO, o partido que suporta o governo tem estado à altura da responsabilidade colocando o país à frente das questões partidárias. O bom comportamento será recompensado nas eleições de 2020.

No Meio

Nicola Sturgeon - A partir de agora, o Partido Nacional Escocês vai lutar pela realização de um segundo referendo sobre a manutenção da Escócia no Reino Unido. A repetição do mesmo resultado verificado no primeiro escrutínio pode ter consequências políticas e não só. 

Em Baixo

Mário Centeno - O cerco ao ministro das finanças aperta-se. A oposição não vai deixar de tentar derrubar o ministro, o que seria uma grande perda para a manutenção da estabilidade do governo. O mais interessante é a esquerda ainda não ter coragem para criticar directamente Centeno.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ano 2008: Cavaco passeava sem ser criticado

O governo estava no auge por causa da popularidade do primeiro-ministro. As eleições legislativas de 2009 podiam dar uma vitória, embora sem saber se com ou sem maioria absoluta. A oposição continuava metida em problemas porque os líderes não tinham palco para assustar José Sócrates. 

Todos os presidentes do PSD após a saída de Marques Mendes não tinham sido eleitos deputados para a legislatura 2005-2009, pelo que, se tornava difícil confrontar José Sócrates.

O país também analisava os primeiros passos de Cavaco Silva na presidência da República. As eleições de 2006 tinham sido bastante renhidas com o ex-primeiro-ministro a ser eleito com apenas 50,5%, contra 20,7% de Manuel Alegre. Por seu lado, Mário ficou em terceiro com 14,3%. 

Os primeiros dois anos de Cavaco Silva como Chefe do Estado foram pacíficas não havendo nenhum problema com o governo socialista. O Presidente não se colou demasiado a São Bento nem ignorou a oposição. 

Os discursos presidenciais também eram suaves, tendo sempre como pano de fundo os problemas de Portugal. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Forçar a queda de Centeno

Há muito tempo que CDS e PSD tentam enterrar Mário Centeno.

A polémica em torno dos administradores da Caixa Geral de Depósitos é um grande imbróglio para o Ministro das Finanças. Centeno não tem como escapar ao escrutínio parlamentar e popular. 

O governante tem sido um problema para António Costa, sendo que, os partidos que apoiam o exeutivo também não morrem de amores por ele. 

Não há dúvida que Centeno tem sido mais um problema que a solução, apesar de ter metido as contas em dia, mas isso não é a única missão de um Ministro das Finanças. Se calhar age sem o conhecimento do primeiro-ministro. 

Em termos ideológicos também não parece ser a melhor pessoa para defender a iniciativa privada no sector bancário.

A estratégia da Direita passa por forçar a queda do número 2 do governo, mesmo não tendo quaisquer habilidades políticas. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O "momentum" de Marcelo Rebelo de Sousa

Nunca se viu um Presidente da República agarrado ao governo como tem sido a prática de Marcelo Rebelo de Sousa. O Chefe do Estado faz bem em enaltecer os feitos do executivo porque isso é bom para o país, mas escusa de tirar o tapete à oposição.

O primeiro ano de mandato do Presidente da República fica marcado pela consonância com António Costa. Os dois gostam de aparecer como salvadores da pátria, reivindicando para si tudo o que foi feito de bom. 

O problema é que a relação Costa-Rebelo de Sousa também tem todos os ingredientes para estalar à primeira crise. Isto é, ao primeiro não que virá do primeiro-ministro. A personalidade de ambos tanto dá para almoçarem juntos como criarem uma crise institucional sem possibilidade de reconciliação. Tudo por causa do egocentrismo que paira no interior de cada um.

O Chefe de governo e de Estado têm outra semelhança perigosa para a nossa democracia. António Costa subiu a primeiro-ministro através de um acordo parlamentar depois de ter perdido as eleições, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com níveis baixos de votação, muito inferior à popularidade que tinha quando vestia unicamente a pele de comentador televisivo. 

O "momentum" obriga o Presidente a tirar fotografias com o primeiro-ministro e a dar pontapés no líder da oposição, que por acaso, conseguiu ser eleito chefe do governo, algo que nenhum dos dois representantes do Estado português obtiveram nas respectivas carreiras políticas. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ano 2008: PSD volta a dar um tiro no pé

Os sociais-democratas voltaram a realizar um acto eleitoral para escolher o sucessor de Luís Filipe Menezes. O ex-autarca de Gaia fez tudo para derrubar Marques Mendes, mas não sobreviveu aos derrubes que outros causaram enquanto liderava o PSD. 

A eleição interna decorria num ambiente favorável ao primeiro-ministro José Sócrates que continuava em grande a um ano das eleições legislativas. Nada nem ninguém fazia oposição ao líder do governo que prometia o el dorado ao mesmo tempo que surgiam os primeiros sinais da crise com o fim do Lehman Brothers. 

Nas eleições internas houve espaço para quatro candidatos. A antiga ministra Manuela Ferreira Leite, o ex-primeiro-ministro e ex-líder do partido Pedro Santana Lopes, Patinha Antão e um candidato chamado Pedro Passos Coelho. 

A vitória coube a Ferreira Leite, mas Passos Coelho obteve um resultado muito bom, prometendo servir o partido, enquanto Santana Lopes teve mesmo de ir embora porque se continuasse ali não ganhava mais nada. Patinha Antão foi o entretenimento da campanha eleitoral. 

As opiniões relativamente à presidência de Ferreira Leite dividiam-se. Uns entendiam que se tratava de uma líder forte, enquanto outros acreditavam que o partido tinha voltado para as mãos dos notáveis. 

O resultado nas legislativas de 2009 deu razão aos críticos. O PS não obteve maioria absoluta, mas o PSD também sofreu bastante. José Sócrates tomou posse como primeiro-ministro e os sociais-democratas regressaram às urnas em 2010. 

Efeitos Trump

A vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas teve mais impacto na política mundial que a saída do Reino Unido da União Europeia.

Na Europa, as reacções ao triunfo de Trump foram mais severas do que após a escolha dos britânicos em Junho do ano passado. 

A caminhada do empresário até à Casa Branca serve de inspiração a outras personalidades que pretendem participar na política, mas não têm apoios populares, financeiros e mediáticos. Quem se sentir inibido pode copiar o exemplo do actual presidente para tentar construir uma carreira de sucesso na política. 

Não quer dizer que tenham o mesmo discurso populista, e em determinadas ocasiões demagogas, para conquistar o eleitorado. Seguir o exemplo de Trump não significa que vão nascer milhares de movimentos populistas com vontade de mudar o sistema. 

Em alguns países europeus existem semelhanças, mas dificilmente terão capacidade para cumprir metade das promessas eleitorais porque os sistemas políticos são diferentes do presidencialismo norte-americano. 

Na minha opinião haverá mais oportunidade de escolha devido ao efeito Trump.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um novo autoritarismo

O presidente norte-americano não pára de arranjar inimigos internos com o argumento que tem mais poder do que qualquer pessoa nos Estados Unidos.

Em menos de um mês foi possível perceber que Trump é um líder autoritário que não aceita ser contrariado, seja pelos media, população ou qualquer tribunal.

Desde a campanha eleitoral que o presidente ameaçou lidar com certas questões "à sua maneira", utilizando o poder para fazer o que apetecesse. 

Neste momento ainda só assistimos a situações com menor importância. Quando o Congresso entrar em jogo a atitude vai ser outra porque Trump não tem a habilidade política para lidar com outro tipo de poder. 

A forma como Trump tem exercido o cargo revela autoritarismo, embora dependente das instituições democráticas. A lei da força para manter a ordem regressou aos Estados Unidos.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Theresa May - A primeira-m.inistra britânica cumpriu a vontade da população relativamente ao Brexit. O documento revelado nesta semana garante a saída total do Reino Unido da União Europeia, mantendo apenas a ligação afectiva. As medidas também acalmam os partidos que votaram a favor do Brexit, como o UKIP, mas sobretudo grande parte do Partido Trabalhista que vai ter de arranjar outro tem para atacar os conservadores. No debate semanal, May esteve muito bem na defesa de um líder legitimamente eleito pelos norte-americanos.


No Meio

François Fillon - O candidato do Partido Republicano nas próximas presidenciais tem sido pressionado para desistir por causa de alguns escândalos envolvendo a mulher e o filho. O que está a acontecer só favorece o discurso de Marine Le Pen. Se Fillon não for a jogo é certo que a Frente Nacional ganha as eleições em Abril.

Em Baixo 

Donald Trump  -  O presidente norte-americano tem arranjado polémicas em todo o lado. No plano interno cumpriu as promessas, mas já está a ser contestado em vários sectores da sociedade. Nem a escolha de um juiz conservador para o Supremo deve acalmar as hostes republicanas. O saldo dos primeiros dias é claramente negativo tendo em conta os interesses dos Estados Unidos e do mundo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Hard-Brexit

O documento com os princípios orientadores do Brexit foram divulgados pelo governo britânico. A intenção dos britânicos passa por sair totalmente da União Europeia, embora salvaguardando os interesses dos cidadãos nos restantes países. O problema é saber como vão reagir os governos europeus caso o Reino Unido mantenha a porta fechada aos respectivos cidadãos.

O documento revelado pelo executivo mostra a intenção de abandonar o mercado único de forma livre para negociar acordos com quem quiser, ter um sistema de imigração próprio e deixar de ser alvo da jurisdição do Tribunal Europeu de Justiça. 

O Reino Unido pretende estabelecer as próprias regras no comércio, imigração e justiça na relação com os restantes países. A União Europeia não pode aceitar as condições porque vai deixar os britânicos crescer e fazer concorrência para ser uma grande potência no espaço europeu. 

Por estas medidas se vê a ambição dos britânicos na nova fase que começa em 2019. 

As negociações só começam no final de Março, mas as reacções europeias vão ser negativas, sobretudo com ameaças de retaliação. 

O governo ganha credibilidade junto da população britânica e dos partidos que lutaram pela saída do Reino Unido na União Europeia. Ainda estamos longe das negociações finais, mas para já fica com a oposição mais domesticada. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Ano 2008: O mundo fica a conhecer Barack Obama, Passos Coelho e o tiki-taka

As eleições presidenciais norte-americanas marcaram o ano político em 2008 no plano internacional. De quatro em quatro anos o mundo fica em suspenso para saber quem é o novo inquilino da Casa Branca, sendo que, a expectativa era maior porque iria haver mesmo um Presidente diferente.

As primárias democratas foram bem mais concorridas e interessantes por causa dos dois nomes que estavam em posição de vencer. Nos republicanos, Mccain ganhou tranquilamente mesmo perante a ameaça de Mitt Romney. 

No final de 2008, Barack Obama surpreendeu o mundo com uma retórica formidável e um slogan que ficou nos ouvidos de todos. O "Yes We Can" serviu para alimentar a possibilidade de terminar com a crise económica e a má reputação dos Estados Unidos no resto do planeta devido às intervenções militares da administração Bush.

Em Portugal também se realizaram eleições internas no PSD, praticamente um ano depois da chegada de Luís Filipe Menezes ao poder. O ex-autarca aguentou-se apenas seis meses, originando um passeio ao primeiro-ministro, José Sócrates, a um ano para as legislativas. O socialista só precisou de efectuar algumas entrevistas para ser favorito. Os sociais-democratas elegeram Manuela Ferreira Leite em detrimento de Pedro Santana Lopes e de Pedro Passos Coelho. Coelho ficou à frente de Lopes, prometendo ficar por aí, mas respeitando a escolha dos militantes.

O país discutia política e futebol por causa da participação da selecção nacional no Euro 2008, embora no Verão o aumento dos combustíveis provocou dezenas de manifestações, paralisações e uma corrida desenfreada às bombas. No fim, o governo socialista cedeu novamente às ameaças. O centenário do regicídio também mereceu festejos dos adeptos da monarquia. 

Os torneios de futebol de selecções são sempre motivo para uma pausa no Verão. A selecção portuguesa orientada por Scolari perdeu nos quartos-de-final do Euro 2008 contra a Alemanha. A Espanha conquistou a taça pela segunda vez, iniciando uma nova era no futebol mundial que se estendeu à conquista do Mundial 2010 e Euro 2012. O tiki-taka apareceu para perdurar durante muito tempo. Os Jogos Olímpicos de Pequim deram medalhas a Vanessa Fernandes e a Nélson Évora, enquanto João Garcia atingiu o cume do Broad Peak. 

No blogue as discussões mais importantes foram sobre a pena de morte e as touradas. No entanto, o que se falava mais no mundo virtual era o poder dos blogues na sociedade da informação. 

O mundo novamente contra Trump

As reacções às medidas de Trump têm sido excessivas não se cingindo apenas aos líderes europeus que gostam sempre de ter razão sempre que dizem alguma coisa. 

Neste particular, os britânicos ultrapassaram as provocações europeias com a realização de um debate em Westminster para proibir a viagem do presidente norte-americano ao Reino Unido. Não acredito que seja possível porque todos são bem acolhidos em Terras de Sua Majestade.

No artigo publicado ontem, escrevi que as primeiras medidas estavam a ser bastante criticadas. Apesar disso, as primeiras dificuldades prendem-se com a escolha do novo juiz para o Supremo Tribunal. O Senado tem de confirmar a escolha de Neil Gorsuch, sendo que, os democratas já demonstraram algumas reticiências.

As expectativas em relação à nova presidência continuam em baixo porque tem havido bastante barulho a nível interno que terá reflexos no Congresso norte-americano. As negociações que Trump vai conseguir efectuar com Senadores e Congressistas poderá marcar o mandato no plano positivo. O único problema que impediu Obama de ter feito melhor trabalho foi a maioria republicana no Congresso, sobretudo nos últimos dois anos. 
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