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sábado, 20 de janeiro de 2018

Figuras da Semana

Por Cima

Rui Rio - O antigo autarca do Porto conseguiu finalmente ser eleito presidente do PSD. O triunfo justifica que o partido se una em volta da nova liderança, embora já se tenham notado anticorpos parlamentares na primeira semana. A tarefa de Rio não vai ser fácil porque o tempo não é muito. No princípio tem de estar bem colocado nas sondagens para mobilizar os militantes que poderão conquistar o eleitorado. O pedido de maioria absoluta confirma a ambição demonstrada na campanha.


No Meio

Coreia - A Coreia do Sul e a Coreia do Norte chegaram ao primeiro entendimento. Nos próximos Jogos Olímpicos de Inverno, as duas Coreias vão desfilar sob uma única bandeira. O desporto volta a fazer milagres, embora seja cedo para festejos porque o principal inimigo de Pyongyang são os Estados Unidos. Não haverá descanso até que Kim Jong-un ou Donald Trump abandone o poder.


Em Baixo

Santana Lopes - Mais uma derrota eleitoral do antigo primeiro-ministro. Contudo, ficou a sensação que Santana Lopes vai voltar a concorrer. A imagem de perdedor é algo que nunca vai abandonar a carreira política até conquistar uma vitória. Uns dizem que se trata de persistência, mas nota-se perfeitamente que os militantes sociais-democratas dificilmente voltam a confiar nele.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A economia pode salvar Trump

Os números dos estudos de opinião sobre a popularidade do Presidente não são famosos desde a tomada de posse. A falta de aceitação das pessoas surgiu ainda antes da eleição, mas as críticas constantes dificultam qualquer governação.

O grande problema do Presidente é a resposta a todas as formas de crítica, sendo que, a maioria delas surgem no twitter onde não se consegue perceber se existe irritação, podendo ser susceptível de qualquer interpretação. Os órgãos de comunicação social norte-americanos pretendem denegrir ao máximo a imagem do inquilino da Casa Branca. 

Apesar da falta de popularidade, Trump consegue recolher algum apoio com as melhorias no plano económico. As notícias animadoras facilitam a concretização da promessa de recuperar os postos de trabalho. Os votos ganhos pelo candidato republicano no Mid-West foram decisivos para vencer uma eleição que não contou com a maioria dos votos populares. Se aquela zona geográfica tiver perspectivas económicas positivas dentro de ano e meio, Trump tem a reeleição garantida.

Não há duvida que o presidente governa sem se preocupar com a popularidade. O estilo institucional foi abandonado neste último ano. A questão é saber o que preocupa mais os norte-americanos. A economia está no topo das prioridades, embora haja sempre uma vontade de colocar o país como líder mundial e mais forte face às outras potências em desenvolvimento. 

Na minha opinião, os resultados económicos são mais importantes que indicar uma figura para substituir Bashar al-Assad na Síria. A última campanha eleitoral mostrou como as pessoas sofreram com os problemas do desemprego, apesar de Obama ter deixado os Estados Unidos numa excelente situação.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

A Rússia continua a ser o principal adversário da Europa

O Ocidente, sobretudo a Europa, tem um problema para resolver se continuar a recear uma eventual invasão por parte de Moscovo.

As ameaças que dividem a Europa tornam o projecto de Vladimir Putin mais forte porque fica sem um concorrente em vários domínios. Isto é, as fragilidades da União Europeia possibilitam a afirmação da Rússia enquanto potência mundial. 

Nos últimos anos a capacidade política da UE diminuiu bastante por causa dos líderes fracos que governaram as instituições europeias e os países mais influentes. Pelo contrário, a influência de Moscovo aumentou bastante em algumas zonas do globo, nomeadamente no Médio-Oriente, onde a política ocidental falhou. 

O poderio militar, como se verificou no combate ao Estado Islâmico, é bastante desigual. A presença da NATO no leste da Europa, deve-se muito à contribuição norte-americana. Os Estados europeus dormem muito bem sabendo que os Estados Unidos ainda são um aliado, mas tudo pode mudar com Trump na Casa Branca. 

No plano económico existe uma vantagem para a União Europeia, que tem mais possibilidade de criar riqueza, tendo assegurado um parceiro muito importante, como é a China. O regime de Moscovo espera fortalecer a economia depois do campeonato do mundo de futebol.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A incerteza do Brexit

Na véspera de se iniciar a segunda fase das negociações entre o Reino Unido e a União Europeia não existe nenhum caminho definido por qualquer das entidades. Os recados e avisos para o outro lado são mais que os apertos de mão, apesar de já se ter ultrapassado a primeira fase com sucesso. 

Os responsáveis europeus estão a adoptar uma postura negativa face aos britânicos desde o início do processo para impedir que Theresa May se sinta confortável nas viagens a Bruxelas e no regresso a casa. Ainda existe alguma esperança que o Brexit seja anulado caso a primeira-ministra abandone o poder. 

O clima interno também não é o melhor para a líder do executivo trabalhar em paz na defesa dos interesses britânicos. No fundo, os europeus pretendem ficar ligados ao Reino Unido de outra forma, mas alguns membros dos conservadores e outras forças partidárias preferem um corte total com a União Europeia. May continua no meio a tentar agradar a gregos e troianos sem perceber que a indecisão prejudica apenas a manutenção no cargo. Não é possível fazer cedências nos dois lados. 

As declarações dos dirigentes europeus mostram que existe pouco respeito pelo resultado do referendo bem como uma frustração pela derrota. A velha forma da União Europeia lidar com as derrotas não muda. Curiosamente, Merkel e Macron adoptam posturas mais moderadas sem revanchismo que poderia levar a um afastamento definitivo dos britânicos com a Europa.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Mais um mito que vai durar pouco tempo na liderança do PSD

A eleição de Rui Rio como líder do PSD não representa uma mudança. Na campanha notou-se algumas semelhanças com Passos Coelho, sobretudo no plano económico. A promessa de apresentar uma alternativa será curta porque não é fácil criar  uma solução diferente do governo neste clima favorável.

O antigo autarca do Porto lutou pela oportunidade que tanto reclamava desde a saída de funções camarárias. A conquista da liderança resulta de um trabalho iniciado há um ano. 

Num curto espaço de tempo precisa de provar que merece a confiança dos militantes. As conclusões serão tiradas no final do ano tendo em conta que em 2019 existem eleições europeias e legislativas. Rio não terá um acto eleitoral antes das eleições gerais para testar a liderança, pelo que, a capacidade de levar o PSD à vitória no início de 2019 será decisivo na mobilização dos eleitores. 

Na eventualidade dos sociais-democratas concorrerem às eleições num clima de critica constante prejudica o trabalho do autarca porque os aliados rapidamente se transformam em adversários. 

A liderança de Rui Rio recorda-me a fraca presidência de Manuela Ferreira Leite, outro mito que rapidamente caiu na realidade. São figuras que sempre contribuiram positivamente para o PSD, mas sem capacidade de mobilizarem os militantes e os eleitores. Os dois sempre estiveram à espera das condições ideais para se chegarem à frente, contando sempre com apoios da máquina. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A liderança de Passos Coelho ficou fora da campanha

Normalmente nas eleições internas de um partido costuma haver comparações entre o líder cessante e o futuro. Na campanha para as directas do PSD não houve uma tentativa de ofuscar a liderança de Passos Coelho por parte dos candidatos. 

Em primeiro lugar não há razões objectivas para criticar a liderança que termina funções em breve. A vitória nas legislativas dá um capital de confiança a Passos Coelho. Em dois meses nem Santana ou Rio se referiram à derrota nas autárquicas. Os dois podiam ter feito um diagnóstico muito negativo, sobretudo Rio que fez campanha interna através dos jornais nos últimos anos, mas optaram por um discurso mais suave.

Na apresentação das candidaturas, Rio e Santana começaram por saudar o trabalho realizado por Passos Coelho, lembrando as circunstâncias dificeis em que liderou o executivo de direita. Não seria inteligente iniciar uma campanha elogiando o líder do partido e depois estar constantemente a criticar, além de que Passos Coelho tem um capital muito grande junto do eleitorado social-democrata e no país. Os costumes dizem que as opiniões mudam como o vento, mas ninguém pode tirar mérito a duas vitórias em eleições legislativas.

A outra razão para o debate não ter ido por esse caminho está relacionado com a eterna questão da gestão de Pedro Santana Lopes, levantadas por Rui Rio. O que está em causa não é a possibilidade do PSD regressar ao passado mais recente, mas a 2004, altura em que Santana supostamente realizou diversas trapalhadas que o impediram de continuar como líder do executivo, tendo sido confirmadas pelos portugueses nas eleições de 2005. 

A liderança de Santana Lopes foi bastante mais escrutinada do que a de Pedro Passos Coelho.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Uma nova atitude contra o rigor orçamental

Os candidatos à liderança do PSD jogam uma cartada forte na última semana de campanha, havendo um debate que não deverá acrescentar nada relativamente à convicção dos militantes. A conversa dos concorrentes com as bases acaba por ser mais esclarecedora que as entrevistas e os debates, que servem apenas para mostrar as ideias aos eleitores em geral. 

O passado de Santana Lopes como primeiro-ministro tem sido bastante escrutinado, mais pelos comentadores do que por parte de Rui Rio, que perdeu uma excelente oportunidade de colocar o adversário a admitir que falhou. Apesar dos mau exercício das funções em 2004, nota-se uma vontade de fazer algo novo e de mobilizar as pessoas à volta de um projecto. As pessoas estão fartas dos representantes que se escondem atrás de uma secretária a fazerem contas de cabeça para equilibrar o orçamento.

O tempo em que o primeiro-ministro ou Presidente da República ganhava eleições porque tem as contas equilibradas terminou porque as pessoas pretendem uma palavra de ânimo, de esperança e motivação. As boas notícias são importantes, mas não substituem os afectos, sobretudo numa altura em que existe cada vez mais incerteza. 

Por estas razões, Santana Lopes pode estar vantagem sobre Rui Rio nos militantes sociais-democratas, apesar do país optar nas sondagens pelo antigo presidente da Câmara Municipal do Porto. O discurso nesta campanha não sai das opções económicas e da redução défice, semelhante às propostas do governo. 

A nova postura do ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa parece ser mais contagiante e inovadora porque o país necessita de alguém que aponte caminhos. Rio caiu no mesmo erro do governo, que ficou à espera de resolver os problemas sociais apenas e só com os bons números económicos. 
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