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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Marcelo é o único que se preocupa com as vítimas dos incêndios

A onda de solidariedade da sociedade portuguesa na tragédia dos incêndios não está a chegar às populações afectadas como se queixam alguns autarcas. 

Num instante todos os intervientes políticos que se aproveitaram politicamente do problema não se lembram do que aconteceu em Junho e Outubro. Todos menos um. Nesta questão, Marcelo Rebelo de Sousa é a única figura política que não abandonou as pessoas que perderam tudo. O trabalho dos autarcas também tem sido importante, mas o Presidente da República mostra um enorme empenho em levantar o moral às pessoas e fazer com que o prometido seja cumprido. 

A sensibilidade social é uma das principais campanhas desta presidência. Contudo, Marcelo exagera em obrigar as pessoas a participarem num mediatismo nem sempre aceitável. Nesta situação, o Chefe do Estado manteve o afecto e o empenho na resolução do problema social mais grave do ano em Portugal. Pelo contrário, governo e partidos políticos colocaram o tema na gaveta. 

A forma como o Presidente da República acompanha as pessoas engrandece os políticos, mas o aproveitamento dos restantes torna a classe mais pequena. As preocupações sociais não são exclusivas de Marcelo, já que, a agenda de Cavaco Silva também promoveu inúmeras batalha, embora sem alarido mediático. 


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

China agradece a Trump a saída dos acordos internacionais

O périplo asiático de Trump pode ser o início das mudanças no conflito norte-coreano. O discurso do presidente norte-americano é positivo, mas existe possibilidade de mudanças de comportamento, pelo que, não será aplaudir qualquer decisão.
O principal acontecimento é a visita à China e não propriamente o apoio a Seul na luta contra as provocações de Pyongyang. O regime de Pequim foi recentemente reeleito com um discurso bastante desafiador relativamente aos Estados Unidos, já que, assumiram vontade em liderar o planeta no plano político económico e nas grandes causas.
A retirada de Trump de alguns acordos internacionais será muito bem aproveitada pelos chineses, em particular no combate às alterações climáticas. Pequim tem um grave problema de poluição atmosférica e tomou medidas para o resolver.
As ameaças norte-coreanas também estão na agenda do encontro entre Trump e Xi Jinping, mas o novo papel da China no Mundo será certamente o ponto principal. O líder chinês deve agradecer ao homólogo as últimas decisões em matéria de política externa. No recente acordo nuclear iraniano, a China seguiu os passos dos países europeus, cumprindo o estabelecido sem questionar a legitimidade do regime de Teerão.
Na minha opinião, Trump está a ter problemas nalgumas acções porque ficou sem seguidores. Isto é, os Estados Unidos começam a ficar isolados em matérias importantes que necessitam de entendimentos globais. Até a Síria já aderiu ao acordo de Paris.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A vontade de Puigdemont permanecer na ilegalidade

A proposta de Madrid em realizar eleições antecipadas na Catalunha foi a melhor jogada política de Mariano Rajoy nesta crise aberta pelos independentistas. 

A medida poderá ter sido decisiva na conquista da opinião pública e também no apoio internacional. O presidente do governo espanhol transferiu a responsabilidade da divisão da sociedade catalã e espanhola para os separatistas. 

Os partidos políticos que apoiam a independência devem ir a jogo porque uma vitória também reforça a legitimidade de realizar o referendo. O grande erro de Puigdemont, além de ter revelado ser um líder fraco, foi ter avançado sem apoio institucional e pouco suporte popular. Os recuos das últimas semanas deveriam ter sido concretizados para ganhar mais suporte na defesa da causa independentista. 

A resposta do ex-líder da Generalitat confirma a vontade de permanecer em rebelião e continuar a luta nas ruas, o único palco onde ainda tem algum apoio. Contudo, qualquer acto de Puigdemont vai continuar a dividir.

A partir de agora a luta pela independência far-se-à no plano político e através do voto. A divisão dos catalães no próximo dia 21 pode ser expressa nas urnas, como notam as sondagens, mas haverá sempre mais legitimidade para iniciar um novo caminho.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Madrid continua a ignorar o problema fundamental na Catalunha

O governo espanhol confirma que mantém a suspensão do artigo 155 da autonomia da Catalunha, mesmo que Carles Puigdemont anuncie novas eleições até final do ano. 

A convocação de eleições autonómicas seria um bom passo para esclarecer a questão da independência. A maior parte dos partidos como o Ciudadanos e o PSOE acreditam na clarificação da situação através de um acto eleitoral em que a independência seria o tema principal, mas Madrid continua irredutível em livrar-se à força do líder catalão.

A ausência de Puigdemont no Senado espanhol para se defender é um sinal que não haverá cedências de Barcelona enquanto Madrid continuar a ignorar o problema social e político. O líder catalão tentou através da suspensão da declaração de independência e da convocação de eleições, construir um diálogo que nunca foi possível obter pela via pacífica. Na minha opinião, o discurso extremado e a realização do referendo naquelas condições foram uma afronta desnecessária, embora Puigdemont tivesse alterado um pouco a postura. O problema é que Madrid mantém o uso da força.

O executivo espanhol utiliza a fragilidade política do líder catalão para tirar o poder ao independentista ou golpista. A única via para Puigdemont conseguir legitimidade política para realizar uma consulta popular que proporcione um esclarecimento é chamar os catalães às urnas porque perdeu força institucional no parlamento catalão, em Espanha e mesmo na União Europeia. Contudo, à medida que Madrid aplica as leis constitucionais, Puigdemont ganha força popular na região, o que poderá ser suficiente para vencer as eleições com maioria absoluta.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Rio ganhou na apresentação da candidatura

O duelo entre Pedro Santana Lopes e Rui Rio para a liderança do PSD já começou. Os dois candidatos apresentaram as candidaturas com pompa e circunstância, mas sem grandes exageros que costumam marcar estes momentos.

Nenhum escolheu uma das duas principais cidades para os certames, optando por Aveiro e Santarém, numa tentativa de conquistar os militantes. O discurso de Santana Lopes demorou quase uma hora, mas foi mais empolgante porque não se limitou a olhar para o papel. O improviso é uma arma cada vez mais importante para ganhar a atenção das pessoas.

Apesar do antigo primeiro-ministro ter tido oportunidade de atacar Rui Rio com mais vemência, já que, se tratou de respostas, o ex-autarca do Porto colocou algumas palavras bonitas que as pessoas ainda gostam de ouvir, embora sejam chavões que ninguém acredita, como é a problemática da ética na política. Rui Rio também ganha pontos por ter feito uma referência a Pedro Passos Coelho no início. 

Os dois criticaram a frente de esquerda que governa o país, mas Rio especificou onde queria colocar o PSD em termos ideológicos. Santana Lopes deveria ter sido mais claro na posição do partido, mesmo apresentando algumas propostas como a intervenção do Estado na educação, saúde e segurança. O problema é que isso não esclarece o papel do partido na economia, no apoio aos jovens e na importância de Portugal na União Europeia.

O principal erro de Santana Lopes foi o desafio ao adversário para um pacto de não agressão sobre o passado. Rio não vai cumprir porque é o principal trunfo que tem contra o antigo chefe do governo. Santana Lopes não pode fugir do assunto, mas tem capacidade para se defender dos argumentos.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O poder do Presidente aumentou

A forte mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa depois dos incêndios originou a queda da Ministra da Adminstração Interna.

Não é muito comum um Presidente da República ditar o afastamento de um membro do governo publicamente e de forma tão dura como sucedeu no início da semana. 

A influência presidencial sobre o executivo começa a ser preocupante para o primeiro-ministro que pensava ter rédea solta devido à suposta amizade com o presidente. Marcelo não vai actuar em função de nenhum interesse específico, a não ser o dele próprio sempre sob a capa do melhor para o país.

O jogo de bastidores provenientes de Belém já fez duas vítimas política. A primeira foi Pedro Passos Coelho depois de Marcelo ter dito que se iniciava um novo ciclo a seguir às eleições autárquicas. A segunda chama-se Constança Urbano de Sousa, que saiu doze horas depois da mensagem presidencial. A terceira vítima pode ser Rui Rio, já que, o recente convite a Pedro Santana Lopes também significa um apoio pessoal.

Nos próximos tempos os avisos ao governo serão maiores e Costa não vai poder responder como gosta. Isto é, com indirectas públicas para Belém. Em dois anos, o líder socialista conseguiu derrubar Paulo Portas e Pedro Passos Coelho, mas dificilmente tem capacidade para eliminar o Presidente, mesmo que continue como chefe do governo na próxima eleição presidencial em 2021. 

Em pouco menos de dois anos de mandato, Marcelo Rebelo de Sousa tomou as rédeas do país.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PSD reage melhor à tragédia dos incêndios

O arremesso político em situações de tragédia é a pior arma que um partido pode utilizar. A moção de censura do CDS é mais um sinal que o portismo continua a vigorar no Largo do Caldas, embora o rosto seja diferente. A fragilização do governo até poderia ser grande caso a ministra se mantivesse no cargo, mas Marcelo Rebelo de Sousa estragou os planos de Assunção Cristas e o resultado político da moção será nula, sendo que, nas próximas legislativas haverá uma penalização para os centristas.

A ambição desmedida e irrealista de Cristas por causa do resultado das autárquicas dificilmente será compensada no próximo acto eleitoral.

A intervenção do Presidente da República é a única que teve em consideração os problemas das pessoas e colocou o dedo na ferida.

As forças políticas portuguesas mostram pouco bom senso em alturas de tragédia. Os partidos de esquerda também costumam ter a mesma reacção dos centristas sempre que a direita se encontra no poder. A posição do PSD é equilibrada e inteligente. Toca nos pontos mais sensíveis de forma racional e aproveita a moção do CDS para se ilibar de qualquer responsabilidade política em caso de derrota, até porque, dentro de pouco tempo haverá mudança de liderança. 

A fragilidade do governo é temporária e resume-se apenas à substituição. À incompetência da Ministra da Administração Interna juntou-se declarações que nem os jogadores de futebol proferem em alturas menos boas da temporada.
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