sábado, 10 de dezembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Alexander Van der Bellen - A vitória de Alexander Van der Bellen nas presidenciais austríacas afasta o perigo dos nacionalistas tomarem conta do país. No entanto, o triunfo tem mais sabor para o novo Presidente porque confirma o resultado da primeira eleição anulada por obrigação do tribunal. Van der Bellen venceu duas vezes,


No Meio 

União Europeia - Os dois resultados eleitorais do fim-de-semana não são favoráveis nem maus para os dirigentes europeus sempre atentos ao que se passa em cada eleição nacional. Não houve uma vitória para os defensores do projecto europeu ou para os eurocépticos. Apesar de tudo, a União Europeia fica com mais um problema para resolver em Itália. 


Em Baixo

Matteo Renzi -  O primeiro-ministro italiano pediu a demissão após a população ter rejeitado em referendo as propostas de alterações à constituição, tendo sido o segundo chefe do governo a sair da liderança por causa de um resultado negativo numa consulta popular. A saída de Renzi foi mais uma fuga para a frente que propriamente um acto típico de uma liderança que não tem mais condições para governar. 

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Ensaio sobre a Integração Europeia Parte XI

II - Conclusões

Os desafios que a União Europeia enfrenta no presente e futuro são mais complexos do que aqueles que se verificaram no passado. A ideia de alcançar a paz deu origem à comunidade europeia, mas existem mais propósitos para a manutenção do actual ideal europeu.

A Europa tem de competir com blocos económicos que se estão a desenvolver rapidamente, pelo que, precisa de arranjar soluções políticas e económicas. As constantes mudanças políticas e sociais têm de ser aproveitadas pelos dirigentes europeus.

O projecto europeu sofreu vários desígnios desde o início do século XXI devido aos problemas que atingiram o continente. As alterações verificadas a nível político, social e económico, bem como na segurança são o reflexo da incapacidade de resposta.

As prioridades da integração europeia não podem ser apenas os alargamentos, mas o aprofundamento das matérias que podem resolver a vida dos cidadãos. A falta de entendimentos provocou pior de qualidade de vida nos países da União Europeia, o que se traduziu no aumento da contestação, no seio das instituições, mas sobretudo nas oposições dos governos dos Estados-Membros que fazem parte do clube europeu.
As ameaças também aumentam devido à falta de coesão política. Os Estados Unidos já não precisam da Europa, enquanto a Rússia esfrega as mãos de contente pelas desavenças dos parceiros europeus. Para piorar, o Reino Unido decidiu trilhar um caminho próprio que resultará na derrota da União Europeia em alguns aspectos como o comércio livre, crescimento da economia e no plano das relações externas. Não fica muito espaço para os países europeus porque o Reino Unido quer chegar em primeiro lugar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A incapacidade da Europa gerar consensos

Os resultados nas duas eleições do último fim-de-semana são um bom motivo para a Europa acordar e gerar consensos, procurando unir em vez de criar mais divisões.

A União Europeia passa por um processo complicado devido ao surgimento de forças que pretendem realizar referendos sobre a manutenção de cada país no clube europeu. Na minha opinião, os dirigentes europeus não deveriam ter medo que cada Estado realizasse um escrutínio popular, já que, na maioria dos casos a opinião das pessoas nunca foi consultada. 

Se as instituições europeias mostrarem receio de aceitarem a realidade o mais provável é haver cada vez mais descontentamento, não apenas dos partidos ou dos responsáveis políticos nacionais, mas das populações. 

Não acredito na desintegração europeia após o Brexit. Os países não vão abandonar o clube europeu, mas haverá menos líderes ligados ao ideal europeu, com particular incidência no Sul da Europa onde se têm verificado bastantes alterações internas. 

A nível das instituições também estamos a assistir a mudanças com a eleição de partido ditos nacionalistas para o Parlamento Europeu. No fundo, tem sido por dentro que a União Europeia está a sofrer alterações, embora ainda não tenham chegado aos verdadeiros órgãos decisores. O Parlamento Europeu é importante, mas ainda tem pouco peso político. 

O grande desafio dos dirigentes passa por incluir todos os governos no projecto europeu, mas como se viu na reacção à eleição de Trump não vai ser esse o caminho. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Ensaio sobre a Integração Europeia Parte X

2.6 Os problemas causados pela saída do Reino Unido da União Europeia

A saída do Reino Unido da União Europeia é o momento mais complicada do projecto europeu. As consequências não serão visíveis no curto prazo, estando previstas que surjam daqui a alguns anos.
O resultado do referendo prejudica mais a União Europeia que o Reino Unido, devido à importância que o país tem no desenvolvimento económico da Europa, embora não desempenhe um papel relevante a nível político. Ora, precisamente por esta razão, os britânicos decidiram abandonar o clube europeu, embora haja outras razões como a imigração e o comércio livre.

A União Europeia perdeu um Estado-Membro, mas pode compensar com novos alargamentos. No entanto, nenhum novo Estado-Membro tem a importância do Reino Unido. A saída dos britânicos acontece num momento em que o eurocepticismo está em crescimento em vários países da Europa, com a ascensão de partidos nacionalistas que pretendem mudar as actuais políticas europeias. Algumas forças afirmam ser anti-europeias, mas nenhuma delas tem como objectivo acabar com a União Europeia. O discurso é virado para a forma como as políticas de Bruxelas não funcionam e pela necessidade de existirem alterações. O Brexit provocou uma grande mudança ao nível das relações entre os Estados-Membros, já que, em termos económicos o Euro não perde nenhum membro porque os britânicos optaram por continuar na libra. No plano social também não se registam transformações importantes.

O Brexit será responsável por uma grande fissura política na União Europeia. A partir de agora, os Estados-Membros mais fortes como a Alemanha e França tentam reforçar o poder para impedir novos focos de instabilidade. Por seu lado, os países com menos força e voz dentro das instituições reclamam mais atenção sob pena de consultarem as populações tendo em vista a saída do clube europeu. Não sendo possível satisfazer as duas vontades, haverá conflitos de interesse e ameaças de bater com a porta., criando divisões internas que serão aproveitadas pelos Estados Unidos e a Rússia.

Como tem acontecido nos últimos anos, haverá sempre espaço para negociação, mas as reuniões nunca são conclusivas e não é com novos tratados que se resolvem os problemas. O momento actual é o mais delicado da história porque está em causa a coesão interna. Se a divisão prevalecer não voltará a ser possível continuar com o sonho concretizado nos anos 50 do século XX.


A opção tomada pelos britânicos reflecte a vontade de algumas populações europeias porque o caminho que está a ser trilhado não favorece a igualdade, as oportunidades e o desenvolvimento económico, que foi sempre a bandeira principal da construção europeia ao longo dos anos, sobretudo com a introdução da moeda única. 

Termina na sexta-feira com as conclusões

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O novo jogo político na Europa

Os resultados eleitorais na Áustria e em Itália revelam que a Europa continua dividida num jogo que tem tudo para correr mal.

Neste momento não se discutem ideias nem projectos, mas apenas os poderes de Bruxelas e as forças do mal que podem destruir a União Europeia. De referir que alguns partidos que cantam vitória sobre o status quo europeu também têm representação parlamentar europeia. 

A discussão relativamente ao eurocepticismo começou com a vitória do Brexit e estendeu-se aos restantes países que se encontram em processo eleitoral. A vitória de Trump nos Estados Unidos foi apenas um motivo para justificar mais receio junto do establishment europeu porque a realidade norte-americana e a europeia são bastante diferentes.

No espaço europeu existe um sentimento de revolta contra as medidas de Bruxelas, mas o surgimento de algumas forças ditas nacionalistas está mais relacionado com as políticas internas. Em muitos casos, os governantes locais têm falhado, como aconteceu em Itália. Não é possível associar a queda de Matteo Renzi ao Brexit ou à vitória de Trump nos Estados Unidos. O erro que muitos estão a cometer passa por associar instabilidade política no plano interno a factores europeus. 

A única justificação para a saída de Renzi é a mesma que levou David Cameron abandonar o barco após a vitória do Brexit. Nenhum deles pretendeu governar o país contra a vontade da população em aceitar as novas regras. Ou seja, Renzi e Cameron tinham de dar lugar a outro porque não fazia sentido conduzir um barco com destino diferente.

Nos últimos tempos criou-se um fantasma que supostamente ameaça os valores e ideais europeus. Em cada acto eleitoral parece que há um jogo entre os defensores do establishment e os eurocépticos para desviar as atenções dos verdadeiros problemas internos em cada país. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Ensaio sobre Integração Europeia Parte IX

2.5 A forma como a União Europeia quer ficar ao lado da Ucrânia

A revolução de Maidan em Fevereiro de 2014 provocou profundas alterações no país. A oposição contestou a aproximação do presidente Viktor Yanuchenko à Rússia. A maioria da população manifestou nas ruas a intenção de ter uma relação mais forte com a União Europeia. O executivo não deu ouvidos aos pedidos e instalou-se uma guerra em plena praça da independência em Kiev.

A deposição do presidente Ianuchenko não foi bem acolhida no leste do país, maioritariamente favorável à Rússia, pelo que teve início uma revolução que se mantém. A divisão do maior país da Europa implica o nascimento de um novo país. No entanto, o que interessa à União Europeia é manter a parte que continua favorável à integração europeia.

A Ucrânia dava sinais claros de adesão ao clube europeu nos próximos anos, mas o conflito que ainda perdura, altera a vontade das duas partes. Neste momento existem relações próximas, sobretudo a nível comercial e militar. A União Europeia não quer perder a Ucrânia, e metade dos ucranianos precisa da ajuda europeia.

 A União Europeia ganha um aliado de peso se a Ucrânia continuar do lado europeu. Em termos políticos, a Rússia fica diminuída porque não tem nenhum país para estabelecer relações privilegiadas. A entrada da Ucrânia significa colocar uma parede nas intenções de Moscovo em dominar os países da região, tornando a economia russa bastante mais fraca e com necessidade de procurar outros parceiros fora do continente.
A adesão da Ucrânia será o momento mais importante da integração europeia no futuro por razões estratégicas.


 Continua na quarta-feira com o tema "Os problemas causados pela saída do Reino Unido da União Europeia"

sábado, 3 de dezembro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

François Fillon - O antigo primeiro-ministro conquistou as primárias da direita e vai disputar as presidenciais com Marine Le Pen. Apesar de algumas diferenças, Fillon e Le Pen têm visões semelhantes nalguns assuntos como a Europa e a imigração. Neste momento, Fillon é a única esperança dos franceses para evitar que a extrema-direita vença em Maio, mesmo a dos socialistas.


No Meio

Paul Nuttal - O novo líder do UKIP parece de pedra e cal no lugar. Não vai ser fácil substituir Nigel Farage, mas parece que o ex-líder vai viver para os Estados Unidos. O problema de Nuttal é conseguir fazer crescer o partido, mesmo numa altura em que o discurso anti-União Europeia está em alta no Reino Unido. Também não parece fácil substituir o Labour como a voz da classe dos trabalhadores.

Em Baixo

François Hollande - O presidente francês não se vai recandidatar, sendo que, é a primeira vez na história da República francesa que o Chefe do Estado não concorre a um segundo mandato. As políticas de Hollande fracassaram em vários níveis. No plano económico e social, além do político. O socialista nunca teve a voz que os franceses exigem a um líder. 

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