segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A independência do PSD

O PSD assume uma posição solitária no início de um ano que culmina com as eleições autárquicas. 

As posturas face à candidatura de Assunção Cristas em Lisboa e a votação contra a descida da TSU como forma de recompensar as empresas pelo aumento do salário mínimo nacional revelam que os sociais-democratas têm uma agenda própria.

Na minha opinião, Passos Coelho faz bem em avançar sozinho na principal Câmara Municipal do país, embora esteja mal na questão da TSU.

O PSD precisa de ir a jogo com um candidato, mesmo que seja difícil vencer. A liderança de Passos não pode ser apreciada com o resultado em Lisboa, sendo que, também é importante as áreas adjacentes. As obras operadas por Fernando Medina garantem uma vitória antecipada. O melhor nome não é alguém famoso, mas um vereador que esteja a fazer um bom trabalho. 

Na questão da descida da TSU, o PSD segue o populismo do BE e PCP. Se Passos tem uma agenda liberal deveria votar a favor da medida porque beneficia as empresas, permitindo contratar mais pessoas ou pelo menos manter os actuais trabalhadores. As empresas não podem continuar a pagar milhares de euros ao Estado.

Nas duas questões o PSD mostra que não anda a reboque de nenhum partido, seja no Parlamento ou no poder local.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Início difícil para Trump

As notícias e os comportamentos de Trump são um mau começo para o Presidente eleito que ainda nem sequer tomou posse.

Na minha opinião o empresário não vai ter vida fácil na Casa Branca, à semelhança do que aconteceu durante a campanha presidencial. Os tiques autoritários também começam a ser vistos.

Apesar de tudo, o principal problema chama-se Rússia. De que forma o novo Presidente vai aceitar que conseguiu ser eleito devido à ajuda de Moscovo e como irá convencer a população que a melhor solução é o reatamento das relações entre os dois países. Parece que Putin venceu Obama e tem Trump na mão...

Tenho a convicção que a imprensa irá escrutinar qualquer movimento do milionário, mesmo o mais singelo.

Os primeiros seis meses são decisivos para perceber qual será a reacção ao início complicado, sobretudo após a saída gloriosa de Barack Obama.

Talvez a experiência política que Trump não tem seja um factor decisivo na manutenção da fraca popularidade ou no crescimento da mesma. A política tem a particularidade dos votos não corresponderem a aceitação por parte da população.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A constante tentativa de eliminar politicamente Passos Coelho

O principal desporto de alguns comentadores é bater politicamente em Pedro Passos Coelho. Tem sido assim desde o início da aventura política em 2008 com a apresentação da candidatura a líder do PSD. A partir desse momento houve apenas uma derrota eleitoral na primeira tentativa de chegar ao poder no PSD.

As duas vitórias eleitorais em 2011 e 2015 não foram suficientes para reconhecerem valor no actual líder social-democrata, bem como as inúmeras conquistas dentro do partido, que impediu vários militantes de se candidatarem, como aconteceu com Rui Rio. O principal problema do antigo presidente da Câmara Municipal do Porto chama-se Passos Coelho. Rio sabe que não consegue chegar à liderança nestas condições.

As críticas à liderança de Coelho são constantes porque é um hábito criado desde o princípio. Neste momento, é o alvo mais fácil, já que, os números estão todos contra si. No entanto, não me lembro de haver tanta união nos sociais-democratas à volta de um líder. 

A política nacional é pródiga em arranjar inimigos comuns, sendo que, enquanto não se "eliminar" politicamente alguém ninguém descansa. Note-se que Marcelo Rebelo de Sousa não é alvo de críticas porque tem boa imprensa. 

Na minha opinião seria bom Passos Coelho ter um concorrente nas próximas eleições internas para aferir da capacidade de liderar o país um ano depois do acto eleitoral no PSD. Pode ser que com isso conquiste respeito...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Aumentos no eleitorado socialista

O novo ano trouxe aumentos a vários níveis, sobretudo no sector social. A iniciativa governamental de criar melhores condições para os mais desfavorecidos é uma promessa que nasceu nas eleições.

O problema é que o governo apenas se preocupa com o seu eleitorado de forma a recuperá-lo nos próximos actos eleitorais. Não é uma medida que visa retirar votos à direita, mas conquistar os socialistas descontentes que votaram no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista em 2015.

A estratégia visa criar um ambiente social favorável para recuperar eleitores que temiam uma governação de direita por parte do PS sempre submisso a Bruxelas. A liderança de António Costa mostra que os socialistas têm preocupações sociais, embora apenas do ponto de vista táctico.

O governo pretende que as pessoas tenham mais dinheiro nas mãos para consumir, o que poderá permitir o crescimento económico. 

As pessoas estão mais satisfeitas, mas os serviços estão cada vez mais caros, como é o caso de alguns produtos alvo da subida do IVA, bem como dos transportes, rendas, combustíveis e mesmo os transportes. Os sectores referidos não fazem parte do eleitorado socialista, pelo que, não faz mal criar mais dificuldades.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Marcelo podia ser um Presidente perfeito

A mensagem de ano novo do Presidente da República foi perfeita. O Chefe do Estado tocou nos pontos principais e não actuou de forma parcial como se esperava por causa da relação que tem com o primeiro-ministro.

O Presidente não deixou de fazer alguns reparos importantes como a definição de uma estratégia para o crescimento económico. Pode ser que Marcelo ajude Costa neste tema...

A mensagem política tornam Marcelo um excelente inquilino de Belém, mas as constantes aparições junto dos microfones estraga tudo. Isto é, se Marcelo fizesse um esforço para ser mais institucional e respeitar o cargo que ocupa poderia ser brilhante, quiçá, melhor que Soares e Cavaco Silva. Se continuar a preferir as câmaras de televisão os actos mais importantes ficam em segundo plano.

As declarações de Marcelo tiveram o condão de unir todos os partidos políticos. Há muito que as forças políticas não estavam de acordo relativamente ao conteúdo da mensagem presidencial no primeiro dia do ano. No entanto, convém lembrar que Cavaco Silva também começou muito suave.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O último rastilho que faltava acender

O assassinato de Andrei Karlov na Turquia faz lembrar tempos em que se encomendavam mortes. Nos nossos dias não é preciso nenhuma organização cometer um crime semelhante, basta alguém ter uma arma e penetrar no espaço sem ser notado. As conclusões dirão se o polícia estava a agir em nome de outrem.

A morte do Embaixador russo na Turquia representa o fim das relações entre Moscovo e Ancara, mesmo que os dois presidentes tenham dito que tudo se iria manter na mesma. Não acredito nas palavras de Putin e Erdogan porque o que se passou é grave e não vai ficar sem resposta, além de que Moscovo fez muito barulho após um avião russo ter sido abatido em espaço turco. Se o corte de relações esteve iminente naquela altura, agora existem razões ainda mais fortes. 

Os dois países mostram divergências sobre o futuro da Síria, pelo que, dificilmente haverá acordo entre os dois. A morte de Karlov é um motivo para a Turquia pedir eventual apoio dos Estados Unidos se sentir as costas ameaçadas, embora a nova administração norte-americana coloque Ancara fora do grupo de aliados. 

O terrorismo tem conseguido alterar a ordem internacional, sobretudo as relações diplomáticas entre as várias potências. A assassínio do Embaixador é um acto terrorista, mas também um ataque político que visa provocar uma reacção de modo a se acender um rastilho que provoque fogo em tudo o resto.

A Turquia é uma grande potência no Médio-Oriente e um dos maiores países que se encontram à porta da Europa. Não haverá nenhuma guerra armada, apesar dos dois episódios relatados, mas os conflitos diplomáticos já começam a ser uma das principais características da política internacional nos últimos anos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Continua a revolta da população

A eleição de Donald Trump para a Casa Branca trouxe algo que nunca se imaginava acontecer nos Estados Unidos. A revolta da população e sectores da sociedade norte-americana nunca tinha sido um hábito em anteriores eleições, mesmo com a vitória de outros presidentes polémicos, como por exemplo George W.Bush.

A verdade é que nunca a campanha eleitoral tinha sido dura e chegado a um ponto sem retorno, no que toca à linguagem e atitude dos candidatos. Na minha opinião, a vitória de Hillary Clinton também tinha o mesmo efeito porque a antiga secretária de Estado nunca caiu no goto das pessoas. O triunfo de Trump também se deve à fraca qualidade da opositora. 

As decisões políticas de Trump terão o mesmo impacto que os escândalos de corrupção no governo de Dilma Rousseff. Isto é, qualquer medida menos popular vai ser alvo de grande instabilidade social. O principal inimigo do novo Presidente não serão as elites políticas, em particular do Partido Republicano, mas o sentimento de revolta que caiu junto das pessoas.
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