segunda-feira, 30 de julho de 2012

A superioridade chinesa

O mundo do desporto está a assistir ao nascimento de uma nova potência desportiva. Ainda é cedo para tirar conclusões, mas se olharmos para a Contagem das Medalhas nestes primeiros três dias de Jogos Olímpicos verificamos uma ligeira superioridade chinesa. Apesar de ter apenas mais uma medalha que os Estados Unidos, os chineses já arrecadaram 6 de ouro. Mais três que os norte-americanos. 

A luta pelo maior número de medalhas não vai apenas ter um intérprete. Há muito que os EUA lutavam sozinhos pela conquista do 1º lugar. No entanto, desde Pequim 2008 que essa solidão acabou. A China ganhou os seus jogos, mas promete conquistar todos os restantes. 

Este crescimento da China notou-se nos dois primeiros dias da competição de Natação. Os resultados foram surpreendentes e neste momento obtiveram o mesmo número de medalhas de ouro que os eternos rivais. Contudo, os EUA têm mais medalhas nesta disciplina. Veremos como estarão as contas quando estiverem contabilizadas as medalhas ganhas no atletismo. 

Para além do interesse nas várias modalidades, há uma luta de gigantes pela conquista do primeiro quanto ao número de medalhas ganhas.

domingo, 29 de julho de 2012

Olhar a Semana - Fim da saison

A época balnear está a entrar na sua fase mais importante. Com isso, a vida política nacional entra também de férias. No entanto, os debates vão descansar mas a palavra crise irá acompanhar o verão, até porque muitos farão as suas férias mais comedidas devido ao corte dos subsídio de férias, pelo que estas serão umas férias diferentes para todos.

O ano que passou foi de grande sacríficio para todos, no entanto paira no ar uma certa mudança. O sentimento geral é contraditório. Se por um lado sente-se a necessidade de contribuir para os sacrificios, por outro há um certo descontentamento pela forma como o governo está a gerir esta crise. 

A duvida se existirá mais austeridade manter-se-à até à apresentação do Orçamento de Estado para 2013. Gaspar fica no gabinete em Agosto enquanto Passos vai de férias, mas com o pensamento na forma como irá contrariar o recente acordão do Tribunal Constitucional relativamente à questão do corte dos subsídios. A troika quer uma resposta e o povo uma reposição de um direito que mais não é do que uma invenção socialista de procurar aumentar a despesa do Estado. 

Seguro vai a banhos mais confiante porque  sente o descontentamento popular a cada esquina, mas dentro do seu partido nota-se uma insegurança em relação à sua liderança. 

Apesar da credibilidade externa estar a ser reconquistada, o nosso futuro também se joga na mais que provável bancarrota grega, que pode ser assinalada já neste mês. Haja ou não coragem alemâ para colocar um ponto final nesta vergonha despesista que vem do Sul da Europa. Sim, porque com a crise espanhola e o     iminente descalabro italiano, muitos vão passar o verão na expectativa. 

nota :  O Olhar a Semana volta em Setembro, tal como a História de Portugal. 

A Grande Viagem dos Salmões - Conseguiu passar XXXVIII

(....)


Salmonisco deu um salto gigante. Cá fora, Ursosami já estava com a boca aberta à espera do prato do dia. Contudo, o lider dos Salmonix escapou por pouco aos dentes do gigante.  Assim que entrou novamente na água, sentiu um enorme alívio. Tinha conseguido sobreviver mais uma vez ao maior perigo. Rapidamente dirigiu-se para o local onde os outros o esperavam ansiosamente. Foi recebido com enorme alegria pelos outros, especialmente por Salmoinês. Mesmo os que quiseram continuar sem o seu lider, festejavam efusivamente a sua chegada. Passaram assim mais uma etapa nesta dificil aventura, contudo ainda não era desta que se livravam de Ursosami e a sua tribo. Infelizmente, lá mais para a frente haveriam de ter um novo encontro inesperado. No entanto, era de hora de celebrar e arrepiar caminho porque ainda faltava muito para chegar ao esconderijo da foca. Salmonão não estava longe.
À medida que Salmonisco ultrapassava este obstáculo dos ursos, a sua força junto do grupo era maior. A forma como enfrentava Ursosami admirava os outros salmões.
Esta etapa estava ultrapassada, mas novos perigos enfrentavam os salmonix.

Se do lado de Salmonix as coisas estavam a correr bem, o mesmo não se podia dizer da equipa liderada por Caglão. Após os ataques dos Lobix, tinham de enfrentar agora um período de seca e como não havia escapatória possível, muitos pensavam que iriam morrer. Mas a sagacidade de Salmokoko valeu a liberdade para o restante grupo. Salmokoko acabara de encontrar um caminho que os tiraria dali. Para onde os levaria? Ninguém sabia....

Salmolipe estava entre a vida e a morte. A vida era fugir do leão marinho, e a morte era lutar contra o monstro e continuar atrás de Salmodiana. Que caminho iria escolher?

Nota:  Os Salmões vão de férias, regressando dia 1 de Setembro, prometendo muita emoção até final do ano.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Os 5 olímpicos

Os cinco atletas preparam-se pela primeira vez para os jogos olímpicos. É a sua primeira participação neste grande evento e todos apostam em fazer boa figura, sabendo de antemão que terão de ultrapassar a ansiedade, o nervosismo de uma estreia bem como a inexperiência, factor importante nos Jogos Olímpicos. No fundo, não são todos que conseguem lidar bem com a pressão. 
De cinco continentes, os atletas que apresentamos têm como objectivo participar mas não descuram lutar por uma medalha. Que seja a de Ouro.

Da América do Sul vem Leonardo Javeli. Jogador de futebol, representa a Argentina nestes jogos. O seu sonho é fazer boa figura em Londres para depois se transferir para um grande clube europeu e vir a tornar-se uma estrela. Sabe de antemão que o futebol não é uma das modalidades mais importantes nos jogos, no entanto e em período de transferências, Leo sabe que muitos olheiros dos principais clubes europeus estarão em Londres à procura de um diamante. 

Mais a Norte temos Sarah Anderson. A nadadora quer impressionar o mundo obtendo o recorde de medalhas possíveis. No entanto, sabe que não vai ser fácil, porque terá opositoras bastante conceituadas e no mundo da natação a experiência é crucial para se obter uma vitória. No entanto, antes dos jogos de Pequim ninguém sabia quem Michael Phelps era. Volvidos quatro anos, o norte-americano é respeitado dentro e fora de água. Tal como Leo, Sarah vem com o sonho de ganhar o ouro, até porque isso era uma forma de ajudar a sua família. Talvez não consiga em Londres, mas Sarah sabe que terá mais oportunidades, nomeadamente em 2016 no Rio de Janeiro. 


Do continente africano chega Hemiak Zabele. O africano é a nova revelação dos 100 m. Aproveitando a ausência de Usain Bolt e do português Francis Obikwelu, Zabele quer aproveitar para conquistar a medalha de ouro e bater o recorde olímpico pertencente a Bolt. A jovem promessa apelidado de "o lança", disse recentemente numa entrevista a intenção de fazer melhor do que Bolt. Na mesma entrevista assegurou que depois dos Jogos de Londres, Usain Bolt jamais seria lembrado. Muitos consideram Zabele arrogante, devido à sua idade e à forma como está a provocar Bolt. A falta de respeito demonstrada perante um super campeão, está a deixar o mundo do atletismo em profundo estado de choque. No Estádio Olímpico de Londres, Zabele terá uma recepção hostil, assegurou uma fonte ligada aos Jogos. Será que ele vai calar cerca de 80.000 mil pessoas?

Do Uzbequistão vem Yuri Zhebanov. O lançador do Dardo ambiciona um lugar na final, mas tudo fará para estar entre os três primeiros. Conhecido por ter problemas extra desporto (já esteve preso duas vezes), Zhebanov quer limpar a imagem recentemente deixada nos ultimos campeonatos do mundo, onde ameaçou um juiz. O seu acto levou a uma suspensão, contudo não evitou a presença nos Jogos de Londres. À semelhança de Zabele também terá uma recpeção hostil quando entrar no Estádio Olímpico de Londres, até porque o juiz em causa era de nacionalidade britânica.

Por fim, do continente dos cangurus temos a honra de apresentar Anna Morrison. A espadista, campeã do mundo de sub-23 chega a Londres com enormes ilusões. Curioso é que esta atleta já treinou por diversas vezes no Ginásio Clube Português, tendo ensinado algumas das suas técnicas aos futuros craques da esgrima. Anna é a atleta mais nova de todos os presentes. Tem apenas 17 anos mas conseguiu a qualificação graças a uma vitória perante uma adversária de 30. 

5 atletas à procura do sonho em Londres. Cinco histórias diferentes mas um objectivo comum: alcançar a glória e pelo menos durante quatros anos sentirem o orgulho do sucesso.


A nossa única esperança para Londres

Hoje começam os Jogos Olímpicos de Londres. De quatro em quatro anos, atletas de todo o mundo nas mais diversas modalidades vão tentar tudo para levar uma medalha. No fundo, ganhar o ouro,prata ou bronze é o sonho de qualquer desportista. A medalha é sempre mais importante do que qualquer titulo mundial ou europeu.

Portugal está representado por 77 atletas. No entanto, este ano as expectativas são baixas em relação a anos anteriores. Em Londres não vão estar Nelson Evora, Naide Gomes, Francis Obikwelu e Rui Silva. Os dois primeiros eram claramente favoritos a uma medalha nos Jogos. Contudo, as lesões impediram estes atletas de dar um contributo ao nosso país. 

Assim sendo, as nossas únicas esperanças são a Vela e o Judo. Ainda há a canoagem mas ainda é cedo para Emanuel Silva conseguir chegar ao pódio. Na vela temos Gustavo Lima na sua quinta tentativa de superar os anteriores quartos lugar. Pode ser que seja desta. Mas é na judoca Telma Monteiro que recaem todas as esperanças. 

O desporto português agradecia a conquista, e assim não ficava tão dependente dos resultados das pistas de tartan. Porque ao contrário do que se julga, não é o futebol que dá alegrias a este povo deprimido e desesperadamente à espera de um titulo para sair da crise. O atletismo sempre foi a modalidade onde se obtiveram os melhores resultados desportivos. Senão vejamos: Carlos Lopes, Rosa Mota, Rui Silva, Fernanda Ribeiro, Nélson Évora e Naide Gomes. São nomes suficientes para serem alvo de uma justa homenagem e com isso recrutar mais apoios para uma modalidade importante a nível mundial e esquecida por cá.

Tinha mais utilidade construir pistas de tartan do que estádios de futebol que estão às moscas.

Ideias Politicas : O Estado (cont..) V

A principal função do Estado é a prossecução do interesse público e o bem estar comum. Ao Estado cabe assegurar o normal funcionamento das instituições bem como garantir a ordem pública.
Fà-lo através de vários mecanismos, sendo que a lei é a principal garantia do cumprimento dessa mesma ordem. 

Uma das formas de prosseguir o interesse público é assegurar a igualdade entre todos. No entanto, como é controlar o integral cumprimento deste princípio, o Estado terá de fazer valer a sua função de fiscalizador. 
Assegurando condições de igualdade e justiça, proporciona assim um melhor bem estar entre os membros da sociedade, pelo que só teremos uma comunidade equilibrada, justa e plenamente integrada se os interesses primordiais do Estado forem o interesse comum e não o seu próprio umbigo.

O Estado que se serve a si próprio não está a cumprir o seu papel. A sua acção não é direccionada para a sociedade mas gira em torno dos seus interesses. Se a função do Estado gira em torno dos seus interesses, a sociedade vai ficar mais depende das suas decisões, pelo que se tornará inevitavelmente uma comunidade mais dependente daquilo que o Estado vier a legislar, deixando de cumprir com a sua função de regulador passando a intervir com maior regularidade na vida de cada um. Quer isto dizer que o Estado passa a ter uma função social. Ao Estado cabe não só fiscalizar como orientar a sociedade para um certo sentido, cumprindo assim o seu papel interventivo.


Nota : as Ideias Políticas regressam em Setembro.


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Viagem presidencial?

As eleições norte-americanas estão aí à porta e o candidato republicano prepara-se para ser oficialmente indigitado como candidato na próxima Convenção Republicana. Antes do primeiro momento de aclamação, Romney irá fazer uma viagem por Inglaterra, Polónia e Israel.
Para aparecer na fotografia, Romney vai a Londres cumprimentar os atletas olímpicos e assistir à cerimónia de abertura ao lado de Michelle Obama.
As outras duas visitas inserem-se numa tentativa de aproximação com dois aliados históricos dos Norte-americanos.
Numa altura em que as sondagens dão quase um empate técnico entre os dois, Romney quer fortalecer a sua imagem em termos externos. Num momento em que acredita na sua vitória, o ex-governador do Massachussetts com esta viagem pretende credibilizar a sua imagem, deixando Obama de fora, ao mesmo tempo que critica a política externa do actual Presidente. Esta viagem é importante antes do candidato regressar aos Estados Unidos onde tem a Convenção Republicana e logo a seguir a disputa eleitoral. 
O grande embate está marcado para Novembro, mas pelo que se está a ver, Romney já se antecipou a Obama.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Que se lixe o voto

Estas declarações de Passos Coelho soam a falso. Não estando em causa a honestidade e carácter do Primeiro-Ministro, não acredito que na hora de se aproximarem as eleições, o governo pense desta maneira. Não há nenhum governo do mundo que não se importe com as eleições. Passos Coelho nesta altura ainda pode dizer isto, contudo se cumprir os 4 anos, dificilmente vai manter o discurso. 

As palavras proferidas por PPC é o normal em política. Primeiro menospreza-se o acto eleitoral em favorecimento do superior interesse nacional. No entanto, com o aproximar da hora da verdade já se governa em função das eleições e algumas medidas são para satisfazer o povo. Aposto que durante os próximos dois anos iremos ter mais austeridade, sempre com a justificação da imposição da troika. Chegados a 2014, teremos a possibilidade de aliviar o cinto, porque o esforço foi enorme e é justo recompensar o povo pelos sacrifícios.

Contudo existem dois aspectos que podem fugir ao governo: Se a austeridade continuar não é crível que o executivo cumpra o mandato até ao fim. Mesmo que o governo fique até 2015, o povo vai penalizar nas urnas as medidas de austeridade aplicadas. Porque no dizer deles,  os sacrifícios não foram distribuídos pelas aldeias com a mesma equidade e justiça. 

terça-feira, 24 de julho de 2012

O ultimo dos sobreviventes

Miguel Relvas parece ser uma espécie de Ultimo dos Moicanos, ou melhor o Ultimo dos Sobreviventes na questão da sua licenciatura. 
Não estamos a falar para já de consequências políticas, mas o facto de directores da Lusófona terem decidido colocar o lugar à disposição é revelador de que algo se passa neste caso. E não me parece que sejam apenas fait-divers políticos, podendo muito bem estar por detrás desta manobra, uma grande falcatrua      bem ao estilo do ainda Ministro de Passos.
Se com as vozes contra a sua permanência no Governo, Relvas ainda consegue lidar bem, já em relação aos  pedidos de demissão de directores da Universidade o caso pode ser diferente. Se estão a agir desta maneira é porque algo mais está por desvendar....
Passos Coelho poderia aproveitar o Verão para mandar o seu pupilo para alguma empresa publica de forma a não dar muito nas vistas e assim sempre tem uma desculpa para substituir Relvas....

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A crise do Individualismo social

A crise em que mergulhamos profundamente está associada ao Ser humano. Estaremos cada vez mais egoístas?

Não é difícil perceber as causas dos problemas porque vivemos. E não me venham falar em maus governos, sociedade corrupta ou crédito a mais. Fomos nós que provocamos isto. Tal como aconteceu noutras ocasiões, a origem das crises deve-se ao egoísmo que vai crescendo dentro dos humanos. 

O nosso Eu já não consegue viver em sociedade. O termo "colectivo" já não figura entre as principais no abc das pessoas. O interesse individual está claramente acima das necessidades do colectivo. Assim, trabalha-se em prol do próprio desenvolvimento intelectual em vez de se prosseguir o bem comum. 

Este sentimento leva ao natural declínio das sociedades, que só funcionam plenamente se todos estiverem unidos em prol de um único objectivo. 

A nossa sobrevivência depende de pertencermos ou não ao grupo. Nunca poderemos agir unica e exclusivamente visando os nossos objectivos, porque se assim for, podemos colidir com interesses particulares de outrem. Ao agirmos de forma egoísta estamos muito provavelmente em vias de prejudicar os outros.

Apesar das questões financeiras e sobretudo políticas, o cerne desta crise está muito relacionado com o pensamento individual de todos. Os problemas que vivemos não podem estar dissociados da alteração de comportamentos dos seres humanos nos dias que correm. Não é por acaso que hoje muito se fala da "lei da selva". 

A Sociedade de Hoje está direccionada para enfrentar os problemas decorrentes desse mesmo individualismo.

(pouco) espírito Olímpico

Na próxima Sexta feira começam os Jogos Olímpicos de Londres.Sem a grande azáfama e interesse de outros tempos, os jogos que reúnem atletas de todo o mundo são o ponto alto de qualquer desportista. A importância de ganhar uma medalha é hoje em dia fundamental mais do ponto de vista comercial do que pessoal. 

Não que a obtenção de uma medalha não seja importante. No entanto, a glória alcançada nos Jogos é rapidamente esquecida no momento em que as grandes marcas apostam num atleta medalhado para ser o rosto de um anúncio. Para se alcançar a vitória nos jogos é preciso ser o melhor de entre os melhores, o que leva alguns atletas a usarem do doping para se adiantarem em relação aos restantes. Contudo, hoje são muito poucos aqueles que escapam ao controlo antidoping. Esta questão da batota levanta outro problema. 
Ao contrário do que sucedia antigamente, já ninguém vai para os Jogos a pensar na participação e no prestígio. Vencer é a unica forma de alcançar um contrato milionário nos próximos quatro anos. 

Por isto os Jogos Olímpicos são uma competição cada vez mais afastada dos grandes torneios como o Campeonato de Mundo de Futebol e Rugby, do torneio de Roland Garros, do Tour de França entre outros.

domingo, 22 de julho de 2012

Olhar a Semana - O futuro pós saída da Grécia

A saída da Grécia do Euro é já uma certeza. Falharam as várias tentativas de arranjar uma solução governativa que desse a volta ao texto, bem como as medidas de austeridade impostas pela troika. Contrastando com o que aconteceu na Irlanda, o exemplo grego foi um autêntico fiasco. No meio do sucesso irlandês e da tragédia grega, está Portugal que tanto pode caminhar para um lado como para o outro. Ainda é cedo para perceber  qual o rumo a seguir, no entanto o OE para 2013 irá dar uma pista sobre o futuro de Portugal. 
A tragédia grega pode muito bem não ser uma catástrofe para a Europa, como muitos vaticinam. Até pode suceder que seja mais um alívio grego. Pode não ser uma coisa nem outra, mas parece que os gregos preferem a sua própria autonomia do que serem governados por Berlim.  E se a Grécia sobreviver ao regresso à sua moeda, pode acontecer que outros países saiam do Euro por sua própria iniciativa. 

sábado, 21 de julho de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Terceira Tentativa XXXVII

(...)

Avançando a toda a velocidade e com a máxima confiança, Salmonisco lançou-se em direcção ao seu destino. Após duas tentativas falhadas, o líder dos Salmonix jogava a sua vida nesta ultima hipótese. No fundo era como se fosse uma ultima cartada.
Do lado do inimigo, havia a sensação de agarrar esta oportunidade, até porque podia ser a ultima. Por isso, foi Ursosami quem ficou numa posição mais vantajosa. Tinha um feeling que Salmonisco lhe iria aparecer na sua cara.
A possibilidade de sobrevivência de Salmonisco estava numa escapatória entre Ursosami e Ursosalix, que devido às várias viagens já realizadas naquele local, era bastante conhecida pelo pequeno Salmão. Contudo, o importante seria sair fora de água longe do alcance das bocas dos ursos. Salmonisco não queria arriscar voltar para dentro de água e ser novamente empurrado para longe. Cada tentativa tinha de ser aproveitada sob pena do esforço realizado se transformar em cansaço e assim os salmões correm o risco de perder as forças. No fundo, a força tinha de ser canalizada para o momento do salto para fora de água, porque a sobrevivência dependia muito do impulso inicial. 

(Continua dia 27)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Foi precisamente aqui....

1920- 2012

Uma questão de consciência social

O mundo do futebol é conhecido pelas muitas transferências que os clubes realizam entre si, em especial nesta fase do chamado "defeso". A compra e venda de jogadores é uma constante e os números envolvidos nos negócios poderiam alimentar muitas crianças em África. 
Não são apenas os valores das transferências que causam indignação. Os salários dos futebolistas são de fazer inveja a qualquer trabalhador de classe média que "viva bem". Não está em causa se a profissão merece ser premiada com valores exorbitantes, até porque convêm não esquecer as obrigações a que os futebolistas estão sujeitos. Isto para além de terem uma carreira curta. Há que lembrar as situações de desespero e salários em atraso porque alguns jogadores passam, como se veio a verificar o ano passado no nosso campeonato.

No entanto, é preciso acabar com as situações de exagero que se continuam a verificar, como é o caso de Zlatan Ibrahimovic que vai ganhar cerca de 15 milhões/ano no seu novo clube, o Paris Saint Germain. É preciso ter em conta os tempos que vivemos e o impacto causado na sociedade. Uma sociedade que passa por problemas, com os salários cada vez mais curtos face aos inúmeros aumento de impostos e sacrificios que são pedidos pelos governos. O desporto e o futebol em particular não podem viver num mundo à parte, pelo que é necessário regular este tipo de movimentações no mercado de transferências. Mas não só. A nível salarial é igualmente importante diminuir diferenças, até porque assim a competição é mais equilibrada. Contudo, não se pode evitar que qualquer clube seja comprada por um magnata vindo das arábias ou da china. Como vivemos numa economia de mercado não se pode impedir qualquer tipo de investimento. 

É possível regular as duas questões levantadas: as transferências e os salários. Não com o objectivo de impedir a fama e o sucesso de alguns, mas criar uma consciência social no futebol, de forma a que consiga chamar todo o tipo de adeptos. 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Quando começou a Primavera Árabe? e quando acabará?

Os desenvolvimentos na Síria levam a acreditar numa mudança de regime para breve. Pelo menos, o governo de Bashar Al Assad está quase a ser derrubado. Quase um ano depois do inicio dos protestos, eis que finalmente os sírios podem respirar liberdade à semelhança do que aconteceu com os  líbios, egípcios e tunisinos. Das revoluções que fizeram parte da chamada Primavera Árabe, a situação em Damasco é a mais demorada e preocupante. 
No entanto, e apesar da liderança forte de Assad, a vitória da oposição é possível. É caso para dizer que a democracia ganha sempre. 
As quedas de Mubarak, Kadafi e agora a provável saída de Assad dão estabilidade à região. O efeito Iraque, iniciado com a invasão norte-americana em 2003; teve repercussões mais tarde. Não foi em vão que os EUA decidiram derrubar Saddam e democratizar aquele país. Pode-se afirmar que a Primavera Árabe começou em 2003 com a decisão de George W.Bush, que tanta polémica deu. 
No entanto, ainda falta a democracia "chegar" ao Irão. Quando isso acontecer, e se acontecer, então a limpeza estará completa.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Manifestação Popular contra um Ministro






Quando o Bispo larga a bomba

Apelidar de "profundamente corrupto"  um Governo é grave. Quando o autor da infeliz tirada é um Bispo, estamos perante uma situação delicada, do ponto de vista ético. 
Não se trata de uma situação nova, já que o Bispo Januário é um reincidente neste tipo de declarações.
O que passa para fora não são só as palavras do Bispo, mas sim toda uma instituição que fica descrebilizada. Pelo facto da Igreja ter vindo demarcar-se das afirmações, é porque sente a sua imagem afectada junto do grande público e principalmente dos fiéis. 
No entanto, cada vez que um Bispo ou um simples Padre da aldeia abre a boca para opinar sobre assuntos de Estado, vem logo à memória os tempos em que o Estado e a Igreja andavam lado a lado na prossecução do interesse público. 
Neste caso, se um Bispo larga a bomba, a instituição Igreja fica umbilicalmente associada à destruição causada pelo rebentamento. Não que isso seja um problema grave mas convêm em plena democracia não dar muito nas vistas. Ou será que temos um Bispo assumidamente socialista?

terça-feira, 17 de julho de 2012

Entrar no Mundo desenvolvido


Parece ser uma boa notícia mas não é. A construção da linha de metro até ao Aeroporto só chega em 2012. Enquanto que nas principais capitias europeias, todos os aeroportos conseguiam fazer chegar os passageiros ao Aeroporto através de Metro, em Portugal era necessário utilizar o táxi ou o autocarro. Convêm não esquecer que o Aeroporto da Portela se situa bem no meio da cidade de Lisboa. Já as principais cidades europeias fizeram questão de evitar uma tragédia, no caso de um avião vir a se despenhar. Isto para referir a dificuldade em construir um metropolitano que esteja longe da cidade. 

 No fundo só hoje chegamos ao mundo desenvolvido. No entanto, esperemos que o sector que "controla" os táxis não arranje forma de voltarmos atrás uma boa dezena de anos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A caminho do desnorte

Não se percebe a razão de tanta austeridade e sacrifico se o caminho a que iremos chegar é o de não cumprimento das metas orçamentais definidas quer pelo governo, quer pela troika.

Estas declarações cheiram-me a uma forte possibilidade de ser necessário mais austeridade. Sempre apoiei Passos Coelho nas suas medidas bem como no discurso de coragem à pátria que foi fazendo ao longo deste ano de governação. No entanto, e à medida que é o OE para 2013 vai sendo tema de notícia, nota-se uma certa descrença não só pelos membros do governo mas também por parte da troika. Um bocado estranho, isto porque as avaliações externas têm sido positivas. No entanto as receitas previstas por Vitor Gaspar talvez não batessem certas e isso também não se pode admitir

A este facto junta-se a questão do corte dos subsídios. Foi retirado dois salários aos funcionários públicos, contudo nem essa receita é suficiente para cumprir com as metas propostas. E o pior é que a alternativa será a subida dos impostos. Não tem havido do lado da despesa, sobretudo com os custos do Estado, um emagrecimento necessário para equilibrar a balança. 


Aquilo que temos vindo a assistir tem contornos semelhantes com a situação grega. De austeridade em austeridade até à bancarrota final.

Não que o PM esteja a mentir, mas o discurso do "vamos conseguir" e "Portugal vencerá", parece desadequado da realidade, tendo em vista o que iremos sofrer no futuro bem próximo. Assim, a credibilidade política vai diminuindo e a oposição sobe uns pontos. 

domingo, 15 de julho de 2012

Olhar a Semana - Relvado dividido

As noticias que dão conta divisão entre o CDS e PSD, são um sinal de intranquilidade que se vive no seio da maioria, tudo por causa da questão Relvas. Se por um lado os sociais-demcratas, e em particular Passos Coelho, preferem que seja Relvas a dar o passo, já os centristas, com Portas à cabeça preferem uma atitude por parte do PM. Não foi por acaso que as primeiras críticas vieram da parte CDS.
No fundo o que Passos Coelho tem de pesar nos dois pratos da balança é a manutenção de um Ministro importa que controla não só o Governo mas também o PSD, e a continuidade do Partido que sustenta a maioria. Apoiar Relvas é afastar o CDS, mas se retirar o Ministro de cena irá ter de aturar os velhos papagaios social-democrata que aparecem sempre nas horas dificeis. E quem sabe se o próprio Relvas não aplica a velha máxima "a vingança é um prato que se serve frio".

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Cerco a Relvas

A hora de Miguel Relvas está a chegar. Quando digo isto é para sinalizar o momento de saída do actual Ministro dos Assuntos Parlamentares do governo. 
Agora não é só a oposição que pede a sua cabeça. Bagão Felix foi o primeiro dos que pertencem "à maioria", a sugerir a demissão de Relvas. Sendo o ex-ministro das finanças uma voz importante na vida politica  nacional e também dentro de um dos partidos da coligação, as afirmações não deixarão de causar desconforto dentro do executivo. Até porque cabe a Paulo Portas controlar as vozes potencialmente incómodas. No entanto não conseguiu evitar um desabafo de Bagão.

Mas não são só os pedidos de demissão que fazem eco na comunicação social. Enquanto não existirem mais "casos" por revelar, é a vida privada do Ministro que é notícia. Também este love affair pode ter ligações ao senhor cunha.

O cerco ao Ministro aperta-se com maior intensidade e o número de casos deixam-no a ele a Passos Coelho numa situação complicada. Se Passos Coelho perder o seu número 2, o governo pode ficar sem uma pessoa influente e capaz de mexer os cordelinhos tanto em São Bento como dentro do próprio PSD.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Causas & Coisas - Se a mentira pagasse IVA

Esta é uma expressão muito popular que se adequa na perfeição aos dias de hoje. 

Hoje em dia, estamos constantemente a lidar com a mentira. Isso é muito comum nas relações entre pessoas, sobretudo as amorosas. No entanto, essas mentiras são as mais perdoáveis, mas ao mesmo tempo as mais frequentes. Com o número de divórcios e relações extra-conjugais a aumentar, se o Estado fosse cobrar por cada mentira arrecadaria cerca de 5 mil milhões euros, cerca de 15% da receita total do IVA.

As notícias de hoje são pouco fiáveis. É muito usual colocar na primeira página ou na abertura dos telejornais notícias falsas de forma a conquistar audiência ou vender mais exemplares. Isto acontece, sobretudo no campo da informação desportiva. Muitas contratações anunciadas nos pasquins não passam de pura especulação. Nestes casos, a culpa nem sempre é dos jornalistas mas sim das ditas "fontes" que por vezes levam o jornal a publicar notícias falsas. Aqui o Estado poderia arrecadar bastante dinheiro se a mentira pagasse imposto. Fazendo as contas assim por alto, seriam cerca de 10 mil milhões de euros, o que corresponderia a quase 25% da receita proveniente do IVA. As mentiras na imprensa, para além de serem em grande escala, podem colocar em causa a honorabilidade do visado, pelo que é normal,  o Estado querer lucrar mais. No fundo a intenção é evitar mentiras em grande escala.

Por fim chegamos ao polvo. Como quem diz, às grandes mentiras e as que normalmente têm uma expressão maior. As mentiras dos políticos são as mais importantes, no que toca à contribuição para o IVA. No entanto, e para evitar grandes receitas provenientes das suas mentiras, os próprios deputados legislaram no sentido que só seriam cobradas as mentiras ditas em campanha eleitoral, para evitar restrições durante o exercício do respectivo mandato, quer seja no governo, quer na oposição. Na própria lei, existe uma norma que faz a distinção entre "mentira pura" de "mentir por necessidade". As medidas de Mariano Rajoy sobre o aumento do IVA em Espanha são um exemplo de mentir por necessidade. Por vezes, quando se está na oposição diz-se uma coisa e quando se é Governo faz-se outra, não é por mentir ou ludibriar o povo. Não, em certas alturas, e em particular naquela que atravessamos, têm de ser tomadas medidas contrárias àquelas que foram proferidas antes da hora do voto; por força das circunstâncias. Estas podem ser de várias ordens : sociais, políticas e sobretudo económicas. Pelo que, quando se aponta o dedo a um Primeiro-Ministro porque ele entrou em contradição, a acusação é injusta. 

Qualquer líder tem de tomar decisões consoantes as circunstâncias. Naturalmente que, à medida que a governação avança e os problemas são cada vez maiores, têm de se tomar medidas impopulares mas que são necessárias para evitar males maiores no futuro. Ora este tipo de "mentira" não pode pagar imposto.

Em relação à mentira pura, deve ser cobrada uma certa quantia para que a própria mentira não seja repetida vezes sem conta e com o intuito claro de prejudicar os cidadãos. Por cada mentira de um responsável político, o Estado arrecada cerca de 20 milhões de euros, correspondente a uma percentagem de 40% do IVA. 

Fazendo as contas, cerca de 80% da receita do IVA provêm das mentiras constantes com que somos confrontados. O valor de 35 mil milhões de euros anuais líquidos. 

O Estado não se faz parvo e aplica o ditado " se a mentira pagasse imposto" , Portugal estaria à muito tempo livre do problema do défice. À atenção de Vitor Gaspar.


Sá Carneiro - Miguel Pinheiro


Miguel Pinheiro faz uma excelente biografia do antigo Presidente do PSD. Para além de ser uma biografia pessoal, o autor oferece-nos, e como não poderia deixar de ser, todas as peripécias do período revolucionário. 

A biografia de Francisco Sá Carneiro é uma oportunidade para conhecer um homem que lutou pela liberdade, mas acima de tudo, tentou o desenvolvimento económico e social do país. 
Nesta obra descobrimos o lado pessoal do fundador do PSD. Autoritário, consevador, teimoso mas igualmente convicto das suas ideias. Apesar das peripécias da Revolução Sá Carneiro nunca mudou a maneira de ser, especialmente dentro de casa. Não se pode considerar que a sua vida tenha sido fácil. Os constantes problemas de saúde não o deixavam 100% disponível para a política e ainda por cima teve que lidar com a questão do seu divórcio numa altura de campanha eleitoral, o que poderia acabar com a sua carreira política.



No que toca ao aspecto político, as qualidades mantêm-se. Rigoroso, acertivo e bastante convicto do caminho a seguir, tendo sido sempre o principal rosto contra o MFA e o General Ramalho Eanos durante o período do pós 25 de Abril. 
Este livro tem bastantes curiosidades. Por exemplo, ficamos a saber as circunstâncias em que José Socrates, Paulo Portas, Sousa Franco, Guilherme d´Oliveira Martins e Pedro Santana Lopes participaram na vida partidária do PSD. No entanto, só o primeiro manteve-se fiel ao seu partido, tendo os restantes seguido outras paragens ideológicas, como sabemos.



Por fim, ficamos um pouco indignados pela forma como Sá Carneiro morreu, sendo que Miguel Pinheiro fornece algumas pistas em relação à tese de atentado.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

a luta já não vai ser a mesma

Carvalho da Silva saiu no principio do ano de Secretário Geral da CGTP. João Proença será substituído em 2013 por Carlos Silva na UGT. 
Arménio Carlos não conseguiu ainda alcançar o mediatismo e importância que o anterior líder tinha junto das massas. Apesar das manifestações continuarem concorridas, a CGTP não tem um secretário geral forte. Com a UGT vai-se suceder o mesmo após a saída de João Proença. Não que o futuro lider seja mau ou incompetente, mas porque o legado deixado foi enorme. É preciso recordar o mediatismo e a adesão que as greves gerais e algumas manifestações tiveram aquando da liderança, quer de Proença quer de Carvalho da Silva.

Não sendo um grande defensor do sindicalismo, considero que tanto Proença como Carvalho da Silva conseguiram unir as pessoas nos momentos em que foi necessário sair para a rua. Os dois lideres eram vistos como verdadeiros chefes de tribo na altura de contestar. Duvido que tanto Arménio Carlos como Carlos da Silva consigam mobilizar as pessoas para a lutas que se avizinham. E num período tão problemático para os trabalhadores, Proença e Carvalho da Silva vão fazer falta.

Depois da luta sindical, segue-se a mesma luta mas agora via partidária. O sonho de Carvalho da Silva em ser secretário geral do PCP é conhecido. Quanto a João Proença continuará a sua carreira política no PS. É curioso verificar que o próximo lider da UGT também é dirigente socialista. Perante isto, não é de prever que o PS faça muito barulho na rua, aproveitando melhor o espaço político. Na rua estará sempre a UGT. 

É um facto que a luta sindical vai ficar mais pobre em termos de ideias, da própria defesa mas sobretudo a nível mediático. 


Silêncio! Que se vai debater o Estado da Nação

O debate sobre o Estado da Nação que vai decorrer hoje no Parlamento chega num momento em que o Governo passa por dificuldades e a oposição sobe alguns pontos.

Se pudesse adiar a discussão por mais 15 dias, Passos Coelho não enjeitaria fazê-lo. Hoje mesmo começa a greve dos médicos e as polémicas ligadas a Relvas ainda estão bem frescas na memória. Embora o assunto a debater seja avaliar o desempenho governativo neste seu primeiro ano de mandato, é de prever que haja desvios para atacar o Ministro Miguel Relvas. Será o PCP ou o BE  a pedire a demissão do braço direito de Passos Coelho?

No entanto, outro tema que irá ser abordado é a questão da austeridade. Muitos acreditam que é uma inevitabilidade, e a possibilidade do programa de ajustamento vir ser alterado é um sinal que haverá novidades muito em breve. 

A discussão de hoje vai andar à volta destas questões. Não são os temas que preocupam mais os portugueses mas é o que está na agenda mediática, e na política é isso que conta hoje em dia.

Passos Coelho terá o debate mais complicado desde que tomou posse como Primeiro-Ministro, porque para além de ter de fazer a defesa das suas políticas, vai ter que responder aos ataques dirigidos a Miguel Relvas, sob pena do folclore político continuar nos próximos dias. De facto, é perigoso do ponto de vista político, Miguel Relvas ainda não ter dado qualquer explicação sobre a forma como se licenciou, preferindo estar vulnerável aos ataques da oposição num momento complicado para o governo. Assim coloca não só em xeque a sua própria pessoa mas também o Executivo do qual é um membro importante.

Hoje será todos contra Passos Coelho, ou todos contra Relvas?

terça-feira, 10 de julho de 2012

País do folclore

Portugal é o país onde reina o folclore, o vira e qualquer outro tipo de dança tradicional. Não há nesta sociedade, um mínimo de seriedade e responsabilidade que seja.
Graças a ter ocupado o cargo de Presidente da Assembleia Geral da Associação de Folclore da Região do Turismo dos Templários, Miguel Relvas obteve 160.............dos 180 créditos necessários para concluir o curso de Ciência Política e Relações Internacionais. Ora, gostava de saber como conseguiu os restantes 20....foi por ter sido Presidente da Associação dos Amigos do Alheio?

Pior mesmo foi o facto do Ministro ter apenas completado 4 das 36 Cadeiras obrigatórias.

Em Portugal basta ser membro de uma qualquer Associação Recreativa para que o currículo se valorize profissionalmente. É por estas razões que no nosso país há uma Associação Recreativa e Cultural em cada esquina.  Mal vai um país em que o folclore está acima da competência, do mérito, do voluntariado. No fundo é atribuir mérito aos dotes dançantes da pessoa em vez do seu esforço. 

Não se percebe porque razão a Lusófona valorizou este suposto desempenho profissional, que mais parece um entretenimento para passar o tempo e dançar. Se em muitas ocasiões Relvas é publicamente penalizado, nesta situação em concreto quem fica mal é a própria Universidade.A não ser que tenha existido um   "folclorezinho" para preencher o CV de Miguel Relvas.

A dita Associação Recreativa agradece a publicidade e ao que parece, as filas para fazer parte da Associação são longas e não têm fim à vista, não vá no futuro ser necessário acrescentar mais qualquer coisinha ao currículo.

Até lá, o folclore em torno da licenciatura de Relvas continua.

festejar a democracia

Não se trata de festejar uma qualquer vitória da Líbia num jogo de futebol. O que estes Libios estão a comemorar é a realização do primeiro acto eleitoral livre 60 anos depois do ultimo sufrágio e quase um ano após a morte de Muammar Kadafi.

Para o povo Líbio, a possibilidade de voltar a viver em democracia é mais importante que qualquer desafio de futebol. A concretização de um sonho foi manifestada de forma efusiva nas ruas das cidades líbias. Compreende-se e deseja-se que assim seja, até porque é um sinal de enorme vontade em mudar. Ao derrubar o anterior regime, o CNT não quis de maneira nenhuma um regresso ao passado, apesar de fazer renascer um dos símbolos do regime anterior ao de Kadafi. 

A democracia oferece a possibilidade de fazer as pessoas sorrir. Mais do que obter o direito a voto, o que mais importa aos libios é a liberdade. De se poderem exprimir e manifestar em publico a sua alegria. A fotografia reflecte isto mesmo: Para além da comemoração nas ruas, as mulheres podem também ter os mesmos direitos que os homens.

Ao fim de 60 anos, a libertação voltou à Líbia.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

a nossa soberania ainda ganha

Muito se falará nos próximos dias da decisão do Tribunal Constitucional, até porque muitas questões se levantarão até nascer uma alternativa. 
Um aspecto importante é a notícia dada por Passos Coelho que irá respeitar este acordão. Outra coisa não seria de esperar do actual PM, mas em Portugal é raro respeitarem-se decisões de tribunais, ainda para mais quando estamos perante um Tribunal de cariz político e não propriamente um tribunal comum. É óbvio que as decisões proferidas têm de ser respeitados, tendo em conta até a salvaguarda da nossa Constituição. Para uns ela é como a Biblia, mas para outros não passa de um livro sem força jurídica. Essa uma discussão importante, mas que não vem para o caso.

Se atendermos ao facto de Bruxelas estar a exigir aos países em dificuldades que cumpram rigorosamente os seus programas, coloca-se aqui uma dificuldade à troika. Sem querer tirar valor a Vitor Gaspar e ao próprio Primeiro-Ministro é crível que tanto um como o outro irão pedir conselhos ao FMI para escolher quais as alternativas aos cortes dos dois subsídios. Não será fácil, tendo em conta o que já se cortou no Orçamento para este ano.

O que é relevante na decisão constitucional é verificarmos que ainda continuamos a manter a nossa soberania. Poderiamos estar um dilema. Nós não, mas o PM sim. No fundo, a quem obedecer? a Bruxelas ou ao Tribunal Constitucional?

Há muito que Merkel/Bruxelas decide os orçamentos dos respectivos países, ainda para mais dos que estão em dificuldade, mas a Constituição ainda prevalece. Eu escrevo ainda, porque chegará o dia em que o Tribunal Constitucional deixará de interferir na vida política do país. Esse dia está para chegar, possivelmente numa próxima revisão da Constituição, e esta decisão deve ter vindo acelerar a vontade de Passos Coelho de chegar a uma maioria de 2/3 com o Partido Socialista. 

O PM não vai correr o risco de desobedecer a uma decisão constitucional, como já referimos atrás, porque se o fizesse seria mais um grave erro político e a oposição não o perdoaria. No entanto, irá recorrer a Bruxelas para tentar contornar este acordão. 

Para já, ainda vamos mantendo a nossa soberania intacta e este caso é um exemplo disso mesmo. Contudo, não será fácil de a manter por muito mais tempo.

eles (ainda) querem nacionalizar a banca

Para os comunistas, a solução do problema da dívida portuguesa está na nacionalização da banca. Jerónimo de Sousa, líder do PCP defendeu esta ideia após Passos Coelho ter sugerido alternativas aos cortes na saúde e educação para responder aos problemas do défice.

Os comunistas foram os primeiros a arranjar uma alternativa. Acabar com o acordo da troika, mas mais importante do que tudo é nacionalizar a banca deixando-a ao serviço das pessoas e não dos accionistas. E eu pensava que as ideologias também se modernizavam ou mudavam com o passar do tempo e a evolução da sociedade.
Puro engano. O Partido Comunista Português, que deve ser dos poucos que ainda resistem nas democracias modernas; continua na sua antiguidade ideológica, mesmo depois de quase 20 anos depois após a queda do muro de Berlim. Gostava de saber se o líder do PCP usa o multibanco e de que forma faz render o seu "património". 


O Primeiro-Ministro lançou o desafio à oposição, mas com o PCP não se pode contar, porque se banca fosse nacionalizada acho que aí entraríamos em crise num instante.


domingo, 8 de julho de 2012

Olhar a Semana- proteger os interesses colectivos?

A questão da inconstitucionalidade dos subsídios ainda vai dar muito que falar. 

Primeiro porque foi uma clara derrota da maioria e de Passos Coelho e uma vitória da esquerda e daqueles que quase diariamente vão para as ruas manifestar-se contra tal medida. A aposta do PM correu mal desde o inicio. Em termos políticos e sociais. O primeiro aspecto porque a medida ia para além da troika e era uma forma pedir sacrifícios aos mais fracos. Em relação à questão social, porque este corte iria naturalmente indignar não só os funcionários públicos mas outras camadas sociais. 
Contudo, Passos Coelho não fez mais do que aquilo que há muito se pratica noutros lugares. Foi dado um sinal que era preciso acabar com o despesismo socialista que durante anos vingou em Portugal. O problema é que o PM atacou logo pela parte mais fraca, devendo ir aos salários dos gestores das empresas. Infelizmente o que passou cá para fora foi o de um ataque sem precedentes aos mais desprotegidos. Uma clara medida de Direita a entrar no governo não favoreceu PPC que desde o anuncio tem que ouvir alguma coisa sobre este assunto. E o pior é que a esta polémica, acrescentou-se o facto de não se saber exactamente qual seria o ano em que os subsídios iriam ser repostos. Perante tanta contradição entre PPC e Vitor Gaspar havia uma crescente preocupação de que no natal e férias, os funcionários públicos já não viam mais a cor do dinheiro. Até Bruxelas meteu o nariz onde não era chamada. Se calhar até era........

Em segundo lugar, este acordão levanta outra questão. O principio da igualdade e equidade suscitada não colhe. Há mais de 40 anos que os funcionários públicos são tratados com regalias que os privados não têm. Quem dera a muitos trabalhadores do sector privado ter subsídio de férias e natal. A questão que se coloca é: não quis o governo repor uma injustiça que dura desde o 25 de Abril? Não haveria violação ao principio da igualdade e equidade quando o sector publico tinha essas dupla regalia e o sector privado não?
Será que os juízes, não estão também a proteger-se a si próprios? Porque a eles foi retirado os dois subsídios e agora nada melhor do que perante uma alegada inconstitucionalidade, volta tudo ao mesmo. A mim parece que estamos perante uma decisão corporativista que também visa proteger os interesses de uma classe. Não que os juízes não tenham direito a subsidio, tal como os restantes funcionários públicos, mas esta também era uma guerra dos juízes. 

Em terceiro lugar, não se percebe como é que viola a CRP. É que a norma diz que em casos temporários e de necessidade, os subsídios poderão ser retirados. Ora, a situação que vivemos preenche os requisitos da norma fundamental e o próprio PM já explicou várias vezes que se trata de uma fase transitória, embora eu pense que o plano de Coelho é mais arrojado e acabar definitivamente com mais despesismo, em contrapartida os funcionários públicos aumentariam os seus salários. Considero que medidas como o aumento do salário minimo nacional são mais justas e equitativas.

Em quarto lugar, há que saber o que fazer para substituir o dinheiro vindo do corte dos subsídios. Será inevitável que os impostos singulares subam. E aí, Passos Coelho perderá novamente porque está a efectuar uma medida pouco consensual e que numa altura destas só vem acabar com a credibilidade do PM. É que se assim for, é garantido que iremos ter mais austeridade e que aí sim recairá sobre uma grande parte dos portugueses. 

Por ultimo afirmar que, apesar do acordão de um Tribunal, a voz de Bruxelas e da troika será mais forte e os subsídios não irão ser repostos. Será mais uma prova de fogo para o Governo PSD-CDS.

sábado, 7 de julho de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Morte ou brincadeira? XXXVI

(...)

Salmolipe estava cara a cara perante um leão marinho. A sua primeira reacção foi fugir mas não havia maneira de o fazer. Desta vez Salmolipe tinha de enfrentar a situação cara a cara e não podia ir embora, porque invariavelmente o leão marinho iria atrás dele e comê-lo.
Assim e perante este cenário o melhor a fazer era enfrentar a situação e contornar um grande problema. Um problema que tinha mais altura e força que ele. Era como estivesse perante um grupo de Ursos pardos e que não podia sair dali. 
O leão marinho contornou várias vezes Salmolipe para analisar a reacção dele. Esperou que o salmão tivesse antes uma primeira abordagem antes de fazer qualquer coisa. Podia até acontecer que o leão não o quisesse comer, estando simplesmente a brincar com ele. No entanto, Salmolipe não estava para brincadeiras porque tinha uma certa pressa. Salmodiana já ia longe e não lhe queria perder o rasto, contudo a situação que se avizinhava era de vida ou de morte.

Entretanto Salmonisco preparava-se para uma terceira tentativa........iria conseguir passar?

(continua dia 13...)

14.4 - A Ajuda Inglesa - a mais velha aliança de sempre

A aliança entre portugueses e britânicos é histórica. Desde há muito tempo que ingleses e portugueses se relacionam entre si. Quer na ajuda para derrotar inimigos externos, nas trocas comerciais e até na celebração de tratados comerciais. O mais carismático dos acordos portugueses e anglo-saxónicos foi o chamado Mapa Cor de Rosa. 

Perante a impossibilidade de conseguir manter as tropas napoleónicas afastadas do seu território, no entanto nem tudo foram rosas na aliança luso-britânica.

Antes da amizade, houve momentos complicados. Após a invasão de Espanha ao Alentejo com a conquista de Olivença, e com a vitória de Napoleão aos Prussianos, é feito a Portugal um ultimato para que bloqueie os seus portos à Inglaterra e sequestrar e prender todos os ingleses que se encontrassem em território português. Portugal não cumpre este pedido devido à histórica aliança com os britânicos, isto com medo que os ingleses invadissem as colónias portuguesas. Perante a recusa da monarquia, a Invasão por parte de Napoleão era uma certeza. No entanto, Portugueses e Ingleses celebraram secretamente um tratado que iria levar a familia real ao Brasil.

Espanhois e Franceses partilharam em segredo as partes do território nacional. O Norte era para os franceses e o Sul do Tejo para espanhois. Contudo esta aliança não correu bem, porque, Napoleão ao querer impôr o seu irmão José como Rei de Espanha criou um conflito no país vizinho.

O primeiro desembarque britânico deu-se ainda com a primeira invasão. A 24 de Julho de 1808, Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington desembarcou no Porto. Igualmente desembarcaram tropas na Figueira e em Leiria. As batalhas de Roliça e do Vimeiro foram vencidas pela mais velha aliança de sempre.
Como os espanhois também estavam a ser invadidos pelos franceses, Wellesley decide passar a fronteira, no entanto perde na batalha da Corunha e decide regressar ao nosso país.

Por fim, as tropas francesas tentaram o cerco a Lisboa, mas as tropas luso-britânicas conseguiram interceptar a tempo e vencer a Batalha do Bucaço. Ao ter conseguido prever o que iria acontecer, Wellesley salvou Portugal das tropas napoleónicas.

A tentação de trair o velho aliado podia ser muito, mas Portugal não quis desonrar os seus compromissos com o ingleses, até porque com ou sem bloqueio aos ingleses, Napoleão iria invadir a Península Ibérica mais tarde ou mais cedo. Note-se o que aconteceu com os espanhois. Apesar da ajuda dada para conquistar Portugal, o plano de Napoleão era que o seu irmão tomasse conta do país vizinho. Em boa parte, a derrota francesa em Portugal deve-se à tentativa de conquistar ao mesmo tempo os dois países ibéricos. Se já dificil seria tomar Lisboa, complicado era iniciar duas frentes de batalha num tão curto espaço temporal e físico.

Ao perceber a esperteza francesa, os portugueses não se deixaram iludir e estando preparados para a vinda de Napoleão, chamou a tempo os seus velhos amigos. Como não podia deixar de ser os velhos aliados responderam de imediato. 

Não é por acaso que Portugueses e Ingleses se dão muito bem. Em parte porque, de um lado houve a manutenção de compromissos e por outro a ajuda necessária para a sobrevivência de um Estado livre. Ao contrário dos portugueses, os espanhois caíram no erro e foram enganados, pagando com vidas a sua ousadia de querer ficar com o país vizinho, uma vez mais. Mas nas costas...




sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Grande Viagem dos Salmões - Uma questão de inteligência XXXV

(...)

Apesar do risco iminente de ter sido quase comido, Salmonisco nunca desistia. Infelizmente para o URSO, ele não tinha servido para o jantar.
No entanto, Salmonisco reparou que teria muitas dificuldades em passar aquela zona, porque estavam quatro Ursos famintos prontos para o comer. Por uma questão estratégia, os Ursos já sabiam que Salmonisco era sempre o ultimo a saltar as cataratas. Sempre havia sido assim e o lider dos Salmonix era conhecido por ficar para ultimo, deixando os outros ir em primeiro, nunca deixando ninguém para trás. Por tudo isto, Salmonisco era dificil de ser apanhado. A sua personalidade davam-lhe bravura e força para enfrentar os desafios mais complicados, e a zona dos Ursos constituía o principal obstáculo dos Salmonix nesta Viagem excitante mas igualmente perigosa.

Os Ursos respeitavam muito o Salmão, apesar da diferença de tamanho, força e sobretudo armas. No entanto, os salmões para contrariar todo esse poderio usavam a cabeça que funcionava como uma bussola. Era também uma questão de inteligência, táctica e dinâmica. Muitos salmões aproveitavam o facto dos Ursos não serem muito moveis, para procurar zonas baixas e assim ir passando enquanto a força das águas fazia o resto. O problema colocava-se quando os salmões davam "aquele" salto cá para fora...uma vez dentro de água já não havia qualquer problema....

(continua dia 7...)

A razão ainda está do lado de Passos Coelho

O tribunal Constitucional vem alegar o principio da equidade e da igualdade para considerar os cortes nos subsídios uma inconstitucionalidade. Desde cedo se percebeu que a jogada de Passos Coelho tinha sido um erro. Apesar de considerar que a medida do PM é boa para o futuro, acho que o PPC correu um grande risco ao mexer naquilo que é a subsistência mínima dos funcionários publicos que já ganham mal neste país. No entanto, acho que todos os trabalhadores devem estar abrangidos por esta norma e não apenas os funcionários publicos.


A decisão do tribunal vem dar razão àqueles que durante meses criticaram esta medida como por exemplo e esquerda mas principalmente António José Seguro. O lider do PS sempre afirmou que havia outros caminhos que não os tomados pelo PM. Contudo, a politica de PPC é acabar de vez com os subsídios aos funcionários publicos e a conversa da crise foi apenas uma justificação para fazer algo que há muito estava em mente na cabeça do PM. Só que, e como se viu pelo acordão; em Portugal é dificil mudar mentalidades, especialmente quando toca a mexer nas regalias dos funcionários do Estado. Não há coragem para acabar com certas vergonhas que passam pelo enorme desperdício de dinheiro. Note-se que Mariano Rajoy está a ponderar acabar com o subsidio de Natal em Espanha para fazer face ao défice. Também no país vizinho, o que um governo socialista fez mal tem de ser corrigido mais tarde por lider de direita.

Esta decisão levantará enorme polémica nos próximos dias mas não haja duvida que Passos Coelho perdeu em toda a linha. Até porque a alternativa irá ser a subida dos impostos, muito principalmente do IRS. Ou será que o PM vai ter a coragem de obrigar os trabalhadores do sector privado a fazerem o mesmo sacrificio? Se o conseguir a falta de equidade e igualdade pronunciada no acordão do TC acabará de imediato.  E a esquerda aplaudirá.
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Caso Relvas p.v. académico

A recente polémica da licenciatura de Miguel Relvas tem duas vertentes. A politica e a académica. Sobre a política já me debruçei, no entanto falta analisar a questão do ponto de vista académico.

Esta problemática vem levantar a questão de saber até que ponto as universidades privadas não sofrem com este tipo de acontecimentos. Todos nos lembramos do que aconteceu à Universidade Independente depois do caso Socrates. Agora é a Lusofona a sofrer com esta ligação ao super Ministro que conseguiu tirar o curso num ano. Se em termos de imagem politica o Ministro fica mal visto, a Universidade não fica melhor. E isso é mau para a qualidade do ensino mas também para tentar atrair novos alunos.

Se os estabelecimentos de ensino como a Independente, Lusiada, Lusofona, Autonoma já têm enormes dificuldades em concorrer com as Universidades mais prestigiadas, seja em que curso for; estas notícias fazem com que as quatro acima citadas, não consigam aumentar a qualidade do ensino que por lá se pratica. O rótulo de "cursos pagos" ganha maior dimensão quando sabemos que actuais Ministros ou PM conhecidos pelo seu carreirismo político, frequentaram aqueles estabelecimentos e tiraram cursos ultra rápidos. Perante esta situação é dificil sobreviver a um mercado dominado por três ou quatro universidades publicas.

Isto também levanta a questão de saber da utilidade e qualidade do ensino nas privadas, porque depois a maioria dos seus alunos não tem oportunidades de trabalho.

No meio desta polémica quem acaba por pagar são as Instituições e os seus alunos que acabam por estar associados indirectamente a esquemas pouco legais e morais. É preciso também averiguar se estas faculdades cumprem na integra o papel para que foram constituidas. Para ensinar é o objecto a que se destinam.  

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Causas & Coisas - o país do Senhor Cunha

O Senhor Cunha vive em Portugal há muito tempo. Primo do Compadrio e da Influência, já tem uma certa idade mas ainda assim ele é o unico que fornece os melhores serviços às melhores pessoas. Foi só após o 25 de Abril é que começou a ser conhecido. No entanto, também o Estado Novo de quando em vez recorria aos seus serviços. Mas foi no período democrático que todos os portugueses o ficaram a conhecer.

A escolha de Portugal para viver teve uma unica razão: Há quem não tenha capacidade para chegar onde pretende pelo mérito.

No nosso país, há quem o chame por diversas razões. Pela sua experiência, os cargos políticos são os mais apetecíveis mas também os mais dificeis de obter porque de 4 em 4 anos o governo muda de cor partidária. Uma das dificuldades do Senhor Cunha é explicar que o cargo é temporário e nunca definitivo, no entanto a remuneração vale bem a pena o curto espaço de tempo no poder. Na entrevista não é necessário habilitações literárias, até porque quem tem cursos e boas médias normalmente não recorre ao Senhor Cunha, e quando recorre; num espírito de missão; o Senhor Cunha lá vai dizendo que os lugares disponiveis são para pessoas menos capazes. As boas médias servem para ter bom emprego mas nunca para alcançar o topo na política. Nestes casos, quem tem menos habilitações literárias acaba sempre por ganhar o concurso. De vez em quando lá aparece um candidato que nem curso tirou  ou gravata usa.


O Senhor Cunha é para muitos um verdadeiro pai e ao mesmo tempo pai e mãe. No entanto, ninguém retribui o favor que foi prestado, porque o trabalho dele é pago a peso de ouro pelos contribuintes.

É a pessoa mais famosa do país e certamente aquele a quem muitos recorrem nas horas de aperto, sobretudo em caso de crise. No entanto, ninguém sabe quem ele é, onde mora, que actividades tem, ou sequer onde trabalha. Os lugares que frequenta são secretos e jamais são revelados.

Mas o Senhor Cunha não serve só para pedir ajuda. Quando está zangado pode acabar com a carreira da própria pessoa que o ajudou. Sendo uma pessoa influente é natural que mantenha contactos com a comunicação social e agências de comunicação. Basta-lhe um dia mal disposto para, por exemplo afirmar que um político não tem curso ou fê-lo de forma apressada. Embora o Sr Cunha seja também o melhor amigo da comunicação social, ninguém sabe quem ele é, pois ele nunca dá a cara, mas as informações que revela são totalmente fidedignas.

Amado por uns, odiado por outros, o Senhor Cunha é sem sombra de qualquer dúvida, uma figura de referência nacional, embora seja quase transparente.

Qual o Passo seguinte?

O verão político promete ser pouco movimentado, na linha do que tem sido habitual ao longo do tempo, o Verão é mesmo para descansar.
Contudo, para Pedro Passos Coelho a época balnear será de profunda reflexão, isto porque há matérias sensíveis que deverão ter uma resposta logo na reentré política marcada para Setembro.

A questão que deve tirar o sono ao actual Primeiro-Ministro é uma eventual remodelação governamental capaz de atacar mais um ano de crise. Já se percebeu que Alvaro Santos Pereira está na corda bamba, até porque foi do seu ministério que saiu a primeira baixa a nível de secretários de Estado neste executivo. Não deverá ser dificil mandar embora o Ministro Álvaro de volta para os Estados Unidos, mas se o fizer PPC está a dar razão aos críticos. Miguel Relvas também tem sido questionado, mas o número 2 do governo não cairá facilmente. O que se esta a passar é claramente uma vendetta socialista, embora o braço direito de Passos Coelho não seja uma flor que se cheire.

No entanto, o PM não deixará cair tão facilmente Miguel Relvas até porque num debate quinzenal recente fez a sua defesa publica, em pleno Parlamento para que o país pudesse ouvir. Se houver mais licenciaturas recordes, PC tem de ter uma atitude, no entanto logo rapidamente a polémica do curso será esquecido, até nova história entrar pelos media dentro.

Relvas e o Álvaro são as duas preocupações de Passos Coelho, havendo a promessa de novos ataques a estes dois ministros.
Para além da remodelação, Passos tem de se preparar para anunciar ao país novas medidas de austeridade. Será inevitável mesmo que o próprio e o Ministro das Finanças tentem a todo o custo aguentar o barco. No entanto, não vai ser fácil ao PM pensar em mais medidas, visto que no ultimo orçamento Coelho foi além da troika.

O país aguardará com expectativa o que aí vem, mas antes importa gozar o sol e as praias que temos. Isso nenhuma troika poderá nos tirar esse prazer.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Que tem a dizer Paulo Portas?

O silêncio de Paulo Portas e do CDS em relação aos vários casos com que Miguel Relvas tem sido confrontado, é um sinal estratégico muito inteligente e que tem em vista um possível aproveitamento nas próximas eleições. Se a crise continuar e o país estiver pior em 2015, o povo vai mostrar vontade de mudar de governo. Como não estou a ver o PSD fazer uma coligação pré-eleitoral, é natural que os sociais democratas percam votos. Apesar de ser parceiro de coligação nesta legislatura, ainda não vimos o CDS a defender o governo nas questões mais melindrosas, nomeadamente na questão Relvas. Quem fez a defesa publica do ministro foi apenas e só o Primeiro-Ministro. Também é verdade que a maioria do PSD não morre de amores pelo nº2 de Coelho, mas quanto mais o PSD sofrer mais ficará para os populares. E este mais ficará, tem a ver, não só com votos mas também com credibilidade e uma imagem positiva.

Portas sabe muito bem proteger-se a si, aos seus colegas de partido que estão no governo mas também à bancada centrista que suporta a maioria. No fundo é: "não se metam nos problemas dos outros".

terça-feira, 3 de julho de 2012

Relvas bateu recordes

O nosso país continua a surpreender tudo e todos. Há muito que se discutiu a questão da licenciatura de José Socrates que anda por Paris a tirar um verdadeiro curso. O caso veio à baila quando o ex-primeiro ministro andava na mó de baixo, também por causa do caso Freeport.

Pelo que se consta, não foi o unico que tirou uma licenciatura em circunstâncias especiais. Miguel Relvas, que nos ultimos tempos tem sido alvo da ira oposicionista; também parece que só marrava durante os tempos da faculdade.

A explicação está aqui, mas é caso unico alguém conseguir licenciar-se num ano, a não ser que seja um sobredotado e se interesse apenas pelos livros, não tendo espaço para vida social muito importante no crescimento de uma pessoa. Se Relvas fez um curso num ano também não se poderia interessar pela política. Perante isto, resta perguntar então como é que Relvas chegou à política?

É curioso que a estas investigações sobre o passado estudantil de politicos influentes e que ainda por cima estão no governo, estejam ligadas faculdades com pouco prestigio. A Independente que já fechou depois do caso Socrates e agora é a Lusofona a dar cobertura ao Ministro Relvas.

Parece de propósito mas não é. Quando se quer dar cabo de uma pessoa politicamente, é ao passado estudantil que se vai arranjar mais uma tentativa para queimar alguém. Vá lá que as noticias não são sobre copianços, castigos durante as aulas ou relacionados com bebedeiras e afins.....



Ideias Politicas : O Estado IV

Quando há confronto ideológico muito se fala do papel do Estado na sociedade. A grande diferença que separa os partidos que normalmente estão no poder, com particular relevância para Portugal; tem o Estado como o principal foco de interesse político-partidário.

Se seguirmos uma linha mais socialista notamos que existe uma preponderância intervencionista, não só na economia, regulação e outros aspectos mas essencialmente na vida comum das pessoas. O Estado não pode como deve influenciar e ser um guia orientador na vida de cada um de nós. O papel estatal não é só interventivo mas igualmente decisor. Ou seja, quer assumir um papel primordial na vida das pessoas. E isso nota-se principalmente em áreas como a saúde e a educação. O Estado não aconselha, impõe a sua vontade. Tudo isto porque as infra estruturas criadas com o dinheiro público devem ser utilizadas a todo o momento.


Numa perspectiva mais liberal, o Estado deve apenas funcionar como regulador de um mercado que se quer e deseja livre. As regras são criadas pelos próprio intervenientes na economia, deixando apenas a "mão invisivel" atenta a eventuais abusos. No que toca ao individuo, o Estado não deve em circunstância alguma meter-se na vida privada das pessoas, isto é, não lhe cabe a função de tentar condicionar as escolhas das pessoas através da lei. Cada um é livre para seguir o seu próprio caminho, mas dentro da regulação efectuada pelo próprio Estado.

No entanto, há que "pensar" o Estado de uma outra forma, relacionando-o com as liberdades de cada um. Deve o Estado condicionar as liberdades de cada um através da lei? Ou a nossa liberdade não tem limite?

(continua dia 9....)

segunda-feira, 2 de julho de 2012

La tercera

A vitória ontem da selecção espanhola no Euro 2012 vai perdurar muito tempo na história do futebol mas também na do Desporto.
Conseguir ganhar consecutivamente o Euro 2008, Mundial 2010 e o Euro 2012 é algo que só está ao alcance dos predestinados. Para além do recorde colectivo, houve vários jogadores que alcançaram marcas individuais o que demonstra bem que estas conquistas não são obra do acaso e o trabalho perspectivado tinha algo de histórico em mente : ganhar de forma consecutiva 3 ou 4 grandes competições.

Tendo deixado pelo caminho equipas como a Croácia, Irlanda, Itália, França e Portugal; a Furia mostrou que o futebol "nascido" no Barça e depois "aplicado" por Pep Guardiola tem muitas variantes e é capaz de superar qualquer táctica ou sistema. Com um 9 mentiroso ou jogando com Ponta de Lança, o tiki (Iniesta) - taka (Xavi), superou os melhores sistemas defensivos com que os adversários iam tentando parar este jogo do toca e corre enquanto que a muralha defensiva espanhola conseguiu congelar artistas como Modric, Ribery, Benzema, C Ronaldo e o mago Andrea Pirlo. Neste aspecto, Croácia, França e Italia(no primeiro jogo), tiveram de se adaptar ao vendaval de futebol imprevísivel que os espanhóis tanto gostam de praticar. Aqui, convêm fazer uma menção honrosa à equipa portuguesa que foi a unica a jogar de olhos nos olhos com la roja e a manter a sua forma táctica no duelo com os espanhois. Sem medo e acreditando nas suas especialidades, Portugal quase ia levando de vencida esta Espanha, provando assim que o tiki-taka não é só virtudes, importa explorar os defeitos.

Depois de três trofeus, a Espanha procura o seu quarto triunfo consecutivo no Brasil. Será dificil mas não impossível porque a maioria destes jogadores estará no final das suas carreiras e quererão despedir-se com mais uma conquista. No entanto há mais factores contra do que a favor. Pep Guardiola já não mora em Barcelona e o estilo do seu sucessor pode ser diferente, embora na mesma linha. Ao contrário do que sucede em Barcelona, em Madrid mora uma equipa que joga diferente, sendo que a base da selecção e o próprio jogo pode chegar da capital e não da Catalunha. Após 3 conquistas, os adversários já sabem que pontos fracos explorar e é evidente que haverá um certo desgaste nos jogadores e alguns terão de ser substituidos. 




tiki taka campeón







Passos para a frente ou Passos para trás?

A situação económica em Portugal tem vindo a agravar-se, apesar das notas positivas da troika. O programa está a ser cumprido, mas no entanto existe uma enorme derrapagem orçamental, o desemprego continua a aumentar para níveis históricos e a conflitualidade social é cada vez maior.

Perante estes factos, fala-se cada vez mais na necessidade de mais medidas de austeridade. O PM e o Ministro das Finanças não confirmam nem desmintem essa possibilidade, sendo cada vez mais certo a implementação de mais sacrificios aos portugueses para os próximos anos. O problema é que já não dá para aumentar impostos e curiosidade das curiosidades, a receita está bem aquém daquilo que era previsto pelo governo.

Sem consolidação orçamental não há crescimento mas se apertarmos demasiado o cinto será dificil sairmos da recessão. Perante este dilema, Passos Coelho tem de decidir o que é melhor para Portugal. Se opta por mais austeridade ou concede uma folga orçamental que permita desanuviar alguns sectores importantes da nossa economia. Num aspecto Passos Coelho falhou. Era desnecessário ir para além da troika, nomeadamente em ter retirado os subsídios de férias e natal aos funcionários publicos. No entanto, essa medida foi claramente ideológica.


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