Etiquetas

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Acabem com a violência gratuita

Concordo com o Henrique Raposo.

O que se passou no último domingo no estádio do Dragão foi vergonhoso. A violência gratuita continua a entrar nos estádios de futebol e nem o equipamento da polícia é capaz de travar alguns energúmenos. Se a polícia não consegue impedir estas pessoas de se portarem bem nos campos, que se feche a porta aos adeptos durante alguns jogos.

No policiamento do último clássico, a PSP utilizou um helicóptero para vigiar a entrada da claque sportinguista. Porque razão tem o contribuinte de pagar o uso de um heli apenas e só para vigiar uma cambada de idiotas? Penso que não há nenhuma explicação para este facto, a não ser a paranóia securitária que as nossas autoridades têm em relação às claques.

É difícil acabar com as claques, ainda para mais quando há presidentes de clubes que financiam os ultras. A melhor de controlar os grupos é permitir o acesso do adepto normal aos lugares destinados a supostos membros de organizações que estão na absoluta ilegalidade. 

As cenas de violência não acontecem por acaso, já que a necessidade de ter espaço mediático leva a alguns excessos. Há situações que são excessivamente relatadas pela comunicação social, no entanto tem de haver medidas que proíbam certas pessoas de frequentar estádios de futebol. Nos dias de hoje a cobertura que é dada às claques é superior ao que se passa no relvado. É desta forma que se cria monstros violentos e dependentes de uma actividade que em tempos foi um divertimento de família. 

Contra a discriminação nos partidos

Se o Conselho de Jurisdição do PSD aceitar, cerca de 400 militantes sociais democratas vão para o olho da rua. Ou melhor, vão deixar de ser militantes do partido. Tudo porque nas últimas autárquicas candidataram-contra as listas oficiais do partido. 

Numa altura que se fala muito de renovação dos partidos e da sua abertura à sociedade, o PSD dá este mau exemplo. Não se compreende porque razão um militante de um partido não pode concorrer numa lista independente em eleições, em particular nas autárquicas. Se a estrutura partidária não escolheu determinada pessoa para fazer parte de uma lista, não pode proibir essa pessoa de seguir a sua vontade política. Não se admite que um partido pretenda amarrar um militante, chegando ao ponto de o chantagear com a expulsão.

Os partidos não devem funcionar assim porque é desta forma que as pessoas não se inscrevam nas estruturas partidárias. Mais do que servir o interesse partidário, as organizações devem ser lugares onde impera a liberdade de escolha, expressão e mesmo de associação. Porque razão um conjunto de militantes não pode criar estruturas dentro do próprio partido? 

No nosso país os partidos funcionam mal e teimam em continuar na mesma. Muito se fala na reforma das leis eleitorais, da constituição e até da democracia. No entanto, são poucos os que defendem mudança de mentalidades e organização dos partidos. Os que normalmente falam não têm a coragem política para mudar o actual estado das coisas. 

Este exemplo dado pelo PSD é péssimo e só vai criar mais um motivo de conflito interno, numa altura em que os sociais democratas precisam de união. Contudo, os seus dirigentes preferem arranjar mais uma forma de discriminação. Ainda por cima esta decisão carece, não só de legitimidade, mas também de legalidade. 

eu "show" Portas

Paulo Portas tem enorme descaramento. O falso sentimento patriótico com que tem abordado a crise é patético. A cena em Julho da decisão "irrevogável" foi uma mancha na credibilidade do actual Vice primeiro-ministro. Agora saiu-se com o "antes celta que grego, mas sempre português". O que mais impressiona é saber que o poder executivo está todo ele nas mãos do líder do CDS. O poder foi parar às mãos erradas e a culpa é de Passos Coelho. O grande teste da lealdade de Portas virá nas próximas eleições europeias, em que tanto PSD como CDS vão concorrer em listas conjuntas. 

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A culpa nem sempre é de Mr.President

Muito se tem falado sobre a escuta ilegal por parte das entidades norte-americanas a líderes mundiais, em particular Angela Merkel. Em relação a Merkel já disse tudo, e que os EUA continuem o seu trabalho. Tenho lido muitos artigos sobre a responsabilidade de Obama nesta questão.

Barack Obama é o presidente dos Estados Unidos, pelo que é o principal responsável político pelas acções da administração. No entanto, acho que neste caso particular o Presidente não tem as mãos sujas. Porque simplesmente o líder não pode controlar tudo e mais alguma coisa. A primeira responsabilidade deve ser imputado aos responsáveis da NSA. Eles é que decidiram o alvo das escutas, tenho a certeza que Barack não "escolhe" os seus alvos em função das inimizades que vai criando ao longo do mandato com os seus homólogos europeus.

Se a NSA está a investigar, por alguma razão é. Não se trata de questionar a ilegalidade ou não do acto, muito menos a sua legitimidade. Além do mais, o Presidente  não sabia das escutas. Politicamente Obama deveria dar uma explicação, mas fica tudo por aí. No entanto, acho que o líder deveria ter vindo a público logo que as primeiras notícias vieram a lume. Um responsável quando não tem voto na matéria geralmente não diz durante uns tempos. Em meu entender essa posição não é a mais correcta, já que o "mundo" inteiro iria cair em cima de Mr.President.

O silêncio de alguns políticos em alturas de crise pode ser encarado como falta de coragem para resolver a questão. Mas nem sempre é assim. O nosso PR é um mestre em silêncio, por isso é alvo de muitas críticas.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

8ª jornada - De novo, os três grandes

À oitava jornada o três "clássicos" grandes voltam a estar juntos nas três primeiras posições. Há muito tempo que FCP, Benfica e Sporting não ocupavam as três primeiras posições, muito por culpa da falta de qualidade leonina e da ascensão do Sporting de Braga. Os indicadores desta primeira metade da primeira volta são reveladores: o Sporting vai estar na frente do campeonato e o clube minhoto tem muito que trabalhar se quiser voltar a ocupar um lugar de Champions. Espero que o Braga consiga voltar rapidamente às boas exibições e às vitórias, até porque uma luta a quatro é mais bonita.

A vitória azul e branca não foi um castigo para o Sporting. A equipa de Alvalade foi uma digna vencida, tendo lutado até ao fim por um bom resultado. Um FCP pressionado é sempre difícil de bater, contudo nota-se que Paulo Fonseca ainda está verde para a função e o 11 azul necessita de um João Moutinho. Sem um 8 "à moutinho", o pode vencer mas nunca será demolidor. Ao contrário, o Sporting tem a garantia de ter um meio campo forte que vai crescer ao longo da temporada. No duelo de colombianos, nem Montero nem Jackson conseguiram marcar.

Na Luz mora uma equipa que ainda não brilha. A espaços, Jesus vai vencendo, mas tal como acontece em relação ao FCP, esta equipa não vai dar para a Champions, e assim Portugal corre o risco de ficar sem equipas na principal competição da UEFA logo em Dezembro. É certo que tanto FCP e Benfica terão de ir ao mercado em Janeiro, situação que não deverá acontecer em Alvalade. Já na pedreira deve vir mais um carregamento de jogadores novos. 

Temos FCP, Benfica e Sporting e depois o Estoril. A equipa de Marco Silva continua a vencer deixando os outros crónicos candidatos à Europa cada vez mais para trás. O Estoril tem apresentado um melhor futebol do que os três grandes. 

À hora que escrevo Abel Xavier já não é treinador do Olhanense. Só falta Costinha sair para que o ramalhete esteja completo, isto é, para que estes dois futuros treinadores aprendam primeiro a subir na vida gradualmente. Se a equipa de Olhão ainda se pode queixar dos problemas financeiros, não é admissível que o Paços de Ferreira perca pontos com uma equipa chamada Dnipro. 

Para já, os três grandes estão de volta ao topo da classificação e um Estoril a prometer melhor do que o quinto lugar da classificação alcançado a temporada passada. As desilusões continuam a ser o Braga, Maritimo e o Paços. 

A luta já não é a mesma

No sábado passado, as ruas da capital encheram-se de manifestantes. O movimento "Que se lixe a troika" voltou a sair à rua. Tenho a convicção que no próximo ano, não vai haver um protesto do mesmo género. Em termos mediáticos a manifestação teve a cobertura de sempre. Nem mais nem menos. Quanto à adesão, também não se pode dizer que foi significativa. 

As manifestações e as greves estão a ter pouca importância. Mas a culpa é de quem as organiza. Coloco  a CGTP e os movimentos anti-troika no mesmo saco, porque não sabem gerir os timings necessários para provocar adesão e "mediatismo" nas suas jornadas de luta. No sábado ouvi muito a palavra "o povo unido jamais será vencido". É natural que o grito revolucionário tenha perdido espaço na opinião pública e nos media. 

O momento ideal para organizar um protesto deste tipo é logo a seguir a uma crise política. Ora, a única crise que tivemos foi em Julho quando Gaspar e Portas bateram com as portas. Nessa altura, e para provocar tensão social é que deveria ter havido uma grande manifestação de derrube do governo. E antes dos partidos se reunirem com o Presidente Cavaco Silva. No entanto, nessa altura estava tudo de férias. 

Na próxima semana a CGTP vai organizar um protesto contra o Orçamento de Estado. A ideia é boa e o motivo também, no entanto os "anti-troika" estragaram tudo. Não são só os partidos políticos que estão em crise. A luta sindical e o combate na rua também atravessa problemas, não só de adesão mas sobretudo de ideais políticos e sociais construtivos. Além do mais, como os líderes de hoje não são os de antigamente também cai a popularidade. 

Para que manifestações como a que se realizou em Setembro do ano passado, obtenham resultados políticos e sociais, é necessário repensar a forma de luta. Senão também ela corre o risco de desaparecer. 

Chegou o D.Sebastião

Parece que D.Sebastião chegou! É mesmo desta que Marcelo Rebelo de Sousa vai avançar. O eterno passará a efectivo candidato nas próximas presidenciais. O timing lançado por MRS é o adequado já que trava qualquer candidatura à direita, em particular a de Durão Barroso. 

Além do mais a esquerda não tem um candidato viável nesta altura, pelo que o primeiro a sair da toca parte em vantagem. A forma de anunciar uma "eventual" candidatura também foi inteligente, já que o seu comentário dominical tem mais share do que uma conferência. 

O timing, a forma e o conteúdo da candidatura são bons, contudo duvido que os portugueses queiram o professor em Belém. O povo não estará farto de o ouvir?

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Dois títulos em dez anos é muito pouco

Há precisamente dez anos foi inaugurado o novo estádio da Luz. O novo ninho da águia prometia uma futuro pleno de sucesso e vitórias. Manuel Vilarinho era o Presidente, no entanto era Luís Filipe Vieira quem estava por detrás de todo o processo e a preparar para assumir a liderança do clube. 

As promessas de uma equipa de futebol à altura da grandeza do estádio não foram cumpridas. Hoje assinala-se uma marca importante, pelo que é tempo de fazer uma análise ao que se tem passado no relvado da Luz. Numa altura em que o Benfica está mal no campeonato e quase fora da Liga dos Campeões, aumentam as vozes de discordância relativamente ao treinador, mas sobretudo à gestão de Vieira.

A nova Luz só teve direito a receber dois títulos nacionais e uma taça de Portugal. Não vale a pena contar as taças da Liga porque é uma competição de menor dimensão. O que conta são os títulos no campeonato. Ora, o momento épico de 2005, quando Luisão saltou sobre Ricardo e "deu" o primeiro título ao Benfica em 11 anos, nunca mais se repetiu. Embora o título de 2010 tenha sido importante, o salto do defesa central foi mais marcante. 

Dois títulos em dez anos, não é uma marca à altura do Estádio, até porque a casa benfiquista está cheia de más memórias, como são as constantes derrotas da equipa da casa contra o grande rival FCP. Ali, os azuis e brancos festejaram um título nacional, asseguraram uma presença na final da taça após uma meia final em que cilindraram o Benfica, e nos últimos anos lançaram-se para o título no ninho da águia. 

Jogar na Luz tem sido especial para os dragões, pelo que já nem em sua casa o Benfica consegue mandar. No próximo dia 9, Benfica e Sporting jogam para a taça de Portugal. Quem perder fica pelo caminho. Atendendo ao momento de forma das duas equipas, a pressão está do lado encarnado, apesar de jogar no seu terreno. Caso o estádio da Luz volte a registar mais um momento de derrota, é provável que o destino do treinador Jesus fique traçado, mesmo que Vieira queira adiar a despedida do treinador o mais rapidamente possível. 

Acho que a nova casa encarnada merece ser comandada por outras figuras nos próximos dez anos. 

Nunca Lisboa e Porto estiveram próximos como agora

Esta fotografia vale mais do que mil comentários. Há muito que não víamos os Presidentes da Câmara do Porto e de Lisboa juntos, muito menos presente na tomada de posse dos respectivos homólogos. Ou companheiros de partido?

Se Rui Moreira é independente, não parece. Se a vitória no Porto foi da cidade também não parece que assim seja. É bom para o país que Lisboa e Porto tenham uma boa relação, contudo isso só acontece por factores partidárias e não por questões de interesse nacional. A tal ponte que fala o novel Presidente da invicta, não é mais do que um acordo socialista encapotado. No fundo, Moreira fez obteve um acordo com o PS nacional e não com o PS Porto, até porque Manuel Pizarro é uma figura secundária do partido. 

A passagem de Moreira de independente para socialista pode outros fins que não apenas a câmara do Porto. Esta nova relação mostra outra coisa: que é impossível dois autarcas de PSD e PS curvarem-se perante as objectivas, mesmo quando são de concelhos diferentes. A partir de hoje, de independente Rui Moreira não tem nada.

Portas deve estar furioso porque sempre quis aparecer ao lado do Presidente e agora "fica" a ver navios. Passos Coelho vê reduzido o seu espaço autárquico e Seguro tem mais um concelho para pedir a demissão deste governo. 

Depois desta fotografia, o país espera a mesma atitude de Luís Filipe Vieira e Jorge Nuno Pinto da Costa. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Merkel metida em problemas

É caso para dizer: a vingança é um parto que se serve frio.

Angela Merkel está envolvida num escândalo político com os Estados Unidos. A senhora Europa está supostamente a ser vigiada por Washington. Estará Merkel envolvida em esquemas pouco lícitos? Não sei, nem me interessa. O que me apraz registar é a fraqueza da senhora cheia de poder, que decide o destino de milhões de europeus, Portugal incluído.

Por muito pouco outros grandes líderes caíram, pelo que não é de excluir um caso nos próximos tempos. Até porque ninguém tem telhados de vidro.....

A forma como Merkel vai reagir a isto tudo determinará se estamos perante uma nova dama de ferro ou menina com mãos de manteiga.

Revanche Socialista

Sócrates terá convidado Passos Coelho para vice primeiro ministro em 2011. O actual primeiro não aceitou o convite. Na minha opinião fez bem, já que qualquer governo que tenha Sócrates no poder não merece um dia de vida. É uma vergonha que José Sócrates venha agora colocar o dedo na ferida. 

Portugal precisa de estabilidade e não de guerras ou ressabiamentos políticos. Sócrates está a ficar parecido com Mário Soares. Ai está está!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O comentário, a entrevista, o livro e o quarto passo em falso

Primeiro regressou ao país pela televisão. O comentário na RTP foi um pretexto para o ex-primeiro ministro se vingar do passado e criticar o futuro. Comentei na altura que o antigo chefe de governo se estava a colocar numa posição que nenhum PM se deveria pôr. No entanto, Sócrates preferiu justificar as suas opções politicas através da tv e nunca com bom senso. 

Sócrates foi durante muito tempo o líder da oposição, vergando Seguro a um papel secundário. O ex governante não acrescentou nada, no entanto não era expectável que o fizesse. No papel de comentador político, Sócrates é mais um exemplo de como no nosso país, a política não tem substância. 

Há dias, o antecessor de Passos Coelho deu uma entrevista ao Expresso. Das muitas barbaridades, pairou no ar a ideia que ex podia voltar a ser primeiro. A sombra do cavaleiro negro continua entre nós. Sócrates é pior que Santana Lopes, pois ainda não percebeu que o povo está e estará sempre zangado com ele. Por muita porcaria que Passos Coelho ou Seguro façam, não vai haver uma segunda oportunidade.

Hoje é o lançamento do livro do anterior primeiro-ministro. Ao contrário do que é normal, a obra de Sócrates não versa sobre os anos em São Bento. Tenho a certeza que o ex líder socialista precisava de muitas páginas para explicar o aumento do número de funcionários públicos em vésperas de eleições, bem como outras trafulhices. No entanto, o mais complicado era explicar a forma como deixou Portugal na bancarrota. Mais uma vez digo, que tanto Passos Coelho como Seguro podem fazer porcaria, contudo ninguém se vai esquecer dos anos socráticos.

O ex-primeiro ministro deu os passos certos rumo a um possível regresso. Belém ou o retorno a São Bento são os próximos alvos. Uma candidatura a Presidente da República é o mais natural, contudo com o país à beira de eleições, com Seguro inseguro da sua capacidade e António Costa remetido à CML, o PS poderia necessitar de um líder que estivesse disposto a agarrar no partido e depois no país. Eu não vejo ninguém a não ser Sócrates. 

Em termos partidários não vejo dificuldades no regresso de Sócrates, contudo um Portugal desesperado poderá cometer um erro do tamanho de um novo pedido de ajuda à troika.  

Depois do comentário, da entrevista e do livro, qual será o quarto passo?

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Lágrimas de crocodilo

Rui Rio chorou na tomada de posse de Rui Moreira. O ex-presidente passou o testemunho encharcado em lágrimas. Este verter de lágrimas não podia ser mais falso. Primeiro porque todos sabemos a vontade com que Rio queria Menezes fora da câmara e depois porque não acredito que o dirigente do PSD queira o sucesso de um homem que acabou de se coligar com o PS. 

Acordo estratégico

Rui Moreira conquistou a Câmara do Porto de forma brilhante, mas começa mal o seu mandato. Para quem afirmou na noite eleitoral, que o partido vencedor das eleições havia sido o Porto, fazer uma coligação com o PS é um mau sinal, da mesma maneira que se tivesse coligado com o PSD cometia um erro.

A candidatura de Rui Moreira pode ter sido independente, no entanto a sua presidência estará ligada ao PS. Mas não só. Os interesses e influências que o Moreira criticou na campanha vão estar presentes durante os 4 anos de mandato. Esse é o preço a pagar pela vontade de ficar ligado a um partido. 

A partir de agora, a independência e autonomia que Rui Moreira reivindicou acabou. Além do mais, é estranho que, num primeiro momento o actual presidente tenha recusado o apoio institucional do CDS e agora venha fazer um tacho com os socialistas. No meu entender, a atitude mais sensata era sentar-se à mesa com todas as forças partidárias.

Os eleitores do Porto podem sentir-se enganados e Paulo Portas frustrado. Primeiro porque apoiou o candidato e agora já não o pode manipular e porque depois não tem ninguém na segunda maior câmara do país. A estratégia de Seguro foi de mestre, juntando a Câmara de Lisboa à do Porto. Só lhe falta vencer o país.  

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ligação Washington-Teerão parte II

Como não poderia deixar de ser, uma futura relação com os Estados Unidos da América vai fechar as portas a um conflito com Israel. O compromisso de não agressão com a América significa que Israel fica protegido. A população iraniana não reagiu da melhor forma ao telefonema de Barack Obama, já que Rouhani foi brindado com manifestações anti-América mal aterrou em Teerão, depois de ter participado na Assembleia-Geral das Nações Unidas. 

Além do mais, o chefe da Guarda Revolucionária, Ali Jafari, criticou a aproximação entre os líderes, pondo em primeiro lugar os valores da revolução. Para Alex Vatanta, do Instituto do Médio Oriente, "a reacção negativa de algumas figuras importantes não representa o sentimento da maioria da população". Os iranianos estão dispostos a dar o benefício da dúvida ao seu novo líder, contudo não vão admitir que os interesses nacionais sejam vendidos aos Estados Unidos. 

O povo iraniano não quer que sejam os americanos a definir as condições pelas quais o programa nuclear do Irão irá ser estabelecido. O que está por detrás de um possível acordo entre as duas partes tem a ver com o programa nuclear, mas também com outros assuntos. O aspecto positivo de um entendimento está relacionado com o não uso da força militar na região.


Se do lado dos iranianos há vontade de diálogo, o mesmo acontece por parte dos americanos. Alguns membros do Congresso, por exemplo Ted Cruz e Keith Ellison, expressaram a sua satisfação com o avanço diplomático entre as duas nações. O republicano Ellison chegou ao ponto de afirmar que "a porta para um diálogo construtivo está aberta", porque considera o Irão "um importante país na região e no mundo". No entanto, há quem considere que não se deve dar oportunidade a um regime que "patrocina o terrorismo". 

A maioria da população dos Estados Unidos acredita que o acordo pode ser benéfico, já que em teoria, se por um lado podem ficar numa posição de superioridade em relação ao Irão, por outro impedem o programa nuclear iraniano de sair cá para fora e ao mesmo tempo controlam, através de uma suposta amizade, um inimigo que poderia causar problemas na região.


 Não é de esperar que se alcance uma solução a curto ou médio prazo, até porque em primeiro lugar é necessário convencer as respectivas populações. Tendo em conta que estamos perante duas nações arqui-inimigas, vai ser preciso tempo e que as partes façam cedências. Alex Vatanta concorda com esta orientação. O especialista para o Médio Oriente considera que "uma reunião entre os dois líderes é uma questão de tempo e que a aproximação será feita de forma gradual". No entanto, acrescenta que "uma das partes, está à espera que a outra avance". 

Tiago Moreira de Sá, professor da Universidade Nova de Lisboa, entende que "os Estados Unidos têm condições para alcançar um acordo, com o apoio da Rússia e da China". Acrescenta que, "com Moscovo e Pequim a seu lado, Washington impede Teerão de avançar com o programa nuclear". O professor universitário "não vê razões para que não seja tentado um acordo, mas só na condição de o Irão desistir do programa nuclear". 

Em troca do fim do enriquecimento de urânio, Tiago Moreira de Sá considera que os iranianos procuram " reconhecimento internacional, já que com isso garantem a existência do regime, bem como a integralidade territorial".


O mundo anseia pelo encontro histórico entre os líderes dos dois países. Tendo em conta as ideologias que separam Washington e Teerão, nunca será possível chegar a uma amizade perfeita. Contudo, não é isso que o mundo espera. É importante que as duas partes ponham os interesses globais acima dos particulares e que por um momento esqueçam rivalidades antigas. 

Depois do telefonema histórico, para quando o aperto de mãos?

Ligação Washington- Teerão Parte I

2º artigo publicado no Jornal I

 No dia 28 de Setembro de 2013, o presidente dos Estados Unidos, sentado confortavelmente na Sala Oval, pega no telefone e faz uma ligação histórica. Do outro lado da linha está Hassan Rouhani. Apesar de os dois líderes terem estado presentes na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o mundo não os viu lado a lado, no que era considerado por muitos o momento adequado para tentar uma aproximação. A iniciativa do presidente norte-americano de ligar ao novo líder do Irão foi o primeiro passo para uma mudança numa relação que se encontra cortada desde 1979.

Os 15 minutos de conversa podem ter valido a segurança de um povo, de uma nação ou mesmo do mundo inteiro. O motivo da chamada foi muito mais do que discutir a questão nuclear, até porque para isso os conselheiros dos respectivos líderes saberão dar conta do recado. O objectivo de Obama é construir uma ponte entre Washington e Teerão e que tem em conta não só os interesses dos dois países, mas também de todos aqueles que queiram fumar o cachimbo da paz.


A questão nuclear é muito importante, no entanto os dois presidentes têm muito sobre que falar. Barack Obama quis dar um sinal ao Irão, bem como a todos os países do Médio Oriente, de que está disposto a ter uma atitude de abertura no que respeita aos temas mais delicados, sobretudo os que envolvem violações dos direitos humanos, mas também os que ameaçam a paz mundial. Em vez de pressionar o inimigo com uma intervenção militar, o presidente dos Estados Unidos prefere apostar no diálogo como forma de conquistar o adversário.


Tendo em conta que naquela região os Estados Unidos nunca seriam convidados para uma festa, a única maneira de obter convite é propondo uma solução de paz, até porque, com a Síria metida em problemas, neste momento qualquer movimento no sentido de uma intervenção militar instalaria a desconfiança naquela região. Jaled Mohamed Al Jalifa, ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein, pensa que um entendimento entre os dois países "serviria para afastar da região o espectro da guerra".


As duas partes estão confiantes num bom desfecho. O líder iraniano até usou a sua conta numa rede social para expressar a satisfação com o telefonema do seu homólogo, o que mostra o avanço de Teerão em direcção à modernidade, mesmo que ainda tenha muito a fazer em termos de direitos humanos. Se depender dos dois líderes, o telefonema passará para um encontro histórico a realizar num futuro muito próximo. O problema é que nem todos estão contentes com esta amizade, e isso pode ser um entrave a um acordo definitivo.

(continua)

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ressabiamento político

O ex-presidente da República, também ex-primeiro ministro e ex-candidato à presidência da República perdeu o tino. Não encontro outro adjectivo para qualificar estas declarações. Soares não sofre de velhice ou alzheimer, porque quem afirma uma coisa destas tem de estar bem da cabeça. Só mesmo por maldade é que o antigo chefe de Estado e de Governo faz isto. 

Porque razão Mário Soares não é preso por ter pisado a bandeira?

Mais uma coisa Dr. Soares: a pergunta não é: Porque é que o Presidente da República não é julgado pelo BPN?, seria mais correcto assim: "Porque é que o Presidente da República não é julgado por alegadamente ter participado no BPN?". Para além de ser um ressabiado, Soares não sabe falar português. O que é grave.

O guião que nunca existiu

Afinal não havia nenhum guião da reforma do Estado. De há um ano para cá, o governo prometeu uma profunda reforma. Foram feitas declarações de vários ministros no sentido de iludir os portugueses que "agora é que é". 

Aplaudo Paulo Portas por saber mentir. A conferência de há quinze dias atrás foi um engodo que só próprio ministro consegue fazer, mas para quem se vende por cargos não é admirar. Quanto ao primeiro-ministro nunca soube o caminho a percorrer quando falava na reforma do Estado. O desejo estava lá, o problema é a competência para o executar. 

Pedro e Paulo saíram mal na fotografia orçamental. O primeiro porque não tem capacidade para executar reformas, o segundo porque não sabe o que é uma reforma. Na minha opinião, a única pessoa que esteve bem neste processo foi Maria Luís Albuquerque. Não omitiu nada na conferência há quinze dias, enquanto ontem esteve muito bem, ao não ter enganado os portugueses. A ministra das finanças foi a única que deu a cara neste momento difícil. Se o guião da reforma do Estado estava a cargo de Paulo Portas não entendo porque é que o "vice", não apareceu. Ou é só nos bons momentos que dá a cara?

Sobre o Orçamento haverá muito por dizer, até porque o governo tem conseguido reduzir o défice miraculosamente nestes dois últimos. No entanto, politicamente o que fica são as trapalhadas e mentiras do Primeiro e Vice ministros de Portugal.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Pior do que não saber perder, é fazer birra

E se o Arménio Carlos tivesse que fugir da polícia e por acaso caísse ao mar? 

Esta situação é perfeitamente possível, razão pela qual o Governo não deixa que a manifestação de sábado se realize na Ponte. O secretário geral da CGTP arranjou um local absurdo para realizar o protesto. Além das questões de segurança, o local não é muito apelativo, pelo que a adesão seria mínima. 

O sindicalista quer criar um problema para justificar a fraca participação da manifestação. É normal que assim seja, já que as acções de luta promovidas por Arménio Carlos estão a perder força política e social. 

Não há pactos de regime

O OE chega hoje ao Parlamento. Não é previsível que haja um acordo político relativamente a este documento. Embora o PS tenha toda a legitimidade para votar contra, Seguro optou novamente por "chumbar" o documento, antes de estudar as matérias, e pior do que isso sem propor qualquer alternativa.

Significa isto que o partido socialista não irá apresentar propostas para que o documento seja melhorado, e assim fica responsável pelo texto final. Não percebo que tipo de política é esta e qual o caminho escolhido pelo actual secretário geral. 

Acho que Seguro toma esta atitude porque entende que tem as próximas eleições legislativas garantidas. O líder socialista opta por ficar sentado à espera dos deslizes do governo que garanta a vitória. Este é um erro estratégico que nenhum líder pode tomar. 

Não vai haver nenhum pacto de regime até final da legislatura, isso é garantido. Nem mesmo se for necessário um segundo resgate, porque os socialistas vão querer ir para eleições. Compreendo e aceito esta opção, até porque se todos falharmos, o Primeiro-ministro também está no mesmo barco. O país tem medo não só do segundo resgate mas do que pode vir em termos políticos, já que em momento algum Seguro oferece estabilidade. Além do mais, Passos Coelho já disse que se recandidata, pelo que teremos Coelho e Seguro como as únicas escolhas possíveis. 

A solução é aguentarmos o barco até onde pudermos e depois logo se vê. A troika Coelho-Portas-Seguro continuará por cá, até que Cavaco decida intervir. Não sabemos se depois deste trio, vem uma lufada de ar fresco, mas não pensem que com ou sem resgate, estas caras vão ter vergonha e sair de cena. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O desporto está bom, e recomenda-se.

Os jogos olímpicos de Londres tinham terminado e Portugal conseguira apenas 1 medalha. As críticas ao desempenho dos atletas olímpicos não tardaram. Pior do que isso, foi a forma como o desporto em Portugal foi tratado.

O Presidente do COP, Vicente Moura desprezou os atletas nacionais. O líder da altura considerou que no nosso país não havia cultura desportiva em Portugal. 

Nos últimos meses temos assistido a vitórias individuais em muitas modalidades. João Sousa no ténis, Rui Costa no ciclismo, Frederico Morais no surf, o bom campeonato do mundo de Miguel Oliveira em Motociclismo, a mais que provável entrada de António Felix da Costa na Fórmula 1. Os sucessos vão-se multiplicando, o que mostra o empenho, dedicação e profissionalismo de muitos atletas. 

Ao contrário do que afirmam alguns dirigentes que não percebem nada de desporto, este país está recheado de pessoas que fazem desporto e que o levam de forma muito séria. Não se pode ser profissional, até porque os apoios são ridículos, no entanto o talento e qualidade são superiores a qualquer falta de euro. 

O problema essencial está na política desportiva. Não há aposta nem interesse dos dirigentes federativos na qualidade humana, e quando se obtém sucesso não há o merecido reconhecimento. Kikas, Rui Costa ou João Sousa não estão sozinhos, no entanto não são acompanhados da mesma forma que, por exemplo, os futebolistas.

A maioria dos nossos dirigentes nunca fez desporto, nem sabe o que é a prática competitiva. Muitos só dão a cara quando o futebol tem vitórias, no entanto o desporto-rei nunca ganhou nada. É através das vitórias individuais que muitas pessoas optam por "experimentar" certas modalidades.

Também não acho justo fazer um balanço do desporto no nosso país tendo em contas medalhas olímpicas. A prova desportiva coloca milhares de atletas nacionais que por esse mundo fora, orgulham o país. 


Orçamento malabarista

As linhas gerais do orçamento para 2014 já foram apresentadas. No entanto, só amanhã após a entrega do documento via PEN é que saberemos todas as novidades. 
Este ano não houve aumento de impostos brutais. Já é um passo. Embora se mantenham as mesmas percentagens, pelo menos o sector privado não tem de suportar a crise sozinha. 

Aposto que o próximo OE(o de 2015) vai ser mais levezinho em matéria de impostos, já que nesse mesmo vai haver eleições legislativas. Posso até arriscar que o governo está a cortar e a aumentar tudo o que pode agora, para depois esfriar a carga. Se isso irá resultar em termos eleitorais, é algo que muitos analistas acreditam que não. Eu também acho que não.

Desta vez, foi o sector público a grande vítima do OE. E bem, na minha opinião. As alterações podem não ser populares e afectar muitas pessoas mas era necessário. Como se acabou por revelar, só algumas pensões de sobrevivência é que vão ser taxadas. 

Não se pode falar sem ter o documento na mão, contudo há uma conclusão que se pode chegar: Ou o Orçamento não tem grandes, a não ser aqueles que referi ou daqui a dois dias vamos ter muitas surpresas. Se for o primeiro caso, Paulo Portas é o primeiro vencedor porque falou verdade. Senão, o vice primeiro-ministro é um grande malabarista, para não dizer outra coisa. 

A união ou a queda deste governo começam amanhã, já que muitos órgãos de informação vão ter acesso ao documento antes dos deputados. Eu percebo a razão do governo querer adiar o inevitável. 

Outro aspecto importante é perceber se com os cortes previstos, como é possível crescer 0,8 como está acordado....

6º aniversário

Hoje o blogue OLHAR DIREITO comemora mais um aniversário. Passou mais um ano cheio de histórias para contar e opinião para vender. À medida que os anos avançam este projecto ganha sustentabilidade. Primeiro a solo, depois tornou-se um blogue colectivo e agora novamente encarando o futuro individualmente. Para mim, este espaço representa mais do que uma folha onde vou opinando sobre tudo e mais alguma coisa. Representa também uma boa parte de mim e dos objectivos que pretendo alcançar. 

Seis anos após o nascimento deste espaço, o país e o mundo mudaram bastante. A própria importância dos blogues e das restantes redes sociais também se alteraram substancialmente.

Tenho bastante orgulho neste espaço quando olho para trás. A vontade de escrever é algo que me assiste todos os dias, pelo que daqui a um ano estarei a comemorar mais um aniversário.

domingo, 13 de outubro de 2013

Olhar a semana - Que orçamento vamos ter?

À hora que escrevo este post ainda não é conhecido a proposta de orçamento de estado para 2014. O governo reúne-se hoje em conselho de ministros extraordinário para afinar as últimas medidas. No entanto, ao longo da semana algumas propostas foram sendo reveladas. Até ao momento a única medida susceptível de críticas foi a eliminação da pensão de viuvez. 

É provável que no final do dia de hoje e durante a próxima semana, o estado de ânimo das pessoas seja diferente. As autárquicas acabaram com uma derrota pesada para a coligação governamental. O PS venceu, mas nem assim, Seguro fica livre de críticas. 

Na semana passada, Paulo Portas garantiu ao país que as medidas de austeridade teriam pouco impacto na vida das pessoas. Na noite eleitoral, Passos Coelho declarou que os sacrifícios iriam continuar, tendo expressado uma cara de preocupação. Numa primeira abordagem podemos concluir que um dos dois está a mentir. Se é o vice-primeiro ministro é grave, mas se for o primeiro, mais grave será. Tenho a convicção que o país foi enganado naquela conferência de imprensa de Portas e Maria Luís Albuquerque. A ministra das finanças não pôde dizer porque seguramente ia falar verdade. 

Se as medidas de austeridade forem demasiado graves coloca-se a questão da necessidade de um segundo resgate. Por via desse facto podemos chegar à conclusão que o PM andou a enganar as pessoas durante todo este tempo. O futuro do país depende muito do que sair da reunião de logo, a começar pela reacção do PS. 

António José Seguro tem todos os argumentos para dizer não a este documento. Em termos financeiros sim, mas no xadrez político, o que o líder do PS pretende é a cadeira do poder a todo o custo. Por isso, um segundo resgate, apresar de ser mau para o país é bom para as pretensões socialistas. A partir de amanhã veremos se haverá ou não legislativas já em 2014, seguida de europeias. Seguro não tem perfil para "comandar" o país, mas é a única alternativa, pelo que não resta ao povo aceitar a vontade socialista. Nem com eleições à vista, António Costa avança, porque o seu tempo já acabou, pelo menos a nível nacional. 

O documento mágico será revelado daqui a umas horas. Dentro de momentos iremos assistir a uma nova onda de protestos bem como a uma crise política sem precedentes. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

RTP e EDP, duas empresas a crescer à custa do contribuinte

Este tipo de medidas só beneficia as empresas públicas portuguesas governados por "boys" dos dois maiores partidos portugueses. A RTP e a EDP vivem à custa do contribuinte e da vontade política. É inaceitável que as pessoas tenham de dar mais do seu dinheiro a empresas dirigidas por pessoas incompetentes e que nunca tiveram o mérito profissional.

Acho no mínimo estranho, que um governo defensor do fim da RTP esteja agora a alimentar a televisão pública com mais dinheiros dos contribuintes. Além do mais, a EDP, outra empresa com fortes ligações ao Estado vai beneficiar com esta medida, pelo que os preços da electricidade serão mais caros. Eu percebo que Passos Coelho queira salvar a RTP, mas isso devia passar por mais despedimentos e cortes nalguns salários extraordinariamente altos que se verificam naquela estação. 

A partir deste momento, o governo fica sem autoridade moral para querer mexer na estrutura da televisão, porque está a dar argumentos para ela se tornar economicamente mais viável. 

Um aviso para Damasco

A atribuição do Nobel da Paz à Organização para a proibição de Armas Químicas(OPAQ), não é só um reconhecimento pelo trabalho realizado por esta instituição. O mundo deu hoje um aviso sério à Síria para cumprir o acordado com a Russia e os Estados Unidos.

Para além disso, a condenação pelos actos de 21 de Agosto em Ghouta também foram condenados. No mundo onde a não proliferação de armas químicas é o usual, não pode haver excepções à regra. E o regime de Bashar Al-Assad não tem o direito de viver à margem da lei, seja ela natural ou internacional. Os crimes cometidos contra a humanidade no último mês de Agosto têm de ser punidos. 

O regime de Damasco tem de ser trazido à responsabilidade logo após a destruição total das armas. Os seus líderes não podem continuar impunes, mesmo que cumpram a ordem da OPAQ. Hoje também é um dia para Obama festejar, porque fica com a razão do seu lado. 

Este prémio pode servir de alerta para o Irão, embora em Teerão haja a noção de como se foge ao problema nuclear. 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Fim "total" das subvenções

João Almeida lançou o tema. Carlos Carreiras e Duarte Marques seguiram o bom exemplo do deputado centrista. Fim das subvenções aos políticos. Numa altura em que se fala tanto de cortes de pensões e reformas, alguém com responsabilidade tem de dar o exemplo. Não só nas palavras, mas sobretudo nas atitudes. 

Depois das declarações, os deputados à Assembleia da República deveriam legislar rapidamente sobre a matéria, até porque estamos em vésperas de apresentação do Orçamento de Estado. O povo veria com bom olhos alguns vícios que ainda se mantêm no nosso país, em particular no sistema político. É estranho que no PS ainda ninguém tenha dito nada sobre o tema....

O corte deve ser de 100% e não 15%, como propõe o deputado. 

O país perguntou....

.........e o Primeiro ministro respondeu!

Embora se tenha tratado de um conversa quase informal, o PM não fugiu a nenhuma questão colocada pelos portugueses. Com a frontalidade e honestidade de sempre, Passos Coelho procurou explicar os passos que se vão dando nas mais diversas áreas.

Ao ter revelado que o IRC vai descer e o IVA na restauração poderá sofrer alterações, o PM está abrir um novo ciclo. Tendo margem para mexer nestes dois impostos é porque a situação portuguesa está controlada. Menos impostos mas cortar em pensões e salários que não se justificam parece uma boa ideia, já que o país não pode viver nesta desigualdade. Há diferenças entre os dois sectores (público e privado), quando temos de pagar mais impostos porque há salários na função pública que deviam ser ajustados.

Ainda não percebi porque razão um viúvo tem direito a receber uma  pensão, mas mais incompreensível são as críticas da esquerda em relação a este assunto. É um facto que o cônjuge terá necessidade de viver com mais rendimentos, contudo não é normal que se continue a gastar dinheiro ao desbarato. Há vícios que não podem continuar a ser mantidos.

O PM revelou que os fundos comunitários que Portugal terá acesso serão distribuídos às empresas. Esta é uma excelente medida de combate ao desemprego e ao défice. Em vez de perdermos dinheiro com obras públicas sem nexo, o financiamento europeu é para o desenvolvimento da economia portuguesa. Não podia estar mais de acordo com esta medida. Este gesto do governo revela quais são as prioridades do executivo. E que tudo está a ser feito para relançar a economia do país. 

Não sei se mandar a troika embora de Portugal será suficiente para o governo vencer as legislativas de 2015. Concordo com Ricardo Costa neste aspecto, contudo o povo é suficiente maduro e inteligente para perceber as razões de tanta austeridade. Mas acima de tudo ter a noção que o esforço vale a pena. 


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

PS pós-autárquicas

Alberto Martins é o novo líder da bancada parlamentar do PS. Carlos Zorrinho sai, tendo guia de marcha para Bruxelas onde provavelmente irá ter a companhia de Francisco Assis. Seguro fica sozinho na direcção do partido, mesmo tendo António Costa preso na Câmara de Lisboa. Sócrates continua na televisão e por uns tempos não haverá oposição interna ao secretário geral.

A nomeação de Alberto Martins não é uma boa notícia para Seguro. O antigo ministro de Sócrates é isso mesmo. Um socrático! Após ter ganho Lisboa com uma vitória esmagadora, Costa não deve tentar o partido. A única possibilidade em termos nacionais será Belém, mas não é para já. De momento, a entourage socialista está à espera da queda do governo para assumir funções governativas o mais rápido possível. 

Continuo a entender que o actual líder socialista não tem perfil nem ideias para ser Primeiro-Ministro. A única hipótese de tirar Seguro da liderança é este perder as eleições em 2015. Até lá os bastidores no Largo do Rato vão estar em permanente movimentação à procura de um novo ícone para fazer frente à direita. 

Para já, as primeiras alterações pós-autárquicas acontecem no PS. Em primeiro lugar porque é preciso definir estratégias de oposição, mas porque há muito a fazer internamente. Seguro está sólido, mas Costa e Sócrates continuam atentos ao que se passa no partido, não perdendo oportunidade para comentar cada passo desta liderança. Ao perceber que pode estar próximo de voltar a ser governo, os socialistas estão a caminhar para a primeira fila. Quem conseguirá o bilhete?

Le grand retour

Quem parece estar de volta à vida política activa é Nicolas Sarkozy. O candidato que perdeu as eleições para François Hollande está disposto a voltar ao Eliseu. Depois de "destruir" a França, Nicola sente saudade do bichinho, no entanto, mais importante do que isso é saber o que trará o ex-presidente de novo que já não tenha mostrado ao povo francês e ao mundo.

Sou contra este tipo de regressos. Só fazem mal à política e às próprias pessoas. É fundamental haver renovação de caras e ideias. Continuar a insistir sempre nos mesmos é um princípio pouco ético. O regresso de Sarko, aliado ao mau desempenho de Hollande,  pode determinar uma vitória para o ex-presidente, até porque Angela Merkel não tem ninguém para dançar neste momento. 

A junção do casal mais famoso de 2012 pode ter uma nova fase no longínquo ano de 2017, mas já com uma Europa Federal constituída. 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Mais um

Em apenas três meses, dois dos ministros do novo governo envolveram-se em polémicas. Já dissertei sobre a questão de Maria Luís Albuquerque, contudo o caso de Rui Machete é mais grave. O ministro dos negócios estrangeiros tem a sua posição fragilizada, ainda mais do que a ministra das finanças. 

No entanto não é Machete ou Maria Luís que vão sofrer consequências políticas. Este novo governo que tomou posse em Julho tem casos a mais, quando se esperava que fosse uma tentativa de dar um novo ânimo aos portugueses e não só. Temos assistido a uma série de acontecimentos, que em nada beneficiam os autores nem os seus interlocutores. 

Passos Coelho não consegue ter mão sobre as fugas. Ou melhor dizendo, este executivo, que parecia ser "impecável", está a ter demasiados casos que pode minar a credibilidade do governo. Aquilo que um ministro tem repercussões no seu líder, e na hora da verdade é o primeiro que paga, politicamente claro!

Como tem sido habitual ao longo da nossa história, ninguém se demite ou é demitido. O problema é que na hora do voto as pessoas não esquecem os Machetes, os Relvas, as Maria Luís e outros nomes que vieram a lume. O que está aqui em causa é uma questão de credibilidade do político perante a opinião publica. Porque se o povo cumpre rigorosamente, porque razão os que estão no poder não têm a mínima vergonha? O bom senso levaria muitos políticos a saírem da cadeira do poder ao mínimo deslize da sua credibilidade, até para dar lugar a outros que teriam menos esqueletos no armário. 

Infelizmente este tipo de problemas não tem solução. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A história de Malala

Malala Yousafzai é uma jovem paquistanesa que foi atingida na cara o ano passado. Enquanto se dirigida da escola para casa, Malala foi vítima de um ataque. Um militante Taliban disparou contra a cara de Malala. A menina pagou um preço por ter falado sobre o direito das jovens à educação. 

A rapariga oriunda do Paquistão sobreviveu, no entanto o mundo inteiro ficou chocado com a sua história. No dia 9 de Outubro de 2012, a vida desta mulher mudou.

Um ano depois dos acontecimentos, Malala deu uma entrevista à BBC. Em vez de mostrar rancor e vingança pelos talibãs, preferiu seguir outro caminho. 

"o melhor caminho para resolver os problemas do terrorismo é o diálogo". Esta frase é o primeiro sinal dado não só aos Estados Unidos mas também aos que a tentaram silenciar. Acrescentou que os próprios talibãs devem optar pela via do diálogo. Fico pasmado como uma miúda de 16 anos tem esta visão do mundo. Yousafzai poderia optar pelo apoio aos EUA e à morte da organização, no entanto preferiu falar na paz. 

Já sabíamos que matar e torturar pessoas é contra o Islão, pelo que a organização terrorista não actua em nome do islão mas sempre em nome próprio. 

Yousafzai falou nas Nações Unidas em Julho. O seu desejo é regressar ao Paquistão e iniciar a vida política.  O seu desejo é tornar "o Paquistão num país livre".

Ao ter lido as palavras de Malala, lembro-me de Benazir Bhutto, outra mulher que foi silenciada pelas autoridades de Peshawar. Podemos estar aqui perante uma nova defensora da liberdade no Paquistão, contudo o que mais impressiona é a sua calma com que enfrenta a sua própria dor. Além do mais, a capacidade com que fala é notável numa mulher de apenas 16 anos. Malala vai mudar conforme for crescendo, no entanto, tenho convicção que na sua região não haverá o mesmo tipo de crescimento social.

Jornada 7 - duo da frente

A sétima jornada fica marcada pela vitória sofrível do Benfica e a derrota pesada do Braga no terreno do Nacional. 

Jesus vence mas não convence e quando perde o resultado é justo. Este dilema vai atormentar os adeptos até final da temporada. Será que o Benfica vai jogar bem ou pouco? Se notarmos as exibições do FCP, nota-se a entrega e dedicação com que os jogadores vão para o campo. No Benfica até a nota artística já se apagou há muito. Será uma questão de tempo até Jesus sair do comando técnico. A amostra nestes dois meses é clara: O Benfica vai perder muitos pontos, como diz o treinador, que serão irrecuperáveis para o duo da frente. 

Em Braga mora uma equipa com bons jogadores e bem orientada. Ontem o Sporting local foi humilhado pelo Nacional. Jesualdo já deu sinais de fraqueza nos jogos com o Estoril e Gil Vicente. Ganhou um mas perdeu o outro. Sofrer golos cedo tem sido a tónica deste Braga, o que significa a desatenção ou falta de dedicação da equipa nos primeiros minutos de jogo. Também não se percebe a insistência em Nuno André Coelho e de um duplo pivot quando a equipa perdia por 2-0 contra o Nacional. Se no Axa algo não mudar até Dezembro, Salvador não vai esperar pelo fim da época, até porque a Liga Europa já lá vai. 

Tanto Jesus como Jesualdo estão na corda bamba. Não só pelas fracas exibições, mas porque os rivais FCP e Sporting vencem e convencem. Dragões e leões vão na frente e na próxima jornada medem forças, pelo que um vai ficar mais distante do outro, ou então ambos permitirão a aproximação das duas equipas referidas atrás. Para já, são as duas formações que merecem estar no topo da classificação. 

domingo, 6 de outubro de 2013

Olhar a Semana - exemplos de democracia participativa

Ao contrário das democracias do sul da Europa, os britânicos gostam da democracia participativa. No próximo ano, a Escócia vai decidir em referendo a independência em relação à Inglaterra. A República da Irlanda discute neste momento se deve realizar uma consulta popular para colocar um ponto final no Senado. Daqui a dois anos, Londres pode vir a escolher o seu futuro na União Europeia através da consulta ao seu povo.

Podemos não concordar com as matérias em causa, mas a verdade é que os anglo-saxónicos são muito mais democratas do que o resto dos europeus. Se recordarmos a nossa história política concluímos que só por três vezes o instrumento do referendo foi utilizado no nosso país. Uma para a regionalização e mais duas para a despenalização do aborto. O mais curioso é o facto de, em nenhuma das ocasiões, a matéria colocada a votação esteja relacionada com alguma questão de natureza política. 

Perante esta circunstância, não é de admirar que os níveis de abstenção em Portugal tenham atingido os 47,4% nas últimas autárquicas e que 54% dos eleitores que foram ás urnas no último Domingo não tenham votado nos partidos. Estes números devem fazer reflectir os responsáveis para saber o que querem: mais democracia participativa ou continuar fechados nos gabinetes onde os líderes partidárias decidem o futuro do país. 

Há inúmeras questões que podem ser colocados aos eleitores. No fundo, isso é chamar as pessoas para participar na construção da democracia. O que os países das Ilhas estão a fazer é "meter" nas mãos das pessoas o futuro do país e da sociedade. Daí que seja natural o interesse das populações na vida política. Se continuarmos a excluir as pessoas, elas na hora da decisão não vão comparecer. 

O caso das autarquias é sintomático. As autoridades locais poderiam promover não só debates, mas também consultas locais sobre determinadas matérias. E aí, as juntas de freguesia teriam um papel muito importante na divulgação da informação bem como da realização das propostas. Se a nível local falta muito o "sentido" de comunidade, não será a nível nacional que se vai conseguir obter progressos. O desinteresse dos portugueses nos actos eleitorais tem vindo a crescer por culpa dos agentes políticos. Não me venham com histórias sobre a chuva, a crise ou as noitadas de sábado à noite. Não se pode querer que as pessoas vão às urnas de quatro em quatro anos. Porque se assim for, a tendência é das gerações mais novas ficarem em casa porque não se interessam pela política. 

Os exemplos citados são boas formas de conquistar os eleitores e mais do que isso, chamá-los à responsabilidade. Concordo quando o PR diz que os que não votam depois não têm legitimidade para criticar. No entanto, não é só o acto eleitoral que interessa, porque depois de contados os votos há um mandato que necessita de ser escrutinado. Há várias formas e feitios de fazer funcionar a democracia representativa e participativa. 

O PR e os nossos responsáveis deviam meter os olhos nos homólogos britânicos. 

sábado, 5 de outubro de 2013

Bandeira do Panamá

A bandeira do Panamá parece que sai de um circo. Transporta alegria e vivacidade.

O Azul representa o Partido Conservador da Colômbia que participou na guerra dos mil dias. O Panamá esteve envolvido neste conflito, por na altura fazer parte do estado colombiano.

O Encarnado representa o partido liberal colombiano, que também participou nesse conflito.

O branco, como não poderia deixar de ser, representa a paz e união.

A estrela azul significa a pureza e honestidade que deve reger a vida do país.

A encarnada representa a autoridade e a lei que impõem essa pureza e verdade no seio da comunidade.

Com o objectivo de unir o país depois da Guerra dos Mil Dias, as autoridades criaram esta bela obra de arte.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Nem um, nem o outro

Este início de temporada está a revelar um FCP pouco agressivo e um Benfica sofrível. Se aquilo que o clube encarnado não joga é normal, pelo facto de ter mantido o treinador, em relação aos dragões esperava muito mais. Paulo Fonseca começou muito bem mas os últimos três jogos, nos quais só ganhou um e com ajuda da arbitragem, revelaram que o treinador do FCP ainda está muito verde. 

Além do mais as contratações, tanto de Benfica como do FCP deixam muito a desejar. Para além de não se terem integrado de forma inequívoca, há muitos reforços que são de dúbia qualidade. Na minha opinião está instalada a crise, tanto no reino do Dragão como no ninho da águia. Com as deslocações a Arouca e ao Estoril, os dois treinadores jogam o seu futuro já neste fim de semana. Quem agradece a falta de competência de Pinto da Costa e de Vieira, é o Sporting que está em bom plano. 

O que se esconde por detrás da Porta

Acreditar ou não em Portas, é a grande questão do momento. Depois da conferência de imprensa de ontem fiquei com a sensação que realmente vamos sair da crise. Contudo, as palavras e o ar com que Passos Coelho afirmou que vai haver mais austeridade preocupou-me. Também fico perplexo quando o vice primeiro-ministro aborda o tema da crise da forma como fez ontem.

Infelizmente ainda não conhecemos as medidas de austeridade, contudo estas prometem ser menos pesadas, pelo menos no que toca aos impostos. Não haverá grande aumento e o IRC vai descer. São boas notícias para as famílias e empresas, contudo promete haver mão pesada para quem está na função pública. 

Passos enfrenta a crise com medo, mas Portas fá-lo com alegria. A única entidade equilibrada neste momento é a troika. 4% e nem uma décima! Será possível?

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

PS e PSD em pé de guerra

Não bastou ao PS vencer para que o partido se mantenha unido. O PSD entrará num processo de auto destruição, pelo menos, até ao final do ano. Os dois maiores partidos nacionais, aqueles que irão ser sempre governo, estão em pé de guerra. Os sociais-democratas porque levaram uma banhada, e os socialistas pela circunstância de terem um líder fraco. 

Os dois partidos irão continuar em pé de guerra, só não se sabe por quanto tempo. Se de um lado é difícil demitir o líder porque se trata do Primeiro-Ministro, do outro, a vitória nas autárquicas veio confirmar a legitimidade adquirida em Abril último. 

Não vai ser fácil a Seguro nem a Passos conviveram com as críticas internas, no entanto o primeiro está mais vulnerável do que o primeiro, já que o líder do PSD tem a "protecção" presidencial. 

Perante este estado de alerta, em que ficamos?

Para onde vão os derrotados

As autárquicas que passaram marcaram o fim do mandato de alguns "dinossauros" da nossa política. Muitos terminaram a sua aventura política, contudo a vontade de continuar a fazer política mantém-se. Da mesma forma, certos candidatos derrotados têm agora de procurar emprego, pelo menos muitos dirigentes do PSD. A sorte de uns é o azar de outros, pelo que o Primeiro-Ministro agora vai ter que ouvir da boca de alguns "perdedores" a sua insatisfação. O mesmo se passará com Seguro, já que o actual secretário geral fez algumas escolhas erradas durante a campanha, tendo perdido câmaras importantes, como por exemplo Matosinhos. 

Nomes como Fernando Seara ou Luís Filipe Menezes não sabem fazer mais nada do que "estar" na política. Além do mais, estes dois nomes à solta são um perigo, não só para o partido mas também para o executivo, sobretudo porque são uma voz contra Paulo Portas. Em Maio, realizam-se as eleições para o parlamento europeu, por isso não me admirava nada que um ou outro fosse mandado para bem longe daqui. No entanto, há um problema: Paulo Rangel termina o seu mandato como eurodeputado, e tendo em conta que se trata de um opositor a Passos Coelho, o seu regresso pode causar ainda mais distúrbio do que Seara ou Menezes. 

Uma última em relação a Menezes. O ex-autarca de Gaia sempre foi um aliado de Passos Coelho. Em troca do seu apoio na eleição para o partido em 2010, o primeiro ministro "ofereceu" a Câmara do Porto. Menezes não aproveitou porque é um político fraco. Mais fraco ficará, se a partir deste momento, for mais uma voz contra a política do governo. 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O que fazer agora?




No rescaldo das eleições, não há duvidas que o PSD perdeu em toda a linha. Não foi uma derrota do partido, mas de Passos Coelho. O líder apostou forte nestas autárquicas, tendo mostrado inclusive uma confiança pouco natural, para quem obrigado os portugueses a vários sacrifícios. 

Começo pela declaração de Passos após a derrota. O ar resignado como a dizer "eu não posso fazer mais nada", é o reflexo do estado de espírito do PM. Ao anunciar mais sacrifícios, o PM foi honesto. Seriedade pessoal e política é uma coisa que não se pode acusar em nada o chefe de governo. No entanto, em minha opinião penso que deveria haver mais competência, quer do próprio mas também de alguns dos membros do governo. 

Passos deve ir até ao fim, o mesmo é dizer até onde puder. Sei que ele não é pessoa para desistir, contudo o ambiente não lhe é favorável. O problema que se coloca tem a ver com a oposição. Sim. Seguro obteve o maior resultado de sempre, mas nem assim será um bom primeiro-ministro. Na cabeça de Cavaco nem da maioria dos portugueses. A única alternativa é mesmo continuar a navegar nesta onda de austeridade e esperar melhores dias, para nós mas também para a economia. Se vier um segundo resgate, é o fim. Não só para nós mas também para o governo. 

Chegar ao fim é mandar a troika embora, depois logo se vê. Não acredito em soluções mágicas, muito menos num Rio qualquer. Quer seja um Coelho, um Seguro ou um mar de indefinições que esteja à frente do país, temos de cumprir este programa até ao fim. Merkel e Cavaco escolheram o actual PM para cumprir o memorando, por isso nem as birras de Portas nem as investidas de Costa mudarão o actual cenário político. Se o governo se aguentou até agora não vejo razão porque mudar após uma derrota eleitoral. 

Não será o PSD a causar barulho, por muito que isso custe a alguns militantes de nomeada. O pai Cavaco ainda manda no partido, pelo que não há ninguém que lhe consiga desobedecer. 

Uma última nota: de todos os líderes do PSD do início do século, Passos Coelho é o único que tem a seu lado o Presidente, o grupo parlamentar, e por muito que possa causar estranheza, o parceiro de coligação. Não! Não é por causa de Portas que o CDS ainda está ao lado deste executivo. 

A Caixa de Pandora de Espanha II

Apesar das fortes pressões da Generalitat e do povo, a independência catalã não deverá ser uma realidade, já que esbarra na Constituição espanhola bem como nos tratados internacionais. A Constituição espanhola é fundamentada na unidade da nação espanhola, na pátria comum e indivisível de todos os espanhóis. O artigo 2.o, estabelecido por pressão dos militares durante a transição da ditadura para a democracia, não permite que o território espanhol se desagregue, procurando manter a unidade de Espanha. Para Juan Carlos Gavara, catedrático de Direito Constitucional da Universidade Autónoma de Barcelona, não há dúvida nenhuma de que a declaração unilateral de independência da Catalunha seria "inconstitucional e ilegal" de todos os pontos de vista. A Constituição espanhola não admite que nenhuma comunidade autónoma se transforme num estado federal. No número 1 do artigo 145.o, a lei fundamental proíbe qualquer região de se tornar independente. No entanto, a Constituição é flexível relativamente aos poderes atribuídos a cada região autónoma e há várias matérias que são da exclusiva competência regional. Só o Estado tem competência para legislar, nos termos do número 1 do artigo 149.o Há outras matérias que são da responsabilidade política do governo central. Em todo o caso, o direito estatal estará sempre acima do direito das comunidades autónomas, nos termos do número 3 do mesmo artigo. A tentativa de desintegração territorial e política por parte dos defensores da autonomia catalã é inconstitucional. Em relação à União Europeia não haveria qualquer problema legal, caso a Catalunha decida a independência e posteriormente tornar-se membro da UE. O advogado especialista em direito europeu Gonçalo Anastácio defende que "o Tratado de Lisboa não prevê o que aconteceria caso a Catalunha se tornasse independente. O tratado apenas prevê que um estado-membro possa decidir retirar-se da União". Para o advogado, "a Catalunha terá de se sujeitar ao processo de adesão, não podendo herdar a posição de estado-membro de Espanha". Este procedimento seria "simplificado porque a Catalunha independente já terá acolhido todo o acervo europeu por estar integrada no reino de Espanha". No entanto, não seria só a Catalunha que ficaria a perder, mas também a própria Espanha. Alberto Saavedra, jurista especializado em questões de direito europeu, considera que "a alteração de estatuto da Catalunha também terá reflexos na própria Espanha enquanto membro da União Europeia. A Espanha em princípio terá de perder direitos de voto nas instituições europeias e a sua contribuição para o orçamento europeu poderá ser diferente".

 Há quem insista num referendo, porque isso permitiria um debate adequado e adicionaria um peso de legitimidade democrática às decisões tomadas. No entanto, a suposta vontade da população choca com o quadro constitucional, e o facto de a Constituição espanhola de 1978 ter sido aprovada em referendo pelos povos que hoje a contestam. Depois de analisar as vantagens da independência e resolvido o problema constitucional, é preciso centrar o debate na realização do referendo. A existência de debate é sempre positiva, no entanto numa questão como esta é necessário um instrumento jurídico forte com o intuito de saber para que lado pende a balança. Não é por não haver referendo que não há legalidade democrática, já que a Constituição emana da legalidade espanhola. Não é de estranhar que nessa disputa o ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Díaz, garanta que "a legalidade espanhola é por sua própria natureza democrática". Apesar de mais de 50% dos catalães serem a favor de uma consulta popular sobre a autonomia, não há qualquer fundamento no actual quadro legal que lhes garanta a realização do referendo. Mas também é verdade que mesmo as leis estão sujeitas às mudanças de opinião dos cidadãos.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A caixa de Pandora de Espanha Parte I



Esta é a primeira parte de um artigo meu que saiu no Jornal I


Quando se soube que Barcelona e Athletic Bilbao se iriam defrontar na final da Taça de Espanha do ano passado, já se previa que o desafio era mais do que um embate entre duas equipas que queriam vencer a mítica competição desportiva. Os acontecimentos extrafutebol foram uma repetição do que sucedera em 2009, quando os adeptos catalães e bascos se uniram para uma assobiadela ensurdecedora ao hino espanhol, tendo além disso insultado o rei de Espanha. Os incidentes foram, na altura, tão graves que a TVE interrompeu a emissão do jogo, tendo passado o hino com imagens editadas ao intervalo. Três anos depois, os nacionalistas catalães e bascos aproveitaram mais uma oportunidade para protestar, no entanto em 2012 o palco da final era especial. Em Madrid, no mítico Vicente Calderón, os adeptos dos dois conjuntos voltaram a reivindicar a independência, causando de novo desconforto à família real espanhola. O jogo esteve para ser jogado à porta fechada ou nem sequer ser disputado. Temiam-se confrontos entre os adeptos, ou melhor, entre cidadãos. Alguns movimentos independentistas pediram que o hino nacional de Espanha fosse assobiado por todos. O slogan do movimento "Catalunya Acció" não podia ser mais esclarecedor: "Assobia com a língua, assobia pela liberdade, assobia pelas eleições, assobia contra o roubo e assobia pelo novo Estado catalão." No momento em que o hino se ouviu no Estádio Vicente Calderón, e com o príncipe Filipe na tribuna real, os nacionalistas fizeram ouvir alto e bom som o seu protesto. Embora o Código Penal proíba este tipo de manifestações, ninguém se sentiu impedido de, naquele momento, mostrar o seu nacionalismo em plena capital.
Os episódios relatados confirmam o desejo de mudança por parte de bascos e catalães. Por tudo isto, não é de admirar que em 2014 o desafio ao poder de Madrid saia dos estádios, perspectivando-se a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha. Nos últimos dois anos, a população catalã vem reclamando o direito a pronunciar-se relativamente à sua autonomia. As manifestações no dia da independência, conhecido como Diada, dos últimos dois anos revelam o estado de espírito dos catalães. Artur Mas, o líder da Generalitat (governo regional) tem sido o rosto principal de um movimento que exige um referendo. Depois será a vontade popular que determinará o futuro da região, mas por agora o mais importante, segundo os nacionalistas catalães, é que as pessoas possam decidir que caminho querem escolher. No entanto, o governo de Madrid não aceita a realização dessa consulta porque a Constituição espanhola estabelece que a Espanha é una e indivisível, por isso não pode haver qualquer processo que possa conduzir à independência. O que separa Madrid de Barcelona é a realização do referendo e não tanto a questão da autonomia. É um facto que na Catalunha, como nas restantes regiões de Espanha, existe um nacionalismo exacerbado, bem como um sentimento político contra o governo central. Para as populações da Catalunha, do País Basco, da Galiza ou mesmo da Andaluzia, o território de Espanha resume-se a Madrid e pouco mais, sendo o resto nações sem Estado com língua nacional e uma cultura própria, além de outros indicadores essenciais que estabelecem a diferença entre as diversas regiões. Não é só por nacionalismo que os catalães pretendem a autonomia. Há uma série de factores que estão por detrás da pressão exercida pelos responsáveis políticos que depois é transportada para a população. A principal razão dos protestos está relacionada com a questão financeira. Madrid quer receber os impostos dos contribuintes catalães, que no entanto não estão dispostos a continuar a ajudar o governo central, ainda por cima no actual cenário de crise que Espanha vive. Além do mais, a Catalunha tem sido discriminada em diversas situações, nomeadamente nos tratados internacionais que proíbem a utilização do aeroporto de Barcelona por aviões provenientes do México, de Miami, Banguecoque e Kuala Lumpur. Um ponto importante tem a ver com não existir ligação ferroviária com a Europa, seja através de um porto, seja por TGV. Contudo, o principal argumento para requerer a autonomia é o factor económico. No entanto, não é certo que com a desagregação de Espanha a Catalunha manteria o crescimento que tem vindo a ter nos últimos anos, contrastando com a crise que se vive no resto do país. Para a revista "The Economist", a receita fiscal seria maior, no entanto a dívida também aumentaria caso não fizesse parte do restante território. No mesmo sentido aponta Mikel Buesa, professor catedrático da Universidade Complutense de Madrid, que diz que o PIB catalão cairia 23% a 50%, até porque actualmente 50% das exportações catalãs se dirigem a outras regiões de Espanha, e com a autonomia não haveria oportunidades para a Catalunha continuar a crescer economicamente à custa de regiões que fazem parte do território nacional. A saída da Catalunha de Espanha teria como consequência a expulsão da Europa, logo a região poderia não continuar no euro, o que em termos económicos era bastante problemático. Ou seja, com a independência, a Catalunha deixaria de ser a região mais rica de Espanha para se tornar uma região mais pobre que a média actual. A independência catalã custaria 7800 euros a cada catalão e 5 mil a cada cidadão espanhol. Perante esta análise, podemos concluir que não haveria vantagens para a Catalunha em termos económicos, já que seriam maiores as perdas que propriamente os benefícios fiscais. Preservar em território catalão as contribuições fiscais não chega para manter a economia da região no topo.


(continua amanhã)

O sucesso é deles

Continuo a falar de desporto, mas desta vez deixo a bola em casa. Escrevo este post para homenagear Rui Costa e João Sousa.

O ciclista tem vindo a subir gradualmente na modalidade. O bi campeão da volta à Suiça, venceu este ano duas etapas no Tour. No Domingo foi campeão do mundo da modalidade. O próximo passo só pode ser um: a conquista da volta à França. O português só não foi mais longe na geral deste ano, porque a equipa preteriu-o em detrimento de Valverde. Sim, o mesmo que há dois dias Rui Costa bateu na linha de chegada. Para o ano que vem o ciclista luso tem possibilidades para ganhar a competição, porque vai estar integrado noutra equipa. Já que os franceses não conseguem colocar ninguém no primeiro lugar do tour, então que seja um português.

O outro nome em destaque é João Sousa. O tenista foi o primeiro português a ganhar um torneio do ATP depois de bater Julien Benneteau na final do torneio da Malásia. Já este ano, Sousa havia ganho duas rondas no Open dos Estados Unidos, caindo aos pés do número um mundial Novak Djokovic. Na caminhada para o título em Kuala Lumpur, o tenista luso bateu o número 4 do mundo, David Ferrer. 

Ao contrário do que sucede com muitas atletas nacionais, o futuro de Rui Costa e João Sousa é promissor. A pouco e pouco estão a subir a escada do sucesso e a obter resultados seguros. Com tempo iremos ver um e outro no patamar das respectivas modalidades. Não foi o país que apostou neles, mas foram eles que acreditaram no seu potencial. Se muitos atletas dessem um pouco mais e não estivessem sempre a queixar da falta de apoios, tínhamos mais alegrias e vitórias.
Share Button