quinta-feira, 28 de março de 2013

O esperado aconteceu

A entrevista de ontem do ex-PM, como se esperava foi uma tentativa de se desculpar perante os portugueses. Neste aspecto Sócrates não acrescentou nenhuma novidade e até confirmou aquilo que a maioria dos analistas preconizava. 
O que não se esperava eram as críticas ao Presidente da República e à forma como este se comportou perante a crise política. Devo recordar ao antigo Primeiro-Ministro que foi o próprio a demitir-se quando não obteve o apoio do PSD para aprovar o PEC IV, quando não havia nenhuma normal constitucional que obrigasse a que isso fosse feito.  Ao falar em "dois pesos e duas medidas", Sócrates está nitidamente a vitimizar-se o que aliás é uma das suas principais faculdades, característica que não encontro em Pedro Passos Coelho. 

Esperava que na entrevista de ontem, Sócrates fosse ajustar contas com o actual PM. Fiquei positivamente surpreendido pela atitude nesta matéria, contudo fico estupefacto quando sugere ao governo que pare com a austeridade. Foi por causa da austeridade que Sócrates caiu e tudo por causa dos inúmeros PEC apresentados em sede parlamentar. 

Acho que é perceptível perceber a razão pela qual o PM aceitou ser comentador da RTP: Por um lado, quer fazer oposição ao Presidente da República ganhando respeito junto da opinião pública para uma candidatura daqui a 3 anos. Quem costuma ganhar as eleições presidenciais é alguém cuja cor política seja diferente do Presidente da República actual, pelo que Sócrates pode ganhar votos criticando Cavaco e ao mesmo tempo fazendo-se de virgem ofendida. Por outro lado, enquanto comentador da estação pública, Sócrates vai comparar o presente com o passado, defendendo naturalmente que durante o seu mandato a situação do país era muito melhor. Claro que o país estava melhor há dois anos, no entanto por alguma razão os portugueses escolheram mudar de PM. 

Foi uma entrevista que não apresentou grandes novidades porque todos os portugueses conhecem bem José Socrates, contudo o seu regresso veio baralhar as contas e colocar a política ao rubro.


Nota: Este é o ultimo post até à Páscoa, regressamos dia 1 de Abril. A equipa do Olhar Direito deseja uma Páscoa feliz a todos que nos visitam. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

A aguardar....

O país aguarda ansiosamente pela entrevista de José Socrates. As revelações, as desculpas e o país actual visto pelo anterior PM despertam curiosidade na opinião pública. Parece que regressou alguém que já não é mais desejado mas que tem algo a dizer às pessoas. Alguma confidência que, no entanto não irá alterar o desânimo com que muitos ficaram após a sua governação, pelo que a entrevista de hoje será apenas para limpar a imagem com que o ex-PM partiu. Temo que as participações de Sócrates na RTP ao domingo não sejam duradoiras tendo em conta a indignação que por aí anda nas redes sociais com o seu regresso. Sócrates não precisa disto para se lançar uma candidatura a Belém e a RTP também necessita do ex-PM para ganhar audiências. A escolha do dia para fazer o comentário não foi escolhido ao acaso. É urgente roubar audiências a outro putativo candidato presidencial, de seu nome Marcelo Rebelo de Sousa. Além do mais, é ao domingo que as famílias se juntam para escutar os comentários para posteriormente deliciarem-se com a casa dos segredos. 


Tenho a certeza que a entrevista vai ser um vazio enorme e as explicações vão ser as mais ridículas, contudo o mais importante é que o país não se esqueceu nem se esquecerá como se verá em 2016. Mas antes de chegar a campanha para as presidenciais já Sócrates foi destruído.

Novo cônsul-geral de Portugal em Macau


Chegará hoje a Macau o novo cônsul-geral de Macau e Hong Kong.
Inserida nas habituais movimentações nos postos consulares (uma mudança rotineira, assim foi classificada oficialmente) a substituição de Manuel Cansado de Carvalho por Vítor Sereno à frente daquele que é o maior consulado português no Mundo está a criar alguma expectativa junto da comunidade portuguesa residente em Macau.
Manuel Cansado de Carvalho sucedeu a dois homens bastante dinâmicos, carismáticos, com grande capacidade de trabalho e mobilização, com grande empatia e entropia com a comunidade que representavam - Carlos Frota e Pedro Moitinho de Almeida, respectivamente.
A personalidade mais apagada, mais distante, mais fria até, de Manuel Cansado de Carvalho, acompanhada de alguns erros no percurso a Oriente, não deixam grande marca em Macau.
O seu sucessor, Vítor Sereno, é um jovem de 41 anos, uma estrela em ascensão no mundo da diplomacia portuguesa, como se comenta nos bastidores, com experiência acumulada na Guiné-Bissau, Argentina, Alemanha e Holanda.
Com a curiosidade acrescida de, até à data , ter ocupado o cargo de chefe do gabinete do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, iniciou a carreira fora de Portugal no início da década de 2000 como primeiro-secretário e encarregado da secção consular da Embaixada de Portugal na Guiné-Bissau.
No seu currículo profissional sobressai uma passagem por Roterdão, enquanto mantinha em simultâneo o posto em Estugarda, encarregue especificamente de acompanhar o problema de trabalhadores portugueses que se queixavam de salários em atraso, tarefa que cumpre com assinalável sucesso.
Vítor Sereno foi ainda responsável pela coordenação da chamada Estrutura de Missão para a Presidência Portuguesa da União Europeia – “Portugal 2007” -  sendo o principal responsável pela organização de várias reuniões ministeriais de alto nível e pela cerimónia de assinatura do Tratado de Lisboa, evento que inclusive lhe valeu um prémio da Academia Internacional de Protocolo.
Além de ter chefiado o gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga, Vítor Sereno foi encarregue de investigar o alegado desvio de dinheiros da arquidiocese de Porto Alegre por parte do vice-cônsul português na cidade e, a nível académico,  foi professor convidado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.
É com este currículo, resumido, que se prepara para ocupar a residência consular nas antigas instalações do Hotel Bela Vista, e as instalações consulares no antigo Hospital São Rafael,  um novo cônsul-geral em Macau e Hong Kong, uma estrela em ascensão no panorama diplomático português, o até agora chefe do gabinete do polémico ministro Miguel Relvas.

terça-feira, 26 de março de 2013

antecipar o que Sócrates vai obviamente dizer

O ex-PM quebra amanhã o silêncio. Regressado de Paris onde supostamente iria leccionar um curso de Filosofia, José Sócrates vai à RTP explicar tintim por tintim porque deixou Portugal no estado em que se encontra e qual foi a razão que o levou a pedir a intervenção da troika. Mais do que justificar o memorando, Sócrates terá de explicar porque demorou tanto tempo a ouvir os conselhos de Teixeira dos Santos e de dez milhões de portugueses. 

No entanto a entrevista tem um objectivo principal: antes de entrar em cena como comentador político, Sócrates tem de aparecer uma primeira vez para acalmar os ânimos que se exaltaram logo no próprio dia do anúncio.

Sócrates tem muito que explicar, no entanto como é seu apanágio vai fazer de conta que não era nada com ele. Não estou à espera que o antigo PM faça um mea culpa, já que a sua governação foi baseada em erros cometidos por não saber escutar quem estava mais próximo. Sobre a actual situação do país, o ex secretário geral socialista vai naturalmente dizer que está preocupado, procurando encontrar mais justificações e desculpas pela crise económica e financeira. 

Numa altura em que o governo justifica as suas opções com o passado, nada melhor que chamar o passado para responder ainda que indirectamente, às acusações do executivo. Sereno e tranquilo como sempre, com o ar mais sério que o caracteriza e com um discurso muito bem preparado, a entrevista será uma mão cheia de nada, prometendo fazer campanha presidencial apenas e só nos seus comentários semanais.

Sócrates já tinha saudades do país mas o país não estava com saudades de Sócrates, pelo que este regresso antecipado só o vai prejudicar. Os portugueses arranjaram mais um ódio de estimação para além de Passos Coelho. Sorte para António José Seguro passar ao lado da opinião pública, mas isso num lider da oposição que ambiciona ser PM não é nada bom.

segunda-feira, 25 de março de 2013

A vergonha cipriota

Como cidadão português a decisão que a UE adoptou em relação a Chipre causou-me incómodo e preocupação. Incómodo porque confirma-se a teoria que a Alemanha é quem manda nisto tudo. Preocupação porque a mim nada me garante que medidas semelhantes não vão ser implementadas noutros países. Como cidadão europeu estou solidário com os meus concidadãos cipriotas. A solução encontrada é absolutamente inacreditável e indecente sob o ponto de vista político e ético. Que a UE queira atacar a lavandaria que por lá anda tudo bem, mas não tem de resolver o problema com uma medida destas. Os contribuintes vão sempre pagar as crises, no entanto esta questão não tem nada a ver com hipotéticas crises de despesa pública. O que se passa no Chipre é de natureza criminal e os responsáveis pelos danos causados devem ser levados à justiça, mais concretamente ao tribunal penal internacional. 
Com a decisão tomada em relação a Chipre temo que a UE na forma como a conhecemos termine. A Alemanha já assumiu o Ius Imperii Europeu e com a Inglaterra fora de jogo só nos resta esperar por melhores dias, como é quem diz, esperar pela boa disposição dos responsáveis alemães. 

Aproveitar a oposição do CDS

Seguro apresenta uma moção de censura mas não quer eleições. Questiona-se se o secretário geral do PS está em condições políticas de assumir o controlo do país. Por aqui se vê que o líder socialista ainda não está preparado para ser PM e provavelmente não o irá ser. 
A proposta de moção de censura é lançada para aproveitar o eventual chumbo do TC relativamente ao OE. Se Seguro fosse inteligente não apresentava uma moção de censura mas propunha uma remodelação governamental e assim juntava a sua voz à do CDS. Aproveitando o descontentamento que existe dentro do PP em relação a alguns membros do governo, o PS tinha um bom aliado na pressão para modificar Relvas e Álvaro Santos Pereira. 

Ao ter escrito uma carta para a troika, Seguro cometeu um erro. Com o seu gesto, prova que o PS não tem alternativa ao actual memorando de entendimento, nem o podia ter já que foi este PS com a conivência de Seguro que assinou o programa, cabendo à maioria pagar os custos políticos de implementar os piores sacrifícios aos portugueses. Seguro deveria ter ficado quietinho e não ter feito, deixando o governo desgastar-se perante os portugueses e a troika. Seguro assumiu que se for eleito PM antes de 2015 vai seguir o mesmo caminho do governo, acabando com a esperança de alguns relativamente à possibilidade do líder do PS ser uma verdadeira alternativa a Pedro Passos Coelho.

 Neste momento, o maior aliado que o PS pode ter é o CDS. Se deixar os centristas continuarem nesta onda de reuniões para Paulo Portas levar as suas conclusões a Conselho de Ministros, o PS terá a ganhar no futuro, até porque não haverá maior prazer para o PP do que ver Miguel Relvas cair.

domingo, 24 de março de 2013

olhar a semana - Bruno Carvalho

Bruno Carvalho venceu ontem as eleições no Sporting. O clube de Alvalade fez uma mudança que só o futuro irá revelar se foi a correcta ou não. Os sócios do clube leonino fartaram-se de Presidentes com nome, ligados a famílias abastadas e que vinham do topo de empresas, não sabendo na maior parte das vezes gerir um clube desportivo que tem como principal objectivo a obtenção de resultados e não o lucro. Ninguém conseguiu perceber a importância de atingir bons resultados para depois colher proveitos financeiros. Em futebol é possível reduzir orçamentos e ter uma equipa competitiva. 
A banca foi a grande responsável pela colocação de José Roquette, Dias da Cunha, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes como Presidentes do clube de Alvalade, com o unico objectivo de reduzir gastos, contudo o que se fez foi exactamente o contrário porque a grandeza do Sporting assim obrigava. 

Bruno Carvalho apareceu há dois anos e quase venceu, ontem a mudança foi feita. Como se viu na celebração da vitória, o actual Presidente veio da bancada, dos sócios. O Sporting dificilmente corre o risco de se tornar um clube popular, até porque não é isso que está nos seus genes culturais, pelo que vai ser curioso observar como reagirão os sócios a este estilo e se será aceite pela maioria dos notáveis que continua pelas bandas de Alvalade. Tal como os partidos também os clubes "pertencem" a certa sociologia. Não acredito que o Sporting mude o ADN em pouco tempo, pelo que esta presidência pode nem chegar ao fim. No futebol o que dita o sucesso são os resultados, contudo em Alvalade ainda há uma certa franja que não gosta do discurso adoptado por Bruno Carvalho após a vitória "o Sporting é nosso". 

Nota-se que os adeptos estavam desejosos de uma mudança, o problema é que o Presidente do Sporting não é o Presidente do Benfica que se mistura com o povo facilmente. Acredito que Bruno de Carvalho consiga devolver os lugares europeus ao clube de Alvalade, contudo se não houver títulos nestes 4 anos, o regresso ao passado pode ser uma realidade nas próximas eleições. No futebol o adepto não tem paciência.....

sábado, 23 de março de 2013

17- Monarquia Constitucional

A mais importante viragem histórica em Portugal deu-se em 1910. A morte do Rei em 1908 interrompeu quase 100 anos de uma monarquia parlamentar que vigorou em Portugal. Acabava assim a monarquia tradicional em que o rei era a figura central e o senhor todo poderoso, para dar lugar a um regime mais democrático, no entanto o Rei continuava a ter os poderes de decisão. 

O primeiro passo para o novo regime foi a aprovação da Constituição de 1822 que resultou das Revoluções Liberais que já falámos. 

Não foi implementado um sistema de Assembleia parlamentar tradicional mas de cortes gerais e extraordinárias responsáveis pela elaboração da constituição de 1822. 

Podemos afirmar que foi em 1822 que se deu inicio ao Parlamentarismo português? Penso que sim. Embora a implantação da República tenha sido o ponto de viragem na instalação de um sistema democrático, foi com a monarquia constitucional e adaptação do sistema francês que foi um dos grandes impulsionadores do nosso sistema. 

É verdade que quase 100 anos de Monarquia Constitucional só podiam acabar na viragem para a República. Ao permitir esta abertura, os monarcas permitiram que os republicanos ganhassem cada vez mais espaço junto das cortes parlamentares mas também da corte real. A adopção de uma Constituição em que estavam consagrados princípios liberais foi a janela de oportunidade para os defensores da liberdade institucional. 

presente e futuro leonino

O Sporting joga hoje o seu presente e futuro. As eleições de hoje vão marcar o clube nos próximos anos. A recuperação desportiva e financeira são as prioridades deste gigante adormecido que viveu durante anos a fio envolto em polémicas e guerras de poder. A grande dúvida que se instala tem a ver com o facto de saber se a união vai ser uma realidade após o escrutinio de hoje. Penso que o presidente do Sporting que for eleito hoje não terá muito descanso, porque tanto Couceiro como Bruno Carvalho são pessoas fora do "sistema leonino". Ora, os bancos precisam de alguém que coloque o aspecto financeiro à frente do desportivo, situação que os adeptos não aceitam. Dentro do Sporting há uma divergência sobre as prioridades do clube. As finanças ou os resultados desportivos? Se for as finanças não há resultados desportivos, mas se a aposta for nos resultados não será fácil controlar o défice. O que se passa no Sporting é o mesmo que acontece em relação ao país. Tudo se resume a uma questão de prioridades e de quem manda no clube. A troika sportinguista não é bem aceite pelos adeptos nem pelo Presidente que for eleito hoje, pelo que o próximo homem forte de Alvalade não terá um mandato fácil. 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Paulo Bento rua!!

Já que o país está numa onda de petições públicas, venho por este meio pedir a cabeça do Seleccionador Nacional Paulo Bento. Em 5 jogos de apuramento para o Mundial do Brasil, Portugal obteve 2 vitórias, 2 empates e uma derrota, sendo que as duas vitórias foram contra Azerbeijão e Luxembourgo e mesmo essas foram arrancadas a ferro.
A incompetência de Bento é um dado adquirido, no entanto o pior de tudo é o seu discurso pouco ambicioso, notando-se que o seleccionador acha que vai estar no Mundial porque tem esse direito. Ora, a mensagem passa para dentro de campo e os nossos jogadores não correm, não lutam e muito pior não encontram motivação para chegar ao primeiro lugar. 
Se o seu desejo é ir para o FCP, Bento bem pode sair antes do Verão e evitar ser humilhado porque não qualificou a selecção para o mundial 2014. Pena que o objectivo mínimo seja chegar ao play off quando deveríamos era estar sempre em primeiro para chegar à fase final e ser temido pelos adversários que constantemente limpam a fase de qualificação. 

O orçamento vai ser chumbado, e agora?

O TC vai chumbar algumas das medidas do OE 2013, o que significa voltar à mesma situação do ano passado. A oposição e o PR conseguiram colocar o governo em xeque perante os portugueses, no entanto será o governo a encontrar alternativas às medidas que já se encontram em vigor. Por um lado não percebo a demora em pedir a fiscalização do OE e por outro politicamente a jogada dos partidos da oposição só tem única e exclusivamente prejudicar as previsões do governo. 

Tendo em conta que o governo é cumpridor e respeita as decisões do Tribunal Constitucional, o próximo passo é encontrar medidas alternativas que substituam as propostas vetadas. Significa isto que vai ser necessário adoptar mais medidas de austeridade no orçamento do próximo ano, o que levará a perspectivas económicas negras. Por vezes é preciso colocar o tacticismo político e a sede de poder  ao lado, mesmo quando quem está ao comando não dirige o avião da forma mais correcta. 

A decisão do TC coloca o PS em bicos de pés como se nota pela apresentação da moção de censura. Compreende-se a decisão de Seguro, já que aproximam-se as eleições e o congresso, pelo que o líder do PS tem de ir a votos com alguma coisa na mão.  

Quem perde com o egoísmo político com que os responsáveis estão a lidar com a crise, não é nenhuma força partidária mas o país. 

quinta-feira, 21 de março de 2013

A favor ou contra?



A notícia do dia de hoje foi, claramente, o possível retorno do engenheiro (“engenheiro”, para uma maior precisão histórico-linguística) José Sócrates ao panorama nacional para, vejam bem, comentar o estado do país. Mais ou menos o que Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, e Marques Mendes, na SIC, fazem semanalmente (mas estes com uma muito maior legitimidade política, diga-se). A primeira conclusão a retirar-se é que a RTP1 não se quis deixar ficar no que respeita a comentários semanais e foi buscar um peso pesado (assim não há forma de alguém dizer que não sabia deste novo espaço semanal na RTP1).
A concretizar-se, aguardo com grande espectativa e serei assíduo espectador. Afinal de contas, rir é sempre o melhor remédio.

No entanto, para mim, e é sobre isto que me quero debruçar, a notícia do dia de hoje foi o episódio que se deu na AR a propósito do projecto de resolução do PCP, que “exigiria” a demissão do Governo (em termos constitucionais, ou seja, na prática, não exigiria coisa nenhuma…).
O PCP, em mais uma demanda para deitar abaixo o Governo (à semelhança do que tem feito nos últimos 36 anos, mais coisa menos coisa) lá veio, então, apresentar esta espécie de Moção de Censura ao Governo (que, acrescente-se, só será votada amanhã). Ora, à partida, BE e PEV (Partido Ecologista “Os Verdes”, para os mais desatentos ao crescimento deste gigante grupo parlamentar) deverão votar favoravelmente. Mas nunca se sabe.
O que sabemos já é que o PS irá votar contra. O que, na minha opinião e, penso, na opinião de muitas outras pessoas, é de estranhar e constitui um contra-senso à posição do PS nos últimos tempos.


António José Seguro veio esta semana anunciar formalmente (o profissionalismo do homem…) a ruptura com o Governo pois, segundo ele, o mesmo não ouve ninguém, nem está aberto a qualquer tipo de discussão. O Governo é, portanto, um bebé chorão que não quer dividir os brinquedos!
 Mas, a ser assim, o PS e o próprio António José Seguro são, também eles, bebés que não se conseguem decidir entre comprar os seus próprios brinquedos ou brincar com os dos outros! Anunciar uma ruptura formal com o Governo e, passado uns dias, votar contra um projecto de resolução que, apesar de não ter consequências praticas, serviria para definir, claramente, a posição do PS, é incompreensível na minha óptica.

Mostra, isso sim, o medo tremendo que o PS ainda tem de este Governo poder cair e de, havendo eleições, não as ganhar!

Mostra, isso sim, que o que comanda o PS é a sede de vitória e de chegar ao poder.

Mostra, isso sim, que todo o diálogo do PS e de António José Seguro não é mais do que simples barulho, simples demagogia e populismo barato.

Mostra, isso sim, que, afinal de contas, a esquerda portuguesa não se preocupa assim tanto com os cidadãos menos capazes de enfrentar as suas dificuldades diárias.

Mostra, isso sim, que António José Seguro é só mais um socialista, é só o seguimento do que foi José Sócrates…

Acabou o curso de filosofia?

Acompanho esta onda de indignação que se está a gerar à volta do regresso de Sócrates como comentador da RTP. Tenho a certeza que até dia 5 de Abril as manifestações anti-socrates na RTP vão ser tantas que o ex-PM vai acabar por desistir, no entanto o seu alter ego acabará por prevalecer mesmo que para isso tenha de enfrentar 10 milhões de pessoas contra esta sua nova função na televisão pública. 

Se Sócrates desistir da RTP, desiste de Belém, já que este é o principal motivo do seu inesperado regresso. A televisão é o palco perfeito para modificar a sua imagem junto da opinião pública. Foi através do pequeno ecrâ que o lider da oposição a Durão Barroso fazia a sua preparação para secretário geral do PS, substituindo Ferro Rodrigues. Socrates já não quer voltar a ser PM, mas ambiciona Belém mais do que ninguém e antes que seja tarde, o melhor é começar a preparar terreno. Uns lançam biografias, outros submetem-se ao insignifcante papel de comentador. 

A seguir ao Verão, após as autárquicas e com a remodelação governamental em marcha, já ninguém se lembra das asneiras do antigo PM e o socialista será uma espécie de Professor Marcelo da estação pública. O comentador da TVI já anda a preparar o terreno há séculos, Socrates só chegou agora mas ainda vai a tempo, até porque o professor tem perdido popularidade já que ao domingo há sempre futebol de primeira e casa das celebridades. 

Belém espera uma corrida frenética em 2016 saida directamente da televisão....

O ex-PM voltou

Socrates está de volta à vida política activa. Não como apoiante de Seguro mas como comentador da estação pública. A televisão controlada pelo governo quis dar um sinal de democracia e permitiu a contratação do ex-PM como comentador. Tendo em conta que esta escolha não foi uma sugestão de Miguel Relvas as acusações de tentar calar a RTP por parte do Ministro caem em saco roto. 

O antigo PM volta na altura exacta em que o governo está a um fio de cair mas a oposição do PS não consegue conquistar a simpatia dos portugueses, pelo que o papel de Socrates será o de criticar o governo mas também a liderança do seu próprio partido. Excelente estratégia para ganhar popularidade mas também para se desculpar dos erros que cometeu enquanto andava por lá, já que iremos ouvir o ex chefe de governo a dizer que o caminho traçado por ele era o mais correcto. 

Não acho boa ideia antigos PM tornarem-se comentadores, ainda para mais numa estação pública. A não ser que a sua passagem por São Bento tenha sido passageira, como acontece com Santana Lopes que comenta na TVI 24; nenhum PM deve submeter-se a um papel menor como é o de um comentador. A partir de agora, Socrates será visto como um comentador e não como um antigo PM. Contudo, percebe-se a intenção de Socrates. Em primeiro lugar, é atacar o governo e se houver enorme confusão nos próximos tempos quem sabe se não se candidata novamente, e em segundo lugar só prova que José Socrates sempre viveu à custa da política, não tendo nenhuma qualidade profissional para além dos jogos partidários. Vestir a pele de comentador só prova que a sua licenciatura foi uma autêntica farsa. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

A UNIÃO EUROPEIA ACABOU?


Um conjunto de equívocos lançou Chipre na UE e na Zona Euro. Uma ilha dividida entre turcos e gregos. Um país que não é nação. Um rochedo no meio do Mediterrâneo. Chipre é um coito de piratas. Sempre foi. Toda a gente sabe. A frota mercante alemã tem bandeira cipriota, para fugir ao fisco alemão. Ali se escondem fortunas russas e árabes de proveniência mais que duvidosa. Toda a gente sabe. Um país que tinha os comunistas no poder até há poucos anos. A UE resolveu dar-lhes a mão para os integrar no "rebanho" e, assim, assegurar uma posição estratégica. Enfim, pagava-se para ter algum controle na ilha. Tudo isto foi apenas há cinco anos. Em 2008. Na 6ª feira passada, a UE decidiu confiscar 10% de todos os depósitos bancários em Chipre, como garantia para ajuda financeira aos bancos cipriotas. O confisco é geral. Dos russos, dos árabes, dos ingleses, dos cipriotas. Dos mafiosos e dos trabalhadores. Hoje começaram as conversas entre Chipre e a Rússia ao mais alto nível. Putin teve ter esfregado as mãos de contente. Prepara-se para tomar conta da ilha, com toda a naturalidade. Não se entende o disparate da UE, a não ser por total demência ou por um propósito obscuro de acabar com a União. Portugal tem de começar a olhar para outro tipo de alianças, porque daqui já se percebeu tudo.

Jorge Pinheiro

Francisco I luta contra a austeridade europeia

O Papa Francisco I já conquistou o coração dos fieis que, presencialmente ou através dos media testemunharam a bondade do novo líder da Igreja Católica. A sua insistência em dar importância aos media é muito simples: Francisco quer que o mundo volte a acreditar na Igreja. 

Nestes primeiros dias Bergoglio quis estar junto das pessoas e por isso adoptou um discurso leve, sorridente, mais humano e menos político. Em meu entender fez bem porque a Igreja estava a precisar de um líder religioso e não de mais um representante político. Com a sua acção, as pessoas esqueceram Bento XVI num ápice e voltaram a lembrar-se de João Paulo II. Ora, o novo Papa tem imitado o estilo que Karol Woytila implementou ao longo do seu mandato. Não sei se esta aproximação de Francisco é para manter ou não, no entanto o seu pensamento difere um pouco daquilo que tem sido os primeiros sinais. 

A atitude de Bergoglio aliado aos primeiros ensinamentos pode estar associado à situação que se vive na Europa. Ao mostrar simplicidade e que é um homem a quem os bens materiais não lhe interessam, Francisco I pode estar a dar um recado à crise do capitalismo que afectou o mundo mas que aterroriza os europeus a cada dia que passa. Este sinal é muito importante e relaciona-se com a falta de valores, de ética, de comportamento que levou à situação de bancarrota em que alguns países como Portugal continuam mergulhados. 

O papa critica a falta de ética nos negócios, da crise de valores com que a sociedade de hoje está a ser construída, o excesso de individualismo em vez de procurar o bem comum, através de um simples gesto: a humildade. No fundo, o que Francisco I pretende é que os bons valores voltem a ser praticados por uma sociedade cada vez mais egoísta e revanchista. Entendo que Bergoglio está a querer passar uma mensagem importante nesta sua fase inicial do pontificado, sendo até na Europa que se sente mais a crise. Há valores mais importantes que o dinheiro e uma sociedade não pode ser construída com base unica e exclusivamente na obtenção de lucro. 

Há no entanto mais uma razão para esta atitude do Papa. Francisco I sente que a austeridade está a atingir fortemente as famílias na Europa. Para Bergoglio o mais importante é a satisfação pessoal e que, mesmo em tempos dificeis como aquele que passamos, podemos ser felizes independentemente dos bens materiais que possuímos. Francisco I está a tentar ajudar as pessoas a ultrapassar a crise, ainda que de forma espiritual. Contudo, é esse o seu principal papel. 

E o parlamento cipriota gritou - Não!


A União Europeia deu mais um valente tiro no pé.
Já são tantos que até já nem é notícia, em boa verdade.
Notícia, novidade, é que, neste caso, o socorro poderá vir de fora da própria União, poderá vir das estepes russas.
A tresloucada proposta dos ministros da Economia e Finanças do Eurogrupo de taxar os depósitos bancários no Chipre gerou revolta e pânico.
Nem o recuo estratégico, de última hora, de isentar os depósitos bancários inferiores a 20 mil euros, aplicando taxas de 6.75% aos depósitos entre os 20 mil e os 100 mil euros, e de 9.9% aos depósitos bancários de montante superior a 100 mil euros, foi suficiente para fazer passar este confisco, esta medida draconiana, no parlamento cipriota.
Parlamento cipriota que deu um valente puxão de orelhas aos burocratas e tecnocratas de uma União Europeia em completo desvario.
Nem um único voto favorável à proposta da União Europeia, 39 votos contra e 19 abstenções, e o parlamento cipriota a deixar bem clara a sua firme e total oposição a uma medida realmente tresloucada e despudorada.
Acto contínuo, salta para a mesa a proposta da Gazprom, através do Gazprombank, o ramo financeiro do gigante energético russo, de  resgatar a economia cipriota com um montante de 300 mil milhões de euros, a serem entregues como  contrapartida pelos direitos de exploração das reservas de gás natural offshore na zona económica exclusiva cipriota.
Entre outras hipóteses - um default puro e simples; uma reestruturação de dívida; a saída do euro e regresso à libra - não deixa de ser irónico que seja um pequeno país como Chipre, uma economia periférica, a poder declarar xeque-ao-rei à União Europeia.
Uma declaração que passaria por aceitar a proposta russa, deixando a Rússia a controlar abertamente a economia cipriota, com acesso livre à zona económica exclusiva cipriota, ao mar, com as óbvias implicações geoestratégicas de tal movimento, e que implicaria uma completa perda de face da União Europeia causada não por um grande país, uma grande economia (Espanha, Itália, até a Grécia ou Portugal) mas por uma ilhota que muitos não sabem sequer apontar no mapa.
Como irá reagir a União Europeia a este movimento cipriota e russo?
Teremos de esperar para ver.
Com a certeza que, ao contrário do que afirmam as agendas oficiais, o tema Chipre será central na deslocação, amanhã, de Durão Barroso a Moscovo.

terça-feira, 19 de março de 2013

A limpeza necessária

A 7ª avaliação da troika trouxe uma importante novidade: a reforma da administração pública vai começar a ser feita. Finalmente!

Numa primeira fase o governo quer despedir administrativos, técnicos e auxiliares que abundam pela máquina do Estado e muitos deles estão sem fazer nada e a receber salários, subsídios e pensões sem justificação. É preciso fazer uma análise justa e antes de bater no governo perguntar quem é que meteu pessoas a mais na administração pública.

Na segunda fase serão os directores e presidentes que a ter guia de marcha. Normalmente um cargo destes exige responsabilidade e competência. Na maioria dos casos não há nem nenhuma destas duas qualidades necessárias para dirigir um serviço público. Viver e comer à custa do Estado não é uma qualidade, no entanto há muitos que desejam seguir este tipo de vida. 

Por fim, os institutos e associações públicas que não são necessárias têm de acabar, porque se os primeiros e segundos acima identificados têm "emprego" garantido para o resto da vida, é porque se permitiu durante anos a constituição de centros de emprego no sector do Estado. 

A razia que vai começar a ser feita é importante para colocar a casa na ordem. Que não se goste deste governo e lhe chamem de Neoliberal tudo bem, contudo não pode haver nenhum cidadão que concorde com o actual estado da nossa Administração Pública. 

Acabo com uma sugestão ao governo, para que estenda os horários dos serviços públicos em Portugal, a bem da produtividade do sector privado que tanto necessita de eficiência e organização da AP. 

Maioria quer calar Relvas e Gaspar

O objectivo de PSD e CDS passa por mandar embora Relvas e Gaspar do governo antes das eleições. Se só for possível demitir estes dois ministros após as autárquicas não há problema, no entanto para os dois partidos obterem um bom resultado nas próximas eleições é crucial que tanto o Ministro das Finanças como o braço direito de Passos Coelho abandonem o governo. A saída destes dois protegidos do PM permitira a Paulo Portas ganhar peso dentro do governo e assim aumentar as hipóteses do CDS em minimizar os estragos nas próximas legislativas. Se a situação continuar, os partidos da coligação vão sofrer uma derrota pesada e não é do interesse do líder centrista ficar novamente atrás de comunistas e bloquistas. 

Mesmo dentro do PSD há quem deteste Relvas e despreze Vitor Gaspar. Os dois não são bem vistos nos dois partidos nem dos respectivos grupos parlamentares. O primeiro porque só faz asneiras e o segundo não acerta uma previsão. A popularidade do governo está a baixar por causa da presença destas duas personagens no executivo. Por força disto, PSD e CDS levam uma tareia nas intenções de votos. Esta situação não agrada aos pesos pesados sociais democratas nem ao CDS, já que este continua no governo "em nome do interesse nacional" e não por convicção política. Se Passos Coelho fizer uma remodelação em Agosto, altura em que está tudo na praia, pode ter uma surpresa positiva nas autárquicas. 

Embora essa não seja a vontade do PM, mudar algumas caras era essencial já que o governo está muito desgastado politicamente e o único suporte que tem é o PR, porque já nem os partidos que sustentam a maioria aguentam esta situação. O país, os comentadores, a oposição deseja uma rápida intervenção do PM no seu governo.  

segunda-feira, 18 de março de 2013

Começou a corrida aos depósitos

Tem algum cofre em casa? Senão tiver é melhor arranjar o mais rápido possível antes que a UE decida aplicar a mesma receita que os cipriotas vão ter de suportar.

Para resolver a crise financeira que a Ilha está mergulhada, a solução encontrada por Bruxelas foi criar um imposto sobre os depósitos bancários. Em vez de ajudar com inúmeras medidas de austeridade, o problema cipriota vai ser resolvido através de um imposto que os contribuintes terão de pagar por terem conta no banco. 

É inaceitável que se chegue a este ponto, de modo a resolver os problemas bancários com que Chipre se debate. Eu não entendo porque razão não se implementa um programa de ajustamento financeiro tal como aconteceu na Grécia, Irlanda e Portugal. Ou a Europa já não tem mais dinheiro para suportar países em dificuldade ou há má vontade da Alemanha e dos países do Norte. O mundo está espantado com esta medida, sendo certo que se trata de um assalto aos contribuintes cipriotas mas acima de tudo, uma imoralidade da parte da União Europeia. 

Bruxelas foge das suas responsabilidades, arranja bodes expiatórios para os seus problemas e ainda não percebeu que o Euro foi um falhanço e insistir na moeda único levará ao colapso financeiro de todos os países. É natural que os mais pequenos caiam primeiro, contudo quando a mesma Europa deixar de ter condições para disfarçar o problema espanhol e italiano, só aí haverá novidades.

A Europa das injustiças obriga os contribuintes cipriotas a perderem as suas poupanças, enquanto os espanhois e italianos continuam a ser ajudados. Perante este cenário não acredito que o memorando da troika ajude Portugal a sair da crise.

domingo, 17 de março de 2013

"E o burro sou eu?"


Giorgios Katidis foi esta semana banido da selecção de futebol pela Federação Grega de Futebol, depois de uma assembleia-geral extraordinária. 

Admito que quando li esta notícia – e fi-lo em vários jornais – cheguei logo à conclusão de que tinha de escrever sobre ela. Sucedeu que fiquei na dúvida sobre por onde começar, tal foi a burrice de todos os intervenientes nesta história, desde o próprio Katidis até à leitura dos meios de comunicação social portugueses (olhem que surpresa hein!).


Comecemos pelo fim, os meios de comunicação social portugueses. Dos jornais que li, entre desportivos e não desportivos, todos eles fizeram referência a uma “saudação nazi” feita pelo jogador grego. Se tivesse sido um jornalista a dizê-lo eu deixava passar sem dar importância, mas como todos os que escreveram sobre o assunto fizeram essa referência o que penso é que, de duas uma (ou talvez as duas), ou (a) temos jornalistas sem cultura histórica ou (b) escrevem-no porque “nazi” é sempre uma palavra que chama a atenção e deve vender e aumentar as visualizações nos jornais online. 

A “saudação nazi” “sempre” foi conhecida como saudação romana, saudação de Bellamy, saudação Olímpica, entre outros poucos nomes que teve, Só passou a ser chamada e conhecida por saudação nazi aquando do desenvolvimento e erguer do Nazismo e do partido de Hitler na Alemanha.
Pensa-se que a saudação – na altura, a saudação romana – tenha surgido pela altura da Res Publica. Existem algumas dúvidas, mas pensa-se que a fizessem como forma de cortesia militar ou simples aclamação do seu líder. Só muito mais tarde, já no Séc.XVIII, é que se voltou a utilizar este gesto, desta feita em França, por alguns movimentos contra regime (há até várias pinturas de artistas franceses que demonstram bem esse gesto).

A saudação de Bellamy, que surge quase no fim do Séc.XIX nos EUA, era feita pelos cidadãos como mostra de fidelidade ao seu Presidente. Era também feita com o objectivo de mostrar juramento a algo, à semelhança do que se pensa que era já feito em França com Bonaparte.

Só depois destes séculos todos – portanto, da Res Pública ao Séc. XX – é que passa a ser conhecido como saudação Nazi quando Hitler e o seu partido adoptam a antiga saudação romana, introduzindo-lhe algumas pequenas modificações. É também por esta altura que o PNF, liderado por Mussolini, adopta a saudação romana com o intuito de ressuscitar o antigo Império Romano.

É, então, depois de estes dois regimes – Nazismo e Fascismo – terem adoptado a saudação romana que, nos EUA, através de Roosevelt, se estabelece o gesto de levar a mão ao coração ao invés do antigo gesto. Isto, pelo simples facto de, como é óbvio, não quererem ficar conotados àqueles regimes! Como curiosidade, havia também organizações religiosas em algumas zonas da Europa que utilizavam a saudação romana e, pela mesma razão, deixaram de a utilizar. Havia até registo de algumas fotografias com padres fazendo a saudação romana o que, com o aparecimento destes regimes, poderia ser visto da forma errada. 


Dito isto, é engraçado pensar-se que se (assim vemos o valor dos “ses”) estes regimes não se tivessem erguido talvez ainda hoje, quem sabe, se utilizasse este gesto de forma quase universal aquando do trautear do Hino Nacional ou aquando da passagem do respectivo Chefe de Estado.


Passemos agora ao personagem principal nesta história toda, o grego Katidis.
Este, depois do gesto que fez durante o festejo do seu golo, veio dizer, e passo a citar, “Não sou um fascista e não o faria se soubesse o que significava. Conheço as consequências e nunca o teria feito”.

Em relação às declarações do mesmo e relacionando isso com o que foi escrito:

Em primeiro lugar, Katidis é, aparentemente, como uma criança. Vê algo e repete para ver a reacção das pessoas. Ora aí tens a reacção do pessoal…

Em segundo lugar, “ (…)não o faria se soubesse o que significava”, “Conheço as consequências”. Hein???

E em terceiro lugar, para terminar (Deixei para o fim o mais interessante), Katidis diz nas declarações que não é fascista. Com isto, depreendo que se fosse era o gesto que fazia. Ora, a ser assim, qual a lógica dos jornalistas virem escrever que Katidis tinha feito a saudação nazi? Quando muito tinha feito a saudação fascista ou até mesmo romana, para sermos mais precisos!
Mas não, falar de nazismo ainda vende mais que fascismo, aparentemente. Estranho, tendo em conta o país em que vivemos…



Para terminar, e sabendo de antemão que o Comunismo não é ainda proibido e condenável, tenho a impressão que se um episódio destes se passasse em Portugal, o autor seria igualmente punido. “Que seria, admitir cá essas coisas, é um atentado aos mais básicos direitos e garantias do cidadão português. Já bastou Salazar” diriam os do costume. Mas, se também em Portugal, um qualquer jogador jogasse para o alto o braço com o punho fechado em forma de festejo nada seria feito. “Meu Deus, condenar alguém por exortar a ideologia que tanto se preocupa com os cidadãos, em especial com os mais pobres.”

Assim vão os nossos meios de comunicação social...

Olhar a Semana - Fumo negro

A semana fica marcada pela eleição do Papa Francisco I. O sucessor de Bento XVI foi escolhido em tempo recorde, representando um sinal que a Igreja Católica respira bem. 

No entanto, a eleição de Giorgio Bergolio para ser o líder da Igreja Católica foi ofuscada pelos números que o Ministro das Finanças apresentou sobre a crise que ainda vivemos. Ao contrário do que aconteceu na chaminé da capela sistina, em Portugal a chaminé deitou fumo negro. O governo falhou os números do desemprego, défice e recessão em larga escala e o futuro avizinha-se negro apesar da prometida saída da troika em 2014. Este é o resultado de uma política de austeridade cega, pura e dura que este governo, em sobretudo o Ministro das finanças com a ajuda da troika, continua a insistir. Apesar das avaliações positivas da troika, não é por aí que os números deixam de ser assustadores. 

Sabemos que o governo vai continuar com estas políticas, no entanto é pior não haver alternativa, o que deixa a hipótese de haver eleições antecipadas de lado. Também não se pode contar com a ajuda do PR, já que este não pára de estar calado. 

O cenário é negro, não se vislumbrando qualquer alternativa ou mudança. A única esperança está na saída da troika do nosso país, contudo nem isso garante o regresso à normalidade, até porque vai demorar muitos anos a combater estes números negativas. É caso para dizer que a porcaria está bem feita e agora as gerações mais novas que paguem os erros cometidos cá dentro mas também em Bruxelas. Nem vale a pena emigrar porque a situação nos outros países europeus é a mesma. Precisará a Europa de um Papa?

sábado, 16 de março de 2013

Bandeira de Macau

Esta bandeira foi adoptada em 1999, data da transferência da soberania de Portugal para a República Popular da China, pelo que o seu significado está ligado também à história da própria China e não propriamente à região de Macau.

As cinco estrelas simbolizam a unificação de Macau à China. Note-se que também a bandeira da China tem cinco estrelas. 

A flor de Lotus, preferida dos macaenses, está a desabrochar sobre as estrelas que representam a China, significando a prosperidade e o desenvolvimento. 

A pétalas representam a Península de Macau bem como as suas ilhas Taipa e Coloane. 

Representando a especificidade do ambiente de Macau estão a Ponte e a Água do Mar. 

A bandeira verde de Macau é interessante do ponto de vista sociológico, apresentando algumas das características mais importantes da região e dos seus habitantes. 

A Audácia da Esperança - Barack Obama


O livro de Obama foi escrito antes de se tornar Presidente dos Estados Unidos. Nesta sua cartilha política, o actual Presidente revela o seu pensamento político e social. Ao contrário da sua biografia pessoal, Audácia da Esperança é um livro para aqueles que sonham com uma América nova após o legado de George W.Bush. As preocupações económicas e o combate ao terrorismo são dois dos aspectos mais importantes que Obama esclarece neste livro. 

Apesar de se tratar de um livro ideológico, o actual Presidente não deixa de referenciar a sua família, apoio fundamental nas suas conquistas políticas. É engraçado a forma como Barack Obama revela como conquistou a sua mulher Michelle. Para quem ainda não aprendeu, o Presidente também sabe ensinar a arte de conquistar mulheres.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Gaspar foi um erro colossal

Os números anunciados por Gaspar revelam o falhanço da acção do governo. O esforço que Portugal vem a fazer não tem sido traduzido nos números. O Desemprego nos 18%, o défice acima dos 5% e a recessão que vai até aos 2,3% são as piores previsões possíveis e imaginárias. O pior é que o executivo prometeu a luz ao fundo do túnel já em 2014, no entanto o próximo ano prevê-se que seja ainda pior que 2013, até porque o próximo orçamento deverá ter mais medidas de austeridade. A grande questão que se coloca é saber se essas mesmas medidas não tornarão o país pior.

Estes números contrariam o optimismo do governo, contudo o recente anúncio de mais tempo para cumprir o défice já prenunciava os números avançados. Se continuamos a falhar nos números já nem a suposta credibilidade internacional nos tira da crise. Já não estamos perante o primeiro ou segundo erro do Ministro das Finanças, pelo que é necessário tirar as devidas ilações. A obsessão de Gaspar pela austeridade está a ter efeitos contrários ao previsto, começando a faltar argumentos para o Ministro justificar as suas políticas. Todos já percebemos que o caminho não é este, pelo que é necessário mudar antes que se chegue ao abismo. E nesta situação todos têm culpa desde a troika até ao Ministro Gaspar. Os senhores da troika não parecem muito bem saber o que fazer com o caso português.

Politicamente é preciso pensar em duas situações: a primeira é se o Ministro Gaspar deve ir para a rua antes das eleições para evitar deixá-lo continuar a fazer cortes cegos. Em meu entender, Vitor Gaspar já perdeu todo o crédito que tinha cá dentro. Não se questiona a sua honorabilidade, mas a competência para lidar com as finanças do país. Já se viu que não serve e não é em dois anos que vai mudar. Antes de fazer mais asneiras com o OE 2014 e aproveitando o calor do verão, Passos devia demitir Gaspar, e aproveitava para fazer o mesmo com Miguel Relvas e assim ainda podia sonhar com uma vitória nas autárquicas. 

A outra questão tem a ver com a continuidade deste governo. Na minha opinião, o governo deveria manter-se mas sob vigilância apertada do PR, contudo este teima em não falar quanto mais agir. Um governo de gestão até 2015 para cumprir as metas da troika era uma boa solução mas no fundo esse é o papel que este governo está a desempenhar. Uma coisa é certa, Passos não vai ser reeleito porque, perante a frieza dos números ninguém lhe vai dar um segundo mandato. 
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