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domingo, 31 de janeiro de 2016

Olhar a Semana - Rouhani não quer olhar para nus nem vinho à mesa

A recente visita do líder iraniano, Hassan Rouhani, ao continente europeu, em particular a França e Itália foram marcados por dois momentos caricatos, que colocaram as relações diplomáticas em segundo plano. Em Itália, o primeiro-ministro, Matteo Renzi, mandou tapar as estátuas de nus para não perturbar a consciência do visitante. No entanto, o presidente francês, François Hollande, teve uma atitude diferente quando cancelou o almoço de Estado porque o iraniano não queria vinho à mesa. França e Itália resolveram adoptar comportamentos distintos perante as exigências do visitante. 

Os dois estiveram bem, já que, a aceitação deste tipo de medidas depende da vontade de quem recebe. O ditado diz que "em minha casa mando eu". Quem não esteve bem na fotografia foi o líder iraniano que colocou em causa o almoço oficial porque Paris não seguiu o mesmo caminho de Roma. O protocolo, mesmo o de Estado, não obriga a que se aceita as demandas de quem nos visita. 

Os episódios revelam a falta de hábito dos iranianos em respeitar as tradições dos outros. Percebo que Matteo Renzi tenha tido aquele gesto, mas também compreendo a decisão de François Hollande. Quem organiza o protocolo são os responsáveis do país visitado e não quem visita. 

Por causa destas pequenas questões os acordos negociados por Roma e Paris com Teerão ficaram para segundo plano. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Marcelo Rebelo de Sousa- O candidato venceu as eleições presidenciais com 52%. O resultado é melhor do que Cavaco Silva em 2006. O comentador é o V Presidente da República desde o 25 de Abril, tendo a difícil tarefa de estabelecer pontos entre os partidos na Assembleia da República, que, como se viu no Orçamento não se vão entender facilmente até às próximas legislativas. Todos sabemos que a legislatura não vai durar quatro anos, mas o Chefe de Estado tem de utilizar a influência para evitar uma crise política. A actuação do Presidente vai ser mais escrutinada do que os partidos com assento parlamentar.


No Meio

Abstenção -  O factor negativo das eleições presidenciais foi o resultado da abstenção. Mais de metade dos eleitores inscritos não votaram. A culpa pode ser encontrada nas pessoas que não se interessam ou na fraca qualidade dos candidatos. No entanto, nem a vitória de Marcelo foi comemorada na rua, como aconteceu com Cavaco Silva e é uma situação regular noutros países. O combate contra o desinteresse político tem de ser uma prioridade do novo Chefe de Estado.

Em Baixo

António Costa -  O primeiro-ministro teve duas derrotas nesta semana.  A primeira aconteceu nas presidenciais.Os candidatos presidenciais recomendados pelo secretário-geral socialista foram derrotados. Sampaio da Nóvoa não alcançou a segunda volta, enquanto Maria de Belém obteve 4%, ficando atrás de Marisa Matias. A opção de não apoiar oficialmente nenhum candidato acabou por beneficiar a candidata do Bloco de Esquerda. A segunda derrota para Costa está relacionado com o Orçamento. As entidades nacionais e internacionais não gostaram do draft elaborado por Mário Centeno, mas o primeiro-ministro não se importou. A gaffe da semana aconteceu no Parlamento quando Costa chamou duas vezes Pedro Passos Coelho de primeiro-ministro. Fugiu a boca para a verdade. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A primeira greve contra António Costa

O actual governo enfrenta a primeira greve relevante. O sindicato dos funcionários da Administração Pública protestam contra a não reposição imediata das 35 horas de trabalho no sector. Ora, o executivo liderado por Costa só promete a alteração da lei no próximo Verão. 

Os sinais de descontentamento na rua começam a surgir na mesma altura em que um dos parceiros dos socialistas na Assembleia da República fazem críticas ao primeiro-ministro. O PCP entende que o mau resultado da esquerda nas eleições presidenciais deve-se a Costa. Nada mais do que as opções tomadas pelo secretário-geral socialista em apoiar Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. Todos perderam, menos Marisa Matias. No entanto, o Bloco de Esquerda concorreu a Belém com uma agenda própria. 

O início do ano não está a ser fácil para o executivo socialista por causa dos comunistas. Jerónimo de Sousa tem dado alguns sinais contra as primeiras medidas, nomeadamente a nível orçamental, o que revela preocupação para o presente e futuro. Todos sabemos que não é da direita que surgirão os problemas, mas da esquerda, em particular pelo PCP. Os comunistas quando quiserem rasgam o acordo, não só por motivos ideológicos, mas também devido a questões estratégicas. A vitória de Marisa Matias sobre Edgar Silva não ajuda à consolidação do acordo. 

A greve da função pública é a primeira resposta à falta de cumprimentos dos acordos por parte do Partido Socialista, ou a exigência dos comunistas em quererem ir além do prometido. Na minha opinião estamos perante uma exigência do partido de Jerónimo de Sousa. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sinais positivos de Assunção Cristas

Os primeiros sinais de Assunção Cristas são positivos. A tentativa de abrir o partido a mais pessoas parece ser a prioridade. O caminho não será fácil, sobretudo se persistir nas ideias da antiga direcção, mas tem tudo para resultar porque existe bastante vontade em participar e contribuir para o partido ser maior. 

No entanto, a candidata tem de ser firme nas horas mais complicadas, em particular naquelas em que se poderá sentir sozinha por divergir de algumas ideias dos mais próximos. A escolha da equipa também será importante, embora no parlamento estejam os principais aliados de Paulo Portas. A simples saída do antigo líder não resolve o problema das comparações. Cristas não deveria ter procurado apoio junto da estrutura para avançar.Devia tê-lo feito sozinha. 

Assunção Cristas terá de lidar com o Partido Socialista no governo, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português a tentarem ficar à frente do CDS e o Partido Social Democrata que vai querer caminhar sozinho para apanhar os votos ao centro deixados pelo PS devido às posições ideológicas de António Costa. Ora, numa eventual zanga da gerigonça, quem vai recolher os frutos da desastrosa governação socialista será o PSD. Neste capítulo, a provável nova liderança tem de encontrar um espaço ideológico para garantir a fidelidade do eleitorado. 

A legitimidade de Assunção Cristas no CDS seria reforçada se aparecer um novo concorrente à liderança. Na minha opinião é necessário debate de ideias para definir um rumo após o próximo congresso e evitar qualquer tentativa de desestabilização. 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Uma esmola para Paulo Morais

Nas recentes eleições presidenciais tivemos que aturar um candidato que só falava no combate à corrupção. O tema principal do antigo vereador do Porto, Paulo Morais, centrou-se apenas no número de meter todos os políticos no mesmo saco. Ora, os debates correram-lhe bem, mas isso não significou mobilização na rua, nem votos, já que, o candidato esteve atrás de Vitorino Silva, mas à frente de Henrique Neto, Jorge Sequeira e Cândido Ferreiro. O portuense ficou em segundo no campeonato dos pequeninos. 

Os eleitores ouviram as preocupações que também são inerentes a qualquer cidadão, embora a forma insistente não tivesse tido os melhores resultados. 

O pior veio depois das eleições. Paulo Morais não conseguiu atingir os 5% para ter direito a uma subvenção estatal que lhe pagasse as despesas de campanha. O mesmo aconteceu com Tino de Rans, Maria de Belém, Edgar Silva, Henrique Neto, Jorge Sequeira e Cândido Ferreira. No entanto, o ex-autarca decidiu pedir ajuda pelas redes sociais. O concorrente teve um discurso contra a corrupção, mas agora vem pedir esmola aos apoiantes. Qual é o fenómeno que está em causa? Não é corrupção, embora seja demagogia. Paulo Morais acaba por desiludir as poucas pessoas que votaram na candidatura e os que conseguiu conquistar simpatia através da mensagem, em particular pelos debates televisivos. 

Por esta razão os candidatos apoiados pelos partidos ainda têm mais votos. Penso que será sempre assim. A atitude de Morais revela que existem demagogos fora dos partidos que estão dispostos a tudo para terem um minuto de fama. Não está em causa o excelente trabalho que faz na Associação Transparência, mas tudo aquilo que representa com o pedido de donativos. Afinal Paulo Morais também é como os outros. 


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Vitórias políticas

A eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente da República também constitui uma vitória do PSD, em particular do líder que apoiou o professor após as eleições de 4 Outubro. Apesar da famosa história do "cata-vento", Pedro Passos Coelho nunca deixou de ter uma posição, mesmo na recente campanha eleitoral, onde voltou a sugerir o voto no docente.

A maior prova da veracidade do apoio prestado por Passos Coelho a Marcelo aconteceu quando o líder social-democrata deu a cara na hora da vitória. Ou seja, o ex-primeiro-ministro foi coerente com o discurso que teve ao longo dos últimos meses. 

As notícias que dão conta do valor do défice abaixo dos 3% é mais uma vitória para o executivo liderado por Passos Coelho. A partir de agora, a esquerda, em particular o Partido Socialista, não se pode refugiar no passado para justificar os erros que vai cometer no futuro. As contas públicas estão em ordem devido ao esforço dos portugueses, mas sobretudo às políticas governativas. Afinal, o caminho seguido estava certo, mesmo que tenha custado alguns sacrifícios. No entanto, os prejudicados também votaram na coligação para governar Portugal e não no Partido Socialista. 

As duas vitórias políticas, mais o triunfo nas eleições, reforçam a legitimidade de Passos Coelho continuar a ser líder do PSD. No próximo congresso, haverá unanimidade em torno da reeleição. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Resultados confirmam divisão nos socialistas

Os grandes derrotados da noite eleitoral foram os candidatos apoiados pelo Partido Socialista. O docente e a socialista não cumpriram os objectivos eleitorais de passar à segunda volta. 

Os números confirmam a fraca qualidade de Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. O primeiro foi atirado para esta campanha pelo General Ramalho Eanes, mas também pela direcção socialista, enquanto a antiga deputada teve de fazer um frete aos que não concordam com a aliança socialista com os partidos de esquerda desde as eleições de 4 Outubro. Não concordo que tenha sido Nóvoa a evitar um melhor resultado por parte de Marcelo Rebelo de Sousa. Na minha opinião a grande maioria dos que não foram votar prejudicaram a percentagem do novo Chefe de Estado. Quem ganhou com a menor prestação dos candidatos socialistas foi Marisa Matias.

Neste momento os problemas dentro do Partido Socialista começam a surgir, sendo que, os primeiros sinais de descontentamento devem ser mostrados no próximo Congresso. Costa não vai ter um conclave de unanimidade em torno da liderança. 

A pontuação de Marisa Matias reforça a posição do Bloco de Esquerda na sociedade portuguesa e diminui a do Partido Comunista que obteve um mau resultado com Edgar Silva. Os partidos de esquerda não se quiseram unir para combater Marcelo Rebelo de Sousa e os partidos da direita, preferindo esperar por uma segunda volta para se juntarem. A obsessão do BE e PCP em estarem na política unicamente para combater a direita começa a ser penalizada, sendo que se um dos partidos perder força, significa mais problemas para o governo liderado por António Costa. 

A segunda volta das legislativas correu mal á nova geringonça.

domingo, 24 de janeiro de 2016

O novo Presidente não foi aclamado pelo povo

A vitória de Marcelo Rebelo de Sousa na primeira volta das presidenciais é normal, tendo em conta os resultados das últimas sondagens, mas também a diferença de qualidade relativamente aos adversários, em particular o dito independente Sampaio da Nóvoa. No entanto, a vitória esmagadora como se previa não apareceu por culpa do candidato que não quis assumir posições públicas sobre questões importantes com medo de perder votos. 

O resultado final das eleições tem dois aspectos relevantes. O primeiro é a elevada abstenção que já mereceu análise. O segundo tem a ver com as percentagens dos restantes candidatos, mas isso será motivo de outro post. 

A primeira nota após a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa diz respeito à forma como o antigo comentador foi recebido. Não teve um apoiante na rua, preferindo restringir o acesso à Faculdade de Direito aos que puderam inscrever o nome numa lista reservada. O novo Chefe de Estado não foi aclamado pelo povo, como aconteceu com Cavaco Silva em 2006 e os demais líderes políticos em todo o mundo. Por estas razões a abstenção tem vindo a aumentar.

O país conhece o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, mas o problema será cumprir a vontade demonstrada na campanha eleitoral. O futuro dirá se a presidência, que agora começa com belos discursos e uma notoriedade nunca vista num Presidente da República, tem impacto social, económico e político. No entanto, os que criticaram o Presidente cessante podem começar agora a fazer o mesmo ao novo inquilino de Belém.  

Nem com 10 candidatos o povo saiu à rua para votar

Os números da abstenção necessitam de ser estudados pela classe políticas. Nas primeiras eleições em que participaram dez candidaturas as pessoas optaram por não votar, mesmo naqueles que representam um voto de protesto, o que acontece pela primeira vez. Eram cinco candidatos "contra" o sistema partidário. Isso não foi suficiente para mobilizar as pessoas. Não culpem as pessoas, mas os protagonistas, em particular os principais partidos que decidiram ficar fora das eleições porque tiveram medo de ir a jogo após o mau resultado nas legislativas. PSD, CDS e PS ficaram à margem devido ao mau resultado eleitoral em Outubro de 2015. 

Os candidatos andaram à caça do voto sem se preocuparem com o futuro do país e das pessoas. A maioria optou por não dizer o que fariam enquanto Presidente da República para não perderem votos. Ora, a estratégia não resultou porque ficam ligados ao acto eleitoral com um dos maiores números de abstenção. A contagem só será conhecida no final da noite, mas sabemos que, em 2006, Cavaco Silva foi eleito com 38,5% de abstenção. 

Se houver segunda volta, os directores de comunicação têm de mudar a forma como pretendem transmitir a mensagem.

O que está em jogo

A escolha do novo Presidente da República assume importância tendo em conta o clima político que o país vive após as eleições legislativas de Outubro do ano passado. O novo inquilino de Belém não pode ser apenas um árbitro, mas alguém que saiba apelar ao consenso. Não será fácil, já que, as feridas resultantes do processo político ainda não estão saradas. 

O Chefe de Estado não pode só controlar o governo, mas tem de estar em cima da oposição. Ou seja, a magistratura de influência deve ser exercida sobre todos os agentes políticos que estão na Assembleia da República. Um dos maiores erros de Cavaco Silva foi ter deixado muitas vezes a decisão nas mãos do parlamento. Ora, isso será fatal nos próximos cinco anos, já que, mesmo havendo legislativas dentro de dois anos, também não é crível que haja uma maioria absoluta de um só partido. As condições de governabilidade à direita vão mudar com a entrada da nova liderança do CDS. Só o regresso de Portas ao partido garante ao PSD apoio parlamentar para passar o programa do governo na Assembleia da República. 

As incógnitas relativamente ao funcionamento dos jogos partidários são maiores do que as certezas, pelo que, o papel do Presidente vai ser fundamental. Não basta ser mero árbitro ou vigilante. Tem de actuar consoante o interesse nacional, mas não deixar que as instituições se degradem. 

Tenho a certeza que vamos assistir a um Presidente mais interventivo, não só a nível dos discursos, como aconteceu com o actual Chefe de Estado. Na minha opinião a intervenção será mais pública, o que vai originar pressões por parte de todos os sectores. 

sábado, 23 de janeiro de 2016

Figuras da campanha

Na véspera da eleição presidencial cumprimos a tradição de desrespeitar o dia de reflexão, mas esperamos não ter uma multa da Comissão Nacional de Eleições.

O grande vencedor dos debates, tendo em conta as pontuações atribuídas pelo autor e dos leitores foi Marcelo Rebelo de Sousa. Os pontos da último debate não contam porque Maria de Belém não esteve presente. Segue uma análise de todos os candidatos em conformidade com os pontos.

Marcelo Rebelo de Sousa - 27 pontos

O professor conseguiu transmitir confiança nos debates apesar de não ter expressado algumas opiniões. No entanto, fez o que queria contra os adversários, e nos confrontos mais importantes também esteve por cima, embora com Maria de Belém exagerou nas críticas. No duelo com Sampaio da Nóvoa não teve a unanimidade da crítica, mas conseguiu travar o ímpeto do reitor da Universidade de Lisboa, que só falou das contradições. A verdade é que ninguém sabe quais são as propostas de Nóvoa, mesmo depois das duas semanas da campanha eleitoral. A experiência de comentário televisivo foi importante para Marcelo ter passado pelos pingos da chuva. 

Henrique Neto - 25 pontos

O empresário socialista mostrou ao país as ideias e o discurso com que iria abordar a campanha eleitoral. Venceu os debates com Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, mesmo não tendo a máquina socialista no seu lado. No entanto, a experiência política também é importante nestas alturas. O país ficou a conhecer um homem simpático, elegante, cordial, que subiu na vida pelo próprio pé sem ter favores por parte de alguém, apesar de ter sido deputado. Ou seja, demonstrou que é possível ser independente dentro de um partido. O candidato Henrique marcou pontos nesta campanha. Também ficámos a saber que o candidato escreveu um livro que se intitula "Uma estratégia para Portugal".

Paulo Morais - 25 pontos

O ex-vereador da Câmara Municipal do Porto tinha como único objectivo trazer o tema da corrupção na política para a campanha eleitoral. A mensagem foi eficaz, em particular nos debates porque teve tempo para explicar os princípios da candidatura, tendo revelado um conhecimento bastante bom da Constituição da República Portuguesa, o que não aconteceu com alguns adversários. A luta de Paulo de Morais continua noutros locais, sendo certo que haverá mais pessoas com vontade de combater o fenómeno. 

Marisa Matias - 21 pontos

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda surpreendeu, apesar de já ter feito campanha para as europeias em 2014. Os debates serviram para Marisa Matias mostrar as convicções sem medo de dizer que chumbava o Orçamento rectificativo que salvou o Banif, tendo sido o momento em que a concorrente marcou diferenças em relação a Maria de Belém. Marisa também mostrou ser melhor do que Catarina Martins em termos de imagem. A melhor prestação foi no último debate com todos os candidatos.

Maria de Belém - 18 pontos

A socialista apoiada por alguns militantes que não estavam com Sampaio da Nóvoa não esteve bem nos debates, mostrando fragilidade intelectual e presencial. Neste aspecto é bem pior do que a concorrente do Bloco de Esquerda. Ninguém ficou a conhecer as ideias da antiga presidente socialista. O discurso repetido sobre o currículo não correu bem porque foi confrontada com uma polémica sobre acumulação de funções enquanto deputada e no sector privado. A questão das subvenções vitalícias ajudou a esvaziar os últimos comícios que estavam programados. 


Edgar Silva - 16 pontos

A cassete do Partido Comunista Português foi fielmente reproduzido pelo padre Edgar nos debates. Também não saiu da ideologia partidária. O momento mais crítico aconteceu quando não soube responder a uma pergunta relativamente ao regime que vigorava na Coreia do Norte. O candidato não teve a dinâmica necessária para incomodar os restantes adversários. 

António Sampaio da Nóvoa - 15 pontos

O  antigo reitor da Universidade de Lisboa não conseguiu convencer os indecisos. A imagem que passou foi de um candidato também muito repetitivo sem capacidade de trazer novos assuntos a debate, sendo que responder aos ataques não é igualmente o ponto forte. Tem uma postura demasiado estática para quem procura convencer os eleitores. Os conselhos dos profissionais de comunicação não devem ter sido os melhores ou o professor decidiu teimar. 


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Uma fraca campanha

A campanha eleitoral para as presidenciais termina sem deixar saudades. A chuva, a morte de Almeida Santos e a fraca qualidade dos candidatos faz com que estejamos perante as eleições com mais desinteresse dos últimos anos. Mesmo a reeleição de Cavaco Silva foi bastante mais interessante. A culpa da apatia verificada é da esquerda que apresentou 5 candidatos para travar a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa na primeira volta. Quando alguém concorre para ser contra outra candidatura, como é o caso de Edgar Silva, não pode haver interesse por parte das pessoas. Por outro lado, a ausência dos partidos das campanhas presidenciais também está a afastar os eleitores das campanhas. Nas últimas legislativas a mobilização foi bastante maior. 

Os debates foram esclarecedores e prometiam uma campanha eleitoral na rua como nunca aconteceu. No entanto, não foi isso que aconteceu. A indefinição dos principais candidatos relativamente ao que vão fazer se forem eleitos Chefe de Estado causa apreensão nas pessoas, que já estão fartas do discurso consensual  e repetido ao longo do tempo. O país prefere saber o que cada um vai fazer do que estar com a velha retórica brilhantemente transmitida por Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém nas últimas duas semanas. Os restantes candidatos disseram ao que vinha, mas ainda não têm a máquina partidária que andou escondida no seio das campanhas do dois docentes. 

Se queremos assistir a disputas eleitorais nas presidenciais como aconteceu nos primeiros anos da democracia, os partidos têm de ser mais activos e decisivos. O problema é que qualquer cidadão já percebeu a possibilidade de ter votos apenas recolhendo as necessárias assinaturas. 

Amanhã publicaremos as avaliações feitas aos candidatos nos debates e no domingo faremos mais uma emissão especial.  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Marcas nacionais

Os resultados dos nossos artistas e desportistas nem sempre são valorizados cá dentro. Os apoios financeiros e a atenção mediática também não é a devida tendo em conta alguns feitos que muitos portugueses conquistam fora de Portugal. O triunfo fora de portas significa uma vitória para o país porque todos trazem a bandeira e o país no coração. 

A cultura e o desporto são duas áreas que nunca mereceram um estatuto importante no seio dos governos. O Ministério da Cultura sempre foi uma marca dos governos socialistas, à semelhança do que aconteceu com o Desporto no tempo de José Sócrates. Passos Coelho acabou com os dois, tendo-os reduzido a secretarias de Estado. Por seu lado, António Costa recuperou o estatuto do Ministério da Cultura, embora sem ter dado a mesma importância ao desporto. Na minha opinião as duas áreas deveriam estar enquadradas no mesmo ministério, quem sabe o Ministério da Cultura e do Desporto, para definir uma estratégia de modo a apoiar os nossos melhores desportistas e artistas. Não só em termos financeiros, mas perceber qual a melhor forma de um cantor ou tenista triunfar na sua área, apostando no mesmo como uma marca nacional para vender Portugal no estrangeiro. 

O Estado não tem apostado nas duas vertentes para promover o turismo, incentivar os jovens à prática do desporto, acabar com alguns vícios, através dos bons desempenhos desportivos. Por último, a falta de equipamentos obriga os nossos mais talentosos a emigrar para iniciarem uma carreira de sonho. Ora, isso é uma perda de talento que o nosso país não se pode dar ao luxo, já que, os privados também não apostam no desporto para obterem lucro. 

O investimento não pode passar só pelas empresas, mas também naqueles que fazem boa figura fora do país. É necessário ganhar qualquer coisa com a exportação de talentos. 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Apareceram os temas polémicos

A campanha eleitoral caminha para o final, já que, no domingo temos a eleição presidencial. Ao fim de dez anos o país vai dizer adeus a Cavaco Silva e escolher o novo inquilino de Belém. Nos últimos meses não tivemos nenhuma polémica que afectasse qualquer candidato, nem sequer nos debates houve troca de acusações semelhantes ao que se costuma apelidar de "chicana política". No entanto, ontem surgiram dois assuntos que vão marcar os próximos dias. 

A primeira diz respeito à iniciativa de Maria de Belém e mais deputados do Partido Socialista em tentarem garantir a subvenção vitalícia ao recorrerem para o Tribunal Constitucional. A segunda tem a ver com a licenciatura de Sampaio da Nóvoa. Numa altura em que faltam dois dias para o encerramento da campanha, acontece o pior para os dois candidatos que tentam assegurar uma passagem à segunda volta. Marcelo Rebelo de Sousa não podia desejar melhor fim de campanha para os principais rivais. 

As duas situações são inadmissíveis, sendo que a polémica em relação ao pedido de subvenção vitalícia por parte de Maria de Belém é mais escandaloso do que as dúvidas sobre a licenciatura do antigo reitor da Universidade Lisboa. A candidata socialista não esteve no debate de ontem para ser interrogada, mas o tema já saiu para fora. Por seu lado, o docente assegurou que a licenciatura é legal. 

As questões são morais, mas têm natureza política, devido à posição de Belém e Sampaio da Nóvoa. A maioria absoluta de Marcelo pode ter sido conquistada nestes dias. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Marcelo já fala como Presidente da República

O único debate entre todos os candidatos acabou por ficar marcado pela ausência de Maria de Belém, que cancelou toda a actividade política devido à morte de Almeida Santos. 

Os candidatos presentes responderam às perguntas mais ou menos complicadas. Não houve um vencedor porque o número de concorrentes não permite uma análise deste tipo, mas sempre se pode adiantar que Sampaio da Nóvoa não conseguiu novamente deitar abaixo o principal adversário, já que, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu bem às críticas do antigo reitor da Universidade de Lisboa. No entanto, Nóvoa ganhou pontos pelo facto de Maria de Belém ter optado por não comparecer ao confronto pelas razões conhecidas. 

Nota-se uma tentativa de Marcelo Rebelo de Sousa para se aproximar do actual governo, quiçá, já para descansar António Costa a partir de Domingo. O professor falou como Presidente da República e não na pele de candidato, por muito que isso custe a Sampaio da Nóvoa e Henrique Neto. O independente socialista tentou atacar o ex-comentador, como fizeram os restantes concorrentes, embora sem o conseguirem. 

Por fim, a atitude negativa de Cândido Ferreira ao colocar tudo e todos em causa, em particular a licenciatura de Sampaio da Nóvoa por via de um simples papel. Por esta razão não teve o espaço nas televisões como pretendia. Jorge Sequeira e Vitorino Silva não têm qualidade política e o discurso que apresentam parece brincadeira, mas não chegam ao baixo nível de Cândido Ferreira. Felizmente, a partir de Domingo vamos deixar de ouvir o concorrente. Uma nota para Edgar Silva e Marisa Matias que não conseguem livrar-se dos discursos partidários. 

Notas:  Henrique Neto 3, Sampaio da Nóvoa 3, Cândido Ferreira 0, Edgar Silva 2, Jorge Sequeira 2, Vitorino Silva 2, Marisa Matias 4, Marcelo Rebelo de Sousa 4, Paulo Morais 3

P-S: A candidata Maria de Belém não esteve no debate, pelo que, os pontos atribuídos hoje não serão contabilizados na contagem final, no caso da socialista ser prejudicada ou beneficiada. Os concorrentes Jorge Sequeira, Cândido Ferreira e Vitorino Silva também não vão a jogo. As pontuações atribuídas e o resultado das sondagens serão divulgadas amanhã. 


A velha aliança pode ficar em causa

O parlamento britânico discute uma petição que reuniu 150 mil assinaturas para impedir a entrada de Donald Trump no Reino Unido. Ora, o candidato presidencial é acusado de ter um discurso inflamatório que prejudica as minorias, mesmo aquelas que vivem no estrangeiro e não são directamente afectadas pela campanha do candidato. Trump ainda não é Chefe de Estado norte-americano, mas tem investimentos em Terras de Sua Majestade, como é o caso dos hotéis e um campo de golfe. 

O problema de banir Trump para sempre da ilha surge se for eleito Presidente dos Estados Unidos. As sondagens permitem aos analistas sonhar com a hipótese, mesmo que os velhos amigos britânicos não queiram. O objectivo da petição foi impedir Trump de viajar para o Reino Unido enquanto líder do mundo livre e não como empresário, já que, a política ainda está à frente dos postos de trabalho. No fundo, os britânicos não querem uma aliança com os Estados Unidos se Donald Trump for eleito Presidente. No entanto, para existir um corte radical é necessário que seja aprovada uma lei que impeça David Cameron de colocar o pé no território norte-americano. 

A petição que está a ser discutida na Câmara dos Comuns e, de acordo com os jornais britânicos, vai ser aprovada, é absurda. Não faz qualquer sentido impedir um Chefe de Estado meter o pé no Reino Unido por causa de algumas declarações enquanto candidato à presidência dos Estados Unidos. A atitude dos proponentes tem de ser igual para todos. Se assim fosse o parlamento tinha de votar todos os dias este tipo de propostas. Por muito que Trump seja disparatado e mesmo um idiota não se pode chegar ao ridículo de impedir a sua entrada num país democrático. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A primeira divisão no Partido Socialista

A primeira semana de campanha para as presidenciais terminou com um problema para o Partido Socialista. A divisão dos militantes no apoio a Sampaio da Nóvoa e a Maria de Belém é evidente, sendo que a declaração de Carlos César abriu o caminho para as hostilidades. No executivo socialista há quem esteja dos dois lados, mas Sampaio da Nóvoa recolhe mais votos. Os que estão contra a geringonça ficam ao lado de Maria de Belém. 

A sorte para o PS é o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português avançarem com candidatos próprios porque senão o conflito seria ainda maior. 

A união só se consegue com a ida de um dos dois candidatos socialistas à segunda volta. O problema é que, tanto Nóvoa como Belém, repartem não só o eleitorado socialista, como a própria ideologia. Sinceramente não percebo porque razão o docente mente descaradamente quando se afirma como socialista. Neste aspecto, Belém tem mais capacidade de ganhar votos, já que, o discurso do reitor é encomendado para agradar a quem apostou na candidatura. 

A tralha socrática que regressou ao governo não se revê em Nóvoa, mas fica com o bico calado para não criar ondas ao primeiro-ministro. Os rebeldes que não concordam com os acordos à esquerda ficam ao lado de Maria de Belém para mostrarem o desagrado e se prepararem para o próximo congresso. Os únicos que estão ao lado de Costa são os membros da direcção, como Carlos César e Ana Catarina Mendes. Apesar do poder são poucos para agarrar os críticos internos. 

Uma vitória para Marcelo Rebelo de Sousa significa duas coisas para António Costa. Em primeiro lugar, o primeiro-ministro vai ter um Presidente da República muito menos amistoso do que Cavaco Silva porque vai estar sempre em cima da actuação do executivo, não o deixando respirar. Em segundo, a pressão presidencial significa o início das movimentações internas e externas para tentar derrubar António Costa. Os partidos da oposição, em particular os da direita, irão reforçar as posições porque elegem líderes nos próximos meses, garantindo mais força no combate ao executivo. Internamente surgirão as vozes discordantes com a actual política. 

Ainda há campanha

A campanha eleitoral para as presidenciais entra na última semana sob o signo da expectativa em relação ao resultado, já que, todos esperam uma vitória de Marcelo Rebelo de Sousa na primeira volta, mas ninguém tem a certeza se isso vai acontecer. A divisão do voto socialista em Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa pode ter consequências para o social-democrata. 

Outro aspecto que está a causar perplexidade é a abstenção de vários militantes da direita que tinham em Marcelo a última esperança de derrubar o governo de António Costa em 2016. No entanto, não será por Passos Coelho que alguns sociais-democratas e democratas-cristãos irão votar em branco ou abster-se. O ex-primeiro-ministro apelou ao voto em Marcelo de Rebelo de Sousa numa atitude positiva. Neste aspecto fez melhor do que António Costa. As candidaturas presidenciais são pessoais, mas os partidos têm o direito de participar, como qualquer movimento ou cidadão. Numa eleição em que o Partido Socialista decidiu ficar de fora, os apoios de Passos são decisivos para estimular o eleitorado de direita que ainda está indeciso por Marcelo Rebelo de Sousa tentar passar a imagem de um homem consensual. Ora, os candidatos devem mostrar as convicções ideológicas e pessoais antes de entrarem no Palácio de Belém. O professor só não tem feito isso por estratégia política. 

Nesta semana espera-se mais mobilização, em particular nas acções de rua. A chuva promete ajudar os candidatos que têm revelado bastante apego aos problemas das pessoas. Pelo meio ainda há um debate entre todos para esclarecer todas as dúvidas. 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Olhar a Semana - Os comentadores do "like"

As redes sociais têm sido responsáveis pela banalização do comentário político e não só. Do simples opinar sobre tudo e qualquer coisa, tendo como único objectivo obter o maior número de "likes" e "comments". Não admira que os jornais tenham sofrido uma queda porque já não se procura informação, muito menos opinião, no papel, bastando dar uma volta no Facebook para saber o que pensa A ou X. 

A maior parte dos comentários resultam apenas de reflexões instantâneas sem estudo prévio, o que fragiliza aqueles que podem oferecer qualidade ao problema em causa. Na verdade, alguns comentadores virtuais também pretendem chegar mais longe. Isto é, as redes sociais são uma via para tentarem chegar a um jornal ou à televisão, mas se o jornal tem menos "likes" ou "comments" que a rede, além de não ser gratuito, talvez seja melhor escrever vários posts durante o dia. 

O caminho escolhido é preocupante, já que, os grandes pensadores estão a perder espaço para aqueles que querem ganhar notoriedade. Felizmente ainda não chegámos ao ponto dos jornalistas elevarem ao estatuto de estrela esse tipo de pessoas. 

A qualidade tem de continuar a ser um posto, mesmo com a introdução das novas ferramentas que permitem a qualquer pessoa ambicionar ter palco mediático à custa daqueles que são realmente bons e perdem horas na construção de um pensamento rigoroso. 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Figuras da Semana

Por cima

Assunção Cristas - A antiga ministra da agricultura avança para a liderança do CDS-PP sem ser conhecido qualquer adversário. Uma boa notícia para o partido que corta com as políticas de Paulo Portas. Assunção Cristas pode levar o partido para a democracia-cristão onde sempre esteve desde a fundação. Não acredito que haja mais candidatos, mesmo que representem ideologias diferentes. O anúncio da deputada travou a intenção de outros tentarem chegar à liderança, já que, houve uma unanimidade em torno da candidatura. 

No Meio

Ted Cruz/Donald Trump - O tema principal do primeiro debate republicano em 2016 e o último antes do Caucus no Iowa foi dominado por uma discussão entre os dois candidatos sobre a nacionalidade do senador do Texas, já que, Ted Cruz, tem dupla nacionalidade norte-americana e canadiana. O empresário aproveitou para introduzir os primeiros golpes baixos na campanha eleitoral, tendo iniciado um comício com a música "Born in the USA" de Bruce Springsteen. O duelo tem interesse porque estamos perante um dos prováveis vencedores do caucus no Iowa no dia 1 de Fevereiro. 

Em Baixo

Terrorismo - Nesta semana assistimos a três atentados terroristas em Istanbul, Jakarta e Ouagadougou reivindicados pelo Estado Islâmico. Não sabemos onde será o próximo,  mas temos a convicção que será numa capital, o que já não é mau para evitar danos maiores. No entanto, o novo modus operandi preocupa autoridades e populações. Não são apenas a tomada de reféns, mas os disparos sem alvos específicos na rua, contra tudo e todos. Começa a ser altura da comunidade internacional também aplicar o slogan contra o Estado Islâmico, de forma unida. 

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Votaria em Cavaco Silva para conquistar a quinta maioria absoluta


O actual Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, vai terminar o ciclo político no próximo dia 9 de Março, tendo sido o político que mais governou em Portugal, juntamente com Mário Soares. No entanto, Cavaco conseguiu quatro maiorias absolutas, duas com primeiro-ministro e as outras para a presidência da República. Ninguém tem isto em conta na hora de criticar. 

O último mandato de Cavaco Silva foi o mais difícil de sempre para qualquer Chefe de Estado, já que, ocorreram três crises políticas provocadas por governos diferentes. O primeiro aconteceu em 2011 após a demissão de José Sócrates a poucos dias de se pedir um resgate financeiro que mudou o país nos quatro anos seguintes. Em 2013 o líder do CDS anunciava a demissão irrevogável do governo liderado por Passos Coelho. Por fim, o resultado das eleições legislativas de Outubro 2015 originou algo inédito na nossa democracia. Um governo sem maioria não passou na Assembleia da República, tendo sido necessário dar posse a um executivo socialista com apoio parlamentar. Nas três ocasiões o Chefe de Estado fez o que lhe competia. Aceitou a demissão de Sócrates, não deixou cair o executivo de Passos Coelho e deu posse ao governo de António Costa, mesmo sabendo que a solução não vai durar muito tempo.

Apesar de ter feito o que lhe competia, nunca um Presidente da República foi severamente criticado porque tomou as decisões com base naquilo que eram as convicções. Cavaco Silva foi eleito devido às propostas que apresentou aos portugueses nas campanhas eleitorais. Não percebo os que o criticam por dar a opinião enquanto Chefe de Estado, como tivesse de ser um fantoche para receber os partidos e proferir palavras simpáticas. Isso não acontece com outros governantes com responsabilidades semelhantes às de Cavaco Silva. Só em Portugal a convicção ideológica de um Presidente é censurada. 

Os baixos índices de popularidade não são nada comparados com as quatro maiorias absolutas conquistadas. Não acredito que a postura do próximo Presidente da República seja a mesma do actual. Nem Marcelo Rebelo de Sousa vai conseguir evitar meter-se na vida do governo e dos partidos. Durante o mandato, Cavaco Silva nunca se imiscuiu na política interna dos partidos, apesar de ter tentado que houvesse consensos, mas isso nunca foi possível devido aos egos das lideranças. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Nas mãos dos sindicatos

As últimas decisões políticas tomadas pelo governo socialista revela que o país, mas sobretudo o Partido Socialista, ficou nas mãos dos sindicatos. A reversão das privatizações dos transportes públicos, o fim dos exames do 4º ano e do modelo de avaliação dos professores e a reposição das 35 horas de trabalho na Função Pública são os exemplos mais recentes do poder que o PCP tem neste executivo. 

O PS não tem tido nenhuma palavra nestas questões, estando sujeito à vontade de um dos seus parceiros de coligação. O cancelamento das privatizações dos transportes públicos, em particular da TAP, é uma medida escandalosa que vai afastar os investidores internacionais do país. No entanto, António Costa vai ter que enfrentar a primeira greve no dia 29 de Janeiro. Ao contrário do que pensa, não será fácil lidar com os protestos na rua. Ainda por cima não podendo recorrer aos partidos da direita em caso de socorro. 

O mais preocupante é a forma como os ministros socialistas são manipulados pelos sindicatos, como é o caso do titular da pasta da educação. 

O país fica a perder com esta situação, mas é o Partido Socialista, sobretudo António Costa, as principais vítimas da influência que os sindicatos recuperaram. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Os partidos estão na campanha

Os líderes dos principais partidos decidiram ficar de fora da primeira volta da campanha presidencial para deixarem os candidatos assumirem a independência nesta fase. O surgimento de António Costa e Pedro Passos Coelho só deverá acontecer na segunda volta. Costa aparece de certeza porque vai declarar apoio formal ao candidato que conseguir evitar a eleição de Marcelo na primeira volta, enquanto Passos Coelho pretende obrigar o seu eleitorado a votar no professor. 

Os principais rostos de PS e PSD não estão na rua, mas a máquina não deixou os candidatos sozinhos. O PSD tem estado presente por via dos responsáveis distritais e concelhios. Por seu lado, os ministros de Costa, bem como as altas figuras do Partido Socialista também já manifestaram a intenção de voto, embora a divisão por dois candidatos não desfaça o enigma de saber qual será o voto do secretário-geral. No entanto, a posição tomada por Carlos César no fim-de-semana revela alguma coisa mais do que um simples apoio de um militante socialista. 

O único partido que se manteve afastado da campanha foi o CDS também por causa da recente posição assumida por Paulo Portas de deixar a liderança. A corrida à sucessão desviou a atenção dos militantes, embora não seja fácil a coabitação entre sociais-democratas e democratas-cristãos sem os respectivos líderes apelarem à união. 

A independência anunciada por Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa é falsa pelo apoio que estão a ter no terreno. O caso mais grave é do antigo reitor da Universidade de Lisboa que tem uma estrutura montada e financiada por ex-Presidente da República que pretende regressar a Belém de forma indirecta. 

Obama encosta Congresso às cordas, mas não convence o resto do Mundo


O último discurso do Estado da União por parte do Presidente Barack Obama revelou mais uma tentativa para pressionar o Congresso norte-americano a colaborar com o futuro Chefe de Estado, em particular se for Hillary Clinton. Obama encostou a Câmara dos Representantes às cordas e pediu que aprovassem os bombardeamentos à Síria, levantassem o embargo a Cuba e permitissem a aprovação do TTIP com os países do pacífico. Também houve apelos para um consenso sobre a questão das armas.

Não tenho dúvidas que os congressistas fizeram ouvidos de mercador à última tentativa de Barack Obama transformar os Estados Unidos. 

A forma como o presidente pintou o país em tons de cor-de-rosa engana qualquer analista ou cidadão. Os oito anos de mandato tiveram muitas imperfeições, embora a possível cura do cancro e o encerramento de Guantanmo iludam qualquer eleitor que depositou por duas vezes a esperança no actual presidente. No plano interno deixou muito a desejar porque a prioridade foi sempre a política externa. A economia norte-americana recuperou, mas não é a maior do mundo e na diplomacia os Estados Unidos perderam a supremacia no Mundo por culpa do actual Chefe de Estado. Ou seja, a influência conquistada por George W.Bush foi perdida nos últimos oito anos. O crescimento da Rússia, os falhanços na Síria e a instabilidade no Médio-Oriente, bem como o aparecimento da Coreia do Norte resultam da acção directa do actual inquilino da Casa Branca. O único aspecto positivo foi o acordo nuclear alcançado com o Irão e a aproximação ao regime cubano. Penso que é muito pouco para quem tem a intenção de liderar o mundo livre. 

As qualidades oratórias de Obama fazem-no um bom político capaz de convencer, o que acabou por acontecer por duas vezes. No entanto, não acredito que haja um lugar na história ao ponto dos próximos presidentes recordarem as políticas actuais. O presidente citou várias vezes Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt porque também pretende ficar na história. Neste último ano ainda tem tempo de encerrar a prisão mais famosa do mundo ou descobrir a cura para o cancro. Se conseguir pode ser que seja recordado pelos seus sucessores, já que, o seguro de saúde com o seu nome não é suficiente para figurar entre os melhores.  

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O passado também conta

O passado dos candidatos também vai a jogo nas eleições, sobretudo nas presidenciais porque as pessoas votam no perfil e não numa lista partidária. As discussões em torno da experiência política, ideias, cargos que ocupou, decisões tomadas têm de ser tidas em conta numa eleição presidencial. 

Nenhum candidato pode fugir às perguntas que são colocadas sobre o passado, seja político, empresarial, intelectual ou ético. Tudo tem de estar claro como a água para não haver dúvidas, sendo que ninguém vai colocar em causa a personagem que vier a ser Presidente da República durante os mandatos. 

Nestas eleições temos um confronto interessante sobre o passado dos principais candidatos. Marcelo é acusado de dizer contradições, Sampaio da Nóvoa não tem uma única ideia e Maria de Belém ocupou cargos públicos e privados no passado. Os temas revelaram as fragilidades dos concorrentes que querem vencer a corrida presidencial. No entanto, isso não foi suficiente para mudar o sentido do voto. Maria de Belém foi a única que conseguiu dissipar todas as dúvidas levantadas por alguns adversários nos debates. Marcelo não teve uma resposta eficaz nos momentos mais críticas e Sampaio da Nóvoa manteve-se calado. A forma como Marcelo Rebelo de Sousa ignora as questões do passado não lhe traz vantagens políticas, apesar dos números das sondagens. 

Se houver uma segunda volta os temas do passado estarão em cima da mesa, em particular no caso do antigo comentador. 

Normalmente assistimos a uma velha troca de ideias sobre o passado dos candidatos nas eleições legislativas. No entanto, a eleição presidencial continua a ser o palco principal para fazer jogo limpo.

Não há orçamento?

O governo tomou posse em Dezembro, mas ainda não sabemos por onde anda o Orçamento de Estado. A Comissão Europeia pretende que o executivo tenha o documento elaborado até final do mês, mas Costa pretende saber quem vai estar no Palácio de Belém. 

A promulgação do Orçamento sem necessidade de ir ao Tribunal Constitucional significa uma vitória dos partidos de esquerda. Ou seja, o primeiro-ministro não quer correr riscos de ter uma crise política, nem ser atacado pela direita porque foi solicitado a fiscalização preventiva do documento. Também tenho a certeza que os juízes do Palácio Ratton irão encontrar alguma inconstitucionalidade.......

Nesta fase, António Costa pretende dar solidez aos acordos que fez em Dezembro e não mostrar fragilidades para fora, já que, o novo inquilino de Belém não vai pactuar com indecisões. No caso de Marcelo Rebelo de Sousa chegar a Belém vamos ter o Chefe de Estado em cima do líder governativo. Na minha opinião, Costa já está a contar com isso. 

O adiamento das linhas gerais do orçamento não augura nada de bom porque a sua aplicação depende da forma como o Partido Socialista vai aceitar as exigências do Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português e evitar o primeiro confronto com Belém, independentemente de estar Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa ou Sampaio da Nóvoa na presidência. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Marcelo, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém retiram protagonismo ao actual governo

A principal questão em torno da eleição do novo Presidente da República é saber se vai demitir o actual governo em caso de instabilidade política entre os signatários do acordo parlamentar à esquerda. O problema não se coloca  no caso de um dos partidos retirar oficialmente o apoio ao governo de Costa. A partir desse momento acabou a actual legislatura e serão convocadas eleições legislativas.

Os candidatos não foram claros nos debates relativamente à preocupação. Apenas Henrique Neto e Paulo Morais disseram frontalmente que dissolviam a Assembleia da República se houver problemas. No entanto, os dois não vão ter acesso ao Palácio de Belém. Por seu lado, Marisa Matias e Edgar Silva tiveram de dizer por meias palavras que a governação poderia sofrer riscos se enveredar por caminhos contrários à ideologia dos candidatos. Isto é, se chegar a Belém propostas que não têm o apoio de PCP ou BE o veto será a arma utilizada para fragilizar o executivo, mas sem o fazer cair, diminuindo a possibilidade da direita sonhar com o regresso ao poder. 

Os três principais concorrentes optaram por um discurso moderado com apelos ao consenso e à "verificação das condições de estabilidade". Neste sentido, aquele que gera mais desconfiança é Marcelo Rebelo de Sousa por ser de direita e criar "factos políticos" que prejudiquem os socialistas. Sampaio da Nóvoa é mais aliado do actual executivo do que Maria de Belém. Nota-se uma abrangência do docente em relação aos partidos de esquerda, que a candidata do socialismo democrático não tem. 

Apesar das dúvidas em relação a Marcelo, não acredito que Costa consiga dormir descansado com Sampaio da Nóvoa em Belém. O professor foi lançado por algumas pessoas importantes da sociedade civil, mas dificilmente será um pau mandado do primeiro-ministro. A falta de experiência política e o desconhecimento da sociedade portuguesa obrigam-no a recorrer aos homens que estão por detrás da candidatura. Acredito que Sampaio da Nóvoa não tem capacidade para tomar decisões sozinho, faltando saber quem é o testa-de-ferra que o orienta. 

A eleição do novo Chefe de Estado vai ser um problema para António Costa, já que, nenhum parece gostar da actual solução parlamentar, de forma directa ou indirecta. Outro motivo tem a ver com o protagonismo do próximo Presidente. Não tenho dúvidas que Marcelo, António ou Maria pretendem trazer para si a condução da vida política do país nos próximos cinco anos, retirando ao governo poderes executivos, mas também mediáticos. 

Os bons políticos também emigram

A entrevista de António Guterres à RTP confirmou a vontade de alguns socialistas em contar com antigo primeiro-ministro para uma candidatura à presidência da República. No entanto, o ex-alto comissário das Nações Unidas para os refugiados não aceitou ser bandeira do partido liderado por António Costa. Não havendo Guterres, o PS avançou com Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. O combate entre Guterres e Marcelo seria bem interessante, já que, estariam em confronto duas pessoas com perfil indicado para serem chefes de Estado. Os dois cabem que nem uma luva no papel. 

As insistências não convenceram Guterres a regressar ao país que liderou durante seis anos entre 1995 e 2001. Também não vai estar na lista de espera para futuras eleições presidenciais. A entrevista foi esclarecedora sobre as pretensões do antigo chefe de governo, que rejeitou o regresso à vida política activa em Portugal. Os que têm sucesso lá fora dificilmente voltam a Portugal, sobretudo numa área dominada por pessoas que estão agarradas ao poder. Tendo em conta a palavra de Guterres, acredito que fala verdade, até porque, sentiu-se um certo desapontamento relativamente aos nossos principais actores políticos e à forma como se fez política em Portugal nos últimos anos. O descontentamento não atingiu apenas os cidadãos anónimos. Estamos a assistir a uma fuga dos nossos melhores políticos para o estrangeiro. Veremos se Durão Barroso também tem a mesma atitude. Por aqui se vê a degradação da actual situação política.

A ambição de Guterres passa por ser secretário-geral das Nações Unidas. Um cargo com mais prestígio do que ter de aturar as quezílias políticas dos nossos líderes partidários. 

domingo, 10 de janeiro de 2016

Crónicas do Dakar Dia 4



A equipa que veio de Guimarães para a América do Sul, bem como toda a caravana do Dakar efectuou um dia de descanso na localidade de Salta na Argentina. No entanto, Paulo Cardoso e os restantes elementos aproveitaram as belas paisagens de Uiuny, que se encontra a 4300 metros de altitude. O piloto português considera a "Bolívia é um dos países mais bonitos que encontrei no mundo devido à humildade e orgulho do povo nas tradições". 

A segurança dos concorrentes é a principal preocupação da organização. Por exemplo, as estradas com mais de 500 km são fechadas para a caravana fazer a ligação sem problemas e os carros estão sujeitos a fumigação. Nem tudo é mau porque as portagens são gratuitas. O aspecto mais realçado pelo piloto durante a travessia é o isolamento das vilas.

Pela estrada fora...


A campanha eleitoral começa após a primeira semana do ano ter sido marcada pelos confrontos televisivos. No entanto, ainda falta o debate com todos os candidatos que será realizado no dia 19, pelo que, só depois serão apresentadas as análises e resultados da prestação dos concorrentes. 

A partir de agora não interessam as ideias ou o passado, mas a capacidade de cada um conquistar as massas e o povo. Neste campo veremos quem tem capacidade para conquistar as multidões, esperando que a chuva não atrapalhe as tradicionais arruadas e os comícios. Nos próximos dias o que está em causa é a popularidade.

As caravanas eleitorais arrancam com destino ao Palácio de Belém.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Debates presidenciais: Maria de Belém vs Sampaio da Nóvoa

O debate entre Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém foi condicionado pela declaração de apoio a Carlos César ao antigo reitor da Universidade de Lisboa. A partir de agora começa a especulação sobre a participação de António Costa nesta intenção revelada pelo Presidente do partido. Aliás, o facto de Maria de Belém não se ter mostrado surpreendido diz tudo. O aparelho de Costa está com Sampaio da Nóvoa, pelo que, não será de estranhar uma maior mobilização junto da campanha do docente. 
A única novidade neste debate foi esta situação. Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém não mudaram o discurso, sobretudo após o confronto com o principal adversário dos dois. Não existem muitas diferenças entre os dois candidatos da área socialista. Apenas Maria de Belém é uma socialista, já que o reitor parece um liberal que congrega várias tendências. O próprio admitiu a integração de várias ideologias na sua campanha. 

A outra evidência é a colagem de Sampaio da Nóvoa ao discurso do governo, o que confere mais um argumento para pensar no apoio de António Costa. No entanto, não acredito que o docente acredite naquilo que está a dizer, embora sejam ideias vagas. 

Após o encerramento dos debates as duas candidaturas enfrentam o duro teste da mobilização na rua. Nesse aspecto não vão conseguir vencer Marcelo Rebelo de Sousa

Notas: Maria de Belém 3 Sampaio da Nóvoa 3

Crónicas do Dakar dia 3

Bolívia

A dureza da competição é um dos aspectos que marca o Dakar, desde que se mudou para a América do Sul. Os relatos de vários pilotos confirmam que as condições são iguais ou piores do que quando a prova se realizava em África. O percurso sul-americano não fica atrás. 

O clima também é um obstáculo que todos tem de ultrapassar. Paulo Cardoso confirma que as condições atmosféricas estão constantemente a mudar. A rapidez com que está um calor insuportável para depois estar numa "questão de minutos" é a principal característica da região onde se encontra a caravana, mais propriamente a Uyuni. No entanto, as belas paisagens valem mais do que a "dureza da prova". 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Debates presidenciais: Maria de Belém vs Marcelo Rebelo de Sousa

Um mau debate entre dois candidatos que se encontram nos primeiros lugares nas sondagens. Houve pouco tempo para as opções políticas e ideológicas porque as questões de comportamento, o passado e bocas da campanha ocuparam quase meia hora. Quem perde com isso são os indecisos que provavelmente não irão votar nestes dois, preferindo Henrique Neto ou Paulo Morais. 

Embora tenha estado melhor do que Sampaio da Nóvoa, Maria de Belém não conseguiu convencer os socialistas que vão ficar divididos até ao dia das eleições. O debate de amanhã entre os candidatos apoiados clandestinamente pela máquina socialista servirá de pouco, já que, o grande teste eram os confrontos com o principal favorito. Sampaio da Nóvoa saiu-se melhor do que Maria de Belém. A socialista entendeu que seria melhor falar sobre as qualidades de Marcelo do que das ideias políticas que tem para o país. Ou seja, deixou as propostas em casa porque quis imitar a estratégia utilizada pelo docente universitária no dia anterior. Marcelo esteve bem na resposta, mas envolveu-se demasiada com a sua adversária. 

A esperança de Maria de Belém ser melhor do que Marcelo Rebelo de Sousa terminou neste debate.

Notas: Maria de Belém 2 Marcelo Rebelo de Sousa 2

A última oportunidade para Jeremy Corbyn

A recente remodelação do governo sombra operada por Jeremy Corbyn constitui a última oportunidade para o líder trabalhista ganhar apoio dentro do partido e no seio dos deputados parlamentares. A única forma do trabalhista vencer as eleições legislativas de 2020, mesmo sem a recandidatura de David Cameron, passa por colocar as principais figuras ao seu lado. No entanto, a tarefa não será fácil porque, desde a eleição em Setembro do ano passado, as críticas e os actos de discordância têm sido inúmeros. 

A massiva votação de deputados trabalhistas a favor dos bombardeamentos britânicos na Síria foi o primeiro momento de tensão da actual liderança. Corbyn teve de engolir perante o país o voto contra do ministro sombra dos Negócios Estrangeiros, embora Hillary Benn tenha sobrevivido à mais recente remodelação. 

A troca de pastas não caiu bem em alguns deputados que se demitiram por solidariedade com os colegas destituídos. Há cada vez mais facções contra a liderança de Jeremy Corbyn, sendo que a demonstração no parlamento britânico do desagrado desfavorece as hipóteses de uma eventual vitória nas eleições locais que se realizam em Maio. Numa altura em que a posição de Cameron será questionada por causa do referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia, Corbyn tem tudo para ganhar votos, mas só vai conseguir credibilidade junto da população se acertar na nova composição dos ministros sombras. Se não acontecer uma vitória, por mais pequena que seja, no Verão deverá iniciar-se um processo eleitoral no partido. Nem Ed Miliband teve problemas desta natureza ao longo do mandato. 

As constantes críticas de Tony Blair não ajudaam. É verdade que o antigo primeiro-ministro britânico não tem sido amigo dos líderes que lhe sucederam no Labour, mas existem razões para criticar duramente a actual liderança. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Debates presidenciais: Marcelo Rebelo de Sousa vs António Sampaio da Nóvoa

A estratégia de Marcelo para o debate com o principal adversário resultou. Pela primeira vez vimos um candidato mais incisivo, decisivo e explorando as fraquezas do rival, já que, o segundo ou terceiro lugar nas sondagens a isso obrigava. A questão que se prende é saber se vamos ter esta atitude positiva em Belém ou uma postura zizagueante. 

O único propósito do social-democrata foi colocar a nú António Sampaio da Nóvoa. Henrique Neto já tinha criticado a falta de ideias, conhecimento e estaleca do reitor da Universidade de Lisboa, mas Marcelo conseguiu ir mais longe, porque Sampaio da Nóvoa acabou por confessar que só se candidatou à presidência da República devido a pressões, sobretudo de vários socialistas conhecidos, em particular os três antigos Chefes de Estado. Ainda falta sabermos se António Costa prometeu apoiá-lo nesta corrida, mas isso talvez fiquemos a saber no debate com Maria de Belém no sábado. Marcelo vence porque não ficou no NIM, o que causou irritação a Sampaio da Nóvoa, embora tenha tentado pegar nestas indecisões, mas o comentador estava muito bem preparado para o principal confronto. 

Notas: Marcelo Rebelo de Sousa 4 António Sampaio da Nóvoa 1

Passos condiciona adversários políticos

O dia de reis ficou marcado por mais um momento de confusão sobre quem é o verdadeiro primeiro-ministro de Portugal. A tradição manda que as Janeiras sejam cantadas no Palácio de Belém e na residência oficial do primeiro-ministro em São Bento. No entanto, o líder da oposição também foi brindado com o momento cultural. Talvez porque gostava muito da tradição, mas a presença da comunicação social levanta mais questões. Passos Coelho quer mostrar para fora quem é o verdadeiro chefe de governo. Ou seja, qual é o primeiro-ministro escolhido pelos portugueses. O líder social-democrata tem tido alguns momentos legítimos para não ficar atrás de António Costa em termos mediáticos, já que, faz questão de ter os media consigo. 

Passos Coelho tem noção que os portugueses escolheram-no para ser primeiro-ministro, embora com políticas diferentes. A esquerda e António Costa não deixaram que isso acontecesse. Por estas razões, não haverá uma saída limpa por parte do líder social-democrata que deverá ser reeleito em Março. As directas ocorrem no mesmo dia da posse do novo Presidente da República. O PSD de Passos Coelho não deixa nada por acaso, condicionando a agenda política. Isto é, os vídeos de Natal, o encontro em Bruxelas na estreia de António Costa no Conselho Europeu e agora com o cumprimento da tradição de cumprir as Janeiras, são preparados para atrair atenção mediática. 

A pressão sobre Marcelo Rebelo de Sousa também já começou. O docente ainda não foi eleito Presidente da República, mas Passos já começou a marcar terreno.  

Debates presidenciais: Paulo Morais vs Henrique Neto

A melhor frase dos debates presidenciais pertence a Paulo Morais, que acusou José Sócrates de ser uma das caras da corrupção em Portugal. Veremos quantos votos vale a declaração proferida no último confronto antes da campanha eleitoral. No entanto, ainda houve tempo para acusar também o regime angolano e brasileiro de corrupção. Paulo Morais termina o ciclo de confrontos em beleza, disparando para todo o lado. O julgamento será feito no dia 24 de Janeiro, já que, o candidato confirmou não transformar os votos conquistados num partido político para concorrer às legislativas. Quem quiser seguir os conselhos do antigo autarca tem que se dirigir ao Ministério Público a partir de dia 24. 

Henrique Neto também vai terminar a vida política activa daqui a duas semanas. O socialista foi uma lufada de ar fresco, defendendo os valores da esquerda democrática. Não se percebe como Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa tiveram mais apoios de socialistas do que o antigo deputado. 

Os dois responderam concretamente a perguntas como a entrada da Guiné-Equatorial na CPLP e o acordo ortográfico. As respostas são importantes para quem vai votar porque garante credibilidade e certeza. Tenho algumas dúvidas que os candidatos do sistema apontados por Henrique Neto e Paulo Morais sejam honestos nas respostas. 

Notas: Henrique Neto 3 Paulo Morais 3

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Debates presidenciais: Paulo Morais vs Marcelo Rebelo de Sousa

Os dois homens mais à direita destas presidenciais estiveram de acordo em quase todas as matérias, mostrando apenas diferenças nas formas de actuação. Paulo Morais defendeu bem a sua causa, conseguiu convencer os que duvidavam do discurso apelidado de protesto. Contudo, a campanha na rua é bem diferente daquela que se fez até agora, já que, a falta de público ou manifestações de massa vai fazer a diferença na hora de colocar as peças nos telejornais e nas capas da imprensa escrita. Marcelo sente-se mais à vontade na estrada do que nos debates televisivos. 

O antigo líder social-democrata também pretende alterar o sistema, mas não o faz com a mesma ousadia que Paulo Morais. A questão é saber se não pode ou não quer fazer para não prejudicar a eleição. No dia da eleição veremos se as pessoas ainda votam na frontalidade ou no politicamente correcto. Penso que a maioria ainda dará uma segunda oportunidade aos candidatos mais moderados, mas haverá muitos votos que se destinam aos novos políticos. 

Notas: Paulo Morais 3 Marcelo Rebelo de Sousa 3

Debates presidenciais: Marisa Matias vs Edgar Silva

A última aparição de Marisa Matias e Edgar Silva nos confrontos. Agora os dois só voltam à televisão para o debate com todos os concorrentes. A campanha sai dos ecrãs para a estrada, onde o contacto com a população vai ser um bom teste para perceber como correram os debates. 

Os dois candidatos apoiados por partidos que deram a possibilidade de António Costa formar governo não têm as mesmas ideias, nem sequer seguem as regras partidárias.No entanto, se seguem, o país tem que estar preparado para eleições porque não há um consenso sobre as principais matérias. Marisa Matias não aprova orçamentos que roubem salários aos trabalhadores e Edgar Silva pretende influenciar o primeiro-ministro para convocar um referendo sobre a saída do Euro. O problema não tem a ver com os actuais candidatos a Belém, mas com as lideranças que suportam o governo socialista. No entanto, Edgar e Marisa estão nesta campanha eleitoral para dar voz às agendas do Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português. O único aspecto que se salva é a frontalidade com que abordaram os temas colocados nos debates. A eurodeputada foi uma boa surpresa e certamente terá novos cargos. Edgar Silva deverá ter finalizado a sua carreira política. 

Notas: Marisa Matias 3 Edgar Silva 3

A força da oposição interna

A oposição interna dentro de um partido político, mesmo que esteja no executivo é sempre bem vinda. Nenhuma organização consegue sobreviver sem críticas ou discordâncias. O que se tem passado em Portugal nalguns partidos, nomeadamente no CDS, acaba por criar uma unanimidade falsa em torno do líder. A partir do momento em que a figura mais importante sai de cena, aparecem inúmeras tendências que estavam adormecidas, mas podem acabar por dividir o partido na hora de escolher o rumo para o futuro. 

A maioria absoluta conquistada o ano passado pelo Partido Conservador nas eleições legislativas não significou a aclamação em torno de David Cameron. Um número importante de deputados e não só sempre esteve contra a permanência do Reino Unido na União Europeia. O pequeno, mas relevante grupo obrigou o primeiro-ministro a encetar negociações com a Europa, convocar um referendo e permitir aos ministros fazerem campanha por qualquer dos lados. O líder do partido não teve outro remédio senão aceitar, mesmo tendo o poder dentro e fora da Câmara dos Comuns. 

Na campanha eleitoral norte-americana também assistimos a uma proliferação de candidatos no Partido Republicano. 

Normalmente as oposições internas nos partidos escondem-se durante algum tempo e só aparecem quando o líder perde eleições ou finaliza o mandato. O bom exemplo no Reino Unido nunca poderia ser aplicado em Portugal, já que, ninguém tem coragem de enfrentar o poder instituído com medo de ser afastado. No nosso país não existe esta prática de fazer oposição interna sob pena de ser considerado contestatário ou ter como único objectivo a conquista do poder. Como se vê no Reino Unido, os conservadores eurocépticos só pretendem margem para debater uma questão importante. 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Debates presidenciais: Paulo Morais vs Sampaio da Nóvoa

Os dois candidatos confirmaram as tendências verificadas nos debates iniciados no dia 1 de Janeiro. Paulo Morais fala aquilo que os portugueses querem ouvir, enquanto Sampaio da Nóvoa insiste na magistratura de influência, talvez para imitar Marcelo Rebelo de Sousa. O número de vezes que o antigo autarca do Porto repete a palavra corrupção é o mesmo que o antigo reitor da Universidade de Lisboa fala em esperança. Ora, Paulo Morais afirma que sem acabar com a corrupção não há esperança. No entanto, vimos Paulo Morais sem medo de dizer se promulga ou não diplomas, como aconteceu nas perguntas colocadas sobre o Orçamento de Estado. Os candidatos menos favoritos já perceberam que é uma vantagem dizerem aquilo que pensem em vez de se refugiarem no politicamente correcto. 

Outro ponto favorável ao portuense é o conhecimento seguro do texto da Lei Fundamental, o que não acontece com Sampaio da Nóvoa. O docente só fala na carta de princípios que são responsáveis pelo discurso vago. 

Notas: Paulo Morais 4 Sampaio da Nóvoa 1

Debates presidenciais: Marisa Matias vs Henrique Neto

Nenhum dos candidatos mostrou diferenças ideológicas profundas, mas apresentaram soluções concretas em diversos temas como a relação com a Europa e a questão da dívida. Um candidato a Presidente da República não se pode esconder neste fato para não responder às questões que os portugueses querem esclarecidas. Isso é o que tem acontecido com Marcelo Rebelo de Sousa, Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa, que nem sequer comentam se estão ou não de acordo com algumas acções do actual Chefe de Estado. 

A cobardia política de alguns candidatos tem sido uma característica notada nestes debates, o que não acontece com Marisa Matias e Henrique Neto. Tenho a certeza que os dois irão subir nas sondagens após os confrontos porque a campanha na rua vai ser mais acompanhada. 

Uma nota positiva para a forma como Henrique Neto, apesar de ser socialista e ter uma idade avançada, continua com uma visão adequada do país e da sociedade em que vivemos. 

Notas: Marisa Matias 3 Henrique Neto 4

Debates presidenciais: Marcelo Rebelo de Sousa vs Edgar Silva

As profundas diferenças ideológicas entre Marcelo Rebelo de Sousa e Edgar Silva não provocaram um debate vivo e interessante. A principal razão do esmorecimento geral tem a ver com desilusão em torno da forma como Marcelo se tem apresentado nos confrontos. Edgar Silva também não tem encantado com a defesa dos valores de Abril porque já lá vão mais de 40 anos....

O pouco tempo de debate também não permite divulgar ideias porque os candidatos perdem-se em explicações perante as perguntas directas dos bons jornalistas que moderam os debates nas três televisões. A verdade é que Marcelo não se sente bem com as críticas de que é alvo, já que, as respostas são imensamente longas para baralhar o adversário e os telespectadores. Por causa disto, Marcelo será o próximo Presidente da República, embora os debates lhe retirem alguns votos. 

A única novidade está relacionado apenas com o decréscimo de qualidade do social-democrata. No entanto, nos debates contra os principais concorrentes, que deverão ser mais longos, não tenho dúvidas que Marcelo vai ser melhor. Curioso verificar que os candidatos de esquerda têm colocado mais problemas ao invencível professor. 

Notas: Marcelo Rebelo de Sousa 3 Edgar Silva 3

Crónicas do Dakar Dia 2


A organização de uma prova como o Dakar envolve 22 mil pessoas, sendo que no Bivouake estão mais de 3 mil. As regras têm de ser escrupulosamente cumpridas por parte de todos os pilotos para não existirem problemas relacionados com a segurança. A equipa portuguesa que acompanhamos ficou impressionada com a "boa organização", embora realcem a necessidade de existir mais apoios aos estreantes. Paulo Cardoso confirma que "o acampamento é desmontado quando saímos e na chegada já está tudo montado". 

O excesso de velocidade em algumas zonas coloca os pilotos mais atentos devido às punições, que vão desde uma multa de 500 euros à expulsão da prova no caso de se receber um segundo aviso. 

O fraco acesso à internet é mais uma queixa da nossa equipa, mas a paixão pela aventura vale mais do que qualquer partilha no facebook.

O primeiro confronto entre Ted Cruz e Marco Rubio


A campanha para as presidenciais norte-americanas tem início no dia 1 e 9 de Fevereiro no Iowa e New Hampshire. Ainda falta um mês, mas os candidatos já estão nos dois Estados para conquistarem o maior número de votos. 

O tema do combate ao terrorismo e a segurança interna será uma constante ao longo das primárias, mas também na eleição geral em Novembro. Neste aspecto existem diferenças substanciais, sobretudo entre os republicanos, o que vai enriquecer o debate no mês que falta para as primeiras eleições. As posições dos favoritos Ted Cruz e Marco Rubio são diferentes, pelo que, os eleitores não terão dificuldade em votar. Tal como acontece com Trump, os concorrentes assumem as convicções ideológicas e pessoais sem medo. 

A eleição republicana no Iowa e New Hampshire deverá ser decidida entre Cruz, Rubio e Trump. Os senadores do Texas e Florida estão em campos opostos relativamente à forma como os Estados Unidos devem intervir na Síria, bem como na vigilância aos potenciais terroristas em território norte-americano. 

Ted Cruz defende a manutenção de Assad no poder, enquanto Marco Rubio pretende a saída do ditador. No plano interno, o senador da Florida exige maior controlo na vigilância, admitindo restringir algumas liberdades. Estamos perante um debate interessante que também se coloca na Europa. Nota-se que os candidatos não tratam o assunto com meias palavras. 

Neste momento a saída de Assad não resolve nada além de só criar problemas na região e aumentar a influência do Estado Islâmico. Os Estados Unidos também não têm o direito de decidir o futuro político do país, sendo que a Rússia e as potências regionais não irão aceitar decisões provenientes da Casa Branca. No entanto, é necessário continuar a ofensiva militar contra os grupos terroristas. Por fim, as liberdades dos cidadãos podem e devem sofrer alterações por motivos de força maior, como acontece quando estamos perante uma ameaça terrorista. 

Os eleitores republicanos do Iowa e New Hampshire já sabem como escolher dentro de um mês. A opção só pode recair em Ted Cruz ou Marco Rubio. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Debates presidenciais: Edgar Silva vs Sampaio da Nóvoa

O pior debate de todos ocorreu entre Sampaio da Nóvoa e Edgar Silva. Os dois disseram praticamente a mesma coisa durante a meia-hora do confronto. Ou seja, não foi um verdadeiro confronto, mas uma dissertação de pensamentos. Neste aspecto, o comunista tem mais do que o professor universitário. Nota-se que Sampaio da Nóvoa é um homem que foi colocado num ambiente errado. O culpado chama-se António Costa que lhe deu apoio, tendo retirado o apoio mais tarde. Talvez com um aparelho partidário, o docente da Universidade de Lisboa chegasse à segunda volta. 

O que mais causa dó no candidato dito independente é não ter uma única resposta sem ter que recorrer a opções de anteriores presidentes, por sinal aqueles que lhes deram apoio e mantêm vivo a candidatura. Nem a carta de princípios ou as causas que apresentou hoje à tarde lhe vão salvar de uma banhada. O problema é que o Partido Socialista vai ficar dividido por causa disto.

Notas: Edgar Silva 2 Sampaio da Nóvoa 2

Debates presidenciais: Marisa Matias vs Marcelo Rebelo de Sousa

As convicções pessoais são essenciais para o exercício do cargo de Presidente da República, em particular quando se concorre. Não há melhor maneira de avaliar um concorrente do que saber as ideias, projectos, formas de actuação e algumas questões pessoais. Ora, Marcelo Rebelo de Sousa vestiu a pele de Chefe de Estado para fugir à questão sobre o que faria se tivesse em cima da mesa o diploma que acaba com as taxas moderadoras para pessoas que vão abortar. Um candidato tem de ser mais consistente e dizer o que pensa, além de não poder meter-se na pele de vencedor sem ter ganho nada. Não percebo porque razão Marcelo inventa discursos na questão do aborto e na solução apresentada para o Banif não tinha problemas em promulgar o orçamento rectificativo. 

A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda puxou pelas contradições do professor neste assunto e na questão do Banif, tendo obtido melhores resultados do que Henrique Neto.

Uma nota para o facto de Marcelo Rebelo de Sousa estar quase sempre calado nos debates, procurando que seja o adversário a puxar pelos temas mais controversas para depois desferir o golpe por via de uma resposta fatal.

Notas: Marisa Matias 3 Marcelo Rebelo de Sousa 3

Debates presidenciais: Henrique Neto vs Maria de Belém

A estratégia de Henrique Neto para os confrontos com os principais candidatos passa por evocar o passado dos mesmos para arranjar motivo de conversa ou telhados de vidro, como aconteceu com Maria de Belém. As funções da antiga ministra enquanto presidente de uma comissão parlamentar de saúde com as de consultora no Grupo Espírito Santo. Ora, mesmo que tenha cumprido a lei fica a questão da ética, como bem analisou o socialista. 

A falsa independência partidária da antiga ministra também foi bem aproveitada pelo ex-deputado no primeiro mandato de António Guterres. Maria de Belém não vai conseguir disfarçar o mau estar por estar ligada a uma vontade expressa por alguns socialistas que não queriam Sampaio da Nóvoa. A questão vai ser mais explorada no debate entre Belém e o antigo reitor. Henrique Neto deu apenas o pontapé de saída. 

O único que conseguiu responder à altura das dúvidas colocadas pelo empresário foi Marcelo Rebelo de Sousa. Veremos se os candidatos apoiados pelo PCP e Bloco de Esquerda terão a mesma astúcia perante os três principais favoritos. 

A socialista denota falta de ideias e respostas concretas, preferindo não se comprometer com uma eventual dissolução do parlamento se for eleita Presidente da República. O problema é que já percebemos que Maria de Belém não é a pessoa pacificadora que a sua imagem aparenta. Como não irrequieto ou traquina como Marcelo Rebelo de Sousa já não existe perigo de dissolução iminente. Por estas razões, Henrique Neto tocou várias vezes na questão da verdade e da ética, além de ter dito que poderia dissolver a Assembleia da República antes de terminar a actual legislatura. 

Notas: Henrique Neto 4 Maria de Belém 2

O medo na Europa

O cancelamento de vários espectáculos que assinalaram a passagem de ano em Bruxelas e Paris, bem como o alerta terrorista em Munique são sinais preocupantes. A Europa entrou no novo ano com medo do terrorismo, enquanto em outras zonas do globo, nomeadamente na América do Sul e na Ásia não houve qualquer tipo de preocupação. 

O clima de medo e insegurança transferiu-se do Médio-Oriente para a Europa. Isto é, 2016 pode vir a ser marcado pelo maior controlo das liberdades e garantias dos cidadãos, sendo que, iremos ter conhecimento de atentados que foram evitados por parte das forças de segurança. O conflito no Médio-Oriente só tem agravado a segurança no território europeu. No entanto, a recente morte de dez líderes do Estado Islâmico nos bombardeamentos internacionais é uma boa notícia, já que, os operacionais na Europa ficam sem cabecilhas. 

O ano que começa agora não será fácil para os europeus que prezam a liberdade de circulação e movimentos, mas existem valores mais altos que têm de ser preservados. Acredito que se trata de uma situação temporária, já que, a capacidade militar das grandes potências é maior do que a local. No entanto, nota-se um estado de espírito diferente nesta parte do globo. 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Debates presidenciais: Marisa Matias vs Maria de Belém

O único embate entre as duas candidatas à presidência da República saldou-se num empate técnico, embora Marisa Matias seja mais convicta na defesa das propostas que apresenta. Maria de Belém tenta colar-se ao centro-esquerda, mas sem a habilidade intelectual de Marcelo Rebelo de Sousa. Por esta razão, a candidatura da socialista não vai vingar, sendo previsível que fique com pouca vantagem sobre Sampaio da Nóvoa. A ex-deputada fala muito da sua personalidade e pouco das ideias que tem. Ao invés, a eurodeputada mostra convicção naquilo que defende, bem como qual deverá ser a postura de um Chefe de Estado. 

Curioso o discurso de Maria de Belém sobre a experiência social, como se o Presidente da República tivesse que ser um homem do povo. Contudo, a socialista tem tido uma posição de estadista nesta campanha que não a favorece.

A provável vitória esmagadora de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta explica-se por estas razões.

Notas: Marisa Matias 3 Maria de Belém 3

Debates presidenciais: Marcelo Rebelo de Sousa vs Henrique Neto

O terceiro dia de debates marcou a entrada de Marcelo Rebelo de Sousa em cena. O confronto entre o professor e Henrique Neto foi gigante, já que, assistimos a um duelo com dois homens inteligentes, mas com capacidades mediáticas diferentes. O socialista fez bem em puxar a questão da ajuda por parte da comunicação social a Marcelo Rebelo de Sousa. No entanto, o social-democrata respondeu muito bem, à semelhança do que aconteceu nas entrevistas individuais. A prontidão da resposta é uma característica que distingue o ex-comentador de todos os outros. Deve ser por essa razão que não leva papel nem caneta. 

Os dois apresentaram diferenças ideológicas e de personalidade, o que para uma corrida presidencial é muito importante. Henrique Neto voltou a frisar que tem capacidade extraordinárias de previsão e Marcelo é o homem do consenso. A razão pela qual Sampaio da Nóvoa não sai dos míseros 15% para quem tem o apoio de três ex-Chefes de Estado passa por não saber transmitir ou não ter uma característica que o defina para ser Presidente da República. Neste aspecto, Henrique Neto tem-se saído melhor nos debates, como ficou provado no confronto com o académico socialista. 

Na primeira aparição, Marcelo Rebelo de Sousa mostra que está à frente de todos os outros, sendo que vai dar um baile a Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. 

A coerência nas ideias e no discurso foi mais uma nota dominante neste interessante duelo entre dois pensadores. 

Notas: Marcelo Rebelo de Sousa 4 Henrique Neto 3
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