segunda-feira, 30 de maio de 2016

A instabilidade de Marcelo

A constante repetição da palavra estabilidade por parte do Presidente da República levanta dúvidas sobre o futuro político após as autárquicas. Antes das eleições não faz sentido haver ruptura na maioria parlamentar porque também é necessário cumprir com o prometido. Além disso, Marcelo não vai deixar Costa provocar um golpe palaciano se os números começarem a baixar. 

O problema será depois, tendo em conta os resultados. Os dois principais partidos disseram que uma vitória será ter a liderança da ANMP e da ANAFRE, pelo que, só um vai triunfar. No entanto, pode acontecer que um conquista a ANMP e o outro a ANAFRE. Nessa situação, os dois podem reclamara vitória.

A partir desse momento haverá um desejo de mudança por parte de Marcelo, mas não só no governo. Nessa altura Passos Coelho vai novamente ter eleições internas, pelo que, talvez o Chefe de Estado queira influenciar as directas do PSD em 2018. Não tenho dúvidas que o Presidente quer influenciar a política a nível do governo e partidos. Ora, os sinais de estabilidade significa que vamos ter instabilidade por culpa de Marcelo. As vozes críticas sobre os constantes recados indirectos não deixa dúvidas sobre as pretensões. Tenho a certeza que Marcelo quer ser mais do que Presidente porque pretende governar o país.

A imprevisibilidade do candidato deu lugar à instabilidade em pouco mais de três meses no Palácio de Belém.


domingo, 29 de maio de 2016

Olhar a Semana - Receber os turistas com obras

As recentes obras iniciadas pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, são uma forma de eleitoralismo que prejudica a vinda de mais turistas. Não se percebe porque razão o autarca decidiu fazer de Lisboa um estaleiro. Não fazia mal fazer obras em determinados pontos da cidade de forma faseada, mas mudar o figurino da cidade a um das eleições levanta sempre a suspeita. 

Os milhares de turistas que chegam à capital não devem gostar de ver zonas como a zona ribeirinha ao pé do Cais do Sodré em obras, ao mesmo tempo que têm de aturar o mesmo filme em outras zonas da cidade. Seria mais inteligente fazer uma coisa de cada vez, mas Medina é exactamente como António Costa. Tem medo de perder eleições. O mais curioso é verificar o percurso do actual autarca. Medina também é comentador televisivo enquanto gere uma Câmara Municipal. As coincidências com o actual líder socialista são muitas. É impressionante como alguém consegue ser Presidente da Câmara e comentador da actualidade política. Não há dúvida que Costa actua sempre em primeiro lugar pelos interesses partidários ao colocar Medina como delfim. No entanto, o país verga-se à tomada de poder de um dos políticos mais fracos que Portugal conheceu desde a implantação da República. 

Após as eleições de 2017 não tenho dúvidas que iremos começar a ouvir notícias sobre uma eventual sucessão à liderança do PS por parte de Medina. Nessa altura Costa não vai gostar...

sábado, 28 de maio de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump - O empresário alcançou a nomeação oficial para ser o candidato do Partido Republicano nas eleições gerais em Novembro. No futebol costuma-se dizer que uma equipa ganha "contra tudo e todos". O mesmo se pode aplicar à forma como Trump conquistou a nomeação. Uma grande caminhada de uma pessoa que só construiu sucesso no ramo empresarial e com poucas ideias políticas.

No Meio

União Europeia - As Instituições Europeias pretendem dar um impulso importante no desenvolvimento da tecnologia com a criação de plataformas online europeias. Uma forma de fazer concorrência aos adversários norte-americanos que conquistaram os utilizadores europeus. A União Europeia precisa de apostar noutras áreas que não as habituais.

Em Baixo

António Costa - Um primeiro-ministro mal preparado, que não capta a atenção da audiência nunca é levado a sério. O chefe do governo tem dificuldades em ser ouvido na Assembleia da República, não sabe responder a todas as questões, além de se enganar nos tratamentos formais. Costa não teve tempo de aprender porque quis ser o primeiro à força. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ganhou Trump

A nomeação oficial de Trump só surpreende os que não acompanharam as primárias. Ao longo do percurso, o empresário ganhou popularidade apesar das propostas polémicas. No entanto, Trump era de longe o melhor candidato republicano, não tendo dificuldades perante o homem do Tea-Party nem de três candidatos apoiados pelo establishment. As adversidades ao longo do caminho também foram muitas, sobretudo por parte do actual presidente norte-americano que desconsiderou o concorrente. Obama engoliu em seco e agora tem de o respeitar. Também por esta razão o Chefe de Estado irá anunciar publicamente o apoio a Clinton o mais rapidamente possível. 

As primárias foram fáceis, mas a eleição geral vai ser bem mais complicada porque Trump vai ter que deixar cair algumas propostas. Isso acontece sempre em política, embora nos Estados Unidos as mudanças de posições não são encaradas da mesma forma que nos países europeus. Os que acreditam nas medidas não se vão sentir representados e podem não votar, não sendo plausível que optem por colocar a cruz em Hillary Clinton. 

A escolha de Trump passa por ceder nalguns pontos para ter o apoio do Partido Republicano. Contudo, as declarações de algumas figuras importantes são sinal de que nem todo o aparelho irá estar ao seu lado. Nesta equação Trump mantém a mesma linha de pensamento. 

Neste momento, importa destacar a vitória de alguém que começou a campanha praticamente do zero. 


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Governo não sabe lidar com a malta que não quer trabalhar

O governo não tem conseguido evitar a fúria de alguns sectores da Administração Pública que não foram beneficiados com a mudança de políticas. Os sindicatos não perdoam a falta de promessas, mesmo com o PCP a segurar António Costa.

A insatisfação acontece em vários sectores, menos na educação onde Mário Nogueira e Tiago Brandão Rodrigues levaram à demissão de um secretário de Estado. Nos restantes, com a CGTP à cabeça o executivo não encontra soluções para as reivindicações. O caso dos estivadores é um sinal de como não existe capacidade governamental para resolver o problema. Costa não estava à espera de contestação porque tem o PCP e a CGTP a seu lado, mas também devido à forma como tem de contornar as imposições de Bruxelas. Neste momento, quem sofre com os cortes são as bolsas para a investigação e os colégios privados. É sempre preciso ir buscar dinheiro a algum lado, embora de forma diferente do que fizeram Passos e Portas. 

Por aqui se vê que estamos perante um governo fraco com ministros que não sabem lidar com o poder dos sindicatos. Como Costa não abdica dos acordos parlamentares, os governantes com menos paciência para aturar as forças sindicais terão vida curta neste executivo, o que causa problemas para o primeiro-ministro. Por causa disto, Costa está entre a espada e a parede. 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Referendo histórico

O Reino Unido prepara-se para um referendo histórico no dia 23 de Junho. O dito "Brexit" vai mudar o país no plano interno e externo. Nada será com dantes, sobretudo ao nível das relações com os restantes países europeus. Após a consulta no Reino Unido haverá outros países que irão tomar a mesma decisão de colocar sob escrutínio a manutenção na União Europeia, até chegar o dia em que o clube europeu irá perder um membro. Não será isso que vai desequilibrar a união, mas o problema tem a ver com a reacção.

O Reino Unido, através da habilidade política de David Cameron, conseguiu excelentes condições para o país, em termos de soberania. No plano económico, os ingleses continuam fora do Euro e sem terem que ajudar outros que estejam em situação de bancarrota. Em troca disso, o Reino Unido continua a participar nas grandes questões europeias. 

O eurocepticismo britânico nunca vai acabar como acontece noutros países do norte da Europa. No entanto, o desenvolvimento do país é bem diferente do resto do continente, tirando algumas potências como a Alemanha. O problema dos britânicos tem a ver com a falta de poder devido à influência da Alemanha, embora a maior parte dos políticos, Cameron incluído, trabalha mais para a população do que a pensar no bem comum em termos europeus. O que distinguiu os líderes britânicos dos restantes foi terem colocado em primeiro lugar o Reino Unido e não a Europa. Por exemplo, os alemães e franceses têm mais sentido colectivo. 

Nos próximos dias vamos assistir a um confronto entre os que defendem a manutenção da soberania inglesa contra os que pretendem mais poder para o Reino Unido mesmo integrado na União Europeia. Ou seja, o que está em discussão não é exigir mais influência nas instituições europeias ou integrar a dupla França-Alemanha. O que estará em cima da mesa, dos dois lados, são a protecção dos interesses britânicos dentro ou fora da União Europeia. Por estas razões, a campanha será interessante porque as questões europeias não vão ser o foco principal dos apoiantes do Brexit e do Bremain, o que demonstra o nível de eurocepticismo que perdura em Terras de Sua Majestade.  

terça-feira, 24 de maio de 2016

Trump e Clinton rompem com a missão de Obama

A política externa de Obama tem acentuado no diálogo e diplomacia. Não podia ser de outra maneira, tendo em conta a forma como George W.Bush encarou os inimigos. No entanto, o actual presidente não tem perdoado algumas acções dos regimes russos e sírio. 

Os melhores resultados de Barack Obama na política externa foram em Cuba, no acordo nuclear iraniano e agora na recente visita ao Vietname. A aproximação à Ásia em detrimento do reforço das relações com a Europa é mais um aspecto do legado que termina no final do ano. 

A mudança de inquilino na Casa Branca também terá repercussões nas prioridades a nível de política externa. Ora, não acredito que Trump e Hillary sejam mansinhos a lidar com os inimigos clássicos dos Estados Unidos. O problema é que tanto um como o outro terão de lidar com a ameaça norte-coreana que nasceu nos últimos anos. A personalidade de Clinton não vai permitir ao regime cubano continuar a fingir que fazem reformas políticas e os iranianos estarão sob alerta máximo. Por seu lado, Trump vai fazer uma caça ao Estado Islâmico até o grupo estar derrotado, mas sem incomodar Bashar al-Assad. Se o empresário for eleito a Europa pode esquecer que tem um aliado nos próximos quatro anos. Contudo, quem tem de se preocupar mais são os vizinhos mexicanos e as empresas estrangeiras. 

A exigência e a dureza nas palavras são as principais características da política externa norte-americana que entra em vigor no próximo ano. O problema será manter a unidade nacional caso as divisões continuem a ser muitas como acontece nos últimos anos com Obama. Apesar das dificuldades, o Chefe de Estado conseguiu construir pontes importantes que vão permitir aos Estados Unidos entrar em sociedades hostis como a cubana e a iraniana. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

O futuro das relações internacionais

A movimentação de pessoas, bem como os problemas de natureza global necessitam de um resposta conjunta e não isolada de cada país. Os Estados não têm capacidade política e financeira para resolverem situações sozinhos. Isto é, não são independentes quando tomam decisões.

Ao longo dos últimos anos temos vindo a assistir ao nascimento de vários blocos como forma de resposta aos problemas globais. Por exemplo, na União Europeia dificilmente se resolvem as questões da crise económica, terrorismo e segurança se cada um actuar sozinho. A cooperação e a união de esforços é cada vez mais importante. Por estas razões, a Europa também se começa a relacionar com os outros países de forma conjunta. 

No futuro será difícil que as relações bilaterais sejam apenas estabelecidas entre dois países. Não faz sentido que Portugal e o Paraguai se reúnam sem ser no âmbito das organizações internacionais que integram porque o interesse do nosso país é o mesmo da Espanha, Itália ou Dinamarca. 

A criação dos BRICS e dos TICS (Tailândia, Índia e China) desenvolveram a Ásia sob diversas formas, sendo que, a China e a Rússia preferem actuar conjuntamente do que isoladas. A única excepção continua a ser os Estados Unidos. Na Europa, Portugal e Espanha deveriam unir-se para defender os interesses da Península Ibérica na União Europeia, da mesma forma que os países escandinavos e os de Leste actuam nas instituições europeias. A falta de concertação para os problemas torna a União Africana bastante fraca.

À medida que se torna necessário defender interesses regionais existe maior propensão para a união entre vários países. Ninguém consegue actuar sozinho em defesa do próprio umbigo. 

O início da globalização trouxe um novo paradigma nas relações internacionais. Os parlamentos nacionais vão perdendo força, o que retira importância aos actos legislativos internos. O mais curioso é verificar que os partidos de protesto ou nacionalistas também perceberam a relevância das instituições internacionais, apesar do discurso interno passar pela descredibilização das mesmas com o objectivo de ganhar votos. . 

domingo, 22 de maio de 2016

Olhar a Semana - Dos líderes fracos não reza a história

Nos últimos tempos verificamos a ascensão ao poder de vários líderes fracos. Nos Estados Unidos a campanha eleitoral para a Casa Branca foi desastrosa e mesmo que os norte-americanos tenham de escolher entre Hillary Clinton não vão ficar bem servidos. É provável que seja apenas por 4 anos. O pior aconteceu nos primeiros meses em que assistimos a uma falta de qualidade gritante. 

No Reino Unido, Cameron mostra-se um líder forte, mas Jeremy Corbyn continua a ser contestado dentro do Partido Trabalhista sempre que tem uma derrota política. Em Portugal, o primeiro-ministro chegou ao cargo após ter perdido as eleições do ano passado. 

A história não recorda aqueles que perderam ou os que fazem mau trabalho. A situação portuguesa e da oposição britânica diferem do caso norte-americano. Será complicado para os norte-americanos serem governados por Clinton ou Trump. Nenhum apresentou até ao momento qualquer qualidade para ser Chefe de Estado, mas um deles vai chegar ao lugar mais alto da nação. 

Em Portugal o actual governo não deve durar muito e uma segunda derrota de Costa atira-o para fora do Partido Socialista, enquanto Corbyn não consegue ir às eleições gerais no Reino Unido em 2020. Neste caso, nem a saída de Cameron e a mudança de candidato a primeiro-ministro serão suficientes para o actual líder trabalhista vencer. 

sábado, 21 de maio de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Bernie Sanders - O senador do Vermont tem dado luta a Hillary Clinton. Na última semana venceu o Oregon e quase conquistou o Kentucky. Sanders não deve ganhar a nomeação, mas fez melhor figura do que os adversários republicanos de Trump. Nem a própria Clinton pode ir descansada para a eleição geral em Novembro muito por culpa do trabalho de Sanders.


No Meio

Eurolat - A Assembleia Parlamentar que junta eurodeputados e deputados sul-americanos devia ter ido mais além, sobretudo na procura de soluções para melhorar as relações entre os dois países. No entanto, a Europa preocupou-se mais com os problemas internos  e os países da América do Sul tentam recolher melhores condições financeiras. É verdade que ainda existe poucas ligações, a não ser as culturais e históricas. A Europa só muda a agulha se houver mais democracia e peso institucional no Mercosur. 

Em Baixo

Jeremy Corbyn - O líder trabalhista não tem unhas para o cargo. Nem sequer a conquista da Câmara de Londres irá mudar o panorama interno. O problema de Corbyn é não ter nenhuma vitória política significante, enquanto David Cameron e os conservadores reforçam a legitimidade democrática no Reino Unido. A fraca liderança de Corbyn será novamente visível se os britânicos votarem pela permanência na União Europeia, o que será uma vitória para Cameron.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Porquê a América Latina?

A recente cimeira da Eurolat realizada em Lisboa mostra uma aproximação da União Europeia aos países da América Latina e do Mercosur. No entanto, o restabelecimento das relações entre os Estados Unidos e Cuba poderão originar mais oportunidades para os norte-americanos do que aos europeus.

A insistência no reforço económico e social com os sul-americanos também é uma forma para ultrapassar os Estados Unidos. Ora, a UE continua a copiar os movimentos norte-americanos, em vez de seguir um caminho. Por exemplo, o continente africano deveria ter mais atenção, já que, a maioria dos países foram governados por impérios europeus. Não é por causa das ditaduras africanas que existem dificuldades nas relações porque na América Latina existem violações políticas mais graves do que em África. Nem as democracias como a brasileira escapam ao fenómeno da corrupção. Também há o caso do Panamá. As instituições sul-americanas não estão minimamente consolidadas. 

A Europa tenta ajudar, mas dificilmente conseguirá recolher benefícios, sobretudo numa altura em que negoceia um acordo de comércio livre com os Estados Unidos. Ou seja, colocar cada pé em cada hemisfério do continente americano não é uma boa estratégia porque os sul-americanos não se dão bem com o império norte-americano. Não será a Europa que vai fazer a ponte....

Na minha opinião os sul-americanos podem aprender com a Europa em alguns aspectos. No entanto, a maioria não vai seguir as regras definidas por um continente onde não existe união política nem solidariedade. 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A perda de influência externa e interna da União Europeia

Os recentes problemas que desuniram os países da União Europeia estão a ser aproveitados pelos blocos mundiais para ganharem força no mundo, mas também dentro do continente europeu. A contínua falta de soluções, sobretudo a nível económico permite às grandes potências entrarem facilmente na Europa. não sendo apenas os Estados Unidos os que se instalam por cá, porque nem isso acontece, uma vez que, o mercado asiático tem sido preferencial devido ao clima económico. No entanto, existem outras potências como a China que olham para a Europa como uma oportunidade. O mesmo se passa com o capital angolano, em particular no nosso país.

A União Europeia tem de ter capacidade para criar um espaço competitivo em várias áreas. Neste momento, a Europa poderia competir com os Estados Unidos e não só na tecnologia, sobretudo, ao nível dos meios de comunicação social. Seria uma área em que os europeus têm qualidade suficiente para ter sucesso, o que lhes garantia vantagem sobre os restantes concorrentes. 

Os grandes obstáculos à implementação de novas tendências não se resumem apenas à maior força económica e intelectual da concorrência externa, mas à falta de união e excessiva preocupação com o que se passa nos restantes continentes. Recorde-se que a polémica dos Papéis do Panamá tem sido mais discutido em solo europeu do que propriamente no continente americano e no próprio país. Ora, os dirigentes europeus não podem ser como Barack Obama e meterem-se em questões que não lhe dizem respeito. À medida que a União pretende ter mais força política a nível externo, perde coesão em termos internos. Por estas razões, será difícil caminharmos para o federalismo defendido por muitas pessoas. 

Os próximos anos não serão fáceis porque haverão mais "Brexits" com o aumento de partidos nacionalistas com assento nos parlamentos nacionais, mas com vontade de estarem representados nas instituições europeias, onde será o centro de todas as decisões. 

Não tenho dúvidas que a União Europeia vai perder influência externa e coesão interna se continuar neste caminho. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Quanto vale Hillary Clinton

Os resultados das primárias mostram que Clinton não é imbatível, sobretudo se o principal adversário for Donald Trump. Tendo em conta que Bernie Sanders é mais fraco, o empresário norte-americano tem capacidade para fazer frente à democrata. Nos últimos tempos, Sanders tem vindo a aproximar-se de Clinton, embora não suficiente para conseguir a nomeação. A questão que se coloca tem a ver com a queda de popularidade da antiga primeira-dama, por ser isso mesmo. Pelo contrário, Trump revelou que conquista adeptos em todos os sectores, em particular naqueles que não se identificam com qualquer partido. Na minha opinião, os independentes irão votar maioritariamente no empresário. 

A campanha de Clinton tem sido fácil porque recolhe apoio junto do eleitorado. No entanto, a actual estratégia não resulta nas eleições gerais, a não ser que Obama dê um empurrão. Tendo em conta as vitórias de Sanders isso vai acontecer. Não acredito que Clinton vença sozinha a eleição. 

Não me surpreende que Clinton não esteja a esmagar Sanders nas primárias porque em 2008 perdeu categoricamente para Obama. É verdade que os tempos são outros e o Partido Democrata está unido em torno da candidatura, mas isso não chega. Será necessário um cunho pessoal na campanha e não passar a vida a defender o legado de Obama. Curiosamente, penso que, Clinton pode beneficiar se demarcar-se da actual administração. O problema é que se fizer isso, o Presidente norte-americano não a apoia com veemência, pelo que, será melhor optar por contar com a ajuda de Obama. Um dilema que a antiga primeira-dama tem de resolver antes de Trump surgir em primeiro nas sondagens. 


terça-feira, 17 de maio de 2016

A encruzilhada de Hillary Clinton

As desistências de John Kasich e Ted Cruz deixaram Donald Trump sozinho na corrida republicana. Neste momento, o empresário tem as setas apontadas para a antiga secretária de Estado norte-americana, embora a procissão ainda vai no adro porque as primárias não acabaram. A manutenção de Bernie Sanders nos democratas pode condicionar uma vitória na eleição geral, porque a ex-primeira-dama tem de estar atento ao rival interno, mas também ao externo. Não acredito que Clinton tenha capacidade para aguentar Sanders e Trump ao mesmo tempo. 

Na minha opinião, o senador do Vermont tem tido uma atitude egoísta porque não desiste. Sabendo que não pode vencer não faz sentido a manutenção na corrida. A atitude mais normal seria deixar o caminho livre para Clinton se concentrar em Trump, já que, serão os dois candidatos em Novembro. Compreendo que Sanders queira marcar o partido, mas tem de fazer de outra forma para não comprometer a manutenção da Casa Branca pelos democratas. 

Tenho a convicção que os republicanos vão aproveitar os próximos meses para marcar posição e criar dificuldades à principal rival. O principal aspecto negativo para Clinton será a união dos republicanos nesta fase de luta interna nos democratas. Neste momento, o GOP tem tempo para redefinir a estratégia ao corrigir os erros que foram cometidos. Mais do que isso. Haverá espaço para os republicanos aceitarem Trump e este mudar o discurso. O pior que pode acontecer à candidata democrata será perceber que as novas propostas do empresário estão a ter repercussão nas sondagens. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Papéis do desperdício

A investigação denominada Papéis do Panamá resultaram num rotundo fracasso porque não teve nenhum interesse mediático, apesar do bom trabalho jornalístico em Portugal e não só. A bomba só estoirou no primeiro dia, sendo que, a pólvora secou à medida que os dias passaram, embora fossem divulgados muitos nomes. 

A questão que se coloca com a divulgação dos números encerra apenas problemas morais e não legais. Obama disse que as práticas não eram proibidas. No entanto, os jornalistas quiseram interpretar um papel de moralistas e apontar o dedo aos prevaricadores, como se agora mais ninguém metesse dinheiro em offshores para pagar menos impostos. É verdade que alguns políticos foram apanhados pela teia da investigação, mas o barulho e as consequências só atingiram o primeiro-ministro da Islândia. Na minha opinião é muito pouco tendo em conta o alarido que se fez nos primeiros dias. 

A partir do momento em que os jornalistas querem travar uma luta do bem contra o mal acabam por perder porque as regras não são definidas por eles. Em Portugal ainda existe um sentimento de repor a ordem por parte da comunicação social. O problema é que os "outros", nomeadamente os políticos não querem algumas regras. 

O que importa realçar neste caso foi a derrota do jornalismo de investigação perante o poder económico e político. O objectivo principal não se conseguiu alcançar devido ao desinteresse do público, mas também por não estarem em causa práticas ilícitas. Ou seja, o trabalho realizado foi por água abaixo e os que meteram dinheiro no Panamá vão continuar a utilizar offshores para fugir aos impostos. Nem sequer o poder político criou regras apertadas para os utilizadores das práticas. 


domingo, 15 de maio de 2016

Olhar a Semana - Os planos escondidos de António Costa

Nesta semana ficámos a saber que António Costa tem um plano B para acertar as contas orçamentais. A confissão foi feita na televisão, contrariando o que sempre disse no Parlamento. Ora, o primeiro-ministro desvaloriza o papel da Assembleia, mas só para o que lhe convêm, já que, o parlamento deu uma maioria para poder derrubar o antigo governo e estar agora a governar. 

O Chefe do governo tem vários planos para cada situação que enfrentar. Quer o apoio da esquerda, mas não deixa de piscar o olho à direita quando tiver em dificuldades. Na altura em que tem a esquerda a seu lado, critica a direita. Contudo, quando lhe falta o apoio do BE e PCP responsabiliza PSD e CDS. Um jogo de sombras por parte do actual líder socialista para manter o cargo, mas sobretudo, para preparar o discurso nas próximas eleições. Como aconteceu com Sócrates, António Costa nunca vai admitir que errou quando as coisas correrem mal e for necessário ir a eleições. O jogo escondido passa por culpar tudo e todos, à semelhança do que fez Sócrates na altura em que após o chumbo do PEC 4 apresentou a demissão, mas voltando a candidatar-se.

Nos primeiros meses notamos que Costa é um verdadeiro player político, tendo conseguido obter o que queria após as legislativas, mas perdendo claramente nas presidenciais. As questões em torno do orçamento são graves porque todos desconfiam das metas do executivo. Costa confirmou porque razão não há razões para acreditar. 

sábado, 14 de maio de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Partido Republicano - O encontro entre Donald Trump e Paul Ryan é o primeiro passo para a união do partido. O empresário disse que a ideia de banir todos os muçulmanos é apenas uma sugestão, enquanto o "Speaker" do Congresso gostou de algumas propostas. Ninguém vai conseguir derrotar Clinton e Obama senão houver cedências. Por esta razão, a prematura nomeação de Trump foi benéfica para acertar estratégias. 

No Meio

António Costa - O primeiro-ministro admitiu, pela primeira vez, que tem um plano B se as metas orçamentais falharem. Ora, Costa negou sempre a situação no parlamento, mas na televisão não teve medo de confessar aquilo que se suspeitava. Aos poucos, o líder socialista mostra fragilidades políticas e incapacidade de tomar decisões correctas, além de justificar o golpe que deu origem à queda de um governo legítimo.

Em Baixo

Dilma Rousseff - O Senado brasileiro confirmou o início do processo de impeachment votado pelo Congresso. No entanto, a antiga presidente tentou parar o processo através do novo Presidente do Congresso brasileiro. Não conseguiu e agora está constitucionalmente fora da presidência porque Michel Temer também já assumiu interinamente o cargo no Planalto. A história ainda mal começou, mas Dilma obteve a primeira derrota, embora prometa que não vai desistir. 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Quanto tempo dura o Estadão brasileiro

A tomada de posse do Presidente interino do Brasil foi marcada por promessas de união, ordem e progresso. No entanto, também Michel Temer tem problemas com a justiça. Ora, nada melhor para os argumentos de Dilma Rousseff que o antigo vice-presidente também seja visado pela população.

O discurso da antiga presidente chegou aos brasileiros e quem vai pagar isso é a nova liderança. Dilma não está preocupada com o país, mas em manter o status quo e voltar para o Planalto. Não tenho dúvidas que vai fazer a quem está no poder as mesmas jogadas que originaram a saída porque, neste momento, não tem nada a perder. De facto, tudo o que Dilma tinha e precisava era o poder absoluta e a impunidade. 

Nesta semana saíram notícias que o antigo candidato presidencial do PSDB, Aécio Neves, também estaria implicado no Lava-Jato. É impressionante que ninguém está imune a notícias que podem ou não ser verdadeiras. O problema é esse. Ninguém sabe o que corresponde à realidade ou o que são jogadas de bastidores. No entanto, ficamos a saber que o Brasil é controlado pelo Estadão que garante milhares de empregos e ajuda muitas pessoas a enriquecerem, enquanto o zé povinho sofre. O Brasil está mais perto das ditaduras absolutas africanas do que dos vizinhos da América Latina que se desenvolvem social, económica e politicamente. 

Dilma não é a solução, mas também não será o único problema. 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Os aspectos negativos do Presidente

O Presidente da República começa a revelar como vai exercer o cargo presidencial. Todos os dias sabemos o que pensa o Chefe de Estado porque não larga os microfones dos jornalistas. Através da comunicação social ficámos informados que Marcelo vai falar com António Costa na reunião semanal entre os dois. Com Cavaco Silva era impensável acontecer. Não existe nenhum Presidente que necessite dos media para passar a mensagem. Não são apenas os comunicados, mas as declarações diárias sobre tudo e mais alguma e a constante procura pelas câmaras de televisão.

O segundo aspecto negativo é a magistratura de influência. Durante a campanha ninguém sabia o que significavam as palavras do candidato. Três meses depois o país percebe que Marcelo pretende estar no centro da decisão, agindo como primeiro-ministro e não Presidente de todos os portugueses. Ora, a faceta começa a intervenção nos media e só depois será dito aos visados. Marcelo tem mandado bastantes mensagens pela comunicação social, como sempre fez enquanto era comentador. Obviamente que as juras de amor entre São Bento e Belém não vão durar muito tempo. Cavaco Silva também mandava alguns recados, mas era dentro de portas que exercia o poder. No entanto, há uma situação particular no actual Chefe de Estado que diz respeito à independência. Não tenho dúvidas que vai ser acima dos partidos e poderá exercer a função colocando os princípios antes do interesse nacional. O problema tem a ver com os preferidos e os alvos. Marcelo não irá fazer favores a ninguém. Pelo contrário, irá mostrar que está por cima de todos, sejam eles sociais-democratas, socialistas, centristas, sindicatos ou empresários. 

Em pouco tempo, os portugueses percebem porque razão Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com pouco mais de 50%

quarta-feira, 11 de maio de 2016

A reunião que vai unir os republicanos

A reunião entre Donald Trump e Paul Ryan que se vai realizar amanhã é um sinal de mudança na relação entre o establishment republicano e a facção que apoia o empresário. Nos últimos dias várias figuras importantes ligadas republicanos revelaram que não vão votar em Trump, como foi o caso da família Bush. 

A vontade de alguns republicanos pode mudar se a máquina também tiver uma postura diferente. O mesmo acontece com Trump que também precisa de alterar o discurso e começar a deitar cá para fora algumas ideias. Na minha opinião a inversão na relação entre os dois lados começa amanhã no encontro entre Ryan e Trump. A união tem de ser possível para não dar aos democratas mais quatro anos na Casa Branca. Isso faria com que as várias tendências dentro do Partido Republicano comecem a organizar-se da mesma maneira que Trump fez nestas eleições, o que significava o fim do velho GOP. No entanto, ninguém pretende um partido virado muito à direita, embora seja isso que aconteceu nos últimos anos, em particular na presidência de George W.Bush. 

Nestas eleições a única sobrevivência do GOP é voltar ao centro, mas será difícil com Trump. Contudo, em Novembro o que vai ser votado são a continuidade das políticas de Obama. Neste aspecto, os democratas podem perder votos porque Hillary Clinton representa mais quatro anos das mesmas políticas. Se o Partido Republicano não estiver unido neste combate dificilmente consegue chegar à Casa Branca nos próximos quatro e talvez oito anos. 

Tem de haver cedências de ambos os lados para todos vencerem em Novembro. Não pode haver egoísmos ideológicos nem discursos inflamatórios contra tudo e todos. Por estas razões, não será uma surpresa se Trump começar a contradizer algumas ideias que teve até ao momento. Se isso acontecer, significa que a união está mais perto de se concretizar. No caso do empresário mantiver a mesma linha é sinal que em Novembro cada um irá por si.  

terça-feira, 10 de maio de 2016

Brasileirão

Numa semana tudo se alterou no Brasil. Coincidência ou não, Eduardo Cunha também foi suspenso do lugar que ocupava como Presidente da Câmara dos Deputados por suspeitas de corrupção. Isto é, no Brasil ninguém escapa, desde o antigo presidente até ao líder do congresso. 

O pior aconteceu a seguir.

O substituto de Cunha pretende repetir a votação do processo de impeachment a Dilma. Será que o novo líder também tem as mãos pouco lavadas? Ninguém sabe....O dono do Senado disse que não devolve o documento ao Congresso, mas será que vai conseguir isso? Também não sabemos...

No meio disto a única que continua incólume perante a justiça é a Chefe de Estado. No entanto, ocupa um cargo que não pode ser alvo da justiça, sendo necessário o impeachment para a levar à justiça. O problema é que se tem defendido muito bem e volta a ficar por cima do processo. 

Os brasileiros são conhecidos pelas boas novelas e futebol com qualidade. Estamos a assistir a autênticos dribles políticos que só vemos nas séries brasileiras, embora mais viradas para os dramas familiares. 

O que se passa na política brasileira é a degradação de um sistema que passou incólume durante anos, sem a justiça ou a população intervirem. Ainda não consigo perceber como a maior parte dos brasileiros pretendeu a mudança em 2014, mas mesmo assim, Dilma conseguiu vencer. 

Apesar das polémicas não conhecemos o próximo capítulo, não obstante sabermos que algo mais vai acontecer.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O desastre Jeremy Corbyn

Os resultados das eleições na Escócia deixam Jeremy Corbyn numa situação difícil, mesmo que tenha conquistado a Câmara de Londres após oito anos de governação conservadora. 

O Partido Trabalhista não conseguiu vencer novamente as eleições na Escócia, como passou de segunda para terceira força política. Os Conservadores conquistaram mais um resultado que orgulha David Cameron. Aos poucos os trabalhistas vão deixando de responder às preocupações das pessoas como o emprego, qualidade de vida e oportunidades para se refugiarem em questões ideológicas como a armas nucleares, intervenções militares noutros países. Nestas situações, o Labour mudou de posição com Jeremy Corbyn. 

Num partido e bancada parlamentares divididos desde a eleição de Corbyn, qualquer derrota significa mais problemas para a actual liderança. Neste momento, a palavra união não faz sentido para os trabalhistas porque o líder vai acumulando sucessivas derrotas políticas. No entanto, não é esse o problema. A questão passa por saber como evitar o crescimento dos conservadores.

No próximo referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia, o Partido Trabalhista tem a mesma posição dos conservadores. Contudo, Corbyn tem de fazer algo para o resultado final também seja uma vitória para si e não uma nova conquista de David Cameron. Caso o Labour não consiga sair por cima dos conservadores dificilmente Corbyn tem condições para continuar. 

sábado, 7 de maio de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

PSD - Os sociais-democratas apresentaram uma boa proposta de revisão da lei eleitoral que estabelece o voto preferencial. Um passo em frente na qualidade da democracia portuguesa para aumentar a participação política. O projecto só passa se o PS não insistir na recusa. 

No Meio

Marcelo Rebelo de Sousa - O Presidente da República viajou para Moçambique. Na agenda estava uma tentativa de reconciliação entre a Frelimo e a Renamo. No entanto, o que mais chamou à atenção foi a forma como o Chefe de Estado continua a encantar as pessoas. Pode ser muito fabricado e com a comunicação social sempre em cima, mas Marcelo pretende passar uma imagem dos afectos. No plano político confirma-se a tentação do professor ser interventivo dentro e fora de Portugal. Resta saber como vai lidar com o problema do português detido em Luanda. 

Em Baixo

Ted Cruz e John Kasich - Os dois antigos candidatos presidenciais desistiram após a vitória contundente de Donald Trump no Indiana, uma semana depois de ter ganho cinco Estados. A saída de cena acontece porque o acordo estabelecido tinha como objectivo derrotar o empresário no Indiana, Oregon e Kentucky. Após o primeiro falhanço, nem Cruz nem Kasich mantiveram condições para continuar em frente. O governador do Ohio estava há muito tempo a mais na corrida, enquanto o senador do Texas andou iludido durante muito tempo. A partir de agora Trump corre sozinho contra Clinton.

Oportunidade

A eleição de Sadiq Khan para presidente da câmara (mayor) de Londres é uma boa oportunidade para todos. Pela primeira vez uma capital de um estado membro da União Europeia será governada por um muçulmano.

A campanha eleitoral foi polvilhada por momentos menos felizes. O recém eleito foi acusado de ter ligações a extremistas muçulmanos. O principal candidato derrotado foi alvo de comentários anti-semitas. Esperemos que todos os envolvidos assumam os excessos que cometeram. Têm agora todos uma oportunidade para redimirem-se, reconhecendo que erraram.

É uma oportunidade para Sadiq Khan mostrar que a religião que professa-se não faz de ninguém um bom ou um mau político. As qualidades políticas não são dependentes da fé religiosa de cada um. A religião de cada um pertence à sua esfera privada e não deve misturar-se de um modo negativo com a esfera política.

A eleição de Khan é uma boa oportunidade para mostrar que a integração de imigrantes oriundos de uma matriz cultural distinta da Ocidental é possível e pode ser mesmo bastante positiva. Quem diria que um filho de imigrantes paquistaneses, cujo pai é motorista de autocarros, seria presidente da câmara de Londres?

Será, ainda, uma boa oportunidade para todos aprendermos a viver com uma nova realidade. Estima-se que os muçulmanos sejam cerca de 20% da população europeia daqui a aproximadamente 20 anos. Por essa altura deverá ser frequente termos políticos maometanos a ocuparem cargos elevados.


Assim estejamos todos à altura das circunstâncias e sejamos capazes de aproveitar a oportunidade.

Texto de João Vale Sousa

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Um passo atrás

A atitude de António Costa perante a proposta do PSD em rever as leis eleitorais é inaceitável e representa uma forma de fazer política tipicamente socialista. Os governos socialistas gostam sempre de mostrar que têm o poder para decidir tudo e mais alguma, mas quando querem consensos culpam sempre a direita.

A ideia dos sociais-democratas em rever a lei eleitoral é importante, sendo que, as propostas são interessantes, em particular a que diz respeito à possibilidade do eleitor escolher o deputado do distrito que pretende ver representado. 

A matéria ainda não foi discutida na Assembleia da República, pelo que, a recusa do líder socialista não é definitiva. No entanto, o argumento de Costa revela bem a falta de classe política. Por um lado pretende a ajuda dos partidos da direita, por outro, só aprova os assuntos que dizem respeito aos acordos efectuados com a esquerda. Apesar de tudo, penso que os partidos no hemiciclo vão encontrar uma forma de aumentar a participação dos portugueses nas próximas eleições legislativas e não só. A lei que admite candidatos à presidência da República também deveria ser alterada. 

As forças partidárias têm de olhar seriamente para o problema da falta de participação política nos últimos anos. 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

As hipóteses do Partido Republicano

As desistências de Ted Cruz e John Kasich representam uma vitória para Donald Trump, que assegura a nomeação, mas um verdadeiro problema para o Partido Republicano, embora a saída de Marco Rubio represente mais o falhanço do establishment nestas eleições.

Não seria a vitória de Cruz que daria paz ao partido porque o Tea-Party também não é aceite dentro da máquina. No entanto, a vitória de Trump terá consequências no futuro. Se Hillary Clinton vencer a eleição geral porque o partido não esteve todo com o empresário, iremos ter o nascimento de uma nova força partidária. Uma vitória de Trump em Novembro abre a porta ao aparecimento de mais contestatários que irão tentar afastar os "donos". Qualquer cenário coloca problemas de gestão a um partido que corre o risco de ficar mais quatro anos fora da Casa Branca, embora com maioria no Congresso nos próximos dois anos. Talvez este factor seja motivo para apaziguar os ânimos que se estão a exaltar, sendo que, um acordo pode ser alcançado com base nesta vitória garantida.

Na minha opinião, Trump vai tentar unir o partido e ceder nalgumas questões, como a vice-presidência dos Estados Unidos. Só com um Vice-Presidente indicado pelo establishment haverá mobilização de todos os que criticam o milionário, inclusive Mit Romney e os próprios derrotados na campanha. Marco Rubio poderia ser uma boa solução, apesar da má prestação nesta corrida. 

Numa altura em que os republicanos se encontram muito à direita, em particular com posições políticas bastante conservadoras, pode ser que haja mudanças. As críticas de Rubio na noite em que desistiu são justas e mesmo as posições de Trump surgem porque é necessário um corte com o passado, sobretudo a nível de política externa. Os republicanos ainda não perceberam que os Estados Unidos não têm espaço para serem os polícias do mundo. A administração Obama mostrou que a diplomacia tem de ser a primeira hipótese, mas sem excluir qualquer regime. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Rumo à Casa Branca

As primárias no Indiana confirmaram a supremacia de Donald Trump face à restante concorrência. A derrota de Ted Cruz tem maior significado porque o senador do Texas investiu naquele Estado, tendo realizado um acordo para Kasich não fazer campanha, o que aumentava as hipóteses dos adversários do empresário. O plano saiu gorado porque Trump obteve mais de 50%. Sendo assim, Cruz não pode cumprir o acordo que inclui abster-se de realizar comícios no Oregon. 

Não há dúvidas que os norte-americanos escolheram os preferidos. A eleição de Hillary era uma certeza, embora Sanders tenha dado uma resposta positiva. Nos republicanos Trump foi uma verdadeira, mas a desilusão coube à máquina do partido porque não soube encontrar os candidatos adequados. Se o milionário for eleito Presidente, não estamos perante a recuperação do poder na Casa Branca pelos republicanos. Independentemente dos resultados, o Partido irá sofrer convulsões internas graves que pode originar mais forças nos Estados Unidos.

Na minha opinião, a candidatura de Trump baralhou as contas do establishment, mas também registou uma certeza. Neste momento, o empresário é o único com capacidade para se bater com Hillary Clinton porque o velho conservadorismo norte-americano não vence a esquerda liberal. 

terça-feira, 3 de maio de 2016

A caminho da nomeação

As primárias no Indiana serão momentos importantes para Trump e Clinton confirmarem a eleição, mesmo que ainda não alcancem os delegados necessários. Nos democratas o discurso de Sanders já não tem validade e a continuação do momentum só prejudica o senador do Vermont. 

Nos republicanos ainda há esperança por parte de Ted Cruz. No entanto, uma derrota significa que o acordo estabelecido com Kasich foi um verdadeiro fracasso, que prejudicou o governador do Ohio. Isto é, Cruz apela a uma mobilização na sua candidatura, mas não apresenta resultados. De facto, os eleitores republicanos não têm alternativa a Donald Trump, mesmo que não gostem de algumas ideias do empresário. Por esta razão, Hillary tem vantagem na eleição geral, embora na política tudo mude rapidamente, em particular se o establishment republicano apoiar Trump e se este tiver um discurso mais moderado na campanha em Novembro.

O domínio do empresário e da antiga secretária de Estado tem sido uma evidência desde o princípio. As primárias no New Hampshire, Iowa, Carolina do Sul  e Nevada foram mais importantes para eles do que aos rivais. No entanto, nos republicanos ninguém contava com o sucesso de Donald Trump. 

A partir de agora iremos ter o início da luta pela eleição geral com Hillary Clinton e Donald Trump a fazerem campanha um contra o outro, enquanto os restantes irão fazer figura de corpo presente até às convenções. 

segunda-feira, 2 de maio de 2016

6 meses após a nova realidade política

Os primeiros seis meses de liderança socialista no governo com o apoio parlamentar do Bloco de Esquerda e do PCP mostram que a dita "geringonça" funciona, mesmo com discordâncias. António Costa não estava a mentir quando referiu isso no Parlamento no último debate quinzenal. Neste momento, são os partidos da direita, após a realização de congressos, que necessitam de lutar pela conquista dos votos porque quem está no poder tem mais facilidade de estar à frente, já que, as oposições são sempre alvo fácil das críticas. 

As divergências verificadas em muitos momentos são pequenos episódios que não beliscam o essencial. No entanto, também não há dúvidas que os dois partidos de esquerda só vão aguentar o PS até se verificarem o cumprimento de algumas medidas. Por isso mesmo é que a legislatura não vai durar até final porque isso significa a aceitação por parte dos dois partidos de medidas com que não concordam. Ou seja, não haverá carta branca para o PS, mas os socialistas também só necessitam deste apoio até ao momento em que tenham a certeza de que conseguem vencer as próximas eleições com ou sem maioria absoluta. O objectivo do PS é esse, enquanto o do PSD e CDS passa por voltar ao poder absoluto.

Nestes meses temos vindo a assistir a vários congressos, faltando o do PS e do Bloco de Esquerda. Não haverá novidades em Junho porque as respectivas lideranças estão seguras, além de Costa e Catarina Martins se entenderem às mil maravilhas, o que não acontece com Jerónimo de Sousa. 

Não existe uma aliança segura e duradoira, mas também não existe o risco de fractura porque a direita continua à espreita. Também não se nota diferenças na nova liderança centrista nem na renovação prometida por Passos Coelho, embora também seja cedo para exigir propostas alternativas de fundo.  


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