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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Medida explosiva

As medidas de Trump relativamente à entrada de muçulmanos no país já estão a levantar polémica, prometendo causar divisões nos Estados Unidos, mas também no resto do mundo, em particular na Europa.

Os acontecimentos que surgiram poderão estar indirectamente ligados à decisão presidencial. As manifestações, as acções nos tribunais, as petições públicas, o homícidio numa mesquita no Canadá e as reacções dos líderes europeus relativamente à integração. 

O impacto da medida está a ser bastante forte nos Estados Unidos, mas também fora do território norte-americano. A contestação dentro dos Estados Unidos é normal porque tem sido a principal notícia desde a eleição de Trump. Não se pode criar nenhuma expectativa falsa relativamente às novas políticas. Isto é, mesmo assumindo a pele de Presidente, Trump vai cumprir as promessas. A única entidade que pode travar as intenções é o Congresso dominado pelos republicanos. Por exemplo, John Mccain garantiu que pretende impedir a concretização de algumas medidas.

Os discursos dos líderes europeus também não surpreendem, já que, a maioria decidiu fazer campanha anti-Trump para influenciar as eleições. A Europa fala em integração, mas recentemente teve problemas na resolução da questão dos refugiados, sendo praticamente obrigada a aceitar as milhares de pessoas que chegavam da Síria e de outros locais. A hipocrisia continua a ser uma das principais marcas dos governantes europeus, que teimam em se meter nas políticas internas de outros países, em vez de arrumar a casa. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Acontecimento do ano 2007: Assinatura do Tratado de Lisboa

A assinatura do Tratado de Lisboa marcou o ano político de 2007 a nível nacional e europeu. 

A mudança não significou muito para o projecto europeu que continua mais incerto que nunca. O propósito é o mesmo de sempre, sendo que, as poucas reformas também foram insignificativas. 

A circunstância mereceu enorme destaque em Portugal porque a cidade fica ligada à história dos tratados europeus.

Tendo em conta que já se passaram dez anos chega-se à conclusão que nada serviu as pretensões nacionais nem europeias. A festa foi bonita, mas os problemas agravaram-se, sobretudo com a saída do Reino Unido.

Os tratados europeus começam a ser irrelevantes porque as políticas europeias não são decididas a 28. As normas jurídicas também não fazem sentido se o federalismo continuar a ser ignorado. A inadaptação da UE aos novos tempos será uma realidade, mesmo com alterações aos documentos fundamentais. O problema está na ideia e não naquilo que está escrito. 

O Refém

Após um ano de governação é possível concluir que António Costa está refém do parlamento. 

No primeiro ano o governo socialista ainda teve tempo para gerir a gerigonça e a oposição como quis, além de ter um aliado importante como é Marcelo Rebelo de Sousa. Tudo correu bem a Costa que gosta da habilidade política para chegar ao poder. 

Na entrada para o segundo ano de governação tudo vai ser diferente, como se viu na questão da descida da TSU. Os socialistas não estão apenas reféns do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português, mas também do Partido Social-Democrata. Nesta equação, O CDS fica a perder porque dificilmente consegue impedir qualquer acção do governo de forma isolada. 

A possibilidade do PSD condicionar a acção governativa tem sido um dos principais aspectos da legislatura. O BE e o PCP deveriam ser mais solidários com o PS, mas roeram a corda em diversas ocasiões, como aconteceu na questão da TSU. No entanto, ainda não foram alvo da mira do primeiro-ministro porque o que dá votos é bater no PSD e em Passos Coelho. Costa é um político que segue as tendências, pelo que, seria natural que se deixasse influenciar pelos asssessores e compinchas socialistas que a melhor estratégia é culpar o inimigo número um. 

Não se adivinha um ano fácil para Costa porque PCP e Bloco pretendem mais responsabilidades ao governo, senão a contestação na rua vai aumentar. 

sábado, 28 de janeiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Adama Barrow - O vencedor das eleições presidenciais na Gâmbia voltou a casa depois de ter estado exilado durante pouco tempo no Senegal. Apesar de ter feito o juramento na embaixada daquele país, Barrow terá direito a uma tomada de posse junto da população. A resistência de Barrow mostra que a democracia continua a triunfar. 

No Meio

Donald Trump - Na primeira semana como presidente dos Estados Unidos confirmou que iria construir o muro na fronteira com o México. O problema é que o decreto presidencial pode não ser suficiente para lançar as pedras ou acabar a parede que afinal já estava de pé. Trump cumpriu a promessa, mas fica a ideia de que se trata de uma nova promessa semelhante ao encerramento de Guantanamo. A medida é má, embora o pior seja a ilusão que vai mesmo para a frente.

Em Baixo

António Costa - O primeiro-ministro obteve a primeira derrota do ano com o chumbo da TSU. O pior são as culpas esfarrapadas de Costa sobre o PSD, passando com uma esponja as posições do PCP e BE. O líder socialista fica numa posição desconfortável porque há-de chegar o dia em que tem de se virar contra os parceiros parlamentares que já causaram enormes problemas. No entanto, a primeira reacção será ceder aos interesses bloquistas e comunistas como se viu nas cedências das reformas laborais. Costa faz o mesmo jogo de Sócrates e vai atrás do discurso de PCP e BE contra o PSD. Quem fica sempre a perder é o governo.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Estados Unidos e Reino Unido encurralam a União Europeia

A nova postura internacional de Trump tem de ser encarada pelos dirigentes europeus com preocupação. O novo Presidente norte-americano não tem medo de deixar a Europa de fora, recorrendo em primeira mão ao Reino Unido para reestabelecer a velha aliança. 

Os países europeus perdem o comboio do progresso, do crescimento económico e da globalização por causa da falta de estratégia e de adaptação aos novos tempos. Importa realçar a atitude britânica que não teve medo de negociar com Trump, enquanto os líderes europeus andavam mais ocupados em evitar uma possível nomeação do empresário.

Os acordos comerciais assinados entre os Estados Unidos e o Reino Unido deixam os restantes europeus sem possibilidade de negociarem com as duas potências. A aproximação norte-americana também significa que Washington deixa de olhar para Berlim como um gigante económico, substituindo-a por Londres. 

O ano de 2016 correu mal para a Europa por causa do Brexit e da vitória de Trump. 

A aliança entre Trump e Theresa May também pode significar o regresso dos tempos em que os dois países combatiam juntos para garantir a segurança no mundo, como sucedeu em 2003 na invasão da guerra no Iraque. Neste aspecto, a influência dos países europeus na NATO começa a ficar reduzida. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Ano 2007: O início da era Obama

No plano internacional, os Estados Unidos preparavam-se para mais um campanha eleitoral. A ocasião era importante porque se tratava de uma mudança de inquilino após os oito anos de George W.Bush na Casa Branca.

O Estados Unidos atravessavam uma das piores crises financeiras e a nível externo estavam descredibilizados por causa do falhanço na guerra do Iraque. Os objectivos do conflito não tinham sido alcançados e a saída também teve complicações. Bush não retirou todas as tropas, mas iniciou o processo de retirada. 

As alterações de políticas norte-americanas no plano externo deviam ter sido melhor acauteladas porque permitiu o nascimento de vários grupos terroristas na região. A passagem da parte bélica para a via diplomática poderia ter sido melhor discutida. 

O tema da campanha iriam ser os problemas económicos e a presença dos Estados Unidos no mundo, com incidência na resposta adequada para resolver os conflitos.

O Partido Democrata apresentou vários candidatos porque era previsível que a Casa Branca mudasse de cor depois dos republicanos terem tomado conta do poder. No final de 2007, Dennis Kucinich, Mike Gravel, Chris Dodd,Joe Biden, Bill Richardson, John Edwards, Hillary Clinton e Barack Obama declararam a vontade de se candidatarem a Presidente. 

Apesar do enorme número de intenções, apenas dois chegaram ao fim, sendo que, em Fevereiro de 2008 só restavam mesmo Clinton e Obama. Biden e Clinton acabaram por fazer parte das futuras administrações norte-americanas. 

Os republicanos também entraram em força com Rudy Guliani, Duncan Hunter, Alan Keyes, Ron Paul, Mike Huckabee, Mitt Romney e John Mccain. Neste caso, a corrida foi mais interessante com os três últimos a disputarem a eleição. Romney desistiu em Fevereiro.

O nome de Barack Obama começou a ser seguido em todo o mundo no final do ano, sendo que, o primeiro aspecto mais significativo era a capacidade de oratória, além de poder vir a ser o primeiro presidente afro-americano da história dos Estados Unidos. 

Decretos fantasma

O mundo assistiu à assinatura de Donald Trump no decreto que ordenava a construção do muro na fronteira com o México. Antes de ter completado uma semana como presidente dos Estados Unidos, o empresário cumpriu uma das promessas eleitorais mais polémicas de toda a campanha.

A pompa e circunstância que rodeou a assinatura do decreto não significa o cumprimento da promessa. A partir de agora levantam-se outras questões como a luta contra o Congresso para a realização da medida.

Nos primeiros dias todos os presidentes norte-americanos têm a mesma atitude. Há oito anos, Barack Obama também mandou o encerramento de Guatanamo. Ora, a prisão cubana nunca mais fechou as portas. 

Não acredito que Trump consiga construir o muro porque vai gerar uma onda de indignação mesmo dentro do Partido Republicano. No entanto, se alguém duvidava que o empresário começasse a quebrar as tradições pode ficar descansado porque seguiu a mesma linha de outros Chefes do Estado. 

Normalmente a proposta mais ousada costuma ficar na gaveta, mesmo que o mundo tenha assistido a um momento de reality show. Os decretos fantasma são uma prática em quase todos os presidentes norte-americano. Trump não fugiu à regra e cumpriu a tradição. 

A partir de agora é perceber se a primeira pedra vai ser colocada e a inauguração conta com a presença de Trump.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

António Costa em crise

A primeira derrota política já em Janeiro, numa altura em que o Partido Socialista cantava de galo por causa das sondagens. Não há dúvida que os parceiros parlamentares estão a colocar enormes dificuldades ao governo, mais do que o PSD ou o CDS. 

O único apoio que o governo tem é de algumas organizações patronais que reclamaram serem recompensados pelo aumento do salário mínimo nacional. O governo errou nos cálculos porque não tem outra forma de compensar as empresas, pelo que, cai por terra uma das promessas do executivo. 

A má aplicação da medida é uma derrota porque nem todos vão ficar contentes com o timing do governo para agradar aos parceiros da esquerda. Também não se compreende a posição bloquista que pretendia o aumento do salário mínimo, mas não concorda com a descida da TSU. No entanto, só o suporte do BE não chegava para fazer passar a medida.

O debate parlamentar e a posterior votação revela que o governo depende mais do PSD que de um dos parceiros parlamentares. Isto é, sempre que um votar contra, o PS precisa sempre dos sociais-democratas. Os temas do BANIF e da TSU são dois exemplos em que a posição do PSD foi fundamental, sendo que, não houve qualquer postura semelhante. Passos Coelho age consoante os interesses nacionais, mas também sabe que tem o PS na mão mais do que Costa imagina. 

O grande derrotado continua a ser António Costa que pensava ter o poder do hemiciclo. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Isolar os Estados Unidos do resto do Mundo

As primeiras decisões de Trump surgiram a nível da política externa. Curiosamente um aspecto que o candidato praticamente nunca abordou durante a campanha eleitoral do ano passado.

A saída do TPP, as alterações ao nível da questão climática e a colocação da Embaixada dos Estados Unidos de Israel em Jerusalem mostram que não há vontade de cooperar com os restantes países na resolução dos problemas do mundo. Ora, Trump revela diferenças relativamente a Obama que sempre procurou a via diplomática. 

As previsões de autoritarismo também se começam a revelar depois da conferência de imprensa acusando os jornalistas de falsidades. 

No plano externo, as opções colocam em risco a segurança do Médio-Oriente, o progresso do Pacífico e a unanimidade em torno das questões climáticas. Os temas que devem preocupar mais são o primeiro e o ultimo, embora o segundo possa significar uma mudança de estratégia por parte de Donald Trump em relação à política de alianças. 

A mudança da Embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalem é um sinal de apoio a Benjamin Netanyahu na tentativa de diminuir a presença da Palestina. O bom trabalho realizado por Obama e John Kerry em 4 anos foi por água abaixo em apenas um dia. Trump pretende mostrar que os Estados Unidos decidem sozinhos sem necessitar de alianças ou colaborações. É impressionante que o empresário praticamente nunca fala em aliados na resolução dos problemas do mundo. O encontro entre Theresa May pode significar alterações...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Ano 2007: Liderança de Menezes era mais um passo rumo ao abismo

O nascimento do OLHAR DIREITO coincidiu com o início da presidência de Luís Filipe Menezes como líder do PSD. 

O grande autarca de Vila Nova de Gaia conseguiu derrotar Luís Marques Mendes nas directas, depois de ter assumido uma postura crítica durante todo o mandato do antigo ministro. Os dois travaram uma luta cerrada, enquanto José Sócrates completava dois anos no poder. 

O novo líder social-democrata deve ter sido aquele que esteve durante menos tempo no poder, já que, em Maio de 2008, Manuela Ferreira Leite venceu as directas em que Menezes não se candidatou. Neste período o PSD praticamente não existiu enquanto oposição, permitindo a José Sócrates fazer o que apeteceu no governo. A escolha de Pedro Santana Lopes para líder da bancada parlamentar também não ajudou os sociais-democratas.

O PSD passou por uma fase negra a nível de liderança até chegar Pedro Passos Coelho em 2010. Após as eleições legislativas de 2005, os sociais-democratas tiveram três lideres em cinco anos, sendo que, Ferreira Leite acabaria por deixar a liderança depois da derrota nas legislativas em 2009 que coroou novamente Sócrates, embora sem maioria absoluta. 

O problema é que não era o bom desempenho do governo Sócrates que tivesse deitado abaixo tantas lideranças. Os rostos que se quiseram chegar à frente tiveram pouco tempo de mostrar o que valiam. É preciso recordar que apenas em 2008 o país ficou a conhecer Passos Coelho na primeira candidatura à liderança do partido. Santana Lopes também perdeu, mas o terceiro lugar acabou com a carreira política. 

Nesta altura, o PSD parecia um clube de futebol que triturava treinadores. O salvador nunca foi Mendes, Menezes ou Ferreira Leite, mas sim Passos Coelho. 

A primeira semana difícil do ano

A forma como o governo vai responder ao chumbo da descida da TSU será fundamental para aguentar os acordos parlamentares com o BE e o PCP durante o ano, sendo que, as eleições autárquicas poderão ser aproveitadas pelos candidatos para fazer campanha uns contra os outros. 

Não tenho dúvidas que o executivo alcança um acordo com os parceiros no sentido de compensar o chumbo da medida no parlamento, embora mais uma vez sem o conhecimento de bloquistas e comunistas. O que será fundamental é a mensagem transmitida até ao final do debate que deve durar a semana inteira. 

O primeiro-ministro falhou na concertação social porque teve de compensar os patrões para cumprir a promessa eleitoral e não convenceu os parceiros de coligação, nem sequer o PSD. Quem é que Costa vai culpar pelo fracasso?

Tendo em conta que estamos no princípio do ano é possível que se comecem a verificar algumas fissuras por incompetência de António Costa, podendo ser o início da perda de controlo da situação. As sondagens dirão se a governação começa a piorar.

O mais interessante são as críticas à atitude do PSD. Não percebo porque razão o PS tem medo de apontar o dedo aos parceiros parlamentares, já que, também foram BE e PCP os principais defensores do aumento do salário mínimo nacional.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Figuras da Semana

Por Cima

Theresa May - A semana mostrou que o Reino Unido pretende ser uma potência a nível económico e político. A saída da União Europeia permite alcançar objectivos grandes. A ambição da primeira-ministra é um bom sinal para todos os que votaram a favor do Brexit. 


No Meio 

Donald Trump - O empresário conseguiu ser empossado como presidente dos Estados Unidos contra tudo e todos. Os números estavam todos contra ele desde o início da apresentação da candidatura, mas é um feito ter recolhido o apoio da maior parte dos norte-americanos. O discurso de tomada de posse não entusiasmou, mesmo para os amantes daquela ideologia. Não vai ser recordado como dos melhores da história política.

Em Baixo

António Costa - O primeiro-ministro não tem solução para o chumbo da descida da TSU na próxima semana. O governo confiou demasiado na vontade do PSD em fazer passar a medida. Costa tem o problema de achar que consegue negociar com todos e sair sempre por cima. O pior é que o executivo vai culpar os sociais-democratas e deixar passar em claro mais uma atitude contra dos partidos que o apoiam no parlamento. A chico-espertice do chefe do governo começa a virar-se contra si.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Regresso ao orgulho americano e ao proteccionismo

Um discurso muito virado para dentro, mostrando vontade em transformar os Estados Unidos a nível interno. Trump não deu muito ênfase à política externa, confirmando os indicadores dados na campanha eleitoral, embora a promessa de terminar com o radicalismo islâmico seja impossível de alcançar.

A vontade de mudar os Estados Unidos tem sido o principal trunfo de Trump, pelo que, fazia sentido continuar com o mesmo tom. 

O discurso é inédito porque praticamente nunca se tinha ouvido nada assim nos Estados Unidos, enquanto na Europa isso tem sido decisivo para mudar as orientações políticas. Trump corre riscos excessivos ao ter dito que iria haver uma transição de poder de Washington para o povo. Os norte-americanos sabem que isso não vai acontecer.

O grande sinal dado por Trump tem a ver com o regresso do proteccionismo. Não tenho dúvidas que o novo Presidente vai lutar pelos trabalhadores e empresários norte-americanos em vez de mandar as empresas para fora do país. Talvez seja isso que Trump quis dizer nas primeiras palavras do discurso.

Trump não é um grande orador, tendo frases que roçam o autoritarismo, parecendo que a lei e ordem tem de ser cumprida, sob pena de sanções. 

A primeira mensagem dirigida aos norte-americanos e ao Mundo não causou fascínio, mesmo que a ocasião tenha de ser aproveitada para aumentar a auto-estima da nação. 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

As dúvidas e poucas certezas do mandato de Trump

O mundo aguarda com expectativa a tomada de posse de Donald Trump como 45º presidente dos Estados Unidos. 

As previsões feitas ao longo das semanas são muitas, não havendo nenhum padrão. Uns acham que vai ser desastre, outros pensam que pode surpreender. Os índices de popularidade de Trump são responsáveis pelas análises incertas sem fundamento. Ou seja, as opiniões têm apenas em conta os discursos feitos durante a campanha eleitoral. 

A escolha da nova equipa poderia acalmar os ânimos, mas a declaração da semana passada deu novamente vida aos críticos. 

O mais curioso é que nem sequer os apoiantes do empresário conseguem prever o que vai acontecer. Os detractores vão continuar com manifestações e a imprensa espera pelo mínimo erro para começar a tentar derrubar o Chefe do Estado. Os líderes mundiais também estão apreensivos, sobretudo a Europa que vai ficar mais isolada e no meio de duas potências que irão reestabelecer os laços diplomáticos. Os inimigos não devem estar contentes com a mudança porque Obama sempre preferiu a via do diálogo e esperam que Trump reforce o poder militar norte-americano.

No meio disto tudo, a única certeza é que haverá muito para falar e escrever sobre a próxima presidência norte-americana.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Cumprir a promessa para ser uma grande potência

A promessa de sair da União Europeia sem ficar com ligações políticas, jurídicas ou sentimentalistas vai ser cumprida. 

O Reino Unido terá uma saída total sem privilégios ou obrigações que toldam os movimentos nas relações com os outros blocos. É uma evidência a vontade de terminar com uma ligação que não estava a ter sucesso para explorar melhor as capacidades das outras potências.

O sinal dado mostra que os britânicos pretendem ser uma potência mundial e a melhor no espaço europeu, superando a Alemanha e a França. A grande vantagem sobre alemães e franceses é o acolhimento que os britânicos podem dar. Isso nem sempre é referido, mas é um factor importante para conquistar negócios. 

O Reino Unido escolheu um caminho livre e independente dentro da Europa para crescer economicamente, mas também no sentido de estar livre dos vários problemas que a União Europeia tem de enfrentar. O primeiro acto desta liberdade é o encontro entre Theresa May e Donald Trump. A velha aliança ganha novos contornos. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Os inimigos dos presidentes norte-americanos

Ao longo da história da política norte-americana os presidentes tiveram sempre um inimigo para justificar acções diplomáticas ou militares.

Desde o início do século XXI que os dois presidentes apontaram as baterias para um país. O republicano George W.Bush entendeu que o melhor seria destruir Saddam Hussein para livrar o Iraque do Eixo do Mal. Tendo em conta que a guerra em 2003 correu mal não houve mais acções militares, em particular no Irão. 

O mandato de Obama fica marcado pelo afastamento diplomático da Rússia, sobretudo nos últimos dois anos. Não houve qualquer reacção às ameaças nucleares norte-coreanas. A política externa de Obama centrou-se mais na resolução de problemas como o problema nuclear iraniano e o restabelecimento das relações com Cuba. No Médio-Oriente não houve intervenções militares, apesar dos esforços para tirar Bashar al-Assad do poder na Síria. No Oriente também se estabeleceu vários encontros bilaterais com a China.

O inimigo começou a ser a Rússia devido ao envolvimento de Moscovo na guerra da Síria. 

O presidente Trump vai mudar tudo isto. O empresário garante que irá reforçar os laços com Putin e não pedir a saída do ditador na Síria, bem como rever os acordos com o Irão e Cuba. Quer dizer que Trump não tem inimigos externos? Isso não é verdade porque a China parece ser o grande cavalo de batalha do novo Chefe do Estado. 

Os Estados Unidos gostam de se meter com os principais rivais na economia, poder militar e influência política. À medida que cada novo presidente escolhe um inimigo ele fica mais forte. A política de Obama relativamente a Moscovo só deu mais força a Putin, enquanto a China pode ultrapassar a economia norte-americana dentro de quatro anos. 

Na minha opinião, Obama esteve mal ao ter isolado a Rússia, mas Trump vai ser ainda mais penalizado se estragar o trabalho do antecessor com Pequim. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Um embaraço político para Costa

A polémica em torno da descida da TSU já corre mal ao primeiro-ministro. As intenções do governo eram boas porque visa compensar as empresas que terão de aumentar o salário mínimo nacional, mas está a provocar o primeiro embaraço do ano ao governo socialista.

A posição do PSD será sempre entendida como uma estratégia para enfraquecer o executivo, sendo que, só mais tarde se saberá quem ganhou. Neste momento, os sociais-democratas causaram um problema ao anunciarem que vão votar contra a medida.

Na minha opinião, Costa deu como garantida que tinha a abstenção da direita e agora vai ter que sofrer uma derrota. A grande dificuldade do primeiro-ministro tem a ver com o discurso da culpa contra o PSD porque não vai atacar os parceiros no parlamento. O alvo será sempre o PSD, mas desta vez, Passos Coelho deve ter uma razão, que mais tarde explicará, para chumbar a proposta. 

Os críticos de Passos Coelho pensam sempre pouco na capacidade do líder social-democrata conseguir explicar porque razão está contra uma medida. 

O debate sobre a descida da TSU é o primeiro grande confronto de Costa contra todas as bancadas porque o CDS também vai aproveitar para enfraquecer o governo. No futuro haverão mais, mas a primeira dificuldade surge numa altura em que Costa pensava ter tudo controlado e com as sondagens favoráveis. 

Os problemas podem não ficar por aqui se Marcelo Rebelo de Sousa decidir entrar no despique contra o chefe do governo. 

A independência do PSD

O PSD assume uma posição solitária no início de um ano que culmina com as eleições autárquicas. 

As posturas face à candidatura de Assunção Cristas em Lisboa e a votação contra a descida da TSU como forma de recompensar as empresas pelo aumento do salário mínimo nacional revelam que os sociais-democratas têm uma agenda própria.

Na minha opinião, Passos Coelho faz bem em avançar sozinho na principal Câmara Municipal do país, embora esteja mal na questão da TSU.

O PSD precisa de ir a jogo com um candidato, mesmo que seja difícil vencer. A liderança de Passos não pode ser apreciada com o resultado em Lisboa, sendo que, também é importante as áreas adjacentes. As obras operadas por Fernando Medina garantem uma vitória antecipada. O melhor nome não é alguém famoso, mas um vereador que esteja a fazer um bom trabalho. 

Na questão da descida da TSU, o PSD segue o populismo do BE e PCP. Se Passos tem uma agenda liberal deveria votar a favor da medida porque beneficia as empresas, permitindo contratar mais pessoas ou pelo menos manter os actuais trabalhadores. As empresas não podem continuar a pagar milhares de euros ao Estado.

Nas duas questões o PSD mostra que não anda a reboque de nenhum partido, seja no Parlamento ou no poder local.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Início difícil para Trump

As notícias e os comportamentos de Trump são um mau começo para o Presidente eleito que ainda nem sequer tomou posse.

Na minha opinião o empresário não vai ter vida fácil na Casa Branca, à semelhança do que aconteceu durante a campanha presidencial. Os tiques autoritários também começam a ser vistos.

Apesar de tudo, o principal problema chama-se Rússia. De que forma o novo Presidente vai aceitar que conseguiu ser eleito devido à ajuda de Moscovo e como irá convencer a população que a melhor solução é o reatamento das relações entre os dois países. Parece que Putin venceu Obama e tem Trump na mão...

Tenho a convicção que a imprensa irá escrutinar qualquer movimento do milionário, mesmo o mais singelo.

Os primeiros seis meses são decisivos para perceber qual será a reacção ao início complicado, sobretudo após a saída gloriosa de Barack Obama.

Talvez a experiência política que Trump não tem seja um factor decisivo na manutenção da fraca popularidade ou no crescimento da mesma. A política tem a particularidade dos votos não corresponderem a aceitação por parte da população.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A constante tentativa de eliminar politicamente Passos Coelho

O principal desporto de alguns comentadores é bater politicamente em Pedro Passos Coelho. Tem sido assim desde o início da aventura política em 2008 com a apresentação da candidatura a líder do PSD. A partir desse momento houve apenas uma derrota eleitoral na primeira tentativa de chegar ao poder no PSD.

As duas vitórias eleitorais em 2011 e 2015 não foram suficientes para reconhecerem valor no actual líder social-democrata, bem como as inúmeras conquistas dentro do partido, que impediu vários militantes de se candidatarem, como aconteceu com Rui Rio. O principal problema do antigo presidente da Câmara Municipal do Porto chama-se Passos Coelho. Rio sabe que não consegue chegar à liderança nestas condições.

As críticas à liderança de Coelho são constantes porque é um hábito criado desde o princípio. Neste momento, é o alvo mais fácil, já que, os números estão todos contra si. No entanto, não me lembro de haver tanta união nos sociais-democratas à volta de um líder. 

A política nacional é pródiga em arranjar inimigos comuns, sendo que, enquanto não se "eliminar" politicamente alguém ninguém descansa. Note-se que Marcelo Rebelo de Sousa não é alvo de críticas porque tem boa imprensa. 

Na minha opinião seria bom Passos Coelho ter um concorrente nas próximas eleições internas para aferir da capacidade de liderar o país um ano depois do acto eleitoral no PSD. Pode ser que com isso conquiste respeito...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Aumentos no eleitorado socialista

O novo ano trouxe aumentos a vários níveis, sobretudo no sector social. A iniciativa governamental de criar melhores condições para os mais desfavorecidos é uma promessa que nasceu nas eleições.

O problema é que o governo apenas se preocupa com o seu eleitorado de forma a recuperá-lo nos próximos actos eleitorais. Não é uma medida que visa retirar votos à direita, mas conquistar os socialistas descontentes que votaram no Bloco de Esquerda e no Partido Comunista em 2015.

A estratégia visa criar um ambiente social favorável para recuperar eleitores que temiam uma governação de direita por parte do PS sempre submisso a Bruxelas. A liderança de António Costa mostra que os socialistas têm preocupações sociais, embora apenas do ponto de vista táctico.

O governo pretende que as pessoas tenham mais dinheiro nas mãos para consumir, o que poderá permitir o crescimento económico. 

As pessoas estão mais satisfeitas, mas os serviços estão cada vez mais caros, como é o caso de alguns produtos alvo da subida do IVA, bem como dos transportes, rendas, combustíveis e mesmo os transportes. Os sectores referidos não fazem parte do eleitorado socialista, pelo que, não faz mal criar mais dificuldades.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Marcelo podia ser um Presidente perfeito

A mensagem de ano novo do Presidente da República foi perfeita. O Chefe do Estado tocou nos pontos principais e não actuou de forma parcial como se esperava por causa da relação que tem com o primeiro-ministro.

O Presidente não deixou de fazer alguns reparos importantes como a definição de uma estratégia para o crescimento económico. Pode ser que Marcelo ajude Costa neste tema...

A mensagem política tornam Marcelo um excelente inquilino de Belém, mas as constantes aparições junto dos microfones estraga tudo. Isto é, se Marcelo fizesse um esforço para ser mais institucional e respeitar o cargo que ocupa poderia ser brilhante, quiçá, melhor que Soares e Cavaco Silva. Se continuar a preferir as câmaras de televisão os actos mais importantes ficam em segundo plano.

As declarações de Marcelo tiveram o condão de unir todos os partidos políticos. Há muito que as forças políticas não estavam de acordo relativamente ao conteúdo da mensagem presidencial no primeiro dia do ano. No entanto, convém lembrar que Cavaco Silva também começou muito suave.
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